Tempo de leitura: < 1minutoViatura da Força Nacional circulando em Buerarema (Foto Gilvan Martins).
O clima voltou a ficar tenso em Buerarema, hoje à noite (20), apesar da presença de tropa da Força Nacional de Segurança no município. Duas casas de pessoas autodeclaradas indígenas, da etnia tupinambá, foram destruídas por populares.
De acordo com informações obtidas pelo PIMENTA, as residências ficam localizadas no Bairro São Bento. Ninguém ficou ferido. Os imóveis estavam desocupados no momento dos ataques.
Pela manhã, em São José da Vitória, dois veículos foram incendiados em manifesto organizado por produtores e comerciantes.
FORÇA NACIONAL
Homens da Força Nacional chegaram ontem à tarde a Buerarema. Hoje, equipes se deslocaram para o centro dos conflitos (Serra do Padeiro). Durante a manhã, guarnições da Força Nacional circularam pela área urbana do município.
Tempo de leitura: < 1minutoCarros destruídos no protesto de ontem na BR-101 em Buerarema (foto Gilvan Martins).
Tropas da Força Nacional de Segurança devem chegar a Buerarema, no Sul da Bahia, neste domingo (18), conforme assegurou o ministro José Eduardo Cardozo (Justiça) em contato com o governador Jaques Wagner. O ministro também determinou o reforço do efeito da Polícia Federal na região do conflito entre agricultores e índios da etnia tupinambá, entre os municípios de Una, Ilhéus e Buerarema.
O pedido de envio da Força Nacional de Segurança já havia sido feito no mês passado, mas a urgência aumentou com o recrudescimento do conflito desde o final de semana passado, quando fazendas começaram a ser invadidas pelos tupinambás. Os índios são acusados de usar armas de grosso calibre e atear coquetel molotov contra uma propriedade, atingindo dois produtores rurais e um trabalhador, além de destruir uma mercearia (relembre aqui).
Ontem, a BR-101 ficou interditada por quase 12 horas pelos produtores rurais e populares da região de Buerarema. Cerca de seis mil pessoas participaram dos atos que resultaram em saque à agência da Cesta do Povo em Buerarema, além de quatro veículos dos governos Federal e Estadual incendiados. Wagner disse que o efetivo da Polícia Militar na região também será reforçado.
Tempo de leitura: 2minutosCarros que transportavam índios foram consumidos pelo fogo (foto Gilvan Martins)
Manifestantes atearam fogo em uma caminhonete GM S-10 e um VW Gol que transportavam índios pataxós e tupinambás, há pouco, no trecho de Buerarema da BR-101. O motorista da caminhonete tentava furar o bloqueio na rodovia, sob alegação de que existia uma pessoa doente no veículo.
A caminhonete pertencia à Secretaria de Saúde de Pau Brasil e transportava dois pataxós adultos e duas crianças de 8 e 10 anos. A Polícia Federal interveio e encaminhou os indígenas para o destino. Os manifestantes incendiaram o VW Gol cerca de 20 minutos depois.
A pista foi interditada em protesto de produtores e moradores de Una e Buerarema contra a ação de um bando que se identifica como indígena de etnia tupinambá. Desde o final de semana, o grupo invadiu, pelo menos, cinco fazendas, expulsou trabalhadores e fazendeiros e promoveu saques nas propriedades, além de agredir e ferir três vítimas (confira aqui).
A pista só deverá ser liberada às 15h, segundo manifestantes.
Atualizado às 13h22min – Em contato com o PIMENTA, a Secretária de Saúde de Pau Brasil, Maria Conceição Mota, esclareceu que o veículo transportava cinco pacientes que fazem hemodiálise em Itabuna.
Atualização às 15h55min – 19/08 – A secretária de Saúde fez observação de que nenhum dos ocupantes da S-10 era pataxó. Maria Conceição também retificou que o tratamento dos pacientes não é feito no Hospital Calixto Midlej Filho.
Cerca de 5 mil pessoas fecharam a BR-101, há pouco, em protesto contra a barbárie promovida por supostos índios tupinambás em Buerarema, no sul da Bahia. Os manifestantes denunciam a brutalidade nas invasões a propriedades em Buerarema e Una.
O comércio de Buerarema também aderiu ao movimento desta manhã. O temor é de que os atos de violência e tortura praticados contra produtores rurais e funcionários se reproduzam nas áreas disputadas pelos tupinambás. Liderança do movimento ouvida pelo PIMENTA, diz que a promessa é só liberar o tráfego na rodovia por volta das 17h.
