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Osman Nogueira

 

 

Tristeza. Decepção. Emoção. Comoção. Ansiedade. Desespero. Agonia. Dúvida. Sentimentos que corroem o coração dos servidores demitidos. Essa ação de injustiça precisa ser urgentemente corrigida, revertida e reparada.

 

Decorridos trinta dias, desde que o prefeito de Ilhéus, Mário Alexandre, retirou erroneamente dos quadros de pessoal da prefeitura quase 300 pais e mães de famílias – que ao longo de mais de três décadas cumpriram suas obrigações como servidores públicos do município – chega mais um momento em que essas pessoas sentem na pele a ardilosa atitude que tenta golpear a sua dignidade como trabalhadores.

Chegou o momento da dor das famílias, que não imaginavam ficar sem os seus salários, com os quais proviam mães, filhos e netos. O fim do mês pairou no vazio da dor, sem ter o direito aos proventos que há mais de 30 anos sustentavam vidas. A dor de uma tragédia que invade o peito com aflição, desespero, diante de uma atitude desumana, carregada de desculpas esfarrapadas, de palavras malditas.

Os servidores demitidos por decreto pelo prefeito, admitidos legalmente entre 1983 e 1988, sentem fundo o golpe que lhes tirou o direito ao salário, o suporte da subsistência, o golpe na dignidade do trabalhador, ainda maior diante da propaganda oficial que anuncia ironicamente “Salário na conta, meu povo”. Sentem no fundo a forma como foram tratados pelo prefeito, jogados fora como papel amassado, como se algum crime tivessem cometido. Sentem fundo a injustiça de uma ação judicial desumana, que afronta direitos adquiridos e interrompe os sonhos de tantas vidas.

Considerando a afirmação dos advogados renomados, de que o prefeito não era obrigado e nem tinha necessidade de antecipar a demissão dos servidores, além de que prometeu utilizar todos os recursos judiciais cabíveis para evitar essa injustiça, esse gestor entra para a história do município como aquele que praticou o ato mais humilhante, degradante e injusto contra os servidores públicos.

Quem acompanha os dias aflitos dos servidores demitidos, percebe a dor da moral atingida, das respostas não obtidas, do constrangimento de ir às ruas pedir alimentos para socorrer aos mais necessitados.

Por que? É a pergunta de todos os dias, de todas as noites. Os servidores ingressaram no município, como empregados públicos, no período em que não havia obrigatoriedade de concurso público. De lá para cá, cumpriram suas obrigações, ajudaram a construir a história dessa terra, engrenaram a máquina pública, e hoje sofrem a ação vil do Poder que até tenta colocar a população contra esses servidores como se criminosos fossem. Isso não é correto, produz dano moral.

Do lado jurídico, advogados especialistas contestam a decisão do juiz da Fazenda Pública da primeira instância e apontam diversos equívocos. Asseguram a legitimidade dos contratos celebrados no período 83-88, e afirmam que esses contratos – fosse o caso – deveriam ter sido contestados até cinco anos após 88, o que não ocorreu; que existe jurisprudência nos tribunais superiores sobre as garantias dos contratos de serviço público com mais de 20, 30 anos, e a respectiva segurança jurídica, que não ouviu os servidores prejudicados, entre outros.

Além disso, o prefeito apelou ao Tribunal de Justiça e, ao mesmo tempo, cumpriu a sentença de primeira instância, revelando a dubiedade de suas palavras e de seus atos. Derramou sobre os demitidos as contradições de sua gestão e produziu uma injustiça sem precedentes na história do município.

Tristeza. Decepção. Emoção. Comoção. Ansiedade. Desespero. Agonia. Dúvida. Sentimentos que corroem o coração dos servidores demitidos. Essa ação de injustiça precisa ser urgentemente corrigida, revertida e reparada.

Osman Nogueira é presidente da APPI/APLB.

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Marco Wense

 

Neto, presidente nacional do Partido do Democratas (DEM), sabe que o fortalecimento da sua pré-candidatura ao Palácio de Ondina depende do bom desempenho da legenda em Salvador e no interior.

 

Só faltou o presidente Jair Messias Bolsonaro na disputa do “quem dá mais”, enfrentando o governador Rui Costa (PT) e o prefeito ACM Neto (DEM).

O assunto diz respeito a realização da décima primeira Bienal de Arte e Cultura da União Nacional dos Estudantes (UNE), que acontece na capital baiana.

Antes que os maldosos e as fofoqueiras de plantão abram a boca, digo que o evento da UNE é muito importante. Vai oxigenar a entidade, que se encontra parada, amorfa, quase que inexistente.

Mas não posso é deixar de comentar essa “briguinha” entre o governo do Estado e a prefeitura de Salvador, que terminou com a “vitória” do chefe do Executivo municipal.

O alcaide soteropolitano, através da secretaria de Cultura e Turismo, deu R$ 100 mil a mais do que o governo da Bahia. Ou seja, R$ 1 milhão versus R$ 900 mil.

Muitos netistas, principalmente os que ainda sentem saudades de ACM, que não dava sossego para os adversários políticos, considerados como inimigos, ficaram atônitos, estarrecidos e assombrados com o gesto do prefeito.

“Que diabos ACM Neto quer em um evento cujos protagonistas são políticos de esquerda? ”, diziam os chateados, surpresos e desapontados democratas, se referindo a Alice Portugal e Manuela D’Ávila, do PCdoB, Guilherme Boulos, doPSOL, e José Gabrielli do PT.

Outros netistas, no entanto, os mais pragmáticos, são da opinião de que a UNE não é mais petista como em priscas eras, que ACM Neto, de olho nas eleições de 2020 e 2022, tem que se aproximar da UNE.

Neto, presidente nacional do Partido do Democratas (DEM), sabe que o fortalecimento da sua pré-candidatura ao Palácio de Ondina depende do bom desempenho da legenda em Salvador e no interior.

Aqui em Itabuna, por exemplo, o gestor do Thomé de Souza vai apoiar o prefeiturável com mais chance de derrotar o candidato do PT, que caminha para ser o mesmo do prefeito Fernando Gomes.

