Trabalhadores da obra de construção da nova ponte || Foto José Nazal
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A eles, todo o meu respeito. Se eu pudesse, colocaria uma placa com seus nomes, para que nunca fossem esquecidos. Como não posso, estou trabalhando em um projeto para registrar as fases da construção da ponte, onde será citado o nome de cada uma das pessoas que trabalharam na obra. Deus permita que eu consiga dar conta de fazer.
José Nazal
Está quase chegando a hora da ponte ser entregue, depois da visita do governador Rui Costa, seguido da liberação para a abertura. Quero agradecer, em meu nome pessoal e dos meus familiares, ousando também agradecer em nome dos ilheenses e amigos que me seguiram no acompanhamento da obra pelas redes sociais, àqueles que são os verdadeiros heróis que trabalharam na obra, oferecendo cada um o seu saber, sua experiência, seu suor e sangue para que Dona Ponte pudesse se transformar de um projeto no papel na realidade que hoje vemos.
Quase seis centenas de homens e mulheres se dedicaram no trabalho da obra, estando representados nesse grupo que tive a honra de fotografar no dia 02 de dezembro de 2019.
Rendo minha homenagem a todos e todas, mas cito apenas o nome de quatro colaboradores que, mais do que suor e sangue, deram suas vidas no trabalho da obra: CARLOS AUGUSTO DOS SANTOS ALVES, NELSON BISPO DOS SANTOS, JOEL ARAÚJO DE MATOS e ROBSON SENA SAMPAIO.
Eles infelizmente perderam a vida num trágico naufrágio ocorrido no dia 19 de setembro de 2013.
A eles, todo o meu respeito. Se eu pudesse, colocaria uma placa com seus nomes, para que nunca fossem esquecidos. Como não posso, estou trabalhando em um projeto para registrar as fases da construção da ponte, onde será citado o nome de cada uma das pessoas que trabalharam na obra. Deus permita que eu consiga dar conta de fazer.
José Nazal é fotógrafo, memorialista, vice-prefeito de Ilhéus e autor de Minha Ilhéus – Fotografias do Século XX e um pouco de nossa História.
Na floresta, o jequitibá espalha as sementes e faz brotar seus sucessores; na política também é possível, desde que o herdeiro professe dos mesmos ideais, das mesmas determinações, os mesmos compromissos.
Walmir Rosário || wallaw2008@outlook.com
Aos poucos, o Grande Arquiteto do Universo, Deus – ou o todo-poderoso de qualquer das religiões ou línguas conhecidas – vai chamando seus filhos para que fiquem ao seu lado. Por certo, cumpriram a missão nesta terra e se preparam para novas tarefas. Neste domingo (28), chegou a vez de Almir Melo, aos 75 anos (completaria 76 em no próximo 5 de outubro).
Almir Melo não gostava de comemorar seu aniversário, mas esperava protagonizar outro festejo, o da eleição e chegou de Salvador – onde cumpria o isolamento social – para anunciar a Canavieiras sua disposição de governar sua amada terra por mais 4 anos. Concedeu entrevistas e afirmou em alto e bom som que era pré-candidato, disposto que estava de voltar a reconstruir sua cidade.
O retorno de Almir Melo à vida política decorreu de uma série de fatores, sendo que o que mais pesou foi o clamor dos canavieirenses para que voltasse a ser o timoneiro de sua terra, atualmente atravessando por mares revoltos. Esperavam eles viver conforme o ditado popular: depois da tempestade vem a bonança. Ao que tudo indica, não seria do designo de Deus.
Prefeito por quatro mandatos, é reconhecido até pelos adversários como o maior e melhor administrador de Canavieiras. E não seria pra menos, pois contra fatos não existem ou resistem argumentos. Basta um simples passeio pela cidade para que os feitos sejam constatados nos equipamentos públicos erguidos para atender às áreas da educação, da saúde, da assistência social.
Nos quatro mandatos soube se situar no tempo e no espaço. Com seu prestígio político conseguiu recursos para implantar equipamentos e serviços, desenvolver sua cidade, melhorar a vida de sua população. Conseguiu a abertura de rodovias, facilitou a circulação de pessoas de outras cidades e vislumbrou o turismo como a principal vocação de Canavieiras ao garantir a construção da ponte sobre o rio Patipe para o acesso à Atalaia.
De repente, Canavieiras se transformou em Canes – mas só para os íntimos, como dizia o slogan da peça publicitária –, com um ‘n’ só para se diferenciar da famosa cidade da Côte d’Azur francesa, Cannes. E começou modernizar Canavieiras sem desprezar sua história, suas tradições culturais, que considerava a maior riqueza do seu povo. E vibrava com cada resultado alcançado.
Canavieiras, a cidade das areias brancas! Era aqui neste torrão que pretendia descansar após o último suspiro. E cumpriu o roteiro com maestria. Deixou o isolamento social em Salvador desobedecendo os conselhos de amigos e familiares para cumprir o que pedia sua vontade. Teimosia para uns, seguir o predeterminado por Deus para os que o conheciam de mais perto.
Uma corrente sempre foi o símbolo que o unia aos seus eleitores. Cada um – correnteiro – era um elo que os ligavam pelo amor a Canavieiras. Se um dos elos se partia, imediatamente outro era agregado, bem soldado, sedimentado. Franco e aberto no seu pensar e agir, por vez era mal-entendido ao não prometer projetos e favores individuais num país em que vigora o tome lá, dá cá.
Mas o carisma de Almir Melo transcendia a esses pequenos desencontros e com a mesma altivez de um sim, quando era possível, dizia o não, complementando que teria sido eleito para trabalhar por Canavieiras e não por pessoas. Conhecedor de cada um dos moradores pelo nome e apelido sabia-os cativar pelo jeitão afável, mesmo tratamento que emprestava aos novos amigos.
Fechou seu ciclo! Como um portentoso jequitibá que tomba na Mata Atlântica de Canavieiras, Almir Melo sucumbiu aos problemas coronarianos, festejando quando possível, se resguardando nas adversidades. Na floresta, o jequitibá espalha as sementes e faz brotar seus sucessores; na política também é possível, desde que o herdeiro professe dos mesmos ideais, das mesmas determinações, os mesmos compromissos.
Como dizia Almir Melo nos mais de 44 anos de vida pública: “Que ninguém questione a nossa lealdade! Que não pairem dúvidas sobre a nossa força! Que não se levante suspeita sobre o nosso amor por Canavieiras! O Correnteiro é Fraterno! O Correnteiro é Guerreiro! o Correnteiro é Valente! Não mexa com o Correnteiro quando o que está em jogo é a autonomia, a independência e os interesses da nossa cidade.