Na quarta (14), produtores foram atacados e perderam cerca de R$ 13 mil em mercadorias e dinheiro, levados por um bando que se identificava como tupinambá. As vítimas foram identificadas como Agnaldo Moreira, Meire Souza Nascimento e Domício Nascimento, de 86 anos. Eles foram atingidos por um coquetel molotov ateado pelo bando contra a mercearia da Fazenda Paraíso. Agnaldo e Meire são produtores e Domício é trabalhador rural.
Cinco propriedades foram invadidas no último final de semana. Os proprietários e trabalhadores foram expulsos sob a mira de armas de grosso calibre, segundo relatos das vítimas.
Pelo menos três irmãos de Rosivaldo Ferreira, o Babau, são acusados de liderarem os movimentos contra os fazendeiros. O cacique Babau está em manifestação nacional em Brasília (DF).
Os tipos mais conservadores, que querem tratar os movimentos sociais na pancada, uniram-se aos progressistas, em apoio ao Movimento Passe Livre (MPL), escancarando uma contradição. Coerente mesmo foram as PMs da Bahia e de São Paulo, fazendo o que é da sua tradição fazer: baixar o pau (v. charge de Simanca). Cientistas sociais e palpiteiros em geral estão incertos quanto ao que pretende a massa: vagamente, menos corrupção, mais educação (quase criei uma “palavra de ordem”), mais saúde pública, menos futebol, mais seriedade com o dinheiro público, menos safadeza… No atacado, todos aprovamos esta pauta, mas falta a ela o varejo, o foco concreto e claro.
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Movimento (ainda) simpático à direita Tem sido uma festa protestar contra tais coisas (e ainda a sogra chata, o vizinho ranzinza e o preço do tomate), mas não me divirto tanto. Entendo ser este um movimento de esquerda (se me permitem usar a velha classificação francesa, para mim ainda válida). E a direita não tarda a tratar essa turma como trata índios, sem-terra e semelhantes, todos incluídos na vasta lista de “baderneiros”. Por menos disso ela já derrubou um presidente e pôs o Brasil em “ordem unida” durante 21 anos, enquanto arrancava as unhas dos descontentes. Freado o aumento das tarifas, o MPL, ao voltar às ruas (espero que volte), deverá focar-se em um dos muitos problemas nacionais. COMENTE! » |
“DOR DE AMOR DÓI MAIS DO QUE BURSITE”
O verbo amar transitivo indireto (com a preposição “a”) foi, em tempo que longe vai, exclusivo jargão religioso. “Amar a Deus sobre todas as coisas”, está grafado na tábua. A gramática quer, em relação a coisas e pessoas, o verbo não preposicionado. Amar era também de uso menos extenso: homens amavam mulheres, mulheres amavam homens, homens e mulheres amavam suas mães, estas os amavam sem medidas… Os para-choques repetiam uma frase produzida por alguém de coração dilacerado (ou vítima de crônica subliteratura): “Amor só de mãe!” – ai que me embriago de tanta poesia! Compreende-se. Quem leu Rubem Braga sabe que “dor de amor dói mais do que bursite”.
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Velha calça desbotada ou coisa assim
Voltando ao amar transitivo direto, diga-se que ele foi “democratizado”. Amavam-se pessoas, hoje se ama praia, macarrão com queijo, sorvete de coco, carro novo, a velha calça desbotada e, de moto, ama-se o vento na cara. São modismos que o tempo nos traz: conheço uma jovem senhora que ama seu iPhone de recentíssima geração (será isto o chamado sexo virtual que nunca entendi?). A boa linguagem, pela qual poucos na mídia ainda se interessam, recomenda que se goste das coisas citadas acima, sendo vedado amá-las. Se, por acaso, alguém não sabe a diferença entre gostar e amar, que tente beijar uma máquina. Adianto-lhes que não funciona, a não ser que seja uma… “máquina”.
