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Em uma manhã chuvosa, o itabunense que depende do transporte coletivo está tendo que se deslocar a pé para o trabalho. O Sindicato dos Rodoviários deflagrou logo cedo uma paralisação que, de acordo com o presidente da entidade, Joselito Paulo (Pé de Rato), atinge 80% da frota.

Pé de Rato não diz até que horas vai a paralisação. “Depende dos trabalhadores, mas pela revolta que estou vendo e a intransigência do segmento patronal, ela vai até o fim do dia”, afirma.

O sindicato se encontra em campanha salarial, reividicando reposição de 30%. Na próxima quarta-feira (05), haverá assembleia, com possibilidade de ser deflagrada greve por tempo indeterminado.

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Espera é longa e debaixo de sol e chuva.

A humilhação a que são submetidos todos aqueles que buscam atendimento nos cartórios centralizados nas Nações Unidas, em Itabuna, será um dos temas do programa Bom Dia, Bahia (rádio Nacional), apresentado por Fábio Roberto, Ederivaldo Benedito e Louise Moreira, a partir das 7h desta segunda-feira.

Quem fala sobre o péssimo atendimento nos cartórios é o presidente do Sindicato dos Bancários de Itabuna, Jorge Barbosa.

O cidadão que precisa reconhecer ou abrir firma ou autenticar documentos, por exemplo, espera, em média, 3 horas nas filas do cartório. Debaixo de sol e chuva, claro! A situação foi mostrada aqui, no Pimenta, não faz muito tempo (confira).

O Bom Dia, Bahia vai tratar ainda do caótico trânsito de Itabuna. O titular da Settran, Wesley Mello, vai explicar o que pretende fazer para melhorar os congestionamentos no centro da cidade, que ficaram ainda mais insuportáveis com as obras na Avenida do Cinquentenário e o alargamento da ponte da rua Felícia de Novais, no Fátima.

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Antes de levar a canetada do governador Jaques Wagner e ser transferido para Vitória da Conquista, o ex-comandante do 15º Batalhão da Polícia Militar, Jorge Ubirajara Pedreira, revelou ao repórter Fábio Roberto, numa entrevista ao jornal A Região, que esperava ficar mais um ou dois anos em Itabuna. Não deu.

Ainda na quinta-feira passada (29), quando da transmissão de comando, o militar não fugiu ao seu estilo. “Vim, vi e venci”, disse ao Pimenta. “Os poucos que não entendem a missão da polícia não tiveram essa sensibilidade [de reconhecer o trabalho]“. Ubirajara acredita que foi transferido para Vitória da Conquista por ter feito um trabalho “diferente” em Itabuna.

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Luís Augusto Gomes | www.porescrito.com.br

Borges: hora, também, do ônus.

Ter sido o autor da proposta de emenda constitucional que eleva o número de vereadores, conhecida com PEC dos Suplentes, deu ao senador César Borges (PR) muito prestígio em bases interioranas. Mas agora o feitiço parece ter virado contra o feiticeiro, ameaçando o senador de prejuízo eleitoral.

Além de não beneficiar os suplentes, porque teve seu caráter retroativo negado pelo Supremo Tribunal Federal, a PEC acarretou a queda do duodécimo repassado mensalmente às câmaras pelo Poder Executivo, levando a Regional Norte da Federação Baiana das Câmaras Municipais a protestar em evento realizado em Juazeiro.

O presidente da entidade, Albano Fonseca, de Governador Mangabeira, disse que as câmaras “vivem um momento difícil”. Mas quem radicalizou foi presidente da Câmara de Juazeiro, Crisóstomo Antonio Lima, o popular Zó (PCdoB). Disse que Borges passou “de padrinho a algoz” dos vereadores e que vai trabalhar para “tirar votos dele”.

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Nem bem começou o segundo tempo da finalíssima do Baianão 2010 e o tricolor-de-aço empatou. O goleiro rubro-negro Viáfara deu rebote e Rodrigo Gral empurrou para o fundo da rede. Vitória 1×1 Bahia. O gol dos donos do Barradão foi marcado por Elkson. O Vitória ganhou o primeiro jogo por 0x1, e está na vantagem.

