Governador libera R$ 77 milhões para a construção de 1,1 mil moradias em Itabuna
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O governador Rui Costa (PT) autorizou, hoje (27), chamamento público para a construção de 1.100 moradias populares para famílias desabrigadas pela enchente de dezembro do ano passado em Itabuna.

A assinatura do chamamento ocorreu em solenidade em Salvador, na manhã desta quinta-feira, com a presença do prefeito Augusto Castro (PSD).

Conforme o governo, estão assegurados R$ 77 milhões ao município para a construção das moradias. O município será responsável pela identificação e desapropriação de áreas onde os imóveis poderão ser construídos. Ao PIMENTA, o prefeito Augusto Castro manifestou a alegria em assegurar moradia digna aos desabrigados e agradeceu a parceria com o governador Rui Costa.

PREJUÍZOS NA ENCHENTE

As chuvas ocorridas em dezembro em Itabuna deixaram cerca de 3,5 mil famílias desalojadas ou desabrigadas no município, principalmente aquelas residentes em áreas ribeirinhas.

Pelo menos 45% da área urbana de Itabuna foi inundada durante a enchente. No comércio, a estimativa é de que os prejuízos tenham superado R$ 50 milhões, segundo a Câmara de Dirigentes Lojistas (CDL) local.

Reparo de estrada permite acesso livre à zona urbana de Floresta Azul || Foto Seinfra
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A passagem de veículos no acesso a Floresta Azul, no sul da Bahia, foi totalmente liberada pela Secretaria de Infraestrutura da Bahia (Seinfra), nesta sexta-feira (21), após a conclusão dos serviços emergenciais na rodovia. O tráfego no trecho estava parcialmente interrompido por conta de rompimento de aterro na passagem urbana do município durante as fortes chuvas de dezembro de 2021.

Outras duas rodovias têm desvios com o objetivo de possibilitar o fluxo de veículos. Um deles é na BA-465, próximo à ponte de São Joaquim, no acesso ao distrito de Missão do Aricobé, em Angical. Já na BA-449 o desvio é feito próximo à ponte sobre o Rio Água Piranga, entre Cotegipe e o distrito de Jupaguá. O trabalho é uma parceria da Seinfra com o Consórcio do Oeste (Consid).

Nesta sexta (21), ações de manutenção foram feitas em mais três rodovias: BR-489, entre Prado e Itamaraju; BA-972, em Coaraci, entre a sede municipal e os distritos de Itamotinga e Cafundó; e BA-262, entre Ilhéus e Uruçuca.

Conforme a Seinfra, desde dezembro, as obras emergenciais permitiram a liberação parcial ou total do trânsito em 66 dos 75 trechos de rodovias afetados durante o período chuvoso.

Dupla tricolor envia ajuda humanitária a vítimas da enchente
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O São Paulo Futebol Clube e o Esporte Clube Bahia arrecadaram 40 toneladas de donativos para as vítimas das chuvas que atingiram o sul da Bahia em dezembro de 2021. A carreta carregada de alimentos, materiais de limpeza, produtos de higiene, bebidas, calçados, roupas e cobertores chegou a Ilhéus nesta segunda-feira (17), por meio da Campanha SOS Chuvas na Bahia. Famílias de outras cidades do sul do estado também serão beneficiadas.

O vice-prefeito de Ilhéus, Adalberto Galvão, Bebeto (PSB), foi responsável pelo contato com as diretorias dos dois clubes e agradeceu a iniciativa solidária.  “Assim como o futebol gera paixões e emoções, os times do São Paulo e do Bahia também se emocionaram com as condições da população atingida e seus corações foram tomados pelo sentimento de solidariedade. Juntas, as equipes mobilizaram milhares de pessoas para arrecadar os donativos, destinados a Ilhéus e toda a região”, declarou.

Moacyr garante empenho da Prefeitura para ajudar vítimas da enchente
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A Prefeitura de Uruçuca informou que, ao longo da última semana, o Governo Federal destinou R$ 566.920,27 para reforçar as medidas de socorro às famílias prejudicadas pela enchente do Natal passado.

Os recursos serão usados para a compra de móveis, colchões, cestas básicas, água, produtos de limpeza e higiene pessoal. Parte do dinheiro será utilizada em reparos na infraestrutura urbana.

