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A reforma psiquiatra brasileira foi positiva para a assistência em saúde mental, mas o falta vontade política dos governantes para colocá-la em prática, na opinião de Luiz Cezar Melo, 65 anos, mais de 30 deles dedicados à Psiquiatria. Luiz Melo faz críticas ao arremedo que se fez de assistência psiquiátrica nos municípios, principalmente Itabuna. As consequências, aponta, podem ser vistas nas ruas.

Numa entrevista ao PIMENTA, Luiz Melo observa que praticamente se destruiu o pouco que havia no município, principalmente nos últimos quatro anos. O psiquiatra observa, por exemplo, que o Centro de Atenção Psicossocial (CAPS) nível 3 começou a ser construído e não foi entregue até o momento. Ele apela ao prefeito eleito, Augusto Castro, para que conclua o equipamento e faça valer o que preconiza a reforma psiquiátrica.

BLOG PIMENTA – Na opinião do senhor, a assistência psiquiátrica em Itabuna é a ideal?

Luiz Cezar Melo – Como especialista em saúde mental há quase 30 anos, na Apae, Caps e serviço de ambulatório, vejo que a situação tem piorado e não há perspectiva de melhora. Se antes tínhamos sistema que funcionava precariamente, hoje está muito pior e aquém do desejado.

O que difere o antes do momento atual?

Tínhamos hospital funcionando em sistema de mega-asilo, de pessoas confinadas. Depois da reforma psiquíatrica, tentou-se sistema mais racional. Existia, também, o ambulatório da Prefeitura, no Hospital de Base, que funcionava de forma precária, e atendia demanda de Itabuna e região. Funcionava? Pelo menos, os pacientes eram vistos de três em três meses. Havia constância, não havia intervalo muito grande entre um atendimento e outro. Hoje, foi criado ambulatório no Centro, simplesmente arremedo de atendimento psiquiátrico. A pessoa que tem sofrimento mental, quando consegue atendimento, é seis, oito meses depois. O atendimento é precário, com receita emitida, replicada, treplicada.

Quais os riscos para o paciente?

O indivíduo não tem muito contato com quem está tratando dele. Não há avaliação. A pessoa tem que ser avaliada, pelo menos, de três em três meses, mas é vista em intervalor de seis, a 10 meses até. Essa pessoa pode reagudizar, paralisar. E o indivíduo fica na rua. Os familiares sabem bem o que é isso, de ter doente mental em casa e não ter a quem recorrer, não ter o que fazer.

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A saúde mental sempre foi jogada de lado, patinho feio da saúde, que é o patinho feio do orçamento geral de um município.

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Não há alternativa?

A alternativa acaba sendo o serviço particular, que são as clínicas populares, que têm consulta relativamente barata para quem é de classe média, mas não privilegiado tirar R$ 200 do seu orçamento é muito. Esse é um dever do Estado e um direito do cidadão, atendimento público e gratuito. A saúde mental sempre foi jogada de lado, patinho feio da saúde, que é o patinho feio do orçamento geral de um município.

A reforma psiquiátrica foi positiva? Por que ela não está funcionando como preconizado em Itabuna?

A reforma psiquiátrica foi muito positiva com o fim do confinamento. Dificilmente alguém se recupera tendo a sua liberdade limitada e sofrendo maus-tratos e sobrevivendo com o mínimo possível. Era uma solução quando não se tinha algo melhor. A reforma psiquiátrica trouxe uma novidade que é o atendimento na comunidade. Se ela fosse implantada com eficácia, apoio público, vontade política, se a doença mental não fosse tão discriminada e relegada a segundo, a terceiro plano até, talvez ela tivesse…

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O Caps não é um ambulatório a mais. Trabalha em rede, trabalha com o PSF. O único Caps que funcionou bem foi o de Ibicaraí.

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Há bons exemplos de mudança depois da reforma psiquiátrica?

Em alguns lugares, ela floresceu. A reforma prevê que o indivíduo seja tratado na própria comunidade, sem precisar afastá-lo de quem ele gosta, da sua família, porque foi jogado no meio de outras pessoas também doentes. A reforma foi perfeita ao criar o Caps, que encara a doença mental como digna de ser excluída da sociedade, e sim uma tentativa de incluir esse doente que, por algum momento, perdeu a razão, de torná-lo capaz de ser um cidadão. O Caps não é um ambulatório a mais. Trabalha em rede, trabalha com o PSF. O único Caps que funcionou bem foi o de Ibicaraí.