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Segundo informa o jornal A Tarde, uma pessoa morreu e outras 65 ficaram feridas em um acidente nesta tarde. Um ônibus que levava cerca de 100 (isso, cem!) torcedores do Vitória para o Barradão capotou a caminho do estádio, onde acontece a final do Baianão 2010.

Os sobreviventes fazem parte da organizada Os Imbatíveis. Mesmo ferido, o motorista do ônibus da BTU teve que fugir para não ser linchado pelos passageiros.

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O itabunense que usa ônibus deve se preparar. Os rodoviários prometem paralisação de até três horas nesta segunda-feira em um dos horários de pico. A categoria quer pressionar os donos de Expresso Rio Cachoeira e Viação São Miguel a negociar reposição salarial de 30%, o reconhecimento do Sindirod como o sindicato dos rodoviários e o fim da circulação de ônibus de catraca sem cobrador (o popular motocobra).

Os rodoviários ainda acusam as duas empresas de criar um sindicato fantasma para protelar as negociações. O “fantasma” é presidido pelo ex-vereador Adeládio Pereira, o Pezão, que estaria a serviço das duas empresas concessionárias do transporte coletivo urbano, segundo Joselito Paulo, o Pé de Rato, do Sindirod.

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Lídice: pressão pela Câmara Federal.

Por meio da sua assessoria, a deputada federal Lídice da Mata afirma que se mantém na disputa por uma das duas vagas baianas ao Senado Federal. Este blog quis saber se era cogitada a desistência da parlamentar na sua tentativa de ser – até onde sabemos – a primeira mulher senadora do Estado.

Além de negar desistência, a deputada menciona o apoio e simpatia do governador Jaques Wagner na disputa.

Internamente, os ‘pessebês’ pensam que a deputada faz má escolha. Para fortalecer o partido na Bahia, imaginam, Lídice deveria disputar a reeleição. O raciocínio tem certa lógica. A ‘xerifona’ do PSB somou algo como 200 mil votos a seu favor na eleição de 2006. A repetir o desempenho em 2010, não só estaria reeleita como ainda aumentaria o número de parlamentares da legenda na Bahia na Câmara Federal, de um para dois ou três.

As chances cresceriam com o PSB saindo sozinho na disputa, sem coligar-se. Pelos cálculos do grupo que a deseja na Câmara Federal, o partido tem hoje 14 nomes com potencial para 20 mil a 30 mil votos. Soma daqui e dali, e o PSB teria os 2, 3 deputados. Será?

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Uma professora relata o drama vivido pelos educadores em Itabuna. Na última quinta (29), a polícia militar apreendeu sete estudantes de três escolas. Todos foram detidos no Instituto Municipal de Educação Aziz Maron (Imeam).

Os estudantes, relata a colega da vítima, invadiram a escola para não apenas ameaçar, mas tentar espancar uma professora de matemática. Delinquentes.

O que ela fez para tanto? Apenas o comum a um educador: cobrar rendimento, cumprimento das atividades.

Apurou-se, conta a educadora, que os alunos eram do Imeam, Grupo Escolar General Osório e Josué Brandão. O caso, porém, não ocupou espaço na mídia, ressalta, triste. Daqui, observamos que tristeza mesmo é a reação dos chefes do sistema de educação. Alguns deles ficam uma ‘arara’ e em vez de tomar alguma atitude preferem atacar os veículos de comunicação.

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Ontem, leitores se emocionaram com a postagem, aqui, de um dos capítulos do livro Meninos, eu vi, do jornalista, comentarista esportivo e apresentador Juca Kfouri. O escritor lembrava da sua estada em Ilhéus e de uma inesperada visita do time do Flu do Rio, na década de 50.

Primo de Kfouri e neto do médico Pacheco, o repórter fotográfico José Nazal Pacheco leu e logo acionou o telefone. Emocionado, lembrou do avô e da árvore genealógica da família. Nazal lembrou que Juca veio para cá se tratar, deixando a São Paulo de temperaturas mais amenas e arriscadas à saúde de quem contraíra tuberculose.

