Orlando Cardoso está no ar há 64 anos, ininterruptos
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Os locais destinados aos visitantes eram em espaços exíguos e junto às torcidas adversárias, intimidando-os o jogo inteiro. Algumas vezes foi obrigado a transmitir os jogos em cima do teto da Kombi da Rádio Difusora.

 

Walmir Rosário 

Sem sombras de dúvida, o radialista Orlando Cardoso é um ícone da comunicação radiofônica de Itabuna. Não apenas pelos 64 anos ininterruptos à frente do microfone, mas pelo conceito adquirido junto aos ouvintes da região cacaueira. É preciso competência, carisma e credibilidade junto ao público – cativo – por longos anos.

E uma das marcas de Orlando Cardoso é ter responsabilidade em tudo que leva ao ouvinte, com o apoio de boa música e os comentários dos fatos no dia a dia de seus programas. E não é pra menos, pois a credibilidade do comunicador garante uma audiência cativa, com reflexos positivos na área comercial, com anúncios nos programas.

E a simplicidade de Orlando Cardoso não permite que ele fale sobre a publicidade no seu programa diário (matinal) Panorama 640 (meia quatro zero), sem espaços vazios na grade de comerciais. E cheios de orgulho, alguns colegas e amigos dizem que é o único programa a recusar novas publicidades, por um fator inédito: não existe espaço disponível.

Com toda a tranquilidade Orlando revela que o rádio lhe deu muita experiência de vida, a chance de conhecer parte do país, o que jamais teria em outras profissões. E não economiza elogios ao dizer que o rádio sempre foi tudo pra ele, depois de Deus e a família. E em seguida emenda que nunca foi metido a besta, o que lhe ajudou também na política.

Orlando Cardoso trabalhou nas três emissoras AMs de Itabuna – Difusora, Clube e Jornal – sempre disputando o primeiro lugar em audiência, com a mesma tranquilidade, focando sempre na sua comunicação. Numa conversa nossa há algum tempo ele disse que tem muita gente boa de audiência no rádio, mas que não conseguiu se eleger na política por não ser popular, simpático, e que a política não perdoa.

Mas os ouvintes não têm a menor ideia da trabalheira que é ser líder de audiência. E pra começo de conversa, exige um projeto que caia no gosto do ouvinte, acompanhado de músicas e boas informações. No esporte não é diferente e ele mesmo já passou muitos dissabores em estádios onde transmitia jogos da Seleção de Itabuna, a Hexacampeã Baiana de Amadores.

Em muitos desses jogos, os radialistas eram também tratados como adversários e tinham que ter muito jogo de cintura para realizar uma transmissão de qualidade. Os locais destinados aos visitantes eram em espaços exíguos e junto às torcidas adversárias, intimidando-os o jogo inteiro. Algumas vezes foi obrigado a transmitir os jogos em cima do teto da Kombi da Rádio Difusora.

E Orlando Cardoso não nega que era um apaixonado pela Seleção de Itabuna, e os torcedores apaixonados por ele. Nas transmissões sua vibração era transmitida pelo rádio e a torcida acompanhava, a exemplo do gol do Hexacampeonato, em Alagoinhas, quando ele narrou com toda a força dos pulmões o bordão: “É gol Itabunense, torcida grapiúna!”.

E nessa hora balançaram tanto a Kombi que ele não pode ver quem teria marcado o gol, muito menos ouvir o repórter Ramiro Aquino dar os detalhes do gol de cabeça do centroavante Pinga. “Acabou o jogo, entramos na Kombi e voltamos para Itabuna, e somente aí é que fui informado que o gol teria sido de Pinga, mas pouco importava, pois já éramos Hexacampeões”, ainda comemora Orlando.

A primeira participação de Orlando Cardoso no microfone foi na Rádio Clube de Itabuna, indicado pelo radialista e publicitário Cristóvão Colombo Crispim de Carvalho, por volta de 1960, quando narrou um jogo imaginário. Em seguida narrou outro jogo, este de verdade, no Campo da Desportiva, mas não continuou. Em seguida narra outro jogo imaginário na Rádio Difusora, a pedido de Romilton Teles, e é chamado para um teste na emissora, a qual trabalha.

E prestes a chegar aos 83 anos continua firme e forte na condução do Programa Panorama 640 (meia quatro zero) para a alegria de milhares de ouvintes. Vida longa na existência física e radiofônica, Orlando Cardoso!

Walmir Rosário é  radialista, jornalista e advogado, além de autor de livros como Os grandes craques que vi jogar: Nos estádios e campos de Itabuna e Canavieiras, disponível na Amazon.

Em Itabuna, Tasso Castro lança livro sobre a Copa Rio de 1952
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 Tasso Castro deixa clara a mudança no Fluminense, que do pejorativo timinho de 1951 se transformou no campeão Carioca do mesmo ano e continuou com seu poderio em campo, se sagrando campeão Mundial de Clubes, no ano seguinte.

 

Walmir Rosário

 

 

 

 

 

Um livro para ficar na história dos torcedores do Fluminense carioca, ou das Laranjeiras, como queiram, estará à disposição dos tricolores de todo o Brasil, contando a história da 2ª Copa Rio, conquistada pelo Fluminense, em 1952, data do seu cinquentenário. E a obra do escritor Tasso Castro – 1952, A maior conquista do futebol tricolor – será lançada nesta segunda-feira (10 de fevereiro), às 18h30min, no Shopping Jequitibá, em Itabuna.

De pronto, vale avisar aos tricolores mais moços, que a Copa Rio foi o primeiro Campeonato Mundial de Clubes, realizado pela então Confederação Brasileira de Desportos (CBD), a CBF da época, com licença da Federação Internacional de Futebol (Fifa). Os jogos eram realizados no Rio de Janeiro e São Paulo, por equipes da Europa e da América Latina, duas delas brasileiras.

E o texto cirúrgico e preciso é o resultado de pesquisa realizada por Tasso Castro, que conta em detalhes o futebol da época, ressaltando o grande feito do Fluminense, desde a participação do Campeonato Carioca de 1951, considerado um timinho pela mídia. Além de faturar o Carioca de 51, os dirigentes ainda convenceram a CBD e a Fifa a realizarem a Copa Rio um ano antes, já que seria realizada de dois em dois anos, portanto, em 1953.

No livro, o Autor também mostra que o Fluminense foi o primeiro time brasileiro a vingar a nossa derrota de 1950 para a Seleção do Uruguai, que ficou conhecida como o “Maracanazo”. Isto porque o Fluminense jogou contra o Peñarol e aplicou um “chocolate” de 3X0, e nem tomou conhecimento dos carrascos Ghiggia, Schiaffino, dentre outros. Obdúlio Varela não jogou por estar contundido.

A cada jogo o Fluminense de Castilho, Píndaro, Pinheiro, Jair, Édson, Bigode, Lino, Telé, Orlando, Vilalobos, Marinho, Didi, Robson, Quincas, Carlyle, Simões e cia., foi derrotando seus adversários, apesar dos susto inicial no 0X0 contra o Sporting português. Aos poucos se firmou e não tomou conhecimento do Grasshopper (suíço); Peñarol (uruguaio); Áustria Wien; e o Corinthians (dois jogos nas finais). O 1º venceu por 2X0, e empatou o segundo em 2X2.

Os leitores não perdem por esperar, pois além das informações gerais sobre cada uma das partidas, ainda poderão conferir as análises realizadas pelos jornalistas das maiores publicações esportivas. Nelas, cada atleta é estudado em cada partida, e nem mesmo Didi, que viria a ser conhecido como o “Senhor Futebol” escapou das críticas, apesar de considerado o craque da competição.

No texto, Tasso Castro deixa clara a mudança no Fluminense, que do pejorativo timinho de 1951 se transformou no campeão Carioca do mesmo ano e continuou com seu poderio em campo, se sagrando campeão Mundial de Clubes, no ano seguinte. “Com certeza, vencer a Copa Rio de forma invicta demonstra um Fluminense Espetacular”, ressalta o Autor.

O livro 1952 – A maior conquista do futebol tricolor, é formatado em 5 capítulos: I – Copa Rio, 1951, II – Campeonato Carioca 1951, III – Copa Rio 1952, IV – O mundial da Fifa 2000; e o V – Testemunhos de tricolores, além de prefácio, a extinção da Copa Rio e posfácio. Em cada um dos depoimentos os tricolores demonstram a paixão pelo Fluminense, que vão desde a transferência do amor aos filhos até a participação nos jogos em cidades distantes.

Sobre o autor, Alexandre Berwanger escreveu: “Se não bastasse o Fluminense Football Club ostentar entre os seus torcedores Nelson Rodrigues, o “Shakespeare brasileiro”, Paulo-Roberto Andel, o “João do Rio do Século XXI”, também tem Tasso Castro, o “Novo Jorge Amado”, escritor baiano talentoso radicado em Itabuna que publicou outros três livros sobre o Tricolor:

* “Fluminense, memórias de uma paixão” (2011).

* “Oxente, Somos Flu!” (2018).

* “Doces Vitórias” (2022).

Esse seu quarto livro, como o nome indica, aborda a conquista da Copa Rio de 1952, o primeiro título internacional oficial do Fluminense, competição organizada pela CBD, autorizada e acompanhada pela FIFA para a qual segundo o seu Estatuto toda a competição acompanhada por ela tem o caráter de oficial.

Em 1928 o Fluminense conquistou as suas primeiras taças internacionais, amistosas, mas essa é outra época, outra história, embora também muito retumbante.

Além de escrever algumas linhas no excelente livro tenho a satisfação de ter contribuído com a imagem da capa, a do troféu tão significativo para nós tricolores”, finalizou.

