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marivalguedes2Marival Guedes | marivalguedes@gmail.com

 

Leó, que havia marcado gols em todas as partidas, fez um golaço na decisiva e consagrou-se artilheiro do campeonato. No final do jogo Osório Vilas-Boas foi parabenizá-lo, mas não conseguiu pronunciar palavra alguma. A garganta travou, as lágrimas caíram.

 

Na última vez que encontrei Léo, fomos a um bar próximo a casa onde ele morava em Itabuna. Estava chateado por causa de uma tentativa de assalto na Avenida do Cinquentenário.

Contou que quando o homem mostrou uma faca, ele desabafou:

-Mas eu, um idoso?

Surpreso, o assaltante respondeu com outra pergunta:

É você, Léo?

Pediu desculpas e saiu apressadamente.

Vamos esquecer isso e falar sobre as coisas boas da vida, sugeri e ele concordou. A partir daí, foram muitas histórias e muitas risadas.

O texto que segue, escrevi para uma edição especial do Jornal Agora. Depois vi na biblioteca colaborativa Wikipedia, com algumas alterações, e faço um terceiro nesta manhã de sábado.

A FUGA PARA O RIO DE JANEIRO

Briglia foi um dos monstros sagrados do futebol baiano.
Briglia foi um dos monstros sagrados do futebol baiano.

Léo foi “descoberto” quando atuava pela Federação Universitária Baiana de Esportes (Fube) numa preliminar de Bahia e América em Salvador. Suas jogadas despertaram a atenção do técnico Grita, um uruguaio, que o convidou para jogar no Rio.

Sabendo que o pai não concordaria, ele saiu de casa às escondidas: “minha família soube pelos jornais e revistas, quando eu já estava jogando no América”, conta.

No Rio, os treinos eram realizados no campo do Vasco. Ao observar a atuação do jogador, o técnico do clube, Flávio Costa, o convidou. Mas ele já havia assinado contrato com o América.

No entanto faltava um detalhe, Francisco Briglia, pai de Léo, teria que assinar o contrato. Prevendo a resistência, foi enviado um diretor importante politicamente, o Ministro do Trabalho, que foi a Salvador, onde a família tinha residência para os filhos estudarem.

O “coronel de cacau” não levou o poder político em consideração: “ele rasgou o contrato e xingou o ministro, dizendo, você é descarado igual a Léo”, contou o ex-jogador.

Mas “arranjaram um jeitinho”. O vice-presidente do América era juiz de Direito e assinou o contrato se responsabilizando pelo jogador, que permaneceu no clube durante três anos, de 1947 a 1949.

VISITA E PRISÃO

Neste último ano, aconteceu algo inesperado: o América foi jogar em Ilhéus. Léo se hospedou, junto com a equipe, no Ilhéus Hotel e decidiu visitar os familiares em  Itabuna.

Quando chegou, por ordem do pai, recebeu voz de prisão do irmão, Eudes Briglia, que era delegado, ao tempo em que ouvia o vozeirão de Chico Briglia, aos berros: “você não vai voltar mais, seu moleque vagabundo!”.

RETORNO AO FUTEBOL BAIANO

Ficou na cidade, jogando nos times de Itabuna contra os de fora, a exemplo de Bahia, Botafogo e Ipiranga. “Nós papávamos todos eles”, diz orgulhoso.

Quando o futebol itabunense entrou em declínio, em 1953, ele foi para o Colo-Colo de Ilhéus.

O “Tigre” foi campeão em 1953 e 1954 e Léo o artilheiro absoluto. Depois do Colo-Colo, conseguiu um emprego de auditor fiscal em Salvador, através do Governador  Juracy Magalhães, seu padrinho.

“QUASE” CAMPEÃO MUNDIAL

Em 1958, Léo Briglia foi convocado para a Seleção Brasileira, pelo técnico Vicente Feola. Mas foi cortado dezoito horas antes do embarque para a Suécia, porque seu ex-treinador do Fluminense havia declarado a um importante jornal da época, que o joelho do atleta estava lesado e seus dentes tinham muitas cáries.

Por isso, ficou definitivamente fora da Seleção. Foi substituído por  Dida, do Flamengo. Em relação às cáries, vale lembrar que todos os seus dentes foram extraídos e, dias depois, substituídos por uma dentadura.

Sobre o corte na Seleção, Léo falou conformado que futebol tem dessas coisas e afirma que neste incidente houve um aspecto positivo, que foi a oportunidade dada àquele que se tornou a maior estrela do futebol brasileiro:

“Se eu fosse para a Suécia, o Pelé não iria brilhar porque não teria a oportunidade de jogar, pois a posição era minha e não lhe daria esta chance. Mas era pra ser Pelé e assim foi”, disse Léo Briglia.

 REJEIÇÃO E GLÓRIA NO BAHIA

Torcedor do Vitória, Léo tentou jogar no rubro-negro, mas o dirigente Ney Ferreira não aceitou, argumentando que ele estava velho, decadente e em fim de carreira.

Com a negativa, o ex-jogador e técnico do Bahia, Geninho, sugeriu sua contratação ao presidente do clube, Osório Vilas-Boas, que reagiu de forma semelhante, argumentando que “Léo bebe muito e é irresponsável”. Geninho insistiu, assumindo um arriscado compromisso: “contrate Léo que eu lhe dou a Taça Brasil de presente”.