Depois, o fotógrafo nos presenteou com esta panorâmica da chácara do Tio Pacheco, o “hospital” onde o comentarista esportivo ficou logo bonzinho e, claro, onde recebeu o time do Fluminense e feras como Castilho e o mágico Telê Santana. A chácara, aliás, fica ali no Alto Boa Vista, mais conhecido como Morro do Pacheco, em Ilhéus.

O "hospital" onde Juca recebeu o Flu. Na pontinha, dá pra ver o mar de Ilhéus (Foto José Nazal).

Aqui, releia o texto.

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Do Política Etc:

A mulher que Lula apresenta como candidata a presidente não é Dilma Rousseff, mas um simulacro, um arremedo, uma personagem fictícia. Como não aprendeu a arte da interpretação, Dilma – antes conhecida como gestora eficiente e resoluta – transformou-se em uma péssima atriz.

Duda Mendonça, o mago das campanhas, o homem que criou o “Lulinha Paz e Amor”, já avisou que Dilma é uma mulher de personalidade formada, portanto é inviável querer transformá-la no que não é. Na pele de outra pessoa, a candidata fica pouco à vontade, dá escorregadelas perigosas, foge ao script, comete gafes imperdoáveis.

Lula já detectou a embrulhada em que se meteu. Foi só o barbudo descolar-se de sua ex-ministra para ela mostrar que sozinha não decola. Talvez seja tarde para recriar a personagem, mas o presidente aposta em seu próprio cacife. Em breve, ficará grudado em sua escolhida para ver se a performance melhora num voo a dois.

Enquanto isso, Dilma precisa apurar o discurso e evitar deslizes. Na festa do 1º de maio, em São Paulo, a matéria editada pelo Jornal Nacional mostrou a candidata declarando que os trabalhadores tinham que agradecer pelo salário mínimo. Um salário que obteve expressivo ganho  real na era Lula, mas está bem longe de garantir uma vida digna para o trabalhador.

Dilma precisa ter cuidado, sobretudo com os próprios gestos e a própria língua.

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Alexandre Oltramari | Revista Veja

A agência Matisse é um dos mais intrigantes casos de sucesso da propaganda brasileira. Em 2003, com a chegada de Lula ao governo, a empresa deixou de ser uma nanica regional para tornar-se uma potência. Comandada pelo publicitário Paulo de Tarso Santos, marqueteiro de Lula em 1989 e 1994, ela entrou para o time das grandes ao vencer a licitação para administrar a milionária verba publicitária da Presidência da República. Seu sucesso, a partir daí, foi estrondoso.

Nos últimos sete anos, a Matisse conseguiu a proeza de se manter como a única agência a prestar serviços ininterruptos à Secretaria de Comunicação do governo. Há dois meses, porém, essa escalada de sucesso sofreu um revés. Sem explicação, Paulo de Tarso Santos anunciou que estava abandonando a empresa para se dedicar a outros negócios. O que se descobre agora é que o publicitário, na verdade, deixou a Matisse por suspeita de desviar recursos públicos.

Sua agência recebia as verbas do governo para pagar anúncios de campanhas oficiais, mas o dinheiro não chegava ao destino – pequenas emissoras de rádio e jornais do interior. O que aconteceu? Por enquanto o máximo que se pode dizer é que alguém embolsou os valores, e o publicitário, como sócio da empresa, foi responsabilizado por isso.

A saída de Paulo de Tarso da Matisse tem relação direta com as irregularidades. No início do ano, a Secretaria de Comunicação (Secom), chefiada pelo ministro Franklin Martins, tomou conhecimento de que um grupo de pequenas empresas de comunicação reclamava ter sido vítima de um calote de 5 milhões de reais por parte do governo federal. Os casos não se encaixavam nos tradicionais atrasos provocados pela burocracia e, curiosamente, envolviam sempre a mesma agência, a Matisse.