O prefeito Moacyr Leite Júnior (DEM), que solicitou os recursos ao Governo Federal, informou que a Prefeitura continuará em busca de recursos para auxiliar as famílias afetadas pela enchente. “Não vamos descansar enquanto não assistirmos todos os munícipes que perderam tudo por causa das chuvas”, assegurou.

CADASTRAMENTO

As pessoas que necessitam de auxílio do município para lidar com os impactos das chuvas devem se cadastrar no programa emergencial, capitaneado pelas secretarias municipais de Assistência Social e de Saúde.

Tonho de Anízio vistoria região para onde serão transferidos moradores da Beira Rio
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A Prefeitura de Itacaré informou que moradores da Rua Beira-Rio, em Taboquinhas, serão removidos para área com infraestrutura adequada. Eles foram os mais prejudicados do distrito no período das fortes chuvas registradas em dezembro na região, quando também a abertura das comportas da Barragem de Pedra, em Jequié, ajudaram a elevar ainda mais o volume d´água do Rio de Contas, que corta o distrito e desemboca na área urbana de Itacaré.

O prefeito Antônio de Anízio, acompanhado pelo diretor de Projetos, Ademar Sá, e pela equipe técnica da Secretaria de Desenvolvimento Urbano, esteve na Rua Rafael Mota Barros, em Taboquinhas, realizando vistoria da área que será destinada para a construção de casas que beneficiarão os moradores da Rua Beira Rio.

A proposta, segundo adiantou o prefeito, é garantir uma moradia mais digna. “Por esse motivo, a Prefeitura de Itacaré vai realocar os moradores para esse novo loteamento e doar os materiais para construção dos imóveis. O projeto é construir todas as casas em regime de mutirão”, disse. As obras de terraplenagem foram iniciadas ainda no final de semana, preparando todo o espaço para abrigar os moradores com as novas residência.

CAIS DE TABOQUINHAS

De acordo com o prefeito, as casas em situação de risco da Rua Beira Rio serão removidas e no local será construído um grande cais, transformando-o em espaço de lazer para os moradores e turistas. “Com esse novo espaço, vamos estar garantindo casas seguras e ao mesmo tempo investindo ainda mais no potencial turístico de Taboquinhas”, complementou o prefeito.

Tráfego de veículos leves é liberado na Ponte do Marabá após 15 dias
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O tráfego de veículos leves na Ponte Miguel Calmon (Ponte do Marabá) foi liberado ao final da manhã desta segunda-feira (10) pela Prefeitura de Itabuna. A Ponte liga a região central aos bairros Conceição, Góes Calmon e Jardim Vitória, além da região do São Caetano, e estava interditada desde o Natal devido à cheia do Rio Cachoeira. Uma estrutura metálica foi instalada nas pontes para delimitar o porto dos veículos que transitam pela ponte.

A liberação da ponte para o tráfego de veículos ocorreu somente hoje após a conclusão, nesta manhã de segunda (10), da colocação dos guarda-corpos da ponte. A estrutura ainda passará por vistoria técnica. Por enquanto, veículos como ônibus e caminhões estão proibidos de transitar pela Ponte do Marabá.

“Pedimos que as pessoas fiquem atentas à sinalização. Vamos continuar os estudos, porque são pontes que existem há mais de cinquenta anos”, reafirmou o secretário de Infraestrutura e Urbanismo, Almir Melo Jr.

Bahia tem dezenas de municípios em situação de emergência
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Com base em informações recebidas das prefeituras, a Superintendência de Proteção e Defesa Civil da Bahia (Sudec) atualizou, na tarde nesta sexta-feira (7), os números referentes à população atingida pelas enchentes que ocorrem em diversas regiões do estado. São 26.534 desabrigados, 61.551 desalojados, 2 desaparecidos, 26 mortos e 520 feridos. O total de atingidos chega a 850.325 pessoas, 30 mil a mais do que o informado no boletim anterior, de quinta-feira (6).

Os números correspondem às ocorrências registradas em 175 municípios afetados. É importante destacar que, desse total, 164 estão com decreto de situação de emergência. O último município decretado foi Mirante.

As localidades com vítimas fatais são: Amargosa (2), Itaberaba (2), Itamaraju (4), Jucuruçu (3), Macarani (1), Prado (2), Ruy Barbosa (1), Itapetinga (1), Ilhéus (3), Aurelino Leal (1), Itabuna (2), São Félix do Coribe (2), Ubaitaba (1) e Belo Campo (1).

