TPI celebra 30 anos com lançamento coletivo de livros || Foto Divulgação
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O Teatro Popular de Ilhéus (TPI) prepara uma das maiores celebrações culturais já promovidas pelo grupo. No dia 9 de dezembro, às 17h, a Praça São João Batista, no Pontal, receberá o lançamento simultâneo de 31 livros pela Editora Teatro Popular de Ilhéus. A ação integra as comemorações pelos 30 anos da Companhia, referência nacional em criação e pesquisa cênica.

Após o encontro na praça, está prevista uma caminhada até o antigo Clube do Pontal, espaço que abrigará a futura sede do TPI. O local foi escolhido como ponto simbólico – trata-se de uma área de forte vínculo afetivo com o público e que guarda parte da história cultural do bairro.

Os títulos apresentados ao público incluem cinco coletâneas, dois lançamentos individuais e obras que transitam entre dramaturgia, poesia, literatura juvenil e escrita infantojuvenil. Entre os autores estão Équio Reis (em memória), Romualdo Lisboa, Tânia Barbosa, Pawlo Cidade, Felipe de Paula Souza e Pedro Albuquerque Oliveira. São livros que revisitam os 30 anos do grupo, aproximam crianças e jovens da produção literária baiana e atravessam diferentes linguagens narrativas – do realismo mágico à sátira política.

Para o diretor, dramaturgo e integrante fundador do TPI, Romualdo Lisboa, o conjunto editorial representa um gesto de memória e persistência artística. “O TPI expande sua militância cultural para as bibliotecas, escolas, salas de aula, rodas de leitura e arquivos culturais do país”.

Ele define o projeto como uma literatura que nasce do palco, mas toma forma própria. “Vira documento histórico, ferramenta pedagógica, obra artística e instrumento de democratização do conhecimento”.

O projeto foi contemplado nos editais da Política Nacional Aldir Blanc (PNAB – Bahia) e conta com apoio financeiro do Governo do Estado da Bahia, por meio da Secretaria de Cultura, via PNAB, direcionada pelo Ministério da Cultura – Governo Federal.

CATÁLOGO DE LANÇAMENTO

A coletânea reúne Arquivos da Cena – 30 anos de dramaturgia – reúne textos históricos de Équio Reis e Romualdo Lisboa, atravessando sátira política, crítica social e releituras poéticas da história regional.

• A história engraçada e singela de Fuscão – o quase capão – e o Cabo Eleitoral & O fiscal e a fateira ou dia de festa na feira – Équio Reis
• O Quadro & Nazareno contra o dragão da maldade – Romualdo Lisboa
• Teodorico Majestade – as últimas horas de um prefeito – Romualdo Lisboa
• O inspetor geral, sai o prefeito, entra o vice – Romualdo Lisboa
• 1789 – ópera afro-rock sobre a revolta dos escravizados do Engenho de Santana – Romualdo Lisboa
• O visconde partido ao meio na Guerra do Açu & Borépeteĩ. Uno – Romualdo Lisboa

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Felipe de PaulaFelipe de Paula | felipedepaula81@gmail.com

 

 

Não há golpe na UFSB. Há sim, a construção de um processo democrático de escolha de dirigentes, buscado com legalidade e ampla discussão da comunidade acadêmica.

 

 

Vivemos na, já conhecida, época da pós-verdade. Momento contemporâneo onde “verdades” são reconstruídas com base em diferentes percepções ideológicas e diferentes interesses envolvidos. A Universidade Federal do Sul da Bahia (UFSB) se viu envolvida numa densa narrativa de “golpe” a partir da carta de exoneração lida pelo seu ex-reitor Naomar Almeida onde ele renuncia ao exercício da função e solicita sua exoneração ao Ministro da Educação.

Quase que imediatamente, surgiram notas em sites e blogs de todo o Brasil, sempre seguidos por lamentos distorcidos a respeito do tal “golpe” em curso no sul da Bahia. Muitos lamentando o “conservadorismo” dos “golpistas” ou mesmo o dano que os “golpistas” farão na instituição. O que poucos pararam pra pensar antes de reproduzir tais lamentos: que golpe é esse? Quem são os golpistas?

A UFSB vem dando trâmite aos seus processos eleitorais há cerca de um ano. Com uma gestão pro tempore, a segurança jurídica é um tanto quanto reduzida. A gestão pode, legalmente, ser substituída a qualquer tempo pelo Ministro da Educação. Diante disso, a comunidade acadêmica mobilizou esforços no sentido de reforçar a legalidade com o estabelecimento de uma representação eleita por sua comunidade. E assim foi feito, no primeiro semestre desse ano com a eleição de decanos para os Centros de Formação e os Institutos de Humanidades, Artes e Ciências.

