Os papa-jacas de Cruz das Almas no terceiro encontro no município || Foto PMCA
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Bem que o poder público municipal e as instituições que representam o empreendedorismo de Itabuna poderiam considerar a importância da jaca na história da cidade e decidam promover evento de tal porte por essas bandas.

Walmir Rosário

Psicologicamente estou arrasado, abalado ou tantos sinônimos existam para classificar meu estado depressivo. E tudo começou na manhã desta segunda-feira (9), durante o café-da manhã, quando, inadvertidamente, passei a olhar o noticiário no celular. Senti uma punhalada, peixeirada, um golpe profundo no peito. Minhas vistas escureceram, fiquei sem ação por vários minutos.

Foi preciso ser chamado à atenção por minha mulher para saber o que se passava. Ainda sem me recuperar do tremendo golpe, apontei o celular pra ela e disse: “Leia, veja as fotos”. Parecia o fim do mundo. Logo no título estava estampado: ECOJACA 2026 É SUCESSO E ATRAI VISITANTES DE VÁRIAS CIDADES. A foto estampava mesas cercadas por multidões comendo jacas em fartura. Só que não em Itabuna e sim em Cruz das Almas, no dia anterior.

Há quase dois anos que me preparo para um evento deste tipo em Itabuna, cidade tida e havida como a Capital da Jaca, inclusive com direito a menções e referências nos livros do conterrâneo Jorge Amado. Mas a questão não parava por aí, e a rivalidade entre as cidades de Itabuna e Ilhéus dão prova real desta hostilidade, em que se intitulam Papa-jacas e Papa-caranguejos, respectivamente.

De minha parte contribuí para manter a tradição e até escrevinhei uma crônica (“Guerra e Paz entre papa-jacas e papa-caranguejos”), numa referência ao tema, sempre em voga entre itabunenses e ilheenses, uma tradição de mais de século. O que antes parecia uma pretensa ofensa moral se transformou em gentílico. Tempos de paz!

Afonso Dantas criou camisas para os papa-jacas de Itabuna

O publicitário itabunense Afonso Dantas foi bastante perspicaz ao criar camisas com os temas papa-jaca e papa-caranguejo, que passei a usá-las com todo o garbo, aguardando apenas e tão somente uma oportunidade deste tipo da realizada em Cruz das Almas para exibi-las solenemente. Enquanto o evento não era programado eu apenas desfilava.

Lembro, ainda, de Pinguim e Bel, lá pras bandas do Bar de Leto, no bairro da Conceição; eu e Cláudio da Luz no Beco do Fuxico fazendo as honras da casa. Em vão. Além de exibir as camisas, por aqui me contento com as jacas moles e duras compradas nas feiras-livres, às quais me dou ao luxo de degustá-las solenemente a partir do café-da-manhã.

Admito que não esteja a chorar o leite derramado, mas me sinto acabrunhado enquanto via as fotos e lia o texto oficial ressaltando com louvor o sucesso do evento, haja vista o grande número de cruz-almenses e visitantes. Eles degustavam com a satisfação estampada nos olhos, aliada à gulodice das desejadas jacas, desde o seu estado in natura até nas receitas culinárias.

Mesas lotadas de pratos com tira-gostos dos mais diversos, doces e salgados, todos elaborados a partir da jaca. Bala, cocada, pudim, brigadeiro, trufa, sorvete, suco, pastel, coxinha, quibe, passando pelos pratos salgados e de sustança para qualquer cidadão. Pense aí no vatapá, feijoada, moqueca de camarão, todos esses pratos tendo a jaca como elemento principal, estrela.

Pelo que li, uma competição chamou a atenção de muitos participantes, que comiam jacas com bastante gulodice – como requeria a ocasião e o estômago de cada um deles – para vencer a gostosa peleja. Ainda fui informado que somente um filho de Deus comeu mais de dois quilos de jaca – sem os caroços, é claro – e ainda foi beliscar nas mesas de culinária.

Confesso minha falta de conhecimento em relação a Cruz das Almas e ao povo cruz-almense sobre esse gosto especial por jaca, mas tenho cá minhas intuições. Acredito que a popularização da jaca nesta cidade do Recôncavo tenha sido obra dos estudantes de agronomia de Itabuna e cidades circunvizinhas nos anos em que por lá permaneceram, o que se justifica.

Entretanto, não consigo compreender como o itabunense consegue perder a primazia de se consolidar como um autêntico papa-jaca, fruta abundante em nossa Mata Atlântica, embora seja uma árvore alienígena, forasteira adaptada e aclimatada entre nós. Originária da Índia, a jaqueira – Artocarpus heterophyllus – é rica em fibras, vitaminas e minerais, e versátil na culinária.

Bem que o poder público municipal e as instituições que representam o empreendedorismo de Itabuna poderiam considerar a importância da jaca na história da cidade e decidam promover evento de tal porte por essas bandas. Nada melhor para consolidar o itabunense como um autêntico Papa-jaca – de fato e de direito – e permitir a oportunidade de trajarmos nossas camisas em tão solene efeméride, recuperando nossa autoestima.

Walmir Rosário é radialista, jornalista e advogado e autor de  autor de livros como O Berimbau – Valhacouto de boêmios, disponível na Amazon.

Os sábados do Beco do Fuxico sempre são agitados || Arquivo
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Daí pra frente como um animal gregário que sou, sentarei às mesas com dezenas de amigos e confrades que fazem dos sábados no Beco do Fuxico a mais importante trincheira da boemia itabunense.

 

Walmir Rosário 

Posso assegurar que continuo vivo e gozando da mais perfeita saúde, avalizado por um conceituado médico após ler e reler o papelório enviado pelo laboratório de análises clínicas. Sequer um Melhoral, Cibalena ou outro qualquer medicamento me foi receitado, embora o ilustre esculápio tenha me alertado sobre os anos que pesam na minha cacunda, como se dizia antigamente.