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Adoração ao arroxa e à batata frita
Cartola, em licença poética escreveu: “Não quero mais amar a ninguém…”, e caiu em “erro”, por usar a forma “religiosa” (“Não quero mais amar ninguém”, diz a norma). E quase tudo que foi dito vale para o verbo adorar, que igualmente nos remete à igreja. Adorar só a Deus e signos sagrados, era assim que era. Depois, o povo, que não está nem aí para gramáticas e gramáticos, mudou a regra. Hoje, com todo respeito, adora-se batata frita, novela de tevê, show de arrocha e de dupla “caipira”. Pelo sentido “clássico” do termo, tem-se a ideia de que o maluco se ajoelha diante do pacote de fritas e também genuflectido assiste à novela das nove. Medonhos tempos, estes.
As ruas nos falam de dados momentos, lembranças que ficaram. “Se essa rua fosse minha/ eu mandava ladrilhar/ com pedrinhas de brilhante/ só pra ver meu bem passar”, diz o antigo frevo Vassourinhas. Antônio Maria (“o bom Maria”, como o chamava Vinícius, seu colega de quarto), morando no Rio e, ferido de saudades da terrinha, abre seu Frevo nº 3 dizendo: “Sou do Recife, com orgulho e com saudade”, para depois introduzir “Rua antiga da Harmonia,/ da Saudade, da Amizade e da União…/ São lembranças noite e dia”. Em poucos versos, quatro ruas de nomes sonoros, que mexem com os sentimentos da gente: harmonia, saudade, amizade, união. _______________
Machado de Assis fala das ruas do Rio
Meu endereço em Buerarema era Manuel Vitorino, 6 (esquina com Siqueira Campos) – mania que as pessoas têm por vultos estranhos à cidade. Isso mudou um pouco. Já temos na antiga Macuco as ruas Paulo Portela, Manuel Lins, Pastor Freitas – personagens locais e já mortos, comme il faut. Mas eu queria falar era do fascínio que os nomes de ruas exercem sobre mim e, pelo que vejo, em vários autores. Lembro aqui de três deles, tocando o tema: Machado de Assis, Antônio Maria e Alceu Valença. Nos contos de Machado é possível saber muito do velho Rio, pelas ruas que o mestre cita: Larga de S. Joaquim, da Alfândega, do Lavradio, da Quitanda e, naturalmente, do Ouvidor.
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Um amor que sumiu nas ruas do Recife
“Sob uma chuvinha miúda, triste e cortante, como no enterro de Brás Cubas, o menino passeia sua melancolia por estas ruas que, transeuntes apressados sequer suspeitam, lhe pertenceram um dia. E chora as mudanças: mudou a cidade, mudaram os tempos, mudou ele, que ficou depressivo e meio adulto, morreu de velha a caramboleira, silenciaram os sabiás e bem-te-vis da infância que se foi” (Antônio Lopes: Luz sobre a memória – Agora Editoria Gráfica/1999). Perdidão da Silva, Alceu Valença parece procurar seu amor sumido nas ruas do Sol, da Aurora, da Matriz, das Ninfas, da Boa Viagem, da Soledade – mas como sempre acontece em casos semelhantes, o esforço é vão.
Enquanto dezenas de gestores municipais choram as pitangas por causa da dívida e dificuldades de fechar a folha, quatro prefeituras regionais anteciparam salário de junho e até metade do 13º salário no sul da Bahia.
Buerarema quitou salário e antecipou metade do décimo terceiro, assim como Itapé e Itagibá, que pagou nesta sexta (21) o salário de junho e, na última segunda (17), metade do 13º salário aos 896 servidores. Pelos cálculos do prefeito Marcos Barreto, Marquinhos (PCdoB), foram injetados R$ 2,3 milhões na economia local com a antecipação.
Já em Itabuna, o município antecipou o pagamento do salário de junho. O dinheiro caiu na conta do servidor nesta sexta (21), segundo o secretário da Fazenda, Marcos Cerqueira. Porém, os professores receberam metade do salário, já que, conforme o secretário, o dinheiro do Fundeb será repassado pelo governo federal somente na próxima semana.
Temperatura elevada, ontem, no plenário da Câmara de Vereadores de Buerarema. Elio Júnior (PDT) apresentou ofício no qual solicitava informações de gastos do legislativo e o presidente, Geraldo Aragão, o Geraldão (PSC), não gostou. Rodou a baiana.
Geraldão deu 1 a 0 na transparência legislativa. Chamou o colega de “analfabeto”, recorreu ao Regimento Interno e recomendou ao colega uma visita ao Tribunal de Contas dos Municípios (TCM), onde poderia apreciar os gastos legislativos.
