Canavieiras em mais um registro de enchente na Capital do Caranguejo || Foto Walmir Rosário
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Apesar do rigor que o caso requeria, com pose de autoridade e boxeador, Valdemar Broxinha foi logo apresentando a solução: “A doutora tem que chamar o prefeito às falas, pois essa não é a maneira correta de tratar uma autoridade como Vossa Excelência, ainda mais não pagando as contas devidas”.

 

Walmir Rosário

Já diziam os mais antigos que é impossível lutar contra as coisas divinas, ou da natureza, como queiram. E a cada dia os sinais que recebemos ficam mais visíveis, reais. Somente não vê quem não quer. Mas, ousado como sempre fui, acrescento aqui que o tal do homem contribui bastante para acentuar as catástrofes que nos importunam a cada dia que passamos nesta terra.

Não podemos – nem devemos – desconhecer que usamos a ciência para desenvolver nossa vida, embora fechamos os olhos para em temas que não nos interessam, seja pelo alto custo financeiro, ou por puro descaso. O meio ambiente é o mais desprezado e nos atinge em cheio com as chuvas ou a falta delas. Se chove muito pedimos para parar, se a estiagem é prolongada rezamos para chover.

Desde a semana passada que os cientistas do tempo e clima nos alertavam para as fortes chuvas que se abateriam no sul da Bahia, recomendando cuidados especiais aos moradores ribeirinhos e praianos. E pergunto: fazer o quê? Não sair para pescar e evitar os fortes ventos e o mar revolto, ou não enfrentar as estradas para não dar de cara com as barreiras caídas, são simples precauções.

Mas não temos como evitar a força das águas enchendo e transbordando rios, derrubando casas nos morros, causando enormes prejuízos materiais, notadamente junto aos menos abastados financeiramente. Pior, ainda, são os danos morais sofridos por famílias inteiras ao ter que deixar suas casas e se abrigarem – coletivamente – em escolas, estádios de futebol, além de chorar a perda de seus familiares, mortos nos deslizamentos de terra.

Eu, pelo menos, não me sinto consolado com os anúncios dos governantes nas mídias, anunciando verbas a não acabar mais, para a reconstrução de estradas, moradias, construção de novas casas e tudo o mais que puderem prometer. Entra ano e sai ano, pasmem, os recursos não chegam, as obras não são construídas e aos moradores das encostas e baixios só restam rezar aos seus santos padroeiros para continuarem vivos.

Em Canavieiras não é diferente. Se não existem os morros e encostas, sobram rios e riachos em terras planas, muitas delas mais baixas que os cursos d’água e que formam grandes bacias. Quem mora nas redondezas não tem opção e só resta aguardar, pacientemente, as águas baixarem. Muitos deles, de forma inteligente, constroem suas casas no sistema palafita, para se livrarem de prejuízos maiores.

Não pensem os senhores que os prejudicados são apenas os ribeirinhos e moradores das encostas. Com o estrago feito pelas chuvas chega o desabastecimento de víveres, provocando o aumento nos preços, além do corte de outros serviços, a exemplo do fornecimento de energia elétrica, por conseguinte, de água. Pasmem! Quem mora ou morou em Canavieiras sabe muito bem os transtornos causados pela falta da eletricidade.

Neste domingo (23 de abril) à noite, enquanto orava em casa para que São Pedro desse uma trégua, fechando as torneiras celestiais, fomos surpreendidos pela escuridão. Se tínhamos água à vontade, ficamos desprovidos de energia elétrica. Um apagão geral em toda a cidade, nos privando do uso dos avanços da tecnologia, como a internet, o telefone, a televisão e o ar-condicionado. Isso até o dia seguinte.

Situações como essa me remete há muitos anos, quando era bastante comum a falta de energia elétrica em toda a Canavieiras. Por aqui se festejou bastante e até foi decretado feriado quando a Companhia Elétrica Rio de Contas (Cerc) trocou o velho motor pela energia da barragem do Rio de Contas. Foi um avanço e tanto, embora os transtornos continuaram, em escala menor, a bem da verdade. Pelo menos os os dissabores eram levados na gozação.