Walmir Rosário é radialista, jornalista e advogado.

Caboclo Alencar serve a mais famosa batida de Itabuna
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Prometo que daqui pra frente somente participarei de eventos em que a falta seja injustificável, tomando todas as precauções com o estado físico. Aguarda-me, por exemplo, o sábado (15 de fevereiro), no conceituado Mac Vita, quando será apresentado à sociedade mundana canavieirense o livro Tyrone Perrucho – o homem que colecionava amigos, de minha autoria.

 

Walmir Rosário

Afirma o ditado que Deus escreve certo por linhas tortas. Concordo em gênero, número e grau e por tudo que há de mais sagrado, pois as confirmações sempre me são mostradas e com rigor, digamos, científico, ou quase. Este fim de semana, por exemplo, fui impedido de comparecer a uma série de eventos, já programados com bastante antecedência.

E o motivo foi pra lá de justo, aqueles incômodos nem tão inesperados, causados pelo nervo ciático e as imperfeições na velha coluna cansada de guerra. E o veredito foi dado de forma brusca pelo meu team de personal trainer, os professores Vilma e João José, que também carregam o sobrenome Rosário, proibindo qualquer estripulia.

Resignado, deixei de ir a Campo Formoso para comemorar, ao vivo e em cores, os 94 anos de minha mãe, neste dia 1º. No mesmo dia ainda tentei que me liberassem para um pulinho em Itabuna, pois participaria dos festejos antecipados dos 94 anos do Caboclo Alencar, que reina absoluto no ABC da Noite, no Beco do Fuxico, e ainda daria os parabéns ao amigo e colega Gabriel Nunes e Paulo (Índio) Lima (todos no dia 2, junto com Yemanjá).

Todos os meus sonhos foram por água abaixo e me contentei em parabenizá-los por meio de mensagens no Whatsapp, sem um aperto de mão, um abraço apertado e, sequer, desejar tudo de bom nesta vida brindando com uns dois ou três goles de batida. Todo o meu planejamento seguiu água abaixo, ou como diriam os mais exaltados, o meu castelo ruiu, sem mais nem menos.

Ainda bem que alcancei a dádiva de comemorar recentemente os 80 anos do Almirante Nélson, numa festividade que deu o que falar em toda a Canavieiras, devido ao brilho dos serviços e ao número e qualidade dos convidados. É por isso que tenho a convicção de que nada mais correto do que “o que tiver que fazer hoje não deixe para o amanhã”.

Minha grande preocupação seria carregar a pecha de desidioso, por não comparecer a tão importante e qualificado evento, em que tinha a obrigação da presença, na qualidade de vice-presidente da Alambique (Academia de Letras, Artes, Música, Birita, Inutilidades, Quimeras, Utopias, Etc.). Ainda bem que o zeloso presidente, o jornalista Daniel Thame fez a entrega solene da placa em homenagem às 94 “primaveras” do Caboclo Alencar, fixada na parede externa.

Placa em homenagem a quase um século de vida do nobre Caboclo Alencar

Mas não tive outro jeito senão acompanhar toda a movimentação do Beco do Fuxico pelas redes sociais e alguns telefonemas de amigos cobrando a minha presença. Deitado eternamente em minha rede esplêndida acompanhava com bastante atenção os presentes, todos bebericando as riquíssimas batidas elaboradas pelo mestre alquimista Caboclo Alencar.

Para os que pensam ter sido apenas comemorações de aniversários, posso afirmar que se tratou de uma festa de trabalho (pode?), pois já se debatia a tradicional Lavagem do Beco do Fuxico, na abertura do Carnaval do Itabuna. E este ano a folia será ampliada com a Lavagem da Cantina Tico-Tico e do bloco que leva o mesmo nome.

Mas nem só de Carnaval vive o Beco do Fuxico! O planejamento chegou ao mês de julho, quando será comemorado o aniversário dos 115 anos de emancipação de Itabuna, mais precisamente no dia 28 de Julho. Por coincidência, nesta mesma data se festeja aniversário do ABC da Noite, que atinge a marca de 63 anos de existência, no mesmo local e o mesmo proprietário.

Essas datas festivas são como um bálsamo para meus incômodos nevrálgicos, que espero solucioná-los em tempo recorde para não tomar falta na chamada da lavagem carnavalesca, bem como no aniversário do ABC da Noite, do qual sou aluno repetente dos mais antigos. Já encomendei ao colega de ABC, Cláudio da Luz, que em suas andanças por Itajuípe consiga algum remédio da flora nativa, criado por algum raizeiro juramentado.

Prometo que daqui pra frente somente participarei de eventos em que a falta seja injustificável, tomando todas as precauções com o estado físico. Aguarda-me, por exemplo, o sábado (15 de fevereiro), no conceituado Mac Vita, quando será apresentado à sociedade mundana canavieirense o livro Tyrone Perrucho – o homem que colecionava amigos, de minha autoria.

Garanto que serei bastante comedido.

Walmir Rosário é  radialista, jornalista e advogado, além de autor de livros como Os grandes craques que vi jogar: Nos estádios e campos de Itabuna e Canavieiras, disponível na Amazon.

Caixeral de 1957 e seleção regional || Foto Arquivo de Walmir Rosário
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O número de jogadores era tão abundante, que os “cartolas” ainda se “davam ao luxo” de formar uma seleção regional, tendo como base os jogadores do bairro da Conceição.

 

Walmir Rosário

 

 

 

 

 

Mas qual eram os segredos para Itabuna formar tantos craques? De cara posso garantir que para um atleta atuar no Campo da Desportiva Itabunense era preciso passar por um verdadeiro vestibular, nos “babas” disputados em campinhos dos bairros ou escolinhas de futebol. Aprovado, a partir daí poderia tentar uma vaga nos times amadores.

Tínhamos, por exemplo, a Academia de Futebol Grapiúna, dirigida pelo cirurgião-dentista Demóstenes Carvalho, e os times de Adonias da Mangabinha, de Tim do bairro da Conceição, dentre outros. E os que mais se destacavam eram convidados a jogar nas diversas equipes aspirantes até chegar ao time de cima das agremiações amadoras.

E os campinhos de bairro não eram raridades, como hoje! Bastava um terreno baldio mais ou menos plano, sem muitas pedras, e duas traves. Era assim na Borboleta (hoje rodoviária); banca do peixe, Escola de Celina Braga Bacelar, Maravalha, (centro); São Judas Tadeu; campo do Tênis, torre da Rádio Difusora, Malícia, Brasilgás, Vila Zara, Eucaliptos (bairro da Conceição); Cortume (Banco Raso) para se submeterem aos olheiros e indicarem futuros craques.

O América da Vila Zara, comandado por Adonias, em 1963, era um dos times de camisa que forneceu jogadores para várias equipes. Em 1972, o mesmo América mantinha praticamente a mesma formação, mesclado com jogadores mais novos. João Garrincha, Dema, Betinho Contador, Zé Nito, Luiz Fotógrafo, e tantos outros.

Lembrados até hoje nos papos de saudosismo, os craques do passado têm nome, sobrenome e história a ser contada pelas jogadas memoráveis, tanto nos campos de pelada como na velha Desportiva. Um desses exemplos são as escalações da Seleção de Itabuna de 1958 a 1965, quando reinou absoluta no cenário amador do estado da Bahia. Fora essa saga vencedora, as equipes de bairros (ou várzea, como queiram), ainda reinam absolutas na memória dos torcedores.

Eu costumo usar uma frase dita pelos veterinários: “de mamando a caducando”, que se encaixa bem na velha prática do futebol, quando os escolhidos para formar o time (ainda na base do par ou ímpar, para escalar primeiro) eram pela eficiência, meritocracia. Pouco importava se menino ou homem-feito, tinham que ter as qualidades para jogar em determinado campo e decidir a partida. Isso era fundamental para jogar num time de camisa.

Enquanto nos campinhos o jogo era na “paeta” (descalço), nos times de camisa se jogava de chuteiras, fabricadas por sapateiros especializados, como Lauzinho, ali na rua Silveira Moura, no bairro da Conceição, ex-jogador do Botafogo de Rodrigo e exímio profissional, dentre outros que competiam para fabricar os melhores produtos.

E jogar de chuteiras era preciso uma adaptação, pois elas eram feitas de acordo com a posição em o futuro dono jogava: macia para atacantes e rígidas para zagueiros. Já as travas poderiam ser de sola grossa ou alumínio, a depender do tipo de jogo, mais alta ou mais baixam de acordo com o clima e a característica do jogador – ou de maldade, segundo os comentários da época.

Uma coisa era certa: todas as chuteiras eram pretas, algumas com uma ou duas listras brancas, porém jamais cor-de-rosa rosa choque, amarelo alaranjado, pois eram feitas para proteger o pé e aumentar a potência do chute, nunca para aparecer. O mesmo acontecia com o corte dos cabelos, em maioria o de “soldado americano” e, de quando em vez, um maracanã para o encanto das moçoilas casadoiras. Definitivamente, não era o tempo de Neymar!

Mas, trejeitos e modas à parte, o que valia era pisar no gramado e dar conta do recado. Jogador bom era o eficiente e produtivo. Não podia ser “manioso” ou “vedete”, para não cair em desgraça e ser olhado de soslaio pelos “cartolas”. Assim era no Flamengo de José Baliza, ou no Botafogo do bairro da Conceição de 1976, que mesclava atletas mais experientes como Neném, à garotada do tipo de Bilo e Paulo Roberto. No mesmo time jogavam Danielzão, Pelé Cotó, Romualdo Cunha e os garotos João Garrincha, Beguinho, Alterivo e Douglas.

