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A mais nova pesquisa Ibope/Rede Bahia traz Nelson Pelegrino (PT) na liderança da corrida sucessória em Salvador. O petista aparece com 34% das intenções de voto contra 31% de ACM Neto (DEM), em situação de empate técnico.

Neto despencou de 39% para 31% entre os dias 13 e 27 de setembro, enquanto Pelegrino saltou de 27% para 34%.

Mário Kertész aparece com 7% e Márcio Marinho (PRB) atingiu 4%. Hamilton Assis (PSOL) obteve 2% e Da Luz (PRTB) registrou 1%.

O percentual de brancos ou nulos atingiu 15% nesta pesquisa ante os 13% da última Ibope/Rede Bahia DE 13 de setembro. Os indecisos somam 6%.

A pesquisa aferiu a rejeição aos candidatos. Da Luz tem 36%. É seguido por ACM Neto (35%), Pelegrino (30%), Kertész (28%), Hamilton Assis (25%) e Marinho (24%). 4% não rejeitariam nenhum candidato e 7% não souberam responder.

JOAO HENRIQUE E WAGNER

O Ibope também avaliou os governos de João Henrique e Jaques Wagner em Salvador.

Para 0% dos entrevistados, a gestão do prefeito de Salvador, João Henrique (PP), é considera boa. 4% avaliam como boa, 18% como regular, 11% como ruim e 64% a consideram péssima.

3% dos soteropolitanos consideram ótima a gestão do governador  Jaques Wagner (PT), 14% dizem que é boa, 43% consideram regular, 11% disseram que é ruim e 25% responderam que é péssima.

A pesquisa ouviu 805 eleitores de 24 a 26 de setembro, tem margem de erro de 3 pontos percentuais e está registrada no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) com o número 00236/2012.

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Governador durante inauguração de base comunitária em Itabuna (Foto Pimenta).

O governador Jaques Wagner esteve no final de semana em Itabuna, onde inaugurou a primeira Base Comunitária de Segurança no interior da Bahia. A base de segurança é aposta para redução dos índices de criminalidade em áreas onde há domínio do crime.

Após a inauguração no Monte Cristo e entrevista ao Alerta Total, da TV Cabrália, o governador concedeu entrevista ao PIMENTA. O mandatário baiano falou de greves no funcionalismo, gestão pública, eleições e reflexos eleitorais do julgamento do Mensalão, no Supremo Tribunal Federal (STF). Wagner fez crítica à Revista Veja pela postura de “partido político” assumida pela publicação da Editora Abril.

O governador também abordou o processo eleitoral na Bahia e ainda vê a disputa embolada em Itabuna. Ele afirmou que, na reta final, poderá vir a Itabuna apoiar o candidato da base aliada que estiver melhor posicionado – Vane do Renascer (PRB) ou Juçara Feitosa (PT).

PIMENTA – Quais os resultados já obtidos com as Bases Comunitárias nas áreas onde foram instaladas?

JAQUES WAGNER – A depender do tempo de instaladas, os índices de criminalidade apresentam redução de 40% a 50%. Na área do Calabar [Salvador], tivemos período longo com zero homicídio e as bases têm se mostrado a melhor política, mas é óbvio que não vamos colocar bases em todos os bairros, todo interior, mas as colocamos em cidades com índices elevados, como é o caso de Itabuna. Semana que vem estou indo a Feira de Santana, tem uma projetada para Porto Seguro, é uma política de instalar em bairros onde existe o tráfico conflagrado.

O governo fez opção de instalar a Base Comunitária numa área de quadra poliesportiva. Não há uma incoerência governamental entre discurso e combate ao crime?

Na verdade, foi demandado à prefeitura o oferecimento de um terreno. Também acho que é ruim suprimir uma quadra de esporte para colocar uma base comunitária, que é bem-vinda. A unidade nossa é provisória, mas o terreno ao lado [da quadra] é que será usado.

Existem demandas no sul da Bahia, como a duplicação da rodovia Ilhéus-Itabuna . Quando esta obra vai sair?

