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Geraldo MeirelesGeraldo Meireles

Do nosso lado ficaram apenas os mais pobres, os mais conscientes, os mais sonhadores e os mais teimosos. Não foi o Aécio quem perdeu a eleição, foram os brasileiros que venceram.

“Não troco ofensas com ninguém, mas discuto ideias com todos”, disse um tempo atrás a alguém no Face que não estava preparado para uma conversa civilizada sobre política.
Passados os momentos de emoção da disputa eleitoral, quero registrar o que vi de mais importante durante os embates da campanha, porque as lições foram tão preciosas que não merecem cair no esquecimento depois da vitória.
Em primeiro lugar, vi a desconstrução da imagem da “presidenta” e do PT ser iniciada e patrocinada pela grande mídia e pelos demais partidos opositores com as manifestações de junho/2013.
O Brasil tornou-se um palco de guerras urbanas, sem controle e sem sentido, em que os patrimônios público e privado ficaram à mercê de “manifestantes” financiados por interesses escusos, posteriormente revelados por causa da morte de um cinegrafista da Band e acalmados pelo pacto de paz com a visita do Papa Francisco. Por conta disso, vi um bando de “coxinhas” vaiarem a maior autoridade do nosso país diante do mundo, ofendendo-a com palavras e gestos impublicáveis, talvez comuns em suas mesas de jantar e convívio familiar, mas ofensivos às demais famílias brasileiras. Ainda bem que a fraca seleção do Felipão venceu a Copa das Confederações, caso contrário a Dilma e o PT seriam culpados.
Vi o grito de que “não vai ter Copa” tomar as ruas, os “analistas midiáticos” e os políticos de ocasião decretarem que o Brasil passaria vergonha na Copa, porque nada funcionaria, as obras de mobilidade urbana inacabadas seriam um obstáculo intransponível ao acesso dos torcedores, os aeroportos travariam, os estádios não ficariam prontos, a internet não atenderia às exigências da mídia estrangeira. A única coisa que eles apontavam como pronta e inatacável era a seleção do da Felipão, já que Dilma não era a treinadora.
Atendendo o clamor das ruas, num clima de forte comoção, vi políticos envolvidos no chamado “mensalão do PT” (registre-se nem todos eram do PT) serem julgados, presos, ridicularizados e expostos como troféu anticorrupção. Enfim, vi o fim da era PT profetizado por aqueles que não suportavam a simples menção dos nomes do Lula e da Dilma.
Para contra-atacar, a Dilma lançou mais programas sociais, anunciou o “Mais Médicos” priorizando a entrada de médicos brasileiros no programa e, depois, estrangeiros de várias nacionalidades, inclusive cubanos. Incrementou mais recursos para o “Minha Casa Minha Vida” e sentenciou que teríamos a “Copa das Copas” – o que foi comprovado por toda imprensa estrangeira, pela FIFA e pela grande mídia do nosso país que destinou todos os créditos ao povo brasileiro, ignorando as ações do governo. Aliás, para uma parte da mídia, o PT já havia comprado a Copa e o Brasil seria, inexoravelmente, campeão.
Vi a “Máfia do Jaleco Branco” mobilizada numa campanha “nunca vista antes na história deste país”, cuja palavra de ordem era “Fora Dilma e leve o PT junto”. Para eles, pobre tinha que morrer sem assistência médica básica, porque quando a Atenção Básica funcionar adequadamente, seus Planos de Saúde, suas clínicas e seus hospitais terão menos lucro.
Vi o Brasil entrar dividido num processo eleitoral, de um lado aqueles que representavam o mercado, a grande mídia e o projeto de estado mínimo que, anos atrás, havia colocado o país de joelhos diante do mundo; do outro lado, o PT odiado, estigmatizado como partido da corrupção, ferido mortalmente em seus alicerces e os aliados que lhe restaram. No meio disso tudo, vi surgir uma terceira via, uma alternativa de escolha para quem não queria retornar ao passado sombrio e havia perdido a confiança no PT. Só que essas duas alternativas ao PT não demonstravam viabilidade eleitoral, porque o que restava do PT ainda era consistente, o povo não abriria mão de suas conquistas por causa de promessas sem garantia.
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Mariana FerreiraMariana Ferreira |mariana.sferreira90@gmail.com
 

O discurso de que o Bolsa Família é o que sustenta a maioria dos nordestinos é um mito comprovado em levantamento da Universidade Federal de Alagoas. Segundo os dados, existem mais pessoas que recebem da Previdência ou têm emprego formal do que beneficiários do programa de distribuição de renda.

 
Alegra-me poder discordar de quem acredita que nordestino é ignorante ou esfomeado. A visão, arcaica como é, desmonta-se na realidade. É fortunoso visualizar que o nordestino, bem como moradores de outras regiões do Brasil, não tem mais a miséria como motivo prevalente para estar em São Paulo, o que é a grande crítica do anti-nordestino, especialmente quando um petista ganha as eleições presidenciais.
Mudar-se para São Paulo não é demérito nenhum, ser nordestino e ir morar lá também não, simplificar essa relação, atrelando-a à pobreza e ignorância, é mera bobagem e completa desinformação. De toda forma, é interessante perceber como essa realidade foi modificada ao longo dos últimos anos, afinal, o Nordeste é a região com maior retorno de migrantes, segundo o IBGE.
E há motivos políticos para isso. Quer se queira ou não, após doze anos do PT conduzindo o governo federal, temos simplesmente um milhão de estudantes a mais no ensino superior no Nordeste, temos sete das dezoito universidades federais criadas nesse período em todo o Brasil, e todas fora das capitais e ainda com unidades em mais de um município. Temos ainda estudantes no programa Ciências Sem Fronteiras sendo premiados no exterior por inovação, além de um montante de obras estruturantes invejável para outras regiões. O nordestino tem o direito de ficar onde ele quiser, inclusive de voltar para casa, como milhares têm feito nesses novos tempos, já que têm estrutura melhor para isso.
O discurso de que o Bolsa Família é o que sustenta a maioria dos nordestinos é um mito comprovado em levantamento da Universidade Federal de Alagoas. Segundo os dados, existem mais pessoas que recebem da Previdência ou têm emprego formal do que beneficiários do programa de distribuição de renda, que concede ao favorecido o máximo de 175 reais mensais. Paralelamente, têm-se 8,9 milhões de nordestinos com emprego formal, ante 4,8 milhões em comparação a 2002.
Com essa realidade posta, para o nordestino, votar em Dilma é uma preferência racional. Foi o que 71,5% deles deixaram claro nas urnas no último domingo. Não é para menos, já que em oito anos um nordestino fez jus à sua terra e em mais quatro uma mineira fez jus à transformação daquela que se tornou a menina dos olhos do governo federal.
Mariana Ferreira é comunicóloga.

