Adusc aponta queda no investimento das universidades estaduais || Foto Divulgação
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Os investimentos executados nas quatro universidades estaduais da Bahia caíram em 2025 ao menor patamar dos últimos três anos, afirma a Associação dos Docentes da Uesc (Adusc). Dos R$ 200,1 milhões previstos na Lei Orçamentária Anual, apenas R$ 59,8 milhões foram efetivamente aplicados, conforme a entidade. O valor corresponde a 29,9% do orçamento destinado às instituições.

Os dados foram levantados pela Associação dos Docentes da Universidade Estadual de Santa Cruz com base no Portal da Transparência do Estado. O conjunto inclui a Uesc e as universidades estaduais de Feira de Santana (Uefs), do Sudoeste da Bahia (Uesb) e da Bahia (Uneb). Ao todo, R$ 140,3 milhões deixaram de ser executados.

A baixa execução atinge recursos destinados a obras, reformas, equipamentos e outras melhorias na estrutura universitária. Segundo a Adusc, o dinheiro estava previsto no orçamento aprovado pela Assembleia Legislativa, mas a liberação dependia de decisões administrativas do Governo da Bahia.

A entidade afirma que os números expõem a falta de autonomia administrativa e financeira das universidades estaduais. Embora administrem atividades próprias de ensino, pesquisa e extensão, as instituições ainda dependem de autorizações centralizadas em órgãos estaduais para executar parte de seus recursos.

UESC APLICOU 14,5% DO ORÇAMENTO

A situação da Universidade Estadual de Santa Cruz foi ainda mais restritiva. A instituição tinha R$ 44,5 milhões autorizados para investimentos em 2025. Somente R$ 6,4 milhões foram executados. O montante representa 14,5% do total previsto.

Mais de R$ 38 milhões deixaram de ser aplicados na Uesc. Na prática, 85,5% do orçamento destinado a investimentos não saiu do papel. A universidade atende estudantes de dezenas de municípios e mantém atividades acadêmicas com impacto direto no sul da Bahia.

“É um dado absurdo e inaceitável. Estamos falando de recursos essenciais para garantir o funcionamento da universidade, com ensino, pesquisa e extensão”, afirmou a presidente da Adusc, professora Nane Albuquerque.

Segundo ela, a restrição paralisa construções, reformas e compras de equipamentos. “Ficam paradas construções, reformas, aquisição de equipamentos, contratação e valorização de professores e técnicos, afetando diretamente a qualidade da educação e também a vida do servidor”, acrescentou.

A Adusc sustenta que a baixa aplicação não pode ser explicada pela falta de previsão orçamentária. A associação também contrapõe a redução dos investimentos ao crescimento do Produto Interno Bruto e da arrecadação estadual.

“ESCOLHA POLÍTICA”

“É uma escolha política. As universidades públicas não são tratadas como prioridade”, criticou Nane. A dirigente também cobrou a retomada das negociações entre o governo e os professores. “Há um ano o governo estadual se recusa a receber o movimento docente para negociar nossas reivindicações, e os números comprovam o estrangulamento orçamentário imposto à educação superior pública baiana.”

ATO PÚBLICO

Docentes das quatro universidades estaduais farão uma mobilização, nesta quarta-feira (29), em Salvador, para marcar um ano desde a última reunião entre representantes do Governo da Bahia e da categoria.

O Fórum das Associações Docentes e a Adusc cobrarão a reabertura das negociações com a gestão do governador Jerônimo Rodrigues (PT). As entidades reivindicam o atendimento de direitos da categoria, melhores condições de trabalho e ampliação do orçamento destinado às universidades estaduais.

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