Naquela época, o número de jogadores era tão abundante, que os “cartolas” ainda se “davam ao luxo” de formar uma seleção regional, tendo como base os jogadores do bairro da Conceição. Essa seleção excursionava pelas cidades vizinhas, acumulava vitórias e títulos, dada a altíssima qualidade dos jogadores como: (em pé, a partir da esquerda) Faruk, Vitor Baú, Sílvio Sepúlveda, Pedro Mangabeira, Lauzinho e Guaraí; agachados Lane, Pedrinha, Juca Alfaiate, Macaquinho e Diocleciano (foto acima).

Walmir Rosário é radialista, jornalista e advogado.

Os irmãos Deroaldo e Ronaldo na Cantina Tico-Tico || Foto Enault Freitas
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Raimundo Pereira Borges, o Zinho, ou o Tico-Tico, nasceu em 7 de maio de 1930 e faleceu em 18 de janeiro de 2011, deixando um legado para a família, que soube perpetuar um empreendimento que, embora pequeno, alcançou e soube se manter no patamar do sucesso. Além de Ronaldo Deroaldo e Deroaldo Ronaldo, Zinho deixou as filhas Cássia, Clélia, Hélia e Alcimar.

 

Walmir Rosário

No nosso tempo de menino em Itabuna uma das maiores diversões era assistir ou participar dos jogos de futebol. Era a nossa mania municipal. Campinhos não faltavam nos bairros e até no centro da cidade. Bastava uma bola, a marcação das traves, muitas vezes com pedras, e a meninada com vontade de brincar. Sobravam muitos, geralmente os sem habilidade.

Agora, bom mesmo, era assistir aos jogos e treinos dos times amadores, principalmente da invencível Seleção de Itabuna. Como nem sempre estávamos providos de recursos para o ingresso, recorríamos aos jogadores amadores que possuíam a carteirinha da Liga de Desportos Atléticos (Lida), e entrávamos com eles. Claro, sem pagar nada.

E existiam os funcionários que dificultavam nosso ingresso, enquanto outros facilitavam. E uma dessas figurinhas carimbadas era Raimundo Pereira Borges, um multifuncional no Campo da Desportiva, pois “jogava nas 11”, era bandeirinha, árbitro, goleiro, diretor da Lida e dono do bar interno da Desportiva. Uma figura alegre, brincalhona, afável, mas que sabia ser sisudo quando o assunto requeria.

Zinho (Tico-Tico) e a esposa, Miralva || Foto Arquivo Walmir Rosário

Raimundo Pereira Borges era pouco conhecido. Para nós era Zinho – só os mais velhos –, depois Tico-Tico, novo apelido que ganhou quando em 27 de janeiro de 1950 inaugurou, junto com sua esposa, Miralva, a Cantina Tico-Tico, bem próximo do Campo da Desportiva, na rua Almirante Tamandaré, ao lado do conhecido Jardim do Ó, local em que funciona até os dias de hoje.

E a escolha do nome foi pra lá de inusitado: um dia Zinho informa a seu irmão Antônio, conhecido como Tote, dono do Bar dos Operários, que iria abrir uma cantina e aproveita para pedir uma sugestão quanto ao nome que daria. Nesse momento, Tote saía de detrás do balcão e se dirigia ao banheiro com um rolo de papel higiênico, e mostrou ao irmão: “Bota o nome de Tico-Tico, como essa marca de papel higiênico”. E imediatamente foi aprovado o nome.

O local era pequeno, mas abrigava a todos, principalmente quando as empresas próximas liberavam os empregados para a “merenda” da manhã e da tarde. Bem em frente, onde hoje existe a Igreja Universal, funcionava uma revenda Volkswagen, com cerca de 50 funcionários, muito deles com o lanche anotado no caderno.

Refrigerantes, sucos e refrescos, pastéis bem recheados de carne, banana real, bolos de milho, tapioca e aipim, além das batidas de gengibre e maracujá fazem o maior sucesso. Com o passar dos anos a Cantina Tico-Tico ganhou conceito e frequência diversificada, com mecânicos, radialistas, jornalistas, bancários, advogados, comerciários, muitos dos quais buscavam o lanche fora da hora de grande movimento.

Os filhos de Zinho mantêm a obra: Deroaldo e Ronaldo no balcão do Tico-Tico || Foto Enault Freitas

Eu mesmo fui cliente assíduo da Cantina Tico-Tico quando a redação do Jornal Agora ficava do outro lado do Jardim do Ó. Todos os dias, eu, o saudoso colega Euclides Batista (Zoca) e o diagramador Paulo Fumaça dávamos uma paradinha nas “Olivetes” para o lanche sagrado. Barrigas abastecidas, trocávamos uns dois dedos de prosa com Zinho e os filhos Ronaldo Deroaldo (Peu) e Deroaldo Ronaldo.

E aos poucos o nome Zinho foi sendo transferido para Tico-Tico, um expert na área de lidar com o público e que soube repassar esse conhecimento aos filhos. Lembro-me, ainda menino, de quando ele dirigia o bar do Campo da Desportiva e num domingo o presidente da Lida o proibiu de vender cachaça, só cerveja e refrigerante. Foi uma revolta geral, mas Zinho soube tirar de letra e apaziguar.

E todo esse sucesso do Tico-Tico não subiu à cabeça da família que soube se dedicar a servir bem aos fregueses, com bebidas e comidas de boa qualidade, muitas delas fabricadas em casa. Um dos filhos, Deroaldo Ronaldo, optou pelo trabalho na cantina e deu adeus à advocacia, num tempo em que os despachos e sentenças eram raridades, pela falta de juízes e promotores.

As memórias: Zinho Tico-Tico nas páginas vibrantes do Jornal Agora

E por todo o sucesso dessa família à frente da Cantina Tico-Tico ao longo de 75 anos ininterruptos, o Serviço Brasil de Motivação e Marketing (Simmbra), liderado pelo empresário Valdir Ribeiro, prestará, nesta segunda-feira, 27, às 11 horas, uma homenagem à Cantina Tico-Tico, com um Certificado de Excelência. E Valdir Ribeiro ressalta que uma empresa familiar dificilmente consegue sobreviver no mercado por todo esse tempo.

Raimundo Pereira Borges, o Zinho, ou o Tico-Tico, nasceu em 7 de maio de 1930 e faleceu em 18 de janeiro de 2011, deixando um legado para a família, que soube perpetuar um empreendimento que, embora pequeno, alcançou e soube se manter no patamar do sucesso. Além de Ronaldo Deroaldo e Deroaldo Ronaldo, Zinho deixou as filhas Cássia, Clélia, Hélia e Alcimar.

Vida longa à família Tico-Tico.

Walmir Rosário é  radialista, jornalista e advogado, além de autor de livros como Os grandes craques que vi jogar: Nos estádios e campos de Itabuna e Canavieiras, disponível na Amazon.

 

Santos de Pelé jogou em Ilhéus em 1965 || Foto Acervo Santos
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Tomaram um café e partiram, passaram por Feira de Santana, e tocaram pela famosa Rio-Bahia. Madrugada pela frente, muitos caminhões e ônibus na estrada tornavam intenso o movimento. Lá pelas tantas, um caminhão tenta ultrapassar outro e dá de cara com o jipe que conduzia nossos torcedores que voltavam pra casa.

 

Walmir Rosário

O brasileiro sempre foi apaixonado pelo futebol. Não conheço nenhuma pesquisa que nos coloque no topo da pirâmide entre os vários países do mundo, mas nem precisa, somos nós e pronto. Nenhum povo alcançou os nossos feitos em copas do mundo, temos resultados fantásticos nos campeonatos mundiais de clubes e mais que o valham.

E nos apaixonamos por um clube, devotando a ele toda a nossa paixão. Pra cada um de nós o meu time é o melhor e só não ganhou o campeonato por fatores extracampo, como as decisões dos árbitros de futebol, cujas coitadas das mães são xingadas por qualquer motivo fútil. Pouco interessa se os diretores não contrataram os melhores jogadores e sim pernas de pau.

Mais que torcer por um time, alguns se apaixonam – no bom sentido – pelos craques, e isso tenho como provar desde meus tempos de menino lá pras bandas do ainda bucólico bairro da Conceição, em Itabuna. Tínhamos os nossos craques, jogadores dos times amadores e da imbatível Seleção Amadora de Itabuna, mas também devotávamos nosso amor pelos craques do Rio de Janeiro e São Paulo.

E um desses era o Tio Coló, que não era bom de bola, mas gostava de jogar com estilo. Estilo, aliás, era com o próprio: não dispensava uma calça de linho passada a ferro com goma, um sapato do tipo mocassim branco, camisa esporte listrada, fino violonista. No máximo se permitia andar com sandália japonesa, a legítima, nas cores preto e branco, como do Santos de Pelé.

E ele era um exímio motorista, escolhido a dedo por grandes empresários para viagens, muita delas voltadas para jogos de futebol. Segurança total com o Tio Coló ao volante. E quando o assunto versava sobre futebol ele cortava qualquer conversa e dizia em alto e bom som: “Só morrerei depois de ver Pelé jogar”. Já era um mantra incorporado ao tema futebol.

Pois bem, lá pros idos de 1964, se não me engano, chega a grande oportunidade para o Tio Coló realizar seu eterno desejo, com a notícia dada na resenha esportiva da Rádio Bandeirantes de São Paulo, informando que o imbatível Santos viria a Salvador enfrentar o Bahia. Foi um alvoroço no salão de sinuca de Ismael. Seria agora ou nunca para Tio Coló.