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Marcos-BandeiraMarcos Bandeira | marcos.bandeira@hotmail.com

Ele me passou a mensagem deixando à mostra minha missão terrena: nunca desistir das crianças, perseverar e lutar pelos seus direitos. Só assim poderemos sonhar com um amanhã promissor.

Ouvindo prazerosamente a boa música de João Nogueira intitulada Além do espelho,  paro e fixo-me no seu refrão: “A vida é mesmo uma missão, a morte é ilusão, só sabe quem viveu, pois quando o espelho é bom, ninguém jamais morreu”. Assim, me ponho a refletir na nossa condição humana de seres inacabados e imperfeitos nessa jornada transitória aqui na terra. Afinal, o questionamento é inevitável: qual será a nossa grande missão nesta vida?  Qual a razão pela qual estamos no mundo?  As respostas variam, pois somos seres singulares e cada um constrói a sua própria história e tem a sua própria missão.
No meu caso em particular, tenho uma inclinação, diria até uma identificação muito grande com os direitos das crianças, esses seres vulneráveis na condição peculiar de desenvolvimento. Muitos deles vivem em situação de dificuldade, sem lar, sem escola, sem pais, vítimas de violações de seus direitos pela família, pela sociedade e pelo próprio Estado. Muitos são incompreendidos pelos adultos que não toleram a sua nefasta presença. Numa sociedade capitalista e consumista como a nossa, são seres invisíveis, inúteis e descartáveis. Só são notados quando cometem um ato criminoso ou quando são trancafiados num orfanato, longe de nossos olhos. Parece até que alguns adultos esquecem que um dia também foram crianças.
A história de *Rodrigo retrata a vida de uma criança que aos seis anos de idade foi castigado cruelmente pelos seus genitores e retirado abruptamente do convívio com seus dois irmãos. O Juiz da localidade onde morava, decretou a perda do poder familiar dos genitores de Rodrigo e determinou a separação dos irmãos. Um dos irmãos de Rodrigo foi adotado por uma família no sertão, enquanto Rodrigo e sua irmã mais velha vieram para serem acolhidos no SOS Canto da Criança em Itabuna. Um trauma terrível em sua vida.
Quando Rodrigo chegou, era franzino e diabético, sendo obrigado a tomar medicamentos todos os dias para controlar sua enfermidade. A irmã de Rodrigo, apesar de ter tido várias oportunidades de ser acolhida por uma família através da adoção, demonstrou possuir uma personalidade deformada e dissimulada.
O tempo passou, a irmã mais velha completou 13 anos e foi transferida para um abrigo em Salvador, onde fugiu e ingressou no mundo da criminalidade e das drogas. Rodrigo permaneceu no SOS canto da Criança. Em alguns momentos de crise, chegou a quebrar os móveis e utensílios do abrigo e a bater em outros meninos mais novos. Essa foi a forma encontrada para protestar, para ser notado e ouvido, para reivindicar uma família.
Todas as vezes que me dirigia ao SOS Canto da Criança para realizar audiências concentradas e verificar junto com o Ministério Público e a Defensoria Pública a situação de cada criança acolhida naquela instituição, era sempre procurado por Rodrigo, que me suplicava impacientemente:
– Doutor Marcos, por favor, eu preciso de uma família. Normalmente, eu respondia um tanto preocupado:
–  Rodrigo, o tempo está passando, mas estou lutando por você. Tenha paciência que o seu dia vai chegar.
Felizmente, o dia de Rodrigo chegou: depois de permanecer por mais de 2 anos no Cadastro Nacional de Adoção, um casal de Curitiba o adotou. Foi amor à primeira vista e a vida de Rodrigo até então sem grandes perspectivas, agora se transformou. Finalmente, aos 8 anos de idade, foi adotado por uma família estruturada e está muito feliz.
Ontem, recebi uma carta de Rodrigo encaminhado pelo pai que o adotou e que me emocionou bastante. Não pude conter as lágrimas. Eis a íntegra da carta de Rodrigo ipsis litteris:
“Olá Dotor Marcos
Aqui é Rodrigo escrevo essa carta para li agradescer pela a minha nova família
Eu tou na escola e já fiz duas provas
Jogo futebol no Coxa e tenho novos amigo
Fique com Deus
Quando eu crescer eu quero ser Juiz para ajudar as crianças como você”
Por favor, não repare o vernáculo nem a pontuação, pois trata-se de uma carta elaborada por um menino sobrevivente que viveu boa parte de sua vida dentro de um orfanato sem ter alguém que pudesse guiar o seu caminho e muito menos ensinar o bom português. O que me importa é o seu conteúdo, a mensagem que ele passou para mim. Rodrigo, certamente, caso não fosse adotado por uma família, seria mais um a engrossar a fileira da criminalidade.
O homem vive de escolhas e oportunidades. Rodrigo teve a paciência de esperar e escolheu com o auxílio da graça de Deus de que nos fala Santo Agostinho, o caminho do bem. Deus criou as condições e a oportunidade surgiu na sua vida. Ele me passou a mensagem deixando à mostra minha missão terrena: nunca desistir das crianças, perseverar e lutar pelos seus direitos. Só assim poderemos sonhar com um amanhã promissor.
*Nome fictício da criança.
Marcos Bandeira é juiz de Direito Titular da Vara da Infância e Juventude de Itabuna, professor de Direito da Uesc e membro da Academia de Letras de Itabuna.