Veio a Coelba e a energia não resistia a uma pequena chuva por anos a fio. Desde os tempos em que a Cerc imperava as constantes falta de energia elétrica eram creditadas ao humor do chefe local, Valdemar Broxinha, o que não concordo. Penso eu que como Valdemar era implacável com o consumidor inadimplente, todas as culpas pelos apagões recaiam sobre ele, haja vista sua severidade no trato administrativo.

Na Confraria d’O Berimbau, local em que Valdemar Broxinha gozava de largo prestígio, principalmente se chegasse com o violão, era sobejamente comentada as suas peripécias com um influente político mandatário baiano. Os comentários versavam que assim que chegava o avião com a autoridade, ele providenciava um apagão, somente para alimentar os pernilongos com o sangue “azul” do executivo.

De outra feita, ao ser transferido para a vizinha cidade de Itapebi, se encontrava em pleno lazer no clube social, quando foi procurado por um serventuário da justiça, com um chamado urgente. O motivo era simplesmente porque a juíza da comarca se encontrava às escuras, com a energia de sua residência cortada por falta de pagamento. E a culpa não era da magistrada, mas da prefeitura, dona do imóvel, que não pagou a conta da energia.

Apesar do rigor que o caso requeria, com pose de autoridade e boxeador, Valdemar Broxinha foi logo apresentando a solução: “A doutora tem que chamar o prefeito às falas, pois essa não é a maneira correta de tratar uma autoridade como Vossa Excelência, ainda mais não pagando as contas devidas”. E se despediu garantindo que, no dia seguinte, assim que a conta fosse paga,a ligação elétrica seria imediatamente restabelecida.

Valdemar Broxinha sempre foi um homem de palavra. Sofríamos, é verdade, mas era divertido.

Walmir Rosário é radialista, jornalista e advogado.

Alto do Socorro, em Ilhéus, foi das regiões mais afetadas || Foto Ilhéus24h
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A Defesa Civil Nacional aprovou o repasse de R$ 3,9 milhões para assistência humanitária nos municípios de Santa Cruz Cabrália e Ilhéus, atingidos por chuvas intensas, no último feriado de Tiradentes.

O maior valor, R$ 2,32 milhões, foi aprovado para Santa Cruz Cabrália, que teve mais de 5 mil pessoas atingidas pelas chuvas, entre desalojados e desabrigados. Ilhéus terá repasse de R$ 1,59 milhão.

De acordo com o Ministério da Integração e Desenvolvimento Regional (MIDR), os valores serão repassados em breve. A pasta a qual a Defesa Civil Nacional é subordinada explica que o montante para cada município leva em consideração os valores solicitados pelas prefeituras nos planos de trabalho enviados ao MIDR.

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Enchente desabrigou mais de 5 mil pessoas em Santa Cruz Cabrália e destruiu ponte
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Hoje (26), o Ministério da Integração e do Desenvolvimento Regional (MIDR), por meio da Defesa Civil Nacional, reconheceu a situação de emergência em Ilhéus, na região sul, e Santa Cruz Cabrália, no extremo-sul da Bahia. Com a medida, os dois municípios estão aptos a solicitar recursos federais para assistência à população atingida, restabelecimento de serviços essenciais e, em um segundo momento, reconstrução de infraestrutura e moradias atingidas pelo desastre.

Desde sábado (22), integrantes do Grupo de Apoio a Desastres (Gade) estão na Bahia para dar apoio a equipes municipais de defesa civil e também às prefeituras. Na última segunda-feira (24), o ministro da Integração e do Desenvolvimento Regional, Waldez Góes, sobrevoou áreas afetadas nas cidades de Itabuna e Santa Cruz Cabrália.

A presença do Gade na Bahia busca avaliar as necessidades de cada município e ajudar os agentes locais na solicitação de reconhecimento federal de situação de emergência e na elaboração dos planos de trabalho necessários para liberação de recursos.

CABRÁLIA E PORTO SEGURO

Nesta quarta-feira, a equipe de engenharia da Defesa Civil Nacional a Santa Cruz Cabrália e a Porto Seguro para fazer o mapeamento, com drones, de áreas de riscos nas duas cidades.

