Arquivo Walmir Rosário
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Walmir Rosário

Desde a segunda metade da década de 1950 que os torcedores de Itabuna e do Fluminense de nossa paróquia passaram a ter um xodó especial com um jogador, considerado a revelação e que atuou até no Itabuna Esporte Clube, nos fins da década de 1970. Bom driblador, embora sua marca maior fosse o poderoso petardo em direção ao gol. O terror dos goleiros.

Durante anos construiu sua história nos campos de Itabuna, Ilhéus, Itajuípe, Alagoinhas, Santo Amaro, São Félix, Belmonte, e onde mais a Seleção de Itabuna (amadora) jogasse. Não pense que ele não encantou a capital baiana, a Salvador dos grandes times profissionais. Em 1957 ele bagunçou as partidas nos campos da Graça e na Fonte Nova como se estivesse no quintal de casa.

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Santinho era mais que um jogador de futebol, um craque que sabia impor, ao mesmo tempo, o respeito e a admiração dos adversários. Fora de campo, um homem com amigos tantos que surpreendia até mesmo os que o conheciam. Deixou o futebol e foi cuidar dos seus afazeres profissionais em várias áreas, incluindo a Ceplac e a Tevê Santa Cruz.

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Pois é, assim era Santinho, que na vida civil levava o nome de Gilberto Silva Moura, que não se intimidava em jogar na casa do adversário, seja lá qual fosse. No dia 4 de abril de 1957 jogou a partida final do Torneio Antônio Balbino contra a Seleção de Feira de Santana, por ocasião da inauguração dos refletores do Estádio da Fonte Nova.

Jogo empatado em 1X1 e a disputa semifinal definida nos pênaltis, que seriam batidos por apenas um jogador de cada selecionado. Imediatamente o técnico da Seleção de Itabuna escolheu Santinho para bater as cobranças. Cinco penalidades batidas pela Seleção de Feira de Santana: cinco gols. O mesmo placar foi marcado por Santinho. Na segunda série, o mesmo resultado. O árbitro apita para a terceira série e Santinho marca os cinco gols, e para alegria dos itabunenses, o goleiro Carlito defende uma penalidade. Agora era a final.

Dois dias depois a Seleção de Itabuna vence a Seleção de Alagoinhas por 2X0 e o Torneio Antônio Balbino. Na tribuna de honra, autoridades das mais diversas, entre elas o governador da Bahia, Antônio Balbino, o ministro da Guerra, Marechal Lott e o presidente da República, Juscelino Kubistchek, que entregou a taça aos jogadores. Festa em Itabuna e os jogadores chegam como grandes heróis.

Alguns meses depois, fins de 1957, a Seleção de Itabuna volta a Salvador para disputar a final do Campeonato Baiano Intermunicipal contra a Seleção de Salvador. Ganha a primeira partida por 2X0, no campo da Graça, e aplica 3X1 no jogo de volta em Itabuna. Neste campeonato, num jogo bastante tumultuado em Ubaitaba, após a expulsão do goleiro Asclepíades, Santinho, com apenas 20 anos foi escolhido para concluir a partida no gol. Itabuna vence por 4X0.

Santinho na Seleção de Itabuna (em pé, o segundo da esquerda para a direita) || Arquivo Walmir Rosário

E aí Santinho não parou mais até ganhar o Hexacampeonato e estrear no Itabuna Esporte Clube profissional, em 1967. Durante todo esse período, ele se tornou um dos grandes líderes da Seleção de Itabuna. E fez por merecer todo o carinho da torcida, que vibrava com suas jogadas, seu chute certeiro que fazia tremer zagueiros e os goleiros. E não era pra menos, pois mais de uma vez seus petardos furavam as redes adversárias, literalmente.

Santinho sabia impor respeito aos adversários dentro das quatro linhas. Fora de campo, mais ainda. Ele se considerava o protetor dos colegas, principalmente dos garotos recém-chegados no time ou na seleção. Entre eles os “meninos” Bel e Lua, convocados para a Seleção de Itabuna aos 16 anos. No Fluminense, seu Astor, pai de Lua, delegou a Santinho os cuidados com o filho Lua.

Em campo não tinha medo de cara feia nem de zagueiros violentos. Resolvia tudo com sua autoridade de craque de futebol, intimidando os adversários com jogadas mirabolantes e petardos em direção ao gol, com um aproveitamento altamente positivo. Com o tempo soube utilizar sua sabedoria para jogar recuado – em todas as posições –, mesmo na defesa, aproveitando o seu conhecimento de futebol para potencializar as jogadas sem a energia física de antes.

Santinho era mais que um jogador de futebol, um craque que sabia impor, ao mesmo tempo, o respeito e a admiração dos adversários. Fora de campo, um homem com amigos tantos que surpreendia até mesmo os que o conheciam. Deixou o futebol e foi cuidar dos seus afazeres profissionais em várias áreas, incluindo a Ceplac e a Tevê Santa Cruz.

Indiscutivelmente, foi o jogador símbolo da Itabuna das décadas de 1950, 60 e 70, época em que os craques abundavam, ou melhor, como se dizia naquela época, “davam no meio da canela”. E Santinho se sobrepunha às situações ao jogar nas posições em que era escalado, com toda humildade de sua sabedoria, com a intenção de dar tudo de si pela equipe em que jogava.

Santinho nos deixou em 7 de julho de 2009, mas ainda ecoam em nossos ouvidos a voz dos narradores em suas jogadas e os gritos de gol!

Walmir Rosário é radialista, jornalista e advogado, além de autor de livros como Os grandes craques que vi jogar: Nos estádios e campos de Itabuna e Canavieiras, disponível na Amazon.

Maurício Duarte faleceu ontem (27), em Porto Velho
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O futebol e o jornalismo esportivo perderam Maurício Duarte. O comentarista e ex-jogador do Botafogo (RJ) e do Itabuna Esporte Clube foi vítima de complicações de saúde provocadas pelo diabetes e faleceu nesta terça-feira (27), em Porto Velho, sua terra Natal, aos 72 anos. Ele residia em Itabuna e viajou à capital de Rondônia para rever familiares.

O jornalista e publicitário Artaban Éden Pires recuperou, em obituário, parte da trajetória de Maurício Duarte, que também defendeu as cores de clubes como Vila Nova (GO), Olaria (RJ) e Remo (PA). Encerrou a carreira em Itabuna, jogando pelo time que leva o nome da cidade, onde se radicou e constituiu família.

“Quando atleta, com aquela estatura privilegiada, tinha fama de viril sem ser desleal. Era um zagueiro que endurecia sem perder a ternura. E assim ele ganhou o respeito por onde passou”, recordou Artaban.

