Seu Roberto Mariano faleceu nesta quarta-feira (26)
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Itabuna perdeu, nesta quarta-feira (26), o empresário Roberto Mariano, que por mais de 50 anos esteve à frente do Café Pomar, na esquina da Avenida do Cinquentenário com a Rua Osvaldo Cruz, no centro da cidade. Seu Roberto transformou o estabelecimento em ponto de encontro de empresários, políticos, artistas, jornalistas, pessoas da elite, comuns e trabalhadores. Ele foi a “cara” do estabelecimento por mais de cinco décadas.

Seu Roberto faleceu aos 87 anos. O negócio foi fundado pelo comerciante Bartolomeu Mariano, pai de Roberto, em 1943, época em que Itabuna era um pequeno município em desenvolvimento. Seu Roberto Mariano deixa esposa e quatro filhos.

O corpo de Roberto Mariano está sendo velado no SAF, na Rua Juca Leão. O sepultamento está previsto para as 8h30min desta quinta-feira (27), no Cemitério do Campo Santo, em Itabuna.

Políticos de diferentes correntes, comerciantes, amigos antigos e empresários lamentaram o falecimento de seu Roberto Mariano. Dentre as pessoas, que durante anos frequentaram o estabelecimento de seu Roberto Mariano, estão o ex-vereador Luís Sena, o comerciante Marco Wense e o jornalista Ederivaldo Benedito.

NOTA DE PESAR

O prefeito de Itabuna, Augusto Castro, divulgou nota lamentando o falecimento e se solidarizando com os familiares do comerciante. “Com sentimento de tristeza e consternação, soube do falecimento do empresário Roberto Mariano, ocorrido no início da tarde desta quarta-feira, dia 26. Neste momento de grande dor pela sua passagem, aos 87 anos, peço a Deus que conforte sua esposa, quatro filhas e netos, e receba sua bondosa alma em Glória”, afirmou.

Augusto destacou que o Café Pomar foi fundado pelo pai de seu Roberto, Bartolomeu Mariano, em outubro de 1943. “Ao lado dos irmãos, Seu Roberto Mariano, dedicou mais de parte de sua vida ao empreendimento, que sempre foi referência em serviço, atendimento e qualidade no centro da cidade”. Ele deixou a administração do negócio em 2010, quando o estabelecimento foi fechado. Reabriu tempos depois sob nova direção.

Ronald Kalid visita o Senadinho no Café Pomar
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“A cada convidado ou cliente que chega, o cardápio é a política nacional, estadual e municipal, esta em alto escala. Alguns deles se apresentam como candidatos a candidato ao Executivo ou Legislativo e mostram uma prévia do plano de governo”.

Walmir Rosário

Confesso que me divirto bastante com os meandros da política de Itabuna. Diferente de outras cidades, ela é viva, presente nas esquinas, nos café, bares, becos, escritórios, repartições públicas, enfim, em todos os locais onde se juntam eleitores e pré-candidatos. Nesses locais são discutidos desde as ruas esburacadas, as constantes falta de água, o cumprimento ou não das promessas dos prefeitos e o comportamento dos vereadores.

Um desses lugares é o tradicional Café Pomar, por anos a fio sob o comando da família Mariano, que se aposentou, embora os clientes continuam fiéis aos novos proprietários. À disposição dos clientes, um chá mate especial, doces, salgados e um cafezinho de fazer inveja aos concorrentes. Não só pela qualidade do pó, da água, do modus operandi, ou de quem gentilmente o serve, e sim por uma turma que o bebe pela manhã e à tarde.

Na verdade, alguns deles nem mesmo têm o hábito de tomar café, e sim encontrar seus pares da tradicional conversa política. Não é de hoje que o Café Pomar é conhecido como o “Senadinho”. Esse nome foi dado há décadas, quando ainda a Câmara de Vereadores era localizada no centro da cidade (praças Olinto Leone e José Bastos) e frequentado por alguns vereadores e outros políticos.

Pelas minha lembranças, um outro bar e lanchonete era o local preferido do políticos: o Avenida, de Olímpio, ponto de encontro de prefeitos, vereadores, cacauicultores, profissionais liberais e quem mais gostasse de política e futebol. O prefeito José de Almeida Alcântara era um frequentador habitué e passava pelo Avenida várias vezes por dia, nem que seja para cumprimentar os amigos.