Na mesma hora começaram a planejar a viagem entre os presentes. Tio Coló, o mestre de obras da prefeitura, Antônio Cruz, o comerciante Nicanor Conceição, o dono de bar Teles, o comerciante de leite e cana Nivaldo (Cacau). O próximo passo seria alugar um carro e embarcarem para a capital baiana e assistir ao jogo com o Rei do Futebol, Pelé.

E no próprio bairro da Conceição alugaram um carro de praça (táxi), o jipe de Eliseu, também interessado em assistir à partida. Na data marcada partiram para Salvador onde realizariam o sonho, antes considerado impossível. E as estradas daquela época eram horríveis, de terra batida até Jequié, e daí pra frente o asfalto da Rio-Bahia e da BA- 324 até a capital.

Chegaram um pouco antes do início do jogo, e torceram por Pelé, que marcou os dois gols do time santista. Partida encerrada, eles tomaram a estrada de volta e ao chegar a Feira de Santana Eliseu se sentia cansado. O jeito era passar o volante para o colega Tio Coló. E esse era um gesto ímpar, pois o jipe de Eliseu ninguém dirigia. E Tio Coló seria o primeiro a ter o privilégio.

Tomaram um café e partiram, passaram por Feira de Santana, e tocaram pela famosa Rio-Bahia. Madrugada pela frente, muitos caminhões e ônibus na estrada tornavam intenso o movimento. Lá pelas tantas, um caminhão tenta ultrapassar outro e dá de cara com o jipe que conduzia nossos torcedores que voltavam pra casa.

O choque foi inevitável e o caminhão atingiu o jipe do lado esquerdo. Rodovia interditada por causa do acidente os passantes iniciaram o atendimento aos seis ocupantes do jipe, todos bastante machucados e iam sendo levados para o hospital mais próximo. Na realidade, somente quatro puderam ser atendidos: Antônio Cruz, Teles, Nicanor e Nivaldo Cacau.

Na direção Tio Coló não resistiu ao impacto da colisão e morreu no local. Mesmo destino teve Eliseu, o proprietário do jipe, que se encontrava sentado logo atrás do banco do motorista. Assim que a notícia chega a Itabuna, se instala um clamor no bairro da Conceição, que passa a chorar seus mortos e feridos.

Acredito que, em relação ao Tio Coló, a profecia foi feita: morreu exatamente após ter assistido jogar o seu grande ídolo, Pelé, o Rei do Futebol. Nunca mais um solo de violão do Tio Coló, que sempre era lembrado quando o assunto no salão de sinuca de Ismael era o futebol. É triste entrar para a história por sua morte, pois todos queriam que ele ressaltasse sua alegria ao ver Pelé jogar. E logo mais, em 1965, Pelé jogou em Ilhéus, pertinho de casa.

Walmir Rosário é  radialista, jornalista e advogado, além de autor de livros como Os grandes craques que vi jogar: Nos estádios e campos de Itabuna e Canavieiras, disponível na Amazon.

O presépio é a representação do nascimento de Jesus
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Acredito que a representação natalina de presentear seja mais que justa e que entre os cristãos e os povos que professam outras religiões a bondade possa durar o ano inteiro e não apenas um dia.

 

 

Walmir Rosário

Sou fascinado pelo Natal, sua beleza plástica, as formações de presépios (bem escassas atualmente), o colorido das roupas, as músicas que abrem nossos espíritos e que nos deixa transbordando de alegria. Mais, ainda, pela transformação das pessoas, notadamente aquelas que transpiram bondade, alegria, crença na salvação da humanidade.

Neste período do ano irradiamos de felicidade com a presença dos motivos natalinos nas pessoas do Deus Menino, nascido numa manjedoura, tendo ao seu lado as figuras de Maria, sua Mãe, e São José, o pai humano. Pelo aspecto local, como não poderia deixar de ser, a presença de animais (bois, vacas, bezerros, carneiros, etc.).

É uma representação bem singela para um Deus que se fez carne e veio habitar entre nós, o que deveria ser comemorado com muita festa, não fosse ser nomeado o Rei dos Judeus. Belém deveria estar em êxtase! Mas não, o seu reino era o do Céu, não o da terra, cercado de suntuosidade e riquezas dos componentes da Corte.

Nasce o herdeiro do Rei Davi numa manjedoura, sem as pompas devidas e o conhecimento dos judeus, mas a história nos mostra que três Reis Magos – Melchior, Gaspar e Baltazar – vêm de longe para homenagear e adorar o Deus Menino e presenteá-lo com ouro, incenso e mirra. Guiaram-se na viagem pela estrela do oriente, a estrela de Belém.

E os Reis Magos vão buscar notícias do Deus Menino, o Rei dos Judeus, justamente com o Rei Herodes, que passou a temer a perda do seu status e poder. De forma dissimulada, solicitou aos Reis Magos que assim o encontrassem, passassem a informações para que ele também pudesse ir adorar o Rei recém-nascido.

Não encontrando Jesus, que por orientação de um anjo em sonho a São José fugiram para o Egito. Temendo pela perda do poder real, Herodes manda matar todas as crianças nascidas recentemente em Belém. Passado o perigo, a família de Jesus retornar a Israel, indo morar em Nazaré, conforme nova orientação de um anjo em sonho a São José.

Até hoje não sabemos ao certo de onde vieram os três Reis Magos, se do oriente (mais consistente), se do continente europeu, se do africano. O que conhecemos são os presentes que trouxeram para o Deus Menino. Ouro, Incenso e Mirra, que representam o poder real do Rei dos Judeus; a divindade de Jesus Cristo; e o remédio para os males do corpo sofrido por Jesus e ressurreição do nosso Salvador.

Acredito que a representação natalina de presentear seja mais que justa e que entre os cristãos e os povos que professam outras religiões a bondade possa durar o ano inteiro e não apenas um dia. Não quero condenar a forma profana de comemoração, a comercial, desde que acompanhadas dos mais puros sentimentos, como os que motivaram os Reis Magos.

Se no Natal somos inundados por cartões com mensagens positivas e incentivadoras, sempre voltadas para a esperança, e os sentimentos religiosos geralmente estendidos ao Ano Novo. Esperamos que possamos fechar tudo de ruim do ano que passou e que possamos renovar nossos corações com o ano que se anuncia, pedindo muita paz ao Salvador.

Um Natal por ano é muito pouco para uma humanidade que caminha a passos largos para o materialismo, a falta de atenção ao próximo, à brutalidade, hoje tão comum entre os seres ditos racionais. Peço que possamos nos guiar pelo sentimento espiritual e assim possamos nos irmanar, consagrando ao Senhor tudo o que fazemos para que nossos planos sejam bem-sucedidos.

Walmir Rosário é radialista, jornalista e advogado, além de autor de livros como Os grandes craques que vi jogar: Nos estádios e campos de Itabuna e Canavieiras, disponível na Amazon.

Na Maternidade da Mãe Pobre não tinha burocracia || Foto Waldyr Gomes/PMI
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E essa foi a grande sacada do marketing da Maternidade Ester Gomes, que passou a receber inclusive algumas parturientes oriundas da high society itabunense.

 

Walmir Rosário

Fernando Gomes Oliveira, prefeito de Itabuna por cinco mandatos e deputado federal por outros três, contados aí, o deputado constituinte, sempre foi considerado um dos maiores líderes políticos de Itabuna. Volta e meia elaborava algumas frases de efeito de fazer inveja a qualquer marqueteiro, embora tenha amargado ter dito outras, a exemplo de uma dita na pandemia.

A mais famosa foi a “Morra quem morrer”, trecho de uma explicação sua sobre a abertura do comércio durante a pandemia, que somente foi aproveitada pela mídia e oposição esse pedacinho polêmico. Outras frases de Fernando Gomes também ganharam o mundo e hoje se encontram esquecidas, principalmente as de efeitos positivo no marketing político.

Muito do que Fernando Gomes falava era de difícil compreensão, já que havia um descompasso na sua maneira de pensar e de se expressar, cujo nome não sei explicar. Deixo isso para os prendados em ciências médicas. Fernando Gomes, que para muitos não era letrado, completou os estudos até o ensino médio (científico) e estudou Direito por uns três meses, por acreditar que melhor seria ganhar dinheiro e administrar seus bens e os públicos.

Como prefeito conhecia todos os detalhes da administração municipal e era ele, e só ele, quem decidia o que fazer e o que pagar. Nas datas em que entravam os repasses estadual e federal (ICMS e FPM), se reunia com o secretário de Finanças para elaborar a relação dos pagamentos a serem feitos. Conhecia tudo nos mínimos detalhes.

Mesmo os oposicionistas que conheciam essa realidade, espalhavam que Fernando Gomes não era uma pessoa letrada, que não possuía habilidade com a matemática, principalmente a financeira. Ledo Engano. Num debate sobre a administração pública deixava os debatedores sem ação, de bocas abertas, pelas respostas que dava, bem como pelas perguntas que faziam.

Saúde e educação eram duas preocupações em seus governos e muito fez nessas áreas por Itabuna. E nos seus mandatos de deputado federal muito aprendeu como buscar os recursos para implantar seus projetos. Também se aliava a um determinado grupo político, como fez com se ferrenho adversário, ACM, para construir o Hospital de Base de Itabuna, batizado de Deputado Federal Luiz Eduardo Magalhães.

Assim que encerrou seu primeiro mandato na prefeitura de Itabuna, era deputado eleito com uma avalanche de votos. Em Brasília aprendeu como buscar recursos, mesmo sem ocupar ou ter um liderado na prefeitura. Montou a Fundação Fernando Gomes, que mesmo sem apresentar um bem qualquer passou a arrecadar recursos.