Após deixar os gramados, Maurição, como era chamado carinhosamente, atuou como comentarista esportivo em várias equipes do rádio grapiúna. Também foi treinador no Intermunicipal, à frente das seleções de Itajuípe, Itabuna e Buerarema.

RECONHECIMENTO

A diretoria da AABB de Itabuna, em nome do presidente Sérgio Azevedo, lamentou a morte de Maurício Duarte e lembrou que ele dirigiu o time de futebol do clube itabunense em competição promovida pela Federação Nacional de AABBs. O dirigente prestou solidariedade à família do ex-atleta.

Para o prefeito de Itabuna, Augusto Castro (PSD), a morte de Maurício deixa lacuna no jornalismo esportivo e no futebol nacional. “Que Deus conforte seus familiares e receba sua alma com alegria”, concluiu o gestor em nota. O último adeus a Maurício foi dado em Porto Velho, local do sepultamento.

Clubes vão repetir parceria feita na Série D do Brasileiro || Foto Redes Sociais
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O Itabuna Esporte Clube anunciou, nesta segunda-feira (20), a renovação da parceria com o Vitória para a Série B do Campeonato Baiano 2025. O Dragão do Sul vai disputar a competição com a equipe sub-20 do Leão, a exemplo do que foi feito na Série D do Brasileiro 2024.

O martelo foi batido hoje, em Salvador, numa reunião com a presença do presidente do Vitória, Fábio Mota, do diretor da base do Leão, Thiago Noronha, e do diretor de Futebol do Itabuna, Ricardo Xavier.

Sem a parceria, o Dragão do Sul corria o risco de não disputar a Série B do Baiano em 2025, por falta de condições financeiras para contratar elenco e bancar as despesas da competição.

Na mesma ocasião, Fábio Mota confirmou o início das obras para a instalação do Núcleo do Vitória na sede social do Itabuna, ainda neste ano.

O início do Itabuna no velho Campo da Desportiva || Foto Acervo de Walmir Rosário
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Apesar da queda do rendimento no segundo turno, o Itabuna manteve a quinta colocação no campeonato de 1967, o primeiro que disputou, embora tenha perdido na classificação dos times do interior, liderada pelo Flamengo de Ilhéus, em quarto lugar, com um ponto a mais que o escrete itabunense.

 

Walmir Rosário

No início do ano de 1967 os homens que comandavam o futebol amador de Itabuna são convencidos pelos dirigentes da Federação Bahiana de Futebol e dos clubes de Salvador e Feira de Santana a disputar o futebol profissional. Após dezenas de reuniões, em que a tônica era elevar o nome de Itabuna ao cenário nacional esportivo com o que existia de craques na cidade, aceitaram o desafio.

Em 23 de maio de 1967, finalmente, o Itabuna Esporte Clube é fundado e estava pronto para disputar o Campeonato Baiano daquele ano como um dos 14 participantes. Agora se encontrava de igual para igual com o Bahia, Vitória, Botafogo, São Cristóvão, Leônico, Ypiranga e Galícia (Salvador), além do Fluminense, Bahia (Feira de Santana), Conquista Esporte Clube (V. da Conquista), Flamengo, Colo-Colo e Vitória (Ilhéus).

E finalmente o Itabuna estreia no Campeonato Baiano de Futebol Profissional no dia 4 de junho de 1967, com a vitória de 1X0 contra o São Cristóvão, gol de Nélson, no campo da Desportiva. No próximo domingo (11), torcida entusiasmada, o time volta ao campo da Desportiva para enfrentar o Botafogo, com mais uma vitória em casa, pelo placar de 1X0, gol de Bal.

Na quinta-feira (15-06) enfrentou o Flamengo de Ilhéus no Mário Pessoa e sofreu a primeira derrota como profissional por 3X1, gols de Jurandi, Clemente e Zé Pequeno, para os ilheenses, e Bal para o Itabuna. Em seguida (06-07) ganhou para o Bahia de Feira na casa do adversário por 2X1, gols de Carlos Riela e Déri (Ita) e Almir (BF); e venceu o Vitória da capital por 2×1, em Itabuna (20-07), com gols de Neném e Nélson (Ita) e Itamar (V).

No próximo jogo (27-07) o Itabuna volta a vencer, e desta vez a vítima foi o Conquista, que levou 3X1, no campo da Desportiva, com gols de Danielzão, Déri e Bal (Ita), e Piolho (Conq). Em 3 de agosto, o Itabuna vai a Feira de Santana e empata com o Fluminense em 0X0. Em pleno estádio Mário Pessoa o Itabuna vence o Vitória ilheense pelo placar de 1×0, gol de Batuqueiro. Em 20 de agosto empata com o Ypiranga no campo da Desportiva por 1×1, com gols de Batuqueiro (Ita) e André Catimba (Ypi).

No próximo jogo (31-08), contra o Colo-Colo, em Ilhéus, o Itabuna não teve sorte e perdeu por 1X0, gol de Ronaldo (CC). No dia 7 de setembro, em Salvador, empata com o Galícia por 2X2, com gols de Florizel e Déri (Ita) e Nélson e Enaldo (Gal). Ainda na capital baiana, no dia 10 de setembro perde para o Bahia por 3X1, gols de Zé Eduardo, Manezinho e Canhoteiro (Ba) e Florizel (Ita). No último jogo do primeiro turno (01-10) empata com o Leônico em 2X2, com gols de Itajaí (contra) e Gajé (Leo), e Maranhão (Ita).

Com esses resultados o Itabuna estreia no profissionalismo e termina o primeiro turno na quinta colocação, com 16 pontos, sendo seis vitórias, quatro empates e três derrotas. Nos 13 jogos disputados marcou 17 gols, sofreu 15 e manteve saldo de apenas dois gols. Foi um resultado bastante positivo, pois encerrou o primeiro turno como a equipe do interior melhor colocada.

Nos jogos de volta do segundo turno, o Itabuna inicia bem aplicando 2X0 no Flamengo de Ilhéus (08-10), gols de Maranhão; empata com o Leônico por 1X1, também no campo da Desportiva (15-10), gols de Carlos Riela (Ita) e Catu (Leo). Em casa, torna a empatar com o Bahia de Feira por 1X1, gols de Fernando Riela (Ita) e Maromba (BF); e perde para o Bahia da capital por 2X0, em 5 de novembro, com gols de Elizeu e Alencar. Já em 12 de novembro, em jogo com mando de campo invertido, aplica 3X1 no São Cristóvão, na Desportiva, com 3 gols de Florizel (Ita) e Iaúca (SC).

