Tempo de leitura: 2 minutos

manuela berbert3Manuela Berbert | manuelaberbert@hotmail.com
 

Embora amedrontada com essa onda de violência que assola o nosso país, ainda tenho receio dessa sede de vingança que cega o ser humano.

 
Que me perdoem os estudiosos do comportamento humano, mas como mera observadora dos tempos modernos, a sensação que tenho é de que estamos retrocedendo, marchando em sentido contrário ao do progresso. Estamos nos nivelando a Hamurabi, rei da Babilônia no século XVIII, não coincidentemente, antes de Cristo. Para governar, baseava leis na lei de talião, onde a vingança era a base de qualquer justiça: olho por olho e dente por dente.
Domingo o Fantástico mostrou um grupo de justiceiros que age fazendo rondas nos bairros de classe média do Rio de Janeiro. Em um dos tantos episódios da matéria, um grupo cercou e imobilizou um menor de idade usando uma trava de bicicleta e prendeu o mesmo ao poste pelo pescoço. Depois, tiraram sua roupa e o deixaram nu, numa cena que se assemelhava àquelas estudadas sobre a Idade Média, quando as pessoas eram apedrejadas em praça pública. A que ponto chegamos?
Porém, essas práticas não crescem apenas nas cidades grandes. Circula nas redes sociais, por exemplo, um vídeo de um jovem estirado no chão, no Centro de Itabuna, após um assalto frustrado e troca de tiros com um policial. O que me assusta é poder escutar a população ao redor do deliquente bradando frases como Menos um, Deixem ele morrer e Bem feito para esse marginal. Embora amedrontada com essa onda de violência que assola o nosso país, ainda tenho receio dessa sede de vingança que cega o ser humano.
Entre tantos questionamentos sobre motivos e soluções, são muitas perguntas e poucas respostas para esse assunto. Ainda assim, duas sobressaem na discussão que me proponho a fazer: Falta justiça? Que consequências esse tipo de reação da população pode trazer?
Manuela Berbert é publicitária e colunista do Diário Bahia.

Tempo de leitura: 2 minutos

marco wense1Marco Wense

 Tucanos e democratas andam assustados. Não sabem o que passa pela cabeça do temperamental Geddel Vieira Lima. O PT comemora e o PSB fica na expectativa de um “seja bem-vindo”.

O esperneio do ex-ministro Geddel Vieira Lima vai ficar para depois. Não é hora de tornar público o descontentamento com os democratas (DEM).
O presidente estadual do PMDB teve uma conduta irrepreensível durante todo processo de discussão no staff oposicionista. Jogou limpo, sem subterfúgios.
Geddel Vieira Lima não tergiversou. Desde o início escancarou sua vontade de disputar o Palácio de Ondina e ser o nome da oposição na sucessão do governador Jaques Wagner.
Por ter o entendimento e a consciência de que não poderia peitar Paulo Souto, duas vezes governador da Bahia, o peemedebista fazia a ressalva de que apoiaria o democrata caso fosse candidato.
O tempo passou. E nada de Souto dizer alguma coisa, se queria ser candidato ou não. Sequer algum sinal ou indício. O sepulcral silêncio incomodava democratas, tucanos e peemedebistas.
Geddel, com toda razão, fez chegar ao DEM sua preocupação com a frieza marmoriana de Paulo Souto. O democrata, como diria minha saudosa vovó Nair, não fazia aquilo e nem desocupava a moita.
O prefeito ACM Neto, o condutor-mor do oposicionismo, mandou dizer a Geddel que ainda estava cedo para qualquer definição, que sua cobrança era intempestiva.
Leia Mais

Tempo de leitura: 2 minutos

Felipe de PaulaFelipe de Paula | felipedepaula81@gmail.com

“Mais importante do que aquilo que você sabe é aquilo que você é capaz de fazer com o que você sabe. Uma escola livresca, de ensino uniformizador, não tem mais a capacidade de oferecer atrativos para as novas gerações”.

