
O número de aptos a votar saltou de 130.795 nas eleições de 2008 para 139.927 neste ano.
Em Ilhéus, salto de 126.333 para 129.878 eleitores em igual período. Ou seja, mais 3.545 pessoas indo às urnas.
Os dados do TSE revelam que 76.105 dos aptos a votar em Itabuna são mulheres e 63.614, homens. 208 não informaram o sexo.
Já em Ilhéus, 61.951 homens e 67.787 mulheres. Lá, 140 não informaram o sexo. Os dois municípios são os maiores colegiados do sul da Bahia.
A Bahia terá, ao todo, 9.550.898 em 2010. Apenas três municípios do estado possuem mais de 200 mil eleitores: Salvador (1.832.878), Feira de Santana (359.516) e Vitória da Conquista (205.076). Conquista poderá ter eleições municipais em dois turnos, pela primeira vez, em 2012.
Quase duas semanas depois de deixar escapar a chance de ser campeão da Copa do Brasil diante do Santos, o Vitória enfiou 4 a 2 no time da Vila Belmiro há pouco. O jogo foi disputado no Barradão, em Salvador, e mostrou um rubro-negro arretado: fez dois gols em menos de meia hora de peleja.
A coisa foi “facilitada”, é bem verdade, pois os principais jogadores da “Selesantos” que ganhou a Copa do Brasil 11 dias antes não estavam em campo. Robinho e André deixaram a equipe santista e Neymar está machucado. Só Paulo Henrique Ganso jogou na capital baiana.
Henrique abriu o placar aos 20 minutos de jogo e Wallace ampliou para o rubro-negro aos 25min. O Santos fez o primeiro aos 29min, com Marcel. Mas o Vitória estava impossível. Aos 47min do primeiro tempo, fez 3 a 1. E novamente Henrique apareceu para conferir.
O Santos cavou mais um gol, aos 22min do segundo tempo, com Zé Eduardo. O Vitória nem deu tempo aos Meninos da Vila. Aos 26 da etapa final, Schwenck ampliou para os rubro-negros. O Leão da Barra subiu para a 14ª colocação no Brasileiro. O Santos está em 11º com 18 pontos.
O presidente Lula gravou mensagem específica para os eleitores-internautas brasileiros na qual pede o voto para a sua ex-ministra Dilma Rousseff (PT) e agradeceu o apoio ao seu governo.
Lula é dono da maior popularidade que um dirigente brasileiro já teve desde o período de reabertura política. E abusará desse capital para eleger a sua pupila. A mensagem é fechada com um jingle, que frisa:
Lula tá com ela
Eu também tô
Veja como o Brasil já mudou
Conforme a última pesquisa Datafolha, divulgada na sexta, a ex-ministra lidera a corrida eleitoral com 41% dos votos, ante 33% de José Serra (PSDB) e 10% de Marina Silva (PV). O governo do presidente Lula é aprovado por 77% dos eleitores.

Uma criança de dez anos soltava os rojões.
Não, não se tratava apenas de um inocente seduzido pela pirotecnia. O ato do pequenino era um aviso aos traficantes de que havia presença “incômoda” na área.
Dura realidade.
O tráfico recruta gente cada vez mais nova para o seu exército (do mal).
Marco Wense
É evidente que José Serra, candidato do PSDB ao Palácio do Planalto, nunca vai dizer que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, seu principal adversário no processo sucessório de 2010, é “o cara”.
Mas na entrevista no Jornal Nacional, na telinha da TV Globo, o tucano só faltou dizer que concorda com o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, que andou dizendo que Lula é “o cara”.
Aliás, o candidato do tucanato evita fazer qualquer crítica ao presidente Lula, que vive o seu melhor momento político, com uma popularidade lá no céu e uma fantástica aprovação ao seu governo.
RENATO COSTA
Muitos fernandistas, incluindo aí alguns ex-secretários municipais do então governo Fernando Gomes, estão otimistas em relação a uma boa votação do médico Renato Costa no sul da Bahia, especificamente em Itabuna.
Renato, que tem o apoio de Fernando Gomes, que é o coordenador-mor da candidatura de Geddel na região cacaueira, busca uma vaga na concorrida eleição para o Parlamento estadual.
Alguns históricos fernandistas, como, por exemplo, os empresários Carlinhos da Bavil e Mané Cem, podem seguir um caminho diferente do chefe político. Ou seja, apoiar o também candidato Coronel Santana (PTN).