Dívidas que se arrastavam havia mais de cinco anos e que começaram a criar dificuldades para o próprio governo. Além do constrangimento, algumas emissoras passaram a recusar publicidade oficial. A Secom tentou contornar o problema, notificando formalmente a Matisse para que quitasse as dívidas. Em outra frente, também mudou seu sistema de pagamento. Antes, o órgão repassava dinheiro às agências depois que elas comprovavam a exibição da propaganda. Agora, além de comprovar a exibição, as agências precisam atestar o pagamento aos veículos.

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A deputada estadual Ângela Sousa (PSC) perderá todos os cargos que ainda possui no governo do petista Jaques Wagner, segundo antecipa o Jornal Bahia Online. Sob a parlamentar pesa a acusação de optar pelo muro na votação que autorizava o estado a contrair empréstimo superior a meio bilhão de reais por parte do Estado.

A orientação no partido, que está na canoa geddelista, era para votar contra. Ela, como se sabe, faltou à sessão. Disse que estava dando papinha ao filho Marcus Vinicius, o Marcão, submetido que foi a uma cirurgia. Como a sessão durou mais de 30 horas e nada da parlamentar pisar os pés na Assembleia Legislativa, o governo sentiu umas pontinhas mais que protuberantes na testa. Vai cortar os 40 cargos indicados por Ângela.

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EPIGRAMISTAS NÃO GANHAM BUSTOS

Ousarme Citoaian
Epigramistas não são bem vistos. Nenhum deles ganha homenagem. Meu estimado leitor e minha não menos querida leitora já viram algum busto de epigramista? Uma praça ou viaduto? Uma reles placa em rua desimportante identificando-a como “Epigramista Fulano de Tal”? É provável que não. Sarcastas (como Horácio, na foto) distraem as pessoas comuns e atraem o ódio das autoridades. São cobradores, e ninguém aprecia ser cobrado. Em público, menos ainda. Os lexicólogos também não gostam de epigramista: com mais de 2.500 anos de registro (vem dos 500 a. C.), o termo (que ou aquele que faz epigramas) ainda é solenemente ignorado pelos dicionários.

OS FILHOS DE GREGÓRIO DE MATOS

O grego Simônides de Ceos é uma espécie de pai do epigrama. Mas o modelo cunhado na Grécia foi modificado pelos romanos, com proximidade da forma maldosa, crítica e humorística de nossos dias. Sem querer demarcar fronteiras, coloquemos nesse gênero dois expoentes brasileiros (Emílio de Menezes e Gregório de Mattos) e um português (Bocage). Os três fustigaram os costumes e deixaram herdeiros. Aliás, a Bahia é pródiga em “filhos” de Gregório de Mattos, o Boca do Inferno (foto) – quase fazendo da arte de mal dizer um gênero baiano: Aloysio de Carvalho, Pinheiro Viegas, Ildásio Tavares, Lafayette Espínola, Clovis Amorim, Sílvio Valente e outros.

HOISEL, O HOMEM QUE CRITICAVA

Em Ilhéus, com assento no Diário da Tarde e no Bar de Barral, o grande nome do epigrama foi Alberto Hoisel, retratado por Antônio Lopes em Solo de trombone (Editus/Uesc). A partir dos anos cinquenta (morreu em 2000), Hoisel movimentou a cidade e, sobretudo, infernizou a vida de todos os prefeitos do período. A Pedro Catalão (prefeito de 1951 a 1955) coube a maior crueldade: “Nunca no mundo supunha/Ser verdade absoluta/Que um filho da Catalunha/Virasse filho da puta!…”. Sobre o judiciário, ele fez uma quadrinha que está ainda muito atual: “A Justiça em seus julgados/Anda sempre em dois sentidos:/Ora de olhos vendados,/Ora de olhos vendidos”.

EMÍLIO DE MENEZES, O IMPIEDOSO

O epigramista (os dicionários preferem epigramatista, sem apoio na vida literária) precisa de talento, coragem e maldade. Nesse último quesito, a sátira em versos nunca teve ninguém tão bem aparelhado quanto Emílio de Menezes, para quem a impiedade era uma segunda natureza.  Lulu Parola está mais para o gracejo do que para a ofensa, enquanto Ildásio Tavares (foto acima) é agressivo a ponto de ter epigramas concluídos, mas retardar a publicação. “Primeiro preciso comprar um colete à prova de balas”, brinca (com fogo!) o poeta grapiúna. O Pimenta abriga o bissexto Agulhão Filho, que – ao estilo Lulu Parola – prefere o divertimento à crueldade.

