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Pelo menos quatro homens armados, à paisana, encontram-se no plenário da Câmara de Vereadores de Itabuna, onde neste momento oito membros da casa participam da sessão que pode eleger a nova mesa diretora. A informação é de que a equipe destacada para assegurar a realização da sessão é formada por policiais militares.
A reunião conta com a presença dos vereadores Wenceslau Júnior (PCdoB), Claudevane Leite (PT), Milton Cerqueira (DEM), Didi do INSS (PDT), Rose Castro (PSDB), Gerson Nascimento (PV), Ricardo Bacelar (PSB) e Ruy Machado (PRP).
Ao chegar ao local, os vereadores encontraram a porta do plenário trancada e foi necessário acionar um chaveiro para abrir a porta. O presidente da Câmara, Clóvis Loiola (PPS), agora aliado do vereador Roberto de Souza (PR), fez de tudo para impedir a sessão.

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Os sete vereadores que apoiam a eleição de Ruy Machado (PRP) para a presidência da Câmara de Itabuna, incluindo o próprio, tentarão realizar a votação da Mesa Diretora na tarde desta terça-feira, 30, independentemente do ofício assinado pelo presidente Clóvis Loiola (PPS), “desconvocando” a sessão.
Um vereador do grupo ligado a Machado assegurou na manhã de hoje ao PIMENTA que a sessão está confirmada. Segundo ele, o protocolo do requerimento de inscrição da chapa na Secretaria Parlamentar foi suficiente para garantir a votação. “No Regimento Interno da Câmara, não existe esse negócio de desconvocação”, pilheriou o vereador, que pediu para ter seu nome mantido em sigilo.
A tal “desconvocação” foi determinada por Loiola, atendendo solicitação do vereador Roberto de Souza (PR). Este afirmou que seu nome foi incluído na chapa de Ruy Machado sem autorização, enquanto os “machadistas” alegam que Souza se indignou porque exigia continuar na primeira-secretaria.
Como a sessão desta terça-feira promete transcorrer num clima pouco amistoso, a polícia militar foi acionada para manter os embates dentro de relativa ordem. Não será fácil.

Nota da "desconvocação": assinatura de Loiola e timbre do gabinete de Roberto de Souza
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“Psiu!” é interjeição que invoca silêncio e também o nome de um bar situado à margem da BA-001, trecho Ilhéus-Canavieiras. É neste local de nome sugestivo, por remeter a discrições e segredos, que estão reunidos seis vereadores e outros dois interessados na formação da próxima mesa diretora da Câmara de Vereadores de Itabuna.
Chegaram primeiro os vereadores Milton Cerqueira, Ruy Machado e Claudevane Leite, além do secretário da Administração de Itabuna, Gilson Nascimento, o sargento. Em seguida, apareceram os vereadores Wenceslau Júnior, Ricardo Bacelar, Didi do INSS e o ex-diretor da Biofábrica, Moacir Smith Lima, o “xerife”, que deverá ser o novo diretor administrativo da Câmara, se Machado for eleito presidente.
A conversa, como não poderia deixar de ser, se dá à chamada boca pequena. Mas um mosquitinho de ouvido afiado nos revelou que, no momento, o assunto é o adiamento, sine die, da eleição da nova mesa, que aconteceria nesta terça-feira, 30.
O grupo tem o comprovante de que a chapa foi protocolada na Secretaria Parlamentar e acha que não tem como mudar a data. Com um sargento e um xerife à mesa, o espírito é de partir para o ataque.