Outro placar favorável ao Itabuna em frente sua torcida foi contra o Vitória de Ilhéus, pelo placar de 3X0, 2 gols de Maranhão e 1 de Carlos Riela. Jogando em Salvador empata com o Botafogo em 2X2 (01-12), com 2 gols de Florizel (Ita), Nílson e Ronaldo (Bot). Em Vitória da Conquista perde por 2X1 para o Conquista (17-12), gols de Durvalino e Dão (Conq) e Fernando Riela (Ita). Em 28 de janeiro de 1968, valendo pelo mesmo campeonato, empata com o Ypiranga, por 0X0, em Salvador; e em 11 de fevereiro cai diante do Galícia por 2X0, no campo da Desportiva, gols de Santinho (contra) e Carlinhos Gonsálves (Gal).

Ainda no campo da Desportiva, no dia 18 de fevereiro, o Itabuna enfrenta o Vitória e empata em 1X1, com gols de Danielzão e Arcângelo (contra); e no jogo seguinte (03-03) perde para o Fluminense de Feira por 1X0. No segundo turno o Itabuna não obteve o mesmo resultado positivo do primeiro e fica na sétima classificação (duas abaixo), com 12 pontos, sendo seis vitórias, seis empates e quatro derrotas. Marcou 16 gols, sofreu 15, com apenas um de saldo positivo.

Apesar da queda do rendimento no segundo turno, o Itabuna manteve a quinta colocação no campeonato de 1967, o primeiro que disputou, embora tenha perdido na classificação dos times do interior, liderada pelo Flamengo de Ilhéus, em quarto lugar, com um ponto a mais que o escrete itabunense. Entre os artilheiros do campeonato, Florizel marcou 7 gols; Maranhão, 5; Carlos Riela, Bal e Déri, 3 gols; Fernando Riela, Danielzão, Batuqueiro e Nélson, 2; Neném 1 gol. Itajaí, Santinho e Arcângelo marcaram 1 gol contra, cada.

E a direção do Itabuna Esporte Clube colocou um time em campo, formado basicamente pelos jogadores oriundos da seleção amadora, com alguns reforços: Goleiros – Luiz Carlos, Betinho; lat. dir. – De Aço, Neném, Roberto, Miltinho e Nocha; zag. – Itajaí, Ivan, Santinho, Ronaldo e Clésio; lat. Esq. – Caxinguelê, Leto e Zito; meio-campistas – Arcângelo, Déri, Carlos Riela, Lua Riela, Nélson e Bel; atacantes – Neves, Maranhão, Raimundo, Vandinho, Fernando Jorge, Firmino, Fernando Riela, Batuqueiro, Danielzão, Pinga e Florizel; técnicos – Luiz Negreiros e Tombinho.

Walmir Rosário é radialista, jornalista e advogado, além de autor de livros como Os grandes craques que vi jogar: Nos estádios e campos de Itabuna e Canavieiras, disponível na Amazon.

A torcida itabunense lotava o estádio Luiz Viana Filho || Foto Waldyr Gomes
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Vem o segundo tempo e Geraldo Santos abre a transmissão com o grito de guerra “Vamos lá Itabuna”, os times se estudam, como no início de jogo, mas ao que tudo indica, os técnicos Paulinho de Almeida, do Vitória, e Tombinho, do Itabuna, pedem para os jogadores apenas tocar a bola. 

 

Walmir Rosário

Guardem bem essa data: 28 de julho de 1973. Dia da Cidade de Itabuna e inauguração do Estádio Luiz Viana Filho. A cidade repleta de autoridades, como o governador Antônio Carlos Magalhães, o secretário do Bem-Estar Social, Bernardo Spector, os presidentes do Vitória, do Bahia, da Federação Bahiana de Futebol, o prefeito José Oduque e o presidente do Itabuna, Charles Henri.

E para inaugurar o estádio, que ficou conhecido como o “Gigante do Itabunão”, dois jogos foram agendados: o primeiro, entre Itabuna Esporte Clube e Vitória, no sábado (28-07-1973), e o segundo, entre Bahia e Cruzeiro, este no domingo (29-07-1973). Uma festa esportiva pra ninguém botar defeito, com público de várias cidades baianas, além da imprensa de diversos estados brasileiros.

Até hoje sinto bastante não estar presente à efeméride esportiva grapiúna, pois à época morava em Paraty (RJ), de onde ouvi resenhas e parte do jogo pela Rádio Sociedade da Bahia. Claro que não lembro exatamente o que ouvi, mas faço escrita das palavras dos colegas radialistas, Geraldo Santos, Yedo Nogueira, Ramiro Aquino, Roberto, Juca e Jota Hage, por meio da Rádio Jornal de Itabuna, cuja gravação ostento com carinho em minha biblioteca.

Geraldo Santos e Yedo Nogueira (com os microfones) || Acervo de Walmir Rosário

Pra começo de conversa, o Itabuna era um time de respeito, com jogadores vindos da vitoriosa Seleção itabunense hexacampeão baiana, bem reforçada com novos jogadores regionais e do Rio de Janeiro. Mas, a bem da verdade, encarar aquele poderoso esquadrão do Vitória era dose pra elefante, como se dizia bem antigamente.

E o jogo entre Itabuna e Vitória valia mais do que o placar de 2X2 anotado ao final da partida. A histórica inauguração do estádio de gramados suspensos, como enaltecia a mídia esportiva, tinha a grandeza do que aconteceria no jogo, como, por exemplo, quem marcasse o primeiro gol seria consagrado para o resto da vida. E esse feito coube ao ponteiro-direito Osny, o endiabrado camisa 7 do Vitória.

Outro aspecto importante dessa inauguração era o privilégio de estar presente no jogo 12 do teste de número 146 da Loteria Esportiva, sob os olhares dos apostadores de todo o Brasil. E ao anunciar o placar, o narrador Geraldo Santos não cansava de enfatizar em qual coluna se encontrava – um, do meio ou a dois, E terminou na coluna do meio, com o placar de 2×2.

E nessa transmissão, a Rádio Jornal ostentava como patrocinador exclusivo o novíssimo Centro Comercial de Itabuna, equipamento urbano considerado o mais moderno do Sul da Bahia. Num dos reclames, Geraldo Santos dizia: “Marque o maior tento de sua vida, compre uma loja no Centro Comercial de Itabuna, a obra do século”, como queria o bom marketing da época.

Após uma parada no jogo para os jogadores baterem uma falta, lateral ou escanteio, Geraldo Santos indicava aos possíveis clientes que poderiam adquirir uma loja na Construtora Fernandes, na avenida Amélia Amado, ou junto ao empreendedor Plínio Assis, na praça Otávio Mangabeira. E o Plínio era aquele mesmo que foi goleiro do Flamengo e da Seleção Amadora de Itabuna.