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Regina FlorêncioRegina Florêncio 
 

Artistas populares são os mais utilizados como munição dessa artilharia insana. O ator Wagner Moura, por exemplo, é coxinha de Ossocubo da Direita em algumas montagens e esquerda caviar em outras. O cardápio ficou maluco e indigesto.

Em tempos de disputa política acirrada e ânimos à flor da pele, usar do bom senso ao compartilhar posts nas redes sociais é essencial. Um FEBEAPÁ de informações equivocadas, bizarrices de todo tipo e a utilização de imagens de pessoas públicas à revelia das mesmas, infesta principalmente o facebook.
Na maioria das vezes o internauta distraído cai na rede dos incautos. Como não confiar naquele seu contato, seu amigo tão politizado, acima de qualquer suspeita, que compartilhou aquele post bacana na timeline dele?
Numa era em que somos soterrados por toneladas de informações, falta tempo para verificar a veracidade de tudo que lemos ou compartilhamos. Quem fabrica o hoaxe (histórias falsas recebidas por e-mail, sites de relacionamentos e na Internet em geral) politico, é claro na sua intencionalidade: atacar um candidato ou projeto político através de um boato. Uma irresponsabilidade que muitas vezes acaba prejudicando quem supostamente seria beneficiado e desmoraliza quem compartilha.
Artistas populares são os mais utilizados como munição dessa artilharia insana. O ator Wagner Moura, por exemplo, é coxinha de Ossocubo da Direita em algumas montagens e esquerda caviar em outras. O cardápio ficou maluco e indigesto. Deu nó no estômago e na cuca:

montagem

1. Por que o Aécio Neves bateu na mulher do Kadu Moliterno?
2. O Wagner Moura é direita, esquerda ou volver?
3. Na Festa do Golpe Comunista 2015 vai ter churrasco de Carne Friboi, que é do filho de Lula, parceiro do Juba, que é o… Kadu Moliterno? Armações Ilimitadas.
4. A Fafá de Belém, perseguida pelo PT de Vitória da Conquista, será obrigada a cantar a Internacional Socialista nos Eventos Oficiais do Estado sovietizado? A Nicete Bruno confirma a informação.
5. O primo do candidato Aécio Neves é o imperador asteca Cláudio Montezuma, líder de um cartel do narcotráfico latino americano? Dilma ouviu isso no ponto eletrônico durante o debate do SBT.
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marco wense1Marco Wense
O bom jornalista José Roberto de Toledo, na edição eletrônica do Estadão de hoje, quarta (22), diz que “a disputa presidencial continua imprevisível”, o que concordo 100%.
Analisando a última pesquisa do Datafolha, que coloca Dilma com uma vantagem de quatro pontos (47% versus 43%), Toledo tenta animar o tucanato dizendo que “Aécio não perdeu pontos mais, o ponto extra para a petista vem dos indecisos, que saiu de 6% para 4%”, o que concordo novamente.
Para o ilustre jornalista, “há indecisos suficientes para, em tese, Aécio empatar com Dilma”. Aí, meu caro Toledo, tenha santa paciência. Quer dizer que os 100% dos indecisos vão votar no tucano? Não vai sobrar nada para Dilma, nem um pontinho?
Toledo, Toledo, mais devagar, ou melhor, devagarzinho, como diria o poeta e compositor Martinho da Vila.
Marco Wense é articulista do Diário Bahia.

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ricardo bikeRicardo Ribeiro | ricardo.ribeiro10@gmail.com
 

Se uma campanha para deputado federal custa até R$ 12 milhões, quem vai pagar essa conta? E que interesses há por trás de quem paga?

 
A sucessão presidencial acabou se transformando em um campo de batalha, que envolve não apenas os próprios candidatos, mas seus militantes, nas ruas e nas redes. O clima é de acirramento total, com um grau de intolerância talvez inédito no Brasil.
É tão complicado, que muitos não conseguem ao menos compreender e respeitar os motivos do voto alheio. Se é contrário, o eleitor só pode ser estúpido, ou comparsa do candidato que, aos olhos do julgador, é corrupto.
A corrupção, aliás, acabou desqualificada enquanto argumento de ataque de lado a lado. Para cada escândalo de um, há uma falcatrua do outro sempre à mão. Tanto que os candidatos começam a mudar o foco para a gestão, a fim de não acabarem ambos desossados.
É fundamental, porém, que o tema não seja banalizado, na base do “ladrão por ladrão…”. Não é por aí. O descaramento com a coisa pública precisa ser combatido com seriedade, em suas raízes, doa a quem doer, sem se limitar a um artifício meramente eleitoral. Ou se muda esse padrão de denúncias de ocasião, ou o país não sai do lugar.
O combate precisa começar, logicamente, pelo começo: nas próprias campanhas eleitorais,onde se armam esquemas com grandes empresas e depois é preciso retribuir. Como? Com o nosso dinheiro, é claro.
Se uma campanha para deputado federal custa até R$ 12 milhões, quem vai pagar essa conta? E que interesses há por trás de quem paga?
Baratear as campanhas, por meio de uma reforma política que introduza mecanismos como o financiamento público e o voto distrital, é algo mais que necessário. É urgente. Enquanto isso não for feito, políticos continuarão a apontar seus dedos sujos entre si, numa discussão sem futuro.
Não é à toa que a abstenção deu um salto no primeiro turno e talvez seja maior no segundo. É um sinal claro de que grande parte da população está saturada de tanta sujeira pluripartidária. Vença quem vencer, é preciso virar essa página de uma vez por todas.
Chegou a hora de desfazer a maldição de De Gaulle. O Brasil precisa se levar a sério.
Ricardo Ribeiro é advogado e blogueiro.

