Mulheres no ato do Dia da Consciência Negra, no Rio de Janeiro || Foto ABr
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Que a força guerreira de Zumbi dos Palmares esteja presente e nos ajude nesta luta, hoje e sempre!

 

 

 

 

 

 

 

Julio Cezar de Oliveira Gomes

Hoje, data em que ocorreu o assassinato de Zumbi dos Palmares durante a defesa do maior quilombo que existiu no Brasil, celebramos o Dia Nacional da Consciência Negra, uma merecida e necessária homenagem que busca enaltecer a luta pela vida e liberdade da população negra e escravizada, luta protagonizada heroicamente por ela mesma.

Atualmente, a data é feriado em seis estados brasileiros: São Paulo, Alagoas, Amazonas, Amapá, Mato Grosso e Rio de Janeiro. Estranhamente, no estado da Bahia, tão importante para a cultura e sobrevivência das populações de origem africana no Brasil, ainda não houve o reconhecimento institucional da extrema importância que esta data tem, reconhecendo-lhe a condição de feriado estadual.

Mas o que concretiza, hoje, a luta pela liberdade, consciência e dignidade da população afrodescendente no Brasil?

Ao lado de todas as belíssimas e indispensáveis manifestações culturais que marcam a data e, aqui na Bahia, o Novembro Negro; além de todas as festas, eventos e painéis expondo a importância e o significado de Zumbi como protagonista do seu povo, faz-se necessárias políticas públicas e ações cotidianas capazes de erguer aqueles que ainda são a maioria dos que passam necessidades, dos que não têm acesso aos serviços públicos, daqueles que recebem as piores remunerações realizando os mais árduos trabalhos e que lotam as prisões, as favelas, as filas da indigência: a população afrodescendente.

Precisamos, para a superação das desigualdades históricas e estruturais da sociedade brasileira, da continuidade de políticas públicas como o Bolsa Família e do acesso ao ensino superior, via Prouni e Fies. Precisamos do fortalecimento dos direitos trabalhistas e previdenciários. Precisamos da afirmação dos direitos das mulheres e das redes de proteção a elas, pois são as não brancas as mais agredidas e mais assassinadas; precisamos de políticas específicas, de cotas para pretos no serviço público e nas instituições e instâncias representativas de nosso Brasil, entre outras ações relevantes.

Mas, precisamos também que cada jovem, cada mulher, cada pessoa afrodescendente se arme do espírito de luta de Zumbi e faça com ainda mais sangue no olho, fé e esperança a parte que lhe cabe: que os jovens estudem de verdade, aproveitando ao máximo as oportunidades que a escolarização e a instrução proporcionam; que as mulheres se valorizem, não se permitindo a relacionamentos que degradam sua dignidade; que todos se afastem da droga e do crime, que apesar do prazer momentâneo e do dinheiro que, respectivamente, proporcionam, terminam invariavelmente com a doença, a exclusão brutal e a morte prematura, em um verdadeiro show de horrores.

Ao mesmo tempo que devemos denunciar todos os tipos de violência a que a população negra está submetida e cobrar das autoridades e do governo que façam a sua parte, é indispensável que cada pessoa do povo afrodescendente e mestiço, nas variadas cores que encontramos na população brasileira, faça a sua parte: estude, trabalhe, conduza-se com responsabilidade, com dignidade e fique longe do crime, das drogas, de todos excessos que embriagam e matam, destruindo vidas, famílias e nações. Que a força guerreira de Zumbi dos Palmares esteja presente e nos ajude nesta luta, hoje e sempre!

Julio Cezar de Oliveira Gomes é graduado em História e em Direito pela Uesc.

Ilhéus terá últimas apresentações neste sábado (18)
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Com tema “Cabaré Afro Latino Caribenho”, o último Cabaré Makutb deste ano tem, neste sábado (18), performances e dinâmicas inspiradas nessas culturas, mas sem deixar de lado toda a brasilidade e, claro, muita baianidade. As apresentações começam às 20h30min na sede do Grupo Teatro/Circo Maktub, no bairro Nossa Senhora da Vitória, zona sul de Ilhéus. A classificação indicativa é 18 anos e as entradas serão na modalidade Pague Quanto Quiser a partir de R$ 10.

Desde outubro de 2022, o Cabaré Maktub já passeou por várias temáticas, homenageando os anos 70 e 80, Forró Fogo no Cabaré e também pelo Folclore Brasileiro. Além das Drags do Maktub, Palhaços do Maktub e As Madallenas, cada noite conta com convidados de diferentes lugares do mundo.