E entre as primeiras ações da Fundação Fernando Gomes foi a criação da “Maternidade da Mãe Pobre”, com a proposta de desburocratizar o atendimento, facilitando o internamento das grávidas. Assim que assumiu o segundo mandato na Prefeitura de Itabuna anunciou seu projeto número um, destinado ao atendimento da população mais humilde.

No dia da apresentação apresentou a Maternidade Ester Gomes (em homenagem a sua mãe), que prestaria atendimento médico-hospitalar gratuito à população de baixa renda e ainda doaria o enxoval dos recém-nascidos. E explicou que a maternidade seria uma referência nas áreas de ginecologia e obstetrícia da Bahia.

E na apresentação, o prefeito Fernando Gomes passou a destacar o planejamento da Maternidade Ester Gomes, dotada de 56 leitos e deveria realizar mais de 300 internações mensais. E ressaltou que após receber alta, a parturiente seria levada em casa por um serviço de ambulância próprio sem nenhum custo.

E antes que apareçam um repórter ou cabo eleitoral atrasado na coletiva de imprensa e queira mostrar serviço fazendo perguntas repisadas, a exemplo de como fazer e os documentos que precisaria para internar uma parturiente, Fernando Gomes foi logo avisando: “Olha, na maternidade é bem diferente do INPS, sem qualquer burocracia”. E arrematou em alto e bom som.

– Já disse e repito. Na Maternidade da Mãe Pobre não terá papelório: Aqui o único documento é a barriga!

E essa foi a grande sacada do marketing da Maternidade Ester Gomes, que passou a receber inclusive algumas parturientes oriundas da high society itabunense.

Walmir Rosário é radialista, jornalista e advogado, além de autor de livros como Os grandes craques que vi jogar: Nos estádios e campos de Itabuna e Canavieiras, disponível na Amazon.

O professor Érito Machado e o campus da Uesc
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Não teve jeito, e o velho Opala surrado do professor Érito Machado parou de vez e, por mais que ele tentasse, não conseguia fazer o motor funcionar.

 

 

Walmir Rosário

Estudar na Federação das Escolas Superiores de Ilhéus e Itabuna (Fespi), atual Universidade Estadual de Santa Cruz (Uesc), era um sufoco, principalmente no turno da noite. Isso nas décadas de 1970/80, por falta de estrutura nos transportes coletivos, sempre superlotados e em horários espaçados. Bem melhor ir de carro próprio ou uma providencial carona.

Mas esses eram os problemas enfrentados fora dos muros da sonhada futura universidade. Dentro, novos e diferentes problemas se avolumavam, como a falta de pagamento aos professores e funcionários, o que desaguava em constantes greves; falta constante de energia elétrica, que transferiam os alunos das salas de aula para o bar do Jabá, no bairro do Salobrinho.

Achávamos graça das agruras que passávamos, tendo em vista a excepcional qualidade de conhecimento dos professores, grandes profissionais do direito na magistratura, ministério público, advogados. A grande maioria não possuía os famosos títulos de doutores, tão em voga na atualidade, mas esbanjava sabedoria, prontos para dar aulas de improviso de qualquer matéria ou tema.

E um desses professores merece destaque, Érito Francisco Machado, ex-juiz de Direito e, à época, juiz do Trabalho em Itabuna. Depois transferido para o Tribunal Regional do Trabalho, em Salvador, no cargo de desembargador, chegando à Presidência do TRT 5ª Região. Nascido em Xique-Xique (BA), nunca perdeu suas origens naturais da região da caatinga.

Érito Machado era um intelectual completo: foi professor da antiga Faculdade de Ciências Econômicas de Itabuna (Facei), da Faculdade de Direito de Ilhéus, que deram origem à Uesc, lecionando diversas matérias. Estudioso da filosofia, lia os clássicos no original, em alemão, e se correspondia com filósofos de várias partes do mundo.

Levava sua vida privada de forma reservada, embora tivesse uma vida social normal, poucos eram os amigos mais chegados. Aos sábados não perdia a tradicional feijoada do restaurante do Pálace Hotel, posteriormente no Baby Beef, em Itabuna. Amante dos vinhos alemães, falava com propriedade deles, classificando os melhores e desprezando os tantos que considerava “vinagre”.

Em nossa turma lecionou Direito Civil (todo o curso). E nossa sala era pra lá de especial quase semelhante à arca de Noé, com todos os bichos. A garotada, os de meia idade, e os “coroas”. Entre estes, aposentados, profissionais de outras áreas que vieram incorporar o direito como conhecimento, e até professores da Uesc que lecionavam em outros departamentos. Era uma classe especial.

Tínhamos aulas com ele na sexta-feira à noite e no sábado pela manhã. Em cada uma delas elegia três pontos, devidamente assinalados no quadro-negro e passava a descrevê-lo com desenvoltura por cerca de 50 minutos. O tempo restante destinava a tirar dúvidas, conversar amenidades e tirar sarro de alguns alunos, na opinião dele, diferentes.

O professor Érito Machado possuía um Opala Diplomata, branco, já de certa idade, veículo com o qual se deslocava de Itabuna à Uesc. Volta e meia o carro apresentava alguns problemas mecânicos e nos deixava preocupados, principalmente no retorno, a partir das 22 horas, no percurso dos 13 quilômetros entre a universidade e Itabuna.

Assim que ele saía, um ou dois veículos dos alunos passavam a segui-lo, por questões de segurança. Certa noite os faróis apagaram e iluminamos o trajeto até sua casa. De outra feita, o velho Opala começou a falhar e o professor se dirigia ao acostamento até que o motor voltasse a firmar. E assim seguiu por uns poucos quilômetros.

Mas não teve jeito, e o velho Opala surrado do professor Érito Machado parou de vez e, por mais que ele tentasse, não conseguia fazer o motor funcionar. Dois carros parados e uns seis ou sete alunos dando cobertura. Entre eles dois alunos do curso de Direito e professores do departamento de Economia e Administração: Geraldo Borges e Joelson Matos, também dirigentes da Ceplac.

Lá pras tantas, Joelson, que era prendado em várias artes, pede que o professor abra o capô do carro e começa a verificar os cabos de vela, distribuidor, carburador e todas essas pecinhas que gostavam de complicar. De repente dá o diagnóstico: é o platinado, pega uma chave de fenda no carro de Geraldo Borges e consegue arrumar o defeito. E seguimos no comboio até Itabuna.

Na manhã de sábado, eis que chega à sala o professor Érito Machado, dá uma olhada profunda nos alunos presentes e descobre Joelson Matos. Sem mais delongas, pergunta ao colega professor: “Não sei por que você quer estudar direito, já que podia muito bem continuar como mecânico, que é o que sabe muito bem”. Gargalhadas por uns cinco minutos e o professor Érito inicia a aula como se nada tivesse acontecido.

Walmir Rosário é radialista, jornalista e advogado, além de autor de livros como Os grandes craques que vi jogar: Nos estádios e campos de Itabuna e Canavieiras, disponível na Amazon.

Gabriel Nunes recebe a comenda Barachisio Lisbôa
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Gabriel destaca que a advocacia não é apenas uma profissão, mas um legado de quem tem a responsabilidade de garantir os direitos, a liberdade e a vida dos semelhantes

 

 

Walmir Rosário

A sabedoria popular não falha ao afirmar que as homenagens têm que ser prestadas ainda em vida, com os laureados ao vivo e em cores, saudações de praxe e a receber todos os salamaleques a que têm direito. Não que as cortesias não possam ser prestadas às famílias, passado o tempo e sem as presenças dos enaltecidos.

Prestando justiça aos seus filiados, a Subsecção da OAB de Itabuna fez festa sexta-feira (06-12) para homenagear os advogados com mais de 50 anos de profissão ininterrupta e conduta ilibada com a Comenda Barachisio Lisbôa. Agiu de forma virtuosa o presidente da OAB Itabuna, Rui Carlos da Silva, ao distinguir 14 advogados com a honraria institucional.

E a Comenda Barachisio Lisbôa enaltece os homenageados, por ter sido um dos mais brilhantes advogados baianos, ex-presidente da OAB-Bahia, de larga cultura e notório saber jurídico. Acertadamente, o presidente Rui Carlos ressaltou uma frase que ouvia do seu professor Osvaldo Chaves – um dos homenageados – que o advogado, ao exercer sua profissão não pode temer.

Entre os advogados homenageados a OAB de Itabuna reuniu os profissionais que mais se destacaram na advocacia regional e na formação acadêmica, desde que surgiu a Faculdade Católica de Direito de Ilhéus, em maio de 1961. Em seguida, integrou a Federação das Escolas Superiores de Ilhéus (Fespi), e por fim a Universidade Estadual de Santa Cruz (Uesc).

Dentre os 14 homenageados destaco aqui o advogado Gabriel Nunes, Membro Honorário da Academia de Letras Jurídicas do Sul da Bahia; Presidente da OAB Itabuna por 23 anos; advogado diplomado pela Faculdade de Direito de Ilhéus em 1967; advogado com 57 anos ininterruptos na advocacia itabunense e regional, notadamente nas áreas Cível e do Trabalho.

De forma carinhosa, Gabriel Nunes é chamado pelos colegas de “o eterno presidente da OAB de Itabuna”, não só pelo tempo em que se dedicou à entidade, mas pelo trabalho e empenho que devotou. Sempre esteve à frente nas lutas em defesa da advocacia e dos advogados, agindo como um grande negociador e dirigente atuante.