Comerciantes e prestadores de serviço podem solicitar empréstimos de até R$ 150 mil sem juros
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Os comerciantes e prestadores de serviço prejudicados por enchente ou deslizamento de terra em Itacaré já podem recorrer à linha de crédito emergencial da Agência de Fomento do Estado da Bahia (Desenbahia), conforme anúncio da Prefeitura. Os empréstimos ofertados são de até R$ 150 mil sem juro, parcelados em até 48 vezes. O recurso foi liberado após assinatura de termo de cooperação do município com a agência estatal.

Os pedidos de empréstimos devem ser feitos na sede da Secretaria e Planejamento de Itacaré, onde servidores municipais prestarão esclarecimentos sobre os requisitos para acesso ao crédito.

O prefeito Antônio Damasceno, Tonho de Anízio (PT), explica que a iniciativa é importante para ajudar as empresas a se restabelecer economicamente, após os prejuízos decorrentes das fortes chuvas que atingiram a Bahia em dezembro de 2021.

Casa diante de plantação alagada na Aldeia Encanto da Patioba, em Itapebi
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A Aldeia Encanto da Patioba fica a cinco quilômetros da Barragem de Itapebi, às margens do Rio Jequitinhonha, no sul da Bahia. Na quinta-feira da semana passada (30), a Prefeitura de Itapebi emitiu alerta para que a população ribeirinha deixasse as residências à beira do rio, pois o nível da água subiu velozmente devido às chuvas que caíram na região e no norte de Minas Gerais.

Cacique Roni mostra estragos da cheia do Jequitinhonha na Aldeia Encanto da Patioba, em Itapebi

Na Patioba, as vinte famílias do povo tupinambá ainda tiveram tempo de recolher alguns pertences, antes da chegada da água barrenta, mas as plantações se perderam na inundação.

“As roças estão tudo debaixo d’água”, diz o cacique Roni, enquanto filma a aldeia (confira vídeo abaixo do texto). Registradas na sexta-feira (31), as imagens enviadas ao PIMENTA mostram a água acima da altura das portas dos imóveis, próxima dos telhados.

Segundo Roni, o rio avançou dois quilômetros além das suas margens. Pés de abóbora, banana, aipim e milho morreram sob a lama arrastada pelas águas. “Grande prejuízo”, lamenta.

A comunidade quer a ajuda do poder público e da sociedade civil organizada para refazer as roças. Roni afirma que precisa de mudas e pediu que a Prefeitura de Itapebi disponibilize um trator para remover a lama e arar a terra. As estradas vicinais da região também precisam de reparo.

A aldeia também necessita de utensílios básicos, a exemplo de roupas de cama, pratos, talheres e caixas d’água. Interessados em ajudar podem manter contato com o cacique por meio do telefone (73) 9 8882-2861. Doações podem ser feitas via Pix: 73 9 8854-4954, em nome de Irapina Barbosa da Conceição, esposa do cacique.

Cientista aponta desafios da sociedade para lidar com eventos climáticos extremos
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Thiago Dias

O fotógrafo Felippe Thomaz resgatou trecho do poema O Rio Cachoeira para acompanhar foto publicada em seu perfil no Instagram (@flipthomaz). A poesia fala de uma cobra imensa, de dorso ondulante, com sobras de água enchendo os caminhos. É provável que o professor e escritor Plínio de Almeida (1904-1976), que foi vereador de Itabuna, tenha escrito o poema sob o impacto das memórias das cheias do Cachoeira, como a de 1967, marco histórico hoje lembrado para dimensionar a enchente do Natal de 2021, quando o rio avançou sobre vinte bairros da cidade, além do Centro.

Doutor em Comunicação pela Universidade Federal da Bahia (Ufba), Felippe é dos raros artistas que reúnem profunda sensibilidade e rigor técnico no ato fotográfico. A imagem ao lado dos versos de Plínio mostra uma árvore no meio do Rio Cachoeira, quebrada na base e arrastada pela correnteza. Turvo e violento, o rio “não espelha a mata distante”. “Agora é furor descendo em caixão. Agora é só água malvada e gritante, enchente a fartar côncavas do chão”.

