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Gustavo Atallah Haun| g_a_haun@hotmail.com

Duas coisas ocupam meu pensamento com admiração e espanto sempre renovados e crescentes: o céu estrelado sobre mim e a lei moral dentro de mim.”

IMMANUEL KANT

Depois das últimas eleições em 2008, dá para perceber que o PT não tinha o direito de errar na esfera nacional e que transferência de votos não funciona por aqui. Após a conquista da presidência com a grande onda da mudança, na verdade o que fez foi aprofundar tristezas e desilusões Brasil afora.

O PMDB, partidão hoje sem ética nem ideologia, muito longe do da época de Ulisses Guimarães, foi o grande vencedor das disputas municipais do ano passado, e já ameaça arregaçar as manguinhas para o pleito presidencial de 2010, mesmo não tendo nomes de peso que ultrapassem as fronteiras das suas neo-oligarquias estaduais, caso do Rio de Janeiro, Maranhão, Alagoas, Bahia, entre outros.

A verdade, porém, é que o Partido dos Trabalhadores está tomando uma surra política dos peemedebistas, visto as derrotas sucessivas na Câmara, no Senado e nas comissões de ambas as casas, embora o presidente da república dos bananas esteja batendo recordes sucessivos de avaliação positiva. Nesse caso, é sempre bom lembrar o velho reaça, Nelson Rodrigues, que alardeava: “Toda unanimidade é burra!” O Lula é sim popular, dizem todas as pesquisas de opinião, mas não a sua agremiação política, tida como revanchista e perseguidora, com índice de rejeição alto.

Isso se deve, principalmente ao fato de que um partido que se vangloriava de ser o mandatário da ética, da moral, dono da verdade, da boa administração, do pensamento socialista, como o PT, não podia ter financiado a corrupção, não podia ter feito alianças com raposas políticas que combatia antigamente, não devia meter as mãos na lama para garantir a suposta “governabilidade”, não podia ver seu nome envolvido em assassinatos de correligionários, não devia se valer de dossiês (prática usada e aprendida com ACM), não podia e não devia aprofundar o sistema econômico da era Malan e a sua farsa do real.
Ora, nas atuais circunstâncias, o PT colhe aquilo que plantou, fazendo ressuscitar monstros outrora sepultados, como Collor, Sarney e Quércia, e nascer novas aberrações, como Kassab e Yeda Crusius. O sonho de Trotsky, de juntar intelectuais e operários em um mesmo partido político, acabou virando chacota e ôba-ôba no Brasil de Lula-lá. O PT ficou e permanecerá no descrédito popular, com grande ojeriza, como o Dunga na seleção brasileira: pode até vencer ou fazer boas ações algumas vezes, mas vão enxergar sempre o lado podre da coisa por ter negado a sua história e ideologia quando estava no poder.
É uma pena. É uma pena, pois se com o PT de Luís Inácio não deu certo, pelo atual cenário político brasileiro que se vislumbra, nenhum valerá a pena também, salve algumas legendas como o PCdoB, PSol e PSTU, que não têm as mínimas condições de se elegerem no país dos picaretas e do disseminado caixa-dois!
Não à toa os partidos de esquerda estão mortos na Europa. Não à toa a ultradireita governa países como França e Itália. O fracasso das políticas socialistas naquele continente fez ruir o sonho de uma justeza global, de uma fraternidade maior, de uma igualdade social. Apenas no sul da América alguns persistem, contra tudo e contra todos, para o escárnio da Veja e da Globo. E tais governos latinos estão ainda no poder porque quase todos os países saíram recentemente de longas ditaduras dos anos 70, 80 ou 90.
Quando mais cedo ou mais tarde começarem a meter os pés pelas mãos, como sói acontece no nosso aprazível torrão, os antigos donos do poder irão voltar cheios de glória, de brios, renovados de promessas e roupagens, combatendo, inicialmente, a utopia de que o mundo pode ser um lugar melhor, um lugar mais humano de se viver, e depois destruindo o pouco de bom que os governos mais à esquerda conseguiram construir!

Gustavo Atallah Haun é professor

Gustavo Atallah Haun é professor

7 respostas

  1. O PT é mais um partido que se embebedou na ilusão do poder. Passou a vida toda reclamando de irregularidades do PSDB, mas permitiu que as coisas continuassem como antes quando chegou a Brasília.

  2. Professou o senhor foi muito assertivo com suas colocações. Parabéns, que bom ver pessoas sensatas e com equilibrio falando do PT e do PMDB. excelente !!

  3. professor ! parabéns pelo excelente texto, de forma objetiva avalia dois partidos de grande expressão, sem coração, mas com intestino.

  4. O PT é um partido que, pasmem, iniciou a construção de um castelo de areia pela parte superior, esqueceu-se que ondas viriam e o desfaria,e, até agora não teve humildade para recomeçar. O PT assemelha-se à confusa democracia no Brasil. Pela ordem, um partido que não é para os trabalhadores, mas para os interesses dos aliados, e a democracia (no Brasil) não é o governo do povo, muito menos para o povo, como fora idealizada.

  5. O grande problema do PT é o mesmo de muita gente: Prega uma coisa, mas faz outra, …!!!
    Me lembra uma frase: “Faça o que eu digo, mas não faça o que eu faço”, …!!!
    Foi vitorioso como opção, alternativa, ao que aí estava, pois sempre foi muito combativo (na oposição), mas quando chegou ao poder, conheceu “os prazeres da carne”, e aí, caiu em tentação, …!!!
    Como diz o outro: “A carne é fraca e o espírito, safado”, …, deu no que deu, …!!!
    Vai ficar conhecido na história como “aquilo que nunca foi”, …!!!

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