Se a eleição fosse hoje, o médico Antônio Mangabeira, do PDT, teria o apoio de Neto e das agremiações partidárias que gravitam em torno da sua liderança.

Mangabeira, na frente das pesquisas de intenções de voto, mantendo uma boa distância do segundo colocado, vai conversar com todas as forças políticas que querem a derrota do fernandismo, hoje aliado ao PT.

Voltando a UNE, parece que a entidade estudantil deixou a intransigência de lado e soterrou o radicalismo. A prova inconteste da mudança é a homenagem que fará ao ex-senador Antônio Carlos Magalhães, morto em 2007.

Não sei se o tapete para os homenageados ou para quem vai representá-los será vermelho. Se vão estendê-lo a ACM Neto, que receberá a honraria ao saudoso vovô.

Marco Wense é articulista político e colunista do Diário Bahia.

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Marco Wense

O vice Hamilton Mourão continua sendo a figura da República bolsonariana mais polêmica e inquieta. Longe do general ser um personagem decorativo, um adorno palaciano.

Para muitos, o general conversa demais. Deveria ficar mais calado, principalmente em assuntos inerentes e específicos a determinados ministérios.

Mas Mourão tem também muitos defensores. Eles são da opinião de que é melhor dizer o que pensa do que tapear, bajular, pegar o caminho da falsidade.

Mourão também fala o óbvio. Ou seja, que Paulo Guedes, ministro da Economia, e Sérgio Moro, da Justiça e Segurança Pública, são os dois principais auxiliares do governo Bolsonaro: “Eles puxam a fila do resto do governo”.

“Paulo Guedes e Sérgio Moro atacam dois grandes problemas: segurança pública, que é algo que aflige todo mundo no país, e a questão da economia, porque entrando nos eixos nós vamos romper o desemprego, entrar numa era de desenvolvimento sustentável”, diz o militar.

No entanto, a sua mais recente declaração provocou dúvidas. Mourão disse que “o pacote de medidas contra criminalidade e corrupção de Moro não atrapalha a tramitação da reforma previdenciária”.

Essa ligação entre o combate ao crime e a tramitação da reforma no Congresso Nacional não ficou bem explicada. Até mourãonistas mais próximos do vice ficaram a ver navios.

Confesso que também fiquei curioso com essa declaração do general, cada vez mais aconselhado a ser mais discreto.

É bom lembrar que dos três filhos do presidente Jair Bolsonaro, todos políticos exercendo mandatos, somente Carlos Bolsonaro, vereador no Rio de Janeiro, ainda não teve aborrecimento com Mourão.

Mourão é assim. Gosta de ser ele mesmo. É melhor ser o que é, do que ficar sendo outro sem ser, como foi o então vice Michel Temer com Dilma Rousseff.

Marco Wense é articulista e colunista do Diário Bahia.

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Rosivaldo Pinheiro || rpmvida@yahoo.com.br

 

 

Vencido o desafio da construção da agenda do cacau, devemos cobrar dos deputados votados em nossa região o compromisso de defender nossas bandeiras, contando, especialmente, com a participação dos mandatos de Josias Gomes, Rosemberg Pinto e Eduardo Salles, por terem maior vínculo com o nosso território.

Há muito a região cacaueira discute e, ao mesmo tempo, reclama da necessidade de se fortalecer politicamente para o enfrentamento dos nossos principais fatores limitadores do desenvolvimento. A cada eleição, essa mesma fala se repete e, por mais que elejamos figuras locais, esse vazio continua a ser registrado. Uma espécie de círculo vicioso de transferência de responsabilidade.

Faz-se necessária a compreensão de que essa situação precisa ser vencida para superarmos as nossas fragilidades socioeconômicas. Transferir única e exclusivamente para os ombros dos eleitos aos parlamentos estadual e federal não responde de forma correta a percepção das lacunas existentes entre discurso regional e a realidade concreta, uma vez que falta à nossa região cacaueira uma consciência de unidade de propósito com vistas a explorar as potencialidades e construir uma agenda capaz de alavancar um novo ciclo.

Ainda nos guiamos sobre a lógica das cidades-polo, não compreendendo os territórios de identidade como diretrizes para firmarmos um novo olhar. Algumas lideranças insistem em alimentar o bairrismo entre as duas maiores cidades da região, Itabuna e Ilhéus.

Chegamos ao século XXI e ainda não compreendemos o entrelaçamento das fronteiras dessas duas cidades – o fenômeno da conurbação. Por aqui, ainda brigamos por palmos de terras, sem a percepção necessária de que somos economias complementares e que precisamos unir força política e, juntos, puxarmos a discussão em favor de uma ampla e coletiva agenda regional – uma espécie de levante.

Itabuna e Ilhéus precisam compreender que se a região for bem serão elas quem mais se beneficiarão em função da estrutura de serviços, comércio, comunicação, educação, indústria, saúde, turismo de lazer e negócios. Enfim, em todas as áreas possíveis.

O início da construção de nossa agenda regional inevitavelmente acontecerá por força dos consórcios de saúde e dos consórcios territoriais. As células de conhecimento e com força propositiva terão que ajudar nessa sistematização: Uesc, UFSB, Ceplac, IFBA, Amurc, IBC e faculdades privadas, dentre outros. O desafio está sendo lançado e a nova safra de prefeitos e prefeitas exercerá papel fundamental nessa dinâmica, forçando as cidades-pólo a se reinventarem para não serem atropeladas como líderes desse processo.

Esse indicativo pode ser visto nas pesquisas de apoio popular, nas quais os gestores melhores avaliados estão nas cidades de menor porte, numa clara mensagem de necessidade de releitura e mudança de atitude de governança por parte dos gestores de Itabuna e Ilhéus. Devendo, inclusive, ter a percepção de que a união territorial é uma clara sinalização do nascimento de uma região metropolitana. Não dá mais para compreendermos o espaço das nossas cidades de forma isolada. O tempo atual não nos permite ser ilhas.

Vencido o desafio da construção da agenda do cacau, devemos cobrar dos deputados votados em nossa região o compromisso de defender nossas bandeiras, contando, especialmente, com a participação dos mandatos de Josias Gomes, Rosemberg Pinto e Eduardo Salles, por terem maior vínculo com o nosso território. A esses, pela identidade, representatividade e desempenho eleitoral, nossa confiança para juntos alcançarmos a materialização desses anseios.