Dentre os convidados estão o muralista chileno Cláudio Edworld, palhaço Franco Shanahan, Belly Dancer Aishagaby, cantor e dançarino Prince Macauley, cantora Jennifer Marx e dançarina sul-mato-grossense Angela Mendes. Para a sétima e última edição do ano, estão confirmados dois novos nomes: Washington Badé e Will Sabetudo.

De acordo com os organizadores, cada edição é um encontro para celebrar linguagens artísticas em performances e interações com público. As noites festivas são embaladas pela Drag DJ Sindel Blade, ícone das baladas regionais. Uma das motivações é colocar em prática convenções da linguagem Cabaré, estilo de espetáculo que dialoga com várias áreas artísticas e a experimentação de números para apresentações posteriores, conforme afirma os diretores do Cabaré Maktub.

O sétimo Cabaré Maktub vem brincadeiras que são sucesso em todas as edições, além de novidades, como Banheira da Gaga e Camisa Molhada. “Todas e todos estão convidados a se divertirem com a gente. Para isso, recomendamos o uso de roupa de banho”, explica o diretor artístico Fábio Nascimento, que dá vida à dona da festa, Madame Brigitte Gioconda.  Além das apresentações, haverá a venda de comidas e bebidas no local.

Wilfredo analisa primeiro álbum solo de Ricô
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Quando a letra de Missa do Rosário dos Pretos acaba, um saxofone entra em cena. Durante a execução dessa parte da música no show de pré-lançamento do álbum C’est la Vida, em Ilhéus, Ricô puxou um coro, e a plateia o acompanhou. Nesse momento, olhou para um amigo que assistia a tudo diante do palco, o professor e músico Wilfredo Lessa. A troca de olhares sinalizava que eles já esperavam a resposta do público ao ouvir a canção pela primeira vez. Para se ter ideia do nível de interlocução que mantêm, numa entrevista ao PIMENTA, Ricô chamou Wilfredo de guru.

Agora, com o disco disponível em todas as plataformas digitais, o site recorreu ao guru para discutir aspectos do primeiro álbum solo de Ricô, que é baixista da banda OQuadro e forma o duo Ziminino com Rafa Dias (RDD).

“Se você ouvir Fogos de Artifício para o Precipício à Vista, primeira composição de Ricô para OQuadro, os elementos que vão gerar esse atual momento dele já estão ali”, inicia Wilfredo Lessa. Para ele, com essa estreia, a banda expandiu sua linguagem musical a partir de um contraponto construtivo. “Tanto que a música virou um hino, todo mundo canta, os fãs d’OQuadro adoram”.

No seu amadurecimento, continua Wilfredo, Ricô traz a influência do trip hop inglês em diálogo com a música popular brasileira. “É uma onda mais ligada à MPB, mas também voltada para a modernidade, para Massive Attack, Portishead, Everything but the Girl, bandas que influenciaram a gente nos anos 90, 2000”.

Também ressalta a importância do contato especial que Ricô estabeleceu com a obra de Marcelo Yuka (1965-2019), com quem trabalhou no projeto F.U.R.T.O, criado pelo músico carioca após deixar O Rappa.

– Ele gravou os baixos do último disco de Yuka. É o nosso amigo que foi mais próximo a ele, quando morava no Rio. É muito significativo, porque, se você pensar n’O Rappa com Yuka compositor, as temáticas do disco de Ricardo também estão ali: um sentimento antissistema, de busca por justiça, integração com a negritude, com a nossa vontade diaspórica de poder, de ascensão, de mostrar que é possível. E um confronto com a violência, quando ele diz: “Só peço que não me mate, brother”.

ATABAQUES NO COMBATE

O álbum C’est la Vida manifesta uma espiritualidade que não fecha os olhos para “as questões de fogo” do Brasil e do mundo, aponta Wilfredo. “É um amadurecimento de uma geração que está buscando paz espiritual, mas não deixa de entender a vida social como luta, como um lugar de batalha, de combate contra a opressão”.

Para ilustrar seu raciocínio, o professor de inglês recorreu à expressão “atabaques no combate”, da música Intermitência, de Ziminimo. Segundo ele, essa é uma boa síntese de um movimento de espiritualização, de busca do autoconhecimento, que não se desconecta dos conflitos em marcha na sociedade.

Com rara habilidade para encadear referências sem perder o fio da meada, Wilfredo Lessa fez uma leitura psicossocial do show de pré-lançamento citado anteriormente. “Foi uma celebração. Para minha geração, pessoal dos anos 90, foi mágico, porque a gente sonhou ouvir Massive Attack, Portishead, com aquele tipo de sonoridade eletrônica e, ao mesmo tempo, visceralmente física, numa música que tivesse um valor espiritual”.