O que deu certo no município sul-baiano?

Em Ibicaraí, tínhamos os três dispositivos da reforma psiquiátrica, que é o Caps, o serviço de residência terapêutica para pacientes que não tivessem referência familiar, o paciente de rua, e o internamento em hospital público. O hospital tinha 3 leitos de psiquiatria. Os pacientes que agudizavam ficavam lá por algum tempo. O período de internamento era mínimo, não saíam da cidade. O paciente recebia o tratamento e voltava para a sua comunidade, dessa vez já com orientação para se tratar no Caps.

Por que Itabuna não avança, embora ainda seja polo em serviços de saúde?

Itabuna tem quatro dispositivos (Caps 2, Caps Infância e Adolescência e Caps Álcool e Drogas) e tem um outro Caps que nunca funcionou e está sendo construído há vários mandatos e ninguém se arvora de terminar. É um Caps que prevê internamento. Ou seja, estaria solucionando um vácuo que o Hospital São Judas deixou. Porque o paciente estaria sendo internado na crise e depois voltaria para o seu ambiente familiar.

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O indivíduo que descompensa não tem a assistência imediata devida. São usados os hospitais gerais, mas estes não atendem completamente. O indivíduo que adoece não tem um sistema para atendê-lo.

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Quais são os efeitos, as consequências da falta de assistência psiquiátrica em Itabuna?

A consequência é o aumento de número de suicídio, pois o indivíduo que descompensa não tem a assistência imediata devida. São usados os hospitais gerais, mas estes não atendem completamente. O indivíduo que adoece não tem um sistema para atendê-lo. Temos aí Roça do Povo que poderia ser usado como oficinas terapêuticas, oficinas protegidas, sistema que dá certo em algumas cidades da Bahia, onde o paciente psiquiátrico, que só é improdutivo na crise, poderia ser encaminhado para poder aprender uma atividade. Ibicaraí chegou a receber prêmio nacional como Caps modelo. Lá, funcionava em rede. Há solução, não há é vontade política.

Há recursos federais para essas ações?

Sim, não para construção, mas para assistência. A parte maior do recurso vem do governo federal. Já deveria estar construído e funcionando aqui o Caps 3, com internamento e psiquiatra de plantão. Isso demorou de ser implantado no Brasil inteiro. Salvador agora que tem, inclusive o CAPS 3 AD, que é de emergência para alcoolismo e drogas, mas, de fato, demorou muito para ser implantado na Bahia.

Por que, no geral, relegam a assistência na área de saúde mental a terceiro, quarto plano?

Primeiro, porque quem adoece não interfere muito na dinâmica econômica da sociedade. O doente mental é invisível, porque ele não vota. Se vota, vota apenas quando sadio. Ele não produz, não é consumidor. Então, é relegado a segundo plano, porque é invisível. No sistema capitalista, ele não tem cartão de crédito. Uma sociedade que confunde cidadania com consumo…

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O doente mental é relegado a segundo plano porque é invisível. No sistema capitalista, ele não tem cartão de crédito. Uma sociedade que confunde cidadania com consumo…

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Não tem valor para essa sociedade?

A não ser que se trate de um grande executivo que adoeça. Ou dono de uma firma ou que seja alguém importante para o sistema. Mas se for pessoa humilde, menos privilegiada, e para o lugar que ele está saindo na empresa tiver 10, 20 para ocupar o lugar, ninguém vai se preocupar em recuperar essa pessoa, já que há exército de reserva muito grande.

Os governos, além de não observarem o doente, fecham os olhos para os efeitos dessa desassistência na família?

Exato. Existe toda uma dinâmica familiar que é afetada. Quem é que vai cuidar deste doente quando está em casa? Por isso que o hospital psiquiátrico parece opção mais viável para alguns. “Não, eu deixo ele lá, não me preocupo mais com ele, vou fazer minhas coisas”. Isso, mesmo sabendo que ele pode estar sendo maltratado.