CAMPEÃO E ARTILHEIRO NACIONAL

Por ironia, foi no Bahia que viveu sua melhor fase como jogador de futebol. O clube foi para a final da Taça Brasil (que começou em 59 e terminou em 60), numa melhor de três, contra o Santos.

Na primeira, em plena Vila Belmiro, o Bahia surpreendeu o Santos ao vencer por 3 a 2. No segundo confronto, na Fonte Nova, perdeu por 2 a 0, mas venceu a histórica partida decisiva em campo neutro e sagrou-se o primeiro campeão da Taça Brasil, derrotando o time de Pelé por 3 a 1, no Maracanã.

Leó, que havia marcado gols em todas as partidas, fez um golaço na decisiva e consagrou-se artilheiro do campeonato. No final do jogo Osório Vilas-Boas foi parabenizá-lo, mas não conseguiu pronunciar palavra alguma. A garganta travou, as lágrimas caíram.

FLAGRANTE NA BOATE

Das suas histórias de boêmio uma aconteceu no Fluminense do Rio. O time estava concentrado num hotel para o clássico contra o Vasco no dia seguinte.

Ele não resistiu a um convite e fugiu para uma festa numa boate. De madrugada, apareceu o técnico Zezé Moreira e o levou para o hotel. Lá, na madrugada, ouviu a sentença: “enquanto eu estiver aqui, você não veste mais a camisa do Fluminense. Mas não vou dizer pra ninguém, por que lhe tirei do time”.

Porém, um incidente levou o técnico a suspender a punição: um jogador se machucou e Léo foi convocado. Mesmo de ressaca, entrou e brilhou. Driblou, deu passes, fez dois gols e o Fluminense venceu por 5 a 2.

Um dos maiores craques do futebol brasileiro, Léo Briglia ocupou espaços nos mais importantes veículos de comunicação do país. Foi citado em crônicas do dramaturgo e jornalista Nelson Rodrigues, assim como do escritor e jornalista Antônio Lopes.

Além de ser o primeiro artilheiro do Brasil, teve vários outros títulos conquistados. Entrou e colocou a Bahia numa das páginas de maior destaque do nosso futebol.

Valeu, Léo.

Marival Guedes é jornalista.

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Everaldo Anunciação e Josias Gomes.

Everaldo Anunciação e Josias Gomes

A ameaça ocorre justamente no momento que a Ceplac, mais ativamente a partir de 2012, desenvolve plano de contingência para livrar o Brasil da monília.

Às vésperas de completar 60 anos, o que acontecerá em 20 de fevereiro de 2017, a Comissão Executiva do Plano da Lavoura Cacaueira (Ceplac), forte símbolo da cacacuicultura do Brasil, pode estar perto de sofrer um rude golpe.

Vinculada ao Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa), a Ceplac atua em seis estados (Bahia, Espírito Santo, Pará, Amazonas, Rondônia e Mato Grosso), por onde se espalha a cultura do cacau no país.

O golpe vem na forma de possível rebaixamento em seu status legal, passando da atual condição de órgão da administração direta a uma simples coordenação, o que fará com que a Ceplac tenha prejuízos significativos nas partes orçamentária, administrativa e financeira.

Tudo isso, sem qualquer sombra de dúvida, deve prejudicar enormemente o andamento dos diversos projetos de pesquisa e de desenvolvimento de novas tecnologias quer caracterizam o trabalho da Comissão.

Não precisa dizer, ainda, o efeito danoso que um rebaixamento institucional desse porte vai produzir em meio aos técnicos, agrônomos e funcionários da Ceplac, principalmente em virtude da redução dos recursos e das condições de trabalho na instituição.

Desde que cheguei à Bahia (no meu caso específico, Josias) estabeleci, na condição de agrônomo, profunda ligação com o trabalho da Ceplac. Nós dois, ligados no mesmo trabalho, desde então, sabemos bem da motivação que guia seus quadros na condução dos trabalhos em favor da cacauicultura e demais sistemas agroflorestais, não só do Estado, mas, ainda, do País como um todo.

Em parceria, desde então, nós assistimos e participamos das angústias e das intervenções técnicas feitas pela Ceplac para enfrentar a praga da vassoura de bruxa, que quase dizimou a produção de cacau na Bahia.

A partir da chegada dessa praga no Estado, com efeitos trágicos na cacauicultura local, foi na Ceplac que agricultores e produtores em geral buscaram o apoio para enfrentá-la, o que acabou produzindo resultados cada vez mais estimuladores.

Pesquisas resultaram então na descoberta do primeiro fungicida biológico para lavouras de cacau, o Tricovab, que, durante 10 anos foi submetido a testes em campo, com eficácia comprovada tanto em tecido morto quanto em tecido vivo. Em 2013, o Tricovab acabou virando produto comercial.

Pelo trabalho da Ceplac, não apenas com a utilização do Tricovab, como pela introdução de clones e manejo adequado do solo, do total de 473,6 mil hectares de terra, 150 mil haviam sido devidamente recuperados, em 2013. Esses números só avançaram desde então.

Nesses quase 60 anos de existência, portanto, sobreviveu e avançou a cultura do cacau no país, sob a égide do trabalho desenvolvido pela gente da Ceplac, gente que, agora, se vê ameaçada pela minimização da estrutura legal da Ceplac. 