Enquanto isso, o jogo continuava pegado, com vantagem do Vitória nas jogadas, principalmente de Osny, Mário Sérgio, André e Almiro. Segundo o comentarista Yedo Nogueira, o jogo ainda se encontrava na fase de estudo, reconhecimento do terreno. E o narrador prometia dar um rádio Philips de presente ao jogador que marcasse o primeiro gol no Estádio Luiz Viana, uma gentileza da Loja Rosemblait

Aos sete minutos do primeiro tempo, eis que André, ainda o “Peito de Aço”, invade a área, dribla o goleiro Luiz Carlos, que derruba o centroavante na grande área. Pênalti, marca o árbitro Saul Mendes. O serelepe Osny se prepara para bater a penalidade máxima, chuta com maestria e o resultado foi bola no canto esquerdo e o goleiro caindo no canto direito. Gol do Vitória!

Coluna 2 do jogo 12 do teste 146 da Loteria Esportiva. Em outro lance, enquanto o Itabuna se prepara para bater um escanteio, Geraldo Borges convida os ouvintes de toda a região para assistirem ao super show do cantor Roberto Carlos e Banda RC7 no novíssimo Estádio Luiz Viana Filho, no próximo dia 2 de agosto. Em campo, Reginaldo bate o tiro de canto e a zaga do Vitória rebate para o ataque.

Exatamente aos 16 minutos do primeiro tempo, enquanto o comentarista Yedo Nogueira analisa que o Itabuna está sem qualquer esquema de jogo para entrar na área do Vitória, André volta a receber outra bola e marca o gol. O Segundo do Vitória. Imediatamente os jogadores partem em direção ao bandeirinha Wilson Lopes para reclamar do mais claro e límpido impedimento e são ameaçados de expulsão pelo árbitro Saul Mendes. Só faltou dizer “gol legal”, como Mário Vianna, com dois enes.

E a partida continua na coluna 2 no jogo 12 do teste 146 da Loteria Esportiva. Aos 30 minutos Osny chuta raspando a trave de Luiz Carlos. Aos 33 minutos, Déri invade a grande área e pega o goleiro Agnaldo, do Vitória desprevenido e marca o primeiro gol do Itabuna, fazendo delirar na arquibancada a torcida alvianil.

E o gol deu ânimo aos jogadores do Itabuna e numa jogada de ataque, Rafael passa pelo marcador, a bola é rebatida por Valter (Vitória) cai nos pés de Perivaldo, que passa a pelota a Jaci, que dá o passe para Déri marcar o segundo gol. A torcida, animada pela bateria da Escola de Samba da Mangabinha, comemora pra valer. Itabuna 2, Vitória também 2. Coluna do meio na loteca.

Vem o segundo tempo e Geraldo Santos abre a transmissão com o grito de guerra “Vamos lá Itabuna”, os times se estudam, como no início de jogo, mas, ao que tudo indica, os técnicos Paulinho de Almeida, do Vitória, e Tombinho, do Itabuna, pedem para os jogadores apenas tocar a bola. E assim o placar continuou selado nos 2X2 e Déri também é agraciado com um rádio Philips da Loja Rosemblait.

No dia seguinte o jogo foi entre Cruzeiro e Bahia, e não passou de 1×1.

Walmir Rosário é radialista, jornalista e advogado, além de autor de livros como Os grandes craques que vi jogar: Nos estádios e campos de Itabuna e Canavieiras, disponível na Amazon.

Ruan Nascimento reforça o Itabuna na Série D do Campeonato Brasileiro || Victor Ferreira/ECVitória
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O Itabuna Esporte Clube anunciou, nesta quinta-feira (25), em suas redes sociais, que contará com o reforço do atacante Ruan Nascimento, de 23 anos, para a sequência da Série D do Campeonato Brasileiro. O atacante pertence ao Vitória, com quem tem contrato até 2025. Ele estava emprestado ao Confiança, de Sergipe.

Ruan Nascimento chega para compensar parte da perda de quatro jogadores – Luís Miguel, Lawan, Roque Júnior e Breno- que retornaram ao Vitória para a disputa da Série A do Campeonato Brasileiro. Com o retorno dos atletas ao Rubro-Negro, o Itabuna caiu de rendimento nas últimas rodadas da Série D do Brasileiro. Com 24 pontos, classificou-se na terceira colocação, atrás de Nova Iguaçu (RJ) e Portuguesa, que conquistaram 31 e 25 pontos, respectivamente.

O atacante chegou a atuar pela equipe profissional do Vitória na Série B do Campeonato Brasileiro, Campeonato Baiano e Copa do Nordeste. Antes de seguir para o futebol sergipano, atuou também pela equipe sub-20 do Atlético (MG), emprestado pelo Vitória. O jogador deve fazer a estreia pelo Itabuna no domingo (28), quando o Dragão do Sul enfrenta o Anápolis (GO), no Estádio de Pituaçu, em Salvador. A primeira partida do mata-mata está prevista para começar às 16h.

Itabuna joga no próximo domingo (28), às 16h || Foto Divulgação IEC
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A Confederação Brasileira de Futebol (CBF) confirmou as datas dos jogos do Itabuna Esporte Clube na segunda fase da série D do Campeonato Brasileiro. No próximo domingo (28), no Estádio de Pituaçu, em Salvador, o Dragão do Sul enfrenta o Anápolis (GO), a partir das 16h. A partida de volta será no dia 3 de agosto, no Estádio Jonas Duarte, em Goiás.

O Itabuna terminou a primeira fase na terceira colocação do grupo 6, com 24 pontos, atrás da Portuguesa (RJ), com 25, e do Nova Iguaçu (RJ), com 31. Já o Anápolis encerrou a primeira fase da quarta divisão na segunda colocação do grupo 5, com 25 pontos, atrás apenas do Brasiliense, que somou 32 pontos.

O outro representante da Bahia na Série D do Campeonato Brasileiro de Futebol é o Jacuipense, que enfrentará o Iguatu (CE). A primeira partida será no sábado (27), no Estádio de Pituaçu, em Salvador, a partir das 15h. O jogo de volta será dia 3 de agosto, a partir das 18h, no estádio Morenão, no Ceará.

No grupo 4, o time de Riachão do Jacuípe terminou a primeira fase da quarta divisão do Campeonato Brasileiro na terceira posição, com 23 pontos, atrás de Itabaiana (SE) e Retrô (PE). Já o Iguatu foi o segundo colocado no grupo 3, com 27 pontos, atrás apenas do Treze (PB), que chegou aos 31 pontos.