Na segunda-feira, o ministro Waldez Góes, titular do MIDR, esteve em Itabuna, onde assinou ordem de serviço de R$ 82,9 milhões para a construção de moradias para 696 famílias que perderam suas casas devido às fortes chuvas que atingiram a região no fim do ano passado ou que vivem em área de risco de inundações. Os recursos também contemplam a instalação de dois parques lineares às margens do Rio Cachoeira.

Chesf é acusada de cometer erros que causaram desastre no sudoeste e sul da Bahia || Foto PMJ
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O Tribunal de Justiça da Bahia (TJ-BA) determinou à Companhia Hidrelétrica do São Francisco (Chesf) a apresentação imediata de planos de segurança, de contingência e de recuperação das áreas afetadas pelo desastre decorrente das falhas na administração da Barragem da Pedra, na região do Município de Jequié. A ação foi movida pela Procuradoria-Geral do Estado da Bahia (PGE-BA) no Plantão Judiciário do Tribunal de Justiça do Estado da Bahia (TJBA), no último dia 30 de dezembro.

Na ação, a PGE atribuiu – e a justiça reconheceu – a responsabilidade da Chesf no descontrole da vazão da barragem, o que provocou inundações em cadeia, com graves consequências no meio ambiente e na vida da população.

A PGE-BA também requereu a imediata prestação de auxílio emergencial e a constituição de um fundo não inferior a R$ 100 milhões, como forma de garantir a responsabilidade integral da Chesf pelos danos socioambientais e às pessoas afetadas pelo desastre. “Estes pedidos serão apreciados a partir do dia 6 de janeiro de 2023, quando se encerra o Plantão Judiciário”, informa a Procuradoria-Geral.

Apesar da reconhecida responsabilidade pelos fatos ocorridos, e de ter plena ciência sobre a ação judicial, a Chesf não adotou qualquer providência para mitigar ou reparar os danos.

ENTENDA O CASO

O Rio de Contas registrou uma das maiores cheias de sua história em 26 de dezembro de 2022. De acordo com a Chesf, o reservatório da Usina Hidroelétrica da Pedra, localizada em Jequié, teve afluência média de 3.100 metros cúbicos por segundo em 25 de dezembro.

Em três dias, o volume útil saltou de 65% para 93%. Por causa disso, as comportas precisaram ser abertas para evitar o transbordo total do rio. O procedimento, no entanto, causou alagamentos. As cidades de Jequié e Ipiaú foram as mais afetadas.

Segundo os dados da Chesf, a defluência, ou seja, volume de água liberado pela hidrelétrica, saltou de 95 metros cúbicos por segundo no dia 22 de dezembro para 190 metros cúbicos por segundo no dia 23. Já no sábado (24), a defluência média foi de 700 para 1.850 metros cúbicos no domingo (25), com liberação superior a 2.000 m³/s em alguns momentos.

Fraldas estragadas na porta de estabelecimento inundado pelo Rio Jequiezinho, em Jequié || Foto PMJ
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Nesta quarta-feira (28), o Governo da Bahia informou que destinará R$ 100 milhões para financiamentos a empresários prejudicados pelas enchentes que colocaram 52 municípios baianos em situação de emergência. Projeto de lei enviado ontem (27) à Assembleia Legislativa do Estado (Alba) propõe que os recursos do crédito emergencial saiam do Fundo de Desenvolvimento Social e Econômico (Fundese).

O projeto também prevê que o montante de R$ 100 milhões poderá ser ampliado, se isso for necessário para atender o público-alvo da oferta de crédito.

Os empréstimos poderão ser pagos em até 48 meses, incluindo carência de até 12 meses para pagamento da primeira parcela, sem juros para os contratos de até R$ 150 mil e com taxa de 100% do CDI (Certificado de Depósito Interbancário) para os superiores. Serão exigidos estabelecimento de aval como modalidade de garantia e previsão de amortização em parcelas mensais ou trimestrais. Está prevista ainda a possibilidade de renegociação de débitos apenas para os beneficiários já contemplados, por terem sido atingidos pelas enchentes de 2021 e que tenham sido novamente vitimados pelas chuvas em 2022.