O som de Ricô, segundo Wilfredo, materializa o que, de alguma forma, já estava sendo concebido em meados dos anos 90, quando a cena ilheense ganhava bandas como Ruanda e, depois, OQuadro. Por isso, afirma, C’est la Vida é obra de coroação geracional.

“É a realização de um sonho da minha geração inteira, que alguém tivesse a capacidade de fazer aquele som e, claro, ter respaldo melódico, harmônio e de letra para dizer as coisas que a gente sente, para trazer essa angústia para fora. Uma das coisas mais importantes do trabalho de Ricardo é a maneira como ele lida com a angústia da pós-modernidade, com a maneira como nós estamos perdidos emocional e mentalmente dentro desse mundo de múltiplas escolhas”.

VOLTA AO BRASIL

Ricô mora na França com a família. Ele antecipou ao PIMENTA que desembarca em Ilhéus no dia 20 de novembro. Na volta ao País, o primeiro show confirmado será com Ziminino, no dia 5 de dezembro, no Rio de Janeiro. Para mais informações sobre a agenda, confira no Instagram (rico_thebass). O álbum C’est Vida pode ser ouvido em qualquer plataforma, a exemplo do canal do artista no YouTube.

Peça discute impacto das palavras sobre as crianças
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O projeto Diálogos Artísticos promove apresentações do espetáculo Um Corpo de Palavras em escolas no sul da Bahia. Desde outubro, estudantes de Ilhéus e Uruçuca assistem à peça de teatro de sombras. Neste mês, a programação ocupa escolas públicas de Itabuna e Itacaré. Em cena, uma reflexão sobre o modo como as palavras podem machucar e traumatizar as crianças.

A experiência na Escola Indígena Amotara, em Olivença, foi compartilhada por Inaí Tupinambá, mãe de quatro estudantes que assistiram ao espetáculo e participaram da roda de conversa. “Em casa, procuramos não usar termos que deixam eles para baixo, mas, às vezes, outras pessoas podem falar. Eu tive uma infância em que ouvi muitos termos assim, e esta foi uma oportunidade de abrir mais a minha mente e passar a falar com eles: ‘erga a cabeça, não deixe que os outros falem de você, seja você sempre’, relata.

Atuante na mesma escola, a educadora Geisa Penna ressalta que o espetáculo aborda as particularidades do trabalho pedagógico com os pequenos. “No momento em que o espetáculo começa a falar, de forma lúdica, sobre o que as crianças escutam no cotidiano, isso mostra para os estudantes que o que importa é ser o que se é, entender o que sente, e não tomar para si aquilo que o outro diz”, avalia.

O projeto foi contemplado pelo edital Diálogos Artísticos – Bicentenário da Independência na Bahia e tem apoio financeiro da Fundação Cultural do Estado da Bahia, unidade vinculada à Secretaria de Cultura (Funceb/SecultBa). Para conferir a programação nas escolas de Itabuna e Itacaré, acesse o perfil da dramaturga e diretora Naiara Gramacho no Instagram (@naiaragramacho.arte).

Gerônimo canta no encerramento da FLI
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O cantor e compositor Gerônimo se apresenta no encerramento da 6ª Festa Literária de Ilhéus, nesta sexta-feira (10), às 19h, no Teatro Municipal. Com entrada franca, o show Raízes Sonoras terá participação especial de Itassucy e Banda.

Amanhã, a programação musical do evento começa mais cedo, às 12h, na Praça Pedro Mattos, em frente ao Teatro, com apresentação de Diego Schaun. Às 18h, o palco será de Dois Sopros, dueto formado por Juvino Filho e Zezo Maltez. O evento é promovido pela Academia de Letras de Ilhéus (ALI).

POVOS ORIGINÁRIOS

Manto Tupinambá do século 17 || Foto Roberto Fortuna/Museu Nacional da Dinamarca

A edição deste ano da Festa é dedicada aos povos originários. O escritor, professor, ator e ativista Daniel Munduruku proferiu a conferência de abertura, ontem, no Teatro Municipal. Um dos momentos mais aguardados do evento é o bate-papo sobre o Manto Tupinambá,  marcado para sexta-feira (10), às 16h, no mesmo local, com Cacica Valdelice, Jéssica Tupinambá e Diádiney Almeida.

Foi Valdelice quem se dirigiu, em carta do povo tupinambá, ao Museu Nacional da Dinamarca, relatando a importância da volta do Manto Tupinambá ao Brasil. A instituição europeia guardava a peça desde 1689, segundo registros oficiais, e o doou ao Museu Nacional no Rio de Janeiro. Para os tupinambá, o Manto é mais do que um objeto, segundo Valdelice.