E poucos também sabem lidar em um momento de crise…

Por isso, louvo muito a reforma psiquiátrica. Pelo menos, na ideia é ótimo. Os Caps estão preocupados com a saúde mental. Então, os familiares podem frequentar os Caps até para ter noção do que fazer e não fazer quando o paciente entra em crise. Há um aprendizado, também. Há muito cuidador de doente mental que, depois, resolve cursar auxiliar de enfermagem ou serviço social, agente comunitário de saúde. Existe um desconhecimento não apenas do público em geral, mas de profissionais da área da saúde também, porque não querem lidar com pessoas que adoecem, pois há o estigma de que doente mental é perigoso, violento. É um estigma.

Preconceito?

Os estudos indicam que o doente mental não é mais violento do que a população em geral. É que os crimes, quando cometidos por doentes mentais, são mais alarmantes, pois há perda do controle, porém não são tão comuns. E aí gera o estigma. Os normais, às vezes, cometem crimes muito mais violentos que os doentes mentais.

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O doente mental que não é bem tratado ou que não consegue esse espaço (atendimento) no serviço público para se tratar, ele se torna quase uma bomba-relógio.

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E aí, retornamos para a questão inicial das consequências da falta de assistência na rede pública, não é mesmo?

O indivíduo que não é bem tratado ou que não consegue esse espaço (atendimento) no serviço público para se tratar, ele se torna quase uma bomba-relógio. O cara que passa um tempo sem ver psiquiatra, sem renovar ou revisar a medicação, pode surtar num período desses e cometer um crime. Mas se é visto, pelo menos, de três em três meses, diminui-se essa possibilidade. Vejo doentes mentais que esperavam consulta há nove meses e descompensaram nesse período, cometendo crime. Se tivesse atendimento, provavelmente não teria cometido o crime. Ou seja, estamos falando de prevenção também.

A reforma psiquiátrica abre espaço para o convívio, a integração. Qual o peso dessa integração para a saúde mental deste paciente?

Se o indivíduo se acha mais aceito, menos discriminado e confia na capacidade dele, isso já é terapêutico por si só. Mas se o indivíduo é isolado, discriminado, claro que vai agravar. Um exemplo bom disso: em Ibicaraí, havia programa chamado Pintando a Cidade. O artista plástico levava os doentes mentais para a rua para pintar as guias, calçadas, jardins… Então, a população em geral, de lá, se acostumou a ver estas pessoas produzindo, trabalhando, coisa que não imaginava, e sem essa aura de perigo. O artista recolhia no comércio as tintas e ele reformava, fazia as tintas e pintava e deixava os usuários do Caps trabalhando. Eles nunca poderiam imaginar que o doente mental poderia produzir alguma coisa, inclusive para a cidade. Então, esse tipo de coisa eu nunca vi aqui em Itabuna. É até uma sugestão para o governo que está entrando…. Eu sei que doente mental não dá voto, mas se ele quer ser um bom gestor, porque não terminar o Caps 3, porque não colocar equipes eficientes nos Caps e não voltar o ambulatório geral? É tornar o doente mental visível. Mostrar que ele não é violento. É violento quando não é tratado adequadamente.

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Eu sei que doente mental não dá voto, mas se ele quer ser um bom gestor, porque não terminar o Caps 3, porque não colocar equipes eficientes nos Caps e não voltar o ambulatório geral? É tornar o doente mental visível.

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Quais são os reflexos da falta de assistência para a cidade?

Quem nunca viu um doente mental na rua quebrando patrimônio ou sendo vítima de chacota e provocações? Há quem não o compreenda e começa a provocá-lo, xingá-lo, ver, realmente, o circo pegar fogo. Há pouco tempo, havia um que quebrava carros… Ah, porque não tem mais o São Judas (clínica psiquiátrica). Que tivesse, mas o São Judas não era tudo. A pessoa não ia ficar a vida inteira lá. Então, se não cuidar para que ele aprenda outro comportamento e não seja provocado, porque não implantar um sistema desse? Sai mais caro recuperar patrimônio destruído por ele.

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Quais são os reflexos causados pelo confinamento imposto pela pandemia da covid-19 para o ser humano? A neuropsicóloga Carolina Loureiro diz que o confinamento em si traz a perda da sensação de liberdade, o senso temporal e a própria rotina, que é alterada. “O nosso cotidiano entra em uma quebra”, afirma Carolina.