Confesso que comemorei o feito por pelos menos três semanas, em encontros com amigos para uns dois dedos e prosa, sempre mediados por uns goles de cerveja, bons aperitivos de cana e apetitosos tira-gostos. Como Canavieiras ficou pequena para as comemorações, fui com Batista levar a boa nova a Una, desta vez sem a presença de Valdemar Broxinha e seu violão.

Após esse período de vida social agitada resolvi – solenemente – mergulhar no recôndito do lar para mais que um merecido descanso, pois afinal ninguém é de ferro. Estripulias à parte, nada melhor do que um período sabático – por menor que seja – para as devidas meditações e análises de ações pretéritas e o planejamento do breve porvir.

Nesta sexta-feira (também conhecida pelo início do fim de semana) acordei cedo, e embora não tivesse a menor necessidade de pegar o sol com a mão, a pequena claridade me anunciou um novo dia. Não posso negar que ao abrir os olhos me senti mareado, como se tivesse navegado por mares bravios, apesar da maciez do colchão que me ajudou a dormir o sono dos justos.

Deixei a cama bem devagar, abri uma fresta na cortina para me situar bem da localização e descobri que estava em local sabido e seguro. Não me contive e escancarei a cortina, permitindo o clarão solar penetrar em todo o quarto. Foi aí que me dei conta estar em frente ao famoso, histórico e não menos agradável Beco do Fuxico, em Itabuna, na Bahia.

Aos poucos fui recuperando a consciência do meu novo endereço, com nome de rua e CEP. É que deixei Canavieiras para os passeios de finais de semana, onde encontrarei os amigos bem chegados para novas comemorações. Aos poucos contive meus ímpetos, afinal tinha a obrigação familiar de ajudar na arrumação da bagagem, colocar a casa em ordem.

De pronto, digo e repito que esse não é o tipo de obrigação doméstica que tenho desvelo, embora não seja de correr do chamamento ao dever, desde que não prejudique a torta coluna e demais músculos atrofiados. Por volta do meio-dia, com o coração palpitando, desci o Beco do Fuxico em busca de alguns produtos para casa, cumprimentando alguns amigos e prometendo revê-los em muito breve.

Para não ser traído pela memória resolvi pegar um bloco de notas de uma caneta e traçar o caminho deste sábado, quando os estabelecimentos etílicos do Beco do Fuxico estarão no auge de suas atividades. Logo cedo passarei para cumprimentar o Brigadeiro Eduardo Gomes no bar Artigos Para Beber, e duas quadras após chegarei à Fuxicaria e farei o reconhecimento dos confrades.

Caboclo Alencar e o aluno repetente

Ao lado, no ABC da Noite, pedirei ao Caboclo Alencar a renovação de minha matrícula, sem muita burocracia, diante de minha condição de aluno repetente desde o século passado. Pra começo de conversa, serei servido com uma das mais famosas batidas de minha predileção por dona Neusa, quando então me sentirei no meu segundo lar.

Daí pra frente como um animal gregário que sou, sentarei às mesas com dezenas de amigos e confrades que fazem dos sábados no Beco do Fuxico a mais importante trincheira da boemia itabunense. Entre um gole de batida e um copo de cerveja não deixarei de cumprimentar outras “tribos”, inclusive as que raramente aparecem para um gole, além dos abstêmios. Sim, eles existem!

E alguns ainda não acreditam em amigos (os verdadeiros). Por ironia do destino, ao comentar o amigo e irmão José Augusto Ferreira que estaria retornando – de mala e cuia – a Itabuna, minutos depois e comenta com outro confrade, o Paulinho Neto. Por incrível que pareça, Paulinho responde: “No meu prédio tem um apartamento vagando e já é dele”.

Agora, para entrar no Beco do Fuxico nem dobro esquina, basta traçar uma perpendicular e descer a ladeira.

Walmir Rosário é radialista, jornalista e advogado e autor de  autor de livros como O Berimbau – Valhacouto de boêmios, disponível na Amazon.

Mesa da Diretoria aos sábados na Fuxicaria do Beco
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Somente dois bastiões seguraram as pontas: o Caboclo Alencar, do ABC da Noite, fundado em 28 de julho de 1962, e Eduardo Gomes (nome de Brigadeiro) do Artigos para Beber. E seguraram as pontas mesmo, Caboclo Alencar à esquerda no primeiro quarteirão, no baixo beco; Eduardo Gomes à direita no terceiro quarteirão, no alto beco.

 

Walmir Rosário

É caso pra se pensar, mas não creio que tenha nada a ver com a mitologia grega. Acredito que seja apenas uma simples coincidência comparar a situação atual do Beco do Fuxico, em Itabuna, com o ressurgimento da Fênix, tal e qual as aparências. Não duvido que seja algum projeto saído da prancheta de algum conceituado marqueteiro, daqueles que têm o hábito de frequentar botecos.

O certo é que as mudanças foram profundas, bem fundadas e o “novo” Beco do Fuxico já pode ser considerado um perfeito case de sucesso. Há pouco tempo passava por uma crise interminável, daquelas que obrigaram o fechamento das portas dos bares, o fim do negócio, provocando um divórcio entre os donos dos botecos e os fidelíssimos clientes.

É que o peso da idade foi chegando como quem não queria nada, afastando alguns, de forma definitiva, aposentando outros, causando um prejuízo incalculável nos clientes, que mais do que de repente, ficaram solitários, perdendo seu personal boteco, e o segundo lar. E o mais grave: desagregando uma legião de amigos, irmãos, melhor dizendo.

Há anos que o Beco do Fuxico participa ativamente como personagem vivo e atuante da história de Itabuna. Deixou-nos Pedrão, Itiel, Dortas, Mota, Mário, Batutinha fechou as portas e guardou o saxofone, deixamos de sentar nos sacos de feijão, arroz e farinha de Alcides Rodrigues Roma, lamentávamos o fim do Quitandinha, e até a Confraria do Alto Beco do Fuxico foi fechada com a mudança de José D’Almeida Senna para Salvador.

