Músico reúne canções inéditas no espetáculo O Canto do Jequitibá || Foto Divulgação
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O músico Marcelo Ganem lança, na próxima quinta-feira, às 19h, o espetáculo O Canto do Jequitibá, em um encontro com o público na Casa de Cultura Jonas e Pilar, no centro de Buerarema. O evento tem entrada gratuita e será transmitido ao vivo pelo YouTube, Instagram e pela radioweb do Instituto Macuco Jequitibá.
O lançamento foge do formato tradicional de show e aposta em uma conversa musical. O novo trabalho reúne cinco músicas autorais, com destaque para Toró, já disponível nas plataformas da internet. A canção traz uma temática romântica inspirada no período chuvoso do outono, mantendo a linha poética e delicada que marca a trajetória do artista.
A obra dialoga com a história de Ganem na música regional, iniciada nos anos 1980 com a canção Serra do Jequitibá, composta a partir da paisagem da Serra do Jequitibá, em Buerarema. A região segue como referência estética e afetiva na produção do músico, que acumula mais de quatro décadas de carreira e cinco discos lançados.
Gravado no estúdio Áudio Arte, o projeto conta com apoio do Governo Federal, por meio do Ministério da Cultura, além da Prefeitura de Buerarema e da Casa de Cultura Jonas e Pilar.
Marcelo Ganem se apresenta na Festa da Farinha, em Buerarema || Imagem Divulgação
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O cantor e compositor Marcelo Ganem se apresenta nesta sexta-feira (19), às 19h, na Festa da Farinha, em Buerarema. Aberto ao público, o show Canto do Jequitibá vai marcar os 40 anos do álbum de estreia do músico, Serra do Jequitibá, lançado em 1985.
Um dos maiores expoentes da música grapiúna, Marcelo Ganem terá a companhia de outros 10 músicos, oferecendo uma experiência única que mistura ritmos, poesia e memória do sul da Bahia.
FESTA DA FARINHA
A programação da Festa da Farinha começou hoje (17) e seguirá até domingo (21), com diversas atrações. Um dos momentos mais aguardados é a apresentação do cantor Leo Santana, no domingo (21). Antes, nesta quinta-feira (18), a cantora Simone Mendes deve atrair grande público ao evento.
Quando menino em Buerarema, eu não sabia o que era o mar. Aliás, nenhum de nós sabia. Orlandino, o mais velho da turma, gabava-se de já ter visto o mar, em Ilhéus, mas a gente não acreditava – ele, diziam os mais velhos, era mentiroso e fumador de maconha. Mas sabíamos, talvez do livro de Geografia de Gaspar de Freitas, que o mar era feito de água – a maior parte daquelas três quartas partes de que se formava o planeta, segundo a professora Aflaudísia. Na minha imaginação, multiplicado o rio Macuco, obtinha-se o mar bravio, sem tirar nem pôr… Mas eu queria mesmo era ver o bichão bem de perto, frente a frente, meu olho no olhão dele.
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O sono perdido entre o mar e a vizinha
Orlandino dissera que o mar era salgado, mas isso era mentira: pelos meus cálculos, todo o sal das vendas de Gringo e Zé Bazuza não daria para salgar o Poço da Pedra, quanto mais o marzão de Ilhéus. Eu andava com insônia (não só por culpa do mar, mas também de uma vizinha – e o nome dela eu não digo nem sob tortura). Da existência e tamanho desmesurado do mar eu já sabia, pois o vira, meio encoberto e misterioso, lá do alto da Serra do Jequitibá. Foi onde nasceu a árvore símbolo de minha terra, que lhe dá poesia e proteção (o jequitibá primeiro morreu de velho, mas há um filho que lhe herdou a responsabilidade de guardião de Buerarema. _________________
Quis ser um pássaro e voar até o oceano