O passo seguinte era a reitoria, com votação já agendada e aprovada pelo Conselho Superior da UFSB para o mês de novembro. Numa decisão unilateral e própria, o reitor Naomar na reunião do Conselho realizada na sexta-feira (29) comunicou através de uma videoconferência transmitida de Salvador que entregara seu cargo ao Ministério por meio de uma carta enviada há 9 dias e mantida em sigilo da comunidade por esse tempo.

Nesta carta, surgiram acusações genéricas de “ilegalidades” e de “corrupção” por parte de “membros da gestão” e consequente “golpe”, palavra que, no meu entendimento, acaba sendo utilizada de forma infeliz diante, principalmente, da conotação e simbolismo envolvido na aplicação desta nos últimos anos de nosso país. Leituras tortas, muitas agressivas, surgiram em diversos setores da academia, política e sociedade local e nacional.

O clima criado foi de extrema instabilidade, comprometendo grandemente a segurança e autonomia da instituição, uma vez que tal pós-verdade, repercutindo, pode levar ao pior dos cenários: uma intervenção do Ministério, com a nomeação de uma pessoa distante da realidade institucional e regional, comprometendo, inclusive, o desenvolvimento do projeto da Universidade.

Eventuais denúncias, reverberadas por apoiadores do ex-reitor em redes sociais, que sejam apresentadas através dos meios legais, apuradas e se constatada concretude dos fatos, os responsáveis punidos. Contudo é abjeto pensar no uso de subterfúgios discursivos para obstruir o processo democrático institucional.

Não há golpe na UFSB. Há sim, a construção de um processo democrático de escolha de dirigentes, buscado com legalidade e ampla discussão da comunidade acadêmica. O desejo que move parte significativa da comunidade acadêmica é único: que esse processo democrático se consolide. Que aconteçam eleições na UFSB.

Felipe de Paula é professor da UFSB, campus de Itabuna.

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Felipe-de-PaulaFelipe de Paula | felipedepaula81@gmail.com

 

A migração acelerada para o campo digital faz com que os recursos de campanha devam ser pulverizados de acordo com a sinalização dessa realidade. O raciocínio é simplório: uma palavra é dado. Um comportamento é dado, uma imagem também. Mesmo os sentimentos – intensamente expressos nas redes sociais – também podem se tornar um número, uma informação.

 

Uma constatação sobre a comunicação feita hoje por diversas empresas: ultrapassada. O século XX ficou marcado como um espaço de grandes campanhas. O boom do mercado publicitário incutiu na mente dos investidores a necessidade de desembolsar grandes quantias visando atingir grandes públicos. Era o tempo da comunicação de massa, da grande mídia, pensada para atingir a maior quantidade de pessoas. Elegia-se um suporte, determinava-se uma área de abrangência e a marca era disparada para todas as direções. A contemporaneidade não suporta mais essa configuração.

Vivemos num tempo em que o consumidor, assim como todo o mundo, mudou. Poucos são os que aceitam passivamente as informações veiculadas numa campanha. Não aceitam qualquer informação, exatamente por essas estarem mais disponíveis. Se uma publicidade me garante que o produto “x” tem qualidades, posso, naquele mesmo momento, buscar mais dados sobre ele. Troco informações em redes sociais, leio críticas, vejo vídeos, comparo com concorrentes, analiso uma venda online. É o Big Data.

Hoje todos são produtores de informação. Toneladas de conteúdo virtual são produzidas a cada segundo. O Big Data fez com que o marketing, a publicidade, a ação comunicativa ultrapassasse a mera elaboração de campanha e passasse a analisar dados e atuar no planejamento, em ações de inteligência. A mídia contemporânea não admite mais, por exemplo, simplesmente investir numa revista aleatória ou determinar que um carro de som divulgue a marca de sua empresa sem que isso passe por uma intensa análise de dados dos potenciais clientes. A pessoa envolvida no investimento pode fazer isso? Sim. Contudo a chance de desperdiçar recursos e não obter retorno será elevada.

A migração acelerada para o campo digital faz com que os recursos de campanha devam ser pulverizados de acordo com a sinalização dessa realidade. O raciocínio é simplório: uma palavra é dado. Um comportamento é dado, uma imagem também. Mesmo os sentimentos – intensamente expressos nas redes sociais – também podem se tornar um número, uma informação. Tudo isso deve ser tabulado, organizado e alimenta o Big Data. Essas informações, expressas na rede, são capturáveis e passíveis de alimentar grupos de comportamento com indicadores que pautarão os investimentos. Pode parecer complexo de explicar, mas os resultados são impactantes. É uma comunicação para muitos, mas personalizada.

Em uma realidade em que 94 milhões de brasileiros têm acesso contínuo às redes sociais, desconsiderar essas informações que estão sendo disponibilizadas, continuamente, denota desperdício.

Qualifique sua comunicação. Qualifique sua empresa, independente do ramo que atua e do porte que tenha. Quer vender? Quer comunicar bem? O futuro é digital.

Felipe de Paula é professor da UFSB e pesquisador da comunicação social.