A duplicação ficou a cargo do governo federal . O Derba [órgão estadual] já entregou o projeto ao Dnit e está sendo adequado pelo Ministério dos Transportes. O dinheiro está reservado dentro do PAC II. É o Dnit terminar o projeto, sair a licença ambiental e fazer a obra. Eu tenho convicção de que a gente consegue começar essa obra no primeiro semestre de 2013.

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Com a aproximação da eleição, se um candidato da base estiver disputando com o adversário, no caso de Itabuna é com o DEM, a gente pode vir para reforçar.

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Falando de eleições, como se posicionará em Itabuna, onde a base tem dois candidatos?

Para não ser desleal, a minha postura é sempre ficar equidistante onde temos dois candidatos e estes participaram da minha campanha [em 2010]. Com a aproximação da eleição, se um candidato da base estiver disputando com o adversário, no caso de Itabuna é com o DEM, a gente pode vir para reforçar. Por enquanto, há a informação de que a disputa está embolada e eu estou me mantendo distante não só aqui como em todos os lugares. Sou do PT, mas sou de uma coligação. Então, se existem dois candidatos da base, a gente mantém essa distância.

Qual o mapa eleitoral que o governo projeta para este ano?

A projeção que temos é de que, dos 417 municípios, faremos 320. Gente mais otimista fala em 330. Eu boto 320, o que já seria um número bastante representativo, ficando perto de 100 com a oposição, mas ressalvando alguns municípios, pois o PMDB é parte do governo da presidenta Dilma e oposição ao governo estadual, mas não há “interdição” de alianças. Tem prefeitura que vai ser ganha pelo PMDB, mas com o apoio de gente nossa e do PT. E tem lugares onde o PT deve ganhar com o apoio do PMDB. Mas eu diria que, na minha base, estaremos acima de 320 prefeituras.

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Nelson Pelegrino tem crescido bastante e o candidato do DEM, na minha opinião, vem perdendo fôlego.

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E Salvador?

Nelson Pelegrino tem crescido bastante e o candidato do DEM, na minha opinião, vem perdendo fôlego. Em Feira, a eleição é dura, mas a reação de [Zé] Neto é muito boa. Já em Vitória da Conquista, Guilherme Menezes está bem. Aqui em Itabuna, como já disse, está embolado e em Ilhéus nós temos dois candidatos da base, assim como em Barreiras. Então, acho que o resultado vai ser bastante positivo.

Nacionalmente, qual será o impacto do Mensalão para o projeto eleitoral do PT?

Eu estava dizendo que houve julgamento do povo. O episódio do Mensalão já foi público. Em 2005, 2006, teve gente cassada ou que renunciou para não perder o mandato… Na minha opinião, o impacto maior se deu naquela época. Nós já tivemos as eleições de 2006, 2008 e 2010. Algumas pessoas se desestimularam em relação ao PT, mas, pelo desempenho nas eleições, eu diria que não foi um golpe como a oposição gostaria que fosse. Até porque, se o PT tem erros, e seguramente tem, os outros não estão isentos.

Os reflexos hoje seriam menores?

A população não é mais ingênua. Sabe que fazer o discurso da moralidade é fácil, mas teve, por exemplo, o episódio do Mensalão do DEM, com gente filmada colocando o dinheiro no bolso e por aí vai. E o PSDB, também [Minas Gerais]. Então, eu não gosto de generalizar. Seguramente, não somos um partido dos santos, mas de homens e mulheres, como todos são, com erros e acertos. Agora, alguém tentar posar de partido dos santos, de partido detentor da moralidade absoluta acaba soando como mentira para a população. Então, algum impacto acho que tem, mas não estou sentindo, pelo menos por onde tenho andado.

E na Bahia?

É óbvio que não tenho andado por outros estados, mas não estou sentindo isso.

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Eu digo sempre que com o pecado do pecador o povo já se acostumou. O pecado do pregador assusta muito mais. Quando acontece alguma coisa com alguém do PT, vira escândalo.

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O senhor esteve em São Paulo em apoio a Fernando Haddad. Lá, o senhor não sentiu?