Somente dois bastiões seguraram as pontas: o Caboclo Alencar, do ABC da Noite, fundado em 28 de julho de 1962, e Eduardo Gomes (nome de Brigadeiro) do Artigos para Beber. E seguraram as pontas mesmo, Caboclo Alencar à esquerda no primeiro quarteirão, no baixo beco; Eduardo Gomes à direita no terceiro quarteirão, no alto beco.

E o Caboclo Alencar, do alto dos seus 94 anos completados com festa em 2 de fevereiro, dia dedicado a Iemanjá, decidiu dar um freio de arrumação no ABC da Noite, criando uma consternação em seus alunos repetentes. Por ordens médicas, o “caboco” estava com as pernas cansadas, e mesmo assim, em respeito aos clientes, passou a abrir apenas aos sábados, das 10 às 13 horas.

E logo o ABC da Noite, famoso por seu rigoroso horário de atendimento aos clientes, conforme a placa de bronze afixada na parede. De segunda a sexta-feira: das 11 às 12h30min, e das 17 às 19 horas; aos sábados das 11 às 12h30min; sem expediente aos domingos. Não deu outra, as reclamações vieram de pronto, pois os alunos não sabiam onde frequentar nos dias de semana.

Clientes fidelizados se comunicam em grupos de whatsapp

E aí é onde entra o tal do projeto de marketing de Erick Senna, logo após a decisão de seu tio José Senna se mudar para a capital. Bem coladinho com o ABC da Noite, na esquina com o Calçadão da Ruy Barbosa, inaugurou a Fuxicaria do Beco, um bar sem espaço para os clientes de pé do balcão, porém com muitas mesas ao ar livre, no Calçadão, em meio do povo.

E não é que os confrades do Alto Beco do Fuxico atenderam aos reclames de Erick Senna e desceram a ladeira, especialmente aos sábados, os quais abancados nas extensas mesas discutem desde parto de elefante às ações de Donald Trump, sem a menor cerimônia. O debate político voltou a ganhar seu espaço ao som de renomados músicos, da forma mais democrática possível, como nos velhos tempos.

Músicos renomados se apresentam no coreto Caboclo Alencar

Música ao vivo, sim, e para tanto está presente o coreto batizado Caboclo Alencar, homenagem mais que justa, diria justíssima, ao alquimista das tradicionais batidas, que abriu mão de ser coroado Rei do Beco do Fuxico, como queria Roberto Carlos Goodygroves Bezerra, o Dr. Malaca, quando da instituição da Lavagem do Beco do Fuxico.

E assim, grande parte da Confraria do Alto Beco do Fuxico se mudou para a Fuxicaria do Beco, dando uma no cravo e outra na ferradura, melhor dizendo: se abastece das encantadoras batidas do Caboclo Alencar, enquanto degustam cervejas e outras bebericagens. E o Beco do Fuxico voltou aos seus gloriosos tempos em que comercializavam a amizade e a alegria engarrafadas.

A fidelidade dos clientes é de tamanha monta que eles utilizam a tecnologia das redes sociais para se comunicarem com o grande público, e entre si por meio do Whatsapp. As diversas tribos atendem no zap pelos nomes de Confraria do Alto Beco do Fuxico, Amigos do Beco do Fuxico, Grupo da Fuxicaria do Beco e até o inusitado Bodes do Caboclo, este exclusivo dos maçons frequentadores.

Sempre que posso ir a Itabuna num sábado não deixo de rever os amigos e confrades, jogando conversa fora, às vezes solucionando os problemas do mundo de uma só canetada. E foram justamente a Fuxicaria do Beco e o ABC da Noite que escolhi como palco para lançar os meus livros Crônicas de Boteco – um guia sem ordem e Como Sobreviver à Pandemia, em grande estilo, em meu segundo lar.

De minha parte, desejo sucesso ad aeternum.

Walmir Rosário é radialista, jornalista e advogado e autor de  autor de livros como O Berimbau – Valhacouto de boêmios, disponível na Amazon.

No Beco do Fuxico, em Itabuna, Walmir Rosário lança duas obras da própria lavra
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O jornalista e escritor Walmir Rosário lançará, nesta sábado (27), às 10h, no Beco do Fuxico, em Itabuna, os livros Crônicas de Boteco – um guia sem ordem e Como Sobreviver à Pandemia. Crônicas de Boteco… tem o prefácio do saudoso jornalista Tyrone Perrucho. O advogado e cronista José Augusto Ferreira Filho prefacia Como Sobreviver à Pandemia.

Crônicas de Boteco… é um livro para quem pretende se tornar um frequentador de botequins, os que porventura tenham alguma curiosidade sobre o clima reinante neles ou aqueles clientes costumeiros da extensão do lar. São crônicas bem-humoradas contadas sobre os botecos localizados numa única via pública de Itabuna. Nela, o Beco do Fuxico foi divido em três zonas – o baixo beco, o médio beco e o alto beco.

Frequentador de botequins neste imenso Brasil e alguns outros países, há várias décadas, Walmir Rosário conta histórias, costumes, o espírito de corpo, o humor dos proprietários e o que fazer para se tornar mais um dessas tribos. Não se incomode se o dono do boteco não lhe tratar com a deferência esperada, pois pode estar fazendo charme para lhe conhecer melhor.

Já o livro Como Sobreviver à Pandemia não é destinado ao estudo da doença ou do aparecimento do vírus no Brasil, mas tão somente um retrato colorido dos aspectos sociais e econômicos tratado pelo autor com fina ironia das decisões das autoridades técnico-científicas e governamentais. As dezenas de crônicas que formam o livro representam o sentimento da sociedade, atônita com os sucessivos acontecimentos nacionais e refletidos em suas paróquias.

Ao final de cada crônica, a data em que foi concebida, com fatos noticiados na grande imprensa e presenciados pelo autor. Algumas crônicas foram elaboradas com o estilo debochado dos que observam as narrativas ideológicas e vendidas como ciência, sem qualquer dissimulação, como se fosse um roteiro de um filme de terror. Claro que sem os efeitos especiais vistos nas grandes produções hollywoodianas.