O pior é que a ameaça ocorre justamente no momento que a Ceplac, mais ativamente a partir de 2012, desenvolve plano de contingência para livrar o Brasil da monília, uma praga devastadora, ainda não relatada no país, mas já identificada a 150 km do Acre.

Não é possível admitir, creio firmemente nisso, em tal possibilidade, qual seja, a de ver a Ceplac rebaixada ao nível de uma simples coordenação do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa).

Nesse momento queremos deixar claro o nosso alinhamento ao lado de todos que, na Ceplac ou fora dela, se dispõem a lutar para que a instituição mantenha o atual status de órgão da administração direta, vinculado ao Mapa.

Temos certeza de que a Ceplac necessita de uma reforma. Mas, de uma reforma que a aperfeiçoe, e, mais do que isso, faça com que a Comissão cresça em dimensão institucional, e, não, como se quer, diminua.

É nesse propósito que reafirmamos nossa profissão de fé com relação a Ceplac, uma entidade que tem marcado não apenas a história da cacauicultura, mas, por extensão, a própria história da agricultura brasileira.

Josias Gomes é deputado federal licenciado e secretário estadual de Relações Institucionais; e

Everaldo Anunciação é funcionário da Ceplac e presidente do PT-BA.

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marco wense1Marco Wense

 

 

É bom lembrar que as pressões sobre o alcaide, para que seja o nome do governismo na sucessão, são grandes e protagonizadas por gente graúda, como, por exemplo, o governador Rui Costa (PT).

 

 

Francamente, como diria Leonel Brizola, fundador do PDT, não acredito que o prefeito Claudevane Leite volte atrás na sua decisão de não disputar o segundo mandato.

Como o mundo político é cheio de sobressaltos, vamos analisar, a pedido de alguns leitores, o que poderia acontecer se o enigmático chefe do Executivo resolvesse sair candidato à reeleição.

É bom lembrar que as pressões sobre o alcaide, para que seja o nome do governismo na sucessão, são grandes e protagonizadas por gente graúda, como, por exemplo, o governador Rui Costa (PT).

O comando estadual do PRB, legenda pela qual o chefe do Executivo se elegeu, que é ligada aos evangélicos da Igreja Universal, trabalha nos bastidores para que Vane pegue a toalha do chão e enfrente mais um round.

Vane candidato significa uma reviravolta no processo sucessório. Todas as análises políticas seriam reavaliadas. O jogo pelo poder tomaria outros contornos. Uma nova avaliação do cenário político, principalmente pelos adversários, seria imprescindível.

A primeira consequência e, sem dúvida, a mais importante, seria um só palanque com Davidson Magalhães, Geraldo Simões e Roberto José, respectivamente PCdoB, PT e PSD, apoiando Claudevane Leite.

O chamado “núcleo duro” do vanismo, tendo na linha de frente Otto Matos, em nome da causa maior, a reeleição, faria as pazes com os comunistas. O céu ficaria de brigadeiro.

Davidson e Roberto José já disseram, por diversas vezes, que abririam mão da candidatura se o prefeito saísse para um segundo mandato. O petista Geraldo Simões não iria se rebelar contra o governador Rui.

A pré-candidatura de Carlos Leahy pelo PSB, partido que integra a base aliada do governo estadual, fica na dependência de uma melhora nas pesquisas de intenções de voto, sob pena de ter que se juntar a Davidson, Geraldo e Roberto no palanque da reeleição.

Pelo lado da oposição, a disputa entre Fernando Gomes, capitão Azevedo e Augusto Castro fica cada vez mais acirrada. O tucano Augusto quer que o apoio do PSDB à reeleição de ACM Neto seja condicionado ao do DEM de Itabuna a sua candidatura.

Longe dos bafafás e dos imbróglios, o prefeiturável do PDT, o médico Antônio Mangabeira, continua firme na sua campanha. Enquanto eles brigam, o doutor toma a sopa pela beirada do prato.

Por falar em Mangabeira, dos pré-candidatos citados no comentário de hoje, somente ele participou da consulta pública sobre o plano municipal de saneamento básico.

A questão da reeleição não é só política. A pacata primeira dama, com sua peculiar discrição, em conversas com pessoas bem próximas, tem dito que a decisão de não disputar o segundo mandato é irreversível.

Marco Wense é articulista do Diário Bahia.

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Diana SantanaDiana Santana

Passado o susto e depois de dar conta dos problemas e dissabores gerados, consigo falar sobre uma ocorrência da semana passada. Na última quinta-feira, dia 11, meus pais, donos do Bar Katikero, localizado no bairro Pontalzinho, em Itabuna, comércio em funcionamento há 39 anos, foram surpreendidos por uma situação que jamais imaginaram passar na vida: um ataque a tiros (relembre aqui).

Apesar dos blogs e rádios terem noticiado um tiroteio, afirmo que o ocorreu foi um ataque. Sim, porque um tiroteio pressupõe um revide, troca de balas, e o que ocorreu nem passou perto disso. Não houve tempo e nem havia cidadãos armados para sequer pensar em reagir (que bom!). Quem espera estar sentado num tradicional bar, no centro da cidade, no meio da semana e virar alvo de uma violência? Tudo ocorreu por volta das 21 horas, quando dois homens passaram numa moto e atiraram a esmo, para todos os lados. Mais de 15 tiros! Uma mulher e um homem foram atingidos; por sorte, os ferimentos não foram letais. Outros tiros atingiram portas e paredes de estabelecimentos e o carro de meus pais. As marcas ainda estão lá. Um terror.