Durante anos a Subsecção da OAB funcionou nas instalações do Fórum Rui Barbosa – como acontecia em todas as comarcas – e o Poder Judiciário iniciou uma pressão para que desocupasse as instalações. Em 1997, após uma campanha de reivindicação junto à Secção estadual, Itabuna se torna a primeira subsecção baiana a inaugurar sua sede própria.

Àquela época, transferências financeiras para as subsecções eram ínfimas, mas o presidente Gabriel Nunes conseguiu os recursos suficientes para adquirir sua sede, uma conquista da advocacia itabunense. Após uma reforma para adequar o prédio às necessidades, junto com o presidente da OAB-Bahia, Arx Tourinho, inaugura a casa do advogado, que leva o nome de Sede Gabriel Nunes.

Ao receber a Comenda Barachisio Lisbôa, o advogado Gabriel Nunes disse que se sentia honrado por ser advogado, escolha que fez com acerto ainda moço, na atividade que buscou desempenhar com justiça e honradez. Gabriel destaca que a advocacia não é apenas uma profissão, mas um legado de quem tem a responsabilidade de garantir os direitos, a liberdade e a vida dos semelhantes.

HOMENAGEADOS

 Durante o evento foram homenageados com a comenda os advogados Cyro de Matos, Dalmo Magalhães (in memoriam), Carmem Habib, Francisco Madureira, Gabriel Nunes, Glória Gomes, Joel Brandão de Oliveira, Osvaldo Chaves, Raimunda Crispim, Waldeck Viana, Waldemir Rosa, Wanderley Rodrigues, Yara Smith Lima e Zizete Celestino da Silva.

Walmir Rosário é radialista, jornalista e advogado, além de autor de livros como Os grandes craques que vi jogar: Nos estádios e campos de Itabuna e Canavieiras, disponível na Amazon.

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Já estamos classificados para o Mundial 2025 da Fifa e queremos mais. Os torcedores da kombi pedem passagem…

 

Walmir Rosário

É sempre assim, “tem coisas que só acontecem com o Botafogo”. Esse velho chavão, ou melhor, mantra, sempre foi utilizado para marcar, ressaltar, os fatos negativos do Glorioso de General Severiano. Agora, com a conquista da taça do Campeonato Libertadores da América, definitivamente, também passará a definir os atos e fatos positivos.

Asseguro que nunca nos faltou conquistar taças, torneios e campeonatos por todo o mundo, inclusive os que valiam em nível mundial, apesar de refutados pelos eternos rivais. Por muitos anos o Botafogo “papava” os títulos contra os rivais europeus, como Barcelona, Real Madri, e outras equipes da prateleira de cima do continente europeu. Tudo anotado na imprensa da época.

Os campeonatos da América do Sul, alguns com estofo de mundial, fazem parte dos troféus exibidos na sede do clube, expostos com o destaque que sempre mereceu. Apenas os rivais brasileiros não querem reconhecer, atitude mesquinha e ranzinza dos eternos sofredores, que não esquecem as memoráveis surras em campo.

Faz parte da história do futebol brasileiro os tempos de crise vividos pelo Botafogo, fruto de más administrações das pessoas que somente buscaram tirar proveito do Glorioso. Mesmo assim, conseguia reunir os pedaços e realizar memoráveis feitos no futebol brasileiro e internacional. Alguns até pregavam o fim do clube, que seria considerada a falência do futebol brasileiro.

Realmente tem coisas que só acontecem com o Botafogo. Isto é fato. Qual o clube de futebol que revelou e manteve em seu plantel as grandes feras do futebol brasileiro? Qual o clube que forneceu a maior quantidade e os mais brilhantes craques à Seleção Brasileira? O Botafogo, claro, como voltou a fazer este ano, para a alegria dos que realmente gostam, são apaixonados pelo futebol.

E dentre as coisas que só acontecem com o Botafogo, posso citar que, por pouco, ele não encerrou as atividades, como queriam dirigentes e torcedores de clubes rivais. São pessoas que não dão a mínima importância para o futebol e se preocupam apenas com o clube pelo qual torce, sem saber que não morreria” apenas o Botafogo, mas o futebol brasileiro.

Por anos a fio fomos nominados de forma pejorativa como sendo a torcida que cabia numa kombi. Apenas ríamos, mas não nos esquivávamos de dar a resposta nos resultados dentro de campo, humilhando os adversários com acachapantes derrotas. Dizem hoje que isso é coisa do passado, digna de museu, mas mudam rapidamente de assunto, apenas para não prolongar o sofrimento.

Nossos rivais jamais esquecerão nossa invasão a Buenos Aires, de forma ordeira e pacífica, com a preocupação de apenas levantar a taça de campeão da Copa Libertadores da América. Mostramos nossa superioridade fora e dentro de campo, ao vencermos nosso adversário, o Atlético Mineiro, por 3X1, placar que seria mais elástico, não fosse nossa minoria de um jogador em campo. Um infortúnio no começo do jogo.

Vencemos e convencemos forças pré-estabelecidas, a exemplo dos rivais, arbitragem, direção do futebol nacional, grande e esmagadora parte da imprensa nacional, que não souberam ou quiseram enxergar a mudança empreendida pelo Botafogo. Criticavam a nova forma de administração do clube, a Sociedade Anônima do Futebol (SAF), entidade privada com o formato de fazer os investimentos retornarem com sucesso financeiro e os grandes resultados dentro de campo.

Fomos dia e noite criticados pela imprensa e rivais sob o argumento de que o grande investidor teria apenas a vontade de tomar o clube, como se fosse uma ave de rapina do capitalismo. Erraram feio, os investimentos foram feitos, os resultados apareceram em forma de administração, craques, vitórias em campo e pagamento do enorme passivo do Botafogo associação.

E as críticas não paravam, agora sobre o pretexto que o investidor americano não se importaria com os torcedores e que com a SAF a paixão do futebol teria seus dias contados. Ledo engano, o Botafogo é cada vez mais uma família unida. Tanto assim, que pela primeira vez, John Textor levou funcionários e famílias de atletas do Botafogo para assistirem à partida em Buenos Aires.

Enfim, a Libertadores é só o começo de um trabalho recém implantado, cujo planejamento rende os primeiros frutos. As comemorações serão rápidas, pois novas atividades nos esperam, desta vez com a sonhada conquista do Campeonato Brasileiro de 2024. Somos líderes e vamos nos focar em manter nosso status quo para proporcionar novas alegrias aos botafoguenses.

Já estamos classificados para o Mundial 2025 da Fifa e queremos mais. Os torcedores da kombi pedem passagem…

Walmir Rosário é radialista, jornalista, escritor e advogado.

O bom relacionamento entre os clientes d'O Berimbau || Foto Walmir Rosário
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Como dizia o velho técnico de futebol espanhol e hoteleiro Sotero Montero: “conheço o bom jogador pelo arriar das malas”. É assim a mística do boteco.

 

 

 

Walmir Rosário 

Não há nada melhor do que acordar de bem com a vida. Numa sexta-feira, então, é essencial. E afirmo isso por experiência própria. Tenho me dado muito bem com esse costume. A sexta-feira, apesar de ser malvista por alguns, é o dia “ponto de corte” para iniciar um final de semana relaxando, recompondo as energias para enfrentar o batente na semana seguinte.

E é justamente às sextas-feiras que todos os órgãos do corpo humano pedem uma mudança de comportamento, o que é prenúncio de bem-estar. A depender da atividade exercida, a partir do meio-dia, o cidadão já pode desfrutar tranquilamente dos prazeres do fim de semana. Um almoço com amigos é ótimo antídoto para expulsar o mal-estar e o estresse acumulado na semana.

Mas é preciso ter em mente que nem todos os locais são apropriados para o relaxamento das tensões. Também não é preciso recorrer à harmonização de ambientes com decorações milenares, o que não vem ao caso. Deve ser tudo muito simples, bastando apenas os bons fluidos emanados pelos amigos que lhe rodeiam. O chamado bom astral é tiro e queda. Soluciona todos os problemas.

E nada melhor do que um boteco onde o bate-papo corra solto, livre entre seus parceiros de mesa e os vizinhos de outras mesas. É o sinal de que você está num lugar seguro e rodeado de pessoas bem chegadas. Para completar, faça uma pesquisa anterior e se certifique se o dono do estabelecimento é um verdadeiro personal boteco. Sim, eles existem e são figuras humanas afáveis, capazes de compreender o prazer que você busca, mesmo sendo desconhecido. Basta um olhar aprofundado, penetra no seu mundo interior e pode atender seus desejos. Como dizia o velho técnico de futebol espanhol e hoteleiro Sotero Montero: “conheço o bom jogador pelo arriar das malas”. É assim a mística do boteco.

Mas não se incomode ou leve a sério se o dono do boteco for do tipo que se vende como um personagem grosseiro. É que ele quer ser o centro das atenções em sua casa. São nesses locais onde a variedade e qualidade das cachaças são top, as cervejas se apresentam no ponto certo de refrigeração, os tira-gostos são divinos, os clientes fidelíssimos.

Nada melhor do que chegar num determinado ambiente etílico e encontrar as mesas lotadas (o que é um bom sinal) e o seu personal boteco ir buscar outra nos fundos do bar e colocar à disposição de seu cliente. Caso não existam mesas reservas, não tem problema, você será bem acomodado numa mesa já ocupada por colegas do boteco.

Para chegar a um status de alto nível, ser bem chegado, basta ter um comportamento adequado, ser gentil, ter boa conversa e ser bem informado sobre os temas em debate no local. Futebol, economia, política e notícias sociais diversas. Discuta com ênfase, sempre de acordo com padrões aceitáveis de educação e cortesia.