O AUTOR E SUAS OBRAS

Radialista, jornalista e advogado, Walmir construiu seu legado profissional literário ao longo de anos nos meios de comunicação em que trabalhou e na advocacia pública e privada. Atualmente mora em Canavieiras (BA) e se dedica a escrever artigos e crônicas, publicados no blog www.walmirrosario.blogspot.com, dentre outros veículos de comunicação de Itabuna, Ilhéus e Salvador.

Recentemente escreveu os livros Josias Miguel – 70 Anos de História; Crônicas de Boteco – um guia sem ordem (Amazon); Como sobreviver à pandemia (Amazon); Os grandes craques que vi jogar – nos estádios e campos de Itabuna e Canavieiras (Amazon); e O Berimbau – valhacouto de boêmios. Outros dois livros se encontram em edição e serão lançados brevemente.

Leléu e sua camisa revelando uma paixão, o Flamengo
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Hoje Itabuna e o Beco do Fuxico estão de luto com a morte precoce de Claudionor Menezes de Andrade, que será sempre lembrado pelos amigos ou simples conhecidos, os que o viram crescer, jogar futebol amador, participar da vida ativa de Itabuna.

 

Walmir Rosário

Assim era Leléu: irreverente, contagiante, apaixonado pelo futebol e pelo Flamengo, das bebidas, do Carnaval. Esse comportamento não chamaria a atenção, não fosse pelo seu modo extravagante de viver a mil por hora. Menos quando estava sóbrio, ocasião em que se dedicava ao afazeres domésticos e o trabalho, com muita responsabilidade para quem cuidava das contas a pagar de outras pessoas.

De longe era fácil conhecer o seu estado físico e emocional. Se abstêmio, calmo, cumprimentando todos que passavam com muita distinção, conversando em voz baixa e pasta na mão para cumprir sua tarefa profissional. Foi por muito tempo o homem de confiança do ilustre advogado Victor Midlej, responsável pelo recebimento das contas e os pagamentos em banco, mesmo em tempos de internet.

Se chumbado, envernizado, o seu cumprimento era excêntrico, mirabolante. Assim que avistava um conhecido, um amigo, de longe gritava: “Olha aí que ruma de pesos mortos”. Destilava mais alguns impropérios do seu refinado vocabulário e contava a todos os motivos da euforia, que iria desde a vitória do Flamengo, até o mais simples motivo para uma comemoração em alto estilo.

Para tanto não importava a data, bastava não ter compromissos profissionais. E o seu local de chegada era sempre o Beco do Fuxico, nas três dimensões: Baixo, médio e alto, visitando todos os bares, barbearias, alfaiatarias e lojas. Antes de entrar, em alto som se anunciava: “Pesos mortos”. Alguns o convidavam para tomar mais uma cachaça e ele prontamente aceitava e também se servia da cerveja, sem a menor cerimônia.

Nos carnavais todos se admiravam da sua resistência e muitos não sabiam se ele embebedava uma só vez e continuava, ou se a cada soneca recuperava o ânimo e começava tudo de novo. Devidamente fantasiado – muitas das vezes de roupas femininas – nem mesmo importava se toleravam seus beijos e abraços. O bom mesmo era comemorar, e no Beco do Fuxico.

Fora dos seus dias de festa, como já disse, vivia uma vida normal. Os que pouco ou não o conheciam ficavam em dúvida quais papeis ele representava, se o de Leléu ou de Claudionor Menezes de Andrade. Eram personagens completamente distintos e um não interferia no outro, o que o tornava uma figura folclórica, quando revestido Leléu, e um cidadão, trabalhador comum nos momentos de Claudionor.

Leléu e toda a sua irreverência nos carnavais e lavagens do Beco do Fuxico

Querido por todos, seu aniversário era comemorado no Alto Beco do Fuxico a cada fim de semana mais próximo dos dias 6 a 9 de outubro. No dia 6 o aniversariante era o proprietário do bar Artigos para Beber, José Eduardo Gomes; e no dia 9 o advogado Pedro Carlos Nunes de Almeida (Pepê) e o próprio Leléu. Mais tarde se juntaram o produtor de eventos Alex Alves (6) e o agrônomo Paulo Fernando Nunes da Cruz (Polenga), dia 19.

Ao fundar a desabusada Academia de Letras, Artes, Música, Birita, Inutilidades, Quimeras, Utopias, Etc., (Alambique), o jornalista Daniel Thame, nomeou Leléu para o cargo de Diretor para Assuntos Meiotísticos, com posse formal no Alto Beco do Fuxico. Certa data, ao sair de casa para participar de uma pretensa reunião da Academia – no Alto Beco do Fuxico – tentou atravessar o canal do Lava-pés em plena enchente e foi arrastado de uma ponte a outra, saindo das águas com a maior naturalidade do mundo.

Mas hoje Itabuna e o Beco do Fuxico estão de luto com a morte precoce de Claudionor Menezes de Andrade, que será sempre lembrado pelos amigos ou simples conhecidos, os que o viram crescer, jogar futebol amador, participar da vida ativa de Itabuna. Também não o esquecerão os que o viam chegar ao beco com suas estrambóticas fantasias, devidamente alegre e biritado, irradiando alegria, sempre gritando. “vai…pesos mortos!

Walmir Rosário é radialista, jornalista e advogado.

Caboco Alencar na reestreia do ABC da Noite, no último sábado: dia 8 tem mais || Foto Daniel Thame
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Depois de um “tira-gosto” no último sábado (17), os amantes do bom papo e dos encontros e reencontros no ABC da Noite, no Beco do Fuxico, em Itabuna, poderá voltar a degustar das melhores batidas deste mundo em 8 de outubro. É um fechamento temporário do ponto de encontro de Caboco Alencar, depois de 30 meses de pandemia.

– Felizmente, dessa vez é por pouco tempo. O ABC da Noite volta a funcionar após as eleições, sempre aos sábados. A decisão foi tomada pelo Caboco Alencar e sua inseparável companheira, dona Neusa, com o objetivo de evitar dissabores nestes tempos sombrios – afirma o jornalista Daniel Thame, memorialista e beberialista do ABC.