TARIFA SOCIAL DA EMBASA

O mesmo projeto de lei autoriza a Embasa a aplicar a tarifa social da conta de água, excepcionalmente neste mês de dezembro,  aos moradores, comerciantes e prestadores de serviços dos municípios baianos atingidos pelas enchentes.

Poderão ser beneficiários do programa os comerciantes e prestadores de serviços que reunirem cumulativamente as condições de residir ou ter sede dos comércios em município abrangido por situação de emergência ou de estado de calamidade pública; e ter o imóvel sido efetiva e diretamente atingido pelo desastre, mediante comprovação por documento oficial emitido pela Superintendência de Proteção e Defesa Civil do Estado, pelo Corpo de Bombeiros Militar da Bahia ou por órgão público competente do município.

Zé Cocá faz apelo à Desenbahia e ao governador diplomado Jerônimo Rodrigues
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O prefeito Zenildo Santana, Zé Cocá (PP), vistoriou, nesta terça-feira (27), áreas do centro comercial de Jequié atingidas pela cheia do Rio Jequiezinho. O nível da água baixou e revelou os estragos causados pela enchente. Segundo o prefeito, o cenário é de guerra.

Jequié é cenário de guerra, segundo prefeito || Foto PMJ

– Vários comerciantes perderam tudo. Nós fizemos um [avaliação do] impacto de R$ 100 milhões e vai ter muito, muito mais do que isso. É algo que nos deixa muito preocupados. Pessoas estão desesperadas, porque muitas têm boletos para pagar. Pessoas que fazem o giro [do caixa] hoje para movimentar amanhã – declarou o prefeito, após visitar a região da Central de Abastecimento Vicente Grilo (Ceavig).

A Prefeitura de Jequié estima que 4 mil comerciantes foram prejudicados. O prefeito afirmou que, para a maioria deles, só será possível se reerguer com acesso a crédito.

Mulher limpa estabelecimento devastado por enchente no Centro de Jequié || Foto PMJ

“Nós precisamos urgente do apoio da Desenbahia, para que a gente tenha financiamento a curto prazo, rápido, para essas pessoas. Tem pessoas aqui que só conseguem voltar a trabalhar com apoio financeiro”, disse Zé Cocá, citando a Agência de Fomento do Estado da Bahia, antes de também fazer apelo ao governador diplomado Jerônimo Rodrigues (PT), que visitou a cidade ontem (26).

A Desenbahia destinou R$ 90 milhões para programa especial de empréstimo aos comerciantes baianos afetados pelas chuvas do ano passado. O crédito emergencial tinha período de carência de 12 meses e foi parcelado em até 36 vezes, sem juros. Até o momento, a Agência não anunciou medida semelhante para o enfrentamento do problema atual.

Tonho de Anízio durante reunião virtual com Jerônimo Rodrigues e Adolfo Menezes
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O prefeito de Itacaré, Antônio Damasceno, Tonho de Anízio (PT), afirmou que os municípios prejudicados pela enchente do Rio de Contas vão mover ação judicial contra a Companhia Hidrelétrica do São Francisco (Chefs), responsável pelas barragens das usinas de Pedra e do Funil. Segundo o mandatário, a Companhia não tem plano de ação para orientar e auxiliar as prefeituras das cidades afetadas pelo aumento brusco da vazão das barragens, como ocorreu neste final de semana.

– A Chesf tem tido uma irresponsabilidade muito grande nessa questão das enchentes. Ela não tem um plano de contingência para auxiliar os municípios. As águas chegaram de forma imediata, pegando a todos de surpresa. É uma grande irresponsabilidade da Chesf. Nós, enquanto Consórcio do Território Litoral Sul, vamos entrar com uma ação judicial contra a Chesf, para poder haver o enquadramento legal – declarou Tonho de Anízio ao PIMENTA, nesta segunda-feira (26).