A neuropsicóloga comentou os prejuízos decorrentes do isolamento ao notar repique no número de casos da Covid-19. Somente neste final de semana, a Bahia registrou 7,2 mil novos casos da doença e mais de 40 mortes foram confirmadas.

Carolina descreve, inicialmente, os efeitos do confinamento. “Muitas vezes a solidão pode ser angustiante para muitas pessoas, algumas dessas podem apresentar transtornos de ansiedade ou outras síndromes que requerem uma atenção especial.

Ela observa que, além da perda da sensação de liberdade, o confinamento também gera incertezas e inseguranças com relação ao tempo de duração, frustração financeira pela ausência do trabalho, tédio por dificuldade de gerir esse momento e, em alguns casos, existe também o aumento de violência doméstica, principalmente entre casais.

Para Carolina loureiro, “quanto mais longo o tempo de isolamento maior poderá ser a repercussão desses fatores na saúde mental”. Ela acrescenta que a ausência de contato social acaba elevando no organismo os índices de cortisol, o hormônio do estresse. “Isso pode interferir em sentimentos depressivos, abuso de substâncias alcoólicas e obesidade, entre outros fatores”.

A profissional também faz outro alerta: o número de pessoas com medo de serem contaminadas tende a aumentar e esse medo causa ainda mais estresse. “Isso gera uma série de fatores que influenciam significativamente na qualidade de vida das pessoas”.

CONECTADOS

Carolina também alerta para a necessidade de estar atento ao tempo dedicado à tecnologia. Com o isolamento social, a tendência de ficar mais tempo conectado à internet aumenta. “Estar conectado a todo momento pode nem sempre ser a solução, pois isso pode também proporcionar um excesso de informações desnecessárias e falsas sobre a pandemia. Algumas dessas informações podem provocar, inclusive, uma paranoia coletiva”.

A profissional propõe uma abordagem baseada no afeto. “Tomemos como base o amor: assumir o amor que temos pelos próximos e por nós mesmos. O amor é uma fonte de energia que nos proporciona extrema sensação afetiva, de pertencimento, união e solidariedade. E a busca por um amor próprio é encarar nossos estigmas, encarar “falhas” e comportamentos que nos fazem repetir conteúdos que não nos evoluem espiritualmente”.

Carolina ensina que, com a distância, devemos buscar conexões para sorrir, dançar, cantar, conversar. “O cuidado com o próprio corpo também é prova de amor, com exercícios físicos, ioga, ginásticas aeróbicas. Assim diminuímos a concentração de cortisol no corpo, o hormônio de estresse”.

COMO LIDAR COM O ISOLAMENTO

Algumas técnicas, afirma, liberam ocitocina e endorfina no corpo, como abraços nas pessoas que estão com você no confinamento, o contato corpo a corpo. Isso diminui a frequência cardíaca em crises de ansiedade. “Caso você esteja atravessando essa pandemia sozinho, entre em contato com pessoas que ama e troque mensagens, estimulando o hábito do companheirismo e a sensação de possuir uma conexão profunda com alguém”.

“Nessa pandemia permita que a psicologia possa entrar em ação. Essa crise, essa pandemia, não é apenas viral, mas também psicológica, pois causa sofrimento psíquico. Assim, o confinamento gera desequilíbrio mental, que por sua vez gera problemas na saúde mental”.

TERAPIAS A DISTÂNCIA

As terapias a distância, sugere Carolina, podem gerar um acolhimento positivo durante o isolamento. “Elas facilitam o enfrentamento de alguns conflitos psíquicos e aumentam seu bem-estar geral, porque o processo terapêutico visa a busca da saúde mental”, explica. “É importante se conectar com os próximos, mas se conectar com especialistas é fundamental para lidar com sofrimentos e problemas mais profundos”, complementa.

Especialista em avaliação psicológica e em hipnose clínica, Carolina ainda reforça o papel da psicologia na pandemia, oferecendo o auxílio que muitas pessoas precisam para lidar com a “montanha russa de sentimentos e emoções”.