E José de Almeida Alcântara sempre foi um político nato, populista como só ele sabia ser para ganhar as eleições de prefeito ou deputado. Pois um dia Alcântara se encontrava engraxando os sapatos em frente ao Avenida, rodeado por amigos e correligionários, quando um popular se apresentou e pediu uma ajuda financeira. Imediatamente, Alcântara mostrou os bolsos vazios e disse que a única coisa que tinha eram os sapatos.

O popular retrucou que estava precisando e o político os tira dos seus pés, entrega ao pedinte, e vai embora calçado em meias brancas. Pois bem, Alcântara morreu em seu segundo mandato, mas elegeu seu parente Fernando Cordier. Ainda hoje é lembrado pelos antigos eleitores e colaboradores, um deles, seu chefe de Gabinete, Paulo Lima, ou Paulo Índio, jornalista, grande tribuno e um dos líderes das conversas políticas do Café Pomar.

Todos os dias, os jornalistas Paulo Lima e Joselito Reis, entre outros confrades, recebem no Senadinho candidatos a candidatos de todos os matizes para conversas sobre Itabuna e as influências políticas. Por ser um local eminentemente democrático, a frequência muda constantemente, que até temos que lembrar a frase da “raposa política” Magalhães Pinto: “A política é como as nuvens; você olha, está de um jeito. Olha de novo e já mudou”.

A cada convidado ou cliente que chega, o cardápio é a política nacional, estadual e municipal, esta em alto escala. Alguns deles se apresentam como candidatos a candidato ao Executivo ou Legislativo e mostram uma prévia do plano de governo. Encerrado o expediente, uma foto é feita num celular e imediatamente distribuída pelas redes sociais, dando visibilidade ao pretenso futuro prefeito ou vereador.

Um dia desse recebi a foto com uma pequena nota com a presença do empresário, cacauicultor e arquiteto Ronald Kalid, o médico Ronaldo Neto, o ex-prefeito de Barro Preto Sérgio Costa, o aposentado José Verdinho, o advogado Rui Correa, Paulo Lima, dentre outros. Me chamou a atenção Ronald Kalid, tido como o mais capaz secretário de Viação e Obras de Itabuna, um dos responsáveis pela modernização da cidade.

Em 1998, apesar dos esforços para ser o candidato do prefeito Ubaldo Dantas, Ronald declinou do convite, o que equivale a deixar passar o cavalo selado. Em outras eleições, encontrou dificuldades em homologar sua candidatura a prefeito pelo PSDB, partido que se perdeu no tempo e no espaço da política nacional, estadual e municipal. Em Itabuna, não conseguiu eleger um prefeito, só pouquíssimos vereadores.

Dentre as dificuldades encontradas por Ronald Kalid junto aos partidos, estava seu comportamento sisudo, sem a disposição de dialogar com eleitor por meio de artifícios como os tapinhas nas costas e as promessas feitas para não serem cumpridas. Ronald acreditava que o diálogo com o eleitor deveria ser diferente, baseadas na construção de plano de governo bem estruturado e com perfeitas condições de executá-lo.

E aí é que estava – e está – seu maior erro na velha e atual política de tirar vantagem em tudo, principalmente a econômica. Ainda consigo recordar as reclamações dos políticos do PSDB contra uma possível candidatura de Ronald Kalid a prefeito de Itabuna: “Ora, como é que vamos ganhar com um candidato que sequer cumprimenta um eleitor enquanto está caminhando no calçadão da Beira-Rio?”. O PSDB perdeu sem Ronald Kalid, que por sua vez não aceitou ser secretário de Obras de outro qualquer prefeito de Itabuna.

Acho muito simpático o modo do pessoal do Senadinho fazer política, que embora improdutiva, incentiva e promove candidatos a candidatos. E o motivo é somente um: hoje as candidaturas não são mais decididas em redutos como o Café Pomar, mas em Salvador e Brasília, nas reuniões sigilosas em gabinetes da Assembleia Legislativa, Congresso Nacional e sedes de Executivos. Mas a política do Senadinho jamais perderá seu charme.

Walmir Rosário é radialista, jornalista e advogado.

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Café Pomar é dos mais tradicionais e antigos pontos do comércio central (Foto Pimenta/Arquivo).
Café Pomar é dos mais tradicionais e antigos pontos do comércio central (Foto Pimenta/Arquivo).