DISPARATES QUE SÃO BEM-VINDOS

Volta e meia alguém emprega um verbo como sinônimo de outro, equivocadamente. É o caso de ter por haver, muito comum nas transmissões de futebol na televisão. “Tinham dois jogadores impedidos”, diz o comentarista. Pedrada: em português, diz-se “havia dois…”. Mas deixemos pra lá, pois bater na tevê é como bater em defunto: ela sempre foi o quarto de torturas da língua portuguesa. Pior é quando o jornal, cujo texto tem tempo para ser lido, pensado, analisado e emendado, sai com disparates parecidos. E eles, os disparates, não são avis rara nem personas non gratas em nossas redações. Bem ao contrário, são recebidos com tapete vermelho.

LIBRA E SINAIS DE FUMAÇA

Um dos principais diários de Itabuna é useiro e vezeiro em misturar os sentidos dos verbos. “Prazo para transferência de presos encerra na segunda-feira”, diz ele, em edição recente. Aos dicionários: o verbo encerrar encontra oito acepções no Aurélio,  nove no Michaelis e 11 no Priberam. Nenhum deles mostra o verbo como sinônimo de terminar (o que parece ter sido a intenção do jornal). É claro que vai aparecer algum “liberal” pra dizer que “está certo” como foi escrito, pois a mensagem nos chegou. Mas não tratamos aqui de filosofias baratas, Libras ou sinais de fumaça, e sim de língua portuguesa culta.

SIMPLICIDADE NÃO É HUMILHAÇÃO

Nunca será demais lembrar que simplicidade não é humilhação, mas qualidade do estilo. Se eu posso escrever “Prazo para transferência de presos termina…”, por que empregar um encerra, que o leitor medianamente informado não sabe de onde veio nem para onde vai? Vã complicação. Longe de melhorar o texto, o torna empolado, torto, questionável. Afinal, o sentido mais corriqueiro de encerrar é de transitivo direto, levantando no leitor a dúvida imediata: “Encerra o quê?”. E aí fica uma confusão dos pecados, até que se encontre o sujeito dessa construção canhestra.

DA ARTE DE ESCREVER BEM

André Iki Siqueira fez, em João Saldanha, uma vida em jogo (Companhia Editora Nacional), o que entendo ser a biografia definitiva do polêmico treinador de futebol. Ao menos, é a mais consistente das que li. Personagem talhado para a ficção, Saldanha tem sua vida cercada de mitos (muitos criados por ele mesmo), de forma que, muitas vezes, a gente não percebe a diferença entre o real e o imaginário. O livro não põe luz sobre toda essa incerteza, mas aponta aspectos novos da vida do João sem Medo (epíteto criado pelo amigo Nelson Rodrigues), úteis, sobretudo, para as novas gerações de pesquisadores e, por que não dizê-lo, fãs.

JOÃO SALDANHA, A FERA DAS FERAS

Uma vida em jogo mostra que Saldanha não foi comunista de praia e mesa de bar, mas ativo militante do PCB. Teve vida clandestina (era o camarada Souza) foi preso e fichado pela ditadura de Getúlio, comandou greves importantes como a dos 300 mil (São Paulo, 1953), organizou camponeses no Paraná (1950), enfrentou os gorilas de 1964 (disse que Médici era “o maior assassino da história do Brasil”), protegeu perseguidos políticos às custas do próprio bolso. Na Seleção (que ganhou invicta as eliminatórias), não abriu mão da militância e carimbou o time com sua personalidade.  As feras do Saldanha, como seu líder, não tinham “complexo de vira-lata”.