Mas isso acho que todos sabem. Os blogs e as redes sociais replicaram as notícias e fotos. O que ninguém sabe é o porquê. Violência generalizada, eu sei. Mas por que Itabuna está sofrendo tanto com isso? Para além da crise hídrica e da epidemia do aedes aegypti, somos notícia nacional devido ao índice elevadíssimo de assassinatos, principalmente de jovens.

Um ataque dessa natureza hoje, na nossa cidade, pode acontecer com qualquer um, em qualquer lugar, a qualquer hora. É fato! É espantoso! E outro fato me chamou atenção: blogs e rádios tem a preocupação em noticiar o ocorrido, mas só dão a manchete, sem fazer uma análise, sem fazer uma cobrança às autoridades, sem provocar uma reflexão, sem convocar a população para o debate e para a ação.

Em que pese a violência e suas estatísticas absurdas terem sido banalizadas e virarem sensacionalismo em inúmeros programas policialescos, nada disso é normal!

Dessa vez meus pais foram surpreendidos (apesar de não ser esta a primeira vez que foram vítimas de violência), e nossa família, amigos e clientes ficamos todos consternados. Mas é a cidade que agoniza. É notório que há um clima de tensão permanente, boatos sobre toque de recolher e etc. Tá, sei que o Brasil, que o planeta todo está meio descontrolado, mas estamos todos esperando que os responsáveis pela cidade, o poder público ou a polícia responda: o que está acontecendo com Itabuna?

PS: Como contribuição para uma reflexão deixo um texto, muito pertinente, de um professor grapiúna, que li outro dia aqui. Contundente, como a situação merece.

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Moacir Oliveira faleceu no último dia 9.
Moacir Oliveira faleceu no último dia 9.

Familiares e amigos do médico Moacir Oliveira participam de Missa de Sétimo Dia, nesta segunda (15), às 18 horas, na Catedral de São José, em Itabuna. O médico faleceu na última terça (9), após sofrer três paradas cardíacas, no Hospital Calixto Midlej Filho.

O médico era um exemplo em sua área e também como ser humano. Olívio Borges, um dos sobrinhos de Moacir Oliveira, sugeriu ao site a publicação do texto abaixo, escrito por um dos filhos do médico. Ajuda a entender um pouco do profissional e da alma do grande ortopedista itabunense. Confira o texto de Moacir Oliveira, médico e psicoterapeuta.

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Moacir FilhoMoacir Oliveira

Comecei a aprender a ser médico. Mais tarde, me daria conta de que ele me ensinava a não ser, apenas, médico de patologias, e sim, a ser médico de pessoas. Então, ele me ensinava sobre caridade.

 

Hoje é dia 10 de fevereiro de 2016. Vou escrever um pouco sobre meu pai, mas, por mais que escreva ou fale dele, por mais que tentasse, não conseguiria dar a imagem de quem era, aliás, de quem é, porque, continua a existir entre nós, pelas histórias que construiu e que iremos contar, que manterá acesa a chama de sua essência em meu coração.
Seria preciso ter convivido com ele para experimentar o ser humano singular, grandioso e bom que era, porém vou tentar falar um pouco do que aprendi com ele desde pequena idade, a exemplo de quando criança, passávamos o veraneio em São Tomé de Paripe, na baía de Aratu, onde ele se esquecia que era médico e se sentava com seu compadre pescador para me ensinar a pescar, colocando a isca no anzol, em uma canoa, me ensinando a reconhecer os peixes que pescávamos. Aprendia, neste momento, sobre sua simplicidade.

Com o tempo, crescemos e viemos morar num sítio, em Itabuna, onde, hoje, velamos o seu corpo, e, meninos levados que éramos, eu e meus irmãos, saíamos para tomar banho no perigoso cachoeira, e ele nos advertia: -“cuidado com o lugar mais fundo, não vão para lá”, e, nós não íamos. Eu aprendia, com ele, sobre a obediência, disciplina e confiança, quando ao fim do dia voltávamos para seus braços sem nada ocorrer.

Já maior, quando ele ia atender seus pacientes no antigo Hospital Santa Cruz, onde cirurgião geral, naquela época, realizava cirurgias de todo o tipo, lá estava eu, segurando a sua maleta, e ficava encantado. Ele me apresentava seus casos. Comecei a aprender a ser médico. Mais tarde, me daria conta de que ele me ensinava a não ser, apenas, médico de patologias, e sim, a ser médico de pessoas. Então, ele me ensinava sobre caridade.

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ana virginiaAna Virgínia Santiago | Jornal Bahia Online

Passam-se os dias, as intermináveis horas, os rotineiros e angustiantes momentos de insônia e desespero da mãe, avó, irmão, tios e amigos da menina linda que se foi de forma trágica e desumana.

Passam-se os dias e envolvo o meu coração materno, de tia por afinidade no parentesco de quem viu a menina linda nascer, de quem conviveu com ela e de cidadã assustada com o que está acontecendo, porque a família está sofrendo.

