A presença do peixe-leão acendeu o alerta no extremo-sul da Bahia após a captura de 440 exemplares no litoral de Porto Seguro. A espécie invasora também já foi identificada no Parque Nacional Marinho dos Abrolhos, uma das áreas com maior biodiversidade marinha do Atlântico Sul.
Dos animais recolhidos, 430 foram congelados e encaminhados ao Laboratório de Ecologia e Conservação Marinha da Universidade Federal do Sul da Bahia (UFSB). Os pesquisadores analisam tamanho, peso e conteúdo do estômago dos exemplares para medir os impactos sobre as espécies nativas.
Originário do Indo-Pacífico, o peixe-leão foi avistado pela primeira vez na região em junho. A espécie se reproduz rapidamente e não encontra predadores naturais capazes de controlar sua população no Oceano Atlântico.
A proliferação ameaça a pesca artesanal, desequilibra os ecossistemas recifais e pode afetar o turismo nas áreas costeiras. Os pesquisadores ainda não possuem dados suficientes para calcular a dimensão dos danos em Abrolhos.
PLANO CONTRA BIOINVASÃO
A Prefeitura de Porto Seguro implantou um plano municipal de enfrentamento à bioinvasão. A iniciativa reúne a Secretaria Municipal de Meio Ambiente e Causa Animal e pescadores da Colônia Z-22. O programa prevê o pagamento de R$ 10 por exemplar capturado.
A carne do peixe-leão pode ser consumida, mas o animal possui 18 espinhos ligados a glândulas de veneno. A retirada exige treinamento e cuidados específicos para evitar acidentes.
Como não há registro de erradicação da espécie nas áreas onde ela se estabelece, cientistas apontam o controle populacional e o monitoramento contínuo como as principais medidas para reduzir os prejuízos ambientais e econômicos.



