Rio Cachoeira arrasta árvore com tronco partido || Foto Felippe Thomaz

Plínio de Almeida imprimiu certo sentido geográfico na descrição poética da cheia, como nos versos iniciais: “E as águas que vêm do lado Oeste e enchem, com raiva, o dorso do rio”. Ele introduz a narrativa lírica informando o curso do Cachoeira. No outro trecho citado, usou o termo côncavas, que são terrenos cercados de morros com uma só entrada natural, segundo o Dicionário Online de Português. Os dois exemplos não são coincidências. O autor foi membro do Conselho Nacional de Geografia.

DESEQUILÍBRIO EM ESCALA GLOBAL

Cezar Filho: tragédia baiana não foi obra da natureza

Para compreender os fatores que contribuíram para a devastação das enchentes de Natal, o PIMENTA também recorreu à geografia, com o auxílio do geógrafo Cezar Augusto Teixeira Falcão Filho, 37, mestre em Sistemas Aquáticos Tropicais pela Uesc (Universidade Estadual de Santa Cruz) e doutorando em Geologia pela Ufba.

O volume das chuvas  na Bahia em dezembro passado foi o maior do planeta, conforme levantamento da MetSul Meteorologia (relembre). A meteorologia chama o fenômeno de Zona de Convergência do Atlântico Sul (ZCAS), intensificado pelos efeitos de La Niña – que resfriou as temperaturas na América Latina –  e pelo aquecimento global.

Nuvens carregadas, que saíram do Norte do Brasil em direção ao Sudeste, chocaram-se com frentes frias sobre o território baiano, onde permaneceram por mais de três semanas e causaram tempestades intensas e duradouras.

A ação humana, em escala planetária, contribui para que eventos climáticos extremos, como o da tragédia baiana, tornem-se mais frequentes, diz o geógrafo. Segundo ele, desde o século 18, com a revolução industrial, quantidade significativa de substâncias químicas, a exemplo de dióxido de carbono, enxofre e outros gases, passou a ser lançada na atmosfera em volume crescente.

Esses gases integram a composição natural da atmosfera e fazem com que o planeta retenha calor da energia solar. Esse filtro foi determinante para o surgimento das condições de vida na Terra. No entanto, lançados em grande quantidade no ambiente, os gases produzem o famigerado efeito estufa, retendo mais calor na superfície terrestre.

O aquecimento global é um dos efeitos das mudanças climáticas, ressalta Cezar Filho. A temperatura mais elevada intensifica a dinâmica de refrigeração do planeta, acelerando a circulação das correntes oceânicas, pois os oceanos funcionam como reguladores térmicos do planeta.  “A Terra está brilhando menos. Antes, ela refletia mais luz para o espaço. Agora, está absorvendo mais calor. Então, precisa equilibrar toda essa temperatura”.

“NÃO É NATURAL”

Enquanto as chuvas torrenciais manifestam o movimento de reequilíbrio da temperatura do planeta, as enchentes que devastaram dezenas de cidades baianas foram favorecidas pelas formas de uso e ocupação do solo, alerta o geógrafo. A pressão das cidades sobre os leitos dos rios é traço histórico da expansão urbana brasileira, relembra, recorrendo ao exemplo do Rio Cachoeira para ilustrar seu raciocínio.

Cezar Filho esclarece que um rio não é influenciado apenas pelo que acontece nas suas imediações, como nas matas ciliares, mas em toda área da sua bacia hidrográfica, ou seja, a região da superfície terrestre que faz com que as águas da chuva convirjam num único trajeto – o próprio rio.

O Cachoeira nasce em Itapé, no sul da Bahia, no encontro dos rios Colônia e Salgado. Considerando os três corpos d’água, a bacia abrange 12 municípios da região.

A maior parte da cobertura florestal dessa área foi substituída por pastagens, enfatiza o geógrafo. “O que acontece? Quando a chuva se manifesta como processo natural, ela não encontra uma barreira que existia antes, a floresta que a amortecia. A água cai e impacta o solo diretamente, causando erosão, lixiviação e escoamento superficial, com muito mais velocidade”.

O mesmo desmatamento que favorece as enxurradas dos dias chuvosos, por dificultar a penetração da água no solo, contribui para a redução drástica dos níveis dos rios em períodos de estiagem, como o do verão de 2015/2016. “É estranho você observar uma bacia hidrográfica totalmente inserida no bioma da Mata Atlântica fazer com que Itabuna passe quase três meses sem água. Não sei se você lembra disso, que Itabuna ficou três meses sem abastecimento de água por causa de uma seca”, recorda o geógrafo.