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Abaixo, a coluna do jornalista Xico Sá que foi censurada pela Folha há cerca de dez dias. Ele, mais que declarar voto, pedia uma mudança comportamental da imprensa em relação às eleições. O texto está publicado na coluna da ombudsman da Folha, Vera Guimarães Martins. Este blog tomou a ousadia de reproduzi-lo por ter tocado no assunto na última semana.  Xico, como se sabe, pediu demissão ao ter sua coluna vetada no caderno de Esporte (relembre). Segue a íntegra e o link para a coluna da ombudsman.
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Xico Sá divulgaçãoXico Sá

Se no primeiro turno foi Brasileirão de pontos corridos, agora, camarada, é Copa do Brasil, mata-mata.

Amigo torcedor, amigo secador, mesmo com a obviedade ululante PT x PSDB, eleição não é Fla-Flu, eleição não é sequer Atlético x Cruzeiro, Galo x Raposa, para levar a contenda para as Minas Gerais onde nasceram os dois candidatos do segundo turno.
Eleição não é dérbi clássico como Guarani x Ponte Preta, eleição é tão mais rico que cabe, lindamente contra o voto, meus colegas anarquistas na parada, votar simplesmente no nada, nonada, como nos sertões de Guimarães Rosa, sempre na área.
Fla-Flu, embora exista antes do infinito e da ideia de Gênesis, nego esquece em uma semana. Futebol nego esquece no 25º casco debaixo da mesa, afinal de contas, como dizia meu irmão Sócrates Brasileiro, futebol não é uma caixinha de nada, futebol é um engradado de surpresas sempre dividido com amigos de todos os clubes.
Doutor Sócrates Brasileiro que foi mais pedagógico, um Paulo Freire da bola, com a Democracia corintiana, do que muitas escolas. Doutor Sócrates, Casagrande e Vladimir nos ensinaram mais sobre a ideia grega do “poder do povo e pelo povo” do que toda aquela imposição de Educação Moral e Cívica dos generais das trevas.
Foi-se o tempo que viver era Arena x MDB, era Brahma x Antarctica. Até porque eles hoje são a mesma coisa, a mesma fábrica, a mesma Ambev que botou dinheiro de monte até na Marina evangélica – la não queria, mas o tesoureiro, talvez neopentecostal, pegou do mesmo jeito de todo mundo, vai saber, já era.
Eleição é coisa de quatro anos, no mínimo, pois até quem diz que não quer mais compra um aninho de luxúria e sossego iluminista em Paris, como já vimos no caso do FHC, comprovado em um dos maiores furos desta Folha, reportagem do grande Fernando Rodrigues, parlamentar comprado a preço de mensalão superfaturado.
Cadê a memória, a mínimo morália, como diria Adorno, jornalista safado?
Quem dera eleição fosse apenas o Fla-Flu que dizem. Quem dera fosse apenas um cordel que poderia ser resumido na peleja do playboy danadinho contra a mulher durona. É tudo mais complexo, ainda bem, e se no primeiro turno foi Brasileirão de pontos corridos, agora, camarada, é Copa do Brasil, é mata-mata.
Como sou favorável à linha dos jornais americanos que declaram voto, coisa que meu jornal  aqui teimosamente não encampa, queria deixar claro da minha parte: voto Dilma, apesar do meu pendor anarquista. Perdão, Bakunin, mas meu voto é contra a imprensa burguesa.
Digo que o jornal que me emprega não encampa e justiça seja feita: nunca me proibiu de dizer nada. Nem no impresso nem no blog. “Bota pra quebrar, meu filho”, lembro do velho Sr. Frias nessa hora, que cabra!
Seria legal que todos os jornalistas, que têm lado sim, se declarassem. Quem se apresenta para tornar as coisas mais iluminadas?
Xico Sá é jornalista e ex-colunista da Folha.

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Mariana FerreiraMariana Ferreira | mariana.sferreira90@gmail.com
 

O que parecia um fenômeno imbatível e impositivo da vida foi passo a passo minado por ações agressivas e muitas vezes contestadas, rotuladas como assistencialistas e eleitoreiras. Mas, assim como a fome é criação do ser humano, a segurança alimentar também o é.