Rosivaldo Pinheiro é economista e especialista em Planejamento de Cidades.

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Marco Wense

 

Em relação ao gestor de Salvador, é evidente que presidir nacionalmente uma legenda (DEM), que tem três ministros e os presidentes das duas Casas Legislativas, a Câmara dos Deputados e o Senado da República, respectivamente com Rodrigo Maia e Davi Alcolumbre, é uma invejável prerrogativa.

 

Dois assuntos hoje no editorial: a “fraternidade” da Reforma Previdenciária e a “força” do prefeito ACM Neto.

O atento e perspicaz leitor, percebe logo que tem duas palavras aspeadas. Não estão na própria acepção, no sentido verdadeiro, sem causar dúvidas e variadas interpretações.

Ora, ora, como falar de reforma fraternal, como diz o governo Bolsonaro, se querem desatrelar o Benefício da Prestação Continuada (BPC), concedido aos idosos e pessoas de baixa renda, em condição de miserabilidade, do salário mínimo?

Salta aos olhos, e não precisam que sejam do mesmo tamanho dos da coruja, que a reforma da Previdência é imprescindível, sem a qual o país se enterra sob 17 palmos de terra.

Mas tenha santa paciência! Que coisa hein! Que irmandade é essa que empurra os miseráveis para a beira da cova, sem dó e piedade?

Portanto, em vez de ficar prejudicando os “descamisados”, que se corte os vergonhosos privilégios de determinados segmentos da sociedade. Só assim teremos uma reforma previdenciária justa e fraterna.

Em relação ao gestor de Salvador, é evidente que presidir nacionalmente uma legenda (DEM), que tem três ministros e os presidentes das duas Casas Legislativas, a Câmara dos Deputados e o Senado da República, respectivamente com Rodrigo Maia e Davi Alcolumbre, é uma invejável prerrogativa.

O problema é que ACM Neto não teve a força de indicar ninguém do seu staff político para o primeiro escalão do governo bolsonariano. Os três ministros democratas foram considerados da cota pessoal do presidente Jair Messias Bolsonaro.

Quanto a Maia e a Alcolumbre, o alcaide soteropolitano não influenciou em nada a eleição de ambos. E mais: alguns partidos de esquerda tiveram um papel mais importante que ACM Neto, agora animadíssimo com sua pré-candidatura ao Palácio de Ondina na sucessão de 2022.

O adversário mais provável do democrata é o senador Otto Alencar, o comandante estadual do PSD. Não acredito em uma traição do PT, lançando candidatura própria.

Marco Wense é articulista político e colunista do Diário Bahia.

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Marco Wense

 

No mais, esperar o desenrolar dos fatos. São eles que vão provocar novos comentários e tornar os rumos da sucessão municipal mais transparente e menos nebuloso.

 

Como irá se comportar o ex-prefeito Geraldo Simões caso não seja candidato na sucessão municipal de 2020? Uma interessante pergunta, já que o próprio Geraldo ainda não sabe como responder. Seu futuro político é uma grande incógnita.

Se for um postulante ao comando do centro administrativo Firmino Alves, tudo bem. O ex-gestor de Itabuna, por duas vezes, tem todo direito de tentar novamente ser a autoridade máxima do município.

E se “minha pedinha”, como é carinhosamente chamado, ficar de fora da disputa? Vai apoiar o prefeiturável do governador Rui Costa, que tende a ser o mesmo do prefeito Fernando Gomes, subindo no mesmo palanque?

É bom lembrar que Geraldo Simões ao ser questionado sobre a aliança entre Rui e Fernando, disse que era “casamento de cobra com jacaré”.

Acho que não, principalmente em decorrência desse tratamento dado pela cúpula estadual do PT com o aval do chefe do Palácio de Ondina. O ex-alcaide sequer tem seu nome lembrado para ocupar um merecido espaço na reforma administrativa, obviamente no primeiro escalão.

Geraldo, que fundou o PT em Itabuna, que foi duas vezes prefeito da cidade, deputado federal e estadual, não pode ser isolado como se fosse um “João ninguém”, um político sem nenhuma história. Geraldo é merecedor de uma atenção maior.

Na hipótese de ficar de fora da disputa e continuar sendo defenestrado pelo governo estadual, resta a Geraldo quatro caminhos: 1) fazer corpo mole na campanha do candidato de Rui Costa e Fernando Gomes, 2) se afastar do processo sucessório, 3) apoiar outro prefeiturável; e 4) sair candidato por outro partido.

A possibilidade de mudar de partido já não é assunto proibido no staff petista municipal. Em conversas reservadas, alguns correligionários já discutem até qual a legenda mais viável.

Não sei qual é o sentimento que toma conta de Geraldo Simões diante desse desprezo, cada vez mais escancarado, sem nenhuma preocupação em deixá-lo, politicamente falando, na sarjeta, no ostracismo.

E como fica o diretório municipal diante da pretensão do deputado federal Josias Gomes, ex-secretário de Relações Institucionais do governo Rui Costa, de ser o candidato da legenda a prefeito de Itabuna?Leia Mais

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Marco Wense

Presidente do Senado é o quarto da fila na linha sucessória presidencial. Depois do vice Hamilton Mourão e de Rodrigo Maia, presidente da Câmara dos Deputados, é ele quem ocupa temporariamente o lugar de Jair Messias Bolsonaro nos casos previstos na Carta Magna: morte, incapacidade, suspensão, renúncia, impedimento ou viagem do presidente titular.

Como forma de protesto, vou comentar a disputa pelo cobiçado comando do Senado sem citar nenhum senador ou senadora, sem nominar os “bois”, contrariando o bom jornalismo político.

O processo eleitoral, com o vai e vem e o pega-pega para eleger o presidente da Casa Legislativa, vai ficar na história da República como o mais atrapalhado, digno de uma republiqueta.