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Levi Vasconcelos (coluna Tempo Presente / A Tarde):
Em 2006, as pesquisas induziram todos a achar que Paulo Souto, então governador, ganharia as eleições e não ganhou. Agora, quando começa a fase decisiva do processo eleitoral com a entrada em cena da propaganda no rádio e na televisão, as pesquisas mostram Jaques Wagner em primeiro, Paulo Souto em segundo e Geddel em terceiro.
Como em 2006, não quer dizer que vá acabar assim. Tão rigorosa na pretensão de estabelecer um tratamento isonômico para todos os concorrentes, a lei eleitoral dá tratamento privilegiado a governantes que postulam a reeleição ao permitir-lhes a permanência no cargo com direito a farta publicidade institucional, enquanto os outros nada podem. Era daí que Paulo Souto sustentava altos índices nas pesquisas e é daí que Wagner ostenta a vantagem até agora.
Mas convém ressalvar: as semelhanças entre os dois cenários acabam aí.
Em 2006, Souto deitou em berço esplêndido.
Embalados pelo clima de ‘já ganhou’, os aliados dele cruzaram os braços, enquanto Wagner arregaçou as mangas e conquistou os votos que estavam ‘soltos’. Agora, é diferente.
A derrota de 2006 e a morte de ACM aniquilaram o carlismo. As lideranças interioranas migraram para Wagner e Geddel.
Temos hoje um Wagner favorito, mas em campo com os seus aliados puxados pelo PT disputando voto a voto. Um Paulo Souto esvaziado, só com o recall de ter sido governador, caindo nas pesquisas, e um Geddel com musculatura (de aliados) subindo devagar, mas sempre subindo.
A tendência é de uma disputa aguerrida (nas ruas e na tela). Dificilmente o quadro que as pesquisas ditam hoje ficará como está.

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O técnico agrícola Moacir Smith Lima deixou a direção do Instituto Biofábrica de Cacau da forma como entrou: por vontade política. Nada a estranhar, uma vez que, apesar de ser uma Organização Social Sem Fins Lucrativos – empresa de direito privado –, a Biofábrica sempre teve, sem exceções, sua diretoria constituída dessa forma, por indicação política.

“O que ficou feio foi a forma. O secretário Roberto Muniz obrigou o conselho a pedir minha cabeça e aceitar o nome que ele queria”, afirma o ex-diretor. Moacir conversou hoje com o Pimenta, e revelou os bastidores da sua queda. Falou de como a Seagri reteve milhões de reais enquanto mais de 200 famílias passavam necessidade, com salários atrasados e o quanto o governador Jaques Wagner tem de responsabilidade em todo processo.

“Ele tem 100% de responsabilidade. Ele é o governador, tem obrigação de saber o que se passa nas secretarias. E eu alertei várias vezes a Seagri para o grande prejuízo social e político que ela estava causando à população e ao governo com sua política da inanição”. Confira a seguir os principais trechos da entrevista que ele concedeu ao Pimenta.

Vamos começar pelo fim: como se deu a reunião do secretário Roberto Muniz, conselheiros administrativos e o senhor, aqui em Itabuna, na terça-feira, 15 de setembro, em que ele veio pedir sua cabeça ao Conselho Administrativo?

Foi uma coisa constrangedora. Veja que o secretário chegou ao ponto de dizer aos conselheiros que ou eles me tiravam da direção e aprovavam outro nome, ou ele deixaria a Biofábrica de mão e eles, os conselheiros, que se virassem para descascar o abacaxi.

E então, o que fizeram os conselheiros?

Nesse dia, nada. Mas depois foram chamados a Salvador, para um reunião sem minha presença. Lá foram coagidos a me tirar da direção, e a aprovar o nome que a secretaria indicou. Quero deixar claro que nada tenho contra o novo diretor, que, inclusive, foi muito cortês no período de transição.

Mas nesse caso, a cortesia não deveria ter sido sua, uma vez que é quem estava de posse de documentos, que seriam passados a ele?

É, sim. Mas repare que esse processo foi sumário. Assim que o conselho aprovou o novo nome, em Salvador, o secretário exigiu a publicação imediata de minha exoneração. E Henrique me disse que eu poderia fazer a transição com calma, não precisava evacuar o local assim, às pressas. Achei que foi cortesia da parte dele.

“Se me alinhasse, talvez não estivesse recebendo o reconhecimento dele, de que sou probo, honesto.”

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Voltando à reunião do dia 15, que o senhor diz que foi constrangedora. O que aconteceu ali?

Para começar, o doutor Roberto Muniz disse que eu era um homem probo, honesto, que era apaixonado pelo que faço. Em seguida, soltou: ‘mas Moacir, você, por outro lado, é uma roda quadrada, que não se alinha’. Para ele, se eu me alinhasse, seria possível minha permanência. Eu respondi que, se me alinhasse, como ele queria, talvez não estivesse ali, naquela reunião, recebendo o reconhecimento dele, de que sou um homem probo, honesto.

E os conselheiros, o que o senhor acha da postura deles?