A pedido do site, o prefeito detalhou o objetivo do processo. “Vamos pedir pra sentar à mesa com a Chesf, porque até hoje não teve uma reunião [sobre o problema das enchentes]. Itacaré pediu, o Consórcio pediu, e eles não dão uma satisfação. Eles soltam a água na hora que acham que tem que liberar, sem preparar os municípios para receber esse volume”.

Com um plano de contingência, continuou o prefeito, a empresa teria condições de antecipar aos municípios informações determinantes para a evacuação segura das áreas de risco. “Imagine a correria que é para retirar moradores, abrigar, vê local, alimentação, colchão, cobertores, sem contar com os danos à infraestrutura dos municípios”.

O secretário de Meio Ambiente de Itacaré, Marcos Luedy, respaldou o posicionamento do prefeito. Segundo ele, só um plano de ação, estabelecendo procedimentos específicos para períodos de fortes chuvas, evitará que os municípios sejam obrigados a lidar com o problema no improviso.

Nesta segunda-feira (26), Tonho de Anízio participou de reunião virtual com o governador em exercício Adolfo Menezes (PSD) e o governador eleito Jerônimo Rodrigues (PT). Na conversa, segundo o prefeito, foi acertado que o Governo da Bahia enviará cestas básicas, colchões e cobertores para Itacaré. Até o final da tarde, o município tinha 50 famílias desabrigadas e desalojadas. “Graças a Deus, não tivemos óbito, mas a situação é delicada”, concluiu o prefeito.

O QUE DIZ A CHESF

O PIMENTA entrou em contato com a assessoria da Chesf para obter posicionamento da empresa sobre as declarações dos gestores de Itacaré. Em resposta, o site recebeu nota que não aborda as alegações, mas informa que a diminuição das chuvas permitiu que fosse iniciada a redução gradativa da vazão do Reservatório da Usina da Pedra do patamar de 2.400 m³/s para 1.800 m³/s, até nova reavaliação. Hoje, a barragem atingiu 90,65% de seu volume útil.

Ainda de acordo com a nota, o reservatório recebeu volume de água muito superior ao que foi liberado. “Caso não existisse a barragem, a vazão do rio poderia chegar a 4.500 m³/s. Assim, em virtude do armazenamento de água pelo reservatório, os impactos foram minimizados”.

No final do comunicado, a Companhia alega que a operação e manutenção do reservatório mantém todos os padrões de segurança e normas preestabelecidas.

Rio de Contas sobe e alcança estrada de acesso a Taboquinhas
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O aumento da vazão das barragens das usinas de Pedra e do Funil elevou o nível do Rio de Contas, que já inundou os municípios de Jequié e Ubaitaba e agora avança sobre Taboquinhas, na zona rural de Itacaré. Desde o início da tarde desta segunda-feira (26), as águas tomaram a BA-654, que dá acesso ao distrito itacareense.

Balsa de Taboquinhas foi parar no meio de rua alagada

O transbordamento do Rio de Contas também já inundou ruas de Taboquinhas e jogou a balsa do distrito no meio da rua. Barcos e canoas também foram lançados do rio sobre as via alagadas.

Prefeitura ajuda população a evacuar casas em áreas de risco

A Prefeitura e a Defesa Civil de Itacaré dão suporte às famílias para a evacuação das áreas de risco. Homens e caminhões ajudam a população a salvar móveis e outros pertences.

Embarcações lançadas pelo rio em rua de Taboquinhas

No distrito de Taboquinhas, as famílias desabrigadas recebem abrigo na Escola Municipal Padre Edgar. Já na sede de Itacaré a escola usada como abrigo é Maria Benjamina. A Defesa Civil de Itacaré disponibiliza os telefones 9 9916-0735 e 9 8151-2242, ambos com prefixo 73, para atender aos pedidos de socorro da população.

Segundo Kaique, nível do Cachoeira continua baixando || Imagens Instagram e Daniela Vieira
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A enchente do último final de semana reavivou a memória da devastação causada pela cheia do Rio Cachoeira no Natal de 2021. No sábado (3), as águas subiram quase 9 metros e avançaram sobre vias e casas de Itabuna. A cheia deste ano não teve a mesma força de destruição do evento do ano passado, segundo afirmação do coordenador da Defesa Civil, Kaique Brito, ao PIMENTA.