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Felipe-de-PaulaFelipe de Paula | felipedepaula81@gmail.com

 

Nossas universidades estão repletas do que costumo chamar de praticantes de masturbação intelectual. A analogia com a prática do “auto-prazer” vem da ideia de que aquilo não gera nada além de satisfação para aquele que a pratica.

 

Li uma matéria jornalística a respeito de um projeto da Universidade do Minho, em Portugal, que desafiava seus doutorandos a apresentarem suas pesquisas num pub da cidade. Público externo ao ambiente acadêmico, exigindo uma linguagem mais objetiva, direta, que permita a comunicação com aquelas pessoas.

A proposta é, segundo os organizadores, promover um ambiente descontraído e informal, com uma linguagem e profundidade adequadas. É, na minha opinião, um pouco mais do que isso. A proposta de levar o que é feito na Academia para um ambiente externo significa refletir sobre o sentido do que se faz dentro das universidades. Qual o sentido de produzir se o que é feito se esgota nos limites do campus, preenche uma estante na biblioteca, garante uma nota ao formando ou uma progressão funcional ao docente?

Nossas universidades estão repletas do que costumo chamar de praticantes de masturbação intelectual. A analogia com a prática do “auto-prazer” vem da ideia de que aquilo não gera nada além de satisfação para aquele que a pratica. Acadêmicos das mais diversas áreas gastam infindáveis horas com discursos rebuscados, debates acalorados com os seus pares, textos de linguagem distante e destinados apenas a congressos e publicações altamente especializadas. Ruim? Não necessariamente. Útil para a sociedade? Também não necessariamente.

Complicado pensar numa instituição – e em seus profissionais – sustentada por uma população que nem ao menos tem a chance de conhecer o que se passa lá dentro. O acadêmico moderno deve ter a obrigação de apresentar a universidade “ao mundo de fora”. Ali não é (ou não deveria ser) um panteão para privilegiados. Ali está um recorte de mundo com extremo potencial para produzir conhecimento. E esse conhecimento deve ser útil para a sociedade, de domínio da sociedade, com caráter libertador a fim de desatar os nós da ignorância e da opressão que vem associada a esta.

Acadêmicos: ao mundo! Uma universidade que morre em si, ajuda a sociedade morrer junto com ela. Uma universidade que não está em seu devido lugar – em meio ao povo – não tem razão de existir.

Se o dito popular afirma que traduzir é trair, a Academia tem o dever de reverter esse pensamento. Traduzir o academicismo, no caso, é permitir. O desenvolvimento, a integração, os saberes. Construamos universidades com cada vez menos “masturbadores” e cada vez mais criadores. A sociedade agradece.

Felipe de Paula é professor da Universidade Federal do Sul da Bahia (UFSB).

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Felipe-de-PaulaFelipe de Paula | felipedepaula81@gmail.com

 

Algumas perguntas passaram pela minha cabeça, mas mesmo encontrando todas as respostas nenhuma poderia se comparar com a minha descoberta: – Meu professor comia acarajé!

 

Não sei se alguém já escreveu uma crônica sobre seu professor. Aliás, nem sei se isso é uma crônica. Apenas me senti tentado a escrever sobre essa figura de incrível unicidade que era o meu professor, ainda mais depois da incrível descoberta que tive na época da graduação: – Meu professor comia acarajé!

Não que o fato de comer acarajé seja algo fora do comum, mas dificilmente se imagina alguém como meu professor sentado em uma praça se deliciando com essa apimentada iguaria baiana. Aquela figura com um pequeno déficit de tecido adiposo, com os cabelos levemente escassos na testa, porém com volume na parte de trás da cabeça. Meu professor, sempre com seus óculos contornando seus olhos arregalados, sempre com camisas e calças que realçam seu “fino” porte físico. Ah! E sempre também com sua voz pausada, de fala elaborada, que em uma aula mais longa sempre provocaram sono em alguns (para não dizer todos) alunos.

Meu professor, que figura aquela! Esse homem que tinha no seu vocabulário algumas palavras do “informatiquês”. Sempre dizendo que as pessoas necessitam se “formatar”, as pessoas são “editadas”, ou até mesmo “deletadas”. Talvez, se dependesse da vontade do meu professor, uma comunidade vizinha à Universidade seria toda ela “deletada”.

Aquele meu professor que tinha mania de prever inovações do futuro, meu professor, que cheguei a imaginar que seria um androide que dava aula e em seguida era guardado no depósito da Universidade sendo acionado sempre que se fizesse necessária nova aula. Esse sujeito esfíngico que jamais imaginei ver realizando o ato de comer acarajé. Você pode achar estranha minha surpresa, mas, se você pudesse conhecer meu professor, também se espantaria com essa revelação: – Meu professor comia acarajé!

