Nem bem começou o segundo tempo da finalíssima do Baianão 2010 e o tricolor-de-aço empatou. O goleiro rubro-negro Viáfara deu rebote e Rodrigo Gral empurrou para o fundo da rede. Vitória 1×1 Bahia. O gol dos donos do Barradão foi marcado por Elkson. O Vitória ganhou o primeiro jogo por 0x1, e está na vantagem.
Segundo informa o jornal A Tarde, uma pessoa morreu e outras 65 ficaram feridas em um acidente nesta tarde. Um ônibus que levava cerca de 100 (isso, cem!) torcedores do Vitória para o Barradão capotou a caminho do estádio, onde acontece a final do Baianão 2010.
Os sobreviventes fazem parte da organizada Os Imbatíveis. Mesmo ferido, o motorista do ônibus da BTU teve que fugir para não ser linchado pelos passageiros.
O itabunense que usa ônibus deve se preparar. Os rodoviários prometem paralisação de até três horas nesta segunda-feira em um dos horários de pico. A categoria quer pressionar os donos de Expresso Rio Cachoeira e Viação São Miguel a negociar reposição salarial de 30%, o reconhecimento do Sindirod como o sindicato dos rodoviários e o fim da circulação de ônibus de catraca sem cobrador (o popular motocobra).
Os rodoviários ainda acusam as duas empresas de criar um sindicato fantasma para protelar as negociações. O “fantasma” é presidido pelo ex-vereador Adeládio Pereira, o Pezão, que estaria a serviço das duas empresas concessionárias do transporte coletivo urbano, segundo Joselito Paulo, o Pé de Rato, do Sindirod.
O Santo André enfrenta o time de ‘feras’ do Santos. Logo aos 35 segundos de jogo, meteu um gol. Em seguida, Levou o empate. Não baixou a cabeça. Mandou bola na trave e teve um gol mal anulado pela arbitragem. Não recuou. Conseguiu pular à frente em uma cobrança de escanteio. 2 a 1.
O time imprimia ritmo forte, mas vacilou: o atacante Nunes foi expulso numa confusão que paralisou a partida por mais de dois minutos, após cai-cai de Neymar. Certo que o Santos teve o Leo também encaminhado para o chuveiro mais cedo.
O resultado do nervosismo está sendo visto agora. O ‘Peixe’ acaba de empatar o jogo. O jogo tá bonito de se ver (claro, esquecendo o entrevero que resultou nas duas expulsões). Os Meninos da Vila podem até perder por um gol de diferença e mesmo assim levarão o título.
Às 16h52min – O Santo André passou à frente. Após abrir o placar e ver o Santos igualar o marcador por duas vezes, o time do ABC fez 2×3. Se meter dois gols de diferença, leva o título. Uma ‘zebra’?
Na próxima quarta-feira, 5, os homens de branco que atuam como servidores do estado vão cruzar os braços. Queixam-se de intransigência das secretarias estaduais de Administração (Saeb) e de Saúde (Sesab). Os médicos vão atender apenas a casos de urgência/emergência. Atendimentos ambulatoriais e eletivos ficam para depois.
Os profissionais reivindicam enquadramento ao Plano de Cargos, Carreira e Vencimentos (PCCV), regularização dos médicos municipalizados e aposentados e atualização dos valores da Gratificação de Incentivo à Docência (GID). A paralisação é, claro, de advertência. Ou o governo senta para negociar, ou o “Galego da Caneta” vai chorar lá no ‘pé do cabôco’.

Por meio da sua assessoria, a deputada federal Lídice da Mata afirma que se mantém na disputa por uma das duas vagas baianas ao Senado Federal. Este blog quis saber se era cogitada a desistência da parlamentar na sua tentativa de ser – até onde sabemos – a primeira mulher senadora do Estado.
Além de negar desistência, a deputada menciona o apoio e simpatia do governador Jaques Wagner na disputa.