O mundo contemporâneo oferece uma multiplicidade de alternativas tecnológicas. Vivemos na sociedade da informação. Podemos buscar qualquer informação que desejemos, basta que nos apropriemos dos mecanismos e técnicas adequadas. Na educação formal não é diferente. Trabalhamos na lógica do conhecimento compartilhado, da produção coletiva, do exercício da criação, na lógica das redes. O aluno de hoje não precisa – e não deve – aceitar passivamente o que lhe é oferecido em sala de aula. Ele busca outras fontes, ele se capacita além da sala de aula.
Recentemente, em salas de aula de uma universidade federal, encontrei cartazes colados nos quadros com as seguintes palavras: PARA UM MELHOR APROVEITAMENTO DA AULA, POR FAVOR, MANTENHA O CELULAR DESLIGADO. TODOS/AS AGRADECEM!
Aquilo me incomodou. A atitude institucional vai contra o que se espera de uma universidade adequada aos tempos hodiernos. A imagem de um docente centralizador, “dono” do conhecimento diante de mentes menos capacitadas, tem perdido poder. O estudante atual tem ao seu dispor uma série de fontes de informação. A universidade é só mais uma destas. Tentar controlar o uso de tecnologias em sala sugere que o docente é o único meio que o aluno pode encontrar para obter conhecimento naquele espaço.
A Universidade Federal do Sul da Bahia, que receberá seus primeiros alunos no segundo semestre de 2014, vem sendo planejada levando em plena consideração a presença das tecnologias em sala de aula. Desmistifica-se o professor “estrela” e se constrói um sistema de ensino e de aprendizagem coletiva, colaborativa. E, por consequência, mais eficiente diante das demandas formativas atuais.
O referencial dessa reflexão tomado pelas matrizes teóricas da UFSB está em Pierre Lévy. Para ele, nessa realidade, surgem espaços abertos e não lineares, onde cada indivíduo preenche um papel específico, único. E, segundo Lévy, torna-se urgente uma profunda reforma no sistema educacional no que diz respeito a reconhecer as experiências adquiridas por cada personagem do jogo educativo. Para ele, escolas e universidades deixam de ter exclusividade na criação e transmissão do conhecimento. A ideia agora é orientar os caminhos individuais, reconhecendo os saberes de cada pessoa, os diferentes olhares.
Leia Mais

Tempo de leitura: 2 minutos

Allah GóesAllah Muniz de Góes | allah.goes@hotmail.com
 

Sempre combativo e disposto ao embate, chegou a nossa região na década de 60 do século passado, procurando por aqui “uma nova trincheira” onde pudesse continuar a sua luta.

 
“Falando Francamente”. Quem de minha geração, ou que viveu a Itabuna dos anos 80/90, não ouviu aquela voz inconfundível no início das tardes da Difusora? Em nossa casa, sempre que chegava da escola, religiosamente pegava meu pai almoçando, mas não com os olhos na televisão, pois estava com os ouvidos e a atenção no rádio, e isto porque lá estava, analisando os principais fatos e acontecimentos do dia, o sempre polêmico Lucílio Miranda Bastos.
Você poderia até não concordar com o posicionamento externado pelo radialista Lucílio Bastos, mas, com toda a certeza, admirava sua coragem e eloquência, o que acabava por transformar o conteúdo apresentado em seu programa no assunto mais comentado do dia em todas as rodas dos ditos “formadores de opinião”.
Sempre combativo e disposto ao embate, chegou a nossa região na década de 60 do século passado, procurando por aqui “uma nova trincheira” onde pudesse continuar a sua luta, pois em sua terra natal, Feira de Santana, já não lhe eram dadas condições para que continuasse seu trabalho sem a perseguição dos militares. Eram os anos de chumbo.
Leia Mais

Tempo de leitura: 2 minutos

claudio_rodriguesCláudio Rodrigues | aclaudiors@gmail.com

Sua história na Região Cacaueira é conhecida por boa parte da população. Suas críticas desagradavam muita gente, principalmente os poderosos.

