O custo da cesta básica voltou a pressionar o orçamento das famílias de Ilhéus e Itabuna em maio. Levantamento do Projeto Acompanhamento do Custo da Cesta Básica, da Universidade Estadual de Santa Cruz, mostra que a cesta passou a custar R$ 667,35 em Ilhéus e R$ 665,90 em Itabuna, com altas mensais de 3,98% e 3,21%, respectivamente. Os percentuais ficaram acima da inflação oficial medida pelo IPCA-15 no período, que foi de 0,62% no país.
Em Ilhéus, os maiores aumentos ocorreram no tomate (19,63%), feijão (13,12%), arroz (11,11%), manteiga (4,41%) e carne (3,58%). O tomate sozinho passou a representar um gasto mensal de R$ 114,84 para uma família que segue a composição da cesta básica definida pelo Decreto-Lei nº 399. Já a carne permaneceu como o item de maior peso no orçamento, respondendo por 40,6% do custo total da cesta.
O estudo aponta que o avanço dos preços em Ilhéus foi superior não apenas à inflação geral, mas também ao índice de Alimentação e Bebidas calculado pelo IBGE. Enquanto esse grupo registrou alta de 1,38% no Brasil e de 2,04% em Salvador, a cesta básica local avançou quase 4%.
ITABUNA
O cenário foi semelhante em Itabuna. O tomate liderou as altas, com aumento de 15,09%, seguido por feijão (6,84%), arroz (5,95%), pão (4,75%), banana (2,55%) e café (1,1%). A pesquisa relaciona parte dessas pressões a fatores climáticos, excesso de chuvas, elevação dos custos logísticos e dependência regional de centros produtores externos.
Assim como em Ilhéus, a carne continuou sendo o item mais oneroso da cesta em Itabuna, representando 39,84% do custo total. O tomate respondeu por outros 22,96%.
IMPACTO NO SALÁRIO MÍNIMO
O impacto direto dessas elevações aparece no comprometimento da renda dos trabalhadores. Em maio, um trabalhador que recebe salário mínimo precisou destinar 44,51% do rendimento líquido para comprar a cesta básica em Ilhéus. Em Itabuna, o comprometimento foi de 44,41%.
PROJEÇÕES
As projeções elaboradas pelo ACCB/Uesc indicam que o custo da cesta básica ainda deve subir em junho nas duas cidades antes de apresentar uma tendência de recuo até agosto.
O boletim também prevê aumento nos preços da maior parte dos produtos que compõem a cesta nos próximos meses, movimento associado a fatores sazonais, custos de produção, oscilações do mercado agrícola e impactos sucessivos dos reajustes nos combustíveis sobre o transporte de mercadorias.


