Afinal, no espaço mais democrático de Itabuna, o que deve – e vai – prevalecer são os sabores das magistrais batidas que só Alencar sabe fazer.

Os fundadores e Caboclo Alencar nos 40 anos do bar de Ithyel
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Walmir Rosário

Mesmo com o dia cinzento e as chuvas esparsas, na tarde de sábado (30.10), ninguém arredou o pé do Alto Beco do Fuxico, um dos mais respeitáveis redutos da boemia de Itabuna, na comemoração dos 40 anos de fundação do Bar de Ithiel. O evento superou todas as expectativas e durante sete horas seguidas quase duas centenas de antigos clientes confraternizaram, beberam, comeram e dançaram à vontade.

À noite, no finalzinho da festa, os “velhinhos” ainda encontravam ânimo para agendar um novo encontro, este para comemorar o cinquentenário do Bar de Ithiel, com todos os requintes necessários para uma festa de arromba, expressão bastante usada em anos passados. Aos clientes antigos se juntaram esposas, filhos, amigos, não importando a classificação de idade.

Aos que imaginam que invento ou aumento os fatos acontecidos, de pronto vou avisando que deverei omitir acontecimentos tantos, tendo em vista o clima de euforia reinante, o que peço as devidas desculpas. Mas garanto que desde os dias 28 e 29 de outubro de 2011 (sexta-feira e sábado), por conta da comemoração dos 30 anos, o Alto Beco do Fuxico não sediou uma festa de tamanha responsabilidade e animação.

Para os que não conhecem os frequentadores do Beco do Fuxico nas suas três identificações geográficas – Baixo Beco, Médio Beco e Alto Beco –, em poucas palavras narrarei sua importância no contexto etílico, festivo e de camaradagem. E começo perguntando que bar forma uma numerosa família, reunindo amigos que moram em cidades diferentes, mesmo não mais existindo fisicamente?

E para arrematar, que família etílica seria capaz de tirar – na pandemia – do recôndito do seu lar Alencar Pereira da Silveira, o festejado Caboclo Alencar, há 59 anos o todo-poderoso comandante do ABC da Noite – no Baixo Beco – para comemorar as quatro décadas do Bar de Ithiel? Do alto dos seus 90 anos, Caboclo Alencar e sua esposa Neusa compareceram e ganharam lugar de destaque, para delírio dos seus fidelíssimos clientes.

Festa reuniu dezenas de pessoas no Beco do Fuxico

Como era para ser uma grande comemoração, os organizadores José Senna e Paulo Fernando (Polenga) contrataram Dejaci (cordas da Banda Lordão), músico de vasto e variado repertório, que contou com as participações de Hermano, Paulo Maia, Carlos Caroba, Alex, dentre outros. Também foi lançada um CD com a música Beco do Fuxico, de autoria de Paulo Fernando, Gil Bahia e Genobaldo Damasceno.

Emoção não faltou no encontro, e ficou por conta dos mais antigos as histórias e estórias do início da instalação do bar. Lembro-me como se fosse hoje, quando estávamos no bar de Dortas, no Médio Beco, e passou Cambão (Emanuel Aquino) avisando que o jornalista Manuel Leal teria presenteado Ithiel com uma geladeira e que ele levaria a mudança para inaugurar o bar. Foi só esperar a mudança descer do carro para subirmos a ladeira.

Reduto de boêmios inveterados, o Bar do Ithiel era o protótipo do clube do Bolinha, dada a obrigatória frequência masculina. Honestamente, como gostava de dizer Raleu Baracat, nunca foi proibida a presença de mulheres no ambiente, embora nenhuma delas se aventurasse a adentrar o recinto, no melhor linguajar radiofônico. Nenhuma, não, que o diga Vera Oliveira da Cruz, esposa de Paulo Fernando Nunes da Cruz (Polenga), a primeira a quebrar esse tabu.

Amiga de infância de Iram Marques, o grande cupido do amor entre Vera e Polenga, e o casório foi decidido após as noitadas de cerveja e bate-papo. Depois da queda do último bastião machista, o Alto Beco do Fuxico passou a ser frequentado pelas esposas, noivas e namoradas, provocando uma mudança substancial no linguajar, às vezes com a mudança do vocabulário de última hora. Afinal, a presença de senhoras no recinto merecia recato.

Outro frequentador assíduo e da primeira hora, o advogado Pedro Carlos Nunes de Almeida (Pepê), também teve seus momentos em casa por conta da fundação do bar: 28 de outubro, data do seu casamento. Nessas datas, ele somente chegava em casa para comemorar seu casamento por volta da meia-noite, horário em que os convidados tinham se retirado e a esposa estava prestes a dormir.

Para que o casal não passasse pelos dissabores de uma ruptura na vida de casado, o único recurso foi conjugar os interesses comemorativos e ambos passaram a festejar a data da união matrimonial no Alto Beco do Fuxico. Atual Arquiduque do Alto Beco do Fuxico, Pedro Carlos (Pepê) e sua Ana Carolina, mais uma vez passaram os 49 anos de casados – juntinhos – na badalada festa dos 40 anos do Bar de Ithiel.

É certo que faltaram alguns dos chamados clientes raiz, alguns deles ainda receosos de aglomerações, apesar de vacinados com a terceira dose, mesmo assim, nomearam filhos como representantes. E nesse encontro, realizado no Bar Artigos para Beber, de José Eduardo, e a ex-Confraria do Alto Beco do Fuxico, a nata da boemia itabunense se esbaldou por justo motivo.

Uma das recomendações da organização é que ficou terminantemente proibido que fosse realizado um recenseamento dos eternos clientes, para que o clima continuasse festivo per omnia saecula. E para passar a régua, os confrades recorreram a José Gomes (Castelo), que pedisse a saideira nos antigos moldes:

– Ithiel, me dê uma dose Natu Nobilis e a conta. Se eu pedir outra por favor não me sirva!

