O grupo paulista Gomes de Almeida Fernandes iniciou conversações para a venda da Unacau, no sul da Bahia, para fins de reforma agrária. Executivos da empresa estiveram na região nos últimos 30 dias para acelerar o processo de venda da propriedade, em Una, ao governo federal.
Um fator emperra as negociações. Há pouco mais de um ano, a Unacau foi denunciada pela prática de trabalho escravo. Quatro homens foram recrutados em Ubatã, também no sul da Bahia, para fazer a colheita do café. Pelo trabalho, ganhariam R$ 6,00 a cada dois quilos colhidos.
Os quatro, um deles adolescentes, disseram que dormiam em camas de cimento sem colchão e a alimentação era comprada na própria fazenda, a preços bem mais altos que os de mercado. Ou seja, eles pagavam para trabalhar. A Unacau foi denunciada ao Ministério Público do Trabalho, em Itabuna. Na época, a alegação é de que a propriedade estava arrendada à Cultrosa.
As investigações determinarão o futuro da negociação com o governo federal. E como a prática da União é não comprar propriedades com histórico de trabalho escravo, parece que o grupo terá que se desfazer da fazenda por outro meio.

