 
Em meio a tantos e exaustivos embates dessa campanha eleitoral, vi na página do Facebook da Dilma que a Globo a mandou retirar um vídeo por não ter autorização de uso. Sem necessidade aqui de julgar sobre a relação Globo x Dilma – já há tantas declarações e percepções sobre isso –, fui ver o vídeo. Enfim, fala de uma reportagem sobre o retrato da fome no Brasil que repercutiu no mundo e ganhou vários prêmios. O conteúdo é forte, mostra o Brasil do ano 2001.
No vídeo é possível ver como há tão pouco tempo a vida era tão difícil e em muitos casos insuportável para as pessoas do grupo de baixa renda. Não pela violência, não por acidentes, mas pela fome. Sem fazer apologia a Lula e Dilma, que é a minha candidata, é verificável que é realmente impressionante o ritmo acelerado de evolução em relação à fome e à miséria no país.
Àquela época, que não está tão distante assim, a reportagem da Globo versou que “proeza era criança viva, e bebê recém enterrado era acontecimento banal”. Revelou ainda que “no Brasil, a cada 5 minutos morria uma criança, a maioria de doenças da fome”. Um médico sanitarista foi entrevistado e ele informou que, de acordo com o Unicef, morriam cerca de 290 crianças por dia nessas condições, o que correspondia, também segundo o órgão, a dois boeings 737 de crianças mortas por dia.
É incrível ver como o que parecia impossível há tão pouco tempo, e tão discutido por Milton Santos, geógrafo que no mesmo ano gravou um documentário sobre o assunto (meses antes de sua morte), desmanchou-se no ar, como quem apenas esperava alguém para intervir. E foi assim que comer mostrou-se ser, além do óbvio, um ato político.
O que parecia um fenômeno imbatível e impositivo da vida foi passo a passo minado por ações agressivas e muitas vezes contestadas, rotuladas como assistencialistas e eleitoreiras. Mas, assim como a fome é criação do ser humano, a segurança alimentar também o é. Santos, um mestre de fato e de direito, ficaria orgulhoso ao saber que, hoje, o seu Brasil deu exemplo mundial e foi honrosamente retirado do Mapa da Fome da ONU. Um feito para encher os brasileiros de orgulho.
Segue o link do vídeo: https://www.youtube.com/watch?v=-A9zEQ1-ODQ#t=166
Mariana Ferreira é comunicóloga.

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Valéria Ettinger1Valéria Ettinger | lelamettinger@gmail.com

Tenho me deparado com as mais absurdas tentativas de minar o trabalho do professor: salários insuficientes, desrespeito, culpa por baixos resultados e  índices de avaliação, cobranças sem medidas, gerando uma gama de doenças emocionais, sem falar na ausência de segurança no trabalho.

Sempre ouvi dizer que ninguém nasce sabendo e que o ser humano é um livro de páginas em branco as quis, ao longo da vida, vão sendo escritas. Uma parte dessas páginas será redigida pela carga cultural e hereditária que carregamos, por serem estas as responsáveis pela formação e transformação da nossa identidade.
A cultura é a premissa básica que estabelece a maneira como pensamos e enxergamos a realidade que nos circunda. Nessa trajetória de aprendizado a família é o nosso primeiro núcleo do conhecimento, porque através dela iniciamos a construção dos nossos primeiros saberes, dos nossos valores e definimos os nossos primeiros padrões de comportamento.
Essas interpretações e identificações que delineiam a nossa forma de pensar e agir não são estanques, pois, ao longo de nossas vidas, irão sofrer mutações decorrentes das influências dos novos núcleos de conhecimento que acessamos, tais como a Escola.
Na escola, nos deparamos com uma figura fundamental para nossa formação intelectual e moral que é o Professor. Sem ele, o aprendizado não acontece, sem ele não construímos nossas identificações sociais e ideológicas, sem ele, jamais saberemos que caminho seguir e trilhar em nossas vidas.
Ser professor não é possuir a verdade absoluta, mas ter a capacidade de enxergar as diversas habilidades de orientar, com disciplina, sem ser autoritário, o seu discípulo para a vida. Não uma vida que se resume no aprendizado das letras, dos números ou da história, mas uma vida na qual o aprendiz possa enxergar suas múltiplas inteligências e ter a capacidade de construir suas próprias ideias e verdades, não ser um mero reprodutor dos saberes alheios.
Tive professores de diversas formas, uns mais autoritários, uns mais herméticos, uns mais brincalhões e uns mais afetivos, que deixaram suas marcas na minha formação e a todos eles deposito meu respeito e gratidão por todo um legado.
Mas, analisando a nossa história, observo que a figura do professor, ainda, não é valorizada em sua inteireza. Não falo só no componente financeiro, esse tão combatido pela classe, mas também no reconhecer o trabalho, no potencializar o professor das ferramentas necessárias para ser o que ele gostaria de ser, na importância desse ofício na formação de um povo e dos indivíduos.
Tenho me deparado com as mais absurdas tentativas de minar o trabalho do professor: salários insuficientes, desrespeito, culpa por baixos resultados e  índices de avaliação, cobranças sem medidas, gerando uma gama de doenças emocionais, sem falar na ausência de segurança no trabalho.
Com esse quadro, me pergunto: o que seria do homem sem o professor? O que seria do planeta e das sociedades futuras sem o professor, principalmente aqueles versados na pesquisa? O que ocorreria com as nossas crianças sem o professor? Como potencializar gerações futuras a terem uma boa educação se o instrumento que promove o aprendizado é renegado a condições de trabalho escravo?
Às vezes, me pergunto se a falta de reconhecimento do ofício vem de um histórico social de que a função professor era, no início, desempenhada por mulheres, ou até mesmo porque as pessoas, para serem bem-sucedidas, não precisavam ser letradas. O motivo pouco importa. O que de fato precisamos é mudar essa cultura de marginalização e desvalorização do professor para que eles possam retomar o entusiasmo e o amor pela profissão.
Parabéns a todos os professores que estão na trincheira, lutando por uma Educação de qualidade.
Valéria Ettinger é professora extensionista.

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marco wense1Marco Wense

A parcialidade da chamada “grande imprensa”, principalmente neste segundo turno, é lamentável.