Marco Wense é articulista do Diário Bahia.

Noticiam que – mais uma vez – o complexo hospitalar da Santa Casa ameaça suspender atendimento de pronto socorro se não atendidas suas reivindicações financeiras junto ao gestor público. Pronto socorro – não precisa muito explicar – é o mais imediato dos socorros de que depende a população.
Debruçamo-nos sobre o tema não somente pela temerária ameaça, quase um moto perpétuo nestes anos (inclusive consumada em tempos não tão distantes no Calixto Midlej), mas por ela esconder um jogo secreto não percebido pelo vil mortal: o que faz um pronto socorro funcionando, se – como buscam demonstrar – traria somente ônus?
Um dos mais competentes secretários de saúde do município de Itabuna que conhecemos, Dr. Paulo Bicalho, enfrentou com altivez e domínio técnico a ameaça da Santa Casa de cerrar as portas do pronto socorro do Calixto Midlej propondo-se a atender, de imediato, as reivindicações do hospital: a Prefeitura de Itabuna assumiria inteiramente o ônus do Pronto Socorro!
Para espanto, a aceitação pelo município foi recusada. Porque Dr. Bicalho só admitia a assunção se a triagem que ali se efetivasse fosse transferida para o Hospital de Base! Ou seja, a cirurgia, por exemplo, que decorresse de um atendimento no pronto socorro do Calixto seria realizada no HBLEM e não no próprio Calixto.
Não precisa dizer que a paz reinou e enquanto Dr. Bicalho foi Secretário de Saúde de Itabuna ninguém na Santa Casa mais falou ou ameaçou de fechar o pronto socorro.
Desdobrando e explicando: é através do pronto socorro que o profissional da Medicina percebe considerável parcela dos recursos dos procedimentos de média e alta complexidade.
Ou seja, a cirurgia decorrente do acidente de carro, moto, queda etc., assim como outros atendimentos mais complexos (cardíacos, renais, neurológicos etc.), ou mesmo um parto em caráter de urgência, está vinculada ao primeiro atendimento, prestado no pronto socorro, e se desdobra em trabalho para muitos: do médico cirurgião aos enfermeiros, passando pelo ortopedista, o anestesista, o cardiologista, o instrumentista etc. E, naturalmente, tudo remunerado pelo SUS.
Em suma, ainda que pareça grosseiro o exemplo, o pronto socorro é uma vitrine para a percepção de melhores remunerações por procedimentos que “rendem” mais.
Quanto ao que dissemos acima, de alguém estar escondendo o jogo – ainda que os recursos estatais para a saúde não sejam o “sonho” perfeito – que tal aproveitar o exemplo do Portal da Transparência do Governo Federal e abrir a caixa dos recursos do SUS recebidos pela Santa Casa e pagos aos seus profissionais?
Não há necessidade de citar pessoas. Basta o nome da atividade. Por exemplo: cirurgião 1, recebe X, cirurgião 2, Y, neurologista 1… e assim por diante. Muito válido, até porque os recursos sob comento são públicos e, portanto, do povo. Depois é só convocar o povo para ajudar a pressionar os Governos.
Adylson Machado é escritor, professor e advogado, autor de Amendoeiras de outono e O ABC do Cabôco, editados pela Via Litterarum.
Da coluna Tempo Presente, d´A Tarde
Pesquisa do Datafolha, 22 de dezembro de 2009: Wagner 39%, Souto 24 e Geddel 11.
Pesquisa do Datafolha, 13 de agosto de 2010: Wagner 45%, Souto 23 e Geddel 10.
Noutras palavras, de lá para cá, a única coisa que mudou foi Wagner subir.
E se algo vai mudar daqui até a eleição, terá sido por obra e graça do horário eleitoral no rádio e na tevê, que começa terça.
Segundo matéria publicada hoje na Folha de São Paulo, o tucano José Serra perdeu pontos nos estados onde mais concentrou suas visitas. O jornal contabiliza 13 incursões a Minas Gerais e 10 ao Rio de Janeiro, onde o candidato do PSDB à Presidência da República caiu, respectivamente, 6% e 4% de acordo com o último Datafolha.
A matéria sugere que, para não continuar despencando nas pesquisas, o melhor é o tucano parar de viajar. Prova disso é que no Distrito Federal, onde não esteve, Serra permaneceu estável na comparação entre as duas últimas aferições.