Os momentos de tristeza, assentados em uma grande decepção, superaram o de achar tudo engraçado. “Isso é o Senado?” Perguntava para meus próprios botões, como diria o respeitado jornalista Mino Carta, da revista Carta Capital.

Que coisa, hein?! Que palhaçada, que falta de vergonha! A Casa parecia uma casinha bem suja, imunda, como se estivesse muito tempo sem ser limpa, cheia de lixo, baratas, ratos e até cobras venenosas sob os tapetes empoeirados.

Por duas, três ou quatro vezes, em tom alto e carregado de indignação, soltei um PQP. Não estava acreditando que aquilo era o Senado da República Federativa do Brasil.

Teve de tudo: senadora “roubando” pasta de documentos, senador chamando o outro para porrada, regras do Regimento Interno jogadas na sarjeta, muita confusão, bate-boca, renúncias combinadas, interferência do Poder Judiciário (STF) e uma avalanche de comportamentos não adequados ao Parlamento, que terminou virando uma “casa de Noca”.

Vale lembrar que o presidente do Senado é o quarto da fila na linha sucessória presidencial. Depois do vice Hamilton Mourão e de Rodrigo Maia, presidente da Câmara dos Deputados, é ele quem ocupa temporariamente o lugar de Jair Messias Bolsonaro nos casos previstos na Carta Magna: morte, incapacidade, suspensão, renúncia, impedimento ou viagem do presidente titular.

No frigir dos ovos, restou a boa notícia da desistência do senador que mais tem problemas com a Justiça. Engraçado foi ele dizer, no seu discurso, no maior cinismo do mundo, que “nunca teve projeto de poder”. De repente, o lobo virou carneirinho.

O eleito para comandar o Senado é um bolsonariano do Partido do Democratas, o DEM. O que se espera é que exerça a função com independência e autonomia, sem ficar como marionete e sabujo do Executivo. Que faça do Senado uma instituição de respeito, restaurando a perdida credibilidade perante o eleitor-cidadão-contribuinte.

O espetáculo circense foi salvo pelo aproveitável discurso do “carequinha”, eleito pelo Estado de Santa Catarina.

Até as freiras do convento das Carmelitas ficaram perplexas com a sessão tumultuada do Senado, que tem tudo para ficar como dantes no quartel de Abrantes.

Só Deus na causa, dizem os esperançosos senadores evangélicos, pra lá e pra cá, nos corredores do Congresso Nacional, com o livro sagrado debaixo do braço.

Em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo, Amém. Diria o saudoso, polêmico, inquieto e irreverente jornalista Eduardo Anunciação, hoje em um lugar chamado de eternidade.

Marco Wense é articulista político.

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Manuela Berbert || manuelaberbert@yahoo.com.br

 

 

Uma mente criativa e de visão muito além das dezenas de empresários das grandes gravadoras brasileiras. Pegou seu funk de fundo de quintal e está transformando em um pop ESTRATÉGICO mundial.

 

Estou atrasada, eu sei, mas só no último final de semana parei para assistir à série documental Vai Anitta, exibida na Netflix desde o último 16 de novembro. Acompanhava a sua trajetória artística? Não. Conhecia suas músicas? Somente as brasileiras e mais tocadas. Conhecia seus clipes? Somente os exibidos no Fantástico. Mas o que teria me levado a assistir um documentário sobre a sua vida? O quanto ela e sua empresa têm sido citada nos sites e redes sobre Empreendedorismo e Marketing Pessoal. “Tem alguma coisa aí”, pensei. E tem muito mais do que imaginei!

Como bem disse o escritor Fábio Chap, em um texto ainda em 2017, Anitta foi uma das artistas mais desrespeitadas pela mídia e pelos haters da Internet no começo de uma carreira. Ironizada por Faustão, Willian Waack, Pitty e por inúmeras outras pessoas públicas. Tudo ao vivo. E tudo isso quando tinha menos de 20 anos.

Acontece que a menina Larissa de Macedo Machado hoje é empresária da própria carreira, nacional e internacional, e já tem no currículo inúmeras músicas mais tocadas mundialmente. Vocês têm noção do que é ter UMA música, UMA vez, por sorte ou destino, como A MAIS TOCADA no mundo? Ela já tem VÁRIAS! Como nenhum outro brasileiro! (Muitas eu conhecia e jurava que eram de Mariah Carey, Beyoncé, dentre outras). Tudo isso e muito mais porque estudou inglês e espanhol, gestão, marketing e cultura. Tudo isso, também, cumprindo uma agenda de shows nacional e gerenciando, pessoalmente, há mais de 3 anos, uma grande equipe.

Inovadora, dinâmica e extremamente inteligente, é conhecida nos bastidores como alguém que cobra e até grita e xinga, mas faz acontecer. Uma das cenas que prova isso acontece na gravação do clipe Vai Malandra, na Favela do Vidigal. Enquanto o país discutiu a sua decisão de mostrar ou não as celulites, a gravação dos bastidores mostra que a equipe contratada não deu conta do recado e que, cansada, ela mesma teria retirado os fones do ouvido de todos, colocado em pessoas da sua família e estrutura profissional, e feito a direção do clipe. Cantou, dançou, encenou e dirigiu um dos vídeos mais polêmicos do universo nacional, ponto fundamental para tamanha visibilidade lá fora. “Única, e por isso o universo artístico mundial despertou para ela!”, diz um dos investidores internacionais.

Mulher, de origem periférica e funkeira, com uma voz boa, mas não excelente, e inúmeras plásticas. Tem entendimento sobre uma depressão no meio da carreira, porque lê e estuda sobre tudo. Pacientemente, se permitiu entristecer, para depois reagir. Uma mente criativa e de visão muito além das dezenas de empresários das grandes gravadoras brasileiras. Pegou seu funk de fundo de quintal e está transformando em um pop ESTRATÉGICO mundial. Prestem melhor atenção na menina Larissa de Macedo Machado! Ela está conquistando o mundo!

Manuela Berbert é publicitária e escreve no blog www.manuelaberbert.com.br.

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Marco Wense

 

 

Para Mourão, a liberdade provisória de Lula para seu último adeus ao ente querido é uma “questão humanitária”.