Internamente, os ‘pessebês’ pensam que a deputada faz má escolha. Para fortalecer o partido na Bahia, imaginam, Lídice deveria disputar a reeleição. O raciocínio tem certa lógica. A ‘xerifona’ do PSB somou algo como 200 mil votos a seu favor na eleição de 2006. A repetir o desempenho em 2010, não só estaria reeleita como ainda aumentaria o número de parlamentares da legenda na Bahia na Câmara Federal, de um para dois ou três.
As chances cresceriam com o PSB saindo sozinho na disputa, sem coligar-se. Pelos cálculos do grupo que a deseja na Câmara Federal, o partido tem hoje 14 nomes com potencial para 20 mil a 30 mil votos. Soma daqui e dali, e o PSB teria os 2, 3 deputados. Será?
Uma professora relata o drama vivido pelos educadores em Itabuna. Na última quinta (29), a polícia militar apreendeu sete estudantes de três escolas. Todos foram detidos no Instituto Municipal de Educação Aziz Maron (Imeam).
Os estudantes, relata a colega da vítima, invadiram a escola para não apenas ameaçar, mas tentar espancar uma professora de matemática. Delinquentes.
O que ela fez para tanto? Apenas o comum a um educador: cobrar rendimento, cumprimento das atividades.
Apurou-se, conta a educadora, que os alunos eram do Imeam, Grupo Escolar General Osório e Josué Brandão. O caso, porém, não ocupou espaço na mídia, ressalta, triste. Daqui, observamos que tristeza mesmo é a reação dos chefes do sistema de educação. Alguns deles ficam uma ‘arara’ e em vez de tomar alguma atitude preferem atacar os veículos de comunicação.
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Leandro Afonso | www.ohomemsemnome.blogspot.com
Marcada para as 20h, a pré-estreia de Quincas Berro D’Água (idem – Brasil, 2010), de Sérgio Machado (Onde a Terra Acaba, Cidade Baixa), começou com pontuais 20 minutos de atraso, quando Hélio de La Peña, Vladimir Brichta e Frank Menezes subiram ao palco*. Trouxeram um clima amigável, de humor e aproximação com o público. Depois, Sérgio Machado e o elenco da equipe, embora só Paulo José (Quincas) e ele tenham usado o microfone.
No que talvez tenha sido o mais belo momento da noite, Machado disse que Jorge Amado foi a primeira pessoa a ter acreditado no potencial dele como cineasta, e contou, com emoção transparente, o caso dos parabéns de Zélia Gattai. Em 2005, à época viúva de Jorge Amado, ela disse ter visto florescer a árvore onde estavam cinzas do escritor. Imaginou que ele deveria estar feliz, que algo de bom deveria ter acontecido. Entrou na Internet, buscou notícias e viu a premiação de Machado no Festival de Cannes. Foi de Gattai, a quem o filme é dedicado, o primeiro e-mail recebido por ele após o prêmio.

A sessão
Em momento alto da projeção, a abertura conseguiu mesclar Saul Bass (lembrança imediata de Anatomia de um Crime) e 007, com um, mesmo que bem discreto, tempero baiano. O porém é que, dali até o final do filme, o áudio parecia alto demais. E embora não dê pra dizer se o problema maior era da cópia, do meu lugar (muito ao lado, na frente e próximo à saída de som) ou da regulagem no teatro, sensação foi compartilhada com as duas pessoas com quem falei sobre o problema – mais centrais e acima, no teatro.
Finda a apresentação, começa a história de Quincas, que decidiu morreu (ou “se deixou” morrer) no seu canto, perto daqueles com quem convive. Mas estes, além de desconhecidos, são discriminados pela filha Vanda (Mariana Ximenes), mãe (Walderez de Barros) e genro de Quincas (Vladimir Brichta), exemplares da burguesia caricata. Não ajuda ainda a lembrança de Mariana Ximenes em O Invasor (2002), de Beto Brant, que compreende uma crítica bem mais contundente.