Que a saudade se transforme no cimento nos elos dessa corrente por Canavieiras.
Esse contato nos uniu para grandes missões de vida, na política e fora dela. Sou grato a Deus por essa energia positiva e verdadeira.
Rosivaldo Pinheiro || rpmvida@yahoo.com.br
Neste sábado, 27 de junho, apresentei o Ponto de Vista, na Rádio Nacional, sem saber ao certo se era o último programa antes das eleições municipais, já que paira uma incerteza no ar em função da PEC que tramita no Congresso para a mudança da data das eleições. Com esse suspense no ar, no entanto recebi dos meus ouvintes e seguidores das redes sociais muito afeto, reconhecimento e apoio.
Se foi o último da temporada, me despeço com uma sensação gratificante de dever cumprido e com o coração transbordando de felicidade pelas inúmeras entrevistas e informações de qualidade que conseguimos levar para todo o público ao longo da existência do programa. Caso não tenha sido, estarei de volta no próximo sábado.
Criei o Ponto de Vista com muito carinho há quase três anos, e desde então conto com pessoas maravilhosas no Brasil e ao redor do mundo nesse que se tornou o programa dos itabunenses, chegando com grande receptividade nos lares, estabelecimentos comerciais e nos veículos da minha cidade querida – e, para minha alegria, também de outras cidades da região cacaueira e outras mais através da internet.
Contribuímos de forma efetiva com o jornalismo, com prestação de serviço e cidadania, tudo em duas horas de muito dinamismo, interação, olhares plurais e intensidade, que começa a acontecer muito antes de a luz verde do estúdio acender. Preparamos o programa com muita dedicação e esforço, o que eu e minha equipe fazemos com muito esmero e querendo levar o melhor conteúdo para os espectadores.
Na Rádio Nacional e com o nosso público, construí grandes relações. Meu muito obrigado a todos que me acompanham na Comunicação e que se juntaram a mim nessa linda caminhada de vida pela qual tenho tanto amor e respeito. Esse contato nos uniu para grandes missões de vida, na política e fora dela. Sou grato a Deus por essa energia positiva e verdadeira.
Saio para uma outra missão e espero contar com o apoio da sociedade itabunense. Após a eleição, estarei de volta ao batente do rádio, afinal esse veículo serve de âncora para a transformação social através da prática de informar. Mas, como sei que não conseguirei ficar longe da Comunicação – um chamado que entendo, no meu íntimo, ser para a vida toda, enquanto Deus me permitir servir -, continuarei a me comunicar pelas minhas redes sociais.
Minha imensa gratidão por todo o carinho que recebo todos os dias. Peço a Deus que esteja em nossas proteções e permitindo a superação dessa crise sanitária do novo coronavírus, na certeza de que continuaremos juntos na estrada da vida.
Encontro vocês no projeto #EmCasaComRosivaldo, no Instagram e no Facebook: @rosivaldopinheirorp.
Rosivaldo Pinheiro é especialista em Planejamento de Cidades (Uesc) e economista.
Apelando para os céus, prefiro crer que Deus é brasileiro e que tem evitado que o pior aconteça, mas as perigosas incertezas nos empurram cada vez para mais próximo de um horizonte nebuloso.
Rosivaldo Pinheiro || rpmvida@yahoo.com.br
O país assiste – entre perplexidade, incredulidade, versões e fatos reais – a uma série de acontecimentos que nos projeta negativamente no mundo. As circunstâncias observadas são tão surreais que não estamos conseguindo processá-las racionalmente. Percebemos o nascimento de um movimento antidemocrático escancarado, que fere o direito constitucional da livre expressão, da livre manifestação, do estado laico. Atacam a honra e ferem de forma mortal as bases que edificam a democracia, entre elas: o respeito às instituições, independência e harmonia entre os poderes e imprensa livre. Elementos vitais para a construção de uma sociedade crítica, plural, onde os limites legais e o senso crítico devam estar presentes.
Não são animadoras as percepções que estamos tendo ao observar o protagonismo do presidente da República como fio condutor desse estado de barbárie intelectual e extrapolação de limites. A implantação de um exacerbado ideologismo ao aparelho de estado, apropriação dos símbolos nacionais e outras sandices nos remetem às semelhanças acontecidas em outras nações, que culminaram com passagens tristes da história universal: fascismo italiano e nazifascismo alemão, por exemplo.
Na semana passada, estivemos diante de mais um desses fatos: a fala do presidente da República pedindo que populares “fiscalizassem” por conta própria os hospitais para confirmação da existência de um indicativo de caos no sistema de leitos ou malversação. São tantas aberrações que a sociedade vai aprendendo a conviver com essas narrativas sem reagir. Essa passividade, no entanto, acaba por ceder frestas perigosas e, à medida que são ocupadas, permitem solidificação de bases que podem edificar atitudes excludentes e sem licitude.
Se por essas terras houvesse serenidade e harmonia pátria, certamente já estaríamos vivendo uma outra realidade. Talvez não estivéssemos assistindo aos registros que nos incomodam. O espírito mesquinho e beligerante de quem ocupa o maior posto de poder brasileiro nos aparta de registros construtivos e irriga o divisionismo e o obscurantismo.
Por sorte, ainda tivemos alguns atores no poder e parte da sociedade que buscaram saídas, ainda que tenham cometido equívocos. Apelando para os céus, prefiro crer que Deus é brasileiro e que tem evitado que o pior aconteça, mas as perigosas incertezas nos empurram cada vez para mais próximo de um horizonte nebuloso. Pensando positivo, precisamos voltar a ser uma nação, com sua miscigenação representativa, e que tudo isso passe!
Rosivaldo Pinheiro é especialista em Planejamento de Cidades (Uesc) e economista.
Quando Maynart deixou a direção do Hospital de Base, os interesses e as pressões do empresários da Saúde – que historicamente age sorrateiramente nos bastidores, à escondidas – falaram mais alto. No final de abril, em Itabuna não havia nenhuma morte por vocid-19. Hoje, o município é o epicentro da doença na Bahia.
O anúncio da posse de Juvenal Maynart como secretário de Saúde de Itabuna nos faz lembrar dois filmes que conquistaram o sucesso em meados da década de 80: O Retorno do Jedi e De Volta para o Futuro.
No primeiro, um jovem conhece a mãe – antes do casamento com seu pai – que fica apaixonada por ele e põe em risco sua própria existência. O outro, mostra a construção da Estrela da Morte, a estação bélica do Imperador Palpatine e os bandidos da galáxia.