Após presenciar essa maravilhosa cena juntamente com minha então namorada, hoje esposa, ficamos os dois imaginando um pouco da vida do meu professor. Onde moraria? Com quem moraria? O que fazia para se divertir? Gostava de música? Que tipo? Essas foram algumas das perguntas que passaram pela minha cabeça, mas mesmo encontrando todas essas respostas nenhuma poderia se comparar com a minha descoberta: – Meu professor comia acarajé!

Ver aquela figura degustar seu acarajé acompanhado de uma Coca-Cola (obs.: Ele até arrotou quando bebeu!!!!) foi um momento que eu sabia que ficaria – e ficou – em minha memória por um longo tempo.

Mas não faça uma imagem ruim do meu professor. Ele pode ser diferente, mas é boa pessoa. Porém, sei que ainda chegará o dia em que revelarei uma grande história à minha filha: – O meu professor comia acarajé.

Felipe de Paula é professor da Universidade Federal do Sul da Bahia (UFSB).

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Felipe de PaulaFelipe de Paula | felipedepaula81@gmail.com

 

Todas as suas ações “comunicam”. O tempo que seu cliente demora para ser abordado e atendido é comunicação. O modo como ele é atendido é comunicação.

 

 

Muito se propaga a respeito da crise que vivemos. Contudo, sempre é tempo de elaborarmos reflexões: qual atitude devo tomar? Qual o caminho para minha sobrevivência no hostil ambiente que me cerca? Como ficam meus negócios, meu emprego? Independente do papel social que você ocupa, cabe iniciar suas ponderações com uma constatação humana: somos seres sociais e comunicadores por excelência. Nossa natureza clama por contato e diálogo. Então, diante de tal afirmo: o caminho para o sucesso está diretamente ligado à comunicação.

Quando destaco comunicação, tomemo-la no sentido mais amplo, pois ela é extensa em características e efeitos. Se um empresário for conclamado a projetar a comunicação de sua empresa, provavelmente destinará ideias para campanhas publicitárias, slogans ou jingles. Importante, mas está longe do fundamental. Sua empresa – ou mesmo você, profissional – é um ente comunicativo orgânico.

Todas as suas ações “comunicam”. O tempo que seu cliente demora para ser abordado e atendido é comunicação. O modo como ele é atendido é comunicação. A iluminação do espaço, o estoque disponível, cada pequeno e aparentemente insignificante detalhe na transação comercial é um ato de comunicação. Seu cliente sairá impactado – e essa palavra oferece múltiplas possibilidades de leitura – por cada pequeno detalhe que você e sua empresa lhe oferece na relação comunicativa que estabeleceu com ele.

Numa noite recente saí de casa para buscar um sanduíche numa lanchonete inaugurada há poucas semanas. Experimentei uma vez e resolvi retornar, pois encontrei atendimento gentil, preço justo e produto de qualidade. Ao chegar no espaço, por volta das 21 horas, fui informado que não tinham mais sanduíches, pois o hambúrguer havia terminado. Saí frustrado e em dúvidas se enfrentarei uma nova saída de casa em busca do produto. A frustração gerada provoca um impacto ainda maior do que as qualidades oferecidas.

A mensagem que recebi daquela empresa foi de descuido e despreparo no atendimento das necessidades e interesses do cliente. Um detalhe tão simples que poderia ter sido resolvido com um elemento fundamental para a comunicação profissional: planejamento.

Sou habitualmente interpelado por meus alunos com dificuldades em gerir a vida universitária – de atividades e leituras – com as demais obrigações cotidianas. A resposta que ofereço é a mesma destinada ao empresário ou profissional que deseja obter sucesso e progressão: planeje sempre. Planejar é gerir o futuro, contudo com a atenção voltada para o presente. Não adianta buscar uma oportunidade de progressão, desejar o crescimento de seus investimentos, sem atentar e cuidar das ações presentes. Peter Drucker afirma que o planejamento não diz respeito a decisões futuras, mas sim às implicações futuras das decisões presentes.

Todas as manhãs, no momento em que conduz seu carro saindo de casa rumo ao trabalho deve fazê-lo pensando no destino, no caminho que percorrerá para alcança-lo, mas deve realizar essa ação atentando para cada passo do presente. Caso contrário, você e seu carro podem colidir com obstáculos indesejados e acabarão da mesma forma que milhares de empresas e profissionais ficam cotidianamente: pelo caminho.

Felipe de Paula é professor universitário e pesquisador da Comunicação Social.

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Felipe de PaulaFelipe de Paula | felipedepaula81@gmail.com

 

Uma Universidade de fato apropriada pelo povo pode promover revoluções inimagináveis. Tudo isso, por ser o que ela deve ser sempre: um Lugar de Arte.

 

Se questionado fosse a respeito de qual lugar a universidade deve ocupar, me atreveria a assinalar: um lugar de e da arte. Universidade, para muito além de distribuir diplomas e oferecer capacitação técnica, deve ser um espaço de capacitação humana. Independente da área de formação escolhida pelo estudante, o exercício e a fruição da arte se configuram como ações essenciais para o indivíduo contemporâneo.