A parcialidade da chamada “grande imprensa” com a disputa presidencial, deixando de lado a indispensável isenção na cobertura jornalística, é algo lamentável.
Concordo até que os meios de comunicação tenham sua preferência por uma determinada candidatura. Essa escolha, no entanto, não pode prejudicar e nem deturpar o noticiário político, sob pena de perda de credibilidade.
Quer apoiar uma candidatura, tudo bem. Mas faça editorialmente. O leitor ou telespectador tem o direito de mudar de canal ou não comprar o jornal que manifesta opinião contrária da sua.
Alguns “jornalões”, principalmente do eixo Rio-São Paulo, vêm tendo um comportamento deplorável na sucessão presidencial, distorcendo, escondendo os fatos e manipulando informações a favor do candidato Aécio Neves (PSDB).
Não se fala mais do mensalão tucano-mineiro, que foi o embrião do mensalão petista, nem do escândalo do metrô no governo Alckmin, que de acordo com o promotor responsável pelo caso, Marcelo Mendroni, envolveu bilhões de reais.
São dois escândalos que só serão lembrados depois da eleição, já que dizem respeito a Minas, terra do candidato Aécio Neves, e a São Paulo, onde o presidenciável teve uma boa votação no primeiro turno.
dilmaA presidente Dilma Rousseff, que busca legitimamente o segundo mandato, termina tendo razão quando diz que o PSDB gosta de jogar a sujeira para debaixo do tapete, alimentando a grande aliada dos criminosos engravatados, sem dúvida a impunidade.
Em relação à roubalheira na Petrobras, o governo da presidente Dilma fez o que tinha de ser feito. A eficiente e honrosa Polícia Federal prendeu os abutres do dinheiro público. Os larápios da coisa pública deveriam apodrecer na cadeia, sem dó, piedade e compaixão.
E as manchetes? É aí que o parcialismo se mostra escancarado. Um dos jornalões sapecou: “O PT foi o partido mais votado nas prisões de SP”. No Nordeste, os desinformados votam em Dilma. Em São Paulo, os ladrões.
Armínio Fraga, já anunciado por Aécio Neves como seu ministro da Fazenda, abriu a boca e disse: “O salário mínimo está muito alto no Brasil”.  Silêncio total. Nem uma manchetinha e, muito menos, qualquer comentário.
Se fosse Guido Mantega que dissesse tamanha prova de que tucano não gosta de trabalhador, os “jornalões” dariam a manchete no alto da primeira página e com letras graúdas: “O salário mínimo está muito alto no Brasil, diz Mantega”.
Concluo dizendo que a eleição presidencial de 2014 vai ficar na história política da República do Brasil como a que juntou toda a imprensa do Rio e de São Paulo contra uma candidatura. A chamada “grande imprensa”.
Só um “coração valente” para suportar toda essa perversa parcialidade.
Marco Wense é articulista do Diário Bahia.

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ricardo bikeRicardo Ribeiro | ricardo.ribeiro10@gmail.com
 

Não é por outra razão que hoje muitos dos que ascenderam votam na oposição, seja por comoções passageiras ou argumentos falaciosos de quem se apresenta como novo, mas esconde a receita velha dos compromissos com quem contesta exatamente a opção feita pelo atual governo.

 
Até os adversários não alienados reconhecem que o PT deixará um belo legado ao país. Tirar mais de 30 milhões de brasileiros da pobreza extrema foi a maior contribuição do partido, embora haja outras, que irão se desdobrar pelas próximas décadas. O investimento na ampliação do acesso ao ensino técnico e superior e a redução do déficit habitacional incluem-se nessa conta. Mas a legenda errou feio ao permitir a atrofia de sua formação política, e quem faz essa avaliação é um tal Luiz Inácio Lula da Silva.
Muita gente melhorou de vida, mas não faz a menor ideia de por que isso aconteceu. Uns atribuem à sorte, outros ao próprio esforço e há, é claro, um grupo expressivo que reconhece as políticas públicas desenvolvidas na última década como um forte indutor de seu progresso pessoal. Estes se enquadram naquela parcela que o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, do PSDB, classifica preconceituosamente como “os desinformados dos grotões”.
O certo é que, ao priorizar a ascensão da turma do andar de baixo e fazer do Brasil um dos poucos países que conseguiram proteger o emprego em um cenário de crise, o governo adotou uma opção que nenhuma outra gestão tupiniquim admitiu antes.
A muitos, falta esse discernimento, bem como uma compreensão básica do que significa luta de classes. Não é por outra razão que hoje muitos dos que ascenderam votam na oposição, seja por comoções passageiras ou argumentos falaciosos de quem se apresenta como novo, mas esconde a receita velha dos compromissos com quem contesta exatamente a opção feita pelo atual governo.
É certo que boa parte do eleitorado acalenta um sentimento de mudança. De alguma forma, todos querem sempre mudar, até porque, vide Adam Smith, as necessidades humanas são infinitas e ilimitadas. Quem subiu de patamar na pirâmide social tem hoje outras demandas. Além de casa própria e comida na mesa, por que não almejar diversão, arte, o fim da corrupção, juros baixos e um iPhone 6?
O problema não é o natural e saudável desejo de mudar, mas a ingenuidade de apostar em um caminho já percorrido no passado, e que não deixou saudade. Infelizmente, pela falta de formação política e conhecimento da história, uma expressiva parcela do eleitorado pode cair na esparrela.
Um fato emblemático: o jovem que defende a refundação da Arena é aluno do Prouni. Quer mais?
Ricardo Ribeiro é advogado e blogueiro.

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claudio_rodriguesCláudio Rodrigues | aclaudiors@gmail.com

Existem grupos de eleitores que, diante da disputa eleitoral, estão demonstrando, por meio das redes sociais, todo o sentimento de raiva, racismo, preconceito e repulsa a essas duas regiões e seus habitantes, como se nós fôssemos as sub-raças que Adolf Hitler tanto pregou e levou o mundo a Segunda Grande Guerra.