Como nesses locais – geralmente – antiguidade é posto, você poderá ocupar um local nos dois lados do balcão, para o desgosto do personal boteco, que aceitará sua localização inoportuna a contragosto. Essa postura, entretanto, não deverá ser adequada aos clientes novatos, ainda na fase de análise, para não ser rebaixado a uma categoria inferior, a dos chatos e folgados.

Lembro bem que no Bar do Itiel, no Alto Beco do Fuxico, para se tornar um cliente premium, em sua primeira frequência deveria ser apresentado por outro de patente superior, ou sequer cruzaria os umbrais daquela porta. Após a fase de observação, poderia desfrutar das honras e ser visto como um deles em qualquer situação.

Um bom cliente de boteco não deve ter receio de chegar com um violão em baixo do braço, desde que toque com maestria e não atrapalhe as conversas entre os colegas. Tenha um bom repertório, a exemplo de Caroba e Pinguim, e entre na gandaia com bons modos. Um bom frequentador de boteco é conhecido desde sua chegada, com efusivos cumprimentos.

Seja sempre um gentleman, afinal, você frequenta o seu segundo lar e terá mais liberdade do que na sua casa. É uma questão de estilo.

Walmir Rosário é radialista, jornalista e advogado, além de autor de livros como Os grandes craques que vi jogar: Nos estádios e campos de Itabuna e Canavieiras, disponível na Amazon.

Comemoração de gol do Botafogo contra o Peñarol || Foto Vitor Silva/Botafogo
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Como não conhecer o poderio futebolístico do Botafogo? Ora, deveriam ter dado graças a Deus por não ter tomado uma goleada de nove, dez a zero, daquelas que o Botafogo aplicava contra o Flamengo. O pecado cometido pelos cisplatinos foi querer comparar o Botafogo com o Flamengo que eles despacharam.

 

Walmir Rosário

O futebol é um esporte que sempre mexeu com emoções. Da equipe de um simples time de várzea ao do selecionado de um país, torcedores dão a vida – se preciso – pela sua agremiação. Mesmo hoje, que o futebol é um esporte que mexe com bilhões, as torcidas seguem seus times, apesar dos ingressos com preços estratosféricos e a falta do amor à camisa, como dantes.

De há muito o futebol é um esporte apaixonante em praticamente todos os países deste mundo e, quem sabe, dia desses consegue ultrapassar o futebol americano, beisebol e o basquete, nos Estados Unidos, e o críquete, nos países de descendência e influência inglesa. Mesmo sendo um dos apaixonados pelo futebol, não sei a influência dele sobre nosso emocional.

Também pouco importa. O que quero mesmo é ver meu time ganhar, ser campeão. Sinto bastante quando minguam as vitórias, escapam as classificações, ficamos de fora da final de um campeonato. E vou avisando: não tolero ser vice, apesar de muitos elogiarem a segunda posição. E ainda por cima afirmarem que é o melhor depois do primeiro. Não concordo.

Pelo dito até agora, os que passaram os olhos por essas mal traçadas linhas já devem ter desconfiado que sou torcedor do Botafogo. Botafoguense com muito orgulho, persistente até não acabar mais. Não posso deixar de lado o bordão “tem coisas que só acontecem com Botafogo”, pois é verdade aqui e no Uruguai, mesmo sem termos culpa no cartório.

Imaginem o Brasil declarar guerra ao nosso vizinho do Sul, que já foi nosso, e sempre se rebela contra nós. Pelo tamanho do seu território não suportaria um confronto armado, mas que sempre provoca. Pelas minhas especulações, esses uruguaios acreditam que como ganharam de nós em 1950, ainda num Maracanã cheirando a tinta, teriam a obrigação de nos massacrar até hoje.

Tenho certeza que a culpa de tudo isso é do nosso ordeiro povo brasileiro, que não os repeliu com veemência naquela copa do mundo. Em 1950, os uruguaios venceram apenas uma copa, não uma guerra, mas queriam o “botim”, como nos bons tempos da Roma antiga, fazendo dos vencidos escravos, serviçais. Se estou certo nas minhas convicções estudaram a história de forma errada.

Gosto muito do Uruguai, dos seus vinhos, carnes maravilhosas preparadas nos braseiros, das cidades tranquilas, incluindo Montevidéu. Mas não gostei nada da guerra particular que tentaram empreender contra o Botafogo. Costumo ouvir dizer que os cisplatinos têm sangue quente, não toleram perder, ainda mais no futebol. E por 5X0, então, queimou o churrasco na Libertadores da América.

Não tenho certeza, mas ao que me parece, esses uruguaios são desinformados. Como não conhecer o poderio futebolístico do Botafogo? Ora, deveriam ter dado graças a Deus por não ter tomado uma goleada de nove, dez a zero, daquelas que o Botafogo aplicava contra o Flamengo. O pecado cometido pelos cisplatinos foi querer comparar o Botafogo com o Flamengo que eles despacharam.

Mas nada do que fizeram se justifica. Um papelão horrendo! Sabiam que não seriam punidos por ameaçar os brasileiros – torcedores do Botafogo – que como turistas costumam encher o Uruguai de dólares todos os anos. Confiavam no ombro amigo da Conmebol, onde choraram suas pitangas e ganharam amparo e afagos.

Como botafoguense não sou torcedor de reclamar de pouca coisa. Tenho o couro cascudo desde a velha rivalidade entre as seleções de Ilhéus e Itabuna, ainda nos tempos em que reclamávamos dos paus e pedras jogados contra nós quando passávamos em baixo do viaduto Catalão ou no estádio. Também íamos à busca da forra, dentro e fora de campo.

Não posso esquecer que no futebol também se faz amigos, e muitos. Um caso clássico é o que aconteceu na África, em 1969, quando o Congo e a República Democrática do Congo silenciaram as armas durante uma guerra, para que o Santos de Pelé pudesse cruzar o país para jogar nos dois lados da fronteira. E não foi só isso.

No mesmo ano, durante a guerra entre a Nigéria e a separatista Biafra, o Santos jogou em Benin. Para que isto acontecesse, os dois antagonistas decretaram feriado, bem como o cessar fogo, para que o Santos de Pelé se apresentasse. Acredito que os uruguaios faltaram essa aula de história das guerras africanas e deixaram o professor na sala falando sozinho.

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O bancário aposentado Tolé faleceu ontem (27)
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Quem lê essas linhas não tem a ideia do Tolé pai de família extremado, amigos à mancheia e que deixa saudades.

 

Walmir Rosário 

Domingo (27-10) em Canavieiras, dia de pleno sol, próprio para a praia, a cerveja com os amigos, as partidas de futebol, e o mais importante: as discussões entre os torcedores. Meu velho amigo Antônio Amorim Tolentino, Tolé, para todos, não participou de nada disso, preferiu viajar e tomou o caminho sem avisar a ninguém, nem aos amigos mais chegados e familiares. Simplesmente partiu.

Eu fui surpreendido pelo amigo em comum Luiz Sena, que aos prantos me pedia para confirmar ser verdade o passamento de Tolé. Eu ainda nem sabia deste triste acontecimento. Tolé era uma espécie de tutor de Sena, que chegou ainda rapazinho no Banco do Brasil em Canavieiras.

Pelo visto, deve ter sido interpelado por São Pedro, ao bater à porta do Céu, para prestar contas de sua passagem por esse mundo. E foi preparado, vestindo uma vistosa camisa do Flamengo, seu time de coração. Desconheço se São Pedro gosta de futebol, mas Tolé deve ter dito que empreendeu a viagem para assistir de cima a disputa da Copa Brasil, com uma visão privilegiada.

Por certo, após os santos questionamentos, saberá convencer o chaveiro do Céu. Apesar de não ser um católico praticante e se considerar amigo chegado de São Boaventura, pois morava ao lado da Igreja, sabia como ninguém o que se passava no templo, sem precisar subir os degraus da matriz. Ouvia tudo pelo rádio ou por meio dos amigos.

Em sua defesa deve constar nos livros de São Pedro suas ações pró São Boaventura, desde as discussões sobre o verdadeiro dia da homenagem ao Santo-Doutor da Igreja Católica, passando pelas comemorações profanas. Deve estar lá anotado, quando em plena pandemia, Matriz fechada, ele se encarregou, junto aos vizinhos, de promover a lavagem das escadarias, portando baldes com água, vassouras e água de cheiro.

Tolé era (acredito que ainda é) uma daquelas figuras que nunca se esquece. Quando ainda fazia parte da alta boemia canavieirense, se tornou um colega de farra imprescindível em qualquer festejo. Um dos fundadores da Confraria d’O Berimbau, lavrava as atas semanais e ainda se atinha ao caixa nos devaneios de Neném de Argemiro, para não permitir que, por pressa ou esquecimento, alguém saísse sem proceder ao devido pagamento.

Membro da Galeota Ouro, Tolé era figura de proa na organização do maior evento turístico etílico e gastronômico de Canavieiras. Uma esculhambação devidamente organizada. Acredito que lá em cima já deve ter se reunido com os amigos Tyrone Perrucho, Neném de Argemiro e muitos outros que partiram antes dele. Acredito que já planejam coisas do tipo lá em cima, se é que permitido.

Mas o zeloso funcionário da Caixa Econômica Federal amava sua Canavieiras, tanto assim que trocou de emprego, ingressando no Banco do Brasil, para voltar à sua terra. Bancário conceituado, também foi secretário municipal em Camacan e Canavieiras, esta por diversas vezes. Em todo esse tempo sempre foi visto como uma reserva moral (como todos deveriam ser) no serviço público.