Em tempos de uma vida cada vez mais acelerada, de mais atribuições e menos tempo disponível, não despendemos mais tempo para a contemplação. O ensinar e o aprender, outrora praticados com preciosismo, convertem-se em mera troca comercial a ser realizada com rapidez a fim de aumentar os ganhos. Trabalhemos por uma universidade onde se capacite um bom profissional, mas se transmitam também o respeito, o cuidado com o outro, a sensibilidade na formação. Tais atributos devem estar presentes em um bom médico, um bom advogado, um bom filósofo, um bom engenheiro, em qualquer profissional, em qualquer pessoa.

A universidade é lugar de produzir arte e de fruirmos arte. Na UFSB, temos logo no primeiro período letivo, como componente obrigatório para todas as áreas o Experiências do Sensível. A partir de um tema norteador, os estudantes são convidados a repensar e observar seu cotidiano sob uma perspectiva sensível, ligada à terra, à água, aos sons e aos saberes que formam seu território.

Exercícios expressivos, sob perspectiva artística, estimulam futuros engenheiros, médicos, professores, agrônomos e outros sujeitos em formação, a praticarem a contemplação produtiva em suas vidas. Como resultado, esperamos profissionais mais comprometidos, com uma perspectiva mais humanista e maior percepção de coletivo. Enquanto planejávamos o componente curricular, imaginávamos encontrar resistências entre os discentes. Encontramos, em sua absoluta maioria, emoções e depoimentos impressionados belo bem que tal prática oferece.

Universidade também é lugar de produção artística. De jovens (ou não) estudantes, ocuparem o campus com suas mais variadas formas de intervenção. Artes visuais, poesia, exposições fotográficas, teatro, música. Os estudantes do Bacharelado Interdisciplinar em Artes do Campus Jorge Amado (arte até no nome), turma noturna 2015.2, criaram e executam sob minha orientação o projeto Universarte.

Semanalmente o campus é tomado por apresentações nos intervalos das aulas. Bandas musicais, cantores solo e exposições fotográficas já tomaram o espaço universitário. Poesia, teatro e mais música ainda virão pela frente. Talentos diversos que fazem um papel fundamental para o sucesso de uma universidade: a comunidade acadêmica (ou não, afinal têm surgido visitantes externos para as apresentações) entender aquele espaço como dela. E uma Universidade de fato apropriada pelo povo pode promover revoluções inimagináveis. Tudo isso, por ser o que ela deve ser sempre: um Lugar de Arte.

Felipe de Paula é professor do Bacharelado Interdisciplinar em Artes da UFSB.

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Artistas e alunos interagem no campus Jorge Amado, em Itabuna (Foto Felipe de Paula).
Artistas e alunos interagem no campus Jorge Amado, em Itabuna (Foto Felipe de Paula).

As artes geram conhecimento ou lazer? Os estudantes do Bacharelado Interdisciplinar (BI) em Artes da Universidade Federal do Sul da Bahia estão aprendendo qual é a resposta: os dois. O cotidiano do Campus Jorge Amado vem sendo tomado pelas artes. Na próxima terça à noite (4), Rans Spectro, vocalista da Banda OQuadro, estará presente no campus para um papo sobre Hip-hop: arte, território e identidade.

O Universarte surgiu como uma proposta dos estudantes para criar um espaço das artes dentro do campus. Os talentos da comunidade acadêmica se juntam a convidados para que, por meio da música, da poesia, do desenho, da interpretação, todos possam apreciar a arte feita no sul da Bahia, valorizá-la e desenvolvê-la.

Rans Spectro, d´OQuadro, bate papo na UFSB na terça (Foto Divulgação).
Rans Spectro, d´OQuadro, bate papo na UFSB na terça (Foto Divulgação).

A professora Cynthia Santos Barra, coordenadora do BI em Artes no Campus Jorge Amado, acredita que esta iniciativa traz um imenso ganho, “tanto para o curso, que ganha um espaço de reafirmação de sua capacidade produtiva, criativa, quanto para a região, que vê sua arte sendo vivenciada, a princípio, no espaço acadêmico e, em seguida, nas ruas, praças e escolas das nossas cidades”.

Aqueles que desejarem conhecer mais do projeto e acompanharem sua programação, podem seguir a página do Universarte: https://www.facebook.com/universarteufsb

A visita de Rans Spectro, da Banda OQuadro, faz parte de uma iniciativa do professor Felipe de Paula, como parte das atividades do componente Campo das Artes: saberes e práticas. “Como esse componente se destina a ser o primeiro contato dos graduandos em Artes com sua área de formação, pensei: por qual motivo não deveríamos debater alguns conteúdos do curso com artistas da região? Nessa lógica, já recebemos a poeta Daniela Galdino, os atores Ely Izidro e Márcia Mascarenhas e, agora, é a vez de Rans Spectro”, afirma o professor.