Faculdade Unime oferece atendimento psicológico gratuito online || Imagem Divulgação
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Em Itabuna, para ajudar a lidar com as emoções neste período de pandemia, a Unime está com atendimentos psicológicos gratuitos online. Os atendimentos são realizados por meio de videochamadas de segunda a sexta-feira em horários previamente agendados.

Para marcar atendimento, os interessados devem entrar em contato pelo perfil @psiunime.itabuna no Instagram, informando na caixa de mensagens seu nome e telefone para agendamento, ou preencher o formulário disponível neste link.

Os serviços, que incluem psicoterapia breve e psicodiagnóstico para posterior encaminhamento à rede de saúde, são prestados por estudantes do 8º ao 10º semestre do curso de Psicologia da faculdade. Ao todo, 80 alunos da Unime Itabuna estão envolvidos nesses atendimentos.

Dados da Organização Mundial da Saúde (OMS) apontam que o Brasil ocupa o primeiro lugar na lista de países mais ansiosos do mundo. 9,3% da população no país, o equivalente a 19,4 milhões de brasileiros sofrem de ansiedade. Em relação à depressão, os índices também assustam: 5,8% dos brasileiros apresentam a doença.

Nesse cenário, a pandemia torna a população ainda mais suscetível, de acordo com a doutora em Psicologia Social e coordenadora do curso de Psicologia da Unime Itabuna, Gleicimara Queiroz Klotz. Para ela, iniciativas como essa da faculdade são essenciais para ajudar aqueles que precisam de suporte psicológico.

“Em um momento de fragilidade como o atual, temos tido mais ocorrências de adoecimento mental, e muitos locais que prestavam serviços desse tipo estão fechados. Assim, o plantão psicológico da Unime acaba atendendo uma população que ficou vulnerável em meio à pandemia”, observa a professora.

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Quando somos emocionalmente inteligentes, deixamos os eventos nos influenciar, mas não nos dominar. Por isso, administrar as emoções é tão importante.

Ivana Almeida

Muito dos nossos planos foram adiados, mudamos nossa rotina, nossos hábitos. E mesmo diante de um mundo tão “conectado”, clamamos agora pelo valor inverso… Um olhar, um simples encontro, um abraço aconchegante. Deparamo-nos, de repente diante de algo considerado impensável até poucos meses atrás.

Esta situação inédita de isolamento social decorrente do novo coronavírus trouxe consigo gatilhos que podem desencadear emoções perturbadoras, inquietações, angústia, medo e ansiedade. O fato é que as emoções revelam uma mensagem profunda e serve como sinal para indicar que algo está acontecendo em nossa vida. O grande trunfo é aprender a decifrá-las.

Diante do cenário atual, chorar, sentir-se triste e preocupado é natural. Por isso, não é necessário negar e nem reprimir suas emoções. Afinal, nada faz nos sentirmos mais humanos que as emoções. Então, se sentir vontade de chorar, chore. Só não deixe que esse sentimento, te inunde e tome conta do seu “Eu”, permanecendo dentro de você por muito tempo. Compreenda que as mudanças são parte de um mundo VUCA. Incertezas e problemas sempre vão existir.

É necessário gerir a intensidade dessas emoções negativas para alcançar nosso equilíbrio emocional. Não permita que o medo te paralise e te adoeça. Quando somos emocionalmente inteligentes, deixamos os eventos nos influenciar, mas não nos dominar. Por isso, administrar as emoções é tão importante.

“Quando digo controlar as emoções, quero dizer as realmente estressantes e incapacitantes. Ser emotivo é o que torna a nossa vida rica”. (Daniel Goleman)

Esse é um momento de aprender a desenvolver resiliência, pois só assim seremos capazes de superar os momentos de dificuldade com maior controle emocional. Pessoas resilientes passam pelas dificuldades e se tornam mais fortes. O mais adequado seria buscar auxílio de um profissional para criar estratégias e evitar danificar a saúde mental. Vamos passar por esse momento e aprender com o que ele tem a nos ensinar.

Ivana Almeida é psicóloga.

Serviço de aconselhamento psicológico é oferecido a ilheenses
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A Prefeitura de Ilhéus criou serviço de aconselhamento psicológico gratuito para os pacientes, familiares e até mesmo aos afetados pela pandemia. O aconselhamento é feito por telefone. O Serviço “Como vai você?” oferece apoio emocional prestado por profissionais psicólogos, voluntários e inscritos no Conselho Regional de Psicologia da Bahia da 3ª Região.