A divisão não se dá exatamente dessa forma e o estudo de Romero aponta a existência de uma “cadeia de interesses” a determinar o rumo do eleitor em cada região.
No Nordeste, por exemplo, o voto petista não seria predominantemente do pobre, mas também dos ricos e “remediados”, que se beneficiam indiretamente da política de combate à pobreza. Isto porque os pobres recebem a ajuda financeira, compram no comércio e isso produz um ciclo virtuoso nas economias locais.
Já no Sul, o estudo aponta uma insatisfação do grande empresário exportador, que vê com maus olhos a valorização do real frente ao dólar, causadora de alegados prejuízos às exportações.
E tudo, como sempre foi na história da humanidade, se explica a partir de questões de ordem econômica.

Segundo informações do Blog do Anderson, uma das vítimas disse ter sido xingada e agredida com socos no peito e no queixo. Houve registro da ocorrência na polícia e os agredidos foram submetidas a exame.
Ao chegar a Salvador, Gaban foi retirado da aeronave e levado para a Superintendência Regional da Polícia Federal, onde foi ouvido e em seguida liberado.
Embora a prefeitura tenha investido maciçamente em propaganda em julho e gastado quase R$ 1 milhão com os festejos do Centenário de Itabuna no final do mês passado, a popularidade de Capitão Azevedo (DEM) caiu ainda mais em agosto.
Um mesmo instituto aplicou pesquisas no mês passado e agora. Apurou-se que a reprovação ao governo de Azevedo saltou de 43,7% em julho para 47% em agosto. O percentual dos que aprovam o governo caiu de 22,6 para 20,5%, entornando ainda mais o caldo para quem se elegeu com ampla margem de votos.
Foram ouvidas 1.200 pessoas em agosto e 1.100 em julho. As oscilações, frisemos, estão dentro da margem de erro da pesquisa (3 pontos percentuais). Porém, há queda consistente. Está aí, talvez, a razão do trio Geddel-Souto-Wagner não mais brigar pelo apoio do democrata.
Avaliação de Governo (agosto)
Péssimo – 25,7% (
Ruim – 21,3%
Regular – 29.8%
Bom – 15,4%
Ótimo – 5,1%
Não sabe – 2,5%
Não respondeu – 0,2%
Confira aqui os números de julho.
A buraqueira obriga os viajantes a ter habilidade de piloto de rally para chegar inteiro em seu destino.
Exposta na mídia política como objeto de investimentos do Governo Federal, que prevê sua duplicação pela margem direita do rio Cachoeira, o Governo do Estado, a quem cabe a manutenção dessa importante rodovia, não faz nada para mantê-la em perfeitas condições de tráfego.
No trecho entre Itabuna e Ilhéus, o mais movimentado, os motoristas têm que ter “jogo de cintura” para ser capaz de “driblar” os constantes buracos ao longo de toda a pista. Os que se aventuram a trafegar todos os dias na chamada avenida Jorge Amado, têm que se resignar com os constantes obstáculos ao longo de todo o percurso.
Pode parecer exagero, mas a buraqueira obriga os viajantes a ter habilidade de piloto de rally para chegar inteiro em seu destino. A situação se agrava ainda mais com a ocorrência das chuvas, fenômeno que diminui a visibilidade do motorista, que permanece numa imensa fila durante o trajeto.
Como a recuperação foi feita com “lama asfáltica”, qualquer operação tapa-buracos se torna inócua, pois não há como agregar a massa asfáltica nova à antiga, já que a espessura é de cerca de três centímetros. Com isso, qualquer recuperação deverá preceder da retirada da camada superior, para em seguida colocar uma camada nova.
Clique aqui para ler na íntegra.