“Os sonhos dos nossos ancestrais, que são também os nossos, seguem vivos. Amotara preservou em sua memória a lembrança da existência de um Manto Sagrado para o nosso povo. Nossos Mantos são ícones da nossa espiritualidade e, por isso, acreditamos que devem estar de pé e vivos, próximos ao seu povo de origem”, escreveu a liderança, na carta de 29 de julho de 2022.

Valdelice é líder de uma das 23 aldeias do povo tupinambá, que se estendem pelos municípios de Ilhéus, Una e Buerarema, no sul da Bahia. Desde 2009, a Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai) concluiu o relatório de reconhecimento e delimitação do território indígena, que ainda aguarda a portaria declaratória do Ministério da Justiça.

Edson Gomes e Olodum são atrações musicais do Novembro Negro
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O cantor e compositor Edson Gomes e a Banda Olodum vão se apresentar em Ilhéus, em show aberto ao público, na próxima terça-feira (14), a partir das 19h, na Avenida Soares Lopes. Marcado para a véspera do Feriado da República, o evento faz parte da programação do Novembro Negro 2023, da Secretaria Municipal de Cultura.

As ações deste mês, segundo a pasta, têm como marco histórico o Dia Nacional da Consciência Negra, comemorado em 20 de novembro, em referência à data atribuída à morte de Zumbi dos Palmares, que liderou um dos maiores focos de resistência à escravidão, no Brasil colônia do século de 17.

Com base em dados do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), a Prefeitura de Ilhéus informa que 78% dos moradores do município são descendentes da Diáspora Africana. De acordo com o músico e comunicador Cijay, da Superintendência de Comunicação, a programação cultural deste ano será a maior já dedicada ao mês da Consciência Negra na Princesinha do Sul.

Mano Brown agradece título de Doutor Honoris Causa || Imagem UFSB
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As mãos entrelaçadas, com os dedos procurando uns aos outros, indicavam uma tensão diferente nos gestos de Mano Brown, durante a sessão em que a Universidade Federal do Sul da Bahia (UFSB) o concedeu o título de Doutor Honoris Causa, nesta quarta-feira (1º), no Teatro Candinha Doria, em Itabuna.

Ele estava num palco, território que habita como poucos, mas o papel de homenageado da noite mobilizava mais o homem que o artista. Talvez por isso tenha iniciado o agradecimento recordando a trajetória da mãe, Ana Pereira Soares, que faleceu em dezembro de 2016, aos 85 anos.

Dona Ana nasceu em Riachão do Jacuípe, no interior da Bahia, e migrou para a cidade de São Paulo, onde deu à luz Pedro Paulo Pereira Soares, em 22 de abril de 1970.

– Para mim, voltar para a Bahia e receber esse título é muito simbólico, porque minha mãe saiu da Bahia, do interior da Bahia, humilhada. Ela saiu se sentido a pior de todas. Foi para São Paulo, chegou lá com 15 anos e a vida nunca foi fácil. Eu queria que minha mãe estivesse viva para ver isso agora, porque, se tem uma pessoa que tinha tudo para ser errado na vida, sou eu – disse Mano Brown.

“TINHA QUE SER NA BAHIA”

Brown e a reitora Joana Guimarães na solenidade desta quarta, em Itabuna || Imagem UFSB

Dos principais compositores da musica popular brasileira, o rapper rendeu homenagens a KL Jay, Ice Blue e Edi Rock, seus companheiros há 35 anos nos Racionais MC’s. “Sempre fui um cara solo, filho único, e encontrei neles irmãos. Hoje nós família. A maior herança que os Racionais têm é se amar e estar os quatro juntos até hoje. Sem eles, eu jamais seria Mano Brown”.

O músico lembrou que, ao chegar em São Paulo, sua mãe foi acolhida por comunidades de terreiro da periferia da cidade, onde ele nasceu e foi criado. O convívio com essas pessoas foi definidor do seu caráter, segundo Brown.

– Fui um cara criado em terreiros, em pelo menos quatro terreiros de candomblé. Dona Maria Luiza, Tia Zeza, Tia Nina, Pai Isac. Formaram nosso caráter de lutar pela vida, de ser homem no melhor sentido da palavra, porque homem tem muitos defeitos. [Quero] agradecer à Bahia por esse reconhecimento, tinha que ser na Bahia mesmo – emendou, arrancando aplausos de um Candinha Doria lotado.

A concessão do título de Doutor Honoris Causa ao artista foi aprovada, de forma unânime, em agosto passado, pelo Conselho Universitário da UFSB. A solenidade também faz parte das comemorações dos 10 anos da fundação da Universidade. Após receber a homenagem, Mano Brown quebrou o protocolo e cantou a música Vida Loka, parte 2. Assista, abaixo, com imagens da transmissão oficial do evento.