Sou mãe e (como inúmeras mães não só daqui de Ilhéus que conversam comigo) transfiro sem ter a verdadeira e grandiosa dimensão do que está acontecendo na vida e na alma da mãe de Thayná, porque só ela sabe o que está passando. É tudo dela! A ausência da filha e a solidão de mãe.

Perder um filho é dor dilacerante.

Perder um filho da forma que se foi Thayná é pior ainda, porque perder todos os dias a menina linda, sem a verdade, é desumano !

Seu quarto está vazio, não se ouve mais sua voz, sua alegria pela vida, seu dançar…Ela não está mais aqui entre nós.

Deixem Thayná em paz!

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DT blog 3Daniel Thame | danielthame@gmail.com

 

Coube a Rui Costa,  um governador nascido e criado numa família humilde do bairro da Liberdade (mais que uma ironia, o nome embute um simbolismo), iniciar um processo de liberação das amarras.

 

Durante duas décadas, o Carnaval de Salvador transformou-se numa espécie de Casa Grande & Senzala.

Protegidos pelas cordas, a elite branca de Salvador e milhares de turistas do Brasil e do Exterior, igualmente brancos em sua esmagadora maioria, desfrutavam das grandes atrações do Carnaval, em blocos cujos abadás caríssimos transformaram-se em grife e símbolo de status.

Do lado de fora das cordas, espremido entre as  calçadas e os camarotes, o povo, negros e multados da mais miscigenada e também mais negra das cidades brasileiras. Os chamados  pipocas, sorvendo migalhas do banquete oferecido aos bem nascidos.

Como os blocos se tornaram um espaço exclusivo, produzia-se um clima de alegria, mas uma alegria artificial.

Um “Muro de Berlim”  tropical, contraste constrangedor na festa que de popular só tinha o nome. Porque havia a corda.

Juntos, sim. Mas misturados, aí já era demais!

Não é mais.

Coube a Rui Costa,  um governador nascido e criado numa família humilde do bairro da Liberdade (mais que uma ironia, o nome embute um simbolismo), iniciar um processo de liberação das amarras.

Romper a corda.

Entre as já memoráveis imagens do Carnaval de Salvador em 2016,  nenhuma é mais forte, pelo que representa, do que a de grandes artistas como Ivete Sangalo, Bell Marques e Banda Eva, Léo Santana, Baby do Brasil, Moraes Moreira, Vingadora, Luiz Caldas, Sarajane, Gerônimo, Saulo cantando para uma multidão sem cordas, unida na alegria autêntica, que é marca do povo baiano, negros e brancos, pobres e ricos.

Ao romper as cordas e democratizar a folia, Rui Costa quebra um paradigma e abre caminho para fazer do Carnaval da Bahia efetivamente a maior festa popular do planeta.

Popular porque, enfim, o povo é protagonista e não um mero espectador excluído da folia.

Axé!

Daniel Thame é jornalista e editor do Blog do Thame.

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Felipe-de-PaulaFelipe de Paula | felipedepaula81@gmail.com

 

 

Precisamos, fundamentalmente, de disposição para procurar e constante atualização das nossas habilidades de pesquisa e leitura.

 

 

Há alguns dias me envolvi em uma polêmica num fórum das redes sociais. O espaço era destinado a tirar dúvidas de estudantes e pretensos estudantes universitários. Ali surgiam as mais diversas questões sobre o funcionamento de uma instituição de ensino superior. Muitas complexas, outras extremamente banais.

Aí começou o imbróglio. Respondi a uma dessas dúvidas banais e provoquei em tom didático: “Vamos aprender a usar o Google, pessoal”! Fui quase apedrejado. Acusaram-me de “cercear” as dúvidas alheias e, na condição de educador, eu deveria respondê-las. Reforço aqui uma reflexão que se une a o que argumentei por lá.

Primeira questão: entre postar uma dúvida num Fórum para aguardar que alguém responda ou partir para uma busca nos mecanismos que a tecnologia oferece, a segunda opção trará resultados mais rápidos e muito provavelmente mais referenciados do que a primeira.

Segunda questão: o mínimo que posso esperar de um estudante universitário é a ação de pesquisa. A reflexão curiosa, o desejo de aprender, a busca pelos meios de obter informação, deve fazer parte do cotidiano e do modo de agir desse estudante contemporâneo.

Terceira questão: até mesmo na satisfação de uma dúvida (que será mais bem resolvida de acordo com o nível de informação que o estudante buscou) devemos ter como objetivo a consolidação da autonomia, numa perspectiva Freireana, do estudante.

As tecnologias oferecem inúmeros caminhos para a obtenção da informação. Flutuamos hoje em um mar revolto de informações, onde nossa principal habilidade demandada é a do equilíbrio neste “mar informacional” e nossa capacidade de mudanças bruscas de rumo em busca do dado qualificado. Tal como Pierre Lévy afirma em sua obra Cibercultura, nossa busca pelo saber deixa de estar assemelhada à escalada de uma pirâmide e se aproxima da analogia com as ações de um surfista em busca do equilíbrio e de boas manobras.

Tal como um surfista, se desejamos informação, precisamos fugir da postura passiva. O sábio do presente vai à busca do saber. Não há tempo, em uma constante atualização de dados, para que fiquemos estacionados no aguardo de alguém para nos servir de informação e conhecimento. E ainda com a existência da possibilidade de equívocos nessas informações.