Já classificado, Itabuna fica apenas no empate com o Ipatinga ||Foto Reprodução TVE
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O Itabuna Esporte Clube fez uma partida abaixo das expectativas da torcida e não saiu do 0 a 0 com o Ipatinga (MG), na penúltima rodada da Série D do Campeonato Brasileiro, na noite deste sábado (13), no Estádio de Pituaçu, em Salvador. Com o resultado, o Dragão do Sul chegou aos 24 pontos, quatro a menos que o líder Nova Iguaçu (RJ).

O Itabuna já está classificado para a segunda fase da Série do Campeonato Brasileiro, mas corre risco de perder a vice-liderança para a Portuguesa (RJ), que tem 22 pontos, na terceira posição. A quarta vaga no grupo 6 é disputada por duas equipes do Espírito Santo. O Serra, que tem 18 pontos, na quarta colocação; e o Real Noroeste, com 17, na quinta posição.

O Real Noroeste é o próximo adversário do Itabuna. As duas equipes se enfrentam no próximo sábado (20), a partir das 15h, no Estádio Joaquim Alves de Souza, no Espírito Santo. Já o Serra joga contra o Audax-RJ, no Estádio Moça Bonita, no Rio de Janeiro. O Audax é o lanterna do grupo 6, com apenas cinco pontos.

No grupo 4, o Juazeirense perdeu a chance de garantir uma vaga para próxima fase com uma rodada de antecedência. O time foi derrotado em Juazeiro por 2 a 1 pelo Retrô (PE) e estacionou nos 18 pontos. Na última rodada, no domingo (21), terá o enorme desafio de vencer o líder Itabaiana, em Sergipe, e torcer por uma combinação de resultados. O Itabaiana tem 26 pontos e está classificado para a próxima fase da Série D.

O Jacuipense está perto da classificação. A equipe de Riachão do Jacuípe recebe o Petrolina, que não tem mais chance na competição. A partida será no Estádio de Pituaçu, em Salvador, e está prevista para começar às 16h, no domingo.

Déri (penúltimo agachado à direita) no jogo de despedida de Garrincha, em Itabuna
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O sucesso de Déri chamou a atenção dos times da capital, tanto assim que foi negociado para o Galícia, que o colocou numa vitrine especial do futebol brasileiro. Alegria maior foi quando escalado para jogar contra o Santos de Pelé, com quem posou para foto, recordação que tem até hoje guardada com carinho.

Walmir Rosário

Todo menino bom de bola é o primeiro a ser escolhido no baba, um de cada lado, para não desequilibrar a partida, e até “os pernas-de-pau” tem seu lugar, na falta dos que têm mais intimidade com a bola. Outra meio de ser escolhido de primeira é ser o dono da bola, pois do contrário não terá jogo. Esses são os métodos mais tradicionais, sendo o da meritocracia o mais utilizado.

E um dos meninos escolhidos de primeira nos campinhos do Lava-pés e da Borboleta, nas proximidades da atual estação rodoviária de Itabuna, na década de 1960, era Déri, ou melhor, Derivaldo Alves da Silva. Sua pequena estatura e seu corpo magro não representavam problemas, ao contrário, facilitava “ciscar” em campo com mais facilidade, driblar os adversários e marcar o gol.

E o menino Déri faz fama e “encheu os olhos” de jogadores mais velhos e técnicos dos times de camisa, que viam nele um craque em potencial e que deveria ser lapidado para jogar num dos times amadores no campo da Desportiva. Não demorou e já estava matriculado na Academia de Futebol Grapiúna, comandada pelo cirurgião-dentista Demósthenes Lordelo de Carvalho.

E o garoto prodígio não queria pouco, e passou a se espelhar no futebol jogado pelos grandes craques da época, como Pelé e Garrincha, em São Paulo e Rio de Janeiro, além dos irmãos Riela, Tombinho, Santinho, Neném e outros da Seleção Amadora de Itabuna. Sem demora recebe convite para treinar – também – no quadro aspirante do Janízaros, time em que jogavam seus ídolos.

Se em campo Déri aprendia o futebol com os professores celebridades, fora era apadrinhado dos diretores Zelito Fontes e Antônio Heckel, que se preocupavam com a formação do homem, do cidadão Déri. Sem dúvida alguma, foi um excelente aluno e não demorou dividir o campo com o goleiro Luiz Carlos, Tombinho, Neném, Nocha, Piaba, Jurandir, Santinho, Florizel. Aos poucos o franzino ganhava condição física e técnica.

Déri foi se firmando no meio-campo, saindo sempre que podia para o ataque, tanto pela direita como pela esquerda. E a cada oportunidade que aparecia lá estava ele marcando gols, o que gostava. E Déri aproveitava a sua rapidez e a marcação cerrada dos adversários nas celebridades para se tornar goleador. Com Tombinho desenvolvia jogadas combinadas nos treinamentos, deixando os adversários apavorados.

Naquela época, em Itabuna, não havia programa melhor nas tardes de domingo do que assistir aos jogos do campeonato amador no campo da Desportiva. Pouco importava contra que times jogavam, a torcida lotava o estádio, pois confiava na qualidade do futebol praticado. Nos jogos da imbatível Seleção de Itabuna, então, era preciso chegar cedo para garantir um lugar melhor na geral ou na arquibancada.

E o sucesso de Déri chamou a atenção dos times da capital, tanto assim que foi negociado para o Galícia, que o colocou numa vitrine especial do futebol brasileiro. Alegria maior foi quando escalado para jogar contra o Santos de Pelé, com quem posou para foto, recordação que tem até hoje guardada com carinho. E, ao final do jogo, o placar marcava 2 X 2, um empate com sabor de vitória.

E na vitrine do Galícia chegou a ser cobiçado por várias equipes brasileiras e até da Espanha, esta lhe fez uma proposta irrecusável. Porém, o amor pela família falou mais alto e Déri continuou no “Demolidor de Campeões”, que tinha como técnico o zagueiro e lateral Nílton Santos, a Enciclopédia do Futebol, com quem aprimorou os fundamentos e disciplina tática.

Déri foi um dos componentes da primeira equipe do Itabuna Esporte Clube, recém-criado e profissionalizado, ainda prestes a completar os 17 anos. Passou a integrar o meio-campo do Itabuna ao lado de Bel, Lua Riela, Élcio Jacaré. Outra grande passagem de Déri pelo Itabuna Esporte Clube se deu na década de 1970. Na inauguração do Estádio Luiz Viana Filho, hoje Fernando Gomes, em 28 de julho de 1973, teve uma atuação brilhante e ainda marcou os dois gols contra o Vitória e saiu como o herói da partida, no empate por 2 X 2.

