Guerra no Oriente Médio e clima na África elevam valor do cacau || Foto Helene Santos/GovCE
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Nesta segunda-feira (11), na Bolsa de Nova York, a tonelada da amêndoa de cacau foi negociada a 4.675 dólares, o equivalente a R$ 22.953,32 na cotação atual. O valor é 10,21% maior que o de sexta-feira (8). Já nas praças do sul da Bahia, a arroba fechou o dia a R$ 250, um aumento de 8,7%, conforme levantamento do PIMENTA.

São os maiores valores do produto nos últimos três meses. De acordo com o jornalista Claudemir Zafalon, do site Mercado do Cacau, a elevação se deve ao aumento das tensões no Oriente Médio, onde a República Islâmica do Irã resiste às agressões militares e diplomáticas dos Estados Unidos da América (EUA) e do Estado confessional de Israel.

As incertezas sobre o clima nos países africanos produtores de cacau também pressionam o preço da commodity, segundo o analista:

– Além do fator geopolítico, persistem preocupações com o clima na África Ocidental. As chuvas seguem irregulares em importantes regiões produtoras da Costa do Marfim e de Gana, enquanto o mercado monitora com atenção o risco de retorno do fenômeno El Niño nos próximos meses. A combinação entre instabilidade climática e custos crescentes de produção mantém elevada a percepção de risco para a oferta global de cacau.

Preço do cacau registra nova alta || Foto Agência Brasil
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O cacau teve semana de valorização dentro e fora do Brasil. Depois de um período com o preço na casa dos R$ 600,00 a arroba, o produto fechou a semana com valorização de 20%.

Nas praças do sul da Bahia, a arroba estava sendo comercializada a R$ 600,00 no último dia 7. Já na última sexta-feira (11) saltou para R$ 720,00, conforme cruzamento de dados feitos pelo PIMENTA.

Para o produtor, a valorização rende um “extra” de 480,00 por saca na comparação de preços nas datas 7 e 11 de outubro.

Valorização também na Bolsa de Nova Iorque, nos Estados Unidos, onde o produto registrou quatro altas consecutivas. A tonelada era comercializada a US$ 7.529,00 na quinta. Um dia depois, nova valorização, a US$ 7.806,00 para contratos para dezembro.

Apesar da alta interna e na Bolsa de Nova Iorque, a tendência é de queda mais à frente, com a previsão de safra com maior oferta no mercado internacional, principalmente entre os líderes na produção da amêndoa.

Escassez de cacau no mundo eleva preços internacionais || Foto Helene Santos/GovCE
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A bolsa de Nova Iorque registrou a maior cotação da tonelada de cacau em mais de uma década. Na última quarta-feira (19), a tonelada estava cotada a US$ 3.433,00 para os contratos futuros de setembro, o que representa um aumento de 0,76%, informa o Canal Rural. É o maior patamar de preço da amêndoa em 12 anos. Na sexta (21), fechou a US$ 3.415,00.

De acordo com a publicação do agronegócio, a escassez na oferta de cacau, com déficit na safra em todo o mundo por três períodos consecutivos, levou ao aumento do preço do produto no mercado internacional. A tendência, reforça, é de que a oferta seja menor que a demanda até o próximo ano.

Para se ter ideia, há um ano, a tonelada estava cotada a US$ 2.192,00. Internamente, a arroba do produto é vendida, na média, a R$ 240,00 nas praças do sul da Bahia. Há duas semanas, o jornalista e cronista Walmir Rosário chamava a atenção para a disparada no preço da amêndoa do produto (relembre aqui).

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rosivaldo-pinheiroRosivaldo Pinheiro | rpmvida@yahoo.com.br

 

Entramos no ano 2000 com a energia da luta, buscamos diversificar a produção agrícola, implantar serviços de educação, melhorar a prestação dos serviços de saúde, começamos a investir em indústrias de pequeno porte e outras iniciativas.

 

Vivemos numa região que possui um dos biomas mais importantes do Brasil, a mata atlântica – muito rica em fauna e flora. Essa conservação só foi possível devido ao sistema de produção cabruca, que consiste em consorciar exploração econômica e conservação ambiental.

A produção do cacau permitiu reconhecimento social e poder político-econômico para os produtores do fruto. Se cacau era sinônimo de dinheiro, proprietário rural nessa região ganhava destaque social em qualquer lugar do país e até internacionalmente. As obras de Jorge Amado trazem esse retrato histórico.

A quebra da bolsa de Nova Iorque, em 1929, afetou o comércio mundial e estabeleceu dificuldades na nossa economia até o final da década de 1950. Nesse período, após uma intensa luta junto aos poderes da República, a região viu nascer a Ceplac, em 1957, e recebeu uma atenção diferenciada a partir de 1961, quando foi implantada a taxa de retenção de exportação do cacau que formou o orçamento da Ceplac, o que permitiu que a instituição implantasse a extensão rural e investisse no escoamento da produção. A taxa era de 15% sobre a amêndoa e 5% sobre os derivados de cacau.

