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Conselho de Saúde pode pedir descredenciamento do município na gestão so Samu
Conselho de Saúde pode pedir descredenciamento do município na gestão so Samu

A participação do diretor do Samu de Itabuna, o médico Carlos Coelho, na reunião do Conselho Municipal de Saúde dessa quinta-feira, não foi das mais pacíficas. Bastante nervoso em grande parte do tempo, ele não reagiu bem a algumas indagações dos conselheiros e chegou a mandar que a presidente do CMS, Graça Souza, tirasse o dedo de sua cara.

A coisa voltou a esquentar quando, respondendo a um dos conselheiros, que queria saber se ele iria continuar com vários empregos em detrimento da gestão do Samu, ele soltou: “então, você me demita. Eu sou amigo do prefeito e do secretário da saúde”. Ele ainda afirmou que vai continuar com todos os seus empregos (foram relacionados seis), até porque o próprio secretário Antônio Vieira já disse que ele não precisa cumprir carga horária no órgão. Amizades profundas.

O diretor foi convocado a dar explicações sobre a situação do Samu, depois que integrantes do conselho estiveram na sede e identificaram e comprovaram diversos problemas. Ele simplesmente negou que o órgão enfrente problemas. Aliás, fez um pouco mais que negar: denunciou o governo e a pasta de seus amigos. “Médicos e técnicos não trabalham nos postos de saúde e ninguém faz nada. Só falam do Samu”.

A presidente do CMS, Graça Souza, não deixou barato. “O que devemos observar é que, sendo tão amigo do prefeito Azevedo e do secretário Vieira, ele pouca coisa faz para garantir um atendimento digno à população e melhorar a avaliação que o usuário faz da saúde e do governo. Não adianta se fazer de vítima. Ele é o gestor e deve apresentar resultados”.

Sobre o dedo na cara, ela explicou que fala gesticulando, mas não fez isso. “Sou educada o bastante para jamais botar o dedo na cara de alguém. Ele queria me desestabilizar, mas não conseguiu”.

PASSANDO A LIMPO

O Conselho Municipal de Saúde requereu cópia do documento de convênio entre o município e o Ministério da Saúde referente ao Samu; extrato da conta bancária; informações sobre todos os repasses e a contrapartida do estado e município relativos ao Samu; e cópia de todas as licitações e compras realizadas pelo Samu em 2009.

“A partir da análise desses documentos vamos pautar nossas ações em relação ao Samu. Queremos saber também como se dá o processo de compra de combustível para as viaturas, quais os postos que são contemplados com essa compra e qual o critério para eleger esses fornecedores”.

É aí que o bicho pega. Segundo apuração superficial, não há ‘fornecedores’, mas um só ‘fornecedor’. Outra coisa que ela não fala, mas o Pimenta apurou. A depender do que for visto nesses documentos e o resultado da auditoria do Ministério da Saúde, o conselho pedirá o descredenciamento do município para a gestão do Samu.

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Uma reunião extraordinária do Conselho Municipal de Saúde, nessa quinta-feira (21), vai ouvir o diretor e o coordenador administrativo do Samu, Carlos Coelho e Álvaro Catarino.

Os dois foram convocados a dar explicações sobre a situação do órgão que deveria prestar um serviço de excelência nos atendimentos de urgência em Itabuna.

A reunião começa às 17h30min. Na semana passada, o secretário da Saúde Antônio Vieira foi ouvido. A julgar pela convocação de Coelho, não conseguiu explicar tudo.

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O diretor do Samu de Itabuna, Carlos Coelho, deu entrevista à TV Santa Cruz, e falou do trabalho do órgão. Para quem não lembra, CC é aquele diretor que dá expediente em vários locais e na quarta-feira se negou a atender o Conselho Municipal de Saúde, porque estava de plantão na Maternidade Esther Gomes.

A TV preferiu falar, em reportagem exibida no Bahia Meio Dia deste sábado, da rotina daquele serviço de urgência. Direito dela. Com a repórter Karen Póvoas sacolejando dentro de uma ambulância, a matéria falou das agruras de se fazer atendimentos de emergência em Itabuna. Mostrou o trânsito caótico, a tensão dos socorristas, a falta de educação de motoristas e motociclistas. Passou ao largo apenas pelos reais problemas do Samu.

Carlos Coelho (até na matéria) apareceu pouco. Sua fala, condenando os trotes, sugeriu que muito mais poderia ser feito. Apenas não convenceu ao aparecer todo paramentado, com jaleco e tudo o mais, na tentativa de fazer parecer que aquela é a sua rotina.

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A vida dos governantes da vizinha e irmã – rica, ao que parece – Ilhéus é lamentar falta de dinheiro, precatórios, queda na arrecadação e mais precatórios. Mas, ao que parece, vale mais para – quem tem poder de fogo – trabalhar por lá do que em Itabuna.