Por outro lado, mais que alfinetar um comportamento, aqui se exalta outro – o que não é necessariamente ruim. O filme é menos uma crítica a uma burguesia reacionária e de aparências que um entusiasta de um tipo de comportamento mais “alegre” dos menos abastados de Salvador. Aqui novamente filmada para exportação, com Pelourinho, Baía de Todos os Santos e Elevador Lacerda normalmente mais figurativos que qualquer outra coisa.
Outra impressão que fica é que em mais um ponto alto do filme, o texto, narrado por Quincas (como não li a obra, adaptação não é análise pra mim), é mais visual que sonoro. Em que pese aí o incômodo no áudio, esse encaixe de texto com imagem parece funcionar mais pelo que está escrito que pela forma como a combinação audiovisual é feita.
Antes do filme, Machado falou em ciclo fechado, iniciado por Jorge Amado, que acreditou nele, e também finalizado no escritor, uma de suas influências e quem ele agora adapta em distribuição grandiosa. De fato, comparado com Onde a Terra Acaba (2001) e Cidade Baixa (2005), embora estes sejam diametralmente opostos, Quincas Berro D’Água deve ter mais pontos em comum com o primeiro.
Aqui, mais que o caráter cru de Cidade Baixa, temos uma espécie de defesa de um ídolo, de uma referência. Só que se em Onde Terra Acaba ele assumia um caráter de mediador com um bom material (entre arquivos e entrevistas), aqui ele, ao pegar a ficção, não consegue chegar a tanto. Não há mais contemplação alguma, atores geralmente não têm tanto tempo de tela, e tudo parece corrido; sendo a epiléptica câmera na mão em corrida o melhor exemplo do que existe de pior na falta de esmero que se transforma em hipotética defesa de um tipo de cinema contemporâneo.
Talvez o material seja mais Globo Filmes que Jorge Amado, ainda que o final nos leve a crer que não, mas até o caráter supostamente desbocado do filme parece domesticado. Lógico que muito dessa análise, óbvia e infelizmente, é afetada pela não certeza do quão ruim é ou apenas estava o som. No fim, pensei: se eu, que sou baiano, tive tanto problema, imagine o resto?! Filme precisa de revisão.
Visto, em pré-estreia, no Teatro Castro Alves – Salvador, abril de 2010.
Quincas Berro D’Água (idem – Brasil, 2010)
Direção: Sérgio Machado
Elenco: Paulo José, Mariana Ximenes, Vladmir Brichta, Marieta Severo, Walderez de Barros
Duração: 102 minutos
Projeção: 2.35:1
*”Tão bom quanto o áudio, acredite, estava a sintonia entre cérebro e olhos. Confundi Luís Miranda, que de afto apresentou o filme, com Hélio de la Peña, que não faço ideia de onde estava no dia. Já falei mais de uma vez, não acreditem no que escrevo. (Valeu, Helena!)”
8mm
Brincadeira de birutas
É uma pena Lissi no Reino dos Birutas (Lissi und der wilde Kaiser – Alemanha, 2007), animação do comediante-escritor-produtor-diretor-prodígio alemão Michael Herbig (responsável pela maior bilheteria da história da Alemanha), ter lançamento nacional na mesma semana de Alice: tive de repetir três vezes à vendedora que o meu ingresso, na verdade, era para o filme sem A. Não que haja deméritos demais no filme Tim Burton, que nem vi ainda, mas porque, entre os de aparência “infantil”, a tendência monopolizadora é ir para o lado hollywoodiano – e muitos deixarem de ver essa ótima opção para o gênero da animação via comédia.

Por outro lado, Lissi é um belo exemplo de narrativa com humor sutil e crítico; só que com toques do politicamente incorreto, o que é cada vez mais difícil de ver em produções com amplo alcance em Hollywood. Ainda que seu melhor talvez esteja, de fato, no que pode ser tirado de situações estapafúrdias.