No tempo entre uma publicação num fórum e a chegada de sua resposta, há a possibilidade de encontrar e checar a qualidade de diversas fontes de informação. Precisamos, fundamentalmente, de disposição para procurar e constante atualização das nossas habilidades de pesquisa e leitura.

Felipe de Paula é professor da Universidade Federal do Sul da Bahia
www.facebook.com/professorfelipedepaula/

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marco wense1Marco Wense

 

Esse “ainda” do juiz aposentado Marcos Bandeira deixou nas entrelinhas que o doutor algum dia colocaria o seu nome como pré-candidato. Tanto é que o magistrado não descartou a incontida vontade.

 

 

O eminente juiz aposentado Marcos Bandeira, que tanto dignificou a magistratura, foi convidado para sair candidato a prefeito por Itabuna e Ilhéus.

Em relação a nossa vizinha e irmã cidade, não há qualquer possibilidade de Bandeira sequer pensar no convite, é só agradecer a lembrança do seu nome.

Na frente da articulação, o engenheiro Alfredo Melo, a simpática presidente do PV, Daniele Simões, e o poeta Antônio Oliveira. Tudo com o aval da executiva estadual, tendo a frente o deputado Marcell Moraes.

Em dezembro de 2014, o então juiz da Vara de Infância e Juventude negou a intenção de disputar o comando do centro administrativo Firmino Alves: “Ainda exerço o cargo de magistrado do Tribunal de Justiça da Bahia, que, por força da lei, não permite o exercício de qualquer atividade de natureza político-partidária”.

Esse “ainda” deixou nas entrelinhas que o doutor algum dia colocaria o seu nome como pré-candidato. Tanto é que o magistrado não descartou a incontida vontade: “Se Deus um dia me conceder a graça de me aposentar, aí sim poderia pensar nessa possibilidade”.

Como Marcos Bandeira acaba de se aposentar, então se deduz que ele pode aceitar o convite para se filiar ao PV e, quem sabe, ser mais um prefeiturável.

Marco Wense é articulista do Diário Bahia.

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Jaciara Santos PrimoreJaciara Santos | jaciara@primoreconsultoria.com.br

 

Um verdadeiro líder inspira, motiva, ensina, respeita os seus liderados e utiliza ferramentas para o desenvolvimento da equipe. Um verdadeiro líder é um líder coach.

 

Liderar é o ato de conduzir uma pessoa ou equipe a um determinado ponto, estimulando-as em busca de um resultado. Porém, percebe-se um mercado em que os colaboradores estão cada vez mais desestimulados a seguir, a concluir suas metas.

O que está acontecendo, afinal? Avaliando de forma geral, percebo que esses funcionários precisam de direcionamento, de treinamento, de capacitação, necessitam que a empresa tenha um olhar diferenciado para ele.

Nota-se ainda que existem muitos líderes autocráticos, aqueles que lideram com a cultura do medo e da opressão, que, pelo fato de pagar o salário dos colaboradores, pensam que podem agir de forma grosseira e desrespeitosa com os indivíduos. E a empresa torna-se ambiente no qual ainda reina a cultura do “manda quem pode, obedece quem tem juízo”. Isso desestimula, fazendo com que o colaborador não se sinta parte da instituição.

Estamos vivendo num momento em que o mercado está cada vez mais acirrado, a concorrência cresce e há cada vez menos espaço para esse tipo de profissional. O líder autocrático está fadado a ser extinto do mercado.

Mas, quando esse “chefe” é do dono da empresa, o que fazer? Realmente, essa cultura precisar mudar, conforme expõe Jack Welch quando diz que “no futuro, todos os líderes serão coaches. Quem não desenvolver essa habilidade, automaticamente será descartado pelo mercado”.

Então, se quer que sua empresa resista às mudanças, precisa desenvolver-se enquanto líder. Precisa buscar novos conhecimentos e desenvolver novo olhar para a sua liderança.

Um verdadeiro líder inspira, motiva, ensina, respeita os seus liderados e utiliza ferramentas para o desenvolvimento da equipe. Um verdadeiro líder é um líder coach.

E você, afinal, como anda sua liderança? Que tipo de líder é você?

Jaciara Santos é master coach.

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AdilzeAdilze de Mendonça Rodrigues

 

Existem tratamentos específicos para distúrbios do sono como o ronco e a apneia. Os tratamentos podem variar de simples mudanças de hábitos a procedimentos cirúrgicos.

 

 

Dormir bem não é apenas uma necessidade de descanso mental. É muito mais além.  Durante esse momento, ocorrem processos metabólicos essenciais para garantir um bom desempenho funcional e uma boa qualidade de vida. E isso só é possível se tivermos uma boa noite de sono.

Existem tratamentos específicos para distúrbios do sono como o ronco e a apneia. Os tratamentos podem variar de simples mudanças de hábitos a procedimentos cirúrgicos. O que vai determinar esse tratamento são as causas do ronco e/ou apneia, tipo e intensidade dos sintomas, alterações anatômicas, a gravidade da doença, dados antropométricos, presença de doenças associadas e outros.

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Álamo-PimentelÁlamo Pimentel

 

O que se apresenta é apenas o início de uma transformação há muito reivindicada mas, até o momento, bloqueada pela ausência de projetos capazes de articular de forma orgânica e eficaz diferentes esferas do poder público na implantação de políticas educacionais.