Algum reflexo tem, é óbvio. Eu digo sempre que com o pecado do pecador o povo já se acostumou. O pecado do pregador assusta muito mais. Como nós sempre pregamos a moralidade e o bom uso do dinheiro público, quando acontece alguma coisa com alguém do PT vira um escândalo. Por quê? Porque somos pregadores do bom uso do dinheiro público. O episódio foi em 2005, há o julgamento e a postura de condenação. Agora, não acredito que isso vá ser… Vamos ver em São Paulo, onde o Haddad está crescendo, o Russomano está consolidado na primeira posição. Espero que [no segundo turno] dê Russomano e o Haddad, mas vamos esperar mais um pouquinho.

E o que muda com o envolvimento do nome do ex-presidente Lula, segunda a Veja?

Olha, a Revista Veja, ultimamente, tem se transformado quase que num partido político, como já aconteceu em outros países democráticos como Inglaterra, Estados Unidos. Alguns órgãos de imprensa esquecem de que a imprensa tem direito a ter sua opinião – e nós defendemos a liberdade de imprensa, mas tem momentos que ela assume uma posição e se contamina até diante da sociedade. A tentativa, na minha opinião, é absurda. Eu fui ministro que cuidava de toda aquela questão à época do Mensalão. Eu era o articulador político do presidente Lula… No dia que estive em São Paulo, estava saindo a revista e eu disse “posso garantir que o presidente nunca se encontrou com Marcos Valério nem no Palácio do Planalto nem no Alvorada ou na Granja do Torto”.

Mas a pressão é grande.

Essa tentativa [de envolver o ex-presidente Lula] já foi rechaçada no começo pelo Supremo. É tentativa de contaminar uma pessoa que, para tristeza das oposições, continua morando no coração de 80% dos brasileiros, pelo trabalho que ele fez. Mas não acho que isso vá prosperar. Insisto que é falta de argumento da oposição e aí tenta bater só nessa tecla. O povo ouve a palavra, mas julga pela ação. Creio que a ação do PT ao longo desses anos, seguramente, não é perfeita, mas a gente tem feito processo de prosperidade bastante grande no Brasil e na Bahia.

O senhor sempre foi visto como homem do diálogo e oriundo da base sindical. Por que se enfrentou duas greves duras só neste ano, principalmente a dos professores, que foi a mais desgastante e longa?

A greve da Polícia Militar, na verdade, tinha uma agenda nacional, que era a PEC 300. Então, iniciou-se um processo de greves em outros estados e chegou na Bahia e tomou contornos inaceitáveis e violentos. Graças a Deus, superamos aquela fase. Fizemos uma oferta salarial à Polícia Militar que começa a ser cumprida agora em novembro.

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Os negociadores do meu lado e do lado dos professores não exercitaram bem o que é sagrado – a mesa de negociação e o diálogo – e a greve acabou adentrando por uma conotação de politização.

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E na greve dos professores?

No caso dos professores, considero que houve erro de parte a parte na mesa de negociação. Os negociadores do meu lado e do lado dos professores não exercitaram bem o que é sagrado – a mesa de negociação e o diálogo – e a greve acabou adentrando por uma conotação de politização. Só lembrar que, seguramente, não sou governador da Bahia duas vezes, deputado três vezes e ex-ministro do presidente Lula por que seja burro. É óbvio que se num ano eleitoral eu pudesse alargar os proventos do funcionalismo público para estar em cada canto com gente satisfeita… Eu tenho limite e tenho que governar dentro da responsabilidade fiscal. Eu só quero lembrar, sem voltar a esse debate, que nós fizemos e vamos completar em março 53% de ganho real sobre a reposição da inflação. Houve desgaste, mas ele vai sendo superado. O governo não é julgado só por esse episódio. É julgado pelo conjunto da obra de cinco anos e meio. Graças a Deus, a gente tem avaliação bastante positiva da população.

Só que as pesquisas ainda apontam desgaste.