Herbig consegue, por exemplo, fazer um diálogo entre o abominável homem das neves e o diabo; desenha um rei decadente com aparência roquenrol, em crise existencialista, para conversar (sem resposta) com Deus; sacaneia, várias vezes, a parte doentia de tudo estar à venda; e ainda consegue, no século XIX, enxertar a importância toque do celular (!). Mentes ordinárias não chegam a tanto.
Por mais que a maioria das críticas carregue uma dose até maior de ingenuidade (e pouco de forte como crítica de fato) e por mais que ele não tenha vergonha de abrir concessões (que vão do pastelão destoante – mas que prende as crianças – ao final hiper-adocicado), Lissi… não deixa de ser um exemplo de uma animação (e um tipo de comédia) com algo de genuíno. Pouco lembra o oásis de criatividade que é a Pixar, flerta com o que existe de não exatamente louvável na comédia-romântica genérica americana, mas consegue trazer um resultado que tem algo ligado ao local e a quem o fez.
Filmes da semana
1. Estranhos no Paraíso (1984), de Jim Jarmusch (DVDRip) (***)
2. Jovens, Loucos e Rebeldes (1993), de Richard Linklater (DVDRip) (***)
3. O Encouraçado Potemkin (1925), de Sergei Eisenstein (DVDRip) (hc)
4. Onde a Terra Acaba (2001), de Sérgio Machado (DVDRip) (***1/2)
5. Ela Matou em Êxtase (1971), de Jess Franco (sala Alexandre Robatto – DVD) (**)
6. Lissi no Reino dos Birutas (2007), de Michael Herbig (Multiplex Iguatemi) (***)
7. À Meia-Luz (1944), de George Cukor (DVDRip) (***)
8. Quincas Berro D’Água (2010), de Sérgio Machado (Teatro Castro Alves – Pré-estreia) (**)
Top-10 abril:
10. A Caixa (2009), de Richard Kelly (Multiplex Iguatemi) (***)
9. Lissi no Reino dos Birutas (2007), de Michael Herbig (Multiplex Iguatemi) (***)
8. Le Dernier Jour (2004), de Rodolphe Marconi (DVDRip) (***)
7. Onde a Terra Acaba (2001), de Sérgio Machado (DVDRip) (***1/2)
6. Crimes e Pecados (1989), de Woody Allen (DVDRip) (***1/2)
5. Macbeth (1948 – 114minutos), de Orson Welles (DVDRip) (***1/2)
4. O Filho da Noiva (2001), de Juan José Campanella (DVD) (***1/2)
3. Comédias e Provérbios: Pauline na Praia (1983), de Eric Rohmer (DVDRip) (****)
2. Antes do Pôr-do-Sol (2004), de Richard Linklater (DVDRip) (****1/2)
1. Noite Americana (1973), de François Truffaut (DVD) (****1/2)
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Leandro Afonso é comunicólogo, blogueiro e diretor do documentário “Do goleiro ao ponta esquerda”.
Ontem, leitores se emocionaram com a postagem, aqui, de um dos capítulos do livro Meninos, eu vi, do jornalista, comentarista esportivo e apresentador Juca Kfouri. O escritor lembrava da sua estada em Ilhéus e de uma inesperada visita do time do Flu do Rio, na década de 50.
Primo de Kfouri e neto do médico Pacheco, o repórter fotográfico José Nazal Pacheco leu e logo acionou o telefone. Emocionado, lembrou do avô e da árvore genealógica da família. Nazal lembrou que Juca veio para cá se tratar, deixando a São Paulo de temperaturas mais amenas e arriscadas à saúde de quem contraíra tuberculose.