Acabo de assistir ao filma Amistad, baseado em fatos reais, do diretor Steven Spielberg com roteiro de David Franzoni. A sinopse do filme é a seguinte: Costa de Cuba, 1839. Dezenas de escravos negros se libertam das correntes e assumem o comando do navio negreiro La Amistad. Eles sonham retornar para a África, mas desconhecem navegação e se veem obrigados a confiar em dois tripulantes sobreviventes, que os enganam e fazem com que, após dois meses, sejam capturados por um navio americano, quando desordenadamente navegaram até a costa de Connecticut.
Os africanos são inicialmente julgados pelo assassinato da tripulação, mas o caso toma vulto e o presidente americano Martin Van Buren (Nigel Hawthorn), que sonha ser reeleito, tenta a condenação dos escravos, pois agradaria aos Estados do Sul e também fortaleceria os laços com a Espanha, pois a jovem Rainha Isabella II (Anna Paquin) alega que tanto os escravos quanto o navio são seus e devem ser devolvidos.
Mas os abolicionistas vencem, e o governo apela e a causa chega a Suprema Corte Americana. Este quadro faz o ex-presidente John Quincy Adams (Anthony Hopkins), um abolicionista não assumido, sair da sua aposentadoria voluntária, para defender os africanos.
Mas o que tem a ver uma história de 1839, nos Estados Unidos, com o Norte/Nordeste do Brasil?
A resposta é o segundo turno das eleições presidências entre os candidatos Dilma Rousseff e Aécio Neves. Existem grupos de eleitores que, diante da disputa eleitoral, estão demonstrando, por meio das redes sociais, todo o sentimento de raiva, racismo, preconceito e repulsa a essas duas regiões e seus habitantes, como se nós fôssemos as sub-raças que Adolf Hitler tanto pregou e levou o mundo a Segunda Grande Guerra.
Para se ter uma ideia dos absurdos, um grupo que se declara profissionais da classe médica, com quase cem mil seguidores, denominados de “Dignidade Médica”, defende a castração química dos nordestinos e nortistas e até mesmo o holocausto dos moradores das regiões Norte e Nordeste do País. Já outros defendem a construção de muros separando Norte e Nordeste do Sul, Sudeste e Centro-Oeste.
Será que uma disputa eleitoral dentro dos princípios democráticos deve dividir um país e fazer com que irmãos desconheçam irmãos? Será que a melhoria na qualidade de vida dos habitantes dessas regiões, o acesso ao ensino superior e tecnológico, a uma melhor moradia e uma melhor distribuição de renda nessas regiões do Brasil, que por muitos anos foram esquecidas, pode gerar tanta raiva ao ponto de se pregar uma segregação?
Não muito distante, em Feira de Santana, um outro grupo de médicos procura casa em bairro nobre da cidade para abrir um Comitê Pró Aécio Neves. É um direito que o assiste, e temos que respeitar. Mas não seria mais prudente se esse mesmo grupo alugasse uma casa em um dos bairros carentes da cidade e lá dedicasse uma pequena parte de seu precioso tempo para atender seus moradores e através de seu trabalho “comunitário” fizesse sua política partidária?
Vale lembrar que boa parte desses senhores médicos estudou em instituições públicas bancadas com o dinheiro de todo brasileiro de todas as cinco regiões do País.
Eleição não é para dividir. O futuro presidente será presidente de todo o Brasil, de todos os brasileiros. Que, no próximo dia 26, cada um seja um pouco John Quincy Adams e que esse país realmente seja uma República Federativa. Pois, como disse o ex-presidente Getúlio Vargas, em sua carta testamento “Era escravo do povo e hoje me liberto para a vida eterna. Mas esse povo de quem fui escravo não mais será escravo de ninguém”.
Viva o Brasil. Viva o povo brasileiro.
Cláudio Rodrigues é empresário.

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ricardo bikeRicardo Ribeiro | ricardo.ribeiro10@gmail.com
 

É de se lamentar que Itabuna continue a pulverizar seus votos. Calcula-se que mais de 200 postulantes foram contemplados na cidade, que fica no prejuízo. Se antes já não tinha uma representação política forte, o que era grave, agora terá quase nenhuma representação, o que é trágico.

 
Terminar uma eleição e já pensar na próxima é um exercício tortuoso, mas inevitável para quem acompanha a politica. Das urnas desde domingo, 5, já se sabe que Itabuna saiu derrotada, por não conseguir eleger seus dois candidatos a deputado federal (Davidson Magalhães, do PCdoB, e Geraldo Simões, do PT) e emplacar somente Augusto Castro (PSDB) na Assembleia Legislativa. No entanto, por que não praticar um pouco de futurologia e imaginar o que os números de ontem apontam para as eleições agendadas para daqui a dois anos?
A derrota de Geraldo foi um golpe duro, mas esperado. O político exerceu um mandato que teve seus méritos, principalmente na luta travada para que a reitoria da Universidade Federal do Sul da Bahia (UFSB) fosse instalada em Itabuna. Acabou sendo o mais votado na cidade, mas com um sufrágio de pouco mais de 16 mil votos, bem abaixo dos 23 mil que obteve em 2010… Aliás, a votação daquele ano já fora bem menor que a de 2006, o que demonstra a trajetória descendente do petista.
Na disputa entre lideranças locais da esquerda, Davidson se aproximou da votação de Geraldo em Itabuna. Foram 14 mil votos na cidade e mais de 65 mil no total, o que deixou o comunista com uma segunda suplência na mão e uma ideia na cabeça: ser levado a assumir o mandato após a formação do secretariado de Rui Costa. É esperar para ver, mas a possibilidade existe e não foi por acaso que interlocutores acharam Davidson bem animado nas conversas posteriores à divulgação dos resultados.
Caso deixe a suplência e vire realmente deputado, o comunista automaticamente se cacifa para o processo eleitoral de 2016. Tudo a depender de como estarão as relações entre o PCdoB e o prefeito Claudevane Leite (PRB) no decorrer do período. De todo modo, no campo da centro-esquerda o nome de Davidson tende a surgir com alguma força nas articulações para a sucessão municipal.
Do outro lado, quem aparece bem é o tucano Augusto Castro, que se elegeu com quase 60 mil votos e ainda deu mais de 4 mil ao seu candidato a deputado federal, Jutahy Júnior (PSDB). No quesito “transferência de votos”, venceu uma disputa particular com o ex-prefeito Fernando Gomes, que deu apenas 1.261 votos a Fábio Souto e 3.800 a Aleluia. Uma quantidade pequena, considerada a suposta força latente do fernandismo.
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josias gomesJosias Gomes

É fundamental garantir mais uma vitória a Dilma, em 26 de outubro, para que as ações sociais e políticas tenham continuidade efetiva nos próximos quatro anos. Até aquela data, vale a mobilização de todos para garantir nova vitória do atual projeto brasileiro.

