Jaques Wagner e Rui Costa: unidade da base governista passa por acerto dos amigos de longa data
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Se a ideia de ficar sem mandato incomoda Rui, o governador também não parece disposto a se candidatar novamente a deputado federal, alternativa que resolveria quase todos os problemas da coalizão governista no estado e, de quebra, teria força para turbinar a chapa proporcional do PT de forma avassaladora.

 

Thiago Dias

É tradição que governadores populares postulem cadeira no Senado. Tradições, naturalmente, não vinculam os agentes políticos, ainda que exerçam influência sobre seus movimentos.

O ex-governador Jaques Wagner (PT), por exemplo, só foi eleito senador em 2018, quatro anos após deixar o Palácio de Ondina. Nas eleições de 2014, o grupo governista escalou Otto Alencar (PSD) e garantiu a única vaga ao Senado.

O cenário atual tem elementos parecidos com o de 2014. Um governador popular no fim do segundo mandato, Rui Costa (PT), e apenas uma cadeira para a Câmara Alta, novamente pleiteada por Otto.

Até o início da semana passada, quando lideranças governistas da Bahia se reuniram com Lula em São Paulo, o roteiro de 2014 parecia consolidado para 2022. A chapa majoritária teria um petista candidato a governador, Wagner, com Otto disputando a reeleição e o PP indicando o candidato a vice-governador.

Ainda durante a reunião daquela terça-feira (15), surgiu a especulação de mudanças à vista, sugerindo a retirada da pré-candidatura de Wagner, que seria substituído por Otto como candidato a governador, abrindo caminho para Rui se candidatar ao Senado. Uma semana depois, ficou claro que as possíveis alterações da composição da majoritária não agradam a Wagner nem a Otto, além de Gilberto Kassab, presidente do PSD, que chamou a hipótese de “punição”.

E a Rui, agradariam? Ao que tudo indica, sim, pois é o próprio governador quem se coloca à disposição dos aliados para ser candidato ao Senado ou se manter no governo até o final da gestão (veja aqui).

A tradição política não torna atraente a governadores a possibilidade de disputar vaga para a Câmara dos Deputados, já que, para estes, o caminho natural é mesmo o do Senado. No entanto, se a ideia de ficar sem mandato incomoda Rui, o governador também não parece disposto a se candidatar novamente a deputado federal, alternativa que resolveria quase todos os problemas da coalizão governista no estado e, de quebra, teria força para turbinar a chapa proporcional do PT de forma avassaladora.

Thiago Dias é repórter e comentarista do PIMENTA.

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