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A Universidade Federal do Sul da Bahia (UFSB) definiu data e horário de entrega do título de Doutor Honoris Causa ao compositor e rapper Mano Brown, dos Racionais MC´s. Será na próxima quarta-feira (1º), a partir das 17h, no Teatro Municipal Candinha Doria, em Itabuna, no sul da Bahia. De acordo com a instituição, o evento será aberto ao público.

A UFSB decidiu pela concessão do título a Pedro Paulo Soares Pereira, Mano Brown, durante reunião do Conselho Universitário em 16 de agosto deste ano (reveja aqui), a partir de proposta feita pela Pró-Reitoria de Extensão e Cultura (Proex).

CELEBRAÇÃO

Mano Brown é dos nomes consagrados da cena nacional do hip hop. Segundo a instituição, a homenagem busca “celebrar a importância do gênero musical como forma de expressão da população negra periférica”.

No roteiro da solenidade da próxima quarta, ocorrerá uma apresentação cultural de abertura, seguida da solenidade, uma exibição de documentário e a apresentação cultural de encerramento. A homenagem também integra as comemorações dos 10 anos de criação da UFSB.

À época da aprovação pelo Consu da Universidade, a reitora Joana Guimarães assim se manifestou sobre a concessão do título:

– A titulação aprovada, por unanimidade, pelo Conselho Universitário da UFSB, reflete a importância dada pela nossa comunidade ao trabalho desenvolvido pelo Mano Brown, na arte, na cultura e especialmente na interlocução com jovens negros e negras de periferia, que veem na sua música uma forma de expressão que lhes dá voz, quando a sociedade lhes nega.

Baiana Cyva faleceu neste domingo || Foto Divulgação
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A cantora Cyva, do Quarteto em Cy, morreu aos 85 anos de idade, neste domingo (22). A morte foi anunciada pelas redes sociais do grupo vocal.

– É com imenso pesar que noticiamos a passagem de Cyva, integrante e fundadora do Quarteto em Cy. Cyva participou de toda a carreira do grupo, desde 64, todas as formações. Grande líder, uma irmã e tia generosa com todos, uma amiga sensível. Vai fazer muita falta!.

Em abril deste ano, morreu a cantora Cynara, aos 78 anos de idade, que estava internada no Hospital Prontocor, na Tijuca, na zona norte do Rio de Janeiro. A cantora Cybele morreu em agosto de 2014, aos 74 anos de idade, vítima de isquemia pulmonar, em casa, quando se recuperava de uma pneumonia.

BAIANAS DE IBIRATAIA

O grupo vocal era formado pelas irmãs Cybele, Cynara, Cyva e Cylene, todas baianas da cidade de Ibirataia. Originalmente conhecido como As Baianinhas, o grupo já tinha adotado o nome de Quarteto em Cy quando estreou no Rio de Janeiro, em 1964, em uma boate do Beco das Garrafas, em Copacabana, na época reduto da bossa nova e da música popular brasileira (MPB).

Fábio Lago, Jorginho Nascimento, neto de seu Oreco, e Duda Santos || Fotos Camila Maltez
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Camile Maltez

Os atores Fábio Lago e Duda Santos participaram, na terça e quarta-feiras (17 e 18), de workshop com o Bumba Meu Boi de Seu Oreco para as gravações do remake de Renascer, da TV Globo. O encontro foi na localidade de Urucutuca, zona rural de Ilhéus. O grupo folclórico é o mesmo que participou da primeira versão da novela, em 1993, e deu enredo a história de amor de José Inocêncio.

Após 30 anos, Renascer volta a ser gravada na região cacaueira e será exibida em horário nobre. O ator ilheense Fábio Lago dará vida ao polêmico Venâncio, pai de Maria Santa, vivida pela atriz Duda Santos, e grande amor do protagonista José Inocêncio. O personagem vivido por Fábio tem grande orgulho de ser a cabeça do boi do Boi Bumbá e todo o enredo começa com as apresentações do grupo fictício.

Bumba Meu Boi de Seu Oreco é mantido em remake de produção global || Foto Ingrid Reis

TRADIÇÕES CULTURAIS

A produção da novela fez questão de manter todas as tradições culturais abordadas com o grupo na primeira versão e promoveu a imersão dos atores com a comunidade local e o Bumba Meu Boi de Seu Oreco. “É um privilégio estar aqui na minha terra e poder viver toda essa potência que é o bumba e a cultura popular. É o meu papel enquanto artista voltar aqui e fazer parte desse mundo real e único do nosso folclore. E que é daqui, de Ilhéus!”, comemora.