O serviço de aconselhamento é prestado pelos telefones (73) 98856-9999, (73) 98899-6439, (73) 98836-6436 e (73) 98837-8084. O tempo estimado é de 20 minutos para cada ligação. O tempo determinado visa permitir que outras pessoas também sejam acolhidas. A coordenação do serviço ressalta que o acolhimento não tem a finalidade de tratar problemas psicológicos ou realizar psicoterapia.

No levantamento dos profissionais, os fatores que mais estressam as pessoas isoladas são não saber quanto tempo durará a quarentena, medo de serem infectados, frustração, tédio, questões sobre os suprimentos ou informações inadequadas, possíveis perdas financeiras e receio de que, ao sair, fiquem com o estigma da doença.

O isolamento ou distanciamento social é uma medida até aqui considerada eficaz para conter o contágio, mas que tem consequências para a saúde mental da população. Em geral, gradualmente, nos municípios, as aulas foram suspensas, as empresas reduziram o horário de funcionamento ou fecharam, os sistemas de transporte público foram paralisados e até o movimento de pessoas nas ruas ficou praticamente proibido. Tudo isso gera um impacto econômico e social nas pessoas e nas comunidades.

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A pulverização de notícias inverídicas e de números inexistentes é um desserviço à população. Em tempo de histeria virtual, priorizemos a nossa saúde mental!

Manuela Berbert || manuelaberbert@yahoo.com.br

Uma população curiosa, agoniada, com um celular nas mãos e inúmeras fontes de notícias e opiniões à disposição. Uma população que compartilha o que vê sem observar a fonte, sem checar a veracidade dos números. Sem certeza de tudo o que está acontecendo, mas lotando os grupos de whatsapp de amigos e familiares de informação, na tentativa vã de contribuir com o todo. Uma histeria virtual, um caos mental.

Um país que já apresenta uma desigualdade social absurda, taxa de desemprego alta, educação e saúde precárias. Um país que já não atende às demandas básicas do seu próprio povo. “Fiquem em casa”, dizem alguns. “Mas o próprio presidente estava nas ruas abraçando as pessoas”, retrucam outros. “Se isolem! Não vão trabalhar, nem estudar!”, alardeiam alguns. “Não posso perder meu emprego”, respondem outros. Ansiedade e instabilidade emocional nas alturas. Sistema imunológico no pé.

Nem é preciso ser profissional de saúde para identificar que esse desespero relativo à expansão, causas e possíveis sequelas da popularmente conhecida coronavírus trará imensas e intensas consequências à nossa população. De um lado, é realmente inegável a preocupante pandemia mundial. De outro, é sabido que as medidas relacionadas à prevenção e contenção, quando tomadas mais cedo, mais eficazes se tornam. Mas a pulverização de notícias inverídicas e de números inexistentes é um desserviço à população. Em tempo de histeria virtual, priorizemos a nossa saúde mental!

Manuela Berbert é publicitária.

Mariana Benedito durante entrevista a Andreyver Lima, do Seja Ilimitado, na TVI
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Todo início de ano é a mesma coisa. Você tem suas metas e objetivos, que por vários motivos não consegue concluir. Na correria do dia a dia, é comum as pessoas criarem desculpas para adiar pequenas tarefas, que, a longo prazo, podem atrapalhar o desenvolvimento pessoal.

No primeiro Seja Ilimitado de 2020, a psicanalista Mariana Benedito, deu dicas de como é importante tirar do papel o que se propõe. Meditação, autoconhecimento e pequenas metas são caminhos para o sucesso, aponta Mariana.

COMEMORE PEQUENAS CONQUISTAS

Uma boa dica, segundo Mariana, é adotar atitudes que podem ser um incentivo para um ciclo de mudanças. “Não deixe para comemorar apenas quando a grande meta for concluída. Celebre pequenas vitórias. Esta atitude vai lhe manter motivado para continuar”, afirma. Confira no vídeo abaixo.

