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A Comissão de Anistia brasileira aprovou, na semana passada, a condição de anistiado político para Rui Pinto Patterson, preso no regime militar e fundador do hilário Partido Operário Revolucionário Retado e Armado, o PORRA. A “sigla” era uma dissidência baiana do Partido Comunista Brasileiro, o velhão ‘pecebão’.

O repórter Evandro Éboli, do Globo, resgatou a história de Rui Patterson, funcionário do Banco do Brasil e que vivia em Ipiaú, no sul da Bahia, à época da prisão e tortura, em outubro de 1969. E por que a prisão? A polícia encontrou com ele e o grupo papéis com algumas anotações, entre as quais P.O.R.R.A.

– Era um poemeto sem métrica e rima e sem qualquer acuidade literária. Era um palavrão solto, sem qualquer significado. Mas o papel caiu (foi retido pelos militares) comigo – lembra Patterson, que terá indenização mensal de R$ 2,6 mil.

Os milicos pensavam tratar-se de uma perigosa organização de esquerda. O anistiado e o seu grupo foram torturados e pressionados a revelar o significado da sigla P.O.R.R.A. Um dos detidos, Nemésio Garcia, então, teria “criado” o partido numa das sessões de espancamento. “Foi a única maneira de cessar as torturas”, diz Patterson.

O nome anárquico pegou, graças a um jeitinho do grupo: pichava com palavras de ordem nos jumentos que circulavam pela cidade. “E, por mais que se lavassem os jumentos, a frase não saía. Era a sensação na cidade, e chamava a atenção de todos, nosso objetivo”, contou. Patterson foi julgado e condenado a dois anos de prisão.

O advogado dos militantes do Porra passou por maus bocados ao defendê-los no Superior Tribunal Militar (STM). Para impressionar os milicos, iniciou a defesa com um sonoro “Porra!!!”.

– Quase saí de lá preso. Eram outros tempos, e a expressão era muito pesada. Foi uma audiência de risco – contou Técio, o advogado.

2 respostas

  1. Porra!!!
    Muito hilária essa matéria, imagine os jumentos subversivos veiculando as palavras de ordem “Abaixo a ditadura” RSRSRSR.
    Muito bacana.

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