Fábio Lago também descreve o momento dele com toda a efervescência no município sul-baiano com as gravações de Renascer:

– Estou vivendo uma experiência inesquecível. Que o bumba nos norteie nesta festa com alegria, brincadeira! E leve isso para a novela, para os olhares dos brasileiros. Vejam o bumba, vejam as manifestações culturais daqui e da sua cidade, façam parte, valorizem a cultura popular – recomenda o ator ilheense.

Workshop põe elenco global em contato com a cultura sul-baiana || Foto Ingrid Reis

NOVA GERAÇÃO DO BUMBA

O Bumba Meu Boi de Seu Oreco foi idealizado e criado por Aurelino Alves Galdinho, Seu Oreco, falecido em 2018. Ele chegou à comunidade de Urucutuca ainda menino para trabalhar na antiga Estrada de Ferro da região, e trouxe a tradição da brincadeira do boi.

Ele costumava contar que a manifestação cultural começou com o seu avô, e foi passada de geração em geração. Assim, seguindo o costume, Jorginho Nascimento, neto de Seu Oreco, assumiu a liderança, garantindo a manutenção da tradição da cultura popular.

Ilheense Fábio Lago, o Venâncio, com Duda Santos, que viverá a personagem Maria Santa || Foto Camile Maltez

“Na época das gravações da primeira versão da novela, vovô Oreco ainda era vivo e movimentou toda a região para dar vida ao bumba meu boi do pai de Maria Santa. Agora, tanto tempo depois, estamos de volta passando a nossa cultura e brincadeira para Fábio e toda a equipe”, destaca Nascimento.

Aulas começam na próxima semana
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Reinaugurado no último mês, em solenidade com a presença do governador Jerônimo Rodrigues (PT), o Centro de Cultura Adonias Filho, em Itabuna, recebe o Ginga de Angola, projeto de extensão da Universidade Federal do Sul da Bahia (UFSB) em parceria com o espaço cultural do Governo do Estado. O objetivo é promover a iniciação no estilo mais antigo da capoeira, sob a orientação do pesquisador e servidor federal Paulo Magalhães, o contramestre Sem Terra.

Doutor em Cultura e Sociedade pela Universidade Federal da Bahia (UFBA), Paulo concilia a prática e a pesquisa da capoeira de angola. Ao PIMENTA, ele informa que as oficinas são gratuitas e serão ministradas às terças e quintas, das 16h30min às 18h, a partir da próxima terça (26).

A primeira oficina, antecipa o contramestre, terá a aprendizagem musical como ponto de partida. “É através da música produzida coletivamente que se inicia a imersão na capoeira angola, e prepara-se o corpo para o movimento”, explica. Depois, será a vez dos exercícios de alongamento e aquecimento, antes do treinamento mais específicos da arte-luta.

INSCRIÇÃO ONLINE

As inscrições estão abertas e devem ser feitas no site da Sigeventos, portal da UFSB. Para se inscrever, é necessário se cadastrar. Depois de fazer o login, basta selecionar o módulo Área do Participante e clicar no ícone de inscrições, selecionando o evento Ginga de Angola.

Evento em Itacaré ganha curadoria do Instituto Capim Santo || Foto Andrade
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Celebração de aromas, sabores, sons e cultura, a 10ª edição do Festival Gastronômico de Itacaré, no finalzinho de novembro e início de dezembro, terá um ingrediente especial na estratégia de consolidação como produto turístico e de apelo nacional. O evento deverá ter, a partir deste ano, a curadoria de uma das principais grifes da gastronomia nacional, o Instituto Capim Santo.

O interesse da instituição foi confirmado ao PIMENTA, há pouco, pelo secretário de Turismo de Itacaré, Marcos Japu. O evento começará em 30 de novembro e vai até 2 de dezembro, Dia do Samba, data que será marcada com show de um grande nome da música nacional.

Representantes do município e do Instituto Capim Santo se reuniram na manhã desta quarta-feira (11), em Itacaré. Além da curadoria, os atrativos e atrações do evento serão estrelas das redes sociais do Capim Santo no período do evento, caso se confirme a parceria. “Pela proposta, toda comunicação vai ser partilhada”, afirma o secretário Marcos Japu ao lado de Maurício Pessoa, do Instituto e nome reconhecido nacionalmente por comandar grandes eventos na área cultural.

Festival reúne o melhor da gastronomia em Itacaré || Foto Divulgação

SALTO DE QUALIDADE

A chegada do Instituto Capim Santo, diz o secretário, vai além da curadoria do evento. “Representa um salto de qualidade nos 10 anos do Festival e traz uma tranquilidade para essa parte técnica”, diz Marcos, acrescentando o papel desenvolvido pelo Instituto, em Itacaré, na formação de profissionais. “Pessoas simples, quilombolas, hoje são referências na gastronomia”.