 

Mais uma vez Hamilton Mourão pensa diferente do presidente Jair Bolsonaro, o que demonstra sua firmeza de personalidade, que não é vice decorativo e nem adorno palaciano.

O caso agora diz respeito ao velório de Genival Inácio da Silva, o Vavá, irmão do ex-presidente Lula, falecido na terça, 29.

O general Mourão, que vem surpreendendo positivamente o bolsonarismo, com suas posições firmes e sensatas diante dos problemas inerentes a qualquer início de governo, defende a presença do petista-mor no ato fúnebre.

“Perder um irmão é sempre uma coisa triste. Eu já perdi o meu e sei como é”, diz o vice. Para Mourão, a liberdade provisória de Lula para seu último adeus ao ente querido é uma “questão humanitária”.

A Justiça já decidiu que o ex-mandatário não irá ao velório do irmão e nem no enterro. Alegou que não há como evitar um possível tumulto popular, uma manifestação incontrolável.

A juíza da Vara de Execuções Penais de Curitiba, Carolina Lebbos, rejeitou o pedido dos advogados de Lula, acolhendo os argumentos do Ministério Público Federal e ofício da Polícia Federal.

Ao negar o habeas corpus impetrado pela defesa de Lula, Leandro Paulsen, desembargador de plantão do Tribunal Regional Federal (TRF-4), lembrou da prisão do ex-presidente em São Bernardo do Campo, quando os petistas adiaram a entrega de Lula à polícia.

“Por iniciativa do próprio preso e dos seus apoiadores, esses atos acabaram por oferecer risco à segurança pública e ao regular andamento das atividades da Justiça, sendo absolutamente preocupantes e dispendiosos”, finalizou Paulsen.

O exagero ficou por conta de que poderia haver uma fuga do ex-presidente, em uma cena cinematográfica, digna de um bom filme de ação, suspense e aventura.

A reação da cúpula do Partido dos Trabalhadores foi tímida. A presidente da legenda, Gleisi Hoffmann, que costuma bradar forte, com exagerados e teatrais esperneios, não fez nenhum pronunciamento ao “modo Hoffmann”.

Espera-se a presença de Gleisi no velório e no enterro de Vavá, representando o PT, já que algum filho de Lula deve assumir o lugar do pai nesse ato de despedida.

Marco Wense é articulista e colunista do Diário Bahia.

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Marco Wense

 

É bom lembrar que na última vez que falou sobre a sucessão de 2020, no programa de Roberto de Souza, Rádio Nacional, Josias não descartou a possibilidade de sair candidato a prefeito de Itabuna. Transferiria seu domicílio eleitoral de Ilhéus para a irmã e vizinha cidade.

 

Um, dois, três… De quinze pré-candidatos, somente cinco ou seis vão até o fim disputando a sucessão de Fernando Gomes, prefeito de Itabuna por cinco vezes.

Dificilmente teremos outro político para superar essa marca de ter governado Itabuna em cinco oportunidades, sendo sempre derrotado quando tentava o segundo mandato consecutivo.

Com efeito, nenhum alcaide conseguiu quebrar o tabu de permanecer no cargo pelo instituto da reeleição. O eleitorado itabunense não gosta de reeleger o chefe do Executivo.

O substituto de Fernando, que será conhecido em outubro de 2020, vai sair do grupo do governador Rui Costa ou de Mangabeira, sem dúvida o nome da oposição com mais chances de derrotar o candidato do governismo, seja municipal ou estadual.

O candidato do governador será também o de Fernando Gomes e vice-versa. Não teremos dois postulantes ao Centro Administrativo Firmino Alves dessa aliança. A tendência é pela escolha de um petista.

Nos bastidores, principalmente do Palácio de Ondina, o que se comenta é que Josias Gomes, ex-secretário de Relações Institucionais, seria o nome indicado pela cúpula do PT com o aval de Rui Costa e o ok de Fernando Gomes.

É bom lembrar que na última vez que falou sobre a sucessão de 2020, no programa de Roberto de Souza, Rádio Nacional, Josias não descartou a possibilidade de sair candidato a prefeito de Itabuna. Transferiria seu domicílio eleitoral de Ilhéus para a irmã e vizinha cidade.

Do outro lado, o grupo de Mangabeira com Augusto Castro e todos que querem uma mudança na política de Itabuna, um ponto final no fernandismo, que não pode ser subestimado, continua enraizado e respirando sem ajuda de aparelhos.

Se a eleição fosse hoje, o prefeito de Itabuna seria o médico Antônio Mangabeira, do Partido Democrático Trabalhista (PDT).

O que chama atenção na sucessão de 2020, é a pretensão de se candidatar dos ex-prefeitos Geraldo Simões, Claudevane Leite e Capitão Azevedo. Os dois primeiros ligados ao PT. O militar a ACM Neto, gestor soteropolitano, presidente nacional do DEM e candidatíssimo ao governo da Bahia no pleito de 2022.

No mais, esperar o desenrolar dos acontecimentos para um comentário mais firme, consistente e com pouca especulação.

Vale ressaltar que especular, dentro de uma certa lógica e racionalidade, é inerente ao jornalismo político. Do contrário, a análise ficaria condicionada ao surgimento do fato, que poderia acontecer até mesmo na véspera do dia da eleição. Portanto, a projeção do que pode vim pela frente é perfeitamente aceitável.

Lá na frente teremos o fernandismo e o petismo de mãos dadas para fazer o sucessor de Fernando Gomes, ilustre integrante do Movimento dos Sem Partido, o MSP.

Marco Wense é articulista e colunista do Diário Bahia.

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Sócrates Santana || soulsocrates@gmail.com

 

 

Vale frisar que os EUA, no caso da carne de frango halal exportada para a Arábia Saudita, também concorrem com Brasil e a Austrália. Mas quem resolveu contrariar os árabes? Não foi o presidente australiano, mas Jair Messias Bolsonaro, supostamente em nome de uma promessa de transferir a embaixada do Brasil em Israel de Tel-Aviv para Jerusalém.