O rádio baiano – principalmente o rádio itabunense – amanheceu triste com a notícia do falecimento de Lucílio Bastos. Conheci Lucílio Bastos logo quando cheguei a Itabuna, há exatos 20 anos, apresentado por José Carlos Teixeira. Dali nasceu nossa amizade, que se consolidou no período em que trabalhamos juntos na assessoria de comunicação da Prefeitura de Itabuna.
A polêmica sempre foi o forte de Lucílio. Os editoriais de seus programas sempre batiam pesado nas mazelas que nos cercam.
Quando atuava na rádio Cultura de Feira de Santana, na década de 70, Bastos realizou uma entrevista com o então deputado federal e líder da oposição ao regime militar Chico Pinto.
Nessa entrevista Pinto, fez duras criticas ao ditador-general chileno Augusto Pinochet. No dia seguinte logo após a entrevista ir ao ar, prepostos do Exército chegaram à rádio, levaram Lucílio e a gravação. Diante do militar, ele negou em seu depoimento que a entrevista tivesse sido feita na residência do deputado, mas no estúdio da emissora, mesmo com vozes de criança ao fundo, isso para livrar a rádio e seu diretor Oscar Marques dos rigores do regime.
Não teve jeito, esse fato rendeu o fechamento da emissora por mais de dez anos e as portas de outras emissoras da “Terra de Lucas” se fecharam também para Lucílio Bastos, que acabou migrando para a Itabuna. Sua história na Região Cacaueira é conhecida por boa parte da população. Suas críticas desagradavam muita gente, principalmente os poderosos.
Certo dia, véspera de São João, após o sepultamento de Zé Poli, onde Lucílio discursou falando das qualidades do saudoso, fomos eu, ele e Daniel Thame até Ferradas comprar licor. Depois de degustar quase todo licor das casas que comercializavam a bebida, brinquei com Lucílio de que faria o discurso em seu sepultamento. Ele respondeu dizendo que tinha que ver o texto antes, caso contrário vinha puxar meu pé. Rimos e voltamos para nossas casas com alguns litros de licor e mais pra lá do que pra cá.
Infelizmente não farei essa homenagem ao amigo, por estar fora de Itabuna, mas deixo aqui, nas páginas do Pimenta, essa singela homenagem ao conterrâneo feirense que me deu o prazer de desfrutar de sua amizade, suas polêmicas e sua inteligência.
Vai com Deus amigo, junte-se ao seu irmão Marivaldo, a Manoel Leal e Eduardo Anunciação e criem um jornal e um programa de rádio, mesmo sem a autorização de São Pedro, e “toque o pau” daí de cima. Esse é a minha sugestão, Falando Francamente!
Cláudio Rodrigues é empresário.

Tempo de leitura: 2 minutos

manuela berbert3Manuela Berbert | manuelaberbert@yahoo.com.br

Enquanto as praias mais simples de Barra Grande e Porto Seguro oferecem cadeiras e até poltronas confortáveis, artesanais ou de design arrojado, a maioria das barracas de praia de Ilhéus ainda oferece uma estrutura física de deixar qualquer cidadão entristecido

#novantagem Recebo emails com promoções de passagens o dia todo, todos os dias, e quase nunca vejo Ilhéus na parada. Dificilmente uma companhia aérea inclui Ilhéus nas suas listinhas promocionais. A conta é simples: se é mais fácil e mais barato sair do estado ou do país por Salvador, chegar também é. Comuniquem-se com o mundo, autoridades!
#noatração Se o Batuba Beach não produzisse aquelas festinhas de final de ano, com atrações conhecidas nacionalmente, o que seria do verão de Ilhéus? Chega meado de janeiro e fevereiro e não há o que fazer por lá. Em dias normais, às 23 horas não há onde gastar a energia que a gente guarda durante o ano para gastar nas férias. Apenas uma casa noturna lotadíssima faz a alegria da galera. Nos demais bares, restaurantes e pizzarias chegam ao ponto de apagar as luzes para que o cliente “entenda” que está na hora de tirar a soneca. Invistam, autoridades!
#noconforto Se o turista ilheense quiser conforto nas belíssimas praias, que leve sua cadeirinha de casa. Enquanto as praias mais simples de Barra Grande, Morro de São Paulo e Porto Seguro oferecem cadeiras e até poltronas confortáveis, artesanais ou de design arrojado, a maioria das barracas de praia de Ilhéus ainda oferece uma estrutura física de deixar qualquer cidadão entristecido, com cadeiras de plástico emprestadas das cervejarias, muitas danificadas. Isso, claro, quando não somos surpreendidos com banquinhos de madeira com um preguinho enferrujado aparente. Organizem a parada, autoridades!
#noinvestimento Se o turista ilheense, hospedado no centro da cidade, tiver vontade de praticar algum esporte ao ar livre, ele que se organize para fazê-lo antes das 17h. A Avenida Soares Lopes, dona de uma área belíssima e aconchegante para caminhadas e corridas, fica completamente escura ao anoitecer. Acendam a luz do progresso, Autoridades!
Manu Berbert é publicitária e colunista do Diário Bahia.