 

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Gabriela Viegas foi encontrada morta em Minas, neste sábado (4)

A miss Ilhéus 2018, Gabriela Viegas, foi encontrada morta neste sábado (4), em Belo Horizonte, Minas Gerais. Ela estudava Medicina pela Universidade Federal da Bahia (Ufba) e estava noiva do consultor fitness Lucas Ferrara. “Gabriela Viegas acaba de perder a batalha contra a depressão. Meus sinceros sentimentos aos amigos, família e a todos os amantes do mundo miss que sofrem ao descobrir da pior maneira que suas deusas não estão imunes a esta triste doença. Descanse em paz”, afirmou missólogo Ricardo Mello.

Gabriela era ativa nas redes sociais, e a última foto que ela postou foi em uma praia, há seis dias. O coach de misses Maycom Soares lamentou a morte da amiga, que sofria depressão. “Hoje eu perdi a amiga mais querida que eu tinha, que mais se preocupava comigo. Ela me amava do jeito que sou, não me julgava, só me amava. Qualquer dorzinha que eu tinha, ligava para ela. Ela sempre me ajudava. Ela foi a miss mais miss que eu tive. Mais grata, mais humana, mais solidária. O que farei da minha vida sem os conselhos dela, sem o amor dela?”.

O velório de Gabriela será neste domingo (5), a partir das 16h, no SAF, na Conquista, em Ilhéus, e será aberto ao público. O sepultamento está marcado para a manhã desta segunda-feira (6). Redação Pimenta com Correio24h.

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Fachada do antigo Hospital São Judas, em Itabuna, fechado há mais de três anos.
Fachada do Hospital São Judas, em Itabuna, fechado há mais de três anos.

Da Agência Brasil

O Brasil perdeu quase 16 mil leitos e fechou 85 hospitais psiquiátricos nos últimos 11 anos, de acordo com levantamento do Conselho Federal de Medicina (CFM). Segundo a entidade, das 40.942 unidades psiquiátricas existentes em 2005, restavam 25.097 em dezembro de 2016, o que representa redução de 38,7% na oferta de leitos psiquiátricos.

De 228 locais existentes especializados em saúde mental em 2005, restaram 143 em dezembro do ano passado. O levantamento foi baseado em informações do Cadastro Nacional de Estabelecimentos de Saúde (CNES). A redução ocorre em período de crescimento de 12% do contingente populacional brasileiro e demanda crescente de pacientes com transtornos mentais, principalmente em decorrência do uso abusivo de álcool e drogas.

“Acredita-se que há 25 milhões de pessoas que necessitam de algum atendimento psiquiátrico, sendo que terão enorme dificuldade de contar com a integralidade da assistência, pois o governo, ao contrário de reforçar todas as etapas dos cuidados possíveis, adotou uma estratégia que prejudica aqueles que, em algum momento de sua história clínica, precisarão de um suporte hospitalar”, afirmou Emmanuel Fortes, 3º vice-presidente do CFM, que também coordenou a Câmara Técnica de Psiquiatria da autarquia.

REFORMA PSIQUIÁTRICA

O CFM explica que o fechamento das unidades é resultado de uma política promovida pelo governo federal de “sufocamento” do modelo de internação. A entidade argumenta que o movimento contrário à internação ganhou força com a adoção da Lei 10.216/2001, conhecida como reforma psiquiátrica.

De acordo com esta política, o atendimento psiquiátrico deve privilegiar a abordagem ambulatorial e terapêutica e evitar a internação dos pacientes. A reforma foi construída a partir de críticas à prática de isolamento e exclusão e às denúncias de maus-tratos ocorridos contra pacientes psiquiátricos internados de forma permanente e involuntária em diversas unidades manicomiais do país.Leia Mais

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Os alunos do 6º semestre de Enfermagem da Unime Itabuna promovem hoje (3), às 19h, o I Encontro de Estudantes em Saúde Mental. O evento é voltado também a profissionais da área de saúde e interessados no tema. O conferencista será o professor Roque Pinto, da Universidade Estadual de Santa Cruz (Uesc).

O encontro será realizada no auditório do campus II da Unime. Para inscrição, o interessado deve doar um quilo de alimento não perecível ou fralda geriátrica, que serão doados ao Abrigo São Francisco de Assis. Os participantes receberão certificado.