Com o tema Hip-hop: arte, território e identidade, Rans estará presente na turma de Campo das Artes falando sobre os modos que a arte do hip-hop dialoga com a identidade de um território, de suas vivências com OQuadro na relação com a constituição de uma arte universal que também não deixa de ser sul baiana.

O papo acontece na noite de terça, a partir das 19 horas. “Embora seja uma ação direcionada aos estudantes de artes, todos serão bem vindos para integrar forças na construção do conhecimento. A universidade, suas ações e saberes, são públicos”, afirma Felipe de Paula.

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Felipe de PaulaFelipe de Paula | felipedepaula81@gmail.com

A Universidade Federal do Sul da Bahia, que recebe seus primeiros estudantes no mês que vem, propõe uma formação diferenciada. A centralidade está no estudante.

Lembro-me de, há alguns anos, estar no meio de uma aula na universidade e perceber uma estudante com o celular apontado para mim, filmando minha explicação. Ao ser “flagrada” ela pareceu bastante tímida e foi logo se desculpando. Interrompi as explicações e disse: tudo bem, pode gravar. É até bom que, em caso de dúvidas, pode rever alguma explicação.
Depois de algum tempo e de atentar para falas de alguns colegas docentes, percebi o motivo da preocupação demonstrada pela estudante após ter seu ato notado: muitos professores se incomodam com a ideia de sua aula ser gravada.
Recentemente, ouvi professores se queixarem da ideia de terem suas aulas registradas. Poderiam, entre outros argumentos, não “estar inspirados” naquele dia. Ora, independente das tecnologias envolvidas, onde fica então o planejamento? Onde ficam os objetivos da ação educativa?
Particularmente, creio que a função de um professor (em sala ou fora dela) deva ser orientar a obtenção da maior quantidade de conhecimento possível para o maior grupo possível de estudantes. Não há sentido no conhecimento para poucos. A universidade não é um panteão para privilegiados detentores do saber. Ela deve ser um espaço de fronteiras cada vez mais alargadas – assim como os conhecimentos que ela propaga.
E, nesse processo, o centro nunca deve ser no professor. O centro é o estudante. No mundo repleto de tecnologias em que vivemos, não vejo o menor sentido em negar a um estudante que faltou a uma aula a chance de assisti-la em casa. Ou proibir aquele que não entendeu bem de ouvir novamente a explicação.
Toda celeuma em torno da presença da tecnologia em sala – seja gravando aula ou servindo de fonte de pesquisa – passa, no meu entendimento, por um processo de insegurança dos docentes. É mais simples “controlar o ambiente” e repetir o mesmo conteúdo por sucessivos períodos letivos. O estudante com visão ampliada, com as paredes da sala de aula derrubadas, representa sempre um desafio maior, um “incômodo” para muitos docentes.
A Universidade Federal do Sul da Bahia, que recebe seus primeiros estudantes no mês que vem, propõe uma formação diferenciada. A centralidade está no estudante. Todos terão suas formações baseadas em pedagogias ativas. A tecnologia é uma parceira e uma edificadora do aprendizado e não uma inimiga.
A sociedade contemporânea exige que sejamos todos educadores (e consequentemente aprendizes). Que bom que cada vez mais as “novas” tecnologias estão sendo aproveitadas. O papel e a caneta que os estudantes utilizavam são tecnologias. O papel evoluiu, o caderno evoluiu. Qual o pecado em, ao invés de copiar, fotografar o quadro? Gravar o áudio de uma explicação ou filmar uma aula? A sociedade mudou. A relação com o conhecimento mudou. O modo de aprender mudou. O modo de ensinar, também. Aprendem aqueles que ensinam. Estejamos todos dispostos a aprender.
Felipe de Paula é professor da Universidade Federal do Sul da Bahia (UFSB).

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A criatividade é uma das marcas do Teatro Popular de Ilhéus (TPI). A última do grupo teatral é uma campanha em vídeo para a formação de plateia no sul da Bahia. “O rapto” mostra traz uma pessoa entendiada com a televisão.

Interpretado por Felipe de Paula, o personagem é sequestrado e encapuzado por um bando. O doce cativeiro é o teatro, mais exatamente a Tenda do TPI, na Avenida Soares Lopes. Confira a sacada da turma.

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Felipe de PaulaFelipe de Paula | felipedepaula81@gmail.com

De fato Serres tinha razão. A cada dia podemos notar o quanto a necessidade de formação – em seus mais diversos níveis – passa a ser uma demanda cada vez mais urgente.