Em 2021, mais de mil moradores de Itabuna tiveram que deixar suas residências por causa da enchente e duas pessoas morreram. A cheia deste ano deixou 535 desabrigados, que foram acolhidos em escolas e outros espaços do município. Não há registro de feridos.

O Cachoeira, com nível elevado, no sábado (3) || Foto Pimenta

Além da enchente ter sido menor, as ações preventivas do município evitaram danos maiores, avalia Kaique Brito. “Desde que assumimos [a Defesa Civil], trabalhamos num plano de ação [para lidar com enchentes]. Por isso, os danos foram minimizados. Comparado ao ano passado, você não vê dor de cabeça nenhuma, praticamente. Todos os desabrigados conseguiram tirar suas coisas de suas casas, porque foram avisados antes. Os abrigos ficaram de sobreaviso e receberam essas pessoas. A gente não teve vítimas nem maiores sustos”.

O Rio Cachoeira está baixando desde sábado (3) e deve chegar próximo de seu nível normal até o fim da noite desta segunda-feira (5), estimou Kaique Brito. Há previsão de mais chuvas em Itabuna e nas cabeceiras do rio, mas o volume previsto não é preocupante, acrescentou.

Perguntamos ao coordenador da Defesa Civil se é possível afirmar que o pior já passou. “Pergunta difícil. Queria fazer curso de Deus para responder essas coisas, mas não consigo. Vamos lá. Esse evento do final de semana teve nota 8 [de gravidade], comparando com o do ano passado, que chegou a 10. Se esse for o pico de dezembro, a gente não vai ter problemas”, respondeu.

Confira vídeo que mostra como estava o Rio Cachoeira na manhã de hoje (5).

População desalojada recebe abrigo em escolas municipais
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A Prefeitura de Itabuna divulgou balanço dos impactos da cheia do Rio Cachoeira e seus afluentes. Ao menos 520 pessoas tiveram que deixar suas casas devido aos alagamentos ou ao risco iminente de inundações. A maioria está abrigada em escolas municipais.

De acordo com a Prefeitura, nas nove escolas usadas como abrigo, as vítimas da enchente recebem comida, materiais de higiene e acolhimento psicossocial. Também são vacinadas contra Covid-19 e examinadas por profissionais de saúde. A testagem de pessoas com sintomas respiratórios ajuda a isolar os doentes e diminui as chances de contágio.

O prefeito Augusto Castro (PSD) coordena a resposta do Governo à crise. Mais de 160 homens e 25 máquinas trabalham na desobstrução das redes pluviais e em outras frentes de mitigação dos impactos do temporal. A Fundação Marimbeta fornece pães, quentinhas e cachorros-quentes aos desalojados.

Segundo o coordenador local da Defesa Civil, Kaique Brito, nos últimos dias, o acumulado das chuvas em Itabuna chegou 245 milímetros, o que corresponde a uma média de 245 litros de água por metro quadrado.

O Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) e o Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden) preveem mais chuvas no município até terça-feira (6). Apesar da persistência da chuva, o nível do Rio Cachoeira começou a baixar no final da noite de ontem (veja aqui).

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Creuza já levava uma vida difícil antes da segunda maior enchente da história de Itabuna, ocorrida no Natal de 2021, destruir o pouco que tinha. “Vocês não fazem ideia do que enfrentamos, principalmente depois que as águas baixaram”, conta, agradecendo o auxílio financeiro de R$ 3 mil que recebeu nesta terça-feira (19), na Paróquia Santa Maria Madalena, no Nova Itabuna.

Ajuda emociona Dona Creuza

Creuza Vieira de Brito Souza, 67, pegou o cartão do benefício como quem se agarra à mão amiga num momento de desamparo. “Estou muito feliz, porque necessitava muito dessa ajuda”, resume.

A idosa é uma dos 380 itabunenses que vão receber o benefício assegurado pelos núcleos suíço e belgo da Cáritas, instituição ligada à Igreja Católica, e pela União Europeia. As doações também vão ajudar famílias de Minas Gerais.