Juvenal Maynart, ex-presidente da Fasi-Fundação de Atenção à Saúde de Itabuna, instituição que administra o Hospital de Base Luís Eduardo Magalhães, está retornando à administração Fernando Gomes. No último dia de março, ele pediu demissão fazendo duras críticas ao modelo de gestão do setor no município.
Após realizar um trabalho reconhecido por todos, Maynart queria transformar o Base numa unidade referência ao combate do coronavírus no sul da Bahia. A proposta, muito bem aceita pelo governador do Estado – que chegou a ser por anunciada ao vivo, em entrevista a Imprensa – enfrentou forte resistência de um grupo de médicos liderados pelos bolsonaristas Eduardo Fontes e Amilton Gomes, inimigos políticos ferrenhos e declarados de Rui Costa e do PT.
Com apoio do vice-prefeito Fernando Vita e da secretária de Governo, Maria Alice, o grupo, que contou com a participação dos médicos Almir Gonçalves e Isaac Nery, agiu nos bastidores e convenceu Fernando Gomes – no momento licenciado do cargo – a enviar uma carta a Rui Costa anunciando que o Base retornaria os atendimentos emergenciais, clínicos-cirúrgicos e traumáticos.
Irritado, o governador mandou o secretário estadual de Saúde ligar para Maria Alice. O conteúdo da conversa não foi nada amistoso e Fábio Vilas-Boas chegou a ameaçar retirar a gestão plena da Saúde de Itabuna. A partir daí, a relação Rui Costa-Fernando Gomes nunca mais foi a mesma. Continua estremecida e o governador apenas finge que esqueceu a desfeita do prefeito itabunense.
Em defesa de seus interesses, o grupo apresentou como opção o Hospital São Lucas, um hospital sucateado, segundo Fábio Vilas-Boas. Resultado: o Base continua enfrentando problemas, a população continua sofrendo e os empresários da Saúde continuam agindo nos bastidores, com duras críticas ao prefeito e ao governador. A crise se agrava e o São Lucas, que poderia estar aberta ao público, continua fechado.
Só o futuro dirá se Juvenal Maynart acertou ao sair ou se está errando ao retornar. Mas ele sabe que vai enfrentar as mesmas forças ocultas que agiram em abril último. Que, em Itabuna, muitos beneméritos, filantropos, abnegados, desprendidos desejam inviabilizar o pleno funcionamento do Hospital de Base. Eles pensam apenas na saúde dos seus bolsos.
Quando Maynart deixou a direção do Hospital de Base, os interesses e as pressões do empresários da Saúde – que historicamente age sorrateiramente nos bastidores, à escondidas – falaram mais alto. No final de abril, em Itabuna não havia nenhuma morte por covid-19. Hoje, o município é o epicentro da doença na Bahia.
Na manhã desta sexta-feira, dia 12, Juvenal Maynart assume a Secretaria de Saúde de Itabuna. No seu futuro está a paixão pela mãe Saúde e o amor por Itabuna; no seu retorno, o desafio de fazer o Hospital de Base referência em salvar vidas, cuidar das vítimas da pandemia do coronavírus e enfrentar os interesses dos empresários do setor, que continuam agindo nos bastidores.
Ederivaldo Benedito é radialista e jornalista, além de editor do Blog do Bené.
Ao invés de combater a doença, combate-se a percepção de que ela existe, saindo do campo da ciência e atuando na comunicação e na política, seguindo a cartilha do ditador do Turcomenistão.
Andreyver Lima || andreyver@gmail.com
Uma das diferenças entre democracia e ditadura, é que na democracia pelo menos você tem uma chance lutar. Não é o fim em si, mas um método de convívio político-social. Mesmo na democracia, é preciso continuar lutando por liberdade, dignidade, transparência e acesso ao conhecimento. Numa democracia, você tem a chance de pouco a pouco avançar. Porém numa ditadura, a primeira vítima é a verdade, o acesso à informação e ao conhecimento. Amarrando suas mãos e te jogando no escuro para morrer vendado na ignorância sem ter ideia do que está acontecendo.
Desde o final da semana passada o Governo Federal, durante uma emergência de saúde pública, parece fazer um esforço coordenado para deixar o Brasil no escuro, sem saber os números relacionados à doença. O atraso na divulgação dos boletins do Ministério da Saúde sobre o avanço do vírus, aconteceu justamente quando o país bateu recordes no número de óbitos por dia. Só a mudança brusca na divulgação dos dados já é o suficiente para desconfiar das intenções do Ministério da Saúde.
Quando a maior autoridade sanitária do país passa a omitir e esconder dados durante uma epidemia, gera uma cadeia de desconfiança em toda a sociedade. Talvez a intenção seja de deixar os telejornais noturnos sem as informações atualizadas.
Esse método letal de manipular as informações já foi utilizado no Brasil na grande epidemia de meningite, durante a ditadura na década de 70. E mais recentemente foi utilizado pelo ditador do Turcomenistão, Gurbanguly Berdimuhamedow, que, no meio da crise atual, proibiu que os jornais usassem o nome do vírus. A palavra “coronavírus” não pode aparecer em publicações oficiais, notícias da mídia estatal e nem mesmo em conversas de bar. A estratégia é de que uma crise não existe, se você proibir que se fale sobre ela.
No Brasil, o resultado dessa estratégia vai passar a mensagem de que o país tem menos mortes e menos casos da Covid-19. Ao invés de combater a doença, combate-se a percepção de que ela existe, saindo do campo da ciência e atuando na comunicação e na política, seguindo a cartilha do ditador do Turcomenistão.
Andreyver Lima é comentarista político no Jornal Interativa News 93,7FM e editor do site sejailimitado.com.br
Com toda certeza, colocarei mais esse trecho no meu livro da vida: quando uma pessoa tentou “abafar” a minha voz, eu dei voz e espaço a doze, com o sorriso no rosto e a delicadeza que toda mulher forte tem!
Manuela Berbert || manuelaberbert@yahoo.com.br
Somos as nossas conexões. A nossa rede de relacionamentos, que começa ainda na infância com a família e que se estende ao longo da vida, com os ciclos de amizade e relacionamento amoroso, colegas de trabalho etc. Um vai e vem de pessoas e momentos, e com eles, claro, lições e inúmeros aprendizado. E “se você nasceu com uma visão privilegiada, o seu papel não é abrir guerra contra quem pensa diferente, mas sim levar adiante o que tem de conhecimento”, escutei dia desses, e concordo demais.
