Luciano disputa o Oscar da produção de cacau || Foto Divulgação
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O cacauicultor Luciano Ramos de Lima, de Ilhéus, no sul da Bahia, é um dos três brasileiros na disputa pelo título do Cacau of Excellence. O vencedor será conhecido em 8 de fevereiro, em Amsterdã, na Holanda. Miriam Aparecida Federrici e Robson Brogni, do Pará, são os outros dois brasileiros que concorrem ao título de melhor cacau do mundo.

Luciano tem grandes chances de vencer, pois sua amêndoa, classificada como varietal BN 34 (considerada uma boa variedade para a produção de chocolate), já foi reconhecida como a segunda melhor do Brasil, na 4ª edição do Concurso Nacional de Qualidade de Cacau, em 2022. Esse prêmio lhe abriu as portas para a competição internacional. Ele é o único representante da Bahia, o estado que é sinônimo de cacau no Brasil.

O baiano cultiva o fruto na Fazenda São Sebastião, seguindo os padrões de excelência que fazem de Ilhéus um polo de produção de cacau de alta qualidade. “Estou muito feliz em participar da competição Cacao of Excellence, pois é o reconhecimento de todo o meu trabalho e dedicação ao cacau. É uma honra representar a Bahia e Ilhéus, a cidade que me ensinou a amar o fruto de ouro. Espero trazer o título de melhor cacau do mundo para o Brasil, e mostrar ao mundo a qualidade e a paixão do nosso fruto”, destaca o cacauicultor.

EXCELÊNCIA

O Cacau de Excelência é um prêmio internacional que reconhece os produtores de cacau de alta qualidade. Para participar, os produtores enviam suas amostras de amêndoas para serem avaliadas por um comitê técnico e um júri de especialistas em cacau e chocolate.

Amêndoas de cacau produzido na Fazenda São Sebastião, de Luciano Ramos de Lima

As amostras são processadas em licor e em chocolate amargo, seguindo uma receita padrão, e analisadas sensorialmente às cegas. As 50 melhores amostras são selecionadas para a final. O objetivo do prêmio é valorizar a diversidade e a qualidade do cacau, e educar os consumidores sobre a origem e o sabor do chocolate.

INOVAÇÃO

Lançado em dezembro de 2023, o Plano Inova Cacau 2030, uma estratégia do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa), da CocoaAction Brasil, iniciativa da Fundação Mundial do Cacau (WCF), com articulação da Secretaria da Agricultura, Pecuária, Irrigação, Pesca e Aquicultura da Bahia (Seagri).

O Plano traça metas estratégicas que visam não apenas aumentar a eficiência produtiva da cacauicultura brasileira, mas também aumentar a renda dos produtores. Com a ambição de superar a marca de 400 mil toneladas de amêndoas ao ano até 2030, o plano prioriza a promoção do uso sustentável dos recursos naturais nas regiões produtoras, utilizando tecnologias eficientes e de baixo impacto ambiental.

O secretário estadual da Agricultura, Wallison Tum, enfatizou a importância dos projetos para o setor: “Estamos comprometidos em contribuir para a produção de cacau de forma sustentável e inovadora, garantindo a preservação ambiental e o desenvolvimento econômico. Os planos lançados aqui hoje representam passos significativos para o futuro da agricultura na Bahia”.

O casal João e Veruza Tavares logo após o anúncio do prêmio internacional || Foto Pimenta
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Angélica Maria Tavares e seu filho, João Tavares, conquistaram medalhas de prata e ouro, respectivamente, no Cocoa of Excellence, concurso que reúne os 50 melhores produtores de cacau fino do mundo. O anúncio da premiação dos agricultores do sul da Bahia ocorreu nesta quinta-feira (16), em Paris, e foi exibido ao vivo no telão do Chocolat Festival Bahia, em Ilhéus.

Logo após o anúncio do prêmio, o PIMENTA conversou com João Tavares no Centro de Convenções Luís Eduardo Magalhães. Ele não escondeu a alegria ao comentar a opinião dos jurados do concurso sobre a sua amostra de cacau catongo, variedade brasileira caracterizada pelas amêndoas claras. “Ela coloca o Brasil, definitivamente, no mapa mundial do cacau de altíssima qualidade”, assegura o produtor.

Segundo João, o cacau catongo é muito apreciado pelos chocolateiros por ter notas doces de caramelo, sem perder os aromas florais. “É um material muito exótico, muito diferente”, acrescenta o responsável pela lavoura da Fazenda Leolinda, de Uruçuca.

A amostra premiada de Angélica Tavares é da variedade FL 89, produzida em Ilhéus, explica João. “É um material muito frutado”.

Para o produtor, o resultado do concurso evidencia o papel relevante do país no mercado internacional. “O Brasil está de parabéns, pois teve, também na categoria prata, o João Evangelista, que é um paraense. O Brasil teve três posições”, frisa.

João já havia sido premiado nas edições de 2010, 2011 e 2019 do Cocoa of Excellence. O concurso é uma das atrações do Salon du Chocolat de Paris, mas, neste ano, foi realizado depois do evento por causa da pandemia de covid-19.

EDIÇÃO 2021 DO CHOCOLAT FESTIVAL BAHIA COMEÇA HOJE

O empresário Marco Lessa, criador do Chocolat Festival || Foto Pimenta

O PIMENTA também ouviu o empresário e fabricante de chocolate Marco Lessa, o homem por trás das versões paraense, paulista e baiana do Chocolat Festival. A 12ª edição baiana começa hoje (16), às 18h30min, em Ilhéus. Para ele, o Cocoa of Excellence é uma espécie de “Copa do Mundo do Cacau”.

Marco Lessa explicou ao site o papel do evento na inserção do cacau e do chocolate brasileiros no mercado exterior. “O festival é importante porque você traz pesquisadores, produtores de chocolate, chocolatiers de outros países, de outros estados, pessoas envolvidas com esse mercado. Eles demonstram aos produtores que vale a pena investir em qualidade, em cacau fino, em cacau de origem. O mundo, cada vez mais, busca produtos que tenham alguns aspectos como a preservação ambiental, o sabor e a história por trás – tudo isso a nossa região tem, o sul da Bahia tem”.

Clique aqui e confira a programação completa do festival.