O Observatório das Big Techs, do NetLab da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), identificou anúncios eleitorais irregulares na Meta, no Kwai e no Google, além de recomendações de vídeos de candidatos pelo TikTok e pelo YouTube. Segundo as regras do Tribunal Superior Eleitoral, a propaganda eleitoral paga na internet é proibida desde 48h antes até 24h depois da eleição. As plataformas também devem excluir dos sistemas de recomendação os perfis de candidatos informados à Justiça Eleitoral, ressalvadas as exceções legais.
Nas plataformas da Meta, o levantamento encontrou 568 anúncios veiculados irregularmente. Outros seis simulavam comunicações do TSE e divulgavam a falsa possibilidade de votar pelo celular ou de casa. Algumas dessas peças encaminhavam usuários a sites que solicitavam o CPF para iniciar a suposta votação.
No Kwai, foram identificados 18 anúncios eleitorais ativos no dia da votação e quatro classificados como pausados, três dos quais haviam circulado no período de restrição. O NetLab também encontrou indícios de que 45 anúncios tiveram a circulação estendida até o domingo eleitoral, mas não conseguiu confirmar integralmente esses casos devido a divergências nos dados. No Google, um anúncio identificado no dia 3 de outubro permanecia ativo irregularmente.
O monitoramento dos sistemas de recomendação encontrou, entre os dias 3 e 4 de outubro, 18 vídeos de sete candidatos sugeridos pelo TikTok e 17 vídeos de seis candidatos recomendados pelo YouTube. No Instagram, não foram encontradas recomendações de vídeos publicados por candidatos.
FALTA DE TRANSPARÊNCIA
O NetLab apontou limitações de transparência que dificultam a fiscalização. Na Meta, anúncios apareciam como inativos na biblioteca e, simultaneamente, em listagens de peças ativas. O Kwai apresentou divergências entre a biblioteca e os arquivos exportados. Google, LinkedIn e TikTok oferecem informações consideradas insuficientes para o acompanhamento sistemático da propaganda eleitoral.
O QUE DIZEM AS EMPRESAS
As empresas afirmaram cumprir a legislação e atuar pela integridade das eleições. A Meta contestou a representatividade da amostra; o Kwai informou que aguardava os conteúdos para avaliá-los e citou uma operação especial de fiscalização.
O TikTok declarou ter removido quase 349 mil vídeos por violações entre junho e setembro. O Google afirmou proibir anúncios políticos no Brasil desde 2024 e interpretou a identificação de apenas uma peça como sinal da eficácia de suas medidas. Com Agência Brasil.



