Tolé também era dono de uma “pena” afiada. Foi um dos fundadores do jornal Tabu, ao lado de Tyrone Perrucho, Durval França Filho, Almir Nonato, Raymundo José dos Santos e Lindinberg Hermes. Sabia escrever um texto “apimentado”, porém devidamente terno e educado. Era pródigo em panfletos eleitorais, elaborados com o fino humor e sarcasmo.

Mas, com o tempo, Tolé mudou, para o desespero dos seus colegas. De uma hora pra outra passou a autointitular-se abstêmio. Mas não seria um abstêmio qualquer, moderado, e declarou guerra às bebidas alcoólicas. Essa sua decisão causou um terremoto entre os amigos que passaram a considerá-lo um vira-casaca, traidor da causa boêmia. Não arredou o pé e manteve sua decisão pra sempre.

Mas, neste sábado (26), conversávamos – Raimundo Tedesco, Alberto Fiscal e eu – sobre as peripécias de Tolé, a exemplo da viagem que fez com Tyrone a Salvador sob o pretexto de comprar um carro. Arrebanharam mais dois colegas e partiram para a capital. Carro pronto, partiram numa viagem que levou quase 15 dias no percurso de volta até Canavieiras.

De outra feita, Tolé se organizou com os colegas do Banco do Brasil para participarem da inauguração do Estádio Luiz Viana Filho (hoje Fernando Gomes), em Itabuna. Na caravana, o dito cujo, Raimundo Tedesco, Fred e Jovaldo. Ao raiar do dia embarcaram e fizeram a primeira parada em Panelinha, para o café da manhã, melhor seria cerveja da manhã.

E eles tocam o “barco” até Buerarema, a segunda parada, sendo recebidos pelo colega do BB, Jolison Rosário. No início da tarde saem para Itabuna, que seria o destino. Mas o colega Jovaldo, pernambucano do agreste, queria conhecer Ilhéus, resolveram partir para dar uma voltinha na vizinha cidade e retornarem para o jogo.

Deram uma volta pela cidade até descobrirem um bar do jeito deles e por lá ficaram até o cair da noite. Resultado, o turismo esportivo ficou pra nova oportunidade, e Tolé somente foi conhecer o estádio de Itabuna 12 anos depois. Quem lê essas linhas não tem a ideia do Tolé pai de família extremado, amigos à mancheia e que deixa saudades.

Pelo que eu soube – confidencialmente –, assim que chegou, bateu à porta do Céu, prontamente aberta por São Pedro, que fez mesuras ao convidá-lo:

– Entra, Tolé, seus amigos já estão lhe esperando!

Walmir Rosário é radialista, jornalista e advogado, além de autor de livros como Os grandes craques que vi jogar: Nos estádios e campos de Itabuna e Canavieiras, disponível na Amazon.

Seleção de 1958 tinha 4 jogadores do Botafogo entre os titulares
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Só quem é botafoguense sabe ver nesse esporte uma paixão. É só dar uma olhada nos craques que nos deram alegria na Seleção Brasileira, desde que existe Copa do Mundo. Não canso de contar os 47 que já fizeram história nas copas do mundo até hoje e os três que prometem recolocar nossa seleção no pedestal que merece.

 

Walmir Rosário

“De repente é aquela corrente pra frente, parece que todo o Brasil deu a mão”. Esse trecho do hino da Seleção Brasileira tricampeã de 1970, composto por Raul de Souza e Miguel Gustavo, dormiu eternamente em berço esplêndido por muitos anos. E sabe o motivo: a falta de jogadores do Botafogo na Seleção Brasileira. Isto fez com que ela se tornasse um azarão.

Mas agora – quem sabe? –, voltaremos a cantar: “Todos unidos na mesma emoção, tudo é um só coração. Todos juntos vamos, pra frente Brasil, salve a seleção”. Essa é uma pequena amostra da volta de jogadores da Estrela Solitária à seleção canarinho, decretada pelo técnico Dorival Júnior. No primeiro jogo, 2X1 aplicados contra a seleção chilena, sem dó nem piedade por Igor Jesus e Luiz Henrique.

Realmente, têm coisas que somente acontecem com o Botafogo, seja de forma positiva ou negativa. Eu até entendo esse boicote contra o Glorioso de General Severiano, liderados, principalmente, pelos rivais cansados de apanhar. Diria até desmoralizados em campo com goleadas acachapantes. Não são obrigados a reconhecer a grandeza do Botafogo, mas pelo menos respeitem.

A magia do Botafogo é real e isso está escrito dentro das quatro linhas do Maracanã, de Guadalajara, México, Copenhague, Santiago, e outros tantos estádios que os jogadores do Glorioso atuaram pela nossa seleção. Vocês se lembram de Garrincha, Nilton Santos, Didi, Gerson Canhotinha de Ouro, Zagallo, Amarildo e tantos outros? Era assim que nossa seleção funcionava.

Quem mais cedeu jogadores em copas do mundo que o Botafogo? Nenhum, apesar do boicote que durou anos. Mesmo assim, 47 jogadores foram cedidos à seleção brasileira, sem contar aos selecionados da Venezuela, Argentina, Uruguai e por aí a fora. Mas as estatísticas colecionam ainda 10 jogadores diferentes que marcaram gols nos últimos 50 anos.

E o Botafogo quebra mais um tabu aos demonstrar que nosso selecionado pode ganhar sem precisar convocar os jogadores por acordo com o prestígio de seus empresários. Bastou Igor de Jesus e Luiz Henrique cravarem dois gols e os brasileiros voltarem a acreditar. E aí, sim, voltaremos a cantar “Noventa milhões em ação, pra frente Brasil do meu coração”, por mais 110 milhões de brasileiros.

Na Copa de 1958, na Suécia, três jogadores da Seleção Brasileira faziam a diferença dentro e fora de campo: Nilton Santos, Didi e Garrincha. Na partida final contra a Suécia, dona da casa, o Brasil sofre o primeiro gol. Uma ducha de água gelada! Mais eis que Didi vai até o gol defendido por Gilmar, pega a bola e calmamente se dirige ao meio do campo e diz: “Calma vamos ganhar”. E ganhamos por 5X2. Didi é eleito o craque da Copa. Apenas isso!

Mais uma vez vou refrescar a memória do torcedor brasileiro com os jogadores do Botafogo, desta vez na Copa de 1962, no Chile. A Espanha ganhava do Brasil por 1X0, quando Nilton Santos, a “Enciclopédia do Futebol”, derruba Enrique Collar na grande área. Seria um pênalti, se nosso lateral-esquerdo não desse um passinho pra frente e levantasse os braços. Falta fora da área.

Nesse mesmo jogo, um jogador da constelação de astros do Botafogo, Amarildo, que substituía Pelé, contundido no jogo contra a Tchecoslováquia, marcou os dois gols que viraram o placar. E eram cinco jogadores titulares naquela seleção, que contava com Nilton Santos, Didi, Garrincha, Amarildo e Zagallo. A seleção sequer precisava gastar tempo em treinamentos táticos.

Até esse jogo contra o Chile (2024), o Botafogo se colocava em primeiro lugar na cessão de jogadores para a Seleção Brasileira, com 47 jogadores. Agora somam 50, com Igor Jesus, Luiz Henrique e Alex Telles. Quando quase ninguém acreditava na seleção, eis que o Botafogo ressurge e ganha dos chilenos. Com isso, sai do sétimo lugar e sobe para a quarta posição.

Não apenas ganhou fôlego para a próxima, mas dá ânimo aos jogadores e torcida, que acreditam que nem tudo está perdido no “reino da CBF”. Mais que vencer, a mística botafoguense mexe na estatística mostrando que pela quarta vez o Brasil venceu o Chile, no mesmo estádio e com mais de um gol marcado por jogadores do Glorioso.

Para os que não gostam ou simplesmente ignoram a história, vamos para a Copa do Mundo de 1970, no México, quando trouxemos o “caneco” Jules Rimet em definitivo, para casa. Imaginem o criatório de cobras do Botafogo na Seleção: Jarzinho, Roberto Miranda e Paulo Cezar, o técnico Zagallo, além do zagueiro Leônidas e o ponta-direita Rogério (lesionados e cortados do elenco).

Não resta a menor dúvida de que um componente essencial para vencer uma copa do mundo é a convocação dos jogadores do Botafogo, que hoje disputa três certames diferentes: o Campeonato Brasileiro, a Taça Libertadores da América e agora a Classificação do Brasil para a Copa do Mundo. Mas fiquem tranquilos, pois saberemos dar conta do recado, e bem direitinho.

E digo isso, pois minha estrela é mais que solitária, é altaneira como a constelação que sempre foi o Botafogo. E o botafoguense, mais que outro torcedor, sabe diferenciar a emoção dos números frios da estatística da paixão. Nada melhor do que ganhar bem, no campo. Perder é apenas uma consequência que faz parte do futebol.

Só quem é botafoguense sabe ver nesse esporte uma paixão. É só dar uma olhada nos craques que nos deram alegria na Seleção Brasileira, desde que existe Copa do Mundo. Não canso de contar os 47 que já fizeram história nas copas do mundo até hoje e os três que prometem recolocar nossa seleção no pedestal que merece.

E veio o Peru. Morreu de véspera! Bastou entrar no Estádio Mané Garrincha, tomou um 4X0, com o último prego no caixão batido pelo botafoguense Luiz Henrique. Realmente, tem coisas que somente acontece com o Botafogo! E assim voltaremos a cantar, em alto e bom som: “Todos juntos vamos pra frente, Brasil! Salve a seleção!”.

Walmir Rosário é radialista, jornalista e advogado, além de autor de livros como Os grandes craques que vi jogar: Nos estádios e campos de Itabuna e Canavieiras, disponível na Amazon.