Walmir Rosário é radialista, jornalista e advogado.

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O jornalista e escritor Walmir Rosário lança Crônicas de Boteco, um guia sem ordem

Crônicas de Boteco, um guia sem ordem é um livro para quem pretende se tornar um frequentador de botequins, os que porventura tenham alguma curiosidade sobre o clima reinante neles ou aqueles clientes costumeiros da extensão do lar. O livro – por enquanto apenas em formato online (e-book) – está à disposição dos leitores no portal da Amazon, no link https://amzn.to/3rsgC4p.

Como relata o autor Walmir Rosário, são crônicas bem-humoradas e não tenha receio de entrar para conferir qualquer um deles. Basta dar o primeiro passo, sentar, observar a clientela em volta, perguntar as especialidades da casa fazer o pedido e experimentar. Enquanto não chega seu pedido não se constranja em puxar conversa com quem está ao seu lado e pergunte qualquer coisa. Você já fez um amigo.

Crônicas de Boteco tem versão online, que pode ser adquirida pela Amazon

E essas experiências são contadas com os botecos localizados numa única via pública de Itabuna, na Bahia: o Beco do Fuxico, que já foi divido em três zonas distintas, o baixo beco, o médio beco e o alto beco. Em cada ambiente, um costume diferente, mesmo que os frequentadores, em maioria sejam os mesmos. Experimente uma boa cachaça, batida, cerveja gelada e os melhores tira-gostos.

Frequentador de botequins neste imenso Brasil e alguns países, há várias décadas, Walmir Rosário conta histórias, costumes, o espírito de corpo, o humor dos proprietários e o que fazer para se tornar mais um dessas tribos. Não se incomode se o dono do boteco não lhe trata com a deferência esperada, pois pode estar fazendo charme para lhe conhecer melhor.

No prefácio, o saudoso jornalista Tyrone Perrucho diz que o Beco do Fuxico é o templo sagrado da boemia itabunense há mais de 50 anos, como o ABC da Noite, do Caboco Alencar, destaque neste estudo de Walmir, que abrange o circuito formado pelos saudosos bares de Batutinha, do Dortas, do Mário, do Alcides Roma, do Ithiel…

Pois lá se foram também 50 anos desde que, em julho de 1969, eu me matriculei no ABC do Caboco, tornando-me nos 20 anos seguintes aluno mais ou menos aplicado dele e demais integrantes do circuito.

E Tyrone vai mais longe: Vejam só, naqueles idos, simultaneamente ao histórico desembarque do homem na Lua, eu desembarcava de uma marinete da Sulba e me acomodava num quarto da Pensão Senhor do Bonfim, em uma rua Rui Barbosa ainda longe de virar calçadão, e justamente nas imediações ficavam o ABC e os congêneres citados.

Mas é a Walmir Rosário, reconhecido expert na arte de entornar copos e de elaborar quitutes os mais apreciados, que coube legar para a posteridade este verdadeiro compêndio de uma apreciável parte da vida mundana e boêmia de Itabuna. O roteiro etílico que é foco deste trabalho é mais uma prova provada de que a bebida é insuperável em criar e estreitar laços sociais.

“Ele trata do cotidiano da mesa de bar onde toda sorte de gente despreocupada, ou nem tanto, costuma se reunir para jogar conversa fora, aí incluídos o ato de festejar a vida e de reformar o mundo”, conclui Tyrone Perrucho,

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A visita representa alvíssaras de que em um breve período nenhum dos alunos do ABC da Noite estará fora da sala de aula. Quem garante é o professor Caboclo Alencar.

 

Walmir Rosário

Nunca, em tempo algum neste Brasil, uma visita foi tão comemorada pelos boêmios do Beco do Fuxico e adjacências. Entrando o mês de abril, justamente no dia 1º, em que se costuma a contar mentiras, uma verdade merece ser contada em alto e bom tom: o Caboclo Alencar, nos seus 90 anos, deu as caras no Beco do Fuxico, o endereço do mais conceituado boteco de Itabuna.

Sem alarde ou notícias enviadas aos colunistas sociais que emolduram e abrilhantam nossa imprensa, a visita do Caboclo Alencar teve a simples finalidade de realizar uma vistoria nas instalações do majestoso ABC da Noite, fechado desde que apareceu a pandemia. No chamado grupo de risco, o Caboclo preferiu encerrar as atividades – temporariamente – no seu estabelecimento.

Como faz parte do costume do Caboclo, nesses quase 59 anos de atividades do ABC da Noite, a simplicidade é a marca registrada deste boteco que se transformou numa instituição itabunense. E esse mérito pode ser creditado às divinas batidas que são manipuladas na linha de produção, onde são associadas frutas e raízes às cachaças e vodcas, transformando-as no néctar dos deuses, e aos seus clientes.

Pois é, mas como com a pandemia da Covid-19 ninguém brinca, o Caboclo Alencar resolveu fechar o boteco por algum tempo e se refugiar em casa, longe dos vírus indiscretos que atacam a qualquer hora do dia ou da noite. Mas como os clientes – alunos, melhor dizendo – não se conformavam sem as aulas diárias, enriquecidas com as batidas de limão, maracujá, gengibre, pitanga, o Caboclo resolveu trabalhar em casa.

Mas foi logo avisando que não queria nenhum “piseiro” em casa e que os pedidos seriam feitos pela internet, através do e-mail ou pelo telefone – fixo e celular –, com hora marcada para retirá-lo. Aos poucos, via whatsapp, as batidas do ABC da Noite eram exibidas nas redes sociais como se fossem troféus arduamente conquistados em campeonatos internacionais, como a copa do mundo.

Mas como diz o ditado que gato escaldado tem medo de água fria, o Caboclo Alencar resolveu sair da toca – o recesso do lar – para dar uma olhadinha no prédio sede do ABC da Noite, uma simples vistoria de rotina. Sem alardes, saiu pela manhã com o intuito de fazer umas compras e aproveitou para dar uma passadinha no Beco do Fuxico e vistoriar se estava tudo em ordem.