Um exemplo: médicos do Samu acabam de sair de uma negociação salarial com o prefeito Newton Lima e a secretaria da Saúde, em que levaram no pacote um aumento de R$ 1.500,00 no salário base, que saiu de R$ 3 mil para R$ 4,5 mil.

“Tivemos várias reuniões com o prefeito e a secretaria, e saímos com mais essa vitória”, comemora o delegado regional do Sindicato dos Médicos da Bahia, Teobaldo Magalhães.

Se comparada com a mesma reivindicação feita em Itabuna, onde ele, assim como em Ilhéus, também trabalhava no Samu, a campanha salarial de lá foi mais que vitoriosa. Aqui, após ameaça de greve, os profissionais conseguiram um acordo que elevou o salário para R$ 4.150.

E, no pacote, o governo ainda incluiu a demissão do sindicalista.

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Veículos carregam o peso de serem importados…

Muita coisa estava devidamente maquiada, quando da visita da auditoria do Ministério da Saúde ao Samu de Itabuna. Tanto que, do que o Pimenta teve acesso, as falhas apontadas recaem, principalmente, quanto à estrutura do órgão.

Sobre as ambulâncias, propriamente ditas, que na auditoria estavam devidamente paramentadas “para auditor ver”, nada saltou aos olhos, na rápida checada ao relatório que o blog conseguiu dar junto com os membros do Conselho Municipal de Saúde, na manhã dessa quarta-feira.

O Samu foi condenado em relação às condições físicas, de localização, falta de equipamentos – como refeitório -, precariedade na limpeza das ambulâncias, acondicionamento de medicamentos etc. Sobre os medicamentos, a auditora assustou-se ao descobrir que eles estavam em contato direto com o chão.

Mas, numa visita reveladora, na manhã dessa quarta, os conselheiros municipais de saúde puderam perceber que, das seis ambulâncias que deveriam estar servindo ao município, apenas duas estavam rodando. No início da semana era só uma. As outras estão na oficina da Adei, à espera de peças de reposição. “Também descobrimos irregularidades no livro de ponto, na quantidade de médicos e na prestação do socorro da unidade avançada”, aponta o conselheiro Carlos Vitório.

DISCURSO PRONTO

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…mas os nacionais também atestam a incompetência

A ladainha foi a mesma: são veículos importados – Peugeot e Iveco –, o que dificulta tudo. O diretor de Transportes da Settran, Abílio Pereira, justificou que “se fossem da marca Mercedes Benz, tudo estaria resolvido. Porque temos aqui em Itabuna concessionária da Mercedes, oficina especializada, peças com fartura”.

O discurso é bonito – e até verossímil –, com certeza. Mas Abílio esqueceu de olhar para os lados, ante de proferi-lo. Bem ali, na Adei, departamento que chegou a dizer que “gostaria de comandar, para acabar com aquela ineficiência”, repousavam várias vans, que um dia serviram como carrinhos da Saúde e ambulâncias. Todas devidamente sucateadas. Todas da Mercedes Benz (foto).

TEM DE TUDO

Pequena lista de absurdos do Samu: falta alvará sanitário; medicamentos que serão ministrados aos pacientes repousam no chão; refeitório fechado; alimentação não condiz com a verba que o órgão recebe; apenas um médico no plantão; funcionários assinam ponto sem terem trabalhado; ambulância vai para atendimento sem o médico (avançada); ausência do responsável (Carlos Coelho); ambulâncias estão se desintegrando. E ninguém parece ter solução.

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– INSPEÇÃO DO CMS VIU IRREGULARIDADES

– COMIDA É DENUNCIADA

Socorrista mostra quentinha
Socorrista do Samu recebe quentinha igual a essa

Será necessária uma análise detalhada e sem pressa para determinar quais de todos os problemas encontrados pelo Conselho Municipal de Saúde são, nesse momento, os mais graves e urgentes para a regularização do serviço do Samu em Itabuna. Uma visita surpresa hoje, pela manhã, à sede do órgão revelou que pouca coisa funciona a contento ali.

A começar pela coordenação. O diretor Carlos Coelho simplesmente não aparece no local de trabalho. Hoje, ausente como de costume, foi localizado na Maternidade Esther Gomes. Avisado que sua presença era necessária para dar as devidas explicações ao CMS, ele simplesmente afirmou que não iria. Costas largas.

Na inspeção, os conselheiros descobriram o que já se tornou uma constante nos livros de ponto dos órgãos de saúde da prefeitura: o livro de ponto está assinado até o dia 18, com horários de entrada e de saída de funcionários – não é demais lembrar, ainda estamos no dia 13.

Outro “detalhe”: apenas um médico está no Samu, hoje. Por força da necessidade – já que o atendimento ao solicitante deve ser feito por esse profissional – certamente tratava-se de um médico regulador. Essa situação leva a outra, igualmente grave: a ambulância avançada está saindo sem médico para os atendimentos mais graves – o que é proibido pelo estatuto do Samu.