Depois, o fotógrafo nos presenteou com esta panorâmica da chácara do Tio Pacheco, o “hospital” onde o comentarista esportivo ficou logo bonzinho e, claro, onde recebeu o time do Fluminense e feras como Castilho e o mágico Telê Santana. A chácara, aliás, fica ali no Alto Boa Vista, mais conhecido como Morro do Pacheco, em Ilhéus.
Aqui, releia o texto.
A mulher que Lula apresenta como candidata a presidente não é Dilma Rousseff, mas um simulacro, um arremedo, uma personagem fictícia. Como não aprendeu a arte da interpretação, Dilma – antes conhecida como gestora eficiente e resoluta – transformou-se em uma péssima atriz.
Duda Mendonça, o mago das campanhas, o homem que criou o “Lulinha Paz e Amor”, já avisou que Dilma é uma mulher de personalidade formada, portanto é inviável querer transformá-la no que não é. Na pele de outra pessoa, a candidata fica pouco à vontade, dá escorregadelas perigosas, foge ao script, comete gafes imperdoáveis.
Lula já detectou a embrulhada em que se meteu. Foi só o barbudo descolar-se de sua ex-ministra para ela mostrar que sozinha não decola. Talvez seja tarde para recriar a personagem, mas o presidente aposta em seu próprio cacife. Em breve, ficará grudado em sua escolhida para ver se a performance melhora num voo a dois.
Enquanto isso, Dilma precisa apurar o discurso e evitar deslizes. Na festa do 1º de maio, em São Paulo, a matéria editada pelo Jornal Nacional mostrou a candidata declarando que os trabalhadores tinham que agradecer pelo salário mínimo. Um salário que obteve expressivo ganho real na era Lula, mas está bem longe de garantir uma vida digna para o trabalhador.
Dilma precisa ter cuidado, sobretudo com os próprios gestos e a própria língua.
Alexandre Oltramari | Revista Veja
A agência Matisse é um dos mais intrigantes casos de sucesso da propaganda brasileira. Em 2003, com a chegada de Lula ao governo, a empresa deixou de ser uma nanica regional para tornar-se uma potência. Comandada pelo publicitário Paulo de Tarso Santos, marqueteiro de Lula em 1989 e 1994, ela entrou para o time das grandes ao vencer a licitação para administrar a milionária verba publicitária da Presidência da República. Seu sucesso, a partir daí, foi estrondoso.
Nos últimos sete anos, a Matisse conseguiu a proeza de se manter como a única agência a prestar serviços ininterruptos à Secretaria de Comunicação do governo. Há dois meses, porém, essa escalada de sucesso sofreu um revés. Sem explicação, Paulo de Tarso Santos anunciou que estava abandonando a empresa para se dedicar a outros negócios. O que se descobre agora é que o publicitário, na verdade, deixou a Matisse por suspeita de desviar recursos públicos.
Sua agência recebia as verbas do governo para pagar anúncios de campanhas oficiais, mas o dinheiro não chegava ao destino – pequenas emissoras de rádio e jornais do interior. O que aconteceu? Por enquanto o máximo que se pode dizer é que alguém embolsou os valores, e o publicitário, como sócio da empresa, foi responsabilizado por isso.
A saída de Paulo de Tarso da Matisse tem relação direta com as irregularidades. No início do ano, a Secretaria de Comunicação (Secom), chefiada pelo ministro Franklin Martins, tomou conhecimento de que um grupo de pequenas empresas de comunicação reclamava ter sido vítima de um calote de 5 milhões de reais por parte do governo federal. Os casos não se encaixavam nos tradicionais atrasos provocados pela burocracia e, curiosamente, envolviam sempre a mesma agência, a Matisse.
Dívidas que se arrastavam havia mais de cinco anos e que começaram a criar dificuldades para o próprio governo. Além do constrangimento, algumas emissoras passaram a recusar publicidade oficial. A Secom tentou contornar o problema, notificando formalmente a Matisse para que quitasse as dívidas. Em outra frente, também mudou seu sistema de pagamento. Antes, o órgão repassava dinheiro às agências depois que elas comprovavam a exibição da propaganda. Agora, além de comprovar a exibição, as agências precisam atestar o pagamento aos veículos.