Não, você está falando da pesquisa de Salvador. É que o povo tem a mania de pegar pesquisa de Salvador.

Nos maiores centros, como Itabuna, também ainda há reflexo.

Em Feira de Santana virou completamente. Pode não ser igual às outras cidades do interior, mas a avaliação é positiva. Inclusive, em Salvador a regressão da desaprovação já é bastante grande e a gente já tem aprovação superior a não-aprovação. Salvador foi o grande foco da greve dos professores. Mas em época de eleição as coisas são… (pausa)

Mais acirradas?

(…) Mais acirradas e ninguém [da oposição] vai falar das bondades. Mas sou pessoa tranquila. Vou dar o exemplo de Salvador [em relação a pesquisa]: tinha gente comemorando antes da hora e me parece que a festa não vai ser como eles estavam imaginando. Vamos aguardar porque, pelas pesquisas, eu não iria nem para o segundo turno em 2006 e acabei ganhando no primeiro. Achava impossível ganhar do primeiro turno em 2010… Não falo isso com arrogância, mas como recomendação porque pesquisa é fotografia do momento. Eu acabei de ouvir do diretor da própria rede aqui [Marcelo Almeida, da TV Cabrália] que as coisas mudam com muita rapidez em Itabuna. Em São Paulo, todo mundo achava que Celso Russomano (PRB) ia cair [nas pesquisas]  com duas semanas de televisão. Consolidou em 35% e está todo mundo agora batendo perna, não entendendo o que está acontecendo. Então, vou continuar com minha humildade. Evidente que eu sei os problemas que o governo tem, mas também eu sei das entregas que a gente fez e não são poucas, e o povo julga pelo conjunto da obra.

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Mário: “Salvador virou um grande brega”.

Mário Kertész não é lá de usar meio termo quando quer falar algo. Hoje, talvez tenha se superado ao participar de programa (radiofônico, bem entendido!) na CBN, quando foi sabatinado pelos jornalistas Raul Monteiro (Política Livre), Emerson José e Alex Ferraz.

Mário traçou paralelo dos governos de Lídice da Mata, na década de 90, e o atual, de João Henrique. Não deixou de provocar risos ao comparar Salvador a um brega:

– Lídice entregou a cidade em uma situação difícil, mas não estava desorganizada como está hoje. Lídice não foi boa administradora, mas ela tinha compostura política. Ela sabia que tinha um futuro e cuidava disso. Hoje Salvador virou um brega, só faltou a luz vermelha. O brega principal é o Palácio Tomé de Souza.

Mário está na disputa com Nelson Pelegrino (PT) e ACM Neto (DEM) para ver quem leva a chave do, digamos, lupanar…

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O tucano Imbassahy anunciará apoio a ACM Neto.

Os resultados da última pesquisa Ibope/Rede Bahia levaram o ex-prefeito de Salvador, Antonio Imbassahy (PSDB), a descer do muro e anunciar apoio à candidatura de ACM Neto (DEM). Ontem, o Ibope mostrou salto de 11 pontos de Nelson Pelegrino (PT), que saiu de 16% para 27% ante os 39% de Neto (em 24 de agosto era 40%).

O anúncio de apoio do tucano a ACM Neto será feito em coletiva à imprensa nesta sexta, às 15h, no Hotel Fiesta. O apoio é tratado pela assessoria do prefeiturável como “de grande relevância para a campanha do democrata”.

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Acusada de praticar assédio moral contra funcionários na Bahia, a rede de supermercados Bompreço foi acionada na Justiça pelo Ministério Público do Trabalho a pagar indenização de R$ 10 milhões. A ação civil pública denuncia assédio moral praticado em filiais do Bompreço em Salvador e no interior baiano.

A ação está fundamentada em relatos de funcionários e ex-funcionários da rede. Eles denunciaram situações como perseguição, humilhações públicas, abusos de poder e xingamentos.

Trabalhadores, segundo o procurador, eram obrigados a trabalhar em dias de folga para não perder emprego e eram chamados de incompetente. Agressões físicas também foram relatadas ao MPT baiano.

