A empresa teria cometido o crime para fugir da responsabilidade por um acidente na rodovia Ilhéus – Itabuna. Quatro jovens perderam a vida.

Um acidente que chocou a população de Itabuna, pela brutalidade com que tirou a vida de quatro belas jovens, todas com idades entre 23 e 25 anos, tem agora uma reviravolta. A nova perícia realizada no trecho da BR-415 onde o Ford Fiesta, dirigido por Pryscila Gama Antunes, colidiu com um ônibus da Águia Branca, aponta: a responsabilidade exclusiva pelo acidente foi do veículo da empresa.
O laudo sobre a colisão, ocorrida a 5 de janeiro de 2008, destoa do que foi produzido anteriormente, pelos peritos Paulo Roberto Libório Teixeira Viana e Robson Lincoln Farias Nunes, que apontava culpa da motorista do Fiesta.
Priscyla e Tatiana Berbert Pitanga Franco, que viajavam na frente, morreram no local da batida. Larissa Prates Alpoim Andrade e Elis Maiane Santos Santana iam atrás e chegaram a resistir por alguns dias no hospital. Todas faleceram, vítimas de politraumatismo.
As meninas vinham de uma festa numa fazenda às margens da rodovia e, em função disso, logo se disseminou a versão mais fácil de acreditar: a de que elas estariam de porre. É isso que sugere o primeiro laudo, ao mencionar inclusive uma testemunha que afirma ter gritado para alertar a motorista de que ela estaria na contramão. O segundo laudo não indica que isso tenha ocorrido.
A versão de que a motorista bebeu não foi confirmada. A segunda perícia analisou as imagens brutas da festa em que Pryscila se encontrava e, em nenhum momento, a jovem aparece consumindo bebida alcoólica. Familiares e amigos dizem que ela estava com a garganta inflamada. Para completar, não foi realizado teste que comprovasse a ingestão de álcool.
PERITOS SOB SUSPEITA

São extremamente graves as suspeitas contra os peritos, levantadas pela investigação conduzida pelo delegado especial Luciano Patrício. Segundo relatório, eles já teriam prestado serviços particulares à Águia Branca. A quebra do sigilo telefônico de Libório também detectou que ele, nos dias 12 de fevereiro e 13 de março de 2008, conversou diversas vezes com um preposto da empresa, Luciano Magno Vivas Martins.
Libório e Robson Lincoln haviam sido absolvidos em processo administrativo que apurou supostas irregularidades na perícia do acidente. Com as novas informações surgidas, o procedimento contra eles foi reinstaurado. O delegado Luciano Patrício está convencido de que os dois peritos cometeram os delitos de corrupção passiva e prevaricação e, portanto, serão alvo de inquérito também na esfera criminal.
Irmão de Larissa, o advogado Marcos Alpoim afirma que o novo laudo restaura a imagem a dignidade das vítimas. “Além de perderem a vida, elas também ficaram com a fama de irresponsáveis, inconsequentes, beberronas e isso é um desrespeito grave, um absurdo contra o qual jamais nos conformamos”, afirma.
Alpoim critica a postura da Águia Branca, que chegou a mover ação de indenização contra os pais de Pryscila, exigindo R$ 5 mil como reparação pelos danos causados ao ônibus. De acordo com a investigação do delegado Luciano Patrício, a empresa fundamentou a ação cível utilizando termos idênticos ao laudo de Lincoln e Libório.
Detalhe: o laudo saiu após a ação ter sido protocolada, o que, na opinião do delegado, confirma a estreita relação entre a empresa e os peritos.





