GOROROBA

Os funcionários também reclamam da comida que lhes é oferecida. Conforme o Pimenta até já denunciou, a verba para a alimentação dos socorristas é enviada pelo governo federal, e o valor varia de R$ 6 a R$ 8,00 por pessoa. O dinheiro deveria servir para que a prefeitura contratasse um fornecedor ou o próprio órgão cozinhasse suas refeições.

Mas não é isso que se vê. A comida é fornecida pelo Restaurante Popular, que cobra do particular R$ 2,00 por cada refeição. Muitos socorristas estão se recusando a comer a gororoba.

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O coordenador do Samu, Álvaro Catarino, resolveu abrir a boca em relação aos desmandos verificados no órgão. Ele afirmou, agora pela manhã, que tudo o que ali ocorre é de inteira responsabilidade da administração municipal. “Não temos autonomia. Apenas cumprimos ordens”, revelou a uma comissão do Conselho Municipal de Saúde, que fez uma inspeção surpresa no órgão.

Segundo Catarino, as ambulâncias estão sem manutenção devido à burocracia. “Aqui a gente faz apenas as requisições. Quem determina a qualidade do será comprado é a prefeitura”. Essa revelação se refere, indiretamente, à péssima qualidade dos equipamentos de segurança dos socorristas e, também, à alimentação que é oferecida aos funcionários.

O Pimenta acompanhou a inspeção e publica, daqui a pouco, todos os detalhes. E olha que não são poucos.

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Das seis “arabacas” em que transformaram as ambulâncias do Samu, apenas uma está à disposição dos itabunenses, nesse início de semana. Ou seja: é proibido acidentar-se por esses dias. Sem falar que a ambulância que sobrevive é a considerada “avançada”, que somente deveria sair da base para atender a acidentes graves.

Daí que, certamente, o cidadão que por acaso necessite de atendimento mas não esteja em risco de vida, vai ter que se virar. Sozinho.

Sinceramente, não dá pra entender porque isso ocorre, uma vez que os recursos federais não sofrem atrasos e a gestão do órgão ainda “economiza” muito dinheiro com a compra de alimentação bem mais barata e equipamentos de terceira para os socorristas.

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Pouca coisa os profissionais do Samu podem fazer, quando não podem contar, sequer, com ambulâncias que andem
Pouca coisa os profissionais do Samu podem fazer, quando não podem contar, sequer, com ambulâncias que andem

As vítimas do grave acidente ocorrido nesse domingo, na BR-415, próximo a Floresta Azul, não puderam contar plenamente com o socorro do Samu de Itabuna.

Isso porque os profissionais também não puderam contar com equipamentos que permitissem ao menos um atendimento digno ao cidadão na pior hora de sua vida – a da quase morte.

Pelo menos três pessoas faleceram em decorrência desse acidente. De um dos veículos, o Corsa, uma criança de três anos morreu após ser arremessada para a pista – há informação de uma segunda vítima fatal.

Do outro veículo, o Pálio, dois adultos faleceram no local  – os sargentos bombeiros militares Cleomar Pereira e Gilson Fernandes.

Quanto ao socorro, apuramos várias deficiências. Primeiro: apenas uma viatura das duas enviadas para atender as vítimas chegou ao local. Por falta de manutenção, uma ambulância simplesmente estourou o motor, após um vazamento de óleo.

A segunda viatura foi obrigada a desenvolver velocidade baixíssima para que o sistema de refrigeração – já denunciado aqui – não pifasse também, chegou ‘arrastada’. Várias vítimas foram socorridas por ambulância comum, do município de Floresta Azul.

Essa última, por sinal, é a mesma ambulância avançada cujos mangotes que levam a água que refrigera o motor estão improvisados. Uma pressão maior poderia botar tudo a perder. O atendimento médico acabou sendo prestado também por um integrante do Samu de Vitória da Conquista.

Ao final, os ocupantes da  ambulância do motor fundido é que tiveram que ser socorridos.

Atualizada às 09h58min, com informações do Programa do Bocão

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A situação está mesmo feia para a segurança em Itabuna. Uma das principais funções da polícia militar tem sido, ultimamente, fazer a segurança do Serviço Móvel de Urgência, o Samu.

É que muitas das ocorrências atendidas pelo Samu na periferia são em decorrência de tentativas de homicídios. E, claro, os autores querem garantir que sua ‘obra’ seja completa. Daí que os socorristas não são bem vistos nesses locais.

Não é demais lembrar que os assassinos geralmente são os mesmos bandidos que mandam e desmandam nesses territórios e, por isso mesmo, não precisam fugir após os crimes.

Por outro lado, a mesma PM está se recusando a fazer a custódia de presos nas audiências na Justiça, na jurisdição do 15º Batalhão.