O que eles poderiam fazer? Ficar com o abacaxi? Apenas não achei correta a ida deles para Salvador, atendendo a um pedido do secretário. Acho que eles poderiam dizer: ‘escolha o nome, que aprovamos’. Mas ir lá, em reunião a portas trancadas, ficou estranho.

Mas o senhor nos disse, antes dessa entrevista, que essa situação foi antecedida por uma ação deliberada do secretário para inviabilizar sua gestão.

A Biofábrica trabalha com base em um contrato de gestão com o governo do estado, através da Seagri. Basicamente, o governo, através da Seagri, paga um valor para que a Biofábrica forneça mudas para as políticas públicas do governo na área da agricultura. Na época do ex-secretário Geraldo Simões, enfrentamos dificuldades, por conta do fim do primeiro contrato e da demora da Procuradoria Geral do Estado em analisar o novo.

Nesse meio tempo, antes que fosse aprovado ao menos um contrato de emergência, a Biofábrica sustentou a produção de mudas para o governo com seus próprios recursos, no valor de R$ 605.600,00. Entramos com pedido de indenização, e a PGE nos deu parecer favorável. Quando começamos a receber as verbas, a título de indenização, houve a troca de secretários. Geraldo deixou tudo lá, empenhado, mas esse dinheiro não chegou. Pelo menos não chegou da forma que deveria.

“A intenção de Muniz era inviabilizar

a Biofábrica para forçar a minha saída”.

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Não chegou por que?

Porque a intenção era inviabilizar a Biofábrica para forçar a minha saída. Começou uma espécie de auditoria nas notas, que a gente via que era fachada, apenas para burocratizar o processo e postergar os pagamentos, enquanto os trabalhadores ficavam meses e meses sem salários. Tenho aqui anotados todos os pagamentos que recebemos, todas as injeções de recursos próprios. Cada centavo recebido ou pago foi anotado.

O senhor tem conhecimento de boatos que dizem que o dinheiro da Biofábrica foi usado na campanha para prefeita de Juçara, em 2008?

Juçara teve mais de 40 mil votos, não foi? Se dependesse do dinheiro da Biofábrica, não teria quatro votos. Tudo o que entrou e saiu de recursos foi registrado e aprovado pelos conselhos. Essa avaliação de contas é a cada dois meses, e lá não tive uma conta reprovada. E aqui estão todos os recursos da Biofábrica [mostra documentos]. Tenho um nome a zelar. Aliás, só tenho isso, meu nome, minha biografia. Não faria isso em hipótese alguma.

Nesse processo, o senhor teve apoio do deputado Geraldo Simões?

Tive na medida do possível, para ele. Como ex-titular da secretaria, se ele fosse para a briga direta, na imprensa, ficaria parecendo que era uma tentativa de vingança contra o atual secretário. Mas tive, sim, apoio dele, dessa forma, que acaba sendo insuficiente. Agora, em nenhum momento as lideranças de Itabuna levantaram a voz.

“O secretário Muniz está fazendo da Seagri um departamento do PP. Não imagino que o governador não esteja vendo isso”.

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E o governador Jaques Wagner, que avaliação o senhor faz de sua atuação nesse episódio?

Eu credito a ele toda a responsabilidade pelo que está acontecendo. Ele é o governador, deve saber o que se passa nas suas secretarias. Sem falar que o processo da troca de secretário foi acordado de uma forma e executado de outra. Seria mais honesto o PP dizer: “governador, aceitamos a secretaria, mas tem que ser verticalizada”. Ao contrário, aceitou as regras, e depois colocou as mangas de fora. O secretário Roberto Muniz está fazendo da Seagri um departamento do PP. Todo mundo está vendo isso, não imagino que o governador não esteja.

Como está sua situação no PTB, que fechou apoio a Geddel?

Não tenho como ficar, não é? Vou sair, junto com meu grupo. São 455 filiados que saem comigo e se filiarão também junto comigo em outro partido.

Qual partido?

Ainda não temos destino, estamos analisando. Mas tem que estar alinhado com o projeto do governo e do governador.

Que avaliação o senhor faz de sua gestão na Biofábrica?