A violência teve como alvo, ontem, um dos estabelecimentos mais tradicionais do comércio de Itabuna. Ponto de encontro de profissionais liberais e de quem busca boa prosa, o setentão Café Pomar, na Avenida do Cinquentenário, sofreu tentativa de assalto.
Era por volta das 19h30min quando um homem armado anunciou o assalto. Um dos funcionários do café reagiu. O assaltante empurrou a vítima e deu um tiro. Para sorte do comerciário, o disparo atingiu, de raspão, a sua coxa esquerda. Após os primeiros socorros, mostrou as marcas, como quem comemora o renascer.
O tiro ocorreu, segundo testemunhas, quando o funcionário esboçou reação. A tática do bandido no assalto seguiu a de muitos outros. De capacete na cabeça e armado, o bandido “se apresentou”.
Dona do empreendimento, Dalva Dantas disse ao PIMENTA que o bandido atirou quando viu que não obteria sucesso na empreitada.  “Ele empurrou [o funcionário] e atirou”, afirmou.
O Café Pomar fica bem na esquina do cruzamento entre a Rua Osvaldo Cruz e a Avenida do Cinquentenário. E a Osvaldo Cruz tem iluminação deficiente, praticamente uma rua às escuras – no que a bandidagem agradece.
Atualização às 11h – Conforme a Polícia Militar, o bandido ainda conseguiu levar R$ 50,00 do estabelecimento. O assaltante estava com um comparsa em uma moto Honda, vermelha, placa OKP 2175, roubada em 28 de dezembro passado.

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O Café Pomar reabre as portas nesta segunda-feira, 26, cedinho, cedinho. Há 67 anos, a casa do chá-mate, do Bombocado, do cafezinho faz parte da paisagem e da história de Itabuna. Os principais políticos e figuras da cidade passam ou passaram por lá.
Apesar de todo esse apelo histórico e de identidade grapiúna, a reabertura do café do Seu Mariano não consta da programação de aniversário de Itabuna.

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Coube a uma mineira de nascimento e baiana de coração resgatar um pedaço da história de Itabuna. A empresária Dalva Dantas conseguiu convencer a Família Mariano. Ela vai tocar o empreendimento que chegou aos 67 anos em 2010 e cerrou as portas no último dia 1º, o Café Pomar.

A notícia do fechamento no início do mês pegou Dalva de surpresa. E a comoveu. “O chá-mate, o bolinho de aipim, o bombocado, o cafezinho… Vamos manter essa tradição de mais de meio século”. Dalva diz que soube do fechamento do café ainda no dia 1º.
Estava ela no centro, em um supermercado, quando um amigo, “Seu Almir”, lamentava o fim do Café pelo qual passaram alguns dos principais nomes da cidade e do estado e sempre foi um lugar para manter a prosa em dia. “Seu Almir lamentava e dizia que, infelizmente, naquele dia havia bebido o último cafezinho no Pomar”.
Dalva conversou com a família Mariano e no dia 26 um dos pontos mais tradicionais do comércio central de Itabuna estará de volta. “O que vai mudar é o nosso toque feminino que chega”, diz, reforçando que o gostinho do bom café, do Bombocado e dos chás será o mesmo. Dona Vera, funcionária da casa, será convencida a lhe fazer companhia na empreitada. Acompanhe o papo-rápido com a mineirinha que se preocupa com a nossa história.
Negócio fechado?
Fechadíssimo. É oficial, agora.
O que muda no Café Pomar, “sob nova direção”?
Como mudar uma coisa que tinha um ser como Seu Mariano na direção? Temos que respeitar essa tradição, a história. A minha ideia é não modificar a estrutura do Café. Terá um toque feminino, com a característica de atendimento dele, do bom papo. Faremos uma reforminha para a abertura.
E as especialidades da casa?

O chá, o bolinho de aipim, o bombocado, tá tudo mantido. Vamos agregar também produtos da culinária mineira e portuguesa, além do delicioso pastel de Belém.
E Seu Mariano?
Ah, vai ser o nosso cliente especial.
O nome do negócio vai ser mantido?
Quer saber? Esse foi um presente de Seu Mariano pra gente. O Café Pomar continua. E os funcionários… Ainda não conversei com os funcionários. Tem Dona Vera, que está se aposentando. A prioridade é para elas.
O Café tem 67 anos de história. Foi essa tradição que a levou a assumir o negócio?