A orientação no partido, que está na canoa geddelista, era para votar contra. Ela, como se sabe, faltou à sessão. Disse que estava dando papinha ao filho Marcus Vinicius, o Marcão, submetido que foi a uma cirurgia. Como a sessão durou mais de 30 horas e nada da parlamentar pisar os pés na Assembleia Legislativa, o governo sentiu umas pontinhas mais que protuberantes na testa. Vai cortar os 40 cargos indicados por Ângela.

EPIGRAMISTAS NÃO GANHAM BUSTOS
Epigramistas não são bem vistos. Nenhum deles ganha homenagem. Meu estimado leitor e minha não menos querida leitora já viram algum busto de epigramista? Uma praça ou viaduto? Uma reles placa em rua desimportante identificando-a como “Epigramista Fulano de Tal”? É provável que não. Sarcastas (como Horácio, na foto) distraem as pessoas comuns e atraem o ódio das autoridades. São cobradores, e ninguém aprecia ser cobrado. Em público, menos ainda. Os lexicólogos também não gostam de epigramista: com mais de 2.500 anos de registro (vem dos 500 a. C.), o termo (que ou aquele que faz epigramas) ainda é solenemente ignorado pelos dicionários.OS FILHOS DE GREGÓRIO DE MATOS
O grego Simônides de Ceos é uma espécie de pai do epigrama. Mas o modelo cunhado na Grécia foi modificado pelos romanos, com proximidade da forma maldosa, crítica e humorística de nossos dias. Sem querer demarcar fronteiras, coloquemos nesse gênero dois expoentes brasileiros (Emílio de Menezes e Gregório de Mattos) e um português (Bocage). Os três fustigaram os costumes e deixaram herdeiros. Aliás, a Bahia é pródiga em “filhos” de Gregório de Mattos, o Boca do Inferno (foto) – quase fazendo da arte de mal dizer um gênero baiano: Aloysio de Carvalho, Pinheiro Viegas, Ildásio Tavares, Lafayette Espínola, Clovis Amorim, Sílvio Valente e outros.HOISEL, O HOMEM QUE CRITICAVA
Em Ilhéus, com assento no Diário da Tarde e no Bar de Barral, o grande nome do epigrama foi Alberto Hoisel, retratado por Antônio Lopes em Solo de trombone (Editus/Uesc). A partir dos anos cinquenta (morreu em 2000), Hoisel movimentou a cidade e, sobretudo, infernizou a vida de todos os prefeitos do período. A Pedro Catalão (prefeito de 1951 a 1955) coube a maior crueldade: “Nunca no mundo supunha/Ser verdade absoluta/Que um filho da Catalunha/Virasse filho da puta!…”. Sobre o judiciário, ele fez uma quadrinha que está ainda muito atual: “A Justiça em seus julgados/Anda sempre em dois sentidos:/Ora de olhos vendados,/Ora de olhos vendidos”.EMÍLIO DE MENEZES, O IMPIEDOSO
O epigramista (os dicionários preferem epigramatista, sem apoio na vida literária) precisa de talento, coragem e maldade. Nesse último quesito, a sátira em versos nunca teve ninguém tão bem aparelhado quanto Emílio de Menezes, para quem a impiedade era uma segunda natureza. Lulu Parola está mais para o gracejo do que para a ofensa, enquanto Ildásio Tavares (foto acima) é agressivo a ponto de ter epigramas concluídos, mas retardar a publicação. “Primeiro preciso comprar um colete à prova de balas”, brinca (com fogo!) o poeta grapiúna. O Pimenta abriga o bissexto Agulhão Filho, que – ao estilo Lulu Parola – prefere o divertimento à crueldade.DISPARATES QUE SÃO BEM-VINDOS