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A Rede Bandeirantes divulgará nesta quarta, 29, nova pesquisa da sucessão municipal em Salvador. O levantamento foi encomendado ao Instituto Vox Populi e pretende ouvir mil eleitores da capital baiana, conforme registro no Tribunal Regional Eleitoral (TRE-BA).

A pesquisa será a primeira a medir, efetivamente, a influência do horário eleitoral na disputa. O trabalho de campo começou no sábado, 25 – quinto dia de propaganda no rádio e na televisão-, e foi concluído ontem, 27. Trará, além dos números da disputa municipal, a avaliação dos soteropolitanos em relação aos governos de João Henrique, Jaques Wagner e Dilma Rousseff.

O levantamento Vox Populi/Band se diferencia do feito pelo Ibope/TV Bahia, semana passada, por também distinguir, nas avaliações de governo, se o regular (quando houver) é positivo ou negativo. E apresentou ACM Neto (DEM) na liderança, com 40% das intenções de voto, seguido à distância por Pelegrino (PT), 16%.

Os números serão conhecidos no Jornal da Band, às 19h20min.

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O candidato ACM Neto (DEM) se mantém na liderança da corrida pela prefeitura de Salvador, na segunda pesquisa de intenções de voto na capital baiana, divulgada nesta sexta-feira pelo Ibope. No levantamento encomendado pela TV Bahia, afiliada à Rede Globo, ACM Neto manteve os mesmos 40% da pesquisa anterior, seguido por Nelson Pelegrino (PT) com 16% – três pontos percentuais a mais que na primeira rodada.

Mário Kertész (PMDB) é o terceiro, com 8%, e Márcio Marinho (PRB) tem 5% das intenções. Da Luz (PRTB) teve 1% e Hamilton Assis (PSOL) não pontuou neste levantamento. Votos nulos e brancos somam 19% , e os indecisos, 10%. A pesquisa entrevistou 602 pessoas entre os dias 19 e 24 de agosto, e foi registrada no TRE sob o número 00078/2012. A margem de erro é de quatro pontos percentuais, para mais ou para menos. Leia aqui

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Ricardo Ribeiro | ricardo.ribeiro10@gmail.com

Em “Gabriela”, tudo é negativo; as mulheres vivem como em um campo de concentração e só podem falar de liberdade aos cochichos. 

Sem querer estragar a festa de ninguém, já que o momento é de comemoração e, vale adiantar: Jorge Amado merece cada confete que lhe cai sobre a memória e sua obra única. A intenção aqui não é tirar o mérito, mas abordar o formidável escritor sob outro ângulo, o de sua relação com Ilhéus e as terras do cacau como um todo.

Indo direto ao assunto, há uma nítida diferença entre a abordagem que a obra amadiana faz de Salvador e da região cacaueira, sendo que esta é claramente apresentada como o lugar dominado pelo patriarcalismo, o atraso, a violência das tocaias e um solo que, como é descrito em Terras do Sem Fim, foi “adubado com sangue”.

A história de Gabriela, Cravo e Canela, ora em reprise em forma de novela na Rede Globo, mostra os fazendeiros de cacau como coronéis truculentos, que tratavam as mulheres como bicho, as usavam e, se bobeassem, matavam-nas. Prazer mesmo, só com as teúdas e manteúdas ou as “quengas” do Bataclan. A hipocrisia ditava o ritmo em Ilhéus, uma cidade onde – da forma que é descrita em Gabriela, poucos gostariam de viver. Pelo contrário, o que a narrativa desperta é uma incontida pena de quem tinha a desventura de morar naquele lugar de tanta gente desprezível.

Ainda que justifiquem tratar-se de uma Ilhéus de outro tempo, o cotidiano descrito é perverso e de tintas carregadas em tudo que é deplorável. Por outro lado, Jorge não descreve as belezas de Ilhéus. Em sua obra não aparecem os belos mirantes da cidade, suas praias de areia branca e fina, seus coqueirais, o mar, os rios, as matas. Estas, quando entram na trama, é como esconderijo de jagunços, cenário de batalhas intermináveis e sangrentas pela posse de uma terra onde vicejava, ao mesmo tempo e paradoxalmente, a riqueza do cacau e a miséria de uma região que se teimava em ser primária: na monocultura e nos costumes.