Termina o primeiro turno das eleições gerais deste ano de 2014 com mais uma vitória do PT e de seus aliados. Uma aliança que há 12 anos vem transformando a realidade brasileira com foco no desenvolvimento econômico sempre vinculado ao desenvolvimento social.
Agradeço aos eleitores baianos que me confiaram mais um mandato na Câmara dos Deputados, onde, pelos próximos quatro anos, buscarei repetir o mesmo trabalho que venho desempenhando ao longo de dois mandatos, um deles, a ser concluído em fevereiro próximo.
O agradecimento ao povo baiano também vale para a vitória do companheiro Rui Costa, futuro governador do Estado, que dará continuidade ao frutuoso trabalho do governador Jaques Wagner, e de Otto Alencar, futuro Senador da República como representante da Bahia, no Senado Federal.
Vale ainda, de maneira especial, agradecimentos pela maiúscula vitória obtida pela presidenta Dilma Rousseff, na Bahia, votos que, somados aos de todo o povo brasileiro, foram responsáveis pela importante vitória de Dilma nessa primeira fase das eleições 2014.
Mas, tem uma segunda fase na eleição presidencial, que é o segundo turno eleitoral, cujo pleito será realizado até final de outubro. E, mais uma vez, é preciso uma intensa mobilização popular para que as conquistas sociais já obtidas nos governos Lula e Dilma não se percam.
É fundamental garantir mais uma vitória a Dilma, em 26 de outubro, para que as ações sociais e políticas tenham continuidade efetiva nos próximos quatro anos. Até aquela data, vale a mobilização de todos para garantir nova vitória do atual projeto brasileiro.
E nem precisa falar da importância que vai ter a continuidade do governo Dilma para as ações administrativas do futuro governo de Rui Costa. Daí, a responsabilidade de todos nós para que a vitória da presidenta se transforme em realidade.
Nesse sentido, chamo a atenção de todos os companheiros e companheiras, de todos os militantes e de todo o povo baiano, para o fato de que a campanha do segundo turno já começa efetivamente nesta segunda-feira, 6.
Importante anotar, enfim, que o nosso adversário no segundo turno, que é ex-governador de Minas Gerais, perdeu em sua própria terra, tanto para a presidenta Dilma Rousseff, na disputa direta, quanto para o candidato dela a governador do estado.
Com efeito, o companheiro Fernando Pimentel, do mesmo PT de Dilma, é o novo governador de Minas Gerais, uma vez que o povo daquele importante estado brasileiro resolveu mostrar sua insatisfação com aquele que pretende dizer ao povo brasileiro que merece sua confiança. Uma confiança que o seu povo não tem a respeito dele.
É preciso pois, volto a afirmar, que estejamos todos mobilizados para evitar que aquele que os seus próprios conterrâneos rejeitam venha a implantar seus erros para o Brasil inteiro. Isto é o que deve nortear todos nós, a partir de agora.
Josias Gomes é deputado federal pelo PT e foi reeleito com 98.871 votos.

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GabrielGabriel Nascimento | gabrielnasciment.eagle@hotmail.com

A polarização entre Dilma e Marina se propõe importante. Nunca uma eleição contrapôs tão claramente candidatos a presidente em prol de minorias tão historicamente marginalizadas pelo silêncio

Essas eleições presidenciais vão entrar para a história como um marco para o movimento LGBTTS. Isso porque, pela primeira vez, a criminalização da homofobia entra na pauta eleitoral. Criando um efeito de polarização entre Dilma e Marina, o tema merece mais destaque do que o detalhe que ele está representando no atual período eleitoral.
O que a comunidade gay está assistindo é o movimento inequívoco de grupos de direitos humanos sendo, pouco a pouco, ouvidos em sentido programático pela sociedade brasileira, embora a ampla maioria dos meios de comunicação em massa sejam eles concentrados por um poder machista, racista e homofóbico, encenado em nosso país pela grande imprensa.
A polarização começou pela escolha conservadora de Marina em mudar o programa de governo por causa do sacerdote de sua igreja, o declarado homofóbico Pastor Silas Malafaia. Em segundo lugar, pela declaração da presidenta Dilma Rousseff, após debate promovido pelo SBT e Folha, dizendo que a homofobia deve ser criminalizada. Ao dizer isso, passou na frente do PT e de boa parte da esquerda que, após longos anos de comportamento estratégico e pragmático, não conseguiu fazer essa pauta avançar. Aquele foi o dia em que Dilma conseguiu estabelecer uma saudável polarização para o debate político. O fato de Marina se posicionar mais à direita nesse aspecto fez com que a declaração de Dilma fosse fundamental.
Porém, mesmo que defenda a criminalização da homofobia, a presidenta Dilma, caso reeleita, não terá um congresso ao seu favor. As pesquisas de intenção de voto têm demonstrado que a próxima composição do congresso nacional pode ser ainda mais conservadora. A tendência da bancada evangélica aumentar é muito grande e os direitos humanos têm sido a grande moeda de troca da bancada governista no Congresso Nacional. Um exemplo foi a permanência de Marco Feliciano na Comissão de Direitos Humanos e Minoria da Câmara após longo ciclo de manifestações.
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