Responsável pela distribuição dos cartões, a Cáritas Brasileira entregou os 100 primeiros aos beneficiários de Itabuna. A data da próxima entrega ainda será divulgada.

PROGRAMA MIRA FAMÍLIAS MAIS PREJUDICADAS, DIZ COORDENADORA

A coordenadora da Cáritas no Brasil, Valquíria Lima, explica que o Programa Resposta Emergencial foi criado para auxiliar as famílias que sofreram maiores perdas durante a tragédia socioambiental.

Ela diz que a ação complementa as iniciativas do poder público. “O que queremos é que mais famílias sejam atendidas, principalmente aquelas mais vulneráveis”. Somente em Itabuna, o valor global doado será de R$ 1.140.000,00.

O padre Tony Valério, da Paróquia Maria Madalena, disse que as doações são obras da providência divina. “Primeiro, tivemos a ajuda da Prefeitura. Agora, recebemos da Cáritas e da União Europeia. É com muita alegria que recebemos este apoio”, disse o sacerdote, fazendo referência ao Auxílio Recomeço, programa do governo municipal que doou R$ 3.000,00 a 3.500 famílias de Itabuna.

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A Organização AVSI Brasil destinou 52 kits para famílias prejudicadas pela enchente que atingiu Uruçuca em dezembro de 2021. Cada kit é composto por geladeira, fogão, colchão e cesta básica. A distribuição do material foi feita pela Secretaria Municipal de Assistência Social, a partir do cadastramento realizado pela Defesa Civil do município.

Desde dezembro do ano passado, Uruçuca recebeu ajuda de diversas entidades. “O que nos enche de alegria e esperança por dias ainda melhores. Em etapas, nossa comunidade vai se reconstruindo.”, celebra o prefeito Moacyr Leite Júnior (União Brasil).

Além de eletrodomésticos e cesta básica, kits incluem colchões

A AVSI Brasil é responsável pelo encaminhamento dos donativos às cidades mineiras e baianas afetadas pelas chuvas e enchentes do final do ano passado. A iniciativa tem apoio financeiro da Petrobras e da Fundação BB, ligada ao Banco do Brasil.

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A Cáritas Brasileira, instituição católica ligada à Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), vai entregar 300 cartões de auxílio financeiro, kits de limpeza e higiene infantil a famílias afetadas pelas enchentes de dezembro passado em Itabuna. A assessoria da Cáritas continua visitando os locais afetados e fazendo o cadastro de quem perdeu os bens no período das fortes chuvas.

Os cartões ainda não tem data para serem entregues, mas a distribuição deverá ocorrer nas paróquias de cada bairro da cidade. A ajuda humanitária é feita pela União Europeia, Cáritas Suíça e Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef Brasil) com o suporte das dioceses de Ilhéus, Itabuna e Teixeira de Freitas, na Bahia.

Assessora da organização católica, Ana Paula Latrilha informou que o levantamento já foi concluído nos bairros Nova Itabuna, Nova Ferradas, Ferradas e Jaçanã. “Entre os critérios para receber ajuda humanitária estão ter perdido a casa na enchente, em vulnerabilidade social, morar de aluguel ou desempregado”, explicou.

Ana Paula disse que a equipe é formada por quatro pessoas que atendem Itabuna, Ilhéus e Itajuípe. “Em Ilhéus, damos suporte a famílias do Salobrinho, Vila Cachoeira e Banco da Vitória, onde os cartões do benefício já foram entregues”.

Em dezembro de 2021, chuva atingiu milhares de empresas no sul e extremo-sul da Bahia || Foto Pimenta/Arquivo
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O governador Rui Costa (PT) liberou novo aporte de R$ 40 milhões na Desenbahia para atender empresas de 57 municípios baianos atingidos pelas enchentes. O crédito emergencial começou a ser liberado no final de dezembro.

Segundo a agência de fomento, o crédito é liberado a comerciantes e prestadores de serviços atingidos pelas fortes chuvas que ocorreram nas regiões sul e extremo-sul do estado.