Com a crise mundial do COVID-19 e o isolamento social, as conexões virtuais nunca estiveram tão em alta. O universo digital tomou ainda mais força, e com a ela a necessidade de reinventar formas de estar presente, de ser presente. As fórmulas prontas já não constroem resultados significativos, conseguindo até manter um certo “espaço”, mas não gerando audiência. (E isso vai impactar diretamente nas próximas eleições, mas esse assunto é pauta para outro texto).
Há exatamente uma semana iniciei um projeto no Instagram chamado Manu Convida Mulheres. Doze mulheres, das mais diversas áreas e atuações profissionais, estão sendo convidadas a contar suas histórias. E quantas histórias lindas de superação e crescimento temos! Todas narradas com erros e acertos, mas com muita coerência nas falas e atitudes, inclusive nos elogios aos parceiros que validam e incentivam seus progressos. Não há necessidade de rivalidade entre gêneros. O que há é necessidade de igualdade entre todos.
Há algumas semanas convidei um amigo para pautar um tema específico, e fui ignorada. Lembrei que todos os nãos que a vida me deu, transformei. E assim nasceu um projeto que vem inspirando centenas de pessoas por dia. Com toda certeza, colocarei mais esse trecho no meu livro da vida: quando uma pessoa tentou “abafar” a minha voz, eu dei voz e espaço a doze, com o sorriso no rosto e a delicadeza que toda mulher forte tem!
Itabuna chora, mas não se queda. O itabunense forjado na imensa nação grapiúna, mesmo inconformado, sabe que é o momento de recolher os cacos, mas sem entregar os pontos, até que cheguem os tempos de bonança.
Walmir Rosário || wallaw2008@outlook.com
De cara, quero me desculpar por escrever sobre um tema que não tenho o menor conhecimento científico, daí espero ganhar o perdão antecipado. É que sou curioso e não posso deixar passar uma oportunidade como essa, na qual a palavra crise é a mais ouvida, rivalizando apenas com a palavra da moda: pandemia do Coronavírus, transformada em sucesso internacional.
Não represento médicos, por não ser formado em medicina; não represento os biólogos, por razões óbvias, mas para facilitar a compreensão, represento a mim mesmo pela quantidade de anos e experiência acumulada. Prometo não dissecar o vírus, pois nem o ex-ministro Mandeta também o sabia, mas preciso falar de vida, as que ficaram no meio do caminho e as que teimam em seguir.
Por ser itabunense por adoção – com Título de Cidadão pregado na parede –, tomo a devida licença para as devidas comparações, mesmo sem ter vivido a famigerada Gripe Espanhola ou outras tais, pois ainda não fazia parte deste mundo. No máximo, acompanhava – por ouvir dizer e, alguns casos conhecer – alguns personagens que morreram de doenças à época incuráveis. Velório, muito choro, enterro e vida que segue.
Lembro-me bem, entretanto, das grandes enchentes, que matavam muitas pessoas e deixavam outras tantas desabrigadas – eram os sem casa, sem mobiliário, sem alimentação. Chamávamos de desabrigados e eram acomodados, ou acolhidos, melhor dizendo, em escolas e demais prédios públicos, até que as águas baixassem e a prefeitura providenciasse novas casas ou terrenos para que trocassem de endereço.
Uma grande comoção! Como tal, a providencial solidariedade se fazia presente em doações das mais diversas, entregues pelos próprios doadores, em visitas engrossadas pelos curiosos. Assim que o rio Cachoeira voltava ao normal, os pescadores voltavam a pescar e vender os peixes, camarões e pitus, o comércio às margens do rio abria as portas, os que se mudaram voltavam às casas que não tinham sido levadas.
Era a hora da reconstrução! E o itabunense – nato ou por adoção – esquecia rapidamente os problemas sofridos e voltava ao trabalho com mais afinco. Para uns, teriam sido os castigos divinos, pois Deus já não suportava a ganância e a luxúria, além de outros tipos de pecados cometidos; outros criticavam a teimosia do homem em querer ser maior que Deus; outros poucos assentiam que se tratava apenas de fenômenos naturais.
Em uma semana – no mais tardar 15 dias – o estoque do comércio reposto, os bancos funcionando, o comércio de cacau e a pecuária a pleno vapor e Itabuna voltava a ser a capital regional do Sul da Bahia. Hoje o rio Cachoeira não representa mais esse perigo pela diminuição das águas que passam no seu leito, engrossado pelos esgotos innatura despejados pelas cidades onde banha.
Mas como miséria pouca é bobagem, atualmente Itabuna sofre de outro mal maior, conhecido como pandemia do Coronavírus, na sua última versão: o Covid-19, que tira as pessoas de suas casas e os transferem para os hospitais e os cemitérios. Se antes as forças da natureza fechava as portas das atividades comerciais com base na área geográfica de sua influência, agora são os governantes numa só canetada.
Se antes a volúpia das águas era quem decidia o prazo, hoje são as leis, decretos e portarias os sentenciadores da permissão a quem deve trabalhar. Pelo que ouvi dizer, o Covid-19 não tem predileção pelo tipo de atividade tal e qual consta nas definições dos códigos tributários, por não ter condições de discernir uma loja de tecidos de um supermercado, um bar e restaurante de um banco, muito menos um escritório de contabilidade de uma farmácia, ou de um pipoqueiro de um posto de combustível.
Por certo a ciência médica nunca ateve seus estudos sobre os efeitos do isolamento de quem tem perfeitas condições de trabalhar, dos que passam fome pelo simples fato de estar proibido de exercer seu labor diário. A ciência também não demonstrou em quais horários o vírus prefere circular. Deveria, portanto, vir a público e esclarecer até onde pesquisou e conseguiu resultados positivos.
Itabuna chora, mas não se queda. O itabunense forjado na imensa nação grapiúna, mesmo inconformado, sabe que é o momento de recolher os cacos, mas sem entregar os pontos, até que cheguem os tempos de bonança. O itabunense sempre soube como se soerguer e não será agora que fugirá à luta de manter Itabuna no mais alto patamar político, econômico e social do cenário baiano, por saber nadar contra a correnteza.
Como na mitologia, se antes Itabuna renascia das águas, como uma fênix renascerá das cinzas.
Walmir Rosário é radialista, jornalista e advogado, além de editor do Cia da Notícia.
Muita gente “não vê”. Não basta compartilhar posts de apoio a campanhas nas redes sociais, amigos. É preciso enxergar os Fabrícios, Paulos, Pedros etc que existem pelo mundo afora.
