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A criatividade mora no óbvio, naquilo que está ali acontecendo e você só precisa comunicar, pulverizar a informação, divulgar, com eficácia!

Manuela Berbert || manuelaberbert@yahoo.com.br

Quase todos os dias a janelinha do whatsApp de uma pizzaria delivery da minha cidade acende a tela do meu celular, provavelmente de uma lista de transmissão. Até aí tudo bem, afinal é bastante comum hoje em dia. Mas o que me chama a atenção deles é a simplicidade da CONEXÃO que criaram.

Vou explicar:

Eles alternam cards com pizzas, cardápios e até vídeos dos produtos com mensagens como “Boa tarde! Já estamos funcionando!”, “Boa tarde! Já estamos prontos para atendê-los!”… Na última semana, por exemplo, eu estava sentada na sala da casa da minha mãe quando recebi “Boa noite! Estamos na ativa!” BINGO! Ela ama pizza e eu brinquei: “Olha, sua pizzaria já está funcionando!” Preciso contar a vocês que na mesma hora pedimos?! Não, né?!

Onde eu quero chegar com essa história?  Comunicação é algo que pode (e deve) ser simples! Comunicar a verdade do seu serviço ou produto é sempre a melhor opção! E a criatividade mora no óbvio, naquilo que está ali acontecendo e você só precisa comunicar, pulverizar a informação, divulgar, com eficácia!

Às vezes, observo o esforço de algumas empresas ou profissionais liberais querendo construir o inatingível e se distanciando cada vez mais da clientela. Ou pagando por uma comunicação extremamente bonita, mas automática e fria. O cara compra um pacote com 15 cards belíssimos de propaganda das suas pizzas e dispara, todos os dias, no mesmo horário, para ser lembrado. Talvez ninguém tenha te contado ainda, mas é bem provável que o seu número esteja silenciado em mais da metade dos aparelhos dos seus clientes.

Manuela Berbert é publicitária e especialista em Marketing de Conexões.

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A pandemia do coronavírus e suas consequências socioeconômicas levaram milhares de pessoas a morar nas ruas. Porém, a grande mídia deu pesos e medidas completamente diferentes às duas falas.

Cláudio Rodrigues || aclaudiors@gmail.com

A primeira semana de julho chega ao fim com mais de 64 mil óbitos vitimas da Covid-19, essa pandemia que mudou por completo nossas vidas. Além da tragédia da pandemia, a semana foi marcada por duas declarações, no mínimo infelizes: uma do prefeito de Itabuna, Fernando Gomes, e outra da primeira-dama e presidente do Fundo Social de São Paulo, Bia Doria.

Em uma entrevista coletiva por videoconferência, na última terça, dia 30, o prefeito da cidade sul-baiana soltou uma frase que lembrou o “E daí?” do presidente Jair Bolsonaro. “Primeiro, lutar pela vida, a vida é uma só. [Depois que] morrer, acabou [a vida]. Não tem fortuna, não tem pobreza, não tem falência, não tem nada. Mas não posso abrir uma coisa que não tenho cobertura. Com a dúvida, com os nossos morrendo por causa de um leito em Itabuna, vou transferir essa abertura. No dia 8, mandei fazer o decreto, que no dia 9 abre, morra quem morrer”, disse o prefeito.

O “morra quem morrer” do prefeito Gomes foi a principal notícia do day after. Todos os veículos de comunicação em seus programas noticiosos, de entretenimento e até algumas agências de notícias internacionais deram destaque à fala do prefeito, além dos comentários nas redes sociais.

Já a primeira-dama do estado de São Paulo, em uma entrevista publicada em rede social, para a socialite Val Marchiori, aquela do empréstimo irregular de R$ 2,79 milhões, junto ao Banco do Brasil, segundo atestou o Tribunal de Contas da União (TCU), travaram um diálogo com algumas “pérolas” que beiraram o ridículo.

“Falando sobre projetos sociais, algo muito importante é assim… as pessoas que estão na rua… não é correto você chegar na rua e dar marmita, porque a pessoa tem que se conscientizar que ela tem que sair da rua. Porque a rua hoje é um atrativo, as pessoas gostam de ficar na rua”, disse a senhora Doria. A entrevistadora questionou: “eles querem ficar na rua porque no abrigo eles têm horário pra entrar, eles têm responsabilidades, limpeza e eles não querem, né, Bia?

A presidente do Fundo Social do estado mais rico do Brasil afirmou: “Não querem! A pessoa quer receber a comida, a roupa, uma ajuda, e não quer ter responsabilidade. Então, isso tá errado”. Sem perder o embalo, a socialite e dublê de jornalista emendou: “todo mundo tem responsabilidades”. Não se fazendo de rogada, a mulher do governador João Doria completou: “Nós temos, se a gente não pagar nossas contas, vai pra cartório. E o povo fala!”.

O que difere a falta de empatia do prefeito de Itabuna, Fernando Gomes, e a da primeira-dama de São Paulo, Bia Doria? O primeiro é um senhor de 81 anos, em seu quinto mandato de prefeito e no final da carreira política. Ex-vaqueiro, semialfabetizado, como uma dicção quase que incompreensível e sofrendo uma forte pressão por parte do setor econômico da cidade. Gomes tem uma carreira política muito controversa. Foi destaque na revista Veja como “O marajá dos marajás” por ter um salário de quase U$ 18 mil, no inicio dos anos de 1990, em um de seus mandatos de prefeito.

Bia Doria é artista plástica, tem no currículo exposições realizadas em todo o Brasil e em países da Europa e Estados Unidos, filha de imigrantes italianos. Estava em um bate-papo descontraído, nas dependências do Palácio dos Bandeirantes e, aos 60 anos, preside um órgão do Governo do estado de São Paulo responsável por atender pessoas em situação de vulnerabilidade social.

A fala da primeira-dama paulista foi tão chocante e repulsiva quanto a do prefeito itabunense. Vale lembrar que a pandemia do coronavírus e suas consequências socioeconômicas levaram milhares de pessoas a morar nas ruas. Porém, a grande mídia deu pesos e medidas completamente diferentes às duas falas.

Não quero fazer defesa do alcaide baiano, pois Fernando Gomes é o tipo de político que conta com minha completa aversão, mas o comportamento de Bia Doria, uma elitista que já se envolveu em outras polêmicas, não difere em nada. Faltou a ambos sentir o que sentiria outra pessoa caso estivesse vivendo a mesma situação.

Cláudio Rodrigues é consultor em comunicação.