Tivemos muitos problemas, principalmente com esses repasses e com o fim do contrato de gestão, mas saio deixando 659.708 mudas clonais de cacau (prontas para comercialização), outras 300 mil enraizando, 92.540 mudas de essências florestais; 77.673 mudas de fruteiras – outras 160 mil germinando. Do programa Mata Verde (seringueiras), foram entregues 150 mil mudas e mais 1,1 milhão estão germinando e sendo plantadas. Os resultados, do que foi possível fazer, nós temos. O que não foi possível, não foi por falta de vontade, como o próprio secretário reconheceu.

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O PP baiano já definiu a estratégia e o tom para responder aos ataques desferidos pelo deputado estadual Paulo Rangel (PT) contra a gestão que os progressistas fazem na Bahia Pesca, autarquia ligada à Secretaria Estadual de Agricultura. Rangel acusou o presidente da empresa, o ilheense Isaac Albagli, de usar a Bahia Pesca para fortalecer (eleitoralmente, falando) o filho do deputado federal Mário Negromonte.

Como se sabe, a denúncia desceu quadrada. Os cinco deputados do PP na Assembleia (sim, eles filiaram Ângelo Coronel, ex-PR) vão para a defesa de Negromonte, presidente estadual dos progressistas, e de Isaac, aliado de primeira hora do secretário-geral do PP baiano, Jabes Ribeiro.

E foi com Jabes Ribeiro com quem o Pimenta conversou há pouco. Segundo ele, “se existe problema [na Bahia Pesca], não é da gestão de Isaac [Albagli], não é de 22 de dezembro para cá”. O ex-prefeito de Ilhéus indicou que os parlamentares da bancada do PP farão a defesa dos integrantes do partido utilizando um tom professoral, didático. Os cinco usarão os espaços possíveis na sessão desta tarde para fazer a defesa.

Tão logo Rangel colocou o dedo na ferida e denunciou o suposto uso da Bahia Pesca, o governador Jaques Wagner defendeu a liberdade de expressão, mas deu um ‘pito’ em Rangel, a dizer que roupa suja se lava em casa (“na base”). E será nessa toada que o PP se defenderá logo mais.

Na última sexta-feira, 2, quando esteve no sul da Bahia, o secretário estadual de Agricultura, Roberto Muniz (confira), afirmou ao Pimenta na Muqueca que o caso se tratava de uma disputa pessoal entre Rangel e a família do presidente do PP baiano. E garantiu que a questão deveria ser resolvida entre os contendores.

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Início da tarde de sexta-feira, a polícia federal aciona três viaturas para investigar supostas três mortes de índios tupinambás na região entre Una, Buerarema e São José da Vitória, no sul da Bahia. As mortes não foram confirmadas, mas agentes da PF encontraram um cenário de tensão e destruição na Fazenda Boa Sorte, uma das cinco invadidas por tupinambás na última quarta-feira, 16 (confira aqui).

A tensão atingiu níveis mais elevados nos últimos dias porque os descendentes de indígenas, além de confrontos com produtores e donos de terras numa região de mais de 47 mil hectares que envolve quatro municípios, agora brigam entre si. Os caciques Babau e Moisés disputam quem invade mais propriedades e, consequentemente, toma mais terras.

A disputa, que começou na última quarta, resultou em derrota aparente para o grupo do cacique Moisés. Babau, cujo nome é Rosivaldo Ferreira, é a principal liderança dos descendentes de tupinambás. Moisés foi quem acionou a Polícia Federal, ontem. Ele é acusado pelo grupo de Babau de ter se aliado a traficantes de drogas para tomar as fazendas, na última quarta. E se voltar à região, afirmam seguidores de Babau, será escorraçado.

Está mais do que na hora das autoridades estaduais e federais voltar suas atenções para a região em litígio. São 47.376 hectares onde, além dos descendentes tupinambás, existe uma legião de produtores, trabalhadores, empreendedores da área de turismo. Uma morte misterioso ocorreu no início de junho e até agora não foram divulgadas as circunstâncias do que parece ser um possível assassinato. O homem era trabalhador rural de uma fazenda invadida pelos indígenas.

A tensão foi ainda mais agravada após a divulgação de relatório da Fundação Nacional do Índio (Funai), publicado no Diário Oficial da União em 20 de abril, que reconhece a região que compreende os municípios de Ilhéus, Una, São José da Vitória e Buerarema como sendo, originariamente, de propriedade dos descendentes tupinambás. Ou há posicionamento dos governos federal e estadual ou se caminha para derramamento de sangue na área dos mais de 47 mil hectares.