Na Bahia, Déri também passou pelo Atlético de Alagoinhas, o Leônico, no qual foi campeão do torneio de acesso, e o Vitória. Mas foi em Sergipe que se consagrou como o grande ídolo futebolístico. Jogou pelo Confiança, depois no Sergipe e Itabaiana. No Confiança se sagrou campeão em vários anos e considerado o melhor time do estado. Na transferência para o Sergipe, Déri sofreu bastante com os torcedores do Confiança, que não admitiam a mudança. Eram vaias de um lado e aplausos do outro. No Itabaiana também foi campeão por diversos anos.

Déri, campeão por vários anos no Itabaiana

Em Sergipe, o conceito de Déri era tamanho, que era pressionado a enveredar pela política, com convites para se filiar a vários partidos e se candidatar a deputado ou vereador. Soube dispensar os chamamentos e preferiu continuar a jogar futebol. Somente nos estádios sergipanos jogou futebol por longos 10 anos e até hoje é lembrado e endeusado pelos torcedores dos times pelos quais jogou.

O mesmo conceito Déri goza em Itabuna, onde mora. Depois que abandonou o futebol, trabalhou para diversos empresários dos ramos do comércio e agropecuária, além de atuar no comércio de veículos. Atualmente está afastado das atividades econômicas e, aposentado, convive mais próximo de sua família. Atualmente, pouco sai de casa, onde recebe os amigos para bate-papos, geralmente sobre futebol, atividade que se destacou por longos anos.

Déri, um craque a ser sempre lembrado.

Walmir Rosário é radialista, jornalista, advogado e além de autor de livros como Os grandes craques que vi jogar: Nos estádios e campos de Itabuna e Canavieiras, disponível na Amazon.

Itabuna segue na briga por vaga na segunda fase da Série D do Campeonato Brasileiro || Foto Divulgação
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O Itabuna Esporte Clube entra em campo neste domingo (9), em Sete Lagoas,  em Minas Gerais, para enfrentar o Democrata,  quinto colocado no Grupo 6 da Série D do Campeonato Brasileiro. Com 12 pontos, o Dragão do Sul caiu, temporariamente, da 1ª para terceira posição no mesmo grupo. Foi ultrapassado pela Portuguesa (RJ), que neste sábado venceu o Serra (ES) por 2 a 1; e Nova Iguaçu (RJ), que bateu o Real Noroeste (ES) por 1 a 0.

Com a vitória, a Portuguesa chegou aos 13 pontos em sete rodadas. O Nova Iguaçu está com 12 pontos, a mesma pontuação do Itabuna, que só entra em campo amanhã. A partida do Dragão do Sul contra o Democrata está revista para começar às 19h30min, na Arena Jacaré. O time baiano está invicto na competição nacional, com três vitórias e três empates.

A Portuguesa é a outra equipe invicta no grupo. A equipe carioca tem três vitórias e quatro empates, um deles contra o Itabuna  na quarta rodada, no Estádio Luso-Brasileiro, no Rio de Janeiro. O jogo do returno entre as duas equipes está previsto para o dia 3 de julho, no Estádio de Pituaçu, em Salvador, onde o Dragão do Sul manda os seus jogos.

Itabuna joga neste sábado em Minas Gerais || Foto Divulgação
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O Itabuna Esporte Clube tenta, neste final de semana, a primeira vitória na Série D do Campeonato Brasileiro. O Dragão do Sul viaja até Ipatinga (MG) para enfrentar a equipe da casa, a partir das 17h, no Estádio Lamegão. Cada time tem um ponto conquistado na primeira rodada da competição nacional.

Na estreia da Série D, o Itabuna, que tem a base da equipe formada por jogadores do sub-20 do Vitória, ficou no 0 a 0 com o Real Noroeste Capixaba (ES), no Estádio de Pituaçu, em Salvador. A equipe do sul da Bahia está no Grupo 6-A, juntamente com Real Noroeste, Serra (ES), Democrata (MG), Ipatinga (MG), Audax Rio, Portuguesa (RJ) e Nova Iguaçu (RJ).

O Itabuna volta a jogar com o mando de campo na terceira rodada da Série D do Campeonato Brasileiro, contra o Audax Rio, no dia 12 de maio, no estádio de Pituaçu, em Salvador. O Dragão do Sul disputa a Série D pela primeira vez em sua história.

A segunda fase da Série D está prevista para acontecer no período de 27 de junho a 4 de agosto. As oitavas de final entre 10 e 18 de agosto. As quartas de final acontecem de 24 de agosto a 1º de setembro. As semifinais entre 7 e 15 de setembro. As finais devem ser realizadas de 22 a 29 de setembro.

Da Bahia, além de Itabuna, as equipes do Jacuipense e Juazeirense disputam a Série D do Brasileiro deste ano. Neste sábado, a partir das 15h, no Estádio Pituaçu, em Salvador, o Jacuipense recebe o Sergipe. No domingo (5), o Juazeirense joga contra o Retrô (PE), na Arena Pernambuco, em Recife. A partida está prevista para começar às 16h.

Na montagem, Bel campeão pelo Fluminense em 1966, e na Seleção de Itabuna ao lado de Santinho e Tombinho
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Em 1969, convidado pelo Flamengo, retorna ao Rio de Janeiro e é aprovado pelo clube da Gávea, onde permanece por cerca de 40 dias em treinamento. Mais uma vez decide retornar a Itabuna, agora pela falta de um empresário que cuidasse de sua vida profissional.

 

Walmir Rosário

Se hoje em dia os clubes famosos do continente europeu espalham olheiros mundo afora em busca de promessas de novos craques, nas décadas de 1950 e 60 já tínhamos nossos agentes secretos, se bem que paroquianos, no entorno de Itabuna e Ilhéus. E eles funcionavam bem, descobrindo craques nos bairros e nas pequenas cidades. E posso atestar que eram craques de mão cheia.

Um desses é Abelardo Brandão Moreira, que respirava o futebol a partir de casa, passando pelos campinhos, quadras de futebol de salão até chegar de vez no Campo da Desportiva, templo sagrado do futebol itabunense. E aos 15 anos, calçava chuteiras e o uniforme rubro-negro do Flamengo de Itabuna, considerado um “ninho de cobras”, dada a qualidade do plantel.

E o craque, ainda com a cara de menino, disputava a bola nos gramados com o que tinha de melhor no futebol itabunense. Entrava em campo numa boa e distribuía passes magistrais aos companheiros em campo, grande parte titulares ou reservas da notável Seleção de Itabuna, a hexacampeã baiana. E não podia ser diferente, em 1963 se sagra campeão de Itabuna, num certame pra lá de disputado.

E no Flamengo Bel dividia parte do campo com Luiz Carlos, Nocha, Piaba, Abieser e Leto; Waldemir Chicão e Tombinho; Gajé, Nélson Piroca, Caçote e Luiz Carlos II. Nesse time ainda jogavam craques do quilate de Carlos Alberto, Péricles, Zé David, Maneca, Tertu, Santinho e Zequinha Carmo, e como promessas, Lua e Bel. O técnico era Gil Nery, o mesmo da Seleção de Itabuna. Quem viu não consegue esquecer o bom futebol praticado.