Tempo de leitura: 3 minutos

Fernando VolpiFernando Volpi
 

A ciranda das ONGs devoradoras de verbas (nem todas, felizmente) está chegando ao fim. Surgem os empreendedores sociais, com a missão de causar impacto social e ambiental como jamais seria conduzido pelos governos.

 
Em meio a tantas denúncias de má aplicação de generosas verbas para as chamadas “organizações não governamentais” com foco na inclusão social, passando pela doação disso ou daquilo, cestas básicas e outras não tão básicas, auxílio sem controle algum e benesses que beiram o desperdício, além de formação escolar ou profissional que termina exatamente onde devia começar a sua missão (dar ao assistido condições de se manter com o que aprendeu e não simplesmente torná-lo orgulhoso ou vaidoso com o que faz sem faturar absolutamente coisa alguma e sem nenhuma perspectiva de crescimento), em meio a tudo isso e muito mais, vemos surgir uma nova corrente – felizmente e graças a Deus – que nada tem de ONG: são os empreendedores sociais.
Muitas empresas assim identificadas, notadamente no exterior e ainda timidamente no Brasil, já começam a ter mais impacto do que as ONGs e tendem a ganhar mais notoriedade pela eficaz contribuição aos setores da sociedade em que o poder se retirou (ou nunca esteve) ou não conseguiu atuar de modo eficiente enquanto terceirizava para ONGs criadas em cima da hora e no “jeitinho” certo para abocanhar estratosféricas verbas oficiais ou do setor privado desavisado. Para isso, já efervescia até um comércio de CNPJ com mais de três anos de registro, conforme a legislação exige para as dotações fermentadas na ganância e na corrupção.
Leia Mais

Tempo de leitura: 3 minutos

aldenesAldenes Meira
 

Apesar dos problemas que afetam a qualidade do serviço, alguns dos quais fogem à competência das empresas, é impressionante a reação diante de qualquer tentativa de favorecer a parte mais vulnerável nessa relação, que é o usuário.

 
As manifestações que ocorreram em todo o Brasil em meados de 2013 tiveram como principal mote a luta por um transporte público eficiente e com preço justo. Encabeçada pela juventude, aquela mobilização reflete o anseio geral de uma camada significativa da população que utiliza o ônibus e outros meios coletivos para se deslocar, mas sofre historicamente com a precariedade do serviço.
Basta conversar com os moradores de bairros periféricos de Itabuna sobre o transporte público para se ouvir relatos lamentáveis. Para muitos, o que se oferece são ônibus em péssimo estado de conservação, pelos quais se tem que esperar às vezes mais de uma hora, algo que atormenta e humilha cidadãos e cidadãs diariamente. Isto sem falar nas condições ruins de muitas vias de acesso, além da falta ou precariedade dos abrigos destinados aos passageiros.
Apesar dos problemas que afetam a qualidade do serviço, alguns dos quais fogem à competência das empresas, é impressionante a reação diante de qualquer tentativa de favorecer a parte mais vulnerável nessa relação, que é o usuário. Em junho, foi somente à base de muita pressão popular que essa equação injusta começou a ser modificada, mas um espírito de retrocesso ainda paira no ar.
Foi esse espírito que infelizmente levou o prefeito de Itabuna, Claudevane Leite, a vetar o projeto de nossa autoria que institui o direito à meia passagem no transporte coletivo, para todos, aos domingos e feriados. O prefeito apoiou-se em dois argumentos básicos, porém equivocados: o de que a proposta atinge o equilíbrio econômico-financeiro dos contratos e o de que a matéria é da competência privativa do Executivo.
Leia Mais

Tempo de leitura: 3 minutos

Karoline VitalKaroline Vital | karolinevital@gmail.com

Com toda propaganda ostensiva do FIES – inclusive no boleto das mensalidades – a instituição demonstra total desinteresse em manter os alunos.

