
A Seleção Itabunense avançou à quarta fase do Campeonato Intermunicipal de Futebol 2018, após eliminar Valença, nos pênaltis, por 6 a 5, neste domingo (8), no Estádio Luiz Viana Filho.
A equipe enfrentará Porto Seguro na próxima fase. O primeiro jogo será dia 15, às 15h, no Itabunão. A partida de volta ocorrerá no dia 22, em Porto.
Itabuna havia perdido por 1 a 0 no jogo de ida, no último domingo. Hoje, venceu por igual placar. A vaga acabou decidida em cobrança de penalidades. É a melhor campanha da Seleção Itabunense no Intermunicipal em mais de 20 anos, apesar dos salários atrasados.
Os demais confrontos das oitavas de final da competição também foram definidos. Ibicaraí enfrentará Santo Amaro, Conceição do Coité pega Camamu, enquanto Valente encara Saubara. Euclides da Cunha terá pela frente a representante da Chapada, Itaberaba. Alagoinhas pega Itabela. Eunápolis encara Ipiaú.

O deputado estadual Heber Santana (PSC) disse considerar estranha a decisão da Valec em fechar o escritório regional da empresa em Ilhéus. O fechamento foi revelado pelo PIMENTA ontem (relembre aqui). A empresa federal é responsável pela construção da Ferrovia de Integração Oeste-Leste (Fiol).
– O estranho é que, conforme divulgado pela mídia de Ilhéus, o trecho da ferrovia entre Jequié e Tanhaçu está com quase 90% da obras concluídas, enquanto no trecho Barra do Rocha/Ilhéus só 36% do projeto está concluído – disse o parlamentar.
Como informado por este site ontem (7), o fechamento do escritório em Ilhéus e a transferência das atividades da empresa para Jequié tiram da economia do município sul-baiano cerca de R$ 1,5 milhão, incluindo salários e impostos.
Arands explicará as mudanças que entrarão em vigor a partir de novembro. Após a palestra será realizada uma mesa de debates. O evento é gratuito, com vagas limitadas.
As inscrições podem ser efetuadas pelo portal do Sistema FIEB (www.fieb.org.br). Mais informações podem ser obtidas pelo telefone (71) 3343-1479 ou pelo email capacitacaosindical@fieb.org..

Agentes da 7ª Coordenadoria de Polícia do Interior (Coorpin/Ilhéus) prenderam em flagrante, neste domingo (8), no bairro Nelson Costa, em Ilhéus, Cherly Ferreira Duarte e apreenderam um adolescente. A polícia informou ao PIMENTA que os dois transportavam maconha e cocaína em um veículo com restrição de roubo. Com Cherly, que é foragido da Justiça, também foram encontradas duas carteira de habilitação falsas.
Os criminosos utilizavam carteiras de habilitação falsas e um veículo Hyundai Santa Fé, placa NKP2169, quando foram surpreendidos pela polícia. Cherly Ferreira Duarte é foragido da delegacia de Barreiras e tem um mandando de prisão em Vitória da Conquista. Ele ainda tentou enganar os policiais, mas foi desmascarado.
Cherly e o adolescente foram apresentados na 7ª Coorpin/Ilhéus com o veículo, uma balança de precisão, dois cadernos com anotações de contabilidade do tráfico, 16,7 kg de maconha, 24 gramas de cocaína e duas habilitações falsificadas.