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Solidariedade: Marcelo ajuda em resgate de Fernando (Foto Branca Magalhães).
Solidariedade: Marcelo ajuda em resgate de Fernando (Foto Branca Magalhães).

Na tarde desta segunda-feira (10), Fernando, o morador de rua que está com um dos dedos da mão comprometido, foi localizado no Bairro Conceição, em Itabuna. Ele apareceu aqui em matéria da estudante de jornalismo Branca Magalhães (relembre).
O dedo de uma das mãos ficou comprometido após Fernando, também conhecido como Stanley, ter inserido algumas catracas de bicicleta na mão.
Uma equipe da Prefeitura de Itabuna foi até o Conceição encontrá-lo e, logo em seguida, o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu), que o encaminhou para o Hospital de Base Luís Eduardo Magalhães (Hblem).
Após a ligação de uma moradora onde Fernando costumava fazer refeições, Branca saiu à procura do morador de rua. Marcelo Moura, que trabalha na área de saúde mental no município, dirigiu-se ao local.
Branca lembra que o contato com Marcelo foi feito a partir de um comentário do servidor na matéria publicada ontem. Marcelo sensibilizou-se com a situação de Fernando e, ao mesmo tempo, narrou que ele mesmo já foi um morador de rua. Além de Marcelo, alguns moradores do bairro se uniram para ajudar no resgate de Fernando.
O servidor explica que Fernando sofre de transtorno mental grave e não pode ser internado contra a vontade. É preciso a autorização da família do morador de rua. Branca Magalhães, estudante de jornalismo/Redação.
Matéria de Bruna Magalhães despertou a solidariedade de leitores (Reproduçã).
Trabalho de Branca Magalhães despertou a solidariedade de leitores (Reproduçã0).

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saúde mentalAs doenças mentais e neurológicas atingem aproximadamente 700 milhões de pessoas no mundo, representando um terço do total de casos de doenças não transmissíveis, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS). Os especialistas advertem que pelo menos um terço dos que sofrem com problemas mentais e neurológicos não tem acompanhamento médico. A revelação está no Plano de Ação para a Saúde Mental 2013-2020.
Ao longo desta semana, especialistas estarão reunidos para discutir o assunto, em Genebra, na Suíça, durante a Assembleia Mundial da Saúde. O  Plano de Ação para a Saúde Mental 2013-2020 mostra que as doenças mentais representam 13% do total de todas as doenças do mundo e são um terço das patologias não transmissíveis.
Segundo as estimativas, cerca de 350 milhões de pessoas deverão sofrer de depressão e 90 milhões terão uma desordem pelo abuso ou dependência de substâncias. A OMS define depressão como um transtorno mental comum, caracterizado por tristeza, perda de interesse, ausência de prazer, oscilações entre sentimentos de culpa e baixa autoestima, além de distúrbios do sono ou do apetite. Também há a sensação de cansaço e falta de concentração.
A depressão pode ser de longa duração ou recorrente. Na sua forma mais grave, pode levar ao suicídio. Casos de depressão leve podem ser tratados sem medicamentos, mas, na forma moderada ou grave, as pessoas precisam de medicação e tratamentos profissionais. Segundo a OMS, quanto mais cedo começa o tratamento, melhores são os resultados.
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Josicélin Almeida | josicelin@gmail.com

De quem tem o poder da resolução, nem uma única palavra, nem um gesto sequer, que indique o mais tênue desejo de resolver o problema.

Enquanto a Organização Mundial da Saúde (OMS) cobra mais investimentos em serviços de prevenção e no tratamento de doenças mentais, neurológicas e de distúrbios associados ao uso de drogas e outras substâncias, nós, médicos e pacientes do Anexo Psiquiátrico do Hospital de Base de Itabuna, vivemos a inquietude de uma indiferença silenciosa.

Centenas de pacientes, semanalmente, sem atendimento de reavaliação ambulatorial. Famílias preocupadas com uma solução que não chega e com o provável agravamento da saúde dos seus doentes.

De quem tem o poder da resolução, nem uma única palavra, nem um gesto sequer, que indique o mais tênue desejo de resolver o problema.

Neste 10 de outubro – Dia Mundial da Saúde Mental – só um gritante e insensível silêncio.

Josicélin Almeida é médico do Anexo Psiquiátrico do Hblem.