A descrição é a de caso típico de desequilíbrio ecológico causado pelo desmatamento em larga escala. “O comportamento do rio numa bacia não florestada como a do Cachoeira é essa alta produção de água num curto espaço de tempo. Você tem uma chuva que não penetra nas camadas do solo. Ela escoa, faz com que o rio apresente uma cheia abrupta, com grande produção de água, que não é natural”.

Segundo o cientista, numa bacia hidrográfica onde a cobertura vegetal é conservada, o normal é a manutenção de baixas variações do nível do rio, com água correndo de modo perene, pois o lençol freático é reabastecido continuamente. “A floresta mantém a água no ambiente”. Sem a mata, uma chuva intensa e duradoura tende a elevar as águas do rio rapidamente. A tempestade perfeita eclode violenta na zona urbana, onde a ocupação do solo é moldada para a impermeabilidade.

Parte da comunidade científica, segundo Cezar Falcão Filho, entende que os processos de retroalimentação das mudanças climáticas, com o aumento do nível dos oceanos e da temperatura média da Terra, atingiram ponto sem volta. “O que a gente pode fazer agora é buscar formas de planejar como vamos nos adaptar às mudanças, porque é um processo que não pode mais ser revertido. Já passamos do ponto de ruptura, digamos assim”.

ADAPTAÇÃO

É necessário retirar moradias do leito do rio, afirma geógrafo || Foto Felippe Thomaz

O geógrafo aponta duas frentes de ação contra novas tragédias socioambientais na bacia do Cachoeira. A curto prazo, é necessário remover moradias construídas nas áreas de expansão do leito do rio em períodos chuvosos. “O rio tem a calha normal, onde a vazão média corre, mas você tem outro trecho que o rio acessa na cheia. Você tem que retirar as pessoas dessas áreas, para que não morram. Você precisa de um planejamento urbano adaptado a esses problemas, que vão ficar mais recorrentes. A primeira coisa é isso, porque o primeiro valor é a vida – a gente só tem uma, perdeu, já era!”.

Nos últimos dois meses, 26 pessoas morreram em decorrência dos efeitos das chuvas na Bahia.

A ação de longo prazo consiste no reflorestamento da bacia do Rio Cachoeira, afirma Cezar. Esse é o meio de regular as variações de cheias e secas do rio, evitando enchentes violentas e períodos de escassez hídrica – em uma palavra, equilíbrio. Segundo o geógrafo, trata-se de plano a ser executado e monitorado por, pelo menos, três décadas.

Segundo os versos finais da poesia de Plínio de Almeida, depois que o tempo melhorar e o sol esplandecer, “o Rio Cachoeira, descendo do Oeste, de novo terá seu manso correr, de novo será espelho da mata”. De algum modo, o desafio de reflorestar a bacia do Cachoeira atualiza o sentido da poesia que leva o nome do rio, porque não há espelho d’água capaz de refletir mata que já se foi.

Idosas foram resgatadas com quadro grave de insuficiência respiratória
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Idosas de 98, 90, 84 e 74 anos precisaram do auxílio do Grupamento Aéreo da Polícia Militar (Graer) para receber atendimento médico no primeiro dia de 2022 (sábado). Moradoras de Itabuna, um dos municípios prejudicados com as fortes chuvas nas últimas semanas, as quatro apresentaram insuficiência respiratória devido a síndrome gripal e foram resgatadas pela equipe do helicóptero Guardião 1.

Dois voos foram necessários para o deslocamento do grupo até um hospital. Um médico do Serviço de Atendimento Médico de Urgência (Samu) fez um dos voos de resgate.

As equipes do Graer continuam em atuação no sul, extremo-sul e Vale do Jiquiriçá. Além de salvamentos, as aeronaves são usadas na distribuição de doações e no monitoramento de regiões atingidas.

Defesa Civil vistoria imóveis atingidos pelas enchentes em Itacaré || Foto Divulgação
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O nível do Rio de Contas começou a baixar e aos poucos os moradores do distrito de Taboquinhas, em Itacaré, e das regiões ribeirinhas começaram a limpar as casas, avaliar os prejuízos e retomar à vida normal. Para evitar novos acidentes e desabamentos, equipes da Defesa Civil de Itacaré estão indo até a cada uma das residências atingidas pelas enchentes para avaliar a estrutura dos imóveis e identificar se oferecem riscos para os moradores. Só depois os imóveis estão sendo liberados para o retorno das famílias.