Como resultado já alcançado, até 17 de fevereiro, haviam sido aprovadas propostas de financiamento no montante de aproximadamente R$ 17 milhões. No total, mais de três mil empreendedores manifestaram interesse pelo crédito disponibilizado pelo Governo do Estado, via Agência de Fomento.

FORÇA-TAREFA

Devido à forte demanda de crédito, segundo a agência de fomento, uma força-tarefa na Desenbahia, em Salvador, foi constituída para triagem das propostas, verificação de cadastros, confecção de contratos e demais procedimentos visando agilizar a liberação do crédito. O Corpo de Bombeiros vem contribuindo com a agência na validação das ocorrências relatadas pelos empresários.

“Todas as solicitações de financiamento estão sendo analisadas e os empresários estão recebendo retornos sobre suas demandas à medida que o trabalho avança”, informa a Desenbahia.

Famílias tiveram casas reformadas e outras receberam kits para o lar
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Uma das denominações religiosas mais atuantes do interior da Bahia, a Igreja Batista Teosópolis de Itabuna (IBT) já havia feito a diferença durante a enchente de dezembro, quando reuniu voluntários e fez e entregou mais de 17 mil refeições a desabrigados e desalojados no município sul-baiano. A ação foi reforçada com a doação de kits para o lar e 1.000 cestas básicas.

De acordo com o pastor Geraldo Meireles, da IBT, os beneficiados são moradores dos bairros Mangabinha, Banco Raso, Maria Matos (Rua de Palha), Urbis 4 , Campo Formoso, Sarinha e imediações e Vila Zara. A entrega foi feita pela Ação Social da Igreja, que fez uma busca para verificação das necessidades dos desabrigados. No Gogó da Ema, comunidade carente de Itabuna, foram entregues 396 cestas básicas.

Das cestas básicas, 700 foram doadas por uma associação de lojistas de Petrolina e pela sociedade civil organizada do município pernambucano. As demais 300 cestas básicas foram doadas pela ONG Paz para as Nações. Os alimentos foram enviados especialmente para socorrer as vítimas das enchentes de Itabuna, e escolheram a IBT como instituição para fazer a entrega.

KITS PARA O LAR

Também serão entregues 10 geladeiras, 20 fogões com botijões, 30 camas-box de casal com jogos de cama, 70 vales-gás que dão direito a um botijão cheio e produtos de higiene pessoal e limpeza, além de roupas e calçados. Os produtos foram adquiridos via doações da comunidade pelo PIX da Ação Social da Igreja.

Servidor público federal, Gilson Pinheiro informou que os valores doados foram investidos na aquisição de alimentos, móveis e reforma de casas em vários bairros da cidade. “Todo o recurso recebido está sendo destinado ao seu fim, que é atender aos desabrigados e pessoas em vulnerabilidade social”, ressaltou Pinheiro, que há 14 anos comanda o Ministério da Ação Social da Igreja Batista Teosópolis.

Berenaldo Neto Silva, morador do Maria Matos (Rua de Palha), um dos bairros mais atingidos pelas chuvas, agradeceu a doação. “Eu e minha família e amigos da comunidade da Rua de Palha agradecemos ao pastor Geraldo Meireles, a Ansielmo, a Nivaldo e a Gilson Pinheiro pelo acolhimento e o gesto de humanidade e também a atitude solidária de todos aqueles que doaram”, disse ele.

PROJETO MORAR MELHOR

O pastor Geraldo Meireles comentou que, nesta etapa, a da reconstrução, a Igreja vem trabalhando também o projeto Morar Melhor, que consiste na reforma de imóveis. No total seis casas foram reformadas entregues aos moradores, sendo cinco na Mangabinha e uma na Urbis IV.

“É nossa missão ajudar as pessoas, principalmente aquelas que mais precisam”, disse Meireles. “Procuramos nada tirar do poder público, mas ajudar sempre, como fizemos cedendo um imóvel da Igreja para o funcionamento provisório da Unidade de Saúde do bairro Conceição, através de cessão não onerosa, enquanto a Unidade passava por reformas”, completou o pastor presidente da IBT.