E tinha razão o Caboclo, pois assim que o prédio do ABC da Noite ganhou status de tombado pelo patrimônio histórico como patrimônio material imaterial de Itabuna, com direito a discursos e muita bebedeira, aconteceu o impossível. No fim de semana, um inimigo – ou melhor, um amigo do alheio – subiu pela parede de frente, arrombou o telhado do prédio e surrupiou os R$ 300,00 deixados na gaveta.

É bom que fique registrado que o tal larápio não tocou nos poucos litros de batidas acondicionados no freezer, talvez por desconhecer a riqueza do conteúdo engarrafado, que foi disputado pelos clientes. Do alto de sua sabedoria, o Caboclo Alencar analisou o malfazejo em entrevistas para os programas policiais como sendo arte de um reles vagabundo chegado ao uso de crack e cachaça vagabunda.

Como dizem que um raio não costuma cair duas vezes no mesmo lugar, o interior do ABC da Noite se encontrava intacto, sem sofrer qualquer invasão dos larápios, que preferiram arrombar lojas vizinhas, aquelas que comercializam aparelhos eletrônicos, celulares e joias. Após uma rápida conferida no estoque, os litros de cachaça de Itarantim e de vodca estavam intactos, sem qualquer violação.

Se desta vez não houve prejuízo material, o Caboclo Alencar não contava com a quantidade de espiões de prontidão para fotografar sua chegada triunfal ao Beco do Fuxico. Tudo coordenado por Alex Alves (Português) que, de celular em punho, registrou todos os passos do Caboclo, e ainda por cima ligou para outros alunos do ABC da Noite anunciando que as aulas teriam sido iniciadas.

Mais do que de repente, pelo menos uma dúzia de alunos repetentes se postaram em frente ao ABC da Noite à espera que as portas se abrissem e pudessem se deliciar com as festejadas batidas. Nem mesmo nas ausências furtivas do Caboclo, quando ainda apreciava e fazia uso de uma boa cachaça e cerveja, ou de suas viagens de férias pelo Brasil afora, seus alunos foram acometidos de tanta carência etílica.

Mas, para o desespero da distinta clientela, a esperada festa durou apenas poucos minutos. Após o Caboclo Alencar fechar a porta com os cadeados e deixar os clientes com água na boca, anunciou que seria por pouco tempo. A visita representa alvíssaras de que em um breve período nenhum dos alunos do ABC da Noite estará fora da sala de aula. Quem garante é o professor Caboclo Alencar.

Walmir Rosário é radialista, jornalista e advogado.

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De minha parte, acho que valeram as orações feitas, não tanto por ele, por estar abilolado, mas pelas gozações que por certo seriam a mim impostas pelos colegas de Beco e outros refúgios etílicos existentes Itabuna afora.

 

Walmir Rosário || wallaw2008@outlook.com

Dudu Rocha…quem diria… foi parar na Gávea. Torcedor apaixonado pelo Botafogo, cansado com as perdas de decisões, Dudu devolve a faixa de campeão e resolve torcer pelo inimigo. A notícia me deixou perplexo. Após ler e reler a missiva, sem acreditar no que via, resolvi levar ao conhecimento dos amigos esportistas, torcedores diversos, até onde chega o pensamento humano. Calma, eu explico:

Do amigo, parceiro de Alto Beco do Fuxico e torcedor do Fogão, como eu, Dudu Rocha, recebo a seguinte missiva:

“Amigo Walmir:

Cansei!!!

Do amigo e ex-Bota

Dudu Rocha

29.05.08

Ainda pasmo e sem entender nada, eu lia e relia o texto enviado e o novo endereço do remetente escrito no verso do envelope:

Rem: Dudu Rocha

Novo endereço: Gávea

Confesso que levei um terrível susto e somente consegui me recuperar de tamanho choque após umas três doses da mais legítima Rio de Engenho, pois a cachaça se apresenta como um remédio providencial para essas coisas, mormente quando o assunto mexe com o coração.

Nem eu nem qualquer vivente frequentador assíduo ou não do Alto (Médio ou Baixo) Beco do Fuxico conseguiria assimilar tal tresloucado gesto, tomado de uma hora para outra. Ninguém, de sã consciência, teria coragem de acreditar numa história como essa, ainda mais se tratando de um torcedor de quatro costados, filho da fina-flor da mais tradicional família Rocha, todos botafoguenses, batizados e crismados com a camisa da estrela solitária ao peito.

Na tentativa de me refazer do susto, imediatamente liguei para amigos mais chegados, para repartir esse momento de infortúnio. Precisava saber se tudo não passava de um sonho, de um profundo pesadelo. De início, liguei para José Senna, flamenguista empedernido, capaz de abandonar qualquer farra nos bares da moda em Copacabana para assistir a uma partida do seu Flamengo no Maracanã.

Não precisa contar que a primeira reação de Sena foi achar que eu estava com febre, delirando, e disse na em cima da bucha:

– Ora, Rosário, está de porre, que cachaça brava foi essa que você tomou. Se não for cana, ficou maluco – gritou ao celular.

Mais calmo, após as devidas explicações sobre o bilhete e a faixa a mim entregue, passou à ofensiva:

– Bom, diga a ele que em princípio nós aceitamos, mas é preciso passar pelo conselho, já que ele era useiro e vezeiro em ridicularizar nosso time. Vou conversar com a diretoria lá no Rio, depois veremos. Mas pode ter certeza que a decisão será dada em alto estilo, numa assembleia extraordinária da Confraria do Alto Beco do Fuxico – prometeu.

Não satisfeito, liguei, desta vez para um vascaíno, o Paulo Fernando Nunes da Cruz (Polenga), que dentre os feitos futebolísticos traz assinalado em seu currículo o mérito de ter levado o polêmico Eurico Miranda no Alto Beco do Fuxico, quando era presidente do clube de São Januário. No Beco, mais exatamente no bar de Parente [Alcides Rodrigues Roma], provou três doses de Angélica, devidamente curada, e para arrematar ainda participou de cerca de 18 garrafas de Brahma bem gelada.