Dirigentes do Grupo Humanus de Itabuna adiaram para o início de dezembro a edição deste ano da Parada da Diversidade LGBT do Sul da Bahia. Eles não informaram os motivos da mudança de data do evento, que estava previsto para o dia 8 deste mês nas Avenidas Aziz Maron e Mário Padre.
Com a mudança, a programação da Parada da Diversidade LGBT em Itabuna começa em 1º de dezembro, Dia Mundial de Combate à AIDS. Nesta data também será realizada uma feira da saúde na Praça Olinto Leoni, com ações de imunização, além de exames HIV e testes DST/Aids. A atendimento contará com apoio da Secretaria da Saúde e Centro de Referência em Prevenção, Assistência e Tratamento (Cerpat), Vigilância Sanitária e Vigilância à Saúde.
O vice-presidente e fundador do Grupo Humanus, José Dantas Araújo, informa que a programação prossegue no sábado (2/12), com a realização do Miss Gay, na mesma praça, tendo como atrações os shows de Michelle Loren e Penélope Fortuna, ambas de Belo Horizonte.
Já a parada da diversidade será realizada no dia (3/12), nas Avenidas Mário Padre e Aziz, onde a prefeitura vai instalar banheiros químicos e palanque. Dantas destaca a importância da parceria com o governo municipal, bem como entidades da sociedade civil e empresas visando a captação de apoio e de recursos para o evento.

As obras da ponte estaiada que ligará o centro à zona sul de Ilhéus já têm 27,5% concluídos, de acordo com dados obtidos pelo PIMENTA. Os números são da Superintendência de Infraestrutura de Transporte (SIT), do Governo da Bahia.
De acordo com a Superintendência, as obras estão dentro do prazo. A inauguração deverá ocorrer em setembro do próximo ano. Nesta segunda-feira (9), às 8h, o superintendente da SIT, Saulo Pontes, fará vistoria.
A construção da primeira ponte estaiada da Bahia, de acordo com o governo, custará R$ 95 milhões e desafogará o trânsito na área central de Ilhéus, que sofre com grande congestionamento horários de pico e afeta fortemente o turismo ilheense na alta estação.
Neste domingo (8), o fotógrafo e vice-prefeito de Ilhéus, José Nazal, fez novas imagens aéreas que mostram a evolução da obra. Confira o andamento.

Após ser acusado de travar a liberação de R$ 600 milhões do Banco do Brasil para o Estado, o DEM baiano quer inviabilizar a assinatura do contrato que assegura a duplicação da Rodovia Ilhéus-Itabuna (BR-415), segundo o deputado estadual Rosemberg Pinto.
– O DEM não gosta do povo da Bahia, quer inviabilizar esta ação, mas o povo merece e vai estar presente na assinatura do contrato – disse o parlamentar e presidente da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Assembleia Legislativa da Bahia (Alba).
Rosemberg lembra que a obra é prometida “há 40 anos”. E nunca saiu do papel. “Mas é no governo de Rui Costa que vamos ter uma nova estrada”. A obra tem prazo de execução de dois anos.
A assinatura do contrato está marcada para esta segunda (9), às 9h, na Avenida Juracy Magalhães, no Fátima (área do antigo Posto Cachoeira). A obra será executada pela OAS. Caso os prazos sejam cumpridos, deverá ser concluída em fevereiro de 2020. O investimento é de R$ 105 milhões.
Confira vídeo que mostra o projeto.

Um simpósio de Direito Público marcará a 13ª Semana Jurídica da FTC de Itabuna, a partir desta segunda (9), na FTC (durante o dia) e no Terceira Via Hall (à noite). Serão três dias de discussões sobre Direito, Governança, Políticas Públicas e os novos desafios do Poder Judiciário.
Entre os conferencistas do simpósio, estão especialistas, mestres e doutores como o promotor público Inocêncio de Carvalho, o juiz Raimundo Bezerra e o professor e escritor Daniel Keller, profesor do curso de Ciências Criminais da Universidade Federal da Bahia (UFBA), da Ucsal e da Uninassau.
As inscrições podem ser feitas pelo site https://www.sympla.com.br/xiii-semana-juridica-da-ftc__195460 até esta segunda. Promovida pela turma do 9º Semestre de Direito da FTC, a Semana Jurídica sorteará brindes e bolsas de estudos. Tem carga de 40 horas e certificação.
PROGRAMAÇÃO
O evento ocorre nos dias 9, 10 e 11. A programação será aberta na manhã desta segunda (9) pelo coordenador do curso de Direito da FMT e professor da FTC, Josevandro Nascimento, às 8h30min, seguido de palestra da advogada Lara Kauark, no auditório da FTC, na Praça José Bastos.
A programação da tarde, a partir das 14h, também será na FTC. À noite, a programação será concentrada no Terceira Via Hall, na Avenida J.S. Pinheiro, a partir das 19h, com palestras dos juízes Raimundo Pereira e Geraldo Calasans, além dos professores Antônio Raimundo e Paulo Bonfim.Leia Mais

Faltando menos de um mês para a primeira prova do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) deste ano, os estudantes que vão participar da seleção devem aproveitar os últimos dias para revisar o conteúdo e fazer provas anteriores e simulados, sem esquecer de ficar ligado nos noticiários para saber o que está acontecendo no país e no mundo.
Além de solidificar os conceitos, a resolução de simulados e de provas anteriores deve ser a principal estratégia de estudo nesses últimos dias, aconselha o professor de matemática Bruno Vianna, do Colégio Mopi, do Rio de Janeiro. Segundo ele, essa prática faz com que o aluno se acostume com o tempo que terá para analisar e responder a todas as questões no dia do Enem.
No Enem, o aluno tem que estar preparado para fazer uma prova nos moldes em que ele não está acostumado, pois é muito diferente das avaliações internas que as escolas costumam fazer. Os alunos não têm o costume de resolver 45 questões em um espaço grande de tempo”.
Na área de matemática, Vianna diz que os assuntos que vêm aparecendo com mais frequência no Enem são os do ensino fundamental, como geometria plana e proporcionalidade. “Seria bom focar nesses assuntos principalmente”.
O coordenador de biologia do Colégio Sigma, de Brasília, Alessandro Reis, diz que é importante a leitura de temas da atualidade, que são abordados com frequência no Enem.
O professor chama a atenção para assuntos ligados à ecologia, como o aquecimento global e os acordos internacionais sobre o clima, que envolvem também as relações internacionais. Outros assuntos da atualidade que podem ser abordados na prova, segundo o professor, são as ocorrências ligadas ao mosquito Aedes aegypti.
Reis também recomenda ao candidato a realização de provas anteriores, para aprender a gerenciar o tempo e identificar dificuldades. “Quando ele pega as provas anteriores para fazer, parte de exames reais e, com isso, ele consegue quantificar o tempo e ver onde encontrou mais dificuldades”.
REDAÇÃO
Para a redação, a sugestão dos professores é analisar provas passadas e trabalhar a compreensão dos temas que já foram propostos. A coordenadora de redação do Colégio Sigma, Carolina Darolt, sugere que os alunos analisem as cinco últimas provas, montando uma estrutura de argumentação, ou seja, analisando qual seria a tese apresentada diante do tema e quais seriam os argumentos. Ela também destaca a importância de o aluno estar atualizado com os noticiários.
A violência “nossa” de cada dia, antes de agredir aos outros, agride a cada um de nós, pois tira a nossa essência humana, nossa capacidade de entender o que é certo, o bonito, o real, o justo e a condição de sermos melhores. Ela se disfarça e, quando menos esperamos, bate à nossa porta.
Todos os os dias e em todos os meios de comunicação, não importando qual seja o que você está vendo ou lendo, sempre encontramos algo sobre um crime. Hoje, a violência impera entre todas as outras noticias, até mesmo as dessa nossa política tão nefasta. São assaltos, assassinatos, agressões, roubos, alunos alvejados, professores agredidos, trabalhadores assassinados, pobres e ricos na mesma dança macabra da violência urbana. O repertório da violência é grande e os cenários diversificados. E, dentro dessa guerra sem fronteiras, o povo se sente impotente e desprotegido. E todos os dias ficamos sabendo de casos de barbárie, que se tornou onipresente em nosso cotidiano. Essa é uma oportunidade que temos para pensar o que está acontecendo com o ser humano. A violência sempre existiu e, consequentemente, é algo que faz parte da nossa vida. Para alguns estudiosos, a violência é um mal necessário para nossa estrutura, seja psicológica, física, social, sexual, etc.
Os estudiosos sociais nos falam que o Estado só consegue existir a partir do monopólio da violência. Porém, são as regras sociais, os direitos individuais que inibem a prática da violência e em troca acreditamos nas promessas do Estado como órgão zelador maior dos nossos direitos fundamentais, principalmente o direito à vida. Por isso, os assassinatos e homicídio causam tanta revolta no ramo do Direito e dos meios de comunicação. No entanto, essa promessa está a cada dia mais fragilizada. O Estado se deixou dominar e já não consegue alcançar determinados espaços no meio social. Seja por negligenciar o seu papel educacional, seja por falhas no papel econômico.
O Estado deixou que os chamados “Estados Paralelos” buscassem o domínio sobre essa violência que impera no nosso meio, fora a ganância, a vaidade, a luta pelo poder que tomou conta dos responsáveis por legislar as Leis do nosso país e com isso começaram a aparecer as milícias. Elas são consequências da não presença do Estado protetor, assim o povo passou a se submeter à lei dos mais fortes – e hoje os mais fortes são os bandidos, que – bem armados, matam, estupram, roubam, agridem e sobrevivem na impunidade.
A violência desenfreada que vivemos talvez seja o sintoma mais claro da nossa degradação moral. E a população já não consegue aguentar mais, ninguém aguenta esse empurra, empurra sobre quem é o responsável por coibí-la. O povo começa a pedir socorro e até agora não conseguiu respostas. Sabemos que todos nós temos a nossa culpa em relação à violência, e essa certeza é que nos une, na tentativa de solucionar o problema, por meio de leis mais rígidas e atuações mais profícuas da justiça, punindo ou prevenindo novas ondas de terror. A violência “nossa” de cada dia, antes de agredir aos outros, agride a cada um de nós, pois tira a nossa essência humana, nossa capacidade de entender o que é certo, o bonito, o real, o justo e a condição de sermos melhores. Ela se disfarça e, quando menos esperamos, bate à nossa porta. Porém, devemos tratá-la como indesejável. E nunca esquecer os nossos valores morais, nossa honra e a nossa humanidade.
Maria Reis Gonçalves (Tia Nem) é psicóloga comportamental e docente.

Com ondas de até três metros de altura, uma ressaca no mar de Ilhéus, no sul da Bahia, derrubou o muro de uma casa de praia e parte de uma barraca na madrugada deste sábado (7). A situação não deixou feridos.

Segundo a Defesa Civil, o longo histórico de queimadas e poluição tem contribuído com o aquecimento global e elevado o nível do mar. Diante de ventos mais fortes, a maré acaba atingindo as cabanas e imóveis que ficam mais próximos da praia.

O deputado federal Bebeto Galvão (PSB) classificou de “disputa menor” a queda de braço promovida pelo Governo Federal em relação à assinatura da ordem de serviço da obra de duplicação da Rodovia Jorge Amado (BR-415), no trecho que liga Ilhéus a Itabuna. A ordem será assinada pelo governador Rui Costa nesta segunda-feira (9), na Avenida Juracy Magalhães, em Itabuna, às 9h. Ainda por meio do Facebook, Bebeto convidou a população para “acompanhar a solenidade e comemorar a conquista”.
A obra resultará na construção de pista dupla e ciclovia na margem direita do Rio Cachoeira, e promete melhorar o fluxo de veículos entre as duas maiores cidades da região sul. “Uma obra que vai garantir maior segurança ao corredor técnico-científico que leva a duas universidades, ao Senai, IFBA, que vai salvar vidas, ao diminuir o risco de acidentes e facilitar o acesso ao novo Hospital da Costa do Cacau”.
O parlamentar também ressalta que a duplicação vai estimular o turismo e a atividade econômica. “No momento de crise econômica e social, estimulará a cadeia da construção e gerará emprego e renda. Portanto, vital para nossa região”, declarou o parlamentar agradecendo ao governador o atendimento dessa demanda de Ilhéus e região.
No entanto, de acordo com Bebeto, “lamentavelmente essa conquista do povo sul-baiano tem sido alvo de uma mesquinharia política que não tem lugar na vida dos baianos”. O deputado lamentou também o fato de o ministro dos transportes, Mauricio Quintela, ter desistido de vir a Bahia assinar a ordem de serviço e ter agendado um ato à parte em Brasília, com o intuito de ofuscar essa conquista do povo do sul da Bahia.

A Valec decidiu fechar o escritório regional em Ilhéus. Vai transferir as atividades para a unidade em Jequié, no sudoeste baiano. A empresa federal é responsável pela construção da Ferrovia de Integração Oeste-Leste (Fiol), que deverá ligar Figueirópolis (TO) a Ilhéus (BA).
O fechamento da base ilheense resultará na demissão de oito funcionários terceirizados. Os 13 funcionários concursados e gerente regional serão transferidos para o sudoeste baiano.
A unidade movimenta, sozinha, quase R$ 1,5 milhão na economia ilheense e serve como elo institucional com a região e o próprio município sul-baiano, trecho final da ferrovia e onde será construído o Porto Sul, que, pelo projeto, escoará a produção de grãos e minérios transportados pela Fiol.
O processo de transferência de Ilhéus para Jequié deverá ser concluído até 21 de novembro, conforme apurado pelo PIMENTA. A base em Ilhéus será fechada depois de sete anos.
A transferência gera desconfiança. O trecho compreendido entre Barra do Rocha e Ilhéus tem 36% do projeto já concluído. Será região onde haverá maior demanda até a conclusão das obras. Ao contrário de Jequié e Tanhaçu, por exemplo, onde 86% e 91% das obras estão concluídas, respectivamente.
A empresa alegou redução de despesas, porém tem custo com base administrativa e com o canteiro da terceirizada Alta Engenharia, responsável pelo apoio às desapropriações ao longo do trecho da rodovia. Há quem veja até motivação política na decisão. Faz sentido.

Entramos no ano 2000 com a energia da luta, buscamos diversificar a produção agrícola, implantar serviços de educação, melhorar a prestação dos serviços de saúde, começamos a investir em indústrias de pequeno porte e outras iniciativas.
Vivemos numa região que possui um dos biomas mais importantes do Brasil, a mata atlântica – muito rica em fauna e flora. Essa conservação só foi possível devido ao sistema de produção cabruca, que consiste em consorciar exploração econômica e conservação ambiental.
A produção do cacau permitiu reconhecimento social e poder político-econômico para os produtores do fruto. Se cacau era sinônimo de dinheiro, proprietário rural nessa região ganhava destaque social em qualquer lugar do país e até internacionalmente. As obras de Jorge Amado trazem esse retrato histórico.
A quebra da bolsa de Nova Iorque, em 1929, afetou o comércio mundial e estabeleceu dificuldades na nossa economia até o final da década de 1950. Nesse período, após uma intensa luta junto aos poderes da República, a região viu nascer a Ceplac, em 1957, e recebeu uma atenção diferenciada a partir de 1961, quando foi implantada a taxa de retenção de exportação do cacau que formou o orçamento da Ceplac, o que permitiu que a instituição implantasse a extensão rural e investisse no escoamento da produção. A taxa era de 15% sobre a amêndoa e 5% sobre os derivados de cacau.
Em 1970, o cacau representou 60% da arrecadação estadual. Financiou, inclusive, a folha de pagamento do estado da Bahia e fomentou a construção do Centro Industrial de Aratu e do Polo Petroquímico de Camaçari. A partir de 1972, a taxa de retenção foi unificada em 10% – tanto amêndoas como derivados. Em 1980, uma série de fatores influenciaram negativamente na cadeia produtiva do cacau: perdemos importância na pauta de arrecadação do estado frente aos produtos de alta tecnologia produzidos no Polo Petroquímico de Camaçari, o fortalecimento da concorrência dos países africanos e nosso peso na pauta de exportação brasileira foi reduzido.
Todos esses acontecimentos propiciaram ao governo brasileiro cortar a taxa de retenção. Além disso, tivemos uma superprodução de cacau na safra 1984/1985, forçando ainda mais a queda dos preços e empurrando os produtores de cacau para a crise. Como se não bastasse tudo isso, em 1989 surgia em Uruçuca um fungo capaz de dizimar a lavoura, a vassoura-de-bruxa. Diante daquelas circunstâncias, e após muitas cobranças e críticas por parte da comunidade da região sul, o governo estadual, em resposta, criou o Instituto Biofábrica de Cacau em 1997. O IBC nasceu com o objetivo de produzir mudas melhoradas geneticamente e servir de estrutura de apoio permanente à lavoura.
Chegamos a 1990, década em que a região cacaueira conheceu a sua maior queda econômica: mergulhamos num estado de penúria, o que gerou o quase abandono das propriedades por parte dos fazendeiros e demissão em massa dos trabalhadores rurais. Estima-se que mais de 250 mil trabalhadores trocaram o campo pelas cidades. Um grande contingente de homens, mulheres e crianças chegaram sem perspectivas às cidades, buscando sobreviver àquele estado de caos social. As cidades não estavam preparadas, principalmente Itabuna, Ilhéus e Porto Seguro: saúde, educação, segurança, mobilidade e urbanização foram afetados.
Não existia capacidade de atendimento do fluxo, nem capacidade financeira para prover ações de acolhimento para essas pessoas. Esse contingente humano ficou à margem e teve que se estabelecer nas periferias das cidades. Entramos no ano 2000 com a energia da luta, buscamos diversificar a produção agrícola, implantar serviços de educação, melhorar a prestação dos serviços de saúde, começamos a investir em indústrias de pequeno porte e outras iniciativas.
Nos últimos anos, uma articulação dos governos estadual e federal trouxe a esperança de entrarmos num novo ciclo econômico. A construção da barragem do Rio Colônia, um novo hospital regional, prestes a ser inaugurado, a Ferrovia Oeste-Leste, que está parada com quase 70% concluída, o Porto Sul – ainda travado por questões burocráticas, um novo aeroporto, que está para ter obras iniciadas, uma universidade federal já em funcionamento e a duplicação da rodovia Ilhéus-Itabuna, cuja ordem de serviço será assinada na próxima segunda-feira pelo governador Rui Costa, um sonho que a região espera há quase 50 anos. O governo Rui vem se esforçando e realizando as obras que estavam na expectativa da região.
Como tudo na vida, a crise, apesar de negativa, também deixou legados importantes: uma região mais forte para enfrentar as turbulências, a estadualização da UESC – sem a crise econômica o estado não absorveria a instituição no seu orçamento, e o acesso à terra, algo antes difícil e que trouxe à tona o movimento da agricultura familiar nessa região. A produção de chocolate surge como um novo pensar, fruto da chegada de novos agricultores para a cadeia do cacau, o incremento de novos modos de produção e beneficiamento do cacau, e o uso de tecnologias através do melhoramento genético fazem parte dessa mudança.
Precisamos estruturar novas lutas: ampliar e melhorar a nossa representação política em nível estadual e federal, fortalecer a Ceplac, fazer o governo do estado dotar a Biofábrica de condições financeiras para a manutenção do seu quadro técnico e do cumprimento do seu papel de fortalecimento da agropecuária do Sul e Extremo Sul da Bahia. Um novo ciclo está por vir, dele, depende a nossa energia e luta. Nossa região irá se superar e os seus filhos vencerão o dilema identificado pelo saudoso professor Selem Rachid: “a pobre região rica”. Avante!
Rosivaldo Pinheiro é economista e especialista em Planejamento de Cidades pela Uesc.





























