
Segundo os auditores-fiscais que participaram da operação, os trabalhadores foram retirados do local e receberam os primeiros atendimentos sociais. Agora, os agentes públicos tentam junto ao dono da Construtora Almeida Pessoa a garantia do pagamento das rescisões e a assinatura das carteiras de trabalho de todos os resgatados.
Os auditores interditaram a obra, além de aplicarem uma série de multas por descumprimento da legislação trabalhista. Tanto a empreiteira quanto a prefeitura contratante do serviço de construção do posto de saúde de Praia do Forte serão responsabilizados pela situação. Caso não haja o pagamento das rescisões imediatamente, o Ministério Público do Trabalho (MPT) vai entrar com ações na Justiça para garantia dos pagamentos.
A força-tarefa foi iniciada na semana passada, com o resgate de um trabalhador rural em uma fazenda no município de Baixa Grande, mas os casos mais graves encontrados pela equipe foram em balneário, local rodeado de casas e hotéis de luxo, no litoral norte baiano, a 80 km de Salvador.
Segundo relatos da equipe de auditores-fiscais do trabalho, os cinco operários dormiam no mesmo local onde trabalhavam, no chão ou em colchões doados por populares, não tinham acesso a equipamentos de proteção individual, e se alimentavam de comida estragada. Nenhum deles tinha carteira de trabalho assinada. Todos eram provenientes do município de Feira de Santana, onde a empreiteira contratada pela prefeitura de Mata de São João tem sede. Alguns apresentavam sinais de intoxicação pela poeira excessiva da obra.
Os trabalhadores foram entrevistados, identificados e receberam guias para requerer o Seguro-Desemprego, benefício que têm direito por até três meses. Nesse período, eles contarão com suporte de atendimento e assistência social fornecido pela Secretaria da Justiça, Direitos Humanos e Desenvolvimento Social (SJDHDS) e pela equipe do Centro de Referência Especializados de Assistência Social (Creas) de Feira de Santana, para onde retornaram na última sexta (15).
Os resgatados agora passam a integrar programas de qualificação profissional. Além do pagamento das rescisões, eles têm direito a indenizações por danos morais, que independem da indenização por danos morais coletivos a ser cobrada pelo MPT à empresa e à prefeitura de Mata de São João, que, por ser a contratante, tem a obrigação de fiscalizar a forma como o serviço é prestado.
Além da Superintendência Regional do Trabalho da Bahia (SRT-BA), a ação contou com a participação do MPT, da SJDHDS e com apoio da Polícia Rodoviária Federal.
