Em 1964 Bel recebe o convite para integrar o Janízaros e se muda com armas e bagagens, levando consigo um futebol em plena ascensão. Foram dois anos de sucesso, reinando absoluto no campeonato itabunense, condecorado com as faixas de campeão por dois anos seguidos – 1964 e 1965. Para coroar sua carreira também foi convocado para a Seleção de Itabuna, penta e hexacampeã baiana.

O Janízaros era um esquadrão formado pelo goleiro Luiz Carlos, Humberto, Ronaldo, Itajaí e Albérico (Toba); Bel e Tombinho; Neném, Pinga, Marinho e Wanderlei. O plantel ainda contava com Biel, Evaristo, Carlos Viana, Américo, Nego, dentre outros. Em três anos de futebol amador, três títulos de campeão consecutivos, marcando positivamente o início da carreira futebolística que abraçara.

Mas o futuro era bastante promissor e em 1966 Bel se transfere para o Fluminense. Se reencontra com colegas de outros clubes, num time formado por Luiz Carlos, Amaro, Ronaldo, Santinho, Amilton, Carlos e Fernando Riela, Waldemir Chicão, Ratinho, Totonho, Carlos Antônio, Orlando Nabizu, Wanderlei, Jonga e Humberto, dentre outros. E neste ano, mais uma vez, levanta a taça de campeão itabunense.

E em 1967 uma mudança revoluciona o esporte do sul da Bahia, com a profissionalização do futebol. Em Ilhéus, Flamengo, Vitória e Colo-Colo; em Itabuna, o recém-criado Itabuna Esporte Clube representa a cidade. Bel encerra a fase amadora e é contratado como profissional pelo Itabuna Esporte Clube. Em 1968 se transfere para o Colo-Colo de Ilhéus, clube em que joga até 1969.

Em 1970, Bel continua jogando na vizinha cidade praiana, mas desta vez pelo recém-criado Ilhéus de Futebol e Regatas. No ano seguinte retorna ao Itabuna Esporte Clube, onde fica até julho de 1972. Em agosto (72) é contratado pelo Atlético de Alagoinhas para disputar o Campeonato do Norte e Nordeste, retornando ao Itabuna em 1973, quando decide parar a carreira, embora continue ocupando outros espaços no futebol.

No ano de 1976 volta ao Itabuna Esporte Clube, agora para emprestar todo o conhecimento adquirido em anos de futebol. Exerceu os cargos de treinador de goleiros, auxiliar técnico, muitas vezes assumindo o comando técnico da equipe. Em 81 foi auxiliar e técnico do Itabuna juvenil. Mais tarde, também a convite de João Xavier, treinou várias categorias de Masters da AABB de Itabuna.

Jogador clássico, de chute certeiro e passes longos e milimétricos, Bel foi convidado por clubes do Rio de Janeiro e Minas Gerais. Aprovado no Botafogo, por questões particulares preferiu voltar a Itabuna. Junto com Déri, Caxinguelê e Juvenal, em 1967 treinou no Atlético Mineiro. Aprovados, não continuaram no “Galo Mineiro” devido aos baixos salários e péssimas condições moradia e trabalho.

Em 1969, convidado pelo Flamengo, retorna ao Rio de Janeiro e é aprovado pelo clube da Gávea, onde permanece por cerca de 40 dias em treinamento. Mais uma vez decide retornar a Itabuna, agora pela falta de um empresário que cuidasse de sua vida profissional. No rubro-negro carioca tinha que disputar espaço no meio de campo com craques a exemplo de Carlinhos, Liminha, Cardosinho, o paraguaio Reyes e Zanata (estourando a idade).

E assim, após mais de 25 anos de dedicação ao futebol, se transferiu para a atividade privada e, em seguida passa a ocupar cargo no Poder Judiciário, inicialmente na Justiça de Defesa do Consumidor (1991), e depois, em 1993, é aprovado em concurso público para a Justiça do Trabalho, se transferindo para Teixeira de Freitas, retornando a Itabuna após a aposentadoria.

Bel, um craque a ser sempre lembrado.

Walmir Rosário é radialista, jornalista, advogado e além de autor de livros como Os grandes craques que vi jogar: Nos estádios e campos de Itabuna e Canavieiras, disponível na Amazon.

Dirigentes do Vitória e do Itabuna durante a reunião desta sexta (15)
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O Itabuna Esporte Clube vai mandar seus jogos na Série D do Campeonato Brasileiro 2024 no Estádio Governador Roberto Santos (Pituaçu), em Salvador. O anuncio foi feito pela direção do clube, nesta sexta-feira (15), após reunião da sua diretoria com o secretário estadual do Trabalho, Emprego, Renda e Esporte, Davidson Magalhães.

“Nós fomos muito bem recebidos pelo secretário Davidson Magalhães, que viabilizou o nosso mando de campo no estádio de Pituaçu”, disse o diretor de Futebol do Dragão do Sul, Ricardo Xavier.

O clube também anunciou acordo com o Vitória, que vai emprestar jogadores do Sub-20 e do Sub-23, além de integrantes da comissão técnica, para reforçar o Itabuna na Série D. O pacto foi firmado ontem (15), em Salvador, durante reunião da diretoria do Itabuna com o presidente do Vitória, Fábio Mota, e o diretor de Base do rubro-negro, Tiago Noronha.

SALVAR A TEMPORADA

Após o rebaixamento para a Série B do Campeonato Baiano, o Itabuna conta com o apoio do Vitória para salvar a temporada 2024 na Série D do Brasileirão, que será disputado por 64 equipes. De saída, cada clube receberá R$ 400 mil por participar da competição.

Quem avançar à segunda fase fatura mais R$ 150 mil, mesmo valor assegurado nas oitavas, quartas e semifinais. Campeão e vice terão prêmio extra de R$ 200 mil para cada. Ao final do Campeonato, os finalistas terão embolsado R$ 1,2 milhão. A Série D começa no próximo mês.

A alegria de retornar à elite do futebol baiano durou pouco para o Azulino || Foto Divulgação
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E o pior de tudo foi ter que aturar a gozação dos ilheenses, com um torcedor do Barcelona exibindo um cartaz em que dizia: “Eu já sabia, time da roça descendo com as baronesas” (do rio Cachoeira).