Fizemos muito piquenique (o pastor Freitas preferia “convescote”) ao pé da árvore generosa, depois de caminhar da cidade à serra. De lá tínhamos uma mal definida vista de Ilhéus, com as águas de tanta insônia. Minha intenção nunca confessada era ser um pássaro, bater as asas na Serra do Jequitibá e voar, voar, voar toda a distância entre a serra e o oceano – Marcelo Ganem, menestrel da minha terra, disse isto em verso e música. Cheguei, em sonho desvairado, a pensar que, por magia só cabível em mente infantil, tal poderia acontecer. Mas não precisou. Certo dia, não sei a troco de quê (talvez devido à boa sorte, que sempre me segue)… _________________ Tonto de emoção, provei o mar salgado … Fui dar com os costados em Ilhéus, fiquei frente a frente com o mar imenso, tendo, afinal, aquele despropósito de água ao alcance dos dedos. Lembro-me agora daquele menino Diego (de Eduardo Galeano, em O Livros dos abraços) que, trêmulo de emoção frente à grandeza do oceano, pediu ao pai: “Me ajuda a olhar”. Não digo que fiz o mesmo, porque sou um triste menino de verdade, não um inteligente ser de ficção. Apenas, emocionado, levei à boca um pouco daquela grandeza. Provei-o. Era salgado o mar, e muito. O gosto era minha única interrogação, pois o existir a Serra do Jequitibá já me confirmara. Foi bom saber que meu amigo Orlandino não mentia nem puxava. Quer dizer: só um pouquinho de cada coisa. COMENTE » |
SEM RIO OU SÃO PAULO, SÓ RESTA O NADA
Ninguém é profeta em sua terra (equivale a santo de casa não faz milagre). Em matéria de arte, não se chega ao êxito se não romper as fronteiras do próprio quintal. Veja-se apenas na região cacaueira da Bahia: Adonias Filho, Jorge Amado, Hélio Pólvora, Marcos Santarrita, Telmo Padilha, Cyro de Mattos – todos que tiveram maior ou menor notoriedade foram buscá-la no Rio de Janeiro. É no Rio (e, nos últimos tempos, também num lugar chamado São Paulo) que as coisas acontecem; fora desse eixo, é o nada. Exemplos, em contrário (os que nunca saíram daqui): Ruy Póvoas, Jorge Araujo, Euclides Neto, Antônio Nahud Jr., Janete Badaró. Dirão que a música baiana, feita em Salvador, ganha o Brasil e o mundo – mas isto é exceção.
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Na Bahia, os caminhos são obstruídos
Afora minha humilde opinião de que ivetinhas, harmonias, claudinhas, chicletes e danielas ficariam melhor no anonimato, a exceção confirma a regra: Caymmi, João Gilberto, Gal, Gil, Nana, Caetano e Bethânia foram vencer no Rio (e João Ubaldo também, se falamos em literatura). A reflexão me vem a propósito de O desterro dos mortos (Via Litterarum), belo livro de Aleilton Fonseca. Contista excepcional, comparável aos grandes do Brasil, ele não ocupa o espaço nacional merecido – e eu atribuo isto ao fato de (nascido em Firmino Alves) morar em Salvador. Mesmo recebendo incentivadoras menções na Europa, notadamente na França, o autor ainda não foi “descoberto” pelo sul maravilha, o que lhe obstrui os caminhos. COMENTE » |
VÍDEO PROVA QUE O IMPOSSÍVEL ACONTECE
Os tenoristas Coleman Hawkins, Ben Webster e “Pres” Lester Young, mais Gerry Mulligan (sax barítono), Roy Eldridge (trompete), Milt Hinton (baixo) e a voz mágica de Billie Holiday juntos – seria um delírio difícil de imaginar até como delírio. Pois, creiam, o encontro aconteceu, em 1957, numa apresentação ao vivo, da qual destacamos Fine and mellow, uma composição da própria Billie. E ainda teve Mal Waldron (piano), Doc Cheatham (trompete), Vic Dickenson (trombone), Danny Barker (guitarra) e Osie Johnson (bateria). O vídeo nos dá, mais de meio século depois, a emoção desse momento raro do jazz (Billie morreria em 1959). ________________
“Pres”, o favorito de Billie Holiday
Ela canta os primeiros versos do tema, para a entrada de Webster e, em seguida, Lester Young. Billie, em close, tem os olhos brilhantes e segue o solo, balançando a cabeça, como em aprovação ao sopro suave de Young, seu saxofonista favorito – foi ela quem o apelidou de “Pres” (President). Após a segunda intervenção de Lady Day, vem o “choro” do trombone de Vic Dickenson e o som particularíssimo de Gerry Mulligan, o único branquelo do grupo. Mais Billie (“O amor vai fazer você beber e jogar” – Love will make you drink and gamble), para o solo do mestre Coleman Hawkins, meu saxofonista preferido, seguido de Roy Eldridge. Sublime.