 

“A democracia no Brasil sempre foi um lamentável mal-entendido”, diria o sociólogo Sérgio Buarque de Holanda, que utilizo – mais uma vez – para ilustrar a política de comércio exterior adotada pelo presidente Jair Bolsonaro e o ministro Ernesto Araújo. Digo, mais uma vez, porque, escrevi na semana passada o artigo “Os muros de Bolsonaro” e fui questionado sobre o uso do termo o “homem cordial” cunhado por Sérgio Buarque, autor do célebre livro “Raízes do Brasil”.

Alguns amigos teceram comentários pertinentes sobre a minha abordagem. Em particular, críticas contra uma maneira equivocada de enxergar o brasileiro como um povo dócil e amável. No lado oposto, recebi críticas de outros amigos por acusar o atual governo de descortês, bem como, um governo contaminado por ideologias sem propósito. Em ambos os casos, assumo a responsabilidade de quem – talvez – não se fez claro o suficiente.

É preciso, contudo, que o leitor compreenda a importância de interpretar sem escolher necessariamente um lado. Não é uma redação do Enem, nem uma filiação partidária. Escrevo para provocar a reflexão e, neste caso, quero demonstrar como o governo de Jair Bolsonaro revela na natureza de suas decisões, particularmente, relacionadas ao comércio exterior, uma ausência de um tradicional componente da formação do povo brasileiro para a tomada dessas decisões, a cordialidade.

Pra começar, gostaria de argumentar contra quem não enxerga nas decisões do presidente Jair Bolsonaro um viés ideológico forte. No texto anterior, relatei telegrama enviado pelo Ministério de Comércio Exterior à ONU, despactuando a participação do Brasil no Pacto Global para a Migração. Também relatei o estremecimento das relações entre Brasil e China, maior parceiro comercial do Brasil. E, por fim, acrescento agora a suspensão recente da importação de carne de frango brasileira por parte da Arábia Saudita, que representa uma demanda para os frigoríficos brasileiros de duas milhões de toneladas ou 50% de toda a carne de frango exportado pelo Brasil por ano para 57 países islâmicos, sendo 22 países árabes. A cortina de fumaça é a transferência da Embaixada do Brasil em Israel de Tel-Aviv para Jerusalém. Mas, só que não…

É uma decisão de quem resolveu apostar todas as fichas no segundo maior importador do Brasil, os EUA. Só que preciso reforçar algo que talvez não tenha ficado claro no artigo anterior. Os EUA não anunciaram o aumento de sua participação em nenhum dos principais itens de exportação do nosso país e – pior ainda – ainda concorrem diretamente com a indústria brasileira.

Pela primeira vez, desde 2003, os EUA passaram a vender carne bovina para o Brasil. E, enquanto Jair Bolsonaro brigava com a China, o presidente Donald Trump selava a paz com a liderança chinesa Xi Jinping, que ainda firmou o compromisso de comprar produtos agrícolas (entre eles, a carne e o frango) e industriais dos EUA com o objetivo de “minimizar o desequilíbrio comercial entre os dois países”. E o Brasil? Como fica?

Vale frisar que os EUA, no caso da carne de frango halal exportada para a Arábia Saudita, também concorrem com Brasil e a Austrália. Mas quem resolveu contrariar os árabes? Não foi o presidente australiano, mas Jair Messias Bolsonaro, supostamente em nome de uma promessa de transferir a embaixada do Brasil em Israel de Tel-Aviv para Jerusalém. Mas, não é só isso. E tem relação com o homem cordial, a religião muçulmana e o Pacto Global para a Imigração.

Segundo o diretor-executivo da certificadora de alimentos árabe, Ali Saifi, o Brasil criou laços fortes com as comunidades islâmicas nas últimas décadas e hoje é um dos países mais abertos e respeitosos às nossas tradições e costumes. E por quê respeitar as tradições e costumes é tão importante para uma relação comercial?

Para que estes países possam consumir a carne produzida no Brasil, os frigoríficos precisam seguir alguns rituais descritos no alcorão, livro sagrado do Islã. O animal deve ser abatido por muçulmanos praticantes e a sangria precisa ser feita com o peito do frango virado para Meca. Ou seja: mais imigrantes ou mais muçulmanos. E isso requer um país cordial, sujeito a aproximação com outras culturas, mas, especialmente, capaz de dosar as diferenças entre o público e o privado, encontrando na convergência de interesses particulares de cada povo o caminho para o bem comum. Mais cordialidade, mais emprego.

Em cifras, estima-se que a economia da carne de frango halal global atingiu a marca de US$ 6,4 trilhões em 2018, o dobro dos US$ 3,2 trilhões contabilizados em 2012, conforme dados levantados pela Autoridade de Padrões e Metrologia dos Emirados Árabes ((Esma). E antes de Jair Bolsonaro, as empresas brasileiras abasteciam simplesmente 40% de toda a carne de frango halal consumida na Arabia Saudita. Doeu? Imagina no bolso dos frigoríficos de Santa Catarina?! Imaginou? Só que o volume de prejuízo para o Estado de Santa catarina ainda é incalculável, porque as empresas não repassaram os números previstos de exportação. Ao todo, somente em Santa Catarina, 19 indústrias perderam a certificação e outras já foram desativadas.

O fato é que um dos lemas da campanha de Jair Bolsonaro foi “menos Brasília, mais Brasil”. Viria bem a calhar, neste momento, saírem de cena e assumirem o papel de um governo ausente – pelo menos – nas relações comerciais brasileiras. Se não pode ajudar, como diz o ditado popular, não atrapalha.

Sócrates Santana é jornalista e gestor de inovação da Secretaria de Ciência, Tecnologia e Inovação do Estado da Bahia.

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Marco Wense

 

O presidente sabe que a sustentação do governo, aí também incluindo a tal da governabilidade, depende mais do apoio do segmento militar do que do Congresso Nacional.

 

A maior preocupação com o governo Bolsonaro, eleito democraticamente, não é dos aliados políticos, do seu partido (PSL) e do campo da direita. O segmento militar é o mais apreensivo, especificamente os generais.

Se o bolsonarismo fracassar, leva junto o militarismo, já que a opinião de que o governo é conduzido por esse segmento institucional é unânime. O insucesso da era Bolsonaro pode colocar em dúvida a capacidade dos militares.