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ENTERRAMOS O SÍMBOLO DE UMA GERAÇÃO
A última edição do UP estava sendo blogada quando Nelito Carvalho era enterrado (e eu, vítima do mecanismo da repetição, quase escrevi “o corpo de Nelito Carvalho”) no cemitério da Santa Casa de Itabuna. “Foi-se uma era, o marco de uma geração” – recitei para o jornalista Marival Guedes, nós dois ao lado do caixão aberto. Minutos depois, admiti que se Nelito pudesse pular dali, viria, de dedo em riste, me chamar de piegas ou, pior ainda, esgrimir seu adjetivo preferido: imbecil (que ele estenderia aos circunstantes, pelo pecado de me ouvirem). Nelito era assim: pão, pão; queijo, queijo – e mesmo com os amigos seu nível de hipocrisia era zero. UM HOMEM QUE ERA BOM E NÃO SABIA
RICO, TEVE A GENEROSIDADE EXPLORADA
Se alguém afirmar que Nelito foi um mecenas ele não resistirá à ofensa: ressurgirá dos mortos para protestar contra a infâmia (de dedo na cara do difamador “imbecil”, é claro). Mas, me dói dizer, ele estaria sendo injusto: quando rico (teve lá sua fase de pobreza intensa, criada pelo romantismo), custeou todo tipo de maluquice que lhe foi apresentada, na exploração de sua generosidade, a todos deu a mão. Este registro é feito na suposição de que muitos “alunos” de Nelito gostariam de fazê-lo, mas não encontram espaço. E com a certeza de que, em vida dele, este texto jamais poderia ser publicado. Ele me chamaria de piegas, no mínimo.A LÓGICA EM OPOSIÇÃO AO ROMANTISMO
Restou dizer que chamá-lo de “romântico” seria outro motivo para uma fulminante resposta desaforada: comunista confesso, perseguido, mas nunca renunciante da doutrina que abraçou desde cedo, Nelito Carvalho – como é próprio dos marxista – cultivava a lógica, em detrimento do romantismo, e o materialismo em oposição ao idealismo. Creio ser mais justo retirar o termo anterior e afirmar que se ele não foi mais longe como empresário foi devido à sua absoluta falta de habilidade para sobreviver como homem de negócios no mundo capitalista hostil que ele tanto combatia. E, claro, à sua imensa generosidade que muitos exploraram sem nem lhe dizer “obrigado”.OS GOLEIROS E O CAVALO DE ÁTILA
Talvez a literatura sobre futebol, para me deixar mal, não seja assim tão árida quanto eu disse aqui – e mais árida terá sido minha ignorância. No site do jornalista Flávio Araújo encontro dois livros que eu não conhecia e que falam, especificamente, de… goleiros. São trabalhos que, por certo, merecem ser lidos por quem se interessa pelo famoso esporte bretão. No primeiro, Goleiros – heróis e anti-heróis da camisa 1, do jornalista Paulo Guilherme, descobre-se que aquela posição digna do cavalo de Átila (“Onde goleiro pisa, não nasce grama”, diz o folclore) já foi ocupada por ilustres personagens (ao menos ilustres fora do campo). O FRANGO AO ALCANCE DE TODOS
Para exemplificar, anotem que a meta foi defendida por figuras como o papa João Paulo II, o escritor francês Albert Camus (autor de A peste), o inglês “sir” Arthur Conan Doyle (criador de Sherlock Holmes), o cantor espanhol Julio Iglesias e o revolucionário argentino Ernesto Che Guevara. Como se vê, o lugar, antes chamado de “debaixo dos três paus”, é um espaço democrático, tendo sido habitado (com os frangos que a inabilidade chama), por tipos faceiros e de filosofias muito diferenciadas. Já o outro livro, de Roberto Muylaert, tira de campo os amadores e fala de um goleiro de verdade, numa história real e muito pouco engraçada. DÍVIDA QUE ZAGALLO NUNCA PAGARÁ
Em Barbosa – um gol faz cinqüenta anos Muylaert narra o drama do grande goleiro Moacyr Barbosa, sempre estigmatizado por ter levado aquela bola de Gighia na Copa do Mundo de 1950, que deu a vitória aos uruguaios. O evento, já citado nesta coluna, passou à história com o nome de Maracanazo, o dia em que o Brasil estava prontinho para comemorar o primeiro título de campeão mundial e, subitamente, calou-se e caiu no choro convulsivo. Em tempos recentes, o técnico Zagallo proibiu a entrada de Barbosa na concentração do Brasil, alegando que o goleiro era pé-frio. A atitude inqualificável do ex-técnico gerou uma dívida que ele morrerá devendo.O SILÊNCIO DO POETA SOB A CHUVA
Certa vez, num restaurante,
Dentro do espaço e do tempo,
Eu vi Padilha, o poeta,Que vinha de estar infeliz Pois trazia, contraídas, Palavras, não de beijo, mas de fúria, Esmagada no silêncio dos seus lábios. –
Não quis sentar à mesa nem provar
Uma gota sequer do Johannesberg: Foi-se embora em silêncio Sem dizer a que veio, sob a chuva, Como Pessoa, Que nada encontrou, jamais, Vindo de Beja para o meio de Lisboa..