 

A integração dos Sistemas de Ensino no Brasil constitui um dos mais importantes desafios para as políticas educacionais nacionais nos últimos anos. É preciso superar os obstáculos que hoje separam as esferas municipal, estadual e federal e geram desigualdades nos processos e estruturas de gestão na educação pública.

A Universidade Federal do Sul da Bahia – UFSB, em cooperação com a Secretaria Estadual de Educação, adianta-se no cumprimento desta importante missão histórica e inicia neste fevereiro de 2016 a implantação dos Complexos Integrados de Educação (CIEs) da rede estadual de ensino médio do Sul da Bahia.

Essa iniciativa implica profunda transformação dos modelos escolares que até então conhecemos. As escolas que aderirem ao projeto CIE passam de turno único para turno integral (manhã e tarde), implantando o conceito de Educação Integral. Para tanto, a UFSB assume a coordenação pedagógica das escolas, tornando-as campo de práticas para que os estudantes das Licenciaturas Interdisciplinares possam qualificar seus conhecimentos no convívio com os cotidianos e práticas escolares, oferecendo residências pedagógicas articuladas a programas de formação continuada dos profissionais da educação e produzindo inovações curriculares capazes de enfrentar os desafios do mundo contemporâneo.

Os primeiros CIEs instalam-se nos municípios de Itabuna, Porto Seguro e Itamaraju. A previsão é que, nos próximos anos, novos CIEs sejam criados com efetiva ampliação da participação de outras instituições. Ao articular ensino superior e educação básica, historicamente apartados, o projeto CIE busca, também, consolidar a qualificação do trabalho docente desenvolvido nas escolas. Assim, a formação de futuros profissionais da educação se dará em diálogo amplo e profundo com o contexto real das escolas e da região em que cada escola se localiza. Acrescente-se a este aspecto o trabalho incessante na busca por inovações pedagógicas em consonância com o que hoje preconizam os Planos Nacional e Estadual de Educação.

O que se apresenta é apenas o início de uma transformação há muito reivindicada mas, até o momento, bloqueada pela ausência de projetos capazes de articular de forma orgânica e eficaz diferentes esferas do poder público na implantação de políticas educacionais. Assim, a UFSB busca um novo modo de ver, fazer e sentir a escola e a educação. Acreditamos na transformação do presente visando à construção de um futuro viável para a elevação da qualidade da educação pública na Bahia, e, quem sabe, no Brasil.

Álamo Pimentel é diretor de ensino-aprendizagem da Pró-Reitoria de Gestão Acadêmica da UFSB.

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marco wense1Marco Wense

O ex-alcaide José Nilton Azevedo, mais conhecido como capitão Azevedo, continua no mesmo erro de não tomar posição diante dos fatos políticos, fugindo deles como o diabo da cruz.

Essa hesitação, que é uma característica marcante no prefeiturável, só faz dificultar sua legítima e democrática pretensão de governar Itabuna pela segunda vez.

Até hoje não se sabe o voto de Azevedo na última sucessão estadual, se o militar votou em Geddel Vieira Lima, pelo PMDB, ou em Paulo Souto, o postulante de seu partido, o DEM.

O eleitor não gosta de político indeciso, que fica titubeando, sem saber o caminho que vai percorrer. Passa a impressão de insegurança, que anda desprestigiado pelo grupo político.

O saudoso e inesquecível jornalista Eduardo Anunciação tinha razão quando dizia que “Azevedo é uma espécie de político que não tem formação para o combate, não tem coragem, audácia, mesmo sendo militarista, mesmo sendo militar, mesmo sendo capitão, mesmo sendo bem intencionado como um político populista”.

Ora, até as freiras do Convento das Carmelitas sabem que Azevedo não é o nome da oposição na sucessão de Claudevane Leite. É o terceiro da fila. Na sua frente Fernando Gomes e o tucano Augusto Castro.

O que se faz urgente para o ex-prefeito, sob pena de ficar com o rótulo de ingênuo e politicamente infantil, é uma tomada de posição, do tipo “ou vai ou racha”. Não pode é ficar aceitando o cozimento em banho-maria.

E não adianta a conversa aqui no primeiro andar. O diretório municipal, sob a batuta de Maria Alice, já deu demonstrações de preferência por Fernando Gomes. Só por FG. A ex-dama de ferro não confia em Augusto Castro.

Azevedo tem que chegar para o prefeito ACM Neto, sem dúvida a maior liderança do DEM estadual e do demismo nacional, e abrir o jogo. No mínimo, estabelecer um prazo limite para que o chefe do Executivo tome uma posição.

Se José Nilton Azevedo se contenta em ser vice de Fernando Gomes ou de Augusto Castro, que fez de tudo para impedir sua candidatura a deputado estadual, tudo bem. Assume o papel de coadjuvante.

O que não pode é ficar sendo descartado impiedosamente não só pela cúpula municipal de DEM como pelo diretório do PSDB, presidido pelo também prefeiturável Augusto Castro.

Azevedo é um ex-prefeito. Merece respeito. Não pode ser tratado como carta fora do baralho, com desdém e, muito menos, com deboche.

Marco Wense é articulista do Diário Bahia.