Volta e meia alguém emprega um verbo como sinônimo de outro, equivocadamente. É o caso de ter por haver, muito comum nas transmissões de futebol na televisão. “Tinham dois jogadores impedidos”, diz o comentarista. Pedrada: em português, diz-se “havia dois…”. Mas deixemos pra lá, pois bater na tevê é como bater em defunto: ela sempre foi o quarto de torturas da língua portuguesa. Pior é quando o jornal, cujo texto tem tempo para ser lido, pensado, analisado e emendado, sai com disparates parecidos. E eles, os disparates, não são avis rara nem personas non gratas em nossas redações. Bem ao contrário, são recebidos com tapete vermelho.LIBRA E SINAIS DE FUMAÇA
Um dos principais diários de Itabuna é useiro e vezeiro em misturar os sentidos dos verbos. “Prazo para transferência de presos encerra na segunda-feira”, diz ele, em edição recente. Aos dicionários: o verbo encerrar encontra oito acepções no Aurélio, nove no Michaelis e 11 no Priberam. Nenhum deles mostra o verbo como sinônimo de terminar (o que parece ter sido a intenção do jornal). É claro que vai aparecer algum “liberal” pra dizer que “está certo” como foi escrito, pois a mensagem nos chegou. Mas não tratamos aqui de filosofias baratas, Libras ou sinais de fumaça, e sim de língua portuguesa culta.SIMPLICIDADE NÃO É HUMILHAÇÃO
Nunca será demais lembrar que simplicidade não é humilhação, mas qualidade do estilo. Se eu posso escrever “Prazo para transferência de presos termina…”, por que empregar um encerra, que o leitor medianamente informado não sabe de onde veio nem para onde vai? Vã complicação. Longe de melhorar o texto, o torna empolado, torto, questionável. Afinal, o sentido mais corriqueiro de encerrar é de transitivo direto, levantando no leitor a dúvida imediata: “Encerra o quê?”. E aí fica uma confusão dos pecados, até que se encontre o sujeito dessa construção canhestra.DA ARTE DE ESCREVER BEM
André Iki Siqueira fez, em João Saldanha, uma vida em jogo (Companhia Editora Nacional), o que entendo ser a biografia definitiva do polêmico treinador de futebol. Ao menos, é a mais consistente das que li. Personagem talhado para a ficção, Saldanha tem sua vida cercada de mitos (muitos criados por ele mesmo), de forma que, muitas vezes, a gente não percebe a diferença entre o real e o imaginário. O livro não põe luz sobre toda essa incerteza, mas aponta aspectos novos da vida do João sem Medo (epíteto criado pelo amigo Nelson Rodrigues), úteis, sobretudo, para as novas gerações de pesquisadores e, por que não dizê-lo, fãs.JOÃO SALDANHA, A FERA DAS FERAS
Uma vida em jogo mostra que Saldanha não foi comunista de praia e mesa de bar, mas ativo militante do PCB. Teve vida clandestina (era o camarada Souza) foi preso e fichado pela ditadura de Getúlio, comandou greves importantes como a dos 300 mil (São Paulo, 1953), organizou camponeses no Paraná (1950), enfrentou os gorilas de 1964 (disse que Médici era “o maior assassino da história do Brasil”), protegeu perseguidos políticos às custas do próprio bolso. Na Seleção (que ganhou invicta as eliminatórias), não abriu mão da militância e carimbou o time com sua personalidade. As feras do Saldanha, como seu líder, não tinham “complexo de vira-lata”.“COMO NUM ROMANCE DE AVENTURA”
André Iki Siqueira (foto), o autor, é um desses jornalistas de muita competência e pouca badalação. É carioca, consultor de comunicação, trabalhou na grande imprensa, dedica-se também à música (como compositor) e a fazer roteiros de televisão e cinema. Além de João Saldanha, uma vida em jogo, foi co-diretor do longametragem João, sobre o mesmo personagem. Atualmente, dirige a revista Brazilian foreign trade. Voltando ao livro, lê-se na contra-capa: “Como num romance de aventura, é uma história de tirar o fôlego, em que fato e ficção se confundem para criar um personagem inesquecível, o João Sem Medo – um grande brasileiro”. Assino.COM OS DEFEITOS NECESSÁRIOS