Salvador já aparece bem diferente nos livros de Jorge. Apesar de também descrever a pobreza que já havia na capital, o escritor demonstra que esta era a cidade de seu coração. Da multiplicidade cultural, do ecumenismo religioso, dos pescadores e saveiros, de um mar hipnótico. Não é à toa que seus livros atraíram para Salvador figuras como o francês Pierre Verger e o argentino Caribé, curiosos por tanta beleza que transpirava das páginas de Jorge. Vieram e ficaram.

Ser a cidade quase natal (para lá o escritor, nascido em Itabuna, foi aos quatro anos de idade) é sem dúvida alguma um privilégio para Ilhéus. Foi nela que o autor idealizou suas primeiras obras, está nela a inspiração para tantas histórias e tantos personagens. Mas ser conhecida como “A terra da Gabriela”, com tudo a que a história da morena cor de cravo e canela remete, talvez não seja o melhor marketing para Ilhéus.

A impressão que se tem é de que o sul da Bahia ficou para o escritor como o lugar do passado, do qual ele comemorava a libertação. Em “Gabriela”, tudo é negativo; as mulheres vivem como em um campo de concentração e só podem falar de liberdade aos cochichos. O contraponto positivo está nos personagens que negam Ilhéus e tudo que ela representa na obra. Malvina, com sua coragem e nobreza que destoam de tudo que a cerca; Mundinho Falcão com sua visão liberal e cosmopolita; e Gabriela, que confronta aquele mundo arcaico com um sorriso infantil e a convicção da liberdade, a antítese perfeita da podridão que a cerca.

Loas a Jorge, mas Ilhéus definitivamente tem muito mais a oferecer do que carregar esse ranço de ser a eterna “Terra da Gabriela”.

Ricardo Ribeiro é advogado e editor do Cenabahiana.com.br

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Mário, o comunicador, e, atrás ou ao lado, o Mário do Cacetinho… Baiano.

Mário Kertész, candidato a prefeito de Salvador, lançou placas móveis em vários cantos da capital baiana com o mote Chame Mário. Mas o candidato a prefeito tem um xará que concorre a uma das vagas na Câmara.

O espertinho deu jeito de colar no cangote do prefeiturável com plaquinhas sugestivas: Mário chegou.

Mário Pithon (PDT) é engenheiro eletricista, ex-funcionário da Coelba e empresário do setor de panificação. Ele ocupou bom espaço na mídia neste ano ao se posicionar contra o projeto do deputado Negromonte Jr. que obriga as padarias a adicionar 10% de fécula de mandioca ao pão. O projeto ficou conhecido como “Cacetinho Baiano” (relembre aqui).

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Será enterrado às 16h30min desta sexta-feira, 27, no Cemitério Campo Santo, em Salvador, o corpo do cacauicultor Onaldo Xavier de Oliveira. Conhecedor dos problemas da lavoura cacaueira, Onaldo atuou como um dos representantes dos produtores de cacau nas assembleias da Organização Internacional do Cacau (OICC), em Londres, nas décadas de 60 a 80. Ele foi também um dos incentivadores da diversificação no Sul do Estado, com a criação de camarões em cativeiro.

A partir do “Diagnóstico Socioeconômico da Região Cacaueira”, feito pela Ceplac, no final da década de 70, a instituição chegou a instalar estação de carcinocultura na baía de Camamu. A unidade contava com área de 38 hectares, tanques, instalações, laboratórios, viveiros e berçários. A meta final foi estimada no aproveitamento de 30 mil hectares em viveiros, produzindo 30 mil toneladas/ano de camarões e oferecendo sete mil empregos diretos.