Mas voltando ao assunto, que é o que interessa, Polenga ficou injuriado com a proposta de Dudu Rocha de se transferir de mala e cuia para o Flamengo, um time com as cores vermelho e preto.

– Quem já viu isso, seu Walmir, se pelo fosse para o Vasco, que é branco e preto como o Botafogo, ainda vai lá! Isso é uma heresia. Desde que Dudu deixou Itabuna para ir morar em Ilhéus que estou desconfiando que ele não está batendo bem da cabeça –, diagnosticou Polenga, com ar proeminentemente professoral.

De lá pra cá, mais não se teve notícia de Dudu Rocha, que deixou de vir a Itabuna, pra saudade dos colegas do Beco. Tampouco José Senna deu resposta de sua reunião com o tal Conselho do Flamengo, no Rio de Janeiro, ficando o dito pelo não dito. O que é certo é que nenhuma assembleia extraordinária da Confraria do Alto Beco do Fuxico foi convocada.

Como não tive coragem de apresentar a proposta de Polenga a Dudu Rocha, também não sei se ele teve coragem de cometer o tão tresloucado gesto, desprezando General Severiano e o Engenhão, para se bandear para as acanhadas acomodações da Gávea, infestada de urubus.

Acredito que quem não deve estar em paz é o velho Dunga, seu pai, que nunca pensou ter alguém em sua família capaz de cometer tamanho sacrilégio. De minha parte, acho que valeram as orações feitas, não tanto por ele, por estar abilolado, mas pelas gozações que por certo seriam a mim impostas pelos colegas de Beco e outros refúgios etílicos existentes Itabuna afora.

Walmir Rosário é radialista, jornalista e advogado.

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Operários da Emasa fazem substituição de estrutura do bueiro || Foto Pimenta
Operários da Emasa fazem substituição de estrutura do bueiro || Foto Pimenta

Uma equipe da Empresa Municipal de Águas e Saneamento (Emasa) faz manutenção, nesta tarde, do bueiro do cruzamento da Rua Duque de Caxias com a Travessa Adolfo Leite (Beco do Fuxico), no centro de Itabuna.

Ontem, a tampa do bueiro rompeu e o local teve de ser sinalizado com pedaço de madeira e saco plástico (veja abaixo). Era grande o risco de acidente. A via tem fluxo médio de veículos durante o dia.

http://157.230.186.12/2017/08/17/perigo-na-duque-de-caxias/

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A Secretaria de Indústria, Comércio e Turismo da Prefeitura de Itabuna cadastra nesta terça-feira, 5, os ambulantes interessados em comercializar alimentos e bebidas na área onde ocorrerá a Lavagem do Beco do Fuxico, no próximo dia 9. Quem pretende garantir seu espaço deverá comparecer ao prédio da Câmara de Vereadores, no horário das 8 às 13 horas.
De acordo com a Prefeitura, haverá 50 vagas para barracas de bebidas, outras 50 para barracas de alimentos e serão ainda cadastradas 50 pessoas que atuam em trânsito, vendendo bebidas conservadas em caixas de isopor.
Por questões de segurança, será proibido na festa o comércio de bebidas em recipientes de vidro, bem como churrasquinho no palito.

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O secretário de Indústria, Comércio e Turismo de Itabuna, Carlos Leahy, afirmou que a Lavagem do Beco do Fuxico, realizada no dia 3 de março, não onerou os cofres da Prefeitura. Segundo Leahy, os recursos destinados à festa saíram de empresas e um político local, além da venda de camisas pelos blocos participantes.
Na semana passada, circularam rumores de que a Prefeitura teria gasto R$ 800 mil na folia fora de época, o que o secretário negou. Ele disse que a Lavagem teria custado cerca de R$ 30 mil, integralmente bancados pela iniciativa privada, e comprovou que é possível fazer festa sem grandes investimentos.
“O principal tempero da Lavagem do Beco do Fuxico foi a alegria do povo”, comentou o secretário carnavalesco.

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O "Cabôco", ao lado do amigo – e cliente das antigas – Nilton Galvão

O “Cabôco” Alencar surpreendeu duplamente na noite de ontem, quando comemorou suas oito décadas de vida. Primeiro, por ter aberto seu “ABC” em pleno aniversário (normalmente, ele se esconde nesta data); e, em segundo lugar, por não ter servido a tradicional batida.

A idade nova do “Cabôco” foi festejada com vinho e canapés, registrando-se a presença de fiéis clientes do estabelecimento. Foi notada, inclusive, uma intensa movimentação no Beco do Fuxico, com a turma do “Alto Beco” (bar Artigos para Beber e adjacências) descendo em peso para a área do ABC.

A festa virou notícia no blog de uma ilustre confraria. Confira.

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Mesmo com a desatenção e ausência do governo municipal, blocos carnavalescos tradicionais de Itabuna, como o octogenário Maria Rosa, mantêm-se firmes na disposição de promover a folia na rua mais boêmia da cidade: a Adolfo Leite, mais conhecida como Beco do Fuxico.

No próximo dia 19, Maria Rosa, Casados I…Responsáveis, Mendigos de Gravata e Hora Extra, além de baianas, marcam presença na lavagem do beco. Não contam com o apoio do governo local, acusado de, assim como o anterior, tentar exterminar as manifestações populares da cidade. “Desde 2005, os blocos alternativos vêm resistindo à falta de planejamento do poder público”, lamenta José Carlos Ettinger, coordenador do Mendigos de Gravata.

A lavagem deste ano acontece com dia claro, a partir do meio-dia de 19 de fevereiro, um sábado.

A festa deste ano será aberta com concentração dos blocos no Jardim do Ó e cortejo pela avenida do Cinquentenário até o Beco do Fuxico, segundo Geraldo Ribeiro (Caçolinha), pai da ideia e dirigente do Bloco Maria Rosa.