O Instituto, braço da rede de restaurantes Capim Santo, trará sua expertise e, por meio de exposição em suas mídias, ajudará a consolidar o Festival como um dos produtos turísticos de Itacaré com expressão nacional. “O Capim Santo é instituto com grande relevância na gastronomia nacional”, reforça Marcelo Dias, diretor de Promoções Turísticas da Secretaria de Turismo de Itacaré. “Estamos muito felizes e empolgados com a possibilidade”, completa.

PROGRAMAÇÃO

A programação do Festival Gastronômico de Itacaré começará em 30 de novembro com um cortejo cultural reunindo a Banda Didá e a atração local Dedo de Moça, além da presença de autoridades nacionais e estaduais e do prefeito Antônio de Anízio. O encerramento, no dia 2 de dezembro, terá uma grande expressão do samba nacional.

A abertura, explicam Maurício Pessoa e Marcos Japu, seguirá o mote do empoderamento feminino, com a Dedo de Moça e Banda Didá. Além do melhor sabor da terra, o festival, antecipa o secretário, terá dinâmicas de outras edições, com manifestações culturais, Feira da Agricultura Familiar e a Feira do Artesanato. “O interesse do Instituto em enviar a proposta é de extrema importância para o evento e para Itacaré. É instituição de envergadura, respeitada no Brasil e no mundo, e já com serviço social relevante no município”, finaliza Japu.

Evento será no Parque de Exposições Antônio Setenta, em dezembro
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A venda de ingressos para a primeira edição do Axé Cola na Manu foi liberada na manhã desta quinta-feira (5). O evento será em 9 de dezembro, em Itabuna, com duas atrações regionais e shows de Luiz Caldas e Carlinhos Brown, dois monstros sagrados do axé music.

O primeiro Axé Cola Na Manu tem a assinatura de Manu Berbert e de Milena Leão, da Carambola Produções, e promessa é de grande estrutura para o público, tendo a garantia de grandes eventos desde 2014. Para curtir a festa que celebra a temporada mais quente e aguardada da Bahia, o Verão, o público poderá optar pela Arena (pista) ou Lounge Vip, que proporcionará maior conforto, cenários inovadores e serviços de bar e praça de alimentação diferenciados.

A compra do ingresso pode ser feita pela internet (clique aqui). Neste primeiro lote, o ingresso para Arena custa R$ 60,00 e sai a R$ 100,00 a casadinha. Para a área Lounge Vip, R$ 120,00 individual e R$ 200,00 a casadinha.

A festa será no Parque de Exposições Antônio Setenta, a partir das 18h. Quem curte o melhor do axé music e grandes festas poderá curtir todas as novidades do Axé Cola na Manu também pelos perfis oficiais no Instagram (@axecolanamanu e @colanamanueventos).

Prefeito Moacyr Leite Júnior fala no encerramento do Festival
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O prefeito de Uruçuca, Moacyr Leite Júnior (UB), prestigiou, no sábado (30), o encerramento do sexto Festival de Arte e Gastronomia de Serra Grande. Segundo ele, a iniciativa é resultado da luta de vários segmentos da comunidade. “É a sexta edição do Festival, apesar das dificuldades, da falta de recursos, mas buscando parcerias importantes, trazer esse apoio para realizar o evento”, comentou.

A repercussão do Festival ultrapassou as divisas da Bahia e chegou a diversas partes do País, afirmou o prefeito. “Foi um sucesso, estão todos de parabéns”, acrescentou, dirigindo-se aos organizadores.

A gestão municipal apoiou o evento. “A Prefeitura é parceira, fomos buscar o apoio do Sebrae, através do diretor Franklin e do presidente do Conselho [Deliberativo Estadual do Sebrae], Dr. Humberto Miranda; Sindicato dos Produtores Rurais de Uruçuca; e do Senar”.

“Agradeço a toda comunidade de Serra Grande e aos empresários, que participaram do evento de grande importância para Serra, para Uruçuca”, concluiu o mandatário.

Roteiros de turismo ativo une esportes à imersão na cultura regional || Fotos Elo Bike & Trips
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Caía a tarde quando a silhueta de ciclistas apareceu, em contraluz, aproximando-se lentamente da Ponta do Mutá, em Barra Grande, no litoral sul da Bahia. Esgotados, desabaram na areia em frente ao famoso Camping Lagosta Azul, onde turistas aguardavam o pôr do sol. Era o verão de 2006, às vésperas da virada do ano, a Península de Maraú estava lotada. Os aventureiros tinham saído de Ilhéus e pedalado mais de 120 km em dois dias. Um deles foi derrubado por uma insolação e precisou de 48h para se recuperar. Mesmo para jovens saudáveis, foi um perrengue daqueles.

