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O secretário de Agricultura do Estado, João Carlos Oliveira, avalia de forma positiva o parecer ambiental que autoriza a supressão criteriosa de espécies exóticas da cabruca, sistema agroflorestal característico da lavoura cacaueira no sul da Bahia. Emitido pelo Instituto do Meio Ambiente e Recursos Hídricos (Inema), o parecer foi tema de encontro da Câmara Setorial do Cacau da Bahia, nesta sexta-feira (25).

“O parecer do Inema abre caminho para desenvolvermos técnicas de manejo que tragam ainda maior produtividade ao cacau no Sistema Cabruca. A possibilidade de retirada de espécies exóticas da área de plantio irá viabilizar a adequação do sombreamento e isso, associado a outras práticas, aumenta a produtividade da planta. E queremos somar isso ao sequestro de carbono da atmosfera, propiciado pelo sistema agroflorestal, pela presença de grandes árvores da Mata Atlântica, em um planejamento que valoriza e conserva todo esse ecossistema”, explicou o secretário.

João Carlos faz a ressalva de que não foi autorizada a supressão indiscriminada das árvores exógenas, ou seja, elas não podem ser derrubadas de qualquer forma nem em quantidade irrestrita.

A Câmara temática reúne representantes de diversos segmentos ligados à cadeia produtiva do cacau. O encontro desta sexta foi liderado pelo presidente do órgão, Valnei Pestana.

ATIVO ECOLÓGICO

O sistema agroflorestal cabruca consiste no plantio do cacau à sombra das grandes árvores da mata. A técnica conservou parte das espécies importantes ao equilíbrio do bioma Mata Atlântica. Entretanto, segundo a Seagri, agricultores reclamam do patamar de produção da cabruca, na comparação com a lavoura em terreno desmatado, com maior incidência de luz solar.

Conforme o posicionamento da Seagri, um bom manejo assegura ganho de produtividade à Cabruca, que presta o serviço ambiental de sequestro de carbono, contribuindo para a redução dos gases do efeito estufa na atmosfera. Na Bahia, Ibirapitanga é dos municípios pioneiros na implementação de Programa de Pagamento por Serviços Ambientais (leia mais aqui).

O argumento da pasta é endossado por estudo recente de pesquisadores da Universidade Estadual de Santa Cruz (Uesc). A pesquisa compara a quantidade de carbono capturada na produção de cacau a pleno sol com a da cabruca. Segundo os resultados, em média, cada hectare de cabruca é capaz de estocar 66 toneladas de carbono, quase o dobro da capacidade do cultivo com desmatamento (veja aqui).