Em 1970, o cacau representou 60% da arrecadação estadual. Financiou, inclusive, a folha de pagamento do estado da Bahia e fomentou a construção do Centro Industrial de Aratu e do Polo Petroquímico de Camaçari. A partir de 1972, a taxa de retenção foi unificada em 10% – tanto amêndoas como derivados. Em 1980, uma série de fatores influenciaram negativamente na cadeia produtiva do cacau: perdemos importância na pauta de arrecadação do estado frente aos produtos de alta tecnologia produzidos no Polo Petroquímico de Camaçari, o fortalecimento da concorrência dos países africanos e nosso peso na pauta de exportação brasileira foi reduzido.

Todos esses acontecimentos propiciaram ao governo brasileiro cortar a taxa de retenção. Além disso, tivemos uma superprodução de cacau na safra 1984/1985, forçando ainda mais a queda dos preços e empurrando os produtores de cacau para a crise. Como se não bastasse tudo isso, em 1989 surgia em Uruçuca um fungo capaz de dizimar a lavoura, a vassoura-de-bruxa. Diante daquelas circunstâncias, e após muitas cobranças e críticas por parte da comunidade da região sul, o governo estadual, em resposta, criou o Instituto Biofábrica de Cacau em 1997. O IBC nasceu com o objetivo de produzir mudas melhoradas geneticamente e servir de estrutura de apoio permanente à lavoura.

Chegamos a 1990, década em que a região cacaueira conheceu a sua maior queda econômica: mergulhamos num estado de penúria, o que gerou o quase abandono das propriedades por parte dos fazendeiros e demissão em massa dos trabalhadores rurais. Estima-se que mais de 250 mil trabalhadores trocaram o campo pelas cidades. Um grande contingente de homens, mulheres e crianças chegaram sem perspectivas às cidades, buscando sobreviver àquele estado de caos social. As cidades não estavam preparadas, principalmente Itabuna, Ilhéus e Porto Seguro: saúde, educação, segurança, mobilidade e urbanização foram afetados.

Não existia capacidade de atendimento do fluxo, nem capacidade financeira para prover ações de acolhimento para essas pessoas. Esse contingente humano ficou à margem e teve que se estabelecer nas periferias das cidades. Entramos no ano 2000 com a energia da luta, buscamos diversificar a produção agrícola, implantar serviços de educação, melhorar a prestação dos serviços de saúde, começamos a investir em indústrias de pequeno porte e outras iniciativas.

Nos últimos anos, uma articulação dos governos estadual e federal trouxe a esperança de entrarmos num novo ciclo econômico. A construção da barragem do Rio Colônia, um novo hospital regional, prestes a ser inaugurado, a Ferrovia Oeste-Leste, que está parada com quase 70% concluída, o Porto Sul – ainda travado por questões burocráticas, um novo aeroporto, que está para ter obras iniciadas, uma universidade federal já em funcionamento e a duplicação da rodovia Ilhéus-Itabuna, cuja ordem de serviço será assinada na próxima segunda-feira pelo governador Rui Costa, um sonho que a região espera há quase 50 anos. O governo Rui vem se esforçando e realizando as obras que estavam na expectativa da região.

Como tudo na vida, a crise, apesar de negativa, também deixou legados importantes: uma região mais forte para enfrentar as turbulências, a estadualização da UESC – sem a crise econômica o estado não absorveria a instituição no seu orçamento, e o acesso à terra, algo antes difícil e que trouxe à tona o movimento da agricultura familiar nessa região. A produção de chocolate surge como um novo pensar, fruto da chegada de novos agricultores para a cadeia do cacau, o incremento de novos modos de produção e beneficiamento do cacau, e o uso de tecnologias através do melhoramento genético fazem parte dessa mudança.

Precisamos estruturar novas lutas: ampliar e melhorar a nossa representação política em nível estadual e federal, fortalecer a Ceplac, fazer o governo do estado dotar a Biofábrica de condições financeiras para a manutenção do seu quadro técnico e do cumprimento do seu papel de fortalecimento da agropecuária do Sul e Extremo Sul da Bahia. Um novo ciclo está por vir, dele, depende a nossa energia e luta. Nossa região irá se superar e os seus filhos vencerão o dilema identificado pelo saudoso professor Selem Rachid: “a pobre região rica”. Avante!

Rosivaldo Pinheiro é economista e especialista em Planejamento de Cidades pela Uesc.

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A cotação do cacau na Bolsa de Nova Iorque registra queda de US$ 78,00 a tonelada, após repentina alta nos dias anteriores, motivada por conflitos étnicos armados na Costa do Marfim, e pelo clima ainda quente e seco na África Ocidental.
De acordo com o Mercado do Cacau, contratos futuros estavam sendo fechados ontem a US$ 2.400,00 a tonelada de cacau, quando registrou alta de até US$ 122,00. Os volumes negociados somaram 26.217 contratos em Londres e mais de 30.000 em Nova Iorque, conforme a TH Consultoria. Na região, a arroba de cacau está sendo cotada a apenas R$ 65,00. Leia mais no Mercado do Cacau.