O setor era um grande vão, organizado por divisórias de MDF. A maior parte dos funcionários pareciam clones das cunhadas gêmeas do Homer Simpson, mas sem os cigarros pendendo no canto da boca. Olhar vitrificado, expressão facial de como se tivessem acabado de engolir um remédio amargo.  A fala no ambiente era baixa, com poucas inflexões. E, ao redor, o contraste de toda alegria dos jovens estampados nos cartazes, na celebração de terem alcançado o grande triunfo do nível superior, pagando os juros colossais do Financiamento Estudantil.
Aguardava na fila a minha vez de pegar o reembolso da minha matrícula. Tinha sido aprovada em primeiro lugar para o curso de psicologia. Quando prestei o vestibular, fui criticada por familiares e amigos, que julgavam bobagem eu enfrentar outra graduação. “Você deve tentar um mestrado ou um concurso público”, ouvi de alguns. Mas psicologia era algo que sempre me empolgou. Sou fascinada pelo comportamento humano, como somos bichinhos pretensiosamente mais espertos que os outros, mas primitivamente tão previsíveis.
A gente faz planos para a vida, mas o destino às vezes disponibiliza rumos totalmente diferentes dos idealizados, acabei não tendo condições para arcar com os compromissos financeiros para entrar no curso logo no primeiro semestre. Assim, na primeira semana do ano, procurei a secretaria acadêmica para solicitar a manutenção da minha vaga para o segundo semestre, explicando todas as minhas razões.
As moças que me atenderam até foram simpáticas e me deram o prazo de 72 horas para uma resposta via email. O tempo passou e nada. Eu ligava para pedir algum posicionamento e nada. Fui à faculdade duas vezes e nada. Passaram-se duas semanas e a única resposta que obtive é que meu requerimento estava sendo analisado. E mais nada.
Com a proximidade do início das aulas próximas e a falta de qualquer parecer, decidi cancelar minha matrícula. Foi algo dolorido, contudo o mais racional. Pedi outro requerimento e fui ao setor financeiro. Quando entreguei o papel, o funcionário sequer me perguntou o motivo pelo qual eu pedia o meu desligamento prematuro. Explicou-me os procedimentos com naturalidade e, no prazo estabelecido, enviou-me um email comunicando que o meu reembolso já estava disponível.
Leia Mais

Tempo de leitura: 3 minutos

GabrielGabriel Nascimento | gabrielnasciment.eagle@hotmail.com

Uma polícia bem treinada é aquela que atira na perna, na mão que está o revólver, ou que não atira porque aquele contexto não era o seu de trabalho. Não se trata aí de um membro bem treinado da polícia.

A quem serve uma polícia militarizada? Seja a civil ou a militar, a quem serve um aparelho arcaico, herdeiro de governos militares? A polícia militarizada só serve a um Estado autoritário, que tem políticas compensatórias e enxerga na violência o caminho para acabar com a violência.
A polícia militarizada é uma polícia de guerra, responde por vinculação ideológica como membro das forças armadas do país. Só aí duas incoerências: não estamos em guerra, ao menos expressa, e nem as forças armadas do país servem para combater “inimigos internos”.
Trocando em miúdos, mesmo que a violência civil chegue a rumos tão assustadores, não estamos em guerra civil. Aliás, acreditar nisso é jogar nas mãos do Estado privateiro e autoritário a necessidade falsa de investir em políticas compensatórias e em aparatos de violência, o que sempre foi o salmo de nossas elites atrasadas e provincianas. Matar, matar e matar o inimigo interno. Não há inimigo interno e o cidadão brasileiro não pode ser visto como inimigo. Mesmo que seja traficante, que esteja assaltando ou que troque tiros com a polícia.
Na última semana, no centro de Itabuna, um policial à paisana deflagrou vários tiros em um adolescente que assaltava. No contexto, uma polícia de guerra. Um policial fora do seu serviço comum agindo como um soldado a eliminar um inimigo. Uma polícia bem treinada e não militarizada jamais faria isso. Uma polícia bem treinada é aquela que atira na perna, na mão que está o revólver, ou que não atira porque aquele contexto não era o seu de trabalho. Não se trata aí de um membro bem treinado da polícia.
O lamentável é que essa é uma ação corrente da polícia fardada e militarizada das terras brasileiras do Sem-fim. Em todo território nacional, essa vergonha que tem a mesma ideologia do DOPS/DOI-CODI da Ditadura militar que durante 21 anos causou estrago na vida pública brasileira (perseguindo e matando arbitrariamente quem se opusesse a ela), usa táticas de guerra e trata o cidadão marginalizado como alienígena. Tudo isso sob a tutela de um Estado autoritário que investe cada vez mais nessas medidas atrasadas de segurança.
Leia Mais