O filósofo francês Michel Serres foi entrevistado no programa Roda Viva, da TV Cultura, em 1999. Naquela ocasião, enquanto discutia encaminhamentos para o desenvolvimento contemporâneo, ele foi questionado a respeito da educação e seus processos de formação. Serres afirmou o seguinte:
“Acho que, quando digo que o próximo século será o século da formação, não o digo como uma ideia filosófica ou uma utopia. (…) Baseado em experiências, digo que, amanhã, a demanda por formação será cada vez maior. Porém, nossas técnicas de formação e ensino são limitadas por questões de orçamento, de finanças, etc. Estamos, portanto, num momento muito preciso. (…) Esse ponto sem volta é chamado de crise. Portanto estamos aqui numa encruzilhada. Ou mudamos a maneira de educar ou será uma catástrofe. É isso. E acontece que justamente as novas tecnologias oferecem uma maneira de educação diferente, portanto existe a crise e existe a solução para o problema da crise.”
Essa nova maneira de educar, convocada pelo filósofo, passa objetivamente por duas questões fundamentais: a interdisciplinaridade e as novas tecnologias. A primeira delas nada mais é do que o diálogo formativo. Não se pode admitir um profissional contemporâneo que seja altamente especializado em sua área e alheio a temas de áreas adjacentes.
O profissional moderno deve ampliar sua visão de mundo a fim de encontrar uma formação mais completa. É recorrente a queixa a respeito da existência de profissionais que, embora donos de conhecimentos avançados em sua área de atuação, não sabem trabalhar em equipe, não têm trato adequado com clientes ou não sabem o que se passa pelo mundo. A formação interdisciplinar age na minimização dessas deficiências formativas.
As novas tecnologias, por sua vez, abrem um horizonte promissor para a formação. Bibliotecas de todo o planeta disponíveis com facilidade, acesso a informação de modo instantâneo, possibilidade de diálogo com pesquisadores de centros avançados. Poderíamos listar aqui uma infinidade de caminhos a serem experimentados e seguidos.
De fato Serres tinha razão. A cada dia podemos notar o quanto a necessidade de formação – em seus mais diversos níveis – passa a ser uma demanda cada vez mais urgente. Amplie-se ainda mais tal característica em uma região como a sul-baiana, prestes a receber uma série de empreendimentos, como o Complexo Intermodal.
Em breve, o sul da Bahia abrigará a UFSBA, Universidade que está sendo gerada com uma concepção mais ampla. Jovens de toda a região poderão iniciar seus cursos superiores nas suas próprias cidades, fazendo uso das novas tecnologias, ampliando dessa forma o acesso a formação.
Além disso, os jovens graduandos não farão seleção para cursos desenhados nos moldes tradicionais. Serão quatro Bacharelados Interdisciplinares (BIs) em cada Campi da UFSBA: Artes, Humanidades, Ciência e Tecnologia e Saúde.
Após uma formação de base completamente interdisciplinar, dialógica, em consonância com o que há de mais moderno na educação superior mundial, o aluno sai graduado com um diploma de nível superior em uma dessas quatro áreas. Daí por diante, caso deseje, pode seguir seus estudos por mais um, dois ou três anos e obter sua formação nas áreas específicas tal como na universidade tradicional.
É um novo meio de pensar, de formar. É uma nova educação para uma nova universidade. E que irá colaborar com a formação de um novo Sul da Bahia e um novo Brasil.

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Felipe de Paula | felipedepaula81@gmail.com

Se nossa nova universidade vai ser uma Universidade Nova, pode ser uma decisão política, mas a instituição vai ser construída de fato a partir da apropriação popular.

Ouvir alguém afirmar que a lógica do vestibular é perversa faz parte do cotidiano de muitos. De fato, a universidade acaba exigindo dos jovens a escolha de um caminho profissional em um momento em que isso ainda não é adequado. Além disso, o processo seletivo acaba historicamente privilegiando uma lógica de ensino/aprendizagem pautada numa reprodução de conceitos que nem sempre são plenamente dominados pelo estudante. Contudo isso está mudando. Hoje se fala em uma nova universidade.

A ideia de reformular o ensino superior brasileiro está longe de ser nova. Na década de 30, o educador baiano Anísio Teixeira propôs uma forma diferenciada de pensamento a respeito da universidade brasileira. Hoje, suas ideias inspiram um novo movimento: a Universidade Nova.

O objetivo básico da Universidade Nova, atrelada ao Reuni, é a reestruturação curricular dos programas de formação universitária. A ideia é a implantação dos Bacharelados Interdisciplinares, com três anos de duração e definidos em quatro áreas básicas: Artes, Ciência e Tecnologia, Humanidades e Saúde. Ou seja: o aluno entra na universidade em um Bacharelado Interdisciplinar da área de Artes.

Durante três anos, ele cursa disciplinas básicas, de formação generalista que o permita obter uma base universitária. Daí por diante, ele tem a opção de seguir para uma área profissionalizante mais específica. Há a chance de migração de setor de estudos já dentro da universidade. Tudo isso realizado com a base interdisciplinar, com o estudante tendo uma amplitude de informações mais variada.