Manuela Berbert || manuelaberbert@yahoo.com.br
Na timeline de todas as redes sociais a pauta do mundo é racismo e fascismo. Questão levantada principalmente nos EUA, após um vídeo viralizar mostrando a prisão de George Floyd. Nele, um policial branco aparece com o joelho sobre o pescoço do homem, que já estava algemado e de bruços no chão. “Não consigo respirar”, dizia, morrendo pouco tempo depois. No Brasil, a vítima-símbolo da vez é João Pedro, 14 anos, inocente, morto dentro de casa durante operação policial no Rio de Janeiro. No último domingo, 31 de maio, manifestações gigantes. “Nós viemos pras ruas porque eles foram nos matar em casa!”, gritava jovem em ato no Rio de Janeiro.
Enquanto isso, em Itabuna, mas ao vivo no youtube, acontecia a Live do Pancada. Não sabe o que isso tem a ver com o tema? Então vou te contar! Fabrício Pancadinha, 31 anos, negro, morador de um dos bairros conhecidos como dos mais violentos da cidade, é cantor e hoje empresário da própria carreira. Para tocar na cidade, quase sempre ele precisa ser também o produtor dos eventos. Mas faz. E toca. E com o dinheiro da própria banda, na medida do possível, ajuda sua gente.
Em maio de 2019, alugou um espaço na praça do próprio bairro e montou um projeto social chamado Alô Comunidade. Nele, jovens e adultos são assistidos com aulas de boxe, dança, capoeira, percussão etc. Quando os apoios somem, o dinheiro dos shows banca o aluguel do espaço, enquanto as demais despesas ficam por conta da união de todos. União essa que também concretou (con-cre-to!!!) ladeiras inacessíveis do bairro. Táxi, Samu e outros serviços básicos agora conseguem passar por ruas que o poder público simplesmente ignorava.
A conta é simples: quem pode um pouco mais, ajuda quem pode menos ou simplesmente não está podendo nada. A Live do Pancada, produzida, idealizada e montada por ele mesmo, em parceria com amigos (muitos do próprio bairro), arrecadou quase 10 toneladas de alimentos para a própria comunidade. Além, claro, de estar visualmente bonita, dando voz e autoestima a milhares de pessoas que se sentem representadas por ele. Mas muita gente “não vê”. Não basta compartilhar posts de apoio a campanhas nas redes sociais, amigos. É preciso enxergar os Fabrícios, Paulos, Pedros etc que existem pelo mundo afora.
A frente, que tem todo direito de buscar seu próprio espaço na acirrada disputa pela prefeitura de Itabuna, de se viabilizar eleitoralmente dentro das regras do jogo democrático, caminha para um inevitável esfriamento, que pode acontecer ainda mais rápido em decorrência da chegada do inverno.
Marco Wense
Pessoas bem próximas de Augusto Castro, já totalmente recuperado do covid-19, acharam graça de um certo vereador-prefeiturável que se autoproclama o líder da nova frente formada pela Rede Sustentabilidade, Cidadania, MDB e Avante.
O edil quer o apoio de Augusto, cuja pontuação nas pesquisas de intenções de voto é seis vezes maior do que a do vereador cara de pau. Das duas, uma: ou pensa que Augusto é politicamente infantil ou acha que sua sabedoria tem o poder de convencimento. Nem uma coisa, nem outra. Ledo engano.
Informações de bastidores dão conta de que o quarteto começa a desmoronar, que o principal culpado pela vida curta da frente vai ser o edil que sonha em ter Augusto, que é do PSD do senador Otto Alencar, como seu vice na chapa majoritária.
O tiro do edil terminou saindo pela culatra, provocando risadas e mais risadas no staff do ex-deputado estadual. Integrantes do diretório local do PSD estão abismados com a obsessão do vereador de querer fazer política passando por cima de tudo e de todos.
“Esse edil já tentou entrar no PSD para ser o candidato da legenda na sucessão de Fernando Gomes”, diz um importante membro da executiva municipal da sigla.
Pelo andar da carruagem, a frente, que tem todo direito de buscar seu próprio espaço na acirrada disputa pela prefeitura de Itabuna, de se viabilizar eleitoralmente dentro das regras do jogo democrático, caminha para um inevitável esfriamento, que pode acontecer ainda mais rápido em decorrência da chegada do inverno.
Os que desconhecem as dificuldades do povo mais sofrido, agravadas com a terrível crise, compram equipamentos e medicamentos superfaturados e não tiveram o cuidado de agir na hora certa. Posaram de líder na campanha eleitoral prometendo resolver todos os problemas e, de quebra beijavam os mais velhos, tomavam nos braços as criancinhas. Tudo era o mais absurdo lero.
Walmir Rosário || wallaw2008@outlook.com
Nesses tempos ruins de infecção pelo Covid-19 a sociedade brasileira sem sendo questionada e estudada como nunca antes, principalmente em relação à solidariedade e torcida ideológica do vírus e de medicamentos. No centro da questão, como não poderia deixar de ser, estão os políticos – com e sem mandato – a imprensa e a chamada sociedade em geral.
Não sei se minha comparação é por demais absurda, mas é a que me vem à cabeça no momento, mas vou equiparar a plural sociedade brasileira como sendo a Arca de Noé, com representação de todos os bichos – o homem inclusive. Fosse hoje, passado o dilúvio, a arca aportaria sem algum sobrevivente e uma coleção de cadáveres de fazer brilhar os olhos de um pesquisador da biologia, sociologia, ou qualquer formação terminada em gia.
Não possuo tendências terroristas, apenas e com pesar observo as guerras fratricidas causadas pela divergência ideológica. Pasmem os senhores, na propagação do vírus o pau que bate em Chico é o mesmo que dá em Francisco, pois qualquer um poderá ser contaminado. Infectado, deveríamos torcer pela cura, vinda dos medicamentos existentes e que melhor possam debelar a doença.
Só que não. Isso me faz lembrar do saudoso e competente técnico Telé Santana na direção da Seleção Brasileira de Futebol. Todos reconheciam que foram escalados os melhores jogadores e cada um dos brasileiros queriam que jogassem os 11 do seu time ou sua preferência. Dadas os devidos descontos, pelo naquela época as brigas eram apenas discussões em mesas de bar e nos programas humorísticos: “Bota ponta, Telé!”.
Sim, mas os políticos, que foram eleitos por nós para nos representar dignamente, como entram nessa singela história? Misturaram as bolas e jogam em times diferentes daqueles que estavam quando os escolhemos. Trocaram de time, rasgaram as camisas que diziam se orgulhar. Os 513 deputados e 81 senadores não querem mais parlamentar e sim executar, criando uma nova torre de Babel.