Apesar das chuvas terem diminuído e o nível do rio ter baixado, o prefeito de Itacaré, Antônio de Anízio, adiantou que o município permanece em estado de alerta e em caso de riscos devem entrar em contato com a Defesa Civil. Antônio de Anízio adiantou que o trabalho vai continuar até que todos sejam assistidos e permaneçam em locais seguros. As equipes permanecem de plantão garantindo todo o atendimento e acolhimento.

Paralelamente a todo esse trabalho de acompanhamento e assistência, a Prefeitura de Itacaré também está realizando a campanha de arrecadação de alimentos, vestimentas adulto e infantil, roupas de cama e toalhas, além de produtos de higiene pessoal. O objetivo é juntar toda a comunidade nesse gesto de solidariedade para ajudar aos que mais precisam nesse momento. As doações podem ser entregues na sede da Secretaria de Desenvolvimento Social, que fica ao lado do Clube Pirajá, no centro da cidade, e também na Secretaria de Comunicação, no distrito de Taboquinhas.

Durante enchente, moradores da Rua da Palha buscaram abrigo no Parque de Exposições || Foto G1/Reprodução
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O Parque de Exposições Antônio Setenta foi o primeiro destino de 82 famílias obrigadas a deixar a Rua da Palha por causa da enchente do Rio Cachoeira, em pleno Natal (25). A situação calamitosa de Itabuna ganhou contorno ainda mais dramático com a notícia de que 242 pessoas estavam nas baias do parque.

Ontem (30), o prefeito Augusto Castro (PSD) foi ao local para informar aos desabrigados que a Universidade Federal do Sul da Bahia (UFSB) ofereceu salas de aula para acolhê-los.

Segundo a Prefeitura, a princípio, a mudança enfrentou resistência, mas o prefeito convenceu os reticentes. Augusto apelou para que as famílias deixassem o parque, pois a Universidade oferece melhores condições de alojamento.

Antes de seguir para a UFSB, adolescentes acima de 12 anos receberam as vacinas contra Hepatite A, Influenza (gripe), tétano e covid-19.

O prefeito acrescentou que as 82 famílias serão cadastradas no programa do aluguel social.

Veículos podem ser recuperados, mas orçamento é indispensável || Foto CElétrico
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A pergunta frequente é: Carro atingido por enchente tem conserto?

A resposta é sim.

O problema é saber se compensa fazer o reparo. E isso é uma situação complexa. Mas vamos às situações.

Um carro que entrou água apenas no assoalho. Nesse caso, devem ser retirados bancos e carpetes. Depois, fazer a secagem do lastro. O carpete deve ser posto ao sol. Com o auxílio de um borrifador, deve ser aplicado álcool isopropílico, que tem a função de matar bactérias e não deixar proliferar fungos e mofo.

O veículo que ficou submerso do painel para cima deve ser retirado o cabo positivo da bateria e ser rebocado até uma oficina de sua confiança, pois, nesse caso, ele pode ter pane elétrica se ligado antes. Precisará de higienização em estúdio especializado. Pela quantidade de água citada, há uma grande probabilidade de ocorrer um calço hidráulico. A pane trata-se de um curto circuito, e o último se trata de entrada de água pelo escapamento, que fica alojada no motor, causando danos aos componentes internos do bloco (pistões, camisas, anéis de seguimento etc).

Uma dica muito importante: é preciso verificar se o filtro de ar do motor está molhado. Caso esteja, não tente ligar o carro em hipótese alguma.

A água que entra no motor pode ser retirada pelo mecânico. Esse trabalho demanda bastante tempo, pois será necessário “enxugar” muitas peças, substituir filtros, óleo e cabos de vela.

Por fim, para saber se compensa consertar tudo, depende do quão tecnológico é o seu carro e quanto será o valor do reparo tanto do motor como, também, da parte elétrica. Por isso, é necessário fazer um orçamento. E, claro, aplicar o famoso “Seu bolso, seu guia”.

Ícaro Mota é consultor automotivo. A coluna é publicada às sextas-feiras.