Os críticos a esta proposta apontam que ela contribui para a precarização do ensino superior. O aumento da relação aluno/professor, a pressão pelo alcance de uma meta de aprovações quantitativa e o acréscimo de investimento financeiro incompatível com o aumento de matrículas são alguns dos pontos destacados nas apreciações negativas.

Aqueles que são favoráveis focam seus argumentos na necessidade de se readequar o ensino superior a uma nova realidade contemporânea, sobrepujando problemas de acesso, mobilidade e permanência. Citam também a adoção da interdisciplinaridade com algo positivo para se evitar a fragmentação do ensino e a conseqüente escolha prematura de carreiras.

O que parece ser inquestionável nesse imbróglio é a ideia de que o mundo contemporâneo é marcado pela imprevisibilidade e flexibilidade. A sociedade do conhecimento traz a necessidade de uma relação constantemente atualizada com o saber e os modelos para o ensino superior demandam debates que possibilitem a obtenção de uma prática condizente com a realidade que vivemos.

A futura implantação da Universidade Federal do Sul da Bahia irá adotar esse modelo. Diante disso, os interessados nos encaminhamentos da educação federal superior de nossa região devem buscar se apropriar dessa discussão. Os rumos do desenvolvimento regional, através da formação de milhares de jovens sul baianos, passam diretamente por esse debate. Se nossa nova universidade vai ser uma Universidade Nova, pode ser uma decisão política, mas a instituição vai ser construída de fato a partir da apropriação popular.

Felipe de Paula é professor universitário federal.

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Felipe de Paula | felipedepaula81@gmail.com

Cotidianamente é “vendida” a ideia de que o sucesso está diretamente vinculado a posse de um diploma superior. Jovens chegam à universidade sem dominar conhecimentos mínimos essenciais para sua permanência.

Na última semana, as universidades federais completaram três meses de greve. O movimento de paralisação é um dos maiores da história em adesão. Independente de se discutir as demandas da mobilização, que se centram na reestruturação da carreira docente e na reposição das perdas salariais acumuladas, é interessante refletir sobre a realidade do ensino superior federal.

Quais os caminhos administrativos que têm sido tomados para a educação pública? Quais as vivências que os jovens estão sujeitos em seu processo formativo? Essas e outras questões podem lançar uma luz sobre um espaço fundamental para o desenvolvimento do país e que nem sempre recebe o tratamento adequado.

O Programa de Apoio a Planos de Reestruturação e Expansão das Universidades Federais (REUNI), criado em 2007, estabeleceu uma ampliação da quantidade de vagas nas universidades sem precedentes. As vagas foram interiorizadas. Milhares de jovens puderam iniciar seus estudos nas suas cidades de origem. Aquilo que, na teoria, pareceria genial, se constituiu em uma realidade problemática. Se as vagas cresceram, os investimentos não foram proporcionais. Políticas de permanência são insignificantes, os campi interiorizados enfrentam precariedades diversas, a qualidade do ensino/aprendizagem cai consideravelmente.

Para quem vivencia cotidianamente a realidade de um campi interiorizado, a percepção dos investimentos feitos mostra-se cruel. Percebo que a falta de estrutura impacta não apenas na qualidade do serviço oferecido. Outro número cresce assustadoramente: a evasão. Jovens dedicam seus esforços para cursarem uma universidade e saem dela antes da sua formatura. É habitual encontrá-los com a auto-estima destruída por sentirem que são incapazes de encarar aquele espaço. Sentem-se limitados, diminuídos. Investir em educação superior deve proporcionar aumento no número de matrículas ou jovens capacitados?

Campi são abertos em regiões com índices sofríveis na educação de base. Cotidianamente é “vendida” a ideia de que o sucesso está diretamente vinculado a posse de um diploma superior. Jovens chegam à universidade sem dominar conhecimentos mínimos essenciais para sua permanência. Não dispõem de bibliotecas equipadas e muito menos de recursos para adquirirem livros. O transporte público inexiste: estudantes viajam espremidos em vans com 20, 22 passageiros. Não há residência universitária, lanchonetes, restaurantes universitários. Resultado? Turmas formadas com 40, 50 jovens, três semestres depois contam com 12, 13 alunos.

O sul da Bahia vivencia a futura implantação de uma universidade federal. Também interiorizada, fruto das políticas de expansão adotadas pelo governo federal. A população deve se sentir responsável por uma instituição que tem entre suas funções a de colaborar com o desenvolvimento regional. A educação, infelizmente, é vista por muitos como apenas um espaço para fornecer diplomas. É mais do que isso. É um espaço destinado ao estímulo da reflexão, da crítica, da ação rumo à criação e a mudança da realidade estabelecida. Provavelmente por esse motivo, recebe tão pouca atenção dos gestores. Uma instituição forte gera um povo forte.

Aprender com os equívocos vivenciados anteriormente pode colaborar com uma instituição que seja aquilo que ela realmente deve ser: pública, gratuita e de qualidade.

Felipe de Paula é professor universitário federal.