A Constituição da República, a chamada Carta Cidadã, somente é consultada quando favorece a determinado grupo e as invasões de competência se tornaram fatos corriqueiros, iguais a partidas de futebol de várzea sem a presença do árbitro. Não se marca impedimento, não se respeita as quatro linhas, é permitido gol de mão e falta grave só quando o jogador atingido é diagnosticado – no mínimo – com morte cerebral.
Se aqui ainda estivesse, Stanislaw Ponte Preta (pseudônimo do jornalista Sérgio Porto) promoveria um Festival de Besteiras que Assola o País (Febeapá) por dia, com a devida abertura sonora com a música “samba do crioulo doido”, com o perdão dos politicamente corretos.
Solidariedade. Esta sempre é uma palavra na ponta da língua dos políticos quando têm em frente um microfone e uma câmera de TV, mas de difícil operacionalização, quem sabe causada pelas atribulações do dia a dia que levam ao esquecimento. É a mesma situação do “faça o que mando e não o que faço”, dito pelos poderosos com o ar de sabedoria e a empáfia que lhe é peculiar.
Basta uma simples análise – mesmo perfunctória – nos mapas com a incidência de infecção do Covid-19 para verificarmos se as ações e medidas tomadas pelos governos estão corretas. Mas não faz, se não fizemos o que deveríamos fazer, daqui pra frente poderemos elaborar programas e projetos inteligentes para dar um freio de arrumação no vírus. Quem morreu, morreu, agora é vida que se segue. Basta ficar em casa.
Ficar em casa, eis o grande dilema! Se o vírus é “democrático” e não escolhe quem infeccionar, a condição do infectado em sua residência não tem nada a ver com a tão propagada democracia. É de uma distância abissal a situação financeira do que ordena a imobilidade para oprimido que tenta sair às ruas em busca de trabalho ou de uma ajuda qualquer para remediar a fome de sua família.
Os que mandam prender um qualquer por falta de máscara é o mesmo que destila sua raiva nos microfones sem esse equipamento de segurança, mesmo sem cumprir a distância regulamentar estipulada pelo Ministério da Saúde. Os que proíbem a circulação são os mesmos que promovem festas noturnas em seus condomínios de luxo e que não respeitam as inúmeras queixas registradas nas delegacias de polícia.
Os que desconhecem as dificuldades do povo mais sofrido, agravadas com a terrível crise, compram equipamentos e medicamentos superfaturados e não tiveram o cuidado de agir na hora certa. Posaram de líder na campanha eleitoral prometendo resolver todos os problemas e, de quebra beijavam os mais velhos, tomavam nos braços as criancinhas. Tudo era o mais absurdo lero.
Como dizia o velho sanfoneiro Lua na música Vozes da Seca: “Mas doutô uma esmola a um homem qui é são/Ou lhe mata de vergonha ou vicia o cidadão”.
Seca de líderes.
Walmir Rosário é radialista, jornalista e advogado.
Para Canavieiras convergiam homens de negócios de parte do sul e todo o extremo sul baiano em busca da solução de pendências com as coletorias estadual e federal, fechar contratos de financiamento com o Banco do Brasil até a abertura da agência de Caravelas.
Walmir Rosário || wallaw2008@outlook.com
Tema da live do segundo dia da segunda exposição do grupo Apaixonados por Canavieiras, “Uma lavoura chamada Cacauicultura” é um título que poderíamos trocar para a expressão “Uma tomografia de Canavieiras”. Nenhuma cidade do sul da Bahia e das regiões cacaueiras do Brasil está mais ligada à cacauicultura do que Canavieiras. Deve ter sido impregnada pelo visgo cacau.
Desde 1746, quando o franco-suíço Louis Frederic Warneaux entregou a Antônio Dias Ribeiro as primeiras sementes de cacau, providencialmente plantadas na fazenda Cubículo, às margens do Rio Pardo, Canavieiras tomou novo rumo em sua economia. Aos poucos, parte das lavouras de subsistência e a cana-de-açúcar foram sendo substituídas pelos frutos de ouro que encantou os astecas, a ponto de suas sementes serem utilizadas como moeda.
Definitivamente, Canavieiras não foi mais a mesma, e aos poucos chegou à condição de “Princesinha do Sul” rivalizando com cidades do porte de Ilhéus, a quem pertenceu, alcançando a independência administrativa em 13 de dezembro de 1832. A partir daí ostentou a condição de Vila Imperial de Canavieiras, ato culminado em 17 de novembro de 1833, com a instalação da Câmara Municipal e escolha dos sete conselheiros (vereadores).
Mas a condição de vila, mesmo imperial, não condizia com a importância de Canavieiras – cuja economia se destacava no cenário regional, estadual e nacional –, embora poder político, orçamentário e financeiro dependesse das decisões do Senado Baiano. Era chegada a hora de se emancipar, ganhar a condição de gerir a vida do seu povo, os desbravadores de várias etnias e de diversos países aqui fincaram raízes como nos mostram os nomes de família.
Finalmente, em 25 de maio de 1891, o governador do Estado da Bahia, José Gonçalves da Silva, eleva a Vila Imperial de Canavieiras à condição de cidade. À época, a economia da Princesinha do Sul fervilhava com os garimpos do Salobro e a lendária Lagoa Dourada, onde a paixão dos garimpeiros era bamburrar num veio de diamantes e se tornar milionário da noite pro dia.
Se essas incertas oportunidades faiscavam aos olhos do garimpeiro daquela época, era apenas um possível promissor investimento dos coronéis do cacau, acostumados a plantar e colher os frutos de ouro. Ganhava-se aqui, investia-se aqui, na abertura de novas roças, na construção do magnífico casario, monumentos que nos remetem às lembranças de uma economia pujante no passado: a economia cacaueira.
Era o cacau quem movimentava o porto grande com a chegada dos grandes navios que levariam o nosso cacau para o mundo afora. Se Canavieiras vendia o cacau, comprava o mais granfino vestuário vindo do Rio de Janeiro, São Paulo e Paris, as mais finas bebidas, os coronéis frequentavam os melhores bares e leiterias, as melhores festas e os mais luxuosos lupanares.
Para Canavieiras convergiam homens de negócios de parte do sul e todo o extremo sul baiano em busca da solução de pendências com as coletorias estadual e federal, fechar contratos de financiamento com o Banco do Brasil até a abertura da agência de Caravelas. Canavieiras se dava ao luxo de possuir as melhores terras beirando o rio Pardo, próprias para o cacau, e seu município entrava léguas adentro chegando à distante Itapetinga.