A viagem de bicicleta de Ilhéus à Península de Maraú é uma das rotas de passeio da Elo Bike & Trips. Criada em 2019, em Serra Grande, distrito de Uruçuca, a agência promove o cicloturismo no sul da Bahia. “Nosso olhar para o turismo não é local, é regional”, explica ao PIMENTA Juliano Borghi de Mendonça, 40, fundador da empresa. Ao contrário daquele grupo de amigos ilheenses que se aventurou sem planejamento, as viagens da Elo têm outra pegada, mais contemplativa e confortável, assegura o empresário. “Sem perrengue”.

Juliano Borghi: “vi uma história a ser contada”

A Rota Península de Maraú leva oito dias, considerando a chegada e saída para quem não mora no sul do estado e desembarca no Aeroporto Jorge Amado, em Ilhéus, por exemplo. A primeira parada é em Serra Grande e a dormida, em Itacaré. O segundo dia começa com a travessia de balsa na foz do Rio de Contas, seguida por visita guiada à Ecovila Piracanga, com direito a café da manhã. A jornada continua nas piscinas naturais do Cassange. “É uma viagem com calma, cada dia uma atividade”, diz o anfitrião da Elo. A última parada é em Barra Grande.

O ritmo das atividades não exige histórico de atleta, mas, a rota na Península de Maraú é um parque de diversões para quem gosta de esporte. “Tem bike, rafting, mergulho, caminhada, canoa havaiana. É uma viagem multiesportiva para pessoas que não são atletas. As pessoas olham para esse tipo de viagem e pensam que vão pedalar o tempo inteiro. Não, é o contrário. A gente pedala, no máximo, 30 km por dia”, conta Juliano.

ROTA DO CACAU

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 Eu vi que tinha uma história muito interessante para ser contada, que é essa história do cacau e do chocolate, que pouca gente conhece no Brasil. Contar isso através de vivências ativas, pedalando, é perfeito.

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A Elo também formatou a Rota do Cacau, de sete dias. “O roteiro começa em Ilhéus. A gente dorme uma noite, as pessoas conhecem a história de Jorge Amado, da cidade, e fazem uma visita guiada ao Centro Histórico”, detalha. A parada seguinte é em Serra Grande, com três dias de visita a fazendas de cacau do entorno, antes de seguir para Itacaré.

Turistas visitam fazenda de cacau no sul da Bahia

O grupo viaja com estrutura de apoio, hospedagem em hotéis e bicicletas fornecidas pela agência. É um mergulho na cultura que, durante um século e meio, foi o principal segmento econômico da formação social do sul da Bahia.

“Eu vi que tinha uma história muito interessante para ser contada, que é essa história do cacau e do chocolate, que pouca gente conhece no Brasil. Contar isso através de vivências ativas, pedalando, é muito incrível, diferente, é perfeito, na real”, resume Juliano, recordando a ideia que deu origem à Elo.

PONTE

Cassange é um dos paraísos na Rota Maraú, que vai de Ilhéus a Barra Grande

Nascido na cidade de São Paulo, Juliano Borghi de Mendonça mora em Serra Grande desde 2013. Formado em Geografia e mestre em Conservação da Biodiversidade e Desenvolvimento Sustentável, já percorreu diversos países da América Latina de bicicleta. Na Elo Bike & Trips, uniu a formação acadêmica e a paixão pelo ciclismo em um empreendimento integrado à vocação territorial do sul da Bahia, com seu reduto da Mata Atlântica, que abriga as riquezas, contradições e identidades da civilização cacaueira.

Com as viagens, a agência aciona uma rede de prestadores de serviço e fornecedores da região. Segundo Juliano, seu trabalho não almeja protagonismo nos destinos turísticos.

– A gente só está no papel de facilitador, de ponte, porque em cada fazenda, em cada projeto que a gente vai, tem os anfitriões locais. Estou há dez anos na Bahia, mas sou paulistano. Estou só fazendo a ponte, recebendo as pessoas, fazendo essa articulação. Mas, quando a gente chega nas fazendas, quem recebe são os trabalhadores, os proprietários. São eles que contam as histórias.

Turista observa paisagem em Serra Grande || Fotos Elo Bike & Trips

A Elo Bike & Trips ganhou mais duas anfitriãs, que organizarão viagens de experiência para pessoas que não pedalam. Um roteiro vai se concentrar em cultura e cacau e outro em imersões na natureza, com práticas de meditação e rodas de conversa com as erveiras, mulheres com saberes tradicionais sobre as diferentes formas de uso da flora regional.

“Vai ter visita à Ecovila de Piracanga, uma série de atividades para as pessoas se conectarem com elas mesmas e também conhecerem a verdadeira identidade do sul da Bahia”, antecipa Juliano. Mas essa é outra história.