“COMO NUM ROMANCE DE AVENTURA”

André Iki Siqueira (foto), o autor, é um desses jornalistas de muita competência e pouca badalação. É carioca, consultor de comunicação, trabalhou na grande imprensa, dedica-se também à música (como compositor) e a fazer roteiros de televisão e cinema. Além de João Saldanha, uma vida em jogo, foi co-diretor do longametragem João, sobre o mesmo personagem. Atualmente, dirige a revista Brazilian foreign trade. Voltando ao livro, lê-se na contra-capa: “Como num romance de aventura, é uma história de tirar o fôlego, em que fato e ficção se confundem para criar um personagem inesquecível, o João Sem Medo – um grande brasileiro”. Assino.

COM OS DEFEITOS NECESSÁRIOS

Nelson Rodrigues (ilustração) foi, desde o começo, o grande defensor do João Sem Medo para dirigir a seleção. Está nesta crônica de À sombra das chuteiras imortais: “Tenho-lhe um afeto de irmão. Quebrei minhas lanças para que a CBD o escolhesse. João Havelange e Antônio do Passo tiveram um momento de lucidez ou mesmo de gênio, e o chamaram. Ao ler a notícia, berrei: ´É o técnico ideal!’ . Um amigo meu, bem pensante insuportável, veio me perguntar: ´Você acha que o João tem as qualidades necessárias?’. Respondi: ´Não sei se tem as qualidades. Mas afirmo que tem os defeitos necessários´. E, realmente, o querido Saldanha possui defeitos luminosíssimos”.

A PARCEIRA QUE BRECHT NÃO VIU

A “Ópera dos três  vinténs” (Brecht),  que no Brasil virou “Ópera do malandro” (Chico Buarque), teve uma canção muito divulgada: Mack the knife (1955). Foi cantada por Armstrong, Bobby Darin, Frank Sinatra e um monte de gente. Curiosidade: foi a primeira gravação de Elza Soares (foto), versão em português, claro, em 1959 (o outro lado do disco tinha Se acaso você chegasse, de Lupicínio Rodrigues). A letra, como costuma ocorrer na música americana, é pouco expressiva. Mas o balanço é irresistível. As coisas estavam assim, até que Ella Fitzgerald cantou Mack the knife numa apresentação ao vivo, em 1960. Foi um show mágico, eletrizante, algo ainda não visto.

ÓPERA DA “MALANDRA” ELLA FITZGERALD

Na abertura, Ella avisa que não está segura quanto a lembrar-se de toda a letra da canção (We hope we remember all the words). Antes de chegar ao meio, a cantora tem um “branco” (ops!), mas é aí que começa o verdadeiro show. Ela não perde a cadência nem a classe: começa com “Qual é o próximo refrão dessa música, agora?” (What´s the next chorus to this song, now?) e prossegue citando, com ritmo e rima, os cantores Bobby Darin (foto) e Armstrong (que popularizaram a composição de Brecht e Weill), ri de si mesma – “Nós estamos fazendo um naufrágio” (We’re making a wreck) – manda uma imitação de Satchmo, e arremata tudo com aquele scat singing que tornou ambos famosos.
</span><strong><span style=”color: #ffffff;”> </span></strong></div> <h3 style=”padding: 6px; background-color: #0099ff;”><span style=”color: #ffffff;”>E FRED JORGE CRIOU CELLY CAMPELLO!</span></h3> <div style=”padding: 6px; background-color: #0099ff;”><span style=”color: #ffffff;”>No auge do sucesso, em 1965, a música teve uma versão no Brasil, gravada por Agnaldo Timóteo. Como costuma ocorrer com as

O IMPROVISO QUE GANHOU O GRAMMY

Próxima ao final, Ella se diverte, cantando: “vai ser uma surpresa se essa gravação virar Mack the knife” (it´s a surprise this tune comes Mack the knife). De fato, àquela altura, já pouco restava da letra original, “adaptada” à ocasião. No fim, com os aplausos da platéia, a cantora abre o sorriso: missão cumprida, o imprevisto tinha sido dominado.  A improvisação ganhou o Grammy de 1960. Ella tinha também o dom de imitar vozes e instrumentos: em One note samba (Samba de uma nota só), de Tom, ela “toca” uma cuíca; aqui, tira um sarro com seu amigo rouco Louis Armstrong. O vídeo, ao que me consta, não é do show original.
(O.C.)