Principal matriz econômica de Canavieiras, o cacau era e ainda é uma mercadoria com liquidez imediata e, a depender do cacauicultor, pago na flor, antes da colheita. Com simples 100 arrobas do produto comprava-se uma bela camionete F-100. Como não há bem que sempre dure e mal que nunca se acabe, após mais de dois anos de seca foram descobertos os primeiros focos da vassoura de bruxa na Bahia. Estávamos no ano de 1989.
A desolação toma conta do Sul da Bahia com a vertiginosa queda de produção, que em algumas fazendas chegou a zero; o desemprego e o inchamento de cidades; a miséria vista a olhos nus. Os ricos empobreceram e muitos dos que não resistiram ao golpe morreram – alguns tirando a própria vida. O caos chegou sem que ninguém esperasse ou tivesse tempo de se defender.
Mas o cacauicultor demonstrou que não é homem de se entregar e foi em busca de recuperar seu patrimônio. Com a ajuda dos pesquisadores e extensionistas da Ceplac conseguiram identificar, nas próprias fazendas, plantas tolerantes à vassoura de bruxa e de alta produtividade. Cruzamentos genéticos foram experimentados e o novo cacau floresceu, muitos pagos a preços superiores aos comuns. Hoje, o cacauicultor não mais produz uma simples commoditie e sim cacau fino, chocolate.
Com as graças de São Boaventura, Canavieiras e a cacauicultura continuarão juntas, sempre unidas pelo visgo do cacau.
Walmir Rosário é radialista, jornalista e advogado.
Os países que enfrentaram os picos da covid-19 são nossos faróis, servindo-nos de experiências. Ao tomar como exemplo o comportamento das populações e dos governos no exterior, seus erros e acertos, poderemos, aqui, vencer esse ciclo pandêmico com menor perda de vidas e, consequentemente, com redução dos impactos econômicos.
Rosivaldo Pinheiro || rpmvida@yahoo.com.br
É fato que há vários Brasis dentro da mesma nação nesta pandemia: existe o país da ciência e o da não-ciência; o Brasil que recebe o auxílio emergencial e o que ainda luta para recebê-lo; o que por essencialidade vai ao trabalho e o que por conta em risco circula; o que reclama do estresse causado pela pandemia e o que falta o pão de cada dia; o que se diz de direita e o da esquerda.
Fato é que estamos passando por um grave problema na saúde pública, com inevitáveis reflexos negativos na economia. Todos os países estão sendo afetados e terão desdobramentos nos PIBs (Produto Interno Bruto), que mede a atividade econômica dos países. Apesar de significar algo grave, não representa o fim do mundo, uma vez que existem mecanismos endógenos no sistema econômico que cumprirão seus papéis, fazendo a economia se recuperar aos níveis de produção e consumo e equilibrando o fluxo da geração de renda, fato já experimentando pelo sistema econômico ao longo do tempo, na ocorrência de outras crises. Porém, a preocupação maior será o tempo demandado para tal recuperação.
A polarização entre os dois Brasis que se manifestam no dia-a-dia das redes sociais – direita e esquerda, coloca em posições antagônicas os favoráveis ao isolamento social como medida mitigadora da covid-19 e os que defendem a volta a uma suposta normalidade usando como argumento a necessidade de manutenção de empregos nos múltiplos setores atingidos.
A linha que defende o retorno a essa ilusória normalidade é justificada pelo argumento da existência de cidades que mantiveram uma continuidade da atividade econômica em meio à pandemia, com a cautela de cumprir as medidas de prevenção recomendadas pelos órgãos de saúde. É importante frisar que as decisões de cada estado e ou município deverão levar em consideração as condições estruturais da saúde para garantir a atenção às suas populações, juntamente com o desempenho da taxa de contaminação do novo coronavírus (curva de transmissão).
Mantido esse entendimento, e sendo computados baixo número de casos e satisfatória disponibilidade de leitos para atendimento, é de bom senso o cumprimento dos protocolos de controle, assim como o funcionamento da atividade comercial. O que de fato precisa ser observado é a realidade de cada estado e município.
Os países que enfrentaram os picos da covid-19 são nossos faróis, servindo-nos de experiências. Ao tomar como exemplo o comportamento das populações e dos governos no exterior, seus erros e acertos, poderemos, aqui, vencer esse ciclo pandêmico com menor perda de vidas e, consequentemente, com redução dos impactos econômicos. O Brasil precisa de liderança na direção da unidade. Afinal, faróis existem para orientar e somos uma nação, não um arquipélago de ilhas ideológicas.
Rosivaldo Pinheiro é especialista em Planejamento de Cidades (Uesc) e economista.
Há muito sofrimento acontecendo no mundo para que um novo tempo comece de verdade. Um tempo baseado em clarezas, sentimentos genuínos e coletivos. Os personagens da vida real não sustentarão suas máscaras por muito tempo.
Manuela Berbert || manuelaberbert@yahoo.com.br
Gosto de gente. Sempre gostei. Observar o comportamento humano sempre foi, digamos, o meu maior fetiche. Novelas, seriados, livros, filmes e as mais simples rotinas diárias, para esta publicitária que vos escreve, só tem atrativo se tiverem personagens interessantes. Interpretados ou vivenciados. Da vida real, ou não. Suas falas, gestos, emoções, reações, seus dramas, conquistas e perdas. Suas histórias. Ninguém resiste a uma boa história.
Fui uma telespectadora apaixonada pelas novelas de Manoel Carlos, e consigo ainda sentir a emoção de quando pisei pela primeira vez no Leblon, no Rio de Janeiro. As boas histórias têm esse poder: de nos entreter e nos entrelaçar ao ponto de nos apaixonarmos por algo, alguém. Ou algum lugar. Eu me apaixonei por aquele bairro boêmio, mas também cheio de cafés e livrarias. Como me apaixonei por suas Helenas, sentimento esse facilmente estendido a Regina Duarte, excelente atriz.
Faço parte da parcela brasileira que teve vergonha ao assistir “minha Helena”, ops, a (agora, ex) “Ministra” da Cultura Regina Duarte completamente desequilibrada em uma entrevista, ao vivo na CNN, desdenhar do número de mortos durante a pandemia que estamos enfrentando. O mundo todo parou, o mundo todo segue se precavendo e lamentando tudo o que estamos vivendo, e Regina, a pessoa real, nem de longe parecia aquelas personagens todas já interpretadas, coerentes e de falas tão lúcidas.