Como as sessões plenárias são transmitidas por uma emissora local, a discussão se tornou assunto nas rodas políticas da Velha Macuco. Uns questionavam a postura do vereador do PSC, outros queriam saber o que estava por trás da alteração do presidente. Rendeu tanto que foi assunto nas emissoras de rádio de lá e de Itabuna.
Nos bastidores da política local, o comentário era outro: relacionava o nervosismo de Geraldão aos gastos com a reforma de um Fiat Uno modelo 2004. O presidente teria pago incríveis R$ 16,5 mil para “repaginar” o carango, no finalzinho do ano passado.
Se é verdade ou não, só Geraldo pode esclarecer.
Guima terá de cancelar contrato.
O cheiro de maracutaia em contrato celebrado entre a Prefeitura de Buerarema e a Luxus Transportes levou o Ministério Público da Bahia a investigar o negócio de R$ 1,5 milhão.
A empresa “ganhou” licitação para a área de transporte em várias áreas, dentre elas Educação, e usa frota de 23 veículos encontrados em péssimas condições, segundo a promotora de Justiça Mayana Ribeiro.
As desconfianças começaram na licitação. Para adversários, o certame teve cláusulas para favorecer a Luxus. A empresa venceu o edital da prefeitura, mesmo violando todos os requisitos. Em resumo, era amiga do prefeito Guima Barreto (PDT).
Convencido de que não dava para levar a esculhambação adiante, Guima não encontrou outra opção que não fosse anular o contrato, o que deve ser formalizado nos próximos dias, segundo a promotora Mayana Ribeiro.
Sessão em Buerarema reuniu representantes de nove municípios no dia 19.
Vereadores e prefeitos de nove municípios sul-baianos assinaram manifesto a ser entregue ao governador Jaques Wagner e à comissão de implantação da Universidade Federal do Sul da Bahia (Ufesba). Na última sexta, 19, cerca de oitenta representantes dos municípios se reuniram em Buerarema, durante sessão especial conjunta.
O objetivo é sensibilizar as autoridades estaduais e federais para que o campus da Ufesba seja instalado em uma área de mais de 100 hectares a cinco quilômetros do centro de Itabuna, na BR-101, sentido Buerarema. Outras propostas em estudo levam em conta a instalação do campus no sentido Itabuna-Itajuípe da rodovia federal e na BR-415 (neste caso, no sentido Ferradas ou, ainda, na sede regional da Ceplac, na Rodovia Ilhéus-Itabuna).
Vereadores iniciaram mobilização para que o campus da Universidade Federal do Sul da Bahia (Ufesba) em Itabuna seja construído numa região de mais de 100 hectares próximo ao município de Buerarema.
As articulações envolvem políticos de sete municípios, que realizam audiência na próxima sexta, 19, às 9h, na Câmara de Buerarema. Pelo menos oito deputados federais e estaduais devem participar do encontro, dentre eles Geraldo Simões (PT) que é favorável à construção da Ufesba na região de Ferradas (BR-415).
A ação envolve prefeitos e vereadores de Camacan, Arataca, Jussari, Santa Luzia, São José da Vitória, Mascote e Buerarema. “Tivemos conversas preliminares com membros da comissão de instalação da Ufesba, que sinalizaram ser esta a área mais adequada”, disse o vereador Elio Almeida (Elinho), que lidera a campanha.
Impacto da colisão destruiu frente do Celta. Caminhão pegou fogo (Foto Elio Almeida).
Acidente grave a menos de um quilômetro do trevo de acesso ao município de Buerarema, no sul da Bahia. Um caminhão Mercedes-Benz colidiu frontalmente contra um GM Celta cinza, por volta das 14h40min.
O motorista do Celta morreu ainda no local do acidente. A Polícia Rodoviária Federal ainda não havia chegado ao local. A vítima ainda não foi identificada e estava sem cinto de segurança, morrendo preso às ferragens do veículo.
O impacto da colisão foi tão forte que o caminhão caiu em uma ribanceira e pegou fogo. O motorista do caminhão não corre risco de vida, segundo testemunhas. Chamas destróem caminhão carregado de madeira.
Os servidores da Saúde em Buerarema vão parar por 24 horas nesta segunda-feira, 11, em protesto para receber os salários atrasados de novembro e dezembro. Segundo João Evangelista, coordenador de organização do Sindicato dos Trabalhadores em Saúde de Itabuna e Região (Sintesi), a parada foi decidida há uma semana.