Tempo de leitura: 2 minutos

Ederivaldo Benedito | ederivaldo.benedito@gmail.com
Ederivaldo Benedito-foto.

Itabuna não suporta mais lamentações. Chegou a hora de dar adeus ao provincianismo e amadurecer politicamente, discutir suas questões no atacado.

Acabou a novela do Carnaval Antecipado. Espera-se agora que tocado pelo Espírito Santo, movido pelos sentimentos de cidadania, irmandade, amor ao próximo e de solidariedade, o itabunense venha, de forma organizada, ajudar Claudevane Leite a colocar o Bloco da Mudança na rua.
Itabuna não suporta mais lamentações. Chegou a hora de dar adeus ao provincianismo e amadurecer politicamente, discutir suas questões no atacado. Buscar soluções para os eternos problemas. Apresentar sugestões no papel e na prática, ao invés de apenas se queixar que as coisas estão ruins e culpar as autoridades.
Ora, o problema não é simplesmente discutir se a Prefeitura deveria ou não patrocinar a festa momesca, ou quem apoia ou não a sua realização. O desafio é: já que o prefeito, de maneira claudicante, vacilante, decidiu não promover oficialmente o Carnaval Antecipado, ele e os itabunenses que concordam a sua decisão têm a obrigação de pensar com grandeza e apresentar projetos para os eternos problemas infraestruturais de Itabuna.
O Ministério Público, por exemplo, com apoio de grupos evangélicos, líderes partidários, blogueiros e radialistas, deve apresentar urgentemente propostas para, quem sabe, intensificar o combate à violência e criar mecanismos para o enfrentamento da criminalidade no município.
Os que se manifestaram publicamente contra a festa deveriam começar a fazer mutirões para ajudar as famílias desabrigadas e campanhas de solidariedade ajudar as populações ribeirinhas e periferias, que diariamente clamam por socorro nos programas policiais das Rádios e TVs. Poderiam, também, cruzar a cidade, do São Pedro ao Jorge Amado, do Maria Pinheiro ao Santa Inês, “conscientizando à população” e alertando-a para a iminência de um “novo surto epidêmico de dengue”. Nesses bairros, cultos seriam celebrados, em memória dos nossos irmãos-conterrâneos, vítimas da violência cotidiana.
Leia Mais

Tempo de leitura: 2 minutos

JAIRO 3X4 COLORJairo Araújo

Experiências que estão sendo adotadas por José Mujica e Fernando Haddad representam  uma mudança substancial na forma  de combate às drogas e, por consequência, aos efeitos da  violência.

A percepção que parte da sociedade tem em relação à violência é contraditória. É de conhecimento da maioria das pessoas que as razões da violência, em parte, estão relacionadas ao tráfico e o consumo de drogas, além dos problemas sociais ainda presentes nos quatro cantos do país.  Mas os meios que são comumente utilizados no combate à violência tem se constituído num retumbante fracasso.
As práticas para o enfrentamento da violência tem sido as mesmas de sempre: a polícia mata e prende, tanto drogas quanto os traficantes, como forma de diminuir a circulação dos entorpecentes. Por outro lado, os bandidos se matam na tentativa de controlar os territórios do tráfico, a produção e a comercialização das drogas.
Ainda temos a violência advinda dos assassinatos em virtude de dívidas com os donos do pedaço. A organização do tráfico é impiedosa: deve e não paga, o caminho é a morte! Neste círculo vicioso, os índices de assassinatos só aumentam.  É necessário rever os métodos utilizados para combater o tráfico.
Neste sentido, experiências que estão sendo adotadas por José Mujica, presidente do Uruguai, que legalizou o  uso da maconha, e Fernando Haddad, prefeito de São Paulo,  com o projeto Braços Abertos, que visa oferecer oportunidades aos dependentes e usuários de crack,  representam  uma mudança substancial na forma  de combate às drogas e, por consequência, aos efeitos da  violência.
No caso do Uruguai, o Estado passa a assumir e controlar todo o ciclo de produção e comercialização da cannabis, permitindo ao usuário comprar em pontos definidos a quantia estabelecida para seu consumo. Em São Paulo, para os dependentes de crack estão sendo oferecidas moradias em hotéis da região conhecida como Cracolândia, trabalho remunerado na varrição das ruas e três refeições diárias, além de cursos profissionalizantes.
Estas ações podem não resolver o problema da violência de forma definitiva, mas são alternativas que deveriam ser observadas pelas diversas esferas de governo.
Quanto à contradição da sociedade que mencionei no início deste texto, me assusta ver pessoas comemorarem quando um bandido é assassinado ou em expressões como “bandido bom,  é bandido morto”. Enquanto existirem seres humanos morrendo em virtude da escalada da violência, a sociedade continuará sendo vítima da mesma forma.  Portanto, o ideal será quando não existir bandido morrendo, pois teremos uma sociedade de paz.
Jairo Araújo é vereador de Itabuna pelo PCdoB.

Tempo de leitura: 3 minutos

Fernando VolpiFernando Volpi
 

Qualquer candidato a cargos políticos ou na iniciativa privada que tiver como propósito apenas vencer as eleições ou a concorrência numa disputa de inspiração subjetiva ou pelo simples prazer da vitória ou até mesmo pelo status do posto, se não tiver um forte senso de responsabilidade por suas próprias ações, seja pelo bem comum, seja pelo êxito do empreendimento ou da empreitada, nunca irá perseverar.

 
A diferença entre alguém de iniciativa e uma pessoa articulada está exatamente no senso de propósito, sem o qual não se desenvolve a perseverança. “Ser persistente é ser teimoso com objetividade”, ouvi recentemente de um conceituado executivo do Sebrae durante encontro de gestores públicos e privados em Itabuna. De fato, quando predomina a convicção do propósito, a energia emerge com força e produz resultados. Todas as dificuldades serão estimulantes e vencerá a determinação. O segredo é sair do “bureau” e tentar mudar, mudando o rumo da coisa.
Mas toda mudança deve começar, necessariamente, por um propósito. Sem ele, impossível perseverar. Sem perseverança, não há superação.
Qualquer candidato a cargos políticos ou na iniciativa privada que tiver como propósito apenas vencer as eleições ou a concorrência numa disputa de inspiração subjetiva ou pelo simples prazer da vitória ou até mesmo pelo status do posto, se não tiver um forte senso de responsabilidade por suas próprias ações, seja pelo bem comum, seja pelo êxito do empreendimento ou da empreitada, nunca irá perseverar. O sucesso não passará da primeira esquina, será curto como curta é a sua inspiração, como certamente curta é a sua habilidade para o sucesso.
Todo propósito alimentado pela vaidade ou pela obsessão (até mesmo pela paixão) só resulta em enxaqueca. Mas o propósito vitaminado da pessoa articulada, antenada, logada, alimentado com amor e liderança honesta resultará em perseverança também honesta. É bem diferente do propósito apaixonado. A paixão desestimula, a paixão gera teimosia dispersa, enquanto o amor bem articulado encoraja com serenidade propulsora como as asas das garças sobre o Rio Pardo. Suaves, sem alarde, mas fortes.
Gestor público ou privado, o legislador, o jurista, o gerente, o funcionário, o prestador de serviços, todos eles que não se fortalecerem com sinceros propósitos, claros e definidos, inspirados na sua responsabilidade diante da legião de expectativas, não passarão de melancólicas tentativas isoladas de êxito com pálidos resultados empíricos e insulsos. Algo parecido com um aborto que deu errado.
Leia Mais

Tempo de leitura: 2 minutos

Eduardo Estevam
 

A reação ao rolezinho revela uma luta de classes e uma brutal exclusão social, mas tem um elemento que considero central e que desmascara a “cordialidade” brasileira nas relações sociais: o racismo.

 
Onda Negra, medo Branco é o título de um livro em que a Celia Azevedo analisa o negro no imaginário das elites do século XIX. O rolezinho pode ser considerado uma onda negra, uma vez que apresenta traços culturais da musicalidade negra, e o medo, que residia na elite branca, hoje genaralizou-se.
O fenômeno chamado Rolezinho é apenas uma das práticas sociais dos jovens que fortalece sua identidade de grupo, cada qual com as suas particularidades. Esse tipo de rolezinho é o divertimento em grupo, ponto de encontro (combinados pela redes sociais ou não), a curtição, a azaração que sempre esteve sob olhar raciológico vigilante. O rolezinho que causou pânico nos shoppings apresenta algumas peculiaridades que há tempos venho defendo neste blog. A existência de um racismo que estrutura as relações e a forma de pensar e ver o outro na sociedade brasileira, e que é veementemente negado, principalmente pela grande mídia.
A reação ao rolezinho revela uma luta de classes e uma brutal exclusão social, mas tem um elemento que considero central e que desmascara a “cordialidade” brasileira nas relações sociais: o racismo. Não é de agora que esses jovens frequentam os shoppings, logo, essa prática não pode ser atribuída tão somente as mudanças do quadro econômico e social que possibilitou uma ampliação do mercado consumidor. A simples presença desses jovens negros e negras, negro-mestiços e branco-mestiços ostentando suas identidades culturais, foi motivo do estranhamento, do surto, do medo e da repressão, tudo em função de se aglutinarem e passearem gesticulando e cantando música funk. Esse tipo de racismo que esses jovens negros estão sujeitos caracteriza-se pelos embates culturais, ou seja, pelo conflito de valores.
Leia Mais

Tempo de leitura: 2 minutos

marco wense1Marco Wense

Geraldo anda dizendo que Magalhães, que é o diretor-presidente da Bahiagás, vem gastando o dinheiro da empresa na campanha para deputado federal.

O relacionamento político entre o PT e o PCdoB de Itabuna sempre foi marcado por intrigas, picuinhas, traições, falsidades, desconfianças e até ofensas pessoais.
O pega-pega é velho, vem da política estudantil na então Fespi, quando comunistas e petistas se digladiavam pelo comando do Diretório Central dos Estudantes, o cobiçado DCE.
Quando se juntam, como aconteceu em várias sucessões municipais, é por interesse e conveniência, já que a união se torna indispensável para derrotar os adversários comuns.
O PT e o PCdoB são inimigos ferrenhos quando estão separados no processo eleitoral. PCdoB versus DEM ou PT versus PSDB são confrontos civilizados quando comparados a uma disputa PT versus PCdoB.
O mais recente duelo envolve as duas figuras emblemáticas do petismo e do comunismo tupiniquins, sem dúvida o ex-prefeito Geraldo Simões e o ex-vereador Davidson Magalhães.
Geraldo anda dizendo que Magalhães, que é o diretor-presidente da Bahiagás, vem gastando o dinheiro da empresa na campanha para deputado federal.
Defensores de Davidson, irritadíssimos com Geraldo, lembram que o ex-alcaide, em vez de se preocupar com a vida alheia, deveria cuidar da sua condição de réu nos processos que tramitam na justiça.
E mais: corre à boca pequena a informação de que o PT vai reivindicar o comando da Bahiagás assim que Davidson se afastar da presidência para concorrer ao Parlamento.
Dois bicudos não se beijam. Geraldo Simões e Davidson Magalhães sequer se abraçam. É melhor assim do que abraço de tamanduá.
Marco Wense é articulista do Diário Bahia.