2020 chegou trazendo muitas mudanças – e muitas delas pela dor. Há muito sofrimento acontecendo no mundo para que um novo tempo comece de verdade. Um tempo baseado em clarezas, sentimentos genuínos e coletivos. Os personagens da vida real não sustentarão suas máscaras por muito tempo. A de Regina Duarte caiu, e nem Manoel Carlos consegue mais segurar!
Abstêmio há anos, Robson participava da farra beliscando um tira-gosto e fazendo o que herdou do pai: tirar fotos, as quais eram imediatamente postadas nas redes sociais.
Walmir Rosário || wallaw2008@outlook.com
Nesses últimos dias o Pai Criador de todas as coisas deste mundo tem chamado para perto de Si uma turma boa, daquelas que já começaram a fazer muita falta aos amigos que deixaram aqui na terra. Toda a nossa amargura se reverterá na eterna – enquanto dure – saudade, pois temos que reconhecer a sabedoria Divina nas sábias escolhas que sempre faz.
Devem ter cumprido suas missões aqui pelo mundo terreno e, quem sabe, chegou a hora de darem uma mãozinha ao Criador na infinita missão de tornar melhor a humanidade, atualmente tão afastada da espiritualidade. Enquanto o materialismo campeia a passos largos, cada um segue caminhos mais que diferentes, antagônicos, em que vale mais a obediência à ideologia sectária, opressiva, que dispõe do homem apenas e tão somente como um objeto de dominação do Estado.
Em menos de um mês perdemos aqui no Sul da Bahia três pessoas que sempre foram além da conta, como o padre João Oiticica (28 de abril), um missionário que levava o nome de Deus aos ilheenses. Problemas renais o tiraram deste mundo e sequer pode receber as últimas homenagens do rebanho que apascentou por anos a fio e que lhe devotavam muito respeito e admiração.
Em pouco mais de duas semanas recebemos com pesar a notícia da morte do Bispo Emérito de Itabuna, Dom Czeslaw Stanula, acometido de pneumonia, chicungunha e neoplasia da próstata. De origem polonesa, Dom Ceslau (como passou a ser chamado) viveu as dificuldades em sua terra massacrada pela guerra e o domínio comunista e dedicou sua vida a fazer o bem à humanidade.
Em Itabuna, onde chegou em 1997, encontrou parte da diocese desviada de sua finalidade, descuidando das coisas de Deus e privilegiando sobremaneira a política partidária. Com muita sabedoria soube separar o que era de Cesar e o que era de Deus, retomando os ensinamentos de Jesus Cristo, de forma apostólica para promover a salvação do homem.
Figura carismática, Dom Ceslau pacificou ânimos com sua sabedoria. Ao entrevistá-lo, convidei-o para escrever um artigo semanal no jornal Agora, do qual era o editor, sobre assuntos litúrgicos e da Igreja, de forma geral. A cada semana nos brindava com grandes peças sobre a fé, lidos e debatidos pela comunidade católica com grande repercussão no Sul da Bahia.
Muitas das vezes, quando não recebia o e-mail no prazo do fechamento, nos comunicávamos e o encontrávamos em vários países dos diversos continentes pregando missões, embora aqui pouco soubéssemos do conceito internacional que gozava. Nos bate-papos descontraídos, quando eu comentava sobre meus tempos de seminarista capuchinho e que poderia lhe dar trabalho hoje caso tivesse me ordenado, dizia de forma risonha: “Meu filho, Deus é muito sábio e me poupou desse contratempo”.
Nesta terça-feira (19), recebo um telefonema de minha amiga jornalista Maria Antonieta (Tonet) informando da morte do amigo Robson Nascimento, com o diagnóstico de ter contraído o vírus Covid-19. Robson era um daqueles amigos inseparáveis e nos falávamos cerca de três vezes por dia, a última ligação no dia 7 de maio, quando se queixou de uma gripe e tosse – não a seca – que lhe estava causando dores de cabeça.
Recomendei sua transferência para a casa de praia, onde poderia caminhar diariamente nas areias da praia dos Lençóis e fortalecer o corpo e o espírito, notadamente o pulmão, órgão sensível ao vírus. Embora fosse ele que estivesse acamado, manifestava a toda hora os cuidados que eu e minha mulher deveríamos tomar para não ser infectado e recomendava: “Muito cuidado, não saia de casa!”. Outros telefonemas não foram atendidos, pois já se encontrava internado e eu não sabia.
Robson é meu companheiro de lutas jornalísticas desde a década de 1980, quando viajava a Bahia inteira e trazia dezenas de fitas com entrevistas e reportagens para darmos o texto para o jornal Agora. No Correio da Bahia, do qual foi chefe da sucursal de Itabuna, cobríamos o Sul, Extremo Sul e Baixo Sul da Bahia para a publicação diária e o caderno Sul da Bahia, onde fiz reportagens memoráveis, com magníficas fotos dele.
De volta do Paraná e Santa Catarina, fui convidado a elaborar o projeto para transformar o semanal jornal Agora em diário, e Robson foi uma das pessoas que pedi a contratação para a direção comercial. Assim, fortaleceríamos as vendas e a torcida do Botafogo – apenas eu e Joel Filho contra os flamenguistas Kleber Torres, José Adervan e Antônio Lopes.
Edição de fim de semana fechada com mais de 100 páginas, a sexta-feira do Agora se tornou famosa pelo encontro etílico semanal na sala do presidente Adervan – dividida com Robson –, local dos comes e bebes. Abstêmio há anos, Robson participava da farra beliscando um tira-gosto e fazendo o que herdou do pai: tirar fotos, as quais eram imediatamente postadas nas redes sociais.
Por falar em encontros, fico meio ressabiado com nossos almoços promovidos pelo último grande anfitrião de Ilhéus, Carlos Farias Reis, recentemente desfalcado pelo padre João Oiticica, encarregado das orações com os pedidos de que nunca faltassem recursos e vontade de novos convites. Agora, teremos sentiremos a falta do nosso fotógrafo oficial e motorista da vez, dada sua condição de abstêmio.
Rogo a Deus que sensibilize nosso anfitrião Carlos Farias a realizar mais um almoço, desta vez para relembrarmos e homenagearmos os ausentes fisicamente José Adervan, padre João Oiticica, Robson do Nascimento, Moreia, Djalma Eutímio, dentre outros. Prometo que chegarei o mais cedo possível para ajudar a transportar a mesa da diretoria, na qual terei o merecido assento.
O tempo Urge!
Walmir Rosário é radialista, jornalista e advogado.