 

Walmir Rosário

Tinha prometido a mim mesmo que não mais escreveria sobre o futebol da atualidade. Motivos não faltam: não acompanhar o dia a dia dos times, especialmente o Itabuna Esporte Clube, em campo e extracampo; as ações da diretoria; o apoio recebido de instituições públicas e privadas; a convivência com sua apaixonada torcida. Por si só essas alegações bastariam e poderia cometer pecados pelo simples desconhecimento.

O certo é que a má fase fez com que o “time lascasse em bandas”, como se diz, e voltasse à Série B do Campeonato Baiano. Já sua ascensão à Copa do Brasil e à Série D do Campeonato Brasileiro, foi e deverá ser efêmera, respectivamente. E o que é pior: todo o planejamento é desmontado e um novo deverá ser elaborado, para que possa cair nas boas graças para os investimentos da iniciativa privada, que sabe uma SAF.

O itabunense é um apaixonado por futebol, e esse centenário amor passa de geração em geração, mesmo quando a cidade não tem uma equipe para tornar feliz os torcedores. E Itabuna já colocou duas equipes profissionais no Campeonato Baiano, para atender às predileções e preferência dos esportistas. Mas por pouco tempo. O Estádio Luiz Viana Filho, que hoje atende por Fernando Gomes, se transformou num elefante branco.

É triste para a apaixonada torcida itabunense passar o fim de semana sem futebol no Itabunão. E essa privação, carência, emudece parte da cidade, deixando caladas as equipes esportivas das emissoras de rádio, TV, jornais e as chamadas mídias sociais. Quando mudas, sem voz, deixam cabisbaixa a torcida, sem as discussões nos bares, nas praças, nos locais de trabalho. Tristeza absoluta na sociedade.

Essa escrita não irá, jamais, explicar os motivos que levaram e levam, costumeiramente, o entra e sai das nossas equipes dos campeonatos, com longos intervalos, como se fossem propositais para que os itabunenses entrassem num período letárgico, resultando no desinteresse pelo futebol. Podem os especialistas apontarem as causas que quiserem, mas, essa apatia afastará nosso torcedor do futebol. Isto está provado.

Nos mostra a história mais antiga que o futebol de Itabuna era mantido por abnegados, que dedicavam parte do seu tempo e seus recursos financeiros na manutenção da equipe amadora, como se profissional fosse. Não sei se o que falta é altruísmo, dinheiro nos cofres, bons projetos, desinteresse de uma parte da sociedade bem aquinhoada com o velho esporte bretão, que continua encantando de crianças aos anciãos.

Nessa conta também cabe colocar a parcela que cabe ao poder público, a exemplo do incentivo ao esporte nas dezenas de bairros de Itabuna, formando craques que poderiam abastecer as equipes locais. Faltam projetos abrangentes em execução na formação da meninada, iniciando na escola com os esportes coletivos como prática nas aulas ministradas na disciplina educação física. E essa ausência torna mais difícil e cara a formação de um time profissional.

Se não temos, ainda, a capacidade de formar os atletas, também nos falta um estádio em perfeitas condições para sediar jogos da equipe profissional. Entra ano e sai ano, somos informados que nossa praça esportiva será reformada e voltará a rivalizar com o “Gigante do Itabunão”, que chamava a atenção dos cronistas esportivos das grandes emissoras do Brasil pelo gramado suspenso e uma drenagem eficiente. As chuvas não tiravam o controle da bola do bom jogador para as poças de água.

Mas voltando à “vaca fria”, não podemos esquecer o esforço da direção do Itabuna Esporte Clube para voltar a brilhar nos campos de futebol da Bahia e do Brasil. Não conheço o projeto empreendido, bem como os apoios recebidos, especialmente na área financeira. O certo é que voltamos à Série B do Campeonato Baiano, nos sagramos campeão e entramos na Série A pela porta da frente.

E o que pensa a torcida, o que ela viu desse trabalho de preparação, dos jogos vencedores? Nada, ou quase nada, pois o Itabuna Esporte Clube, o “Meu Time de Fé”, o Dragão do Sul”, simplesmente não se apresentava à sua torcida. Seus jogadores não ouviam a animação da charanga (saudades de Moncorvo), os gritos de incentivo nos ataques, as festas nos gols marcados. Futebol sem estádio lotado não é futebol.

É que, por falta de um estádio pronto e aceito pela Federação Bahiana de Futebol, o Itabuna passou à condição de “caixeiro viajante”, se apresentando em outras praças, treinando em outras cidades. Parabéns às cidades que abrigaram o Itabuna, embora o torcedor tenha sofrido mais decepções com sua ausência. Não fossem os esforços das emissoras de rádio e TV, sequer teríamos notícias instantâneas dos resultados dos jogos.

Faltam-me informações sobre os próximos passos que serão tomados pelo Itabuna. Por certo a diretoria apresentará, muito em breve um novo planejamento. Esperamos que consigam bons contratos de apoio, como o Itabuna merece. Por outro lado, o torcedor quer ver o Itabuna Esporte Clube jogando no “Gigante do Itabunão”, e não em Camacan, Ilhéus ou outras cidades que gentilmente nos receberam.

E o pior de tudo foi ter que aturar a gozação dos ilheenses, com um torcedor do Barcelona exibindo um cartaz em que dizia: “Eu já sabia, time da roça descendo com as baronesas” (do rio Cachoeira). Mas o itabunense não se zanga com isso, afinal, a rivalidade entre Itabuna e Ilhéus tem mais de 100 anos e os ilheenses não perdoam o itabunense pelas acachapantes vitórias nos jogos ao longo desse tempo. É a mágica do futebol.

Walmir Rosário é radialista, jornalista, advogado e autor d´Os grandes craques que vi jogar: Nos estádios e campos de Itabuna e Canavieiras, disponível na Amazon.

Itabuna
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O Itabuna encerrou participação no Campeonato Baiano de 2024 na lanterna. Recebeu o Vitória no Estádio Mário Pessoa. Para não fugir à regra no Estadual, perdeu por 2 a 0 de uma das melhores equipes do Nordeste. Saiu barato, após, na quarta-feira (28), ter levado sapecada de 8 a 0 do Nova Iguaçu-RJ pela Copa do Brasil.

O Dragão do Sul negou fogo no Baianão após ter sido a sensação do campeonato no ano passado.

A equipe itabunense venceu apenas uma partida. De 9 jogos, perdeu 5. E empatou 3.

Chegou ao final com aproveitamento de apenas 22,22% em nove rodadas.

Foi a segunda equipe mais vazada na competição. Fez 8 gols, mas levou 16, superado apenas pelo Atlético de Alagoinhas, vazado 17 vezes no Baianão. O Atlético, porém conseguiu se manter. Terminou a competição em 7º lugar. Já o Itabuna, ficou em 10º, com apenas 6 pontos conquistados em 27 possíveis, caindo para a Série B, junto com o Bahia de Feira.