O músico Marcelo Ganem, de Buerarema, fará duas apresentações durante o Salon du Chocolat de Paris, evento que começa no próximo dia 31 e vai até o dia 4 de novembro. Será a segunda vez que o artista participa do evento.
Os shows acontecem nos dias 2 e 3, dando destaque às composições incluídas no álbum Amoroso Chocolate. Está prevista a presença do percursionista itabunense Cláudio Kron, que vive em Londres.
Ganem viaja à França a convite da Câmara Setorial do Cacau e do Instituto Cabruca.
Marcelo Ganem, cantor sul-baiano e também conhecido pela causa ambiental, fez sucesso em sua passagem pela França, quando se apresentou no Salão do Chocolate, em Paris. Quem viu gostou e o artista foi convidado a se apresentar em três cidades europeias: Madri, Londres e novo show na capital francesa. Num clique, você acompanha um pouco do que fez o homem de Macuco em solo parisiense.
O programa Aprovado que a Rede Bahia leva ao ar neste sábado, às 8 horas, será dedicado a uma cidade centenária. Sim, ela, Itabuna. Apresentado pelo ator Jackson Costa, o programa trará muita gente boa da terrinha ou que cresceu neste chão: Alba Cristina, Aldenor Garcia, Eva Lima, José Delmo, Marcelo Ganem e Ramon Vane, além da banda Manzuá.
O programa foi gravado em Itabuna há cerca de 15 dias e nele se destaca o poético e maltratado… Rio Cachoeira. A banda Manzuá, informa a atriz Eva Lima, é a vencedora do V Festival Multiarte Firmino Rocha.
Da Redação: No final da noite de sexta, a Rede Bahia informou que o programa seria exibido somente no dia 7.
O músico Marcelo Ganem e o escritor Antônio Lopes se juntaram para prestar uma bela homenagem a Itabuna. A música 100 anos de Itabuna tem letra do mestre Lopese voz e composição do homem da Serra do Jequitibá.
O músico, aliás, participa de bela homenagem à cidade no programa Aprovado, da Rede Bahia, que vai ao ar neste sábado (31). Além de Ganem, o poeta Ramon Vane participa do programa que tem apresentação do itabunense Jackson Costa. Ainda no vídeo, uma homenagem de Ganem no Canal Rural.
Tempo de leitura: < 1minutoMarcelo Ganem e a garotada da Clave de Sol, num intervalo dos ensaios (foto Ari Rodrigues)
As 15 canções do CD “Encantado” – a mais recente produção de Marcelo Ganem – serão conhecidas pelo público nesta sexta-feira (18), a partir das 20 horas, em um show no Centro de Cultura Adonias Filho.
A apresentação, de acordo com a Arteiros Associados, que divulga o trabalho do artista, contará com participações especiais do grupo Clave de Sol, músico Sérgio Ganem e dos bailarinos Aldenor Garcia e Lindamara Braga.
Compõem a banda de Marcelo Ganem Adilson Vieira (teclado e voz), Damião (bateria), Mirailson Silva (guitarra e voz), Conceição Sá (teclado e voz), Carlos Dórea (baixo e voz), Louro (percussão) e Solene Reis (backing vocal). A direção é de Gideon Rosa.
No dia 25, também a partir das 20 horas, Ganem se apresenta no Teatro Municipal de Ilhéus. Depois, segue em turnê por diversas capitais brasileiras.
O primeiro show no qual Marcelo Ganem apresentará ao público as canções do seu mais recente CD vai acontecer no Centro de Cultura Adonias Filho, em Itabuna, a partir das 20 horas do dia 18 de setembro. “Encantado”, o título do trabalho, traz 15 músicas inéditas, compostas pelo próprio artista (algumas em parceria com poetas da região) e uma releitura de Serra da Boa Esperança, de Lamartine Babo.
Depois de Itabuna, Ganem se apresenta no Teatro Municipal de Ilhéus, no dia 25, também a partir das 20 horas. Em seguida, o artista parte com o violão debaixo do braço para São Paulo, Salvador e palcos de outras capitais brasileiras.
Filho de Buerarema, Marcelo Ganem lançou seu primeiro disco em 1984, conquistando o público com o sucesso “Serra do Jequitibá”. Ele é considerado um artista refinado e cuidadoso, daqueles que não cedem aos apelos do mercado fonográfico. Em outras palavras, é um músico raro e que merece ser prestigiado.