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josias gomesJosias Gomes

 

Bastou Wagner assumir papel de preponderância na condução dos negócios políticos do país, junto a presidente Dilma, para espocarem as denúncias, as suspeitas, as insinuações, as digressões mais bem armadas, as inferências programadas.

 

O Brasil vive um momento crucial de sua história, e, para que seja possível superá-lo é necessário, antes de qualquer coisa, que as instituições amadureçam sempre no sentido de uma maior responsabilidade com os atos de cada uma delas.

A necessidade de amadurecimento, por sinal, diz respeito a todas elas: o Executivo, o Legislativo, o Judiciário, as organizações sociais e democráticas, as instâncias populares, a imprensa etc.

Creio que em função de termos vivido por tanto tempo em nossa história submetidos a infelizes regimes de ditaduras e manias de golpes, estejamos, agora, nos refastelando de democracia de uma forma meio atabalhoada.

Todos os dias a imprensa veicula denúncias, as redes sociais multiplicam, o povo, enfim, apreende as histórias pelo preço de fatura. Nesse estapafúrdio processo, não mais que de repente, todos vão virando bandido. Não há refresco para ninguém.

Para que a denúncia vire coisa julgada e definitiva, basta que algum investigado cite, em alguma delação premiada, o nome de alguém. Rapidamente, a pessoa vira bandido e passa a ser execrado em meio à opinião pública.

O processo é generalizado. Porém, gostaria de me referir a um caso específico, que atinge alguém que eu conheço, e privo da amizade, que é a pessoa do ex-governador da Bahia, Jaques Wagner.

Enquanto ele esteve no Ministério da Defesa, cuidando, e bem, dos assuntos referentes às Forças Armadas, sem se imiscuir nos assuntos políticos, nada, absolutamente nada, surgiu de tão grave na mídia que o atingisse.

Bastou Wagner assumir papel de preponderância na condução dos negócios políticos do país, junto a presidente Dilma, para espocarem as denúncias, as suspeitas, as insinuações, as digressões mais bem armadas, as inferências programadas.

Seja uma filha profissional que trabalha em determinada empresa que, por acaso, esteja sendo uma empresa investigada, seja pelos contatos que, como Governador, teve, por força do cargo, com líderes empresariais por acaso caídos em desgraça.

O curioso, e altamente preocupante, em tudo isso, é que membros da oposição, até bem mais citados do que Wagner, ou mesmo até devidamente implicados, não chegam a assumir o protagonismo que deveriam ter nas páginas e nas virtualidades da mídia.

Wagner foi governador do Estado da Bahia por oito anos, eleito e reeleito pelo povo baiano, e que poderia estar hoje no Senado Federal caso tivesse feito essa opção, alcançando tal sucesso em virtude do bom governo que fez.

O reconhecimento da Bahia ao governo Jaques Wagner, que fez o seu sucessor, acontece exatamente porque conduziu-se no cargo, durante os oito anos em que foi governador, da maneira mais transparente, eficiente e honesta possível.

Antes desse período, ou, agora, depois dele, assumiu funções de destaque em Brasília, desempenhando com o mesmo senso de transparência e honestidade as tarefas institucionais que lhe coube desempenhar.

Embora não tenha procuração para fazer-lhe a defesa, tomo a iniciativa não apenas porque pertenço ao mesmo partido dele, mas, principalmente, porque conheço bem Wagner, e sei de seu compromisso com os interesses da Bahia e do Brasil.

Acho que não podemos continuar vivendo esse processo louco de denuncismo sem limites, a atingir as pessoas antes de qualquer tipo de julgamento, sob pena de as vitórias resultantes de processos assim sejam vitórias sem qualquer valor.

Vitórias em terra arrasada.

Josias Gomes é secretário de Relações Institucionais da Bahia.

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marco wense1Marco Wense

 

Se houvesse uma troca de presentes entre o PT e o PSDB, o tucanato daria um colar de pena de tucano e receberia uma simbólica estrela. O colar seria pendurado no pescoço e a estrela fixada no peito.

 

 

 

A desenfreada roubalheira na Petrobras, segundo o Ministério Público Federal, começou em 1999. Passou pelos governos de Fernando Henrique Cardoso, Luiz Inácio Lula da Silva e Dilma Rousseff.

A SBM, só para citar um exemplo, em acordo com o MP, confessou a propina de 140 milhões de dólares no Brasil. O PSDB fica cada vez mais igual ao PT. A ex-candidata à presidência da República pelo PSOL, a gaúcha Luciana Genro, diria que é “o sujo falando do mal lavado”.

Se houvesse uma troca de presentes entre o PT e o PSDB, o tucanato daria um colar de pena de tucano e receberia uma simbólica estrela. O colar seria pendurado no pescoço e a estrela fixada no peito.

 (Foto Pimenta).
(Foto Pimenta).

AÉCIO, O MAIS CHATO

Pois é. O delator Carlos Alexandre Rocha, mais conhecido como Ceará, trabalhava como entregador de propina para o doleiro Alberto Youssef. Na sua delação, disse que Aécio Neves, ex-candidato à presidência da República e atual presidente nacional do PSDB, “era o mais chato para cobrar o dinheiro”.

Já estou imaginado o tucano do outro lado da linha, com aquele seu jeito, pressionando o Ceará: “Cadê, cadê, cadê o meu?

Marco Wense é articulista do Diário Bahia.