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Henrique Serapião
hserapiao@gmail.com

“De tanto ver triunfar as nulidades, de tanto ver prosperar a desonra, de tanto ver crescer a injustiça, de tanto ver agigantarem-se os poderes nas mãos dos maus, o homem chega a desanimar da virtude, a rir-se da honra, a ter vergonha de ser honesto.” Ruy Barbosa

 
O noticiário dos últimos dias foi tomado pela polêmica a respeito do uso das passagens aéreas pelos familiares dos nobres deputados e senadores, mais um escândalo naquele circo de horrores que estamos acostumados a ver no nosso Congresso Nacional. Até a linda e rica Adriane Galisteu foi envolvida na história.
O que chama a atenção, em mais uma farra com o nosso dinheiro, é a cara de pau dos senhores congressistas, em defender tal abuso. Sim, abuso na medida que levar namorada, mulher e filhas para passear com o meu, o seu, o nosso suado dinheiro, se constitui sim no mínimo em abuso, para não dizer uma excrescência que só acontece no Brasil.
O nobres congressistas (e aí não se enquadram somente os do baixo clero, mas também cabeças coroadas do Congresso) nos brindam com as mais ridículas desculpas, dizendo que o regimento permite, que não há nenhum impedimento legal e por aí vamos. No entanto, suas excelências se esquecem de que as passagens são para uso no exercício do mandato, para deslocamento dos nobres deputados entre os estados de origem e a capital federal. Somente essa é a destinação.
Mas como nosso Brasil é o país da gambiarra, dos arremedos, dá-se logo um JEITINHO BRASILEIRO de deturpar tal cota de passagens, para beneficio próprio e de seus familiares, uma vergonha. Realmente, não tem preço ver deputados (José Aníbal, Mario Negromonte etc.) e ministros (Geddel e Hélio Costa) dando a desculpa de que o dinheiro pertence a eles, e eles fazem o que quiserem com ele. O nobre senador Jefferson Péres deve estar se revirando no túmulo com a notícia de que sua esposa foi ao Senado e retirou a pequena bagatela de R$ 120.000,00 (cento e vinte mil reais) que, segundo ela e o senador Garibaldi Alves, eram-lhe devidos.
Não vou me alongar muito no assunto, porque acredito que já estamos de saco cheio dessa nojeira que se tornou o Congresso Nacional, a conivência dos poderes constituídos em deixar perpetuar tal situação, ressaltando apenas: “Que ao particular é permitido fazer aquilo que a Lei não proíbe, mas ao agente público só é permitido fazer aquilo que a Lei autoriza“.
Ao que me consta não há nenhuma Lei autorizando a farra das passagens que estamos assistindo. A cada dia, a frase dita no início do século XX, se torna mais atual, parecendo uma profecia do mestre Ruy Barbosa.
Henrique Serapião é advogado.

3 respostas

  1. Uma singela “homenagem” de um Engº. Agrônomo a um Advogado. Serve também para os políticos, …!!!
    Agrônomo no inferno?
    Um Engº Agrônomo desceu aos portões do inferno e foi admitido imediatamente….
    Mal havia chegado, já estava insatisfeito com o baixo nível de
    qualidade de vida do inferno.
    Logo começou a fazer projetos e várias ações para coibir aquele caos.
    Ninguém mais reclamava, tinha alimento saudável para todo mundo,
    organizações comunitárias, água para todos, merenda escolar descente,
    cooperativas de produtos orgânicos, mudou a matriz energética
    poluidora para biocombustíveis, postos de reciclagem, grupos que
    discutiam as questões de gênero, sexualidade, etnia, saúde, dentre
    várias outras medidas de desenvolvimento sustentável…
    Por conseguinte, a vida estava melhor por lá. O Engº Agrônomo era um
    cara muito prestativo e popular!!!
    Um dia, Deus chamou o diabo ao telefone e perguntou, ironicamente:
    – E então, como estão as coisas aí embaixo, rsrsrs?
    E o diabo respondeu:
    – Ahhhh… A vida aqui tá mara!!! Agora aqui todos se beijam, sorriem
    uns aos outros, não existe mais miséria, as pessoas estão mais
    felizes… se alimentando melhor… isso sem falar no que o nosso Engº
    Agrônomo está planejando para breve!!!
    Do outro lado da linha, surpreso, Deus exclamou:
    – O quê!?! Vocês têm um Engº Agrônomo aí? Isso foi um engano! Engº
    Agrônomos nunca vão para o inferno. Mande-o subir aqui,
    imediatamente!!!
    O diabo respondeu:
    – Sem possibilidade!!! Nem cogite uma coisa dessas… Eu gostei de
    ter um Engº Agrônomo e continuarei mantendo ele aqui comigo…
    Deus, já mais irritado, fala em tom de ameaça:
    – Mande-o para cá, agora, ou tomarei as medidas legais necessárias.
    Eis que o diabo soltou uma gargalhada:
    – KKKKKKKKKKKK…!
    – Onde você vai arrumar um Advogado, aí no céu? Kkkkkkkkkkkkkk…..

  2. Depois desta malandragem toda, gostaria de saber se este dinheiro que vai ser economizado com estas passagens vai ser devolvido no final do ano ao execultivo, para ser aplicado em melhoria da população, principalmente a de baixa renda. Ou se vão dar um jeitinho de gastar com outras beneses.

  3. Sábias palavras nobre amigo Serapião!
    Seu texto resume de maneira clara e sapiente, o que nós brasileiros sentimos diante de tanta desfaçatez dos senhores deputados e senadores.
    Grade abraço

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