QUARTETO CHEIRA A FERNANDO PESSOA
Carlos Roberto Santos Araujo, autor de “Telmo Padilha II”, nasceu em Ibirapitanga (1952), mas “estourou” em São Paulo: ganhou lá o Concurso Governador do Estado, com a coletânea de poemas. Foi juiz de Direito em Itabuna e hoje é desembargador do Tribunal de Justiça da Bahia. Publicou os seguintes livros de poesia: Nave submersa (1986), Lira destemperada (2003), Sonetos da luz matinal (2004) e Viola ferida (2008). Cultor de variadas forma de expressão poética (em particular, o soneto) CRSA, em Soneto da noite escura, lembra outro grande nome da poesia em língua portuguesa: “A chuva toca piano/ Nos tímpanos da tarde nua,/ Dedilha com dedos lânguidos/ O teclado das lentas ruas”. Fernando Pessoa bem que poderia assinar este quarteto.O DUPLO ALFABETO DOS BRASILEIROS
A coluna não emite regras de português (apenas sugestões e preferências) e não é o que o professor Odilon Pinto chamaria “Pronto-Socorro gramatical” (aliás, muita gente ficaria espantada com meu desconhecimento de gramática). Mesmo assim, volta e meia nos vêm consultas sobre determinadas questões. Exemplo: recentemente nos sugeriram “explicar” o porquê de as pessoas pronunciarem o nome de famoso político baiano (isola: toc! toc! toc!) como a-cê-eme e não a-cê-mê (do jeito nordestino). E antes que alguém ache isso natural, vamos lembrar que quem fala a-cê-eme fala também a-fê-i (para Ação Fraternal de Itabuna) e não a-efe-i. Haveria contradição nesse comportamento?
O “FÊ-GUÊ-LÊ-MÊ” SUMIU DOS DICIONÁRIOS
Salvo melhor juízo, não existe aqui nenhuma incoerência. A pronúncia do “fê-guê-lê-mê” é legitimada pelo Aurélio, o Michaelis a identifica como regional (Nordeste), enquanto o Priberam (Portugal) sequer a menciona. No caso da AFI (a-fê-i) trata-se de consagração pelo uso, e dizer-se a-efe-i soaria absolutamente pernóstico, além de quase ofensivo às gerações de alunas que passaram pela escola de Dona Amélia Amado. Em Ilhéus, o Instituto Municipal de Educação (I. M. E.) é tratado como i-mê-é, igualmente por tradição de uso: por certo, chamar de i-eme-é o venerando “Ginásio Eusínio Lavigne”, de tanta história, não o identificaria perante os seus mestres e ex-alunos.
A IDENTIDADE NORDESTINA ESTÁ EM PERIGO
Acima da escolha de eme ou mê, está a questão da cultura nordestina, que vem sendo minada pela “globalização da linguagem” (fenômeno que chamo assim por falta de nome mais adequado), num processo em que a mídia eletrônica é fundamental. A antena parabólica liga o brasileiro do interior a um mundo que não é o dele, integrando-o, via novelas e telejornalismo, a uma “realidade de ficção” (se é que posso assim me expressar). Parece que já nos falta coragem para defender os valores regionais, enquanto sobra vergonha do nosso sotaque – e assim se esvai nossa identidade de povo nordestino. A propósito do citado dirigente, chamá-lo a-cê-eme ou a-ce-mê daria no mesmo mané luiz.DO NORDESTE PARA O MERCADO NACIONAL
Zé Dantas, médico, poeta e folclorista pernambucano (Carnaíba, 1921 – Rio, 1962) ajudou muito a “nacionalizar” a música popular nordestina em geral. Fez mais de 50 composições (a grande maioria com Luiz Gonzaga), sendo que pelo menos uma dúzia delas é de clássicos que todo mundo conhece: Vozes da seca, Cintura fina, A volta da asa branca, Xote das meninas, Riacho do navio, Sabiá, A dança da moda, Farinhada, Imbalança, Vem morena, Forró de Mané Vito, Letra I. Dantas (na foto, com Luiz Gonzaga), que não quis seu nome nas primeiras letras que foram gravadas – para que o pai não lhe cortasse a mesada de estudante, fez também a letra de ABC do sertão, ilustrativa do que queríamos dizer. Clique, veja e ouça.





