Nelson Rodrigues (ilustração) foi, desde o começo, o grande defensor do João Sem Medo para dirigir a seleção. Está nesta crônica de À sombra das chuteiras imortais: “Tenho-lhe um afeto de irmão. Quebrei minhas lanças para que a CBD o escolhesse. João Havelange e Antônio do Passo tiveram um momento de lucidez ou mesmo de gênio, e o chamaram. Ao ler a notícia, berrei: ´É o técnico ideal!’ . Um amigo meu, bem pensante insuportável, veio me perguntar: ´Você acha que o João tem as qualidades necessárias?’. Respondi: ´Não sei se tem as qualidades. Mas afirmo que tem os defeitos necessários´. E, realmente, o querido Saldanha possui defeitos luminosíssimos”.A PARCEIRA QUE BRECHT NÃO VIU
A “Ópera dos três vinténs” (Brecht), que no Brasil virou “Ópera do malandro” (Chico Buarque), teve uma canção muito divulgada: Mack the knife (1955). Foi cantada por Armstrong, Bobby Darin, Frank Sinatra e um monte de gente. Curiosidade: foi a primeira gravação de Elza Soares (foto), versão em português, claro, em 1959 (o outro lado do disco tinha Se acaso você chegasse, de Lupicínio Rodrigues). A letra, como costuma ocorrer na música americana, é pouco expressiva. Mas o balanço é irresistível. As coisas estavam assim, até que Ella Fitzgerald cantou Mack the knife numa apresentação ao vivo, em 1960. Foi um show mágico, eletrizante, algo ainda não visto.ÓPERA DA “MALANDRA” ELLA FITZGERALD
Na abertura, Ella avisa que não está segura quanto a lembrar-se de toda a letra da canção (We hope we remember all the words). Antes de chegar ao meio, a cantora tem um “branco” (ops!), mas é aí que começa o verdadeiro show. Ela não perde a cadência nem a classe: começa com “Qual é o próximo refrão dessa música, agora?” (What´s the next chorus to this song, now?) e prossegue citando, com ritmo e rima, os cantores Bobby Darin (foto) e Armstrong (que popularizaram a composição de Brecht e Weill), ri de si mesma – “Nós estamos fazendo um naufrágio” (We’re making a wreck) – manda uma imitação de Satchmo, e arremata tudo com aquele scat singing que tornou ambos famosos.O IMPROVISO QUE GANHOU O GRAMMY
Próxima ao final, Ella se diverte, cantando: “vai ser uma surpresa se essa gravação virar Mack the knife” (it´s a surprise this tune comes Mack the knife). De fato, àquela altura, já pouco restava da letra original, “adaptada” à ocasião. No fim, com os aplausos da platéia, a cantora abre o sorriso: missão cumprida, o imprevisto tinha sido dominado. A improvisação ganhou o Grammy de 1960. Ella tinha também o dom de imitar vozes e instrumentos: em One note samba (Samba de uma nota só), de Tom, ela “toca” uma cuíca; aqui, tira um sarro com seu amigo rouco Louis Armstrong. O vídeo, ao que me consta, não é do show original.O site do Centro de Pesquisas e Desenvolvimento Tecnológico de Ilhéus (Cepedi) sofreu invasão, possivelmente neste final de semana. Quem acessa a página eletrônicado centro ligado à Universidade Estadual de Santa Cruz (Uesc) e empresas do polo de informática de Ilhéus depara-se com uma mensagem pra lá de explosiva.
Atualizada às 11h (03/05)






