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Caso ouvisse meu conselho, por certo recomendaria amotinar os guardas municipais, os fiscais de posturas e, quem sabe, poderia, ainda, recrutar alguns dos fiscais do Sarney para conter os meliantes.

Walmir Rosário || wallaw2008@outlook.com

Confesso que estou morrendo de curiosidade – e diria até de inveja – por ainda não ter transposto, atravessado a nova ponte de Ilhéus sobre o rio Cachoeira, que recebeu a justíssima homenagem de ostentar o nome do itabunense Jorge Amado. Além dos benefícios viários para Ilhéus e região, o equipamento, por si só, é uma maravilha no centro das maravilhas compostas pela baía do Pontal e a cidade alta.

Mais que ver de perto a imponência da ponte estaiada – a primeira da Bahia, como anunciam – me apraz dar uma olhada na sinalização horizontal e vertical de trânsito, com a precípua finalidade de tirar uma dúvida. É que nos grupos de Whatsapp que participo me enviaram um vídeo com a primeira leva de privilegiados ao cruzar a ponte, assim que o Governo do Estado passou o bastão à administração municipal.

Tenho dúvidas da autenticidade do vídeo que deve ter sido uma inauguração lá pela Inglaterra, China, Índia, ou quaisquer outros países que adotaram a chamada mão inglesa, onde a mão é na pista da esquerda. Pelo que me consta, por falta de prerrogativas, Ilhéus não firmou nenhum tratado internacional com a Inglaterra para adotar esse tipo de comportamento.

Na minha científica ignorância cheguei a pensar – me perdoem se estiver errado – que tenha sido obra de algum assessor do alcaide querendo demonstrar conhecimento internacional ao justificar tal absurdo comportamento. Já perguntei a um monte de conhecidos se tal fato era verdade, mas somente sossego quando ouvir a palavra abalizada de José Nazal, pra mim a maior autoridade ilheense desta refinada ponte.

E tenho uma série de motivos para levantar minhas suspeitas. A começar pela atitude pachorrenta dos antes lépidos agentes de trânsito ilheenses, que assistem, passivamente, a tal tresloucada direção perigosa. E lá iam os ilheenses em seus veículos comemorando e filmando a travessia com aparelhos celulares. Assisti ao vídeo com bastante atenção para observar se na comitiva vip estaria meu amigo Gláucio Badaró. Decepção.

Assim que deixarem eu romper a inconstitucional barreira dita sanitária – que apenas proíbe o ir e vir – nem que seja de posse de um competente habeas corpus concedido pelo poder judiciário, garanto que também terei meu dia de glória. Antes, porém, estacionarei num posto de combustível para tomar ciência em qual pista trafegar para não infringir o Código de Trânsito Brasileiro e ter que arcar com uma pesada multa.

Quando digo que algumas leis pegam e outras vão para o ostracismo, estou cercado de razão. A todo o momento que vejo alguma lei desrespeitada me pergunto o motivo de serem consideradas chinfrim. E olha que sou um leitor compulsivo dos diários oficiais da união, estados e municípios, com medo de infringir algum artigo e tomar um esporro da autoridade: “Ninguém se escusa de cumprir a lei, alegando que não a conhece”.

Hoje mesmo pela manhã resolvi tomar um sol na praia – pois soube que o covid-19 corre do astro-rei como o satanás da cruz – e aproveitar para colocar os ossos e nervos em dia voltando às caminhadas. De repente, passa por mim um cavalo selado, rodeado por um séquito composto por uma matilha de cães, como se estivessem numa estrada rural ou na grande fazenda de um político qualquer.

Como confessei ser leitor contumaz dos diários oficiais, veio imediatamente em minha lembrança um decreto aditado pelo prefeito de Canavieiras anos atrás, justamente proibindo o passeio ou desfile desses animais pela praia da Costa. Para não dizer que se tratava apenas de perseguição aos garbosos cavalos e cães, o competente decreto também proibia fazer churrascos e beber cerveja em copos de vidro e garrafas.

Aproveito esse espaço a mim concedido nesta mídia, para, em nome da defesa das leis e da população praiana, dar ciência ao prefeito para que tome providências imediatas contra o infrator, aplicando todos os rigores da lei. Justamente nesses tempos de pandemia, não poderemos nos descuidar de todas as precauções, mesmo sendo sabedores que esse vírus chinês não é transmitido por animais ditos irracionais.

A bem da moralidade pública, compete à autoridade municipal reunir os meios legais que dispõe e travar uma luta sem quartel contra os desobedientes e transgressores das leis, decretos e portarias. Caso ouvisse meu conselho, por certo recomendaria amotinar os guardas municipais, os fiscais de posturas e, quem sabe, poderia, ainda, recrutar alguns dos fiscais do Sarney para conter os meliantes.

Walmir Rosário é radialista, jornalista e advogado.

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Vamos esquecer os pedidos e atendimentos e vamos tratar dos nossos júbilos terrestres, nossas consagradas vitórias pelos bravos combatentes baianos, especialmente os do Recôncavo, ringue das batalhas. Um mutirão daqueles de fazer inveja, com homens e mulheres – bacamartes às mãos – detonando os portugueses.

Walmir Rosário || wallaw2008@outlook.com

Pois é, você comprou uma mercadoria, lhe entregam outra. De uma tacada só perdemos nossos festejos juninos, o São Pedro das viúvas e o majestoso 2 de Julho. Digo perdemos – eu, você e mais alguém que tem a sagrada mania de obedecer as leis, mesmo que elas não tenham valor prático nenhum, mas por sermos legalistas.

Se fosse uma aquisição com proteção no Código de Defesa do Consumidor você poderia ir a juízo e buscar a reparação dos danos sofridos. Só que o eleitoral não lhe dá essa chance e caso você tenha juízo poderá se redimir nas eleições vindouras, desde que não caia – de novo – no “conto do vigário” da propaganda eleitoral gratuita.

Como o babado é outro, nos resta o jus sperniandi, por agora, e julgarmos nas urnas o prejuízo sofrido. E não me venham com chorumelas que a fumaça das fogueiras e dos fogos nos deixaria mais expostos à Covid-19. Essa desculpa não cola, haja vista que Bahia afora o couro comeu solto.

Não faltaram fogueiras e fogos – os permitidos ou não – nas cidades onde os festejos são mais tradicionais, bem como nos distritos e área rural, locais em que São João é mais que um simples primo de Jesus Cristo. Tem status de padroeiro, santo forte cuidador das plantações, da fartura no campo e na cidade.

Não há doença, epidemia ou pandemia que faça o coração e a mente do nordestino virar a casaca por meio de uma simples lei ou decreto, ainda mais quando se trata das coisas divinas. A quem o sofrido nordestino vai rezar e pedir senão ao Deus Senhor de todas as coisas e aos santos padroeiros?

Não há registro na história de que nossos sertanejos tenham perdido a fé, pois pode até demorar um pouquinho, mas os pedidos feitos aos céus são atendidos sem qualquer tipo de cobrança. Já não se pode dizer o mesmo em relação aos homens, mormente os que tratam da política.

Deve ser por causa das dificuldades em se encontrarem mais vezes. Esses desencontros, pelo que dizem são causados pelas péssimas condições das estradas por esse sertão, onde sobra poeira e falta água até para as necessidades mais básicas. E nem precisa levar em conta que em Salvador e Brasília têm muito trabalho pela frente.

Não é que eu queira falar mal, apenas cito as dificuldades entre os da terra – políticos – e os do reino do céu – santos – em atender nossas solicitações. Apesar de mais longe, nossos santificados padroeiros conseguem fazer com que as anotações de suas agendas não sofram qualquer tilt, como costuma acontecer a dos da terra.

Mas vamos esquecer os pedidos e atendimentos e vamos tratar dos nossos júbilos terrestres, nossas consagradas vitórias pelos bravos combatentes baianos, especialmente os do Recôncavo, ringue das batalhas. Um mutirão daqueles de fazer inveja, com homens e mulheres – bacamartes às mãos – detonando os portugueses.

É certo que naquele tempo não existiam essas descriminações de raças e gêneros, haja vista a diversidade do cortejo do 2 de Julho, onde se misturam o caboclo, o negro, o branco, o homem e a mulher. No dizer dos livros de história, os tiros que saiam do bacamarte de Maria Quitéria matavam portugueses do mesmo jeito que o índio Bartolomeu ou Agostinho Sampaio.

Juro de pés juntos que não estou reclamando a toa ou por causa dos feriados, até ter todo o tempo livre do mundo, mas como um patriota que vai às ruas homenagear nossos heróis no garboso desfile. No feriado antecipado não havia o mínimo clima para me empertigar e cantar o Hino ao 2 de Julho.

“Nasce o sol a 2 de julho / Brilha mais que no primeiro / É sinal que neste dia / Até o sol, até o sol é brasileiro”. Já na introdução essa brilhante letra de Ladislau dos Santos Titara e música de José dos Santos Barreto inflama nossos corações por lembrarmos de ter expulsado os invasores vencidos em 1822 e teimosos por não aceitar nossa vitória.

E jamais poderemos nos descuidar do final do hino, compostos com o mesmo poder de uma cláusula pétrea da nossa Constituição: “Nunca mais, nunca mais o despotismo/ Regerá, regerá nossas ações, / Com tiranos não combinam / Brasileiros, brasileiros corações / Com tiranos não combinam / Brasileiros, brasileiros corações”.

Quero a minha cultura de volta.

Walmir Rosário é radialista, jornalista e advogado.

Trabalhadores da obra de construção da nova ponte || Foto José Nazal
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A eles, todo o meu respeito. Se eu pudesse, colocaria uma placa com seus nomes, para que nunca fossem esquecidos. Como não posso, estou trabalhando em um projeto para registrar as fases da construção da ponte, onde será citado o nome de cada uma das pessoas que trabalharam na obra. Deus permita que eu consiga dar conta de fazer.

 

José Nazal

Está quase chegando a hora da ponte ser entregue, depois da visita do governador Rui Costa, seguido da liberação para a abertura. Quero agradecer, em meu nome pessoal e dos meus familiares, ousando também agradecer em nome dos ilheenses e amigos que me seguiram no acompanhamento da obra pelas redes sociais, àqueles que são os verdadeiros heróis que trabalharam na obra, oferecendo cada um o seu saber, sua experiência, seu suor e sangue para que Dona Ponte pudesse se transformar de um projeto no papel na realidade que hoje vemos.

Quase seis centenas de homens e mulheres se dedicaram no trabalho da obra, estando representados nesse grupo que tive a honra de fotografar no dia 02 de dezembro de 2019.

Rendo minha homenagem a todos e todas, mas cito apenas o nome de quatro colaboradores que, mais do que suor e sangue, deram suas vidas no trabalho da obra: CARLOS AUGUSTO DOS SANTOS ALVES, NELSON BISPO DOS SANTOS, JOEL ARAÚJO DE MATOS e ROBSON SENA SAMPAIO.

Eles infelizmente perderam a vida num trágico naufrágio ocorrido no dia 19 de setembro de 2013.

A eles, todo o meu respeito. Se eu pudesse, colocaria uma placa com seus nomes, para que nunca fossem esquecidos. Como não posso, estou trabalhando em um projeto para registrar as fases da construção da ponte, onde será citado o nome de cada uma das pessoas que trabalharam na obra. Deus permita que eu consiga dar conta de fazer.

José Nazal é fotógrafo, memorialista, vice-prefeito de Ilhéus e autor de Minha Ilhéus – Fotografias do Século XX e um pouco de nossa História.

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Na floresta, o jequitibá espalha as sementes e faz brotar seus sucessores; na política também é possível, desde que o herdeiro professe dos mesmos ideais, das mesmas determinações, os mesmos compromissos.

Walmir Rosário || wallaw2008@outlook.com

Aos poucos, o Grande Arquiteto do Universo, Deus – ou o todo-poderoso de qualquer das religiões ou línguas conhecidas – vai chamando seus filhos para que fiquem ao seu lado. Por certo, cumpriram a missão nesta terra e se preparam para novas tarefas. Neste domingo (28), chegou a vez de Almir Melo, aos 75 anos (completaria 76 em no próximo 5 de outubro).

Almir Melo não gostava de comemorar seu aniversário, mas esperava protagonizar outro festejo, o da eleição e chegou de Salvador – onde cumpria o isolamento social – para anunciar a Canavieiras sua disposição de governar sua amada terra por mais 4 anos. Concedeu entrevistas e afirmou em alto e bom som que era pré-candidato, disposto que estava de voltar a reconstruir sua cidade.

O retorno de Almir Melo à vida política decorreu de uma série de fatores, sendo que o que mais pesou foi o clamor dos canavieirenses para que voltasse a ser o timoneiro de sua terra, atualmente atravessando por mares revoltos. Esperavam eles viver conforme o ditado popular: depois da tempestade vem a bonança. Ao que tudo indica, não seria do designo de Deus.

Prefeito por quatro mandatos, é reconhecido até pelos adversários como o maior e melhor administrador de Canavieiras. E não seria pra menos, pois contra fatos não existem ou resistem argumentos. Basta um simples passeio pela cidade para que os feitos sejam constatados nos equipamentos públicos erguidos para atender às áreas da educação, da saúde, da assistência social.

Nos quatro mandatos soube se situar no tempo e no espaço. Com seu prestígio político conseguiu recursos para implantar equipamentos e serviços, desenvolver sua cidade, melhorar a vida de sua população. Conseguiu a abertura de rodovias, facilitou a circulação de pessoas de outras cidades e vislumbrou o turismo como a principal vocação de Canavieiras ao garantir a construção da ponte sobre o rio Patipe para o acesso à Atalaia.

De repente, Canavieiras se transformou em Canes – mas só para os íntimos, como dizia o slogan da peça publicitária –, com um ‘n’ só para se diferenciar da famosa cidade da Côte d’Azur francesa, Cannes. E começou modernizar Canavieiras sem desprezar sua história, suas tradições culturais, que considerava a maior riqueza do seu povo. E vibrava com cada resultado alcançado.

Canavieiras, a cidade das areias brancas! Era aqui neste torrão que pretendia descansar após o último suspiro. E cumpriu o roteiro com maestria. Deixou o isolamento social em Salvador desobedecendo os conselhos de amigos e familiares para cumprir o que pedia sua vontade. Teimosia para uns, seguir o predeterminado por Deus para os que o conheciam de mais perto.

Uma corrente sempre foi o símbolo que o unia aos seus eleitores. Cada um – correnteiro – era um elo que os ligavam pelo amor a Canavieiras. Se um dos elos se partia, imediatamente outro era agregado, bem soldado, sedimentado. Franco e aberto no seu pensar e agir, por vez era mal-entendido ao não prometer projetos e favores individuais num país em que vigora o tome lá, dá cá.

Mas o carisma de Almir Melo transcendia a esses pequenos desencontros e com a mesma altivez de um sim, quando era possível, dizia o não, complementando que teria sido eleito para trabalhar por Canavieiras e não por pessoas. Conhecedor de cada um dos moradores pelo nome e apelido sabia-os cativar pelo jeitão afável, mesmo tratamento que emprestava aos novos amigos.

Fechou seu ciclo! Como um portentoso jequitibá que tomba na Mata Atlântica de Canavieiras, Almir Melo sucumbiu aos problemas coronarianos, festejando quando possível, se resguardando nas adversidades. Na floresta, o jequitibá espalha as sementes e faz brotar seus sucessores; na política também é possível, desde que o herdeiro professe dos mesmos ideais, das mesmas determinações, os mesmos compromissos.

Como dizia Almir Melo nos mais de 44 anos de vida pública: “Que ninguém questione a nossa lealdade! Que não pairem dúvidas sobre a nossa força! Que não se levante suspeita sobre o nosso amor por Canavieiras! O Correnteiro é Fraterno! O Correnteiro é Guerreiro! o Correnteiro é Valente! Não mexa com o Correnteiro quando o que está em jogo é a autonomia, a independência e os interesses da nossa cidade.

Que a saudade se transforme no cimento nos elos dessa corrente por Canavieiras.

Walmir Rosário é radialista, jornalista e advogado. Clique e confira o blog.

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Esse contato nos uniu para grandes missões de vida, na política e fora dela. Sou grato a Deus por essa energia positiva e verdadeira.

Rosivaldo Pinheiro || rpmvida@yahoo.com.br

Neste sábado, 27 de junho, apresentei o Ponto de Vista, na Rádio Nacional, sem saber ao certo se era o último programa antes das eleições municipais, já que paira uma incerteza no ar em função da PEC que tramita no Congresso para a mudança da data das eleições. Com esse suspense no ar, no entanto recebi dos meus ouvintes e seguidores das redes sociais muito afeto, reconhecimento e apoio.

Se foi o último da temporada, me despeço com uma sensação gratificante de dever cumprido e com o coração transbordando de felicidade pelas inúmeras entrevistas e informações de qualidade que conseguimos levar para todo o público ao longo da existência do programa. Caso não tenha sido, estarei de volta no próximo sábado.

Criei o Ponto de Vista com muito carinho há quase três anos, e desde então conto com pessoas maravilhosas no Brasil e ao redor do mundo nesse que se tornou o programa dos itabunenses, chegando com grande receptividade nos lares, estabelecimentos comerciais e nos veículos da minha cidade querida – e, para minha alegria, também de outras cidades da região cacaueira e outras mais através da internet.

Contribuímos de forma efetiva com o jornalismo, com prestação de serviço e cidadania, tudo em duas horas de muito dinamismo, interação, olhares plurais e intensidade, que começa a acontecer muito antes de a luz verde do estúdio acender. Preparamos o programa com muita dedicação e esforço, o que eu e minha equipe fazemos com muito esmero e querendo levar o melhor conteúdo para os espectadores.

Na Rádio Nacional e com o nosso público, construí grandes relações. Meu muito obrigado a todos que me acompanham na Comunicação e que se juntaram a mim nessa linda caminhada de vida pela qual tenho tanto amor e respeito. Esse contato nos uniu para grandes missões de vida, na política e fora dela. Sou grato a Deus por essa energia positiva e verdadeira.

Saio para uma outra missão e espero contar com o apoio da sociedade itabunense. Após a eleição, estarei de volta ao batente do rádio, afinal esse veículo serve de âncora para a transformação social através da prática de informar. Mas, como sei que não conseguirei ficar longe da Comunicação – um chamado que entendo, no meu íntimo, ser para a vida toda, enquanto Deus me permitir servir -, continuarei a me comunicar pelas minhas redes sociais.

Minha imensa gratidão por todo o carinho que recebo todos os dias. Peço a Deus que esteja em nossas proteções e permitindo a superação dessa crise sanitária do novo coronavírus, na certeza de que continuaremos juntos na estrada da vida.

Encontro vocês no projeto #EmCasaComRosivaldo, no Instagram e no Facebook: @rosivaldopinheirorp.

Rosivaldo Pinheiro é especialista em Planejamento de Cidades (Uesc) e economista.

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Apelando para os céus, prefiro crer que Deus é brasileiro e que tem evitado que o pior aconteça, mas as perigosas incertezas nos empurram cada vez para mais próximo de um horizonte nebuloso.

Rosivaldo Pinheiro || rpmvida@yahoo.com.br

O país assiste – entre perplexidade, incredulidade, versões e fatos reais – a uma série de acontecimentos que nos projeta negativamente no mundo. As circunstâncias observadas são tão surreais que não estamos conseguindo processá-las racionalmente. Percebemos o nascimento de um movimento antidemocrático escancarado, que fere o direito constitucional da livre expressão, da livre manifestação, do estado laico. Atacam a honra e ferem de forma mortal as bases que edificam a democracia, entre elas: o respeito às instituições, independência e harmonia entre os poderes e imprensa livre. Elementos vitais para a construção de uma sociedade crítica, plural, onde os limites legais e o senso crítico devam estar presentes.

Não são animadoras as percepções que estamos tendo ao observar o protagonismo do presidente da República como fio condutor desse estado de barbárie intelectual e extrapolação de limites. A implantação de um exacerbado ideologismo ao aparelho de estado, apropriação dos símbolos nacionais e outras sandices nos remetem às semelhanças acontecidas em outras nações, que culminaram com passagens tristes da história universal: fascismo italiano e nazifascismo alemão, por exemplo.

Na semana passada, estivemos diante de mais um desses fatos: a fala do presidente da República pedindo que populares “fiscalizassem” por conta própria os hospitais para confirmação da existência de um indicativo de caos no sistema de leitos ou malversação. São tantas aberrações que a sociedade vai aprendendo a conviver com essas narrativas sem reagir. Essa passividade, no entanto, acaba por ceder frestas perigosas e, à medida que são ocupadas, permitem solidificação de bases que podem edificar atitudes excludentes e sem licitude.

Se por essas terras houvesse serenidade e harmonia pátria, certamente já estaríamos vivendo uma outra realidade. Talvez não estivéssemos assistindo aos registros que nos incomodam. O espírito mesquinho e beligerante de quem ocupa o maior posto de poder brasileiro nos aparta de registros construtivos e irriga o divisionismo e o obscurantismo.

Por sorte, ainda tivemos alguns atores no poder e parte da sociedade que buscaram saídas, ainda que tenham cometido equívocos. Apelando para os céus, prefiro crer que Deus é brasileiro e que tem evitado que o pior aconteça, mas as perigosas incertezas nos empurram cada vez para mais próximo de um horizonte nebuloso. Pensando positivo, precisamos voltar a ser uma nação, com sua miscigenação representativa, e que tudo isso passe!

Rosivaldo Pinheiro é especialista em Planejamento de Cidades (Uesc) e economista.

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Quando Maynart deixou a direção do Hospital de Base, os interesses e as pressões do empresários da Saúde – que historicamente age sorrateiramente nos bastidores, à escondidas – falaram mais alto. No final de abril, em Itabuna não havia nenhuma morte por vocid-19. Hoje, o município é o epicentro da doença na Bahia.

Ederivaldo Benedito|| ederivaldo.benedito@gmail.com

O anúncio da posse de Juvenal Maynart como secretário de Saúde de Itabuna nos faz lembrar dois filmes que conquistaram o sucesso em meados da década de 80: O Retorno do Jedi e De Volta para o Futuro.

No primeiro, um jovem conhece a mãe – antes do casamento com seu pai – que fica apaixonada por ele e põe em risco sua própria existência. O outro, mostra a construção da Estrela da Morte, a estação bélica do Imperador Palpatine e os bandidos da galáxia.

Juvenal Maynart, ex-presidente da Fasi-Fundação de Atenção à Saúde de Itabuna, instituição que administra o Hospital de Base Luís Eduardo Magalhães, está retornando à administração Fernando Gomes. No último dia de março, ele pediu demissão fazendo duras críticas ao modelo de gestão do setor no município.

Após realizar um trabalho reconhecido por todos, Maynart queria transformar o Base numa unidade referência ao combate do coronavírus no sul da Bahia. A proposta, muito bem aceita pelo governador do Estado – que chegou a ser por anunciada ao vivo, em entrevista a Imprensa – enfrentou forte resistência de um grupo de médicos liderados pelos bolsonaristas Eduardo Fontes e Amilton Gomes, inimigos políticos ferrenhos e declarados de Rui Costa e do PT.

Com apoio do vice-prefeito Fernando Vita e da secretária de Governo, Maria Alice, o grupo, que contou com a participação dos médicos Almir Gonçalves e Isaac Nery, agiu nos bastidores e convenceu Fernando Gomes – no momento licenciado do cargo – a enviar uma carta a Rui Costa anunciando que o Base retornaria os atendimentos emergenciais, clínicos-cirúrgicos e traumáticos.

Irritado, o governador mandou o secretário estadual de Saúde ligar para Maria Alice. O conteúdo da conversa não foi nada amistoso e Fábio Vilas-Boas chegou a ameaçar retirar a gestão plena da Saúde de Itabuna. A partir daí, a relação Rui Costa-Fernando Gomes nunca mais foi a mesma. Continua estremecida e o governador apenas finge que esqueceu a desfeita do prefeito itabunense.

Em defesa de seus interesses, o grupo apresentou como opção o Hospital São Lucas, um hospital sucateado, segundo Fábio Vilas-Boas. Resultado: o Base continua enfrentando problemas, a população continua sofrendo e os empresários da Saúde continuam agindo nos bastidores, com duras críticas ao prefeito e ao governador. A crise se agrava e o São Lucas, que poderia estar aberta ao público, continua fechado.

Só o futuro dirá se Juvenal Maynart acertou ao sair ou se está errando ao retornar. Mas ele sabe que vai enfrentar as mesmas forças ocultas que agiram em abril último. Que, em Itabuna, muitos beneméritos, filantropos, abnegados, desprendidos desejam inviabilizar o pleno funcionamento do Hospital de Base. Eles pensam apenas na saúde dos seus bolsos.

Quando Maynart deixou a direção do Hospital de Base, os interesses e as pressões do empresários da Saúde – que historicamente age sorrateiramente nos bastidores, à escondidas – falaram mais alto. No final de abril, em Itabuna não havia nenhuma morte por covid-19. Hoje, o município é o epicentro da doença na Bahia.

Na manhã desta sexta-feira, dia 12, Juvenal Maynart assume a Secretaria de Saúde de Itabuna. No seu futuro está a paixão pela mãe Saúde e o amor por Itabuna; no seu retorno, o desafio de fazer o Hospital de Base referência em salvar vidas, cuidar das vítimas da pandemia do coronavírus e enfrentar os interesses dos empresários do setor, que continuam agindo nos bastidores.

Ederivaldo Benedito é radialista e jornalista, além de editor do Blog do Bené.

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Ao invés de combater a doença, combate-se a percepção de que ela existe, saindo do campo da ciência e atuando na comunicação e na política, seguindo a cartilha do ditador do Turcomenistão.

Andreyver Lima || andreyver@gmail.com

Uma das diferenças entre democracia e ditadura, é que na democracia pelo menos você tem uma chance lutar. Não é o fim em si, mas um método de convívio político-social. Mesmo na democracia, é preciso continuar lutando por liberdade, dignidade, transparência e acesso ao conhecimento. Numa democracia, você tem a chance de pouco a pouco avançar. Porém numa ditadura, a primeira vítima é a verdade, o acesso à informação e ao conhecimento. Amarrando suas mãos e te jogando no escuro para morrer vendado na ignorância sem ter ideia do que está acontecendo.

Desde o final da semana passada o Governo Federal, durante uma emergência de saúde pública, parece fazer um esforço coordenado para deixar o Brasil no escuro, sem saber os números relacionados à doença. O atraso na divulgação dos boletins do Ministério da Saúde sobre o avanço do vírus, aconteceu justamente quando o país bateu recordes no número de óbitos por dia. Só a mudança brusca na divulgação dos dados já é o suficiente para desconfiar das intenções do Ministério da Saúde.

Quando a maior autoridade sanitária do país passa a omitir e esconder dados durante uma epidemia, gera uma cadeia de desconfiança em toda a sociedade. Talvez a intenção seja de deixar os telejornais noturnos sem as informações atualizadas.

Esse método letal de manipular as informações já foi utilizado no Brasil na grande epidemia de meningite, durante a ditadura na década de 70. E mais recentemente foi utilizado pelo ditador do Turcomenistão, Gurbanguly Berdimuhamedow, que, no meio da crise atual, proibiu que os jornais usassem o nome do vírus. A palavra “coronavírus” não pode aparecer em publicações oficiais, notícias da mídia estatal e nem mesmo em conversas de bar. A estratégia é de que uma crise não existe, se você proibir que se fale sobre ela.

No Brasil, o resultado dessa estratégia vai passar a mensagem de que o país tem menos mortes e menos casos da Covid-19. Ao invés de combater a doença, combate-se a percepção de que ela existe, saindo do campo da ciência e atuando na comunicação e na política, seguindo a cartilha do ditador do Turcomenistão.

Andreyver Lima é comentarista político no Jornal Interativa News 93,7FM e editor do site sejailimitado.com.br

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Com toda certeza, colocarei mais esse trecho no meu livro da vida: quando uma pessoa tentou “abafar” a minha voz, eu dei voz e espaço a doze, com o sorriso no rosto e a delicadeza que toda mulher forte tem!

Manuela Berbert || manuelaberbert@yahoo.com.br

Somos as nossas conexões. A nossa rede de relacionamentos, que começa ainda na infância com a família e que se estende ao longo da vida, com os ciclos de amizade e relacionamento amoroso, colegas de trabalho etc. Um vai e vem de pessoas e momentos, e com eles, claro, lições e inúmeros aprendizado. E “se você nasceu com uma visão privilegiada, o seu papel não é abrir guerra contra quem pensa diferente, mas sim levar adiante o que tem de conhecimento”, escutei dia desses, e concordo demais.

Com a crise mundial do COVID-19 e o isolamento social, as conexões virtuais nunca estiveram tão em alta. O universo digital tomou ainda mais força, e com a ela a necessidade de reinventar formas de estar presente, de ser presente. As fórmulas prontas já não constroem resultados significativos, conseguindo até manter um certo “espaço”, mas não gerando audiência. (E isso vai impactar diretamente nas próximas eleições, mas esse assunto é pauta para outro texto).

Há exatamente uma semana iniciei um projeto no Instagram chamado Manu Convida Mulheres. Doze mulheres, das mais diversas áreas e atuações profissionais, estão sendo convidadas a contar suas histórias. E quantas histórias lindas de superação e crescimento temos! Todas narradas com erros e acertos, mas com muita coerência nas falas e atitudes, inclusive nos elogios aos parceiros que validam e incentivam seus progressos. Não há necessidade de rivalidade entre gêneros. O que há é necessidade de igualdade entre todos.

Há algumas semanas convidei um amigo para pautar um tema específico, e fui ignorada. Lembrei que todos os nãos que a vida me deu, transformei. E assim nasceu um projeto que vem inspirando centenas de pessoas por dia. Com toda certeza, colocarei mais esse trecho no meu livro da vida: quando uma pessoa tentou “abafar” a minha voz, eu dei voz e espaço a doze, com o sorriso no rosto e a delicadeza que toda mulher forte tem!

Manuela Berbert é publicitária.

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Itabuna chora, mas não se queda. O itabunense forjado na imensa nação grapiúna, mesmo inconformado, sabe que é o momento de recolher os cacos, mas sem entregar os pontos, até que cheguem os tempos de bonança.

Walmir Rosário || wallaw2008@outlook.com

De cara, quero me desculpar por escrever sobre um tema que não tenho o menor conhecimento científico, daí espero ganhar o perdão antecipado. É que sou curioso e não posso deixar passar uma oportunidade como essa, na qual a palavra crise é a mais ouvida, rivalizando apenas com a palavra da moda: pandemia do Coronavírus, transformada em sucesso internacional.

Não represento médicos, por não ser formado em medicina; não represento os biólogos, por razões óbvias, mas para facilitar a compreensão, represento a mim mesmo pela quantidade de anos e experiência acumulada. Prometo não dissecar o vírus, pois nem o ex-ministro Mandeta também o sabia, mas preciso falar de vida, as que ficaram no meio do caminho e as que teimam em seguir.

Por ser itabunense por adoção – com Título de Cidadão pregado na parede –, tomo a devida licença para as devidas comparações, mesmo sem ter vivido a famigerada Gripe Espanhola ou outras tais, pois ainda não fazia parte deste mundo. No máximo, acompanhava – por ouvir dizer e, alguns casos conhecer – alguns personagens que morreram de doenças à época incuráveis. Velório, muito choro, enterro e vida que segue.

Lembro-me bem, entretanto, das grandes enchentes, que matavam muitas pessoas e deixavam outras tantas desabrigadas – eram os sem casa, sem mobiliário, sem alimentação. Chamávamos de desabrigados e eram acomodados, ou acolhidos, melhor dizendo, em escolas e demais prédios públicos, até que as águas baixassem e a prefeitura providenciasse novas casas ou terrenos para que trocassem de endereço.

Uma grande comoção! Como tal, a providencial solidariedade se fazia presente em doações das mais diversas, entregues pelos próprios doadores, em visitas engrossadas pelos curiosos. Assim que o rio Cachoeira voltava ao normal, os pescadores voltavam a pescar e vender os peixes, camarões e pitus, o comércio às margens do rio abria as portas, os que se mudaram voltavam às casas que não tinham sido levadas.

Era a hora da reconstrução! E o itabunense – nato ou por adoção – esquecia rapidamente os problemas sofridos e voltava ao trabalho com mais afinco. Para uns, teriam sido os castigos divinos, pois Deus já não suportava a ganância e a luxúria, além de outros tipos de pecados cometidos; outros criticavam a teimosia do homem em querer ser maior que Deus; outros poucos assentiam que se tratava apenas de fenômenos naturais.

Em uma semana – no mais tardar 15 dias – o estoque do comércio reposto, os bancos funcionando, o comércio de cacau e a pecuária a pleno vapor e Itabuna voltava a ser a capital regional do Sul da Bahia. Hoje o rio Cachoeira não representa mais esse perigo pela diminuição das águas que passam no seu leito, engrossado pelos esgotos in natura despejados pelas cidades onde banha.

Mas como miséria pouca é bobagem, atualmente Itabuna sofre de outro mal maior, conhecido como pandemia do Coronavírus, na sua última versão: o Covid-19, que tira as pessoas de suas casas e os transferem para os hospitais e os cemitérios. Se antes as forças da natureza fechava as portas das atividades comerciais com base na área geográfica de sua influência, agora são os governantes numa só canetada.

Se antes a volúpia das águas era quem decidia o prazo, hoje são as leis, decretos e portarias os sentenciadores da permissão a quem deve trabalhar. Pelo que ouvi dizer, o Covid-19 não tem predileção pelo tipo de atividade tal e qual consta nas definições dos códigos tributários, por não ter condições de discernir uma loja de tecidos de um supermercado, um bar e restaurante de um banco, muito menos um escritório de contabilidade de uma farmácia, ou de um pipoqueiro de um posto de combustível.

Por certo a ciência médica nunca ateve seus estudos sobre os efeitos do isolamento de quem tem perfeitas condições de trabalhar, dos que passam fome pelo simples fato de estar proibido de exercer seu labor diário. A ciência também não demonstrou em quais horários o vírus prefere circular. Deveria, portanto, vir a público e esclarecer até onde pesquisou e conseguiu resultados positivos.

Itabuna chora, mas não se queda. O itabunense forjado na imensa nação grapiúna, mesmo inconformado, sabe que é o momento de recolher os cacos, mas sem entregar os pontos, até que cheguem os tempos de bonança. O itabunense sempre soube como se soerguer e não será agora que fugirá à luta de manter Itabuna no mais alto patamar político, econômico e social do cenário baiano, por saber nadar contra a correnteza.

Como na mitologia, se antes Itabuna renascia das águas, como uma fênix renascerá das cinzas.

Walmir Rosário é radialista, jornalista e advogado, além de editor do Cia da Notícia.

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Muita gente “não vê”. Não basta compartilhar posts de apoio a campanhas nas redes sociais, amigos. É preciso enxergar os Fabrícios, Paulos, Pedros etc que existem pelo mundo afora.

Manuela Berbert || manuelaberbert@yahoo.com.br

Na timeline de todas as redes sociais a pauta do mundo é racismo e fascismo. Questão levantada principalmente nos EUA, após um vídeo viralizar mostrando a prisão de George Floyd. Nele, um policial branco aparece com o joelho sobre o pescoço do homem, que já estava algemado e de bruços no chão. “Não consigo respirar”, dizia, morrendo pouco tempo depois. No Brasil, a vítima-símbolo da vez é João Pedro, 14 anos, inocente, morto dentro de casa durante operação policial no Rio de Janeiro. No último domingo, 31 de maio, manifestações gigantes. “Nós viemos pras ruas porque eles foram nos matar em casa!”, gritava jovem em ato no Rio de Janeiro.

Enquanto isso, em Itabuna, mas ao vivo no youtube, acontecia a Live do Pancada. Não sabe o que isso tem a ver com o tema? Então vou te contar! Fabrício Pancadinha, 31 anos, negro, morador de um dos bairros conhecidos como dos mais violentos da cidade, é cantor e hoje empresário da própria carreira. Para tocar na cidade, quase sempre ele precisa ser também o produtor dos eventos. Mas faz. E toca. E com o dinheiro da própria banda, na medida do possível, ajuda sua gente.

Em maio de 2019, alugou um espaço na praça do próprio bairro e montou um projeto social chamado Alô Comunidade. Nele, jovens e adultos são assistidos com aulas de boxe, dança, capoeira, percussão etc. Quando os apoios somem, o dinheiro dos shows banca o aluguel do espaço, enquanto as demais despesas ficam por conta da união de todos. União essa que também concretou (con-cre-to!!!) ladeiras inacessíveis do bairro. Táxi, Samu e outros serviços básicos agora conseguem passar por ruas que o poder público simplesmente ignorava.

A conta é simples: quem pode um pouco mais, ajuda quem pode menos ou simplesmente não está podendo nada. A Live do Pancada, produzida, idealizada e montada por ele mesmo, em parceria com amigos (muitos do próprio bairro), arrecadou quase 10 toneladas de alimentos para a própria comunidade. Além, claro, de estar visualmente bonita, dando voz e autoestima a milhares de pessoas que se sentem representadas por ele. Mas muita gente “não vê”. Não basta compartilhar posts de apoio a campanhas nas redes sociais, amigos. É preciso enxergar os Fabrícios, Paulos, Pedros etc que existem pelo mundo afora.

Manuela Berbert é publicitária.

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A frente, que tem todo direito de buscar seu próprio espaço na acirrada disputa pela prefeitura de Itabuna, de se viabilizar eleitoralmente dentro das regras do jogo democrático, caminha para um inevitável esfriamento, que pode acontecer ainda mais rápido em decorrência da chegada do inverno.

Marco Wense

Pessoas bem próximas de Augusto Castro, já totalmente recuperado do covid-19, acharam graça de um certo vereador-prefeiturável que se autoproclama o líder da nova frente formada pela Rede Sustentabilidade, Cidadania, MDB e Avante.

O edil quer o apoio de Augusto, cuja pontuação nas pesquisas de intenções de voto é seis vezes maior do que a do vereador cara de pau. Das duas, uma: ou pensa que Augusto é politicamente infantil ou acha que sua sabedoria tem o poder de convencimento. Nem uma coisa, nem outra. Ledo engano.

Informações de bastidores dão conta de que o quarteto começa a desmoronar, que o principal culpado pela vida curta da frente vai ser o edil que sonha em ter Augusto, que é do PSD do senador Otto Alencar, como seu vice na chapa majoritária.

O tiro do edil terminou saindo pela culatra, provocando risadas e mais risadas no staff do ex-deputado estadual. Integrantes do diretório local do PSD estão abismados com a obsessão do vereador de querer fazer política passando por cima de tudo e de todos.

“Esse edil já tentou entrar no PSD para ser o candidato da legenda na sucessão de Fernando Gomes”, diz um importante membro da executiva municipal da sigla.

Pelo andar da carruagem, a frente, que tem todo direito de buscar seu próprio espaço na acirrada disputa pela prefeitura de Itabuna, de se viabilizar eleitoralmente dentro das regras do jogo democrático, caminha para um inevitável esfriamento, que pode acontecer ainda mais rápido em decorrência da chegada do inverno.

Marco Wense é articulista do Diário Bahia.

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Os que desconhecem as dificuldades do povo mais sofrido, agravadas com a terrível crise, compram equipamentos e medicamentos superfaturados e não tiveram o cuidado de agir na hora certa. Posaram de líder na campanha eleitoral prometendo resolver todos os problemas e, de quebra beijavam os mais velhos, tomavam nos braços as criancinhas. Tudo era o mais absurdo lero.

 

Walmir Rosário || wallaw2008@outlook.com

Nesses tempos ruins de infecção pelo Covid-19 a sociedade brasileira sem sendo questionada e estudada como nunca antes, principalmente em relação à solidariedade e torcida ideológica do vírus e de medicamentos. No centro da questão, como não poderia deixar de ser, estão os políticos – com e sem mandato – a imprensa e a chamada sociedade em geral.

Não sei se minha comparação é por demais absurda, mas é a que me vem à cabeça no momento, mas vou equiparar a plural sociedade brasileira como sendo a Arca de Noé, com representação de todos os bichos – o homem inclusive. Fosse hoje, passado o dilúvio, a arca aportaria sem algum sobrevivente e uma coleção de cadáveres de fazer brilhar os olhos de um pesquisador da biologia, sociologia, ou qualquer formação terminada em gia.

Não possuo tendências terroristas, apenas e com pesar observo as guerras fratricidas causadas pela divergência ideológica. Pasmem os senhores, na propagação do vírus o pau que bate em Chico é o mesmo que dá em Francisco, pois qualquer um poderá ser contaminado. Infectado, deveríamos torcer pela cura, vinda dos medicamentos existentes e que melhor possam debelar a doença.

Só que não. Isso me faz lembrar do saudoso e competente técnico Telé Santana na direção da Seleção Brasileira de Futebol. Todos reconheciam que foram escalados os melhores jogadores e cada um dos brasileiros queriam que jogassem os 11 do seu time ou sua preferência. Dadas os devidos descontos, pelo naquela época as brigas eram apenas discussões em mesas de bar e nos programas humorísticos: “Bota ponta, Telé!”.

Sim, mas os políticos, que foram eleitos por nós para nos representar dignamente, como entram nessa singela história? Misturaram as bolas e jogam em times diferentes daqueles que estavam quando os escolhemos. Trocaram de time, rasgaram as camisas que diziam se orgulhar. Os 513 deputados e 81 senadores não querem mais parlamentar e sim executar, criando uma nova torre de Babel.

A Constituição da República, a chamada Carta Cidadã, somente é consultada quando favorece a determinado grupo e as invasões de competência se tornaram fatos corriqueiros, iguais a partidas de futebol de várzea sem a presença do árbitro. Não se marca impedimento, não se respeita as quatro linhas, é permitido gol de mão e falta grave só quando o jogador atingido é diagnosticado – no mínimo – com morte cerebral.

Se aqui ainda estivesse, Stanislaw Ponte Preta (pseudônimo do jornalista Sérgio Porto) promoveria um Festival de Besteiras que Assola o País (Febeapá) por dia, com a devida abertura sonora com a música “samba do crioulo doido”, com o perdão dos politicamente corretos.

Solidariedade. Esta sempre é uma palavra na ponta da língua dos políticos quando têm em frente um microfone e uma câmera de TV, mas de difícil operacionalização, quem sabe causada pelas atribulações do dia a dia que levam ao esquecimento. É a mesma situação do “faça o que mando e não o que faço”, dito pelos poderosos com o ar de sabedoria e a empáfia que lhe é peculiar.

Basta uma simples análise – mesmo perfunctória – nos mapas com a incidência de infecção do Covid-19 para verificarmos se as ações e medidas tomadas pelos governos estão corretas. Mas não faz, se não fizemos o que deveríamos fazer, daqui pra frente poderemos elaborar programas e projetos inteligentes para dar um freio de arrumação no vírus. Quem morreu, morreu, agora é vida que se segue. Basta ficar em casa.

Ficar em casa, eis o grande dilema! Se o vírus é “democrático” e não escolhe quem infeccionar, a condição do infectado em sua residência não tem nada a ver com a tão propagada democracia. É de uma distância abissal a situação financeira do que ordena a imobilidade para oprimido que tenta sair às ruas em busca de trabalho ou de uma ajuda qualquer para remediar a fome de sua família.

Os que mandam prender um qualquer por falta de máscara é o mesmo que destila sua raiva nos microfones sem esse equipamento de segurança, mesmo sem cumprir a distância regulamentar estipulada pelo Ministério da Saúde. Os que proíbem a circulação são os mesmos que promovem festas noturnas em seus condomínios de luxo e que não respeitam as inúmeras queixas registradas nas delegacias de polícia.

Os que desconhecem as dificuldades do povo mais sofrido, agravadas com a terrível crise, compram equipamentos e medicamentos superfaturados e não tiveram o cuidado de agir na hora certa. Posaram de líder na campanha eleitoral prometendo resolver todos os problemas e, de quebra beijavam os mais velhos, tomavam nos braços as criancinhas. Tudo era o mais absurdo lero.

Como dizia o velho sanfoneiro Lua na música Vozes da Seca: “Mas doutô uma esmola a um homem qui é são/Ou lhe mata de vergonha ou vicia o cidadão”.

Seca de líderes.

Walmir Rosário é radialista, jornalista e advogado.