Além da cobrança dos atrasados, os servidores reclamam que a nova gestão suspendeu as gratificações salariais. Segundo Evangelista, o prefeito José Agnaldo Barreto, Guima, ainda “não apresentou proposição para o reajuste dos pisos salariais de profissionais da saúde”.
A paralisação de 24 horas poderá se transformar em greve se o governo não abrir negociação com os servidores, de acordo com o dirigente sindical.
Líder do Governo na Câmara, o vereador Elio Almeida disse que o prefeito está impossibilitado de pagar os atrasados de novembro e dezembro por que o ex-prefeito Mardes Monteiro ainda não apresentou as informações contábeis, incluindo os restos a pagar.
Farinha de mandioca “virou” outro e fica distante da mesa do nordestino (Foto M Cruz).
O baiano que adora a legítima farinha de mandioca está desolado. O produto está em falta no mercado e o quilo vem sendo comercializado, em média, a R$ 7,00 o quilo.
O empresário Solon Cerqueira, que não dispensa a farinha de mandioca de Buerarema, reclama. O colaborador, Clóvis Santos, não sabe mais a quem apelar. “Não dá. R$ 7,00 o quilo é demais [para o bolso]”.
A seca nas regiões produtoras de mandioca e até na vizinha Buerarema tem colaborado para a alta do preço desde o segundo semestre do ano passado.
Parte do produto comercializado em Itabuna chega de outros estados. A dona de casa Helena Vieira também se espantou. Cliente assídua da “Farinha de Netinho”, ponto tradicional de Itabuna, ela diz que recorreu à farinha de Santo Antônio de Jesus, que está mais em conta para os tempos bicudos. Mas a economia não é lá grande coisa. “Comprei por R$ 6,00 [o quilo]”, disse, sentada à mesa.
Pelo menos, a dona de casa garantiu farinha com qualidade. Nos supermercados, a farinha de copioba – aquela amarelinha- é vendida a R$ 4,00. “Não tem o mesmo sabor”, emenda.
O levantamento mensal de preços feito pelo Departamento de Economia da Uesc (Universidade Estadual de Santa Cruz) detectou aumento de 98,67% da farinha nos últimos seis meses. O percentual, no entanto, é para a farinha de menor qualidade.
O empresário Cláudio Rodrigues diz que está difícil até mesmo enviar a “carga” de farinha para dois dos filhos que estão cursando faculdade fora de Itabuna – um em Juazeiro (BA) e outro em Aracaju (SE). “Virou ouro”, brinca. Mas os filhos não dispensam a farinha de mandioca de Buerarema, que ganhou selo, status e… ficou mais cara.
A elevação do preço da farinha fez com que o produto alcançasse status antes atribuído ao cacau. Comparando, a arroba da legítima farinha de mandioca não fica por menos de R$ 105,00, enquanto a de cacau está cotada hoje a R$ 61,00, conforme a Secretaria de Agricultura da Bahia (Seagri).
No relatório do Departamento de Economia da Uesc, a explicação para o novo “status” da farinha de mandioca, aí incluída a de copioba (selo) e a boa, de Buerarema: “Os efeitos da seca no Nordeste do país em 2012, associado ao aumento da demanda por farinha, vem provocando elevação no preço desse item da cesta básica”.
Quando o assunto é agradar a parentada dos gestores, as combalidas prefeituras do Sul da Bahia estão na crista da onda. Já se noticiou aqui que o prefeito de Itororó, Marco Brito (PMDB), nomeou a própria mãe para o cargo de secretária da Assistência Social, além de ter empregado dois primos, um no Departamento de Tributação e outro no Setor de Compras (confira aqui). Mas o alcaide da terra da carne do sol não está sozinho.
Em Buerarema, o prefeito Guima (PDT) também preencheu cargos com parentes e agregados. Em Itajuípe, a prefeita Gilka Badaró (PSB) agradou tanto o filho, titular da poderosa Secretaria de Administração e Finanças, como a nora, que comanda a Assistência Social.
É a aplicação da cartilha do “farinha pouca, meu pirão primeiro”.
O prefeito de Buerarema, Guima Barreto (PDT), teve que se afastar por uma semana do município. Nem bem assumiu o cargo, Guima voltou a sentir fortes dores provocadas por hérnias de disco.
O prefeito da Velha Macuco fará tratamento no Hospital Sarah Kubitschek.