É bom lembrar que Jair Messias Bolsonaro é um capitão do exército, o que faz seu governo ficar cada vez mais distante do civilismo, destoando assim dos últimos presidentes eleitos.

A vontade do presidente Bolsonaro era ser mais incisivo na defesa do seu filho Flávio Bolsonaro, eleito senador pelo Estado do Rio de Janeiro. A pressão dos militares fez o mandatário-mor da República recuar.

“Se por acaso ele errou e isso for provado, lamento como pai, mas ele terá de pagar o preço por esses atos que não podemos aceitar”, disse o chefe do Executivo em Davos (Suíça), no Fórum Econômico Mundial.

O caso Coaf e outros envolvendo o filho, terminaram prejudicando o desempenho do presidente no encontro internacional. O prêmio Nobel de Economia, Robert Shiller, foi mordaz ao ser questionado sobre a fala de Bolsonaro: “O Brasil é um grande país. Merece alguém melhor”.

Os senhores generais temem que o discurso de que “lugar de militar é no quartel” volte com toda força nos partidos de esquerda, mais especificamente no PT e PCdoB, ferrenhos defensores do regime ditatorial venezuelano e adeptos do quanto pior, melhor.

O presidente sabe que a sustentação do governo, aí também incluindo a tal da governabilidade, depende mais do apoio do segmento militar do que do Congresso Nacional.

PS – O que chama mais atenção no Caso Coaf, envolvendo o filho do presidente, cuja renúncia do mandato já é defendida no staff militar, é o silêncio do ministro da Justiça e ex-juiz Sérgio Moro, sem dúvida o membro do governo que mais entende de lei, principalmente quando ela é transgredida.

Marco Wense é articulista político e colunista do Diário Bahia.

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Saulo Carneiro

 

 

 

Resta ao governador, à secretária de Cultura e à responsável pelos espaços culturais esclarecerem à população o motivo do fechamento e precarização do Centro de Cultura Adonias Filho.

 

2019 não parece que será um ano fácil. Logo no começo do ano, descobri que o Centro de Cultura Adonias Filho, aparelho cultural que atende todo o território identitário do Litoral Sul, composto por vinte e sete municípios, não abriu sua pauta e permanece com a sala principal fechada desde 2017.

Mas qual é a relevância disso? O Centro de Cultura Adonias Filho, funciona (ou deveria funcionar) há exatos trinta e três anos, e abriga espetáculos das mais diversas áreas artísticas, oficinais, workshops, palestras, e diversas manifestações artísticas, culturais e esportivas.

Para mim, falar do CCAF, é falar sobre uma relação afetiva, pois, foi nesse espaço que assisti a primeira peça de teatro da minha vida, aos oito anos de idade no colo de minha mãe, foi também ali, que assisti diversos espetáculos, e saí chorando e sorrindo. Desde então, mantenho um vínculo afetivo, que também se tornou profissional com o Centro.

Conheço todos cantos do CCAF, da coxia até as passarelas suspensas da sala principal, e sei, o quanto o espaço está abandonado, e vem sofrendo com uma precarização, que cada vez mais parece ser proposital, tendo até as cortinas da sala principal sido furtadas.

Não é mera coincidência nossa cidade figurar nos índices de violência, como uma das primeiras colocadas. Sendo considera a mais violenta para jovens em 2009, em pesquisa do Ministério da Justiça.

A cultura de Itabuna sofre e sangra, com a Polícia e o Ministério Público invadindo a sede da Fundação Itabunense de Cultura e Cidadania, e tendo seus espaços culturais fechados. Uma frase que circula nas redes sociais, cada vez mais faz sentido em nossa cidade, “Em lugar onde não há atividades culturais, a violência vira espetáculo”.

Como diria Ramon Vane, padecemos nós, pobres e sem cultura, agora ainda mais padecidos, sem o principal espaço cultural da cidade.

Resta ao governador, à secretária de Cultura e à responsável pelos espaços culturais esclarecerem à população o motivo do fechamento e precarização do Centro de Cultura Adonias Filho.

Saulo Carneiro é estudante de interdisciplinar em humanidades da UFSB e membro do Conselho Municipal de Cultura

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Manuela Berbert || manuelaberbert@yahoo.com.br

Na contramão disso tudo, vale ressaltar, o índice de violência doméstica só cresce. Basta uma olhadinha nos veículos de comunicação para encontrarmos manchetes sobre crimes passionais, por exemplo.

Tenho visto e acompanhado, cada vez mais, o excelente desempenho de diversas mulheres pelo mundo. Observo algumas se encontrando, profissionalmente falando, e muitas se reencontrando. Quase todas tomando as rédeas do próprio destino pelas mãos, independente da idade, classe social e financeira.

Só ontem li que a autobiografia de Michelle Obama, Becoming – a Minha História não para de bater recordes em vendas. Recorde esse que, invariavelmente, já era de uma mulher, E.L.James, autora da trilogia Cinquenta Sombras de Grey. As revelações da antiga primeira-dama norte-americana trazem de problemas comuns na gravidez à terapia de um casal em crise, diminuindo cada vez mais a suposta distância entre as damas das altas sociedades e as mulheres de vida simples.

Enquanto isso, também foi divulgado na última segunda-feira, e voltado para o universo mais jovem, a seguinte manchete: dentre os candidatos que tiraram nota mil na redação do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem 2018), as mulheres foram a grande maioria. Os dados do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep) trazem mais uma realidade: o alto poder de entendimento delas sobre a vida em si, já que as questões das provas têm trazido as relações humanas e seus problemas cotidianos à tona, sempre.

Na contramão disso tudo, vale ressaltar, o índice de violência doméstica só cresce. Basta uma olhadinha nos veículos de comunicação para encontrarmos manchetes sobre crimes passionais, por exemplo. É inegável, também, que portas para as grandes oportunidades de emprego foram, enfim, abertas para as mesmas. No entanto, ainda constata-se que muitas chegam a cargos importantes de liderança, correspondem às suas qualificações, mas são mal remuneradas. Diante de um cenário diário tão dúbio e conflitante, me questiono: ainda não estamos prontos para a força da mulher?

