Paloma Amado, Elisa Oliveira e Bela Gil durante conversa na Flicacau || Foto Márcio Araújo/Divulgação
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A escritora Paloma Jorge Amado e a nutricionista e chef de cozinha Bela Gil participaram, neste sábado (29), da roda de conversa Narrativas de uma cozinha afetiva, com mediação da professora, escritora e filósofa Elisa Oliveira. O bate-papo foi um dos pontos altos da Festa Literária da Região Cacaueira (Flicacau), que ocupou por três dias o Centro de Cultura Adonias Filho, em Itabuna.

Filha de Jorge Amado (1912-2001), mestre da literatura universal, Paloma tem dois livros dedicados às comidas que aparecem nas obras do pai: A comida baiana de Jorge Amado (1994) e As frutas de Jorge Amado (1997). Neles, além de compilar receitas, discutiu o papel dos alimentos na prosa amadiana. “Jorge Amado fez seus personagens comerem a melhor comida, a comida com mais saudade, ou, nos casos de tristeza profunda, a falta da comida e o não comer”, disse a autora.

O mestre itabunense, segundo a filha, sempre dizia que a melhor forma de expressar o amor é dar de comer. “É a expressão primária do amor. Você pega seu bebê no colo, leva ao peito e dá de comer. Começam daí as nossas boas memórias do paladar”, disse Paloma.

MEMÓRIAS COMUNS

A conversa permitiu que Paloma Amado e Bela Gil descobrissem que têm mais comum do que imaginavam. Além de filhas de dois dos maiores artistas que já pisaram na Terra, ambas descendem de avós maternas de origem italiana.

“Descobri que temos uma similaridade em relação à ancestralidade, que é essa mistura da Bahia com a Itália”, disse Bela. “Também cresci numa casa com muita comida baiana, de candomblé e muita comida italiana, que minha avó fazia bastante. A macarronada do domingo e o capelete do final de ano se misturavam ali no acarajé, vatapá, caruru”, complementou.

Também descobriram que têm em comum a paixão por pitanga. “É minha fruta preferida da vida”, revelou Bela Gil. Paloma contou que, em visita recente à Casa do Rio Vermelho, em Salvador, onde morou com os pais, pediu que a administração do espaço – hoje um museu – plantasse pés de pitanga na área verde do imóvel. Disse que as memórias comendo a fruta colhida na hora é uma das melhores da vida.

Trio conversou sobre memórias afetivas ligadas à alimentação || Foto Márcio Araújo/Divulgação

Bela Gil aproveitou o exemplo da fruta preferida para falar sobre a importância da conservação e transmissão de saberes ligados aos alimentos e modos de preparo. Segundo a pesquisadora, a pitanga está sumindo e corre risco de extinção. Também citou relatos nostálgicos sobre comidas que fizeram parte da vida das pessoas, mas desapareceram do cotidiano delas:

– Se a gente não consumir esses alimentos – ou não compartilhar esses saberes – eles vão se perder. A minha fala é um convite a pensar sobre alimentos, preparos e saberes que a gente quer preservar, passar para frente e recuperar. Digo isso porque a minha fruta predileta da vida é pitanga. Só que pitanga está em risco de extinção.

CHOCOLATE NA PRISÃO

Registro de Jorge e Gil comendo juntos || Foto Acervo dos Gil

A relação de Gilberto Gil com a alimentação macrobiótica começou em 1968, quando foi preso pela ditadura empresarial-militar, contou Bela Gil. Na cela, em um endereço do Exército na cidade do Rio de Janeiro, leu publicação sobre a dieta que fazia a cabeça de John Lennon (1940-1980) e Yoko Ono. O músico baiano se aprofundou no assunto e, ainda na cadeia, passou a priorizar alimentos como frutas, grãos integrais e leguminosas.

Bela afirma que a macrobiótica mudou a vida do pai, o que também viria a influenciar as escolhas dela na própria vida e na gastronomia. Nesse momento, Paloma Amado fez um aparte:

– Fui visitar o Gil na prisão levando dois livros e chocolates que papai mandou para seu pai. Eu acho que, mesmo entrando na dieta macrobiótica, ele comeu o chocolate.

– Isso eu posso afirmar porque, mesmo nas épocas mais radicais de macrobiótica, ele nunca largou o chocolate da mesinha de cabeceira. E eu peguei esse hábito, ou vício, porque sou uma chocólatra assumida – confessou Bela Gil.

QUEM FAZ

Com o tema Verde que te quero livro: contando a história da mata que nos sustenta, a Flicacau teve patrocínio do Governo do Estado da Bahia. É contemplada também pelo Projeto Bahia Literária, iniciativa da Secretaria Estadual de Educação (SEC) e da Fundação Pedro Calmon (FPC), unidade vinculada à Secretaria de Cultura (SecultBA). Contou com o apoio da Prefeitura de Itabuna, por meio da Secretaria Municipal da Educação e da Fundação Itabunense de Cultura e Cidadania (Ficc). A Seneh Comunicação & Projetos foi responsável pela concepção e execução da Festa.

Porto Seguro está entre os destinos mais procurados por turistas estrangeiros neste ano || Foto Divulgação
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O desembarque de turistas estrangeiros na Bahia cresceu 58% nos primeiros nove meses deste ano, em relação ao mesmo período de 2024, quando 94.703 pessoas visitaram o estado de Dorival Caymmi, Jorge Amado, Caetano Veloso, Carybé, Gilberto Gil e tantos outros gigantes da cultura brasileira. Entre janeiro e setembro, a Bahia recebeu 149.648 visitantes de fora do Brasil.

Somente no mês passado, a Bahia recebeu 15.940 turistas internacionais, 29,6% a mais que em setembro de 2024, quando este número foi de 12.297. Os dados são da Embratur, do Ministério do Turismo (MTur) e da Polícia Federal (PF).

Os dados mostram que a Argentina liderou o ranking dos principais emissores de turistas internacionais para a Bahia de janeiro a setembro deste ano, com 68.130 chegadas, 69,30% a mais que no mesmo período de 2024. Em segundo lugar, Portugal registou 15.366 desembarques, cerca de 50,37% de aumento.

Na terceira posição, o Uruguai enviou 13.547 viajantes ao estado, um aumento de 23,96%. A França, na sequência, teve o maior aumento percentual, com 11.465 entradas, valor 216% maior que o mesmo período anterior. Em quinto lugar, a Itália teve 9,5 mil entradas, 48,93% a mais que o registrado entre janeiro e setembro do ano passado.

Para o secretário de Turismo do Estado (Setur-BA), Maurício Bacelar, a Bahia conquista mais um novo marco na atração de turistas estrangeiros, performance que tem sido contínua. “É o resultado do esforço do Governo do Estado em ações estruturantes, qualificação dos serviços, promoção e ampliação da malha aérea. Temos indicativos de que iremos seguir em rota de crescimento, também no próximo verão, com a ampliação das frequências de voos internacionais e a retomada da rota do Panamá”, avaliou.

Preta Gil faleceu no último domingo (20), nos Estados Unidos || Reprodução Instagram
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E Drão foi a música escolhida para a despedida musical de pai e filha no palco, emocionando a todos nós. É duro ver o velho mestre nessa dura caminhada, sabendