Leandro Afonso | www.ohomemsemnome.blogspot.com
Um Sonho Possível (The Blind Side – EUA, 2009), como tantos outros, é um filme constrangedor eclipsado por uma história bonita – ou vice-versa, a depender de seu ponto de vista. E ainda que tenha seus momentos, é difícil imaginá-lo como algo além de “aquilo que levou Sandra Bullock ao Oscar”.
O filme é adapatado e dirigido por John Lee Hancock, homem de esportes (Desafio do Destino) e de drama histórico (O Alamo), ambos baseados em fatos reais. Em Um Sonho Possível, ele parece renovar por vários anos o seu contrato com professores de história e defensores da auto-ajuda; com o importante adendo de que o contrato ecoa muito mais forte que o cinema.
A história é de Michael Oher (Quinton Aaron, de tão repetitivo, mais irritante que expressivo), jovem obeso, negro, pobre e sem família, que só consegue vencer na vida depois de ser adotado por uma abastada família branca. O filme tem lá suas boas ideias e pontos interessantes, mas o curioso é que o melhor dele talvez seja o fato de não falar de um quarterback, e sim de um left-tackle, uma posição (assim como a outra, sem correspondência exata no “nosso” futebol) pouco visível e nada vistosa para leigos no futebol-americano.
Logicamente, algo está errado se o maior mérito do filme está na sua sinopse, e não na sua execução. E o que mais soa equivocado em Um Sonho Possível é a obsessão de ele trazer para si um peso que nunca sustenta. Caso a tristeza e a agonia, que estão lá, fossem exibidas em CNTP, o resultado seria menos redundante, mais palpável e próximo de uma situação verdadeiramente real. A dor e circunstâncias já são tão inimagináveis para a maioria que não havia a necessidade de se passar tanto o marcador de texto. Machuca os olhos.
Quando chega em seu final, como acontece com o começo, Hancock volta a convocar o caráter esportivo e oficial, em tom que lembra muito 2 Filhos de Francisco – A História de Zezé di Camargo e Luciano (2005), de Breno Silveira. O senão é que no caso brasileiro o problema maior é a brusca mudança de tom (de um razoável melodrama a um embaraçoso institucional pretensamente intimista), enquanto que, aqui, o “real” não “intervém”, e sim completa da maneira mais preguiçosa possível. O que contribuiu para a vitória do caráter podre de oficial que Hancock parece tanto buscar. Bem maior que sua vontade em (e, provavelmente, de seu talento para) fazer cinema.
Ps: Curiosamente, Sandra Bullock é a melhor coisa do filme – e ainda que exista o óbvio demérito dele, existe também o mérito dela. Mais do que nunca, ela e o diretor parecem cientes não só das suas limitações, como também de como ela (depois de se conter e/ou de esforçar muito pouco em quase tudo que fez) pode funcionar através de seu carisma e de seu contido esforço em trazer algum humor para a cena. Por outro lado, também acho que contribuiu o contraste, a expectativa criada depois de vermos a loirice e a aparência inicial tão fútil e imbecil para uma atriz que, há tempos, não era mais levada a sério.
Visto, em cabine de imprensa, no Multiplex Iguatemi – março de 2010
Um Sonho Possível (The Blind Side – EUA, 2009)
Direção: John Lee Hancock
Elenco: Sandra Bullock, Tim McGraw, Quinton Aaron, Jae Head, Lily Collins
Duração: 129 minutos
Projeção: 1.85:1
8mm
Sem Teto, Nem Lei (1985)
Quando o assunto é o movimento hippie e seus ideais, começamos geralmente do irregular (mas relevante) Easy Rider – Sem Destino (1969), passamos pela excepcional adaptação de Hair (1979), de Milos Forman, e, infelizmente, chegamos a Ang Lee se lambusando com o fraco Aconteceu em Woodstock (2009). Independente da qualidade, a maior parte deles tendem a um olhar lúdico, de prazer sem ônus, ou, no máximo, de um enfoque na beleza da melancolia. Em Sem Teto, Nem Lei (1985), contudo, a belga Agnès Varda mostra a vida de uma francesa, a quem somos apresentados já morta e que, vamos assistindo, levou às últimas consequências seu modo de vida que, sem casa, vivia entre, e debatia sobre, a extrema liberdade e a extrema solidão. Apesar de alguma redundância talvez potencializadora, mas também maçante, temos um retratro cru (e cruel), com honestidade reforçada não só pela forma como tudo é mostrado, como também pela atuação de Sandrine Bonnaire. Quase obrigatório.
O Livro de Eli (2010)
O Livro de Eli (2010) pode ser resumido como uma versão, além de pouco feliz, catequizadora de 451 Fahrenheit (1966) de Truffaut. Mas se o filme do ex-Cahier é um de seus mais fracos, pelo menos carregava uma límpida paixão pelos livros. O Livro de Eli, por sua vez, se resume a dois ou três planos-sequências (ou que passam a ilusão de o serem), sem nada além da pura técnica ou da estilização, que não convencem. Nem a inerente paixão pelo tema se faz presente de verdade.
Filmes da semana:
1. Boleiros – Era uma vez o Futebol… (1998), de Ugo Giorgetti (DVDRip) (**1/2)
2. Os Esquecidos (1950), de Luis Buñuel (DVDRip) (**1/2)
3. Not Quite Hollywood: The Wild, Untold Story of Ozploitation (2008), de Mark Hartley (DVDRip) (***)
4. Sem Teto, Nem Lei (1985), de Agnès Varda (sala Walter da Silveira) (***1/2)
5. Um Sonho Possível (2009), de John Lee Hancock (Multiplex Iguatemi – Cabine de imprensa) (**)
6. O Livro de Eli (2010), dos irmãos Hughes (Cinemark – Cabine de Imprensa) (**1/2)
7. Bons Costumes (2008), de Stephan Eliott (Cine Vivo) (***)
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Leandro Afonso é comunicólogo, blogueiro e diretor do documentário “Do goleiro ao ponta esquerda”

O Itabuna tomou 4×1 do Ipitanga, em Senhor do Bonfim, neste domingo. É o último colocado no Torneio da Morte. O resultado pode determinar a queda do técnico Ferreira, ainda neste domingo. O clube só conseguiu um ponto em dois jogos. Na próxima quarta-feira, 20h30min, o Azulino enfrentará o Colo Colo, no Clássico do Cacau, no estádio Mário Pessoa, em Ilhéus.
O treinador Ferreira concede entrevista neste momento (18h05min) e desanca o elenco (“não tem motivo para o time jogar tão pouco”). “Se for para sair na pancada, nós vamos sair”, disse, mas sem deixar claro se a pancada é dentro da equipe ou contra os adversários.
Na entrevista, ele deixa no ar que “só mágico” tira o clube da situação em que se encontra, apesar de afirmar que o Itabuna ainda tem plenas condições de sair da última colocação do Baianão 2010. “Parece que estão deixando a alma lá longe, fora de campo”.
O Torneio da Morte é liderado pelo Madre de Deus (4 pontos), seguido por Ipitanga (3p), Colo Colo (3p) e Itabuna (1p). Ao final de seis jogos, os dois últimos colocados serão rebaixados para a Divisão de Acesso.
Em Ilhéus, a polícia foi acionada para conter os ânimos de inscritos no concurso público da recém-criada Fundação Estatal de Saúde da Família (Fesf), ligada ao governo baiano.
A empresa contratada para organizar o concurso público, AOCP, trocou provas de candidatos às vagas de enfermagem, cirurgião-dentista, assistente administrativo e assistente social, neste domingo, 21.
Os organizadores sugeriram tirar cópias das provas corretas e aplicá-las, uma medida sui generis e que quebra a inviolabilidade das provas de qualquer concurso que se preze. Os candidatos se negaram a fazer o exame.
Daí em diante, foi um xinga-meu-Deus, queixa na polícia e cabeça inchada…
Em tempo: o concurso realizado pela AOCP pretende contratar 1.200 profissionais nas mais diversas áreas da saúde e administrativa, além de formar cadastro de reserva com outros mil profissionais.
Fonte limpíssima e de trânsito livre no carlismo ficou, como definiu a própria, “bestificada” com a resistência do prefeito Capitão Azevedo em deixar-se fotografar ao lado do ex-governador e presidente do DEM baiano, Paulo Souto nas festividades de São José.
No encerramento da procissão e quando o bispo Dom Ceslau iniciava a missa, Capitão Azevedo avisava a assessores que ficaria no meio do povão para não posar ao lado de Souto.
Foi ‘repreendido’ pelo secretário da Fazenda, Carlos Burgos, que lembrou o protocolo:
– Capitão, o senhor é o prefeito.
Azevedo assentiu – a contragosto. Na Câmara de Vereadores, logo após, Souto e Azevedo andaram trocando farpas em seus discursos.

Ilheenses e até a pálida Associação de Turismo de Ilhéus (Atil) iniciaram uma campanha para que o município da Costa do Cacau seja objeto de matéria no quadro Tô de Folga, do telejornal Hoje, da Rede Globo.
O programa é uma espécie de bússola para quem se liga em TV e está se programando para viagens Brasil afora. Dia desses, Itacaré apareceu por lá. Agora, o site do telejornal iniciou enquete e o leitor é convocado a decidir qual cidade deve figurar no Tô de Folga, se Ilhéus (BA) ou Aracaju (SE).
Quando a “campanha” começou, Ilhéus tinha apenas 14,5% dos votos. Levava goleada de Aracaju. O placar ainda é desfavorável, mas a cidade baiana ameaça virar o jogo. Agora, está 53% a 47%. Quer dar uma ajudinha a Ilhéus?
Às 22h16min – Aos amáveis leitores, informamos que, nesse instante, a cidade de Gabriela e Nacib virou o jogo. Está 54% a 46% para o município sul-baiano. Se a cidade se unir para outras coisas além de votação em enquete, talvez o turismo local mude para melhor. Mesmo!
O Torneio da Morte só revela o nível do futebol praticado no sul da Bahia nesse ano de 2010. O Itabuna cai diante do Ipitanga por 2×0. Igual placar é registrado no ‘baba’ entre Madre de Deus e Colo Colo, de Ilhéus.
Final do primeiro tempo.
Ferreira, treinador do Itabuna, sai para o vestiário reclamando das falhas da equipe. “É muito erro, é muito erro”. Já estamos cansados de saber disso, Fanfarrão… Ops, Ferreira!
E no festival de obviedades do Ferreira, ele disse ao repórter Wagner Mendes, da rádio Difusora. “Dentro de campo [o time] faz um papelão horrível, triste”. Só agora o treinador enxergou isso?
Nem bem começou o jogo em Senhor do Bonfim e o Ipitanga já mete 1×0 no Itabuna. O artilheiro Sassá aproveitou cruzamento de William e abriu o placar. Neste momento, o time sul-baiano é o último colocado no Torneio da Morte, que reúne as quatro piores equipes do Baianão 2010 e apontará os dois rebaixados à Segundona.
Prevalece grande dúvida entre os ocupantes de cargos de confiança na Prefeitura de Itabuna. É que até hoje secretários e o pessoal dos escalões inferiores não sabem direito quem Azevedo irá apoiar para deputado federal e estadual. Nem mesmo para governador!
Para a Assembleia, por exemplo, há gente na Prefeitura apoiando pré-candidatos de todos os quadrantes – do Coronel Santana (PTN) a Wenceslau Júnior (PCdoB) – sem restrições.
O prefeito, por sua vez, jamais negou seu apoio a ninguém e na última sexta-feira (19) só faltou trocar alianças com o tucano Solon Pinheiro, que vai tentar uma vaga de deputado estadual.
Resta saber o que significam de fato esses apoios do capitão, se nenhum membro da sua equipe recebeu o menor sinal do caminho a seguir. Claro que tem gente gostando da liberdade, mas é duvidoso se ela irá durar muito.
Denúncia levada a público em um programa da rádio Jacarandá, de Eunápolis, aponta um esquemão no Hospital Regional daquele muncípio do extremo-sul.
A informação: pacientes recebidos em uma clínica particular que funciona junto ao hospital público estão sendo atendidos e até submetidos a cirurgias neste último.
O apresentador do programa Boca de Brasa, da rádio Jacarandá, afirma existir uma porta entre a clínica e o hospital, por onde os pacientes são “contrabandeados”. Eles aceitariam participar do esquema mediante o pagamento de valores reduzidos pelos procedimentos, como cesarianas.
“O detalhe é que esses pacientes pagam para ser operados no centro cirúrgico do hospital público”, frisa o médico Fernando Corrêlo, de Eunápolis, que publicou a denúncia em seu blog.
Corrêlo também acusa as autoridades locais da área de saúde de conhecer o esquema, mas fazer vista grossa.
Gagliano é acusado de matar Gilberto Andrade

O pastor Giovanni Lopes Gagliano, ex-viceprefeito do município de Aurelino Leal, no sul do estado, acusado de ter mandado matar o prefeito Gilberto Ramos Andrade, no dia 5 de maio de 2007, para assumir o mandato, vai a júri popular.
A decisão é do juiz Antonio Carlos Betacco, substituto da Comarca de Aurelino Leal, que julgou procedente a denúncia do Ministério Público (MP-BA) e decretou a sentença de pronúncia.
Além dele, três outros implicados têm sentenças idênticas. Informa a coluna Tempo Presente, do Jornal A Tarde, que o envolvimento de Giovanni Gagliano no assassinato de Gilberto causou perplexidade na região. Gagliano era integrante do Comando Vermelho, tornou-se um pastor evangélico respeitado e querido, “do tipo que dava conselhos pessoais”.
Na denúncia do MP consta que o ex-prefeito José Augusto Neto, outro acusado, quando tramava o crime, apresentou um cidadão a Gagliano como ‘um homem de Deus, mas já matou uns dez’. Informações do Bahia Notícias.

O governador Jaques Wagner estuda lançar, na próxima sexta, 26, um programa de incentivos para que algumas categorias, como taxistas e donos de carros de som e de transporte escolar, tenham acesso ao gás natural veicular (GNV).
Avalia-se subsidiar os custos para a conversão a gás natural veicular (GNV), que estará disponível em pelo menos um posto de Itabuna, o Universal, já a partir da próxima sexta. A possibilidade foi antecipada pelo presidente da Bahiagás, Davidson Magalhães, em entrevista exclusiva concedida ao Pimenta na Muqueca.
No mesmo dia, Wagner recebe o presidente Lula, para inaugurar a base do Gasoduto de Integração Sudeste-Nordeste (Gasene) em Itabuna. Davidson afirma que o GNV é 40% mais barato do que os outros combustíveis. O incentivo na conversão seria fundamental para que categorias que fazem de veículo meio de sustento tenham acesso ao gás natural como combustível.
A entrevista foi concedida durante visita do presidente da Bahiagás a Itabuna, na semana passada, quando reuniu prefeitos sul-baianos para apresentar as vantagens competitivas do gás natural para a região. “É uma mudança de paradigma”, assinala. Comunista, Davidson Magalhães também fala da nova engrenagem política baiana.
Confira a íntegra da entrevista clicando aqui.
Amigos de Regiane Vitório fizeram uma passeata no centro de Ilhéus, neste sábado, pedindo paz no trânsito. Na madrugada do domingo, 14, a estudante foi vítima de um “pega” na avenida Lomanto Júnior, Pontal, quando saía de uma festa de formatura no restaurante Boca du Mar.
Regiane morreu e outras seis pessoas ficaram feridas na colisão do Gol que ela dirigia e uma picape GM Montana, pilotada por Adriano Barreto, que fazia “pega”.






