A Estação de Carcinicultura Onaldo Xavier de Oliveira acabou desativada devido ao sucateamento da Ceplac, em 1990, com o desmonte no governo Collor. Os milhões em recursos públicos investidos no projeto foram perdidos. Há informações de que as instalações serão repassadas pela Ceplac ao Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia Baiano (IF Baiano), antiga Emarc, para um programa de piscicultura.

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A falta de controle nos municípios pode levar a Bahia enfrentar uma epidemia de dengue no próximo verão. Os índices de infestação em 10 localidades são considerados altíssimos.

O número de casos notificados neste ano também assusta. Para tentar evitar o pior, o estado promoveu oficina de atualização sobre a dengue com os coordenadores dos municípios. As localidades que mais preocupam são Itabuna, Ilhéus, Feira de Santana, Salvador e Jacobina.

Em Itabuna, o índice de infestação predial está acima de 13%. Ou seja, de cada conjunto de 100 imóveis visitados, 13 estão com criadouros do mosquito transmissor da dengue, o Aedes aegypti. O município é o segundo em quantidade de casos, com 5.700 notificações.

Ilhéus, também no sul da Bahia, registrou 2.364 ocorrências. Jacobina notificou 1.720 casos. A campeã no estado é Salvador, com 6.442 casos de dengue neste ano. No estado, são 58 mil ocorrências. Com informações d´A Região

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Após dois anos em construção, será aberto ao público na próxima sexta-feira, 13, o Shopping Bela Vista, que vai funcionar no bairro do Cabula. O empreendimento vai contar com 196 lojas, mas, no momento da inauguração, terá cerca de 120 lojas em funcionamento.

As instalações serão distribuidas em 4 pavimentos de loja, com mais de 3.000 vagas de estacionamento e 9 salas de cinema. O local vai abrigar também uma pista de kart, pista de boliche, além de um cinema 4DX, 100% digital, da rede Cinépolis, e lojas das grifes Le Lis Blanc, John John e Daslu.

Na noite desta quinta-feira, 12, um evento de inauguração, restrito para convidados, será realizado no local. O evento, que acontece a partir das 19h30, vai contar com a apresentação de Caetano Veloso e do Grupo de Metais do Neojibá (Núcleos Estaduais de Orquestras Juvenis e Infantis da Bahia). Informações d´A Tarde.

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O pai diz que vai acionar o filho no TRE (composição Andrei Amós/BN)

Do Bahia Notícias
O clima esquentou de vez no reino dos Varela após o patriarca da família, Raimundo Varela, ter avisado que somente a sua atual mulher, SheilaVarela (PMDB), poderá usar o sobrenome na disputa eleitoral por uma vaga na Câmara Municipal, em outubro deste ano. O radialista prometeu, diante das câmeras de televisão, acionar o Tribunal Regional Eleitoral (TRE) caso seu filho, Gel Varela (PCdoB), também postulante a vereador, usasse o sobrenome durante a campanha.
“Sou Varela desde menino e meu pai sabe disso, talvez ele esteja querendo me provocar. Isso é uma provocação porque não tem razão legal, nem moral. […] Se eu me tremer, pensar como menino… talvez ele esteja pensando que eu sou menino, mas eu tenho 44 anos”, refutou, em entrevista ao programa Acorda pra Vida, da Rede Tudo FM 102.5, nesta sexta-feira (16).
O comunista avisa ainda que não pretende deixar para a madrasta toda a visibilidade proporcionada pelo sobrenome. “Isso não nega o meu direito, o meu princípio de identidade. Meu pai não é um déspota, ele não define a minha vida. Ele é uma pessoa que tem a opinião dele e quer exercer o poder em favor das ideias dele”, acredita.

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Segundo o jornal Agora, o ex-diretor administrativo do Hospital de Base Luís Eduardo Magalhães, Antônio Carlos Carrero, que deixou a instituição por exigência do deputado estadual Gilberto Santana, não foi parar na “rua da amargura”. Longe disso.
Afastado do Hblem, Carrero estaria – diz o jornal – defendendo “interesses de gente graúda da política itabunense, com problemas na Justiça, junto a grandes escritórios de advocacia de Salvador”.
Tem mil e uma utilidades esse Carrero…