Manuela Berbert é publicitária e escreve no blog www.manuelaberbert.com.br

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Sócrates Santana

 

 

A falta de cordialidade do presidente empossado Jair Bolsonaro e o seu empenho de realizar uma cruzada ideológica contra os vermelhos incluiu no seu alvo o maior destino da exportação brasileira, a China. O resultado: o presidente da Câmara de Indústria e Comércio Brasil-China, Charles Tang, confirmou que seu país colocou o Brasil em stand by.

 

A mais enraizada e consensual tradição da família brasileira está sendo violentada pelo novo governo: a cordialidade. Ao menos, desta maneira conceituou um dos mais importantes pensadores da formação do povo brasileiro, o sociólogo Sérgio Buarque de Holanda. Segundo o autor da célebre obra Raízes do Brasil, a cordialidade revela a vontade da família brasileira aproximar o que é distante do nível do afeto. O “homem cordial” é, portanto, um artifício, encrustado em nossa formação enquanto povo. É por isso que Sérgio Buarque disse, também, que: “a contribuição brasileira para a civilização será o homem cordial”. Uma promessa conjugada verbalmente no tempo do futuro do presente do indicativo.

A emissão de um telegrama à ONU do ministro das Relações Exteriores, Ernesto Araújo, pôs em risco o prelúdio do pensador brasileiro com o fim da participação brasileira no Pacto Global para a Migração. Uma decisão, ideologicamente contaminada, tomada pelo presidente recém empossado, Jair Bolsonaro, que colocou 3.083.255 brasileiros que vivem no exterior a mercê de um benefício internacional, não sendo o país mais “signatário do pacto global para migração segura, ordenada e regular”.

O fato é que o Brasil não tem um problema sério de migração. Ou seja: estrangeiros que moram no Brasil são poucos proporcionalmente aos brasileiros que vivem no exterior. Temos uma parcela muito pequena da nossa população composta por migrantes, são cerca de 0,4% de migrantes chegando no Brasil, e temos muito mais brasileiros vivendo no exterior do que estrangeiros vivendo no nosso país. Então, a saída do pacto prejudica mais os brasileiros do que a permanência no pacto.

Obviamente, a decisão não é uma atrapalhada do presidente Jair Bolsonaro. É um risco mal calculado por quem não governa para todos, mas apenas para os 57.796.986 de brasileiros que votaram nele. Eu vou explicar o meu argumento e mostrar como o cálculo do Palácio do Planalto é baseado no resultado das urnas. O presidente Jair Bolsonaro sabe que o número de brasileiros no exterior não representa necessariamente a totalidade dos brasileiros residentes nos 120 países dos 193 membros da ONU que assinaram o Pacto Global para Migração, mas, simplesmente, menos da metade.

Coincidência ou não, o maior número de brasileiros no exterior reside nos EUA. Um total de 48%. Os brasileiros de Miami garantiram uma vitória esmagadora de Bolsonaro no exterior. Esses dados mostram como as decisões do presidente Jair Bolsonaro são tendenciosas e ideologicamente contaminadas pelo mapa eleitoral. A decisão, portanto, não é fruto de uma atrapalhada e uma decisão sem fundamento. É uma decisão de quem resolveu apostar todas as fichas no segundo maior importador do Brasil. Este, talvez, seja outro risco mal calculado pelo presidente Jari Bolsonaro.

Hoje, os EUA correspondem a apenas 16% das exportações brasileiras, enquanto os chineses, por exemplo, correspondem a mais de 30%. Todos os indícios da política internacional do governo empossado apontam para uma busca desenfreada e de alinhamento com o Tio Sam. Mas, todos os números da economia brasileira mostram como o governo americano busca ocupar espaços e concorrer com os produtos de exportação do Brasil, que sofrem ainda mais com a redução do dólar.

Enquanto isso, o presidente norte-americano, Donald Trump, celebra o crescimento das exportações de carne dos EUA para o Brasil que, desde 2003, não vendia para o país sulamericano. Aliás, o Brasil pode se preparar para uma concorrência maior dos Estados Unidos no setor de carnes em 2019. A produção e exportação deverão ser recordes em alguns dos setores de proteína deste país, concorrente direto do Brasil. Uma das apostas dos americanos é exatamente a China, com quem selou recentemente uma trégua na guerra comercial. Mas, só que não…

A falta de cordialidade do presidente empossado Jair Bolsonaro e o seu empenho de realizar uma cruzada ideológica contra os vermelhos incluiu no seu alvo o maior destino da exportação brasileira, a China. O resultado: o presidente da Câmara de Indústria e Comércio Brasil-China, Charles Tang, confirmou que seu país colocou o Brasil em stand by. Tradução: bye, bye US$ 19 bilhões em soja vendidas para a China. Ou pior: zài jiàn 80% de toda a soja produzida por fazendeiros brasileiros comprada pelos chineses.

“A verdadeira força moral da Casa de Rio Branco” está em pânico com tamanhos disparates e mostrou em manifestação pública a sua preocupação sobre o futuro sem cordialidade do Itamaraty brasileiro. O presidente Jair Bolsonaro e o chanceler Ernesto Araújo precisam da razão esclarecedora do homem cordial, segundo Sérgio Buarque, inspirado em caminhos sem muros, mas, cheios de fronteiras para aproximar quem precisa “viver nos outros” e não suporta o peso da individualidade.

Para alguns, estabelecer fronteiras significa apenas divisão e construção de muros para separar pais e filhos, a exemplo de Donald Trump em relação aos imigrantes mexicanos. Para outros, erguer fronteiras significa garantir a unidade de pontos diversos, a exemplo da Grande Muralha da China, que gerou emprego e, principalmente, uniu sete reinos em um país. Para os brasileiros, as fronteiras são possibilidades de amarrarmos a nossa soberania com os laços do coração, aproximando a civilidade do diálogo permanente com o outro, dando uma chance para todos recomeçarem, imigrantes ou não, brasileiros ou não, eleitores de Bolsonaro ou não.

Sócrates Santana é jornalista e brasileiro. Atualmente, atua como mentor de startups e gestor de inovação para o Governo da Bahia.