Olha, eu tenho o Café com Net, na Beira-Rio. Mas quanto ao Pomar, naquele dia (do fechamento), ouvi de Seu Almir, que tem um mercadinho aqui no centro: “Hoje eu tomei o último café na companhia de Seu Mariano”. Tava triste. Aí eu perguntei a ele se iam mesmo fechar o ponto. “Sim”, respondeu. Aquilo causou tristeza, sabe? Lá em Minas, na nossa família, há muito essa coisa de preservar a história. Isso vem de família, do meu pai. Vim, conversei… Minha alegria maior será levar essa tradição adiante.
E agora, quando é que sai aquele chá mate, geladinho?
Dia 26 de julho. Veja que maravilha: na semana de aniversário da cidade, história preservada, tradição mantida. Agora, deixa eu passar o telefone para o Sena, ele tá pedindo.
[O Sena citado por Dalva é o ex-vereador Luís Sena, que no dia 1º foi um dos últimos a sair do Café Pomar, lamentando o fechamento. Nesta segunda, o cururu estava numa alegria só. Alegria mais do que justificada: além da preocupação com a história, ele voltará a ter seu espaço para tomar o chá e até o cafezinho quando Sra. Sena estiver, digamos, indisposta para preparar a primeira refeição do dia…].

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Café passa por reforma e reabre dia 26 (Foto Pimenta).


O gostinho do bom café, do chá mate com limão geladinho e do bolinho Bombocado, e a boa prosa em Itabuna serão preservados.
A família Mariano aceitou a proposta da empresária Dalva Dantas e o Café Pomar será reaberto no próximo dia 26. O café é o mais antigo da cidade.
Ela confirmou há pouco a negociação, numa prova de que nem tudo em Itabuna está perdido. O Pimenta conversou com Dalva. Um papo rápido, que publicaremos ainda hoje.

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PORTAS CERRADAS: Café Pomar fecha às vésperas do centenário de Itabuna (Foto Pimenta).

Foram 67 anos de história. Passava um pouco das 18 horas desta terça-feira, dia 30 de junho de 2010, quando o Café Pomar, um dos estabelecimentos comerciais mais emblemáticos de Itabuna, fechou as portas. Pela última vez.

O café foi inaugurado em 1943, pelo comerciante Bartolomeu Mariano, e desde 1959 é administrado por Roberto Mariano, filho de “Bartô”, como o fundador era conhecido. Ao longo de quase sete décadas, o local se tornou ponto de encontro de figuras como o saudoso jornalista Ariston Caldas, o sindicalista e ex-vereador Luís Sena, o músico Davi da Silva e muitos outros.

Sena e Davi relembram histórias no Café Pomar (Foto Pimenta).

Frequentadores habituais compareceram hoje ao café, para se despedir. Seu Mariano não assistiu ao fechamento, preferiu ficar longe, em Salvador. Entre a freguesia, lembranças e uma certa tristeza, mas sem perder o humor.

O velho músico Davi lamentava perder não somente o café e o mate gelado com limão, mas também outras peculiaridades do lugar. “Amigo, aqui se contava cada mentira que você nem pode imaginar… Vou sentir falta”, suspirava. Sena, no mesmo espírito, manifestava preocupação com o café-da-manhã dos maridos em conflito doméstico. “Onde é que esse pessoal vai tomar café quando brigar com a patroa?”, indagava, emendando que em Itabuna existem outros cafés, mas nenhum com “a alma” do Pomar.

O café de Seu Mariano se identifica com boa parte da história de Itabuna, o que torna dolorosa essa perda, principalmente no momento em que a cidade está às vésperas do centenário. Com o fechamento do Pomar, a cidade morre um pouco, fica um sentimento de perda, ausência e saudade de um tempo que também vai morrendo.

Rosilene atende clientes na despedida do café do Seu Mariano.

Rosilene Ferreira  Mariano, a neta de “Seu Bartô”, foi quem dirigiu o último ato do Café Pomar. Ao Pimenta, ela explicou que o negócio já não era viável, as despesas estavam maiores que as receitas.

Alguns acham que a tradição era o charme do estabelecimento. Outros acreditam que a empresa ficou velha e muitos dos fregueses antigos se foram, sem que tenha ocorrido renovação da clientela.

A neta do patriarca não escondia o lamento, ao sepultar uma parte significativa da história grapiúna. Mas, encarando a realidade em toda a sua dureza, disse-nos: “infelizmente, tradição não paga as contas”. E Itabuna, quando quitará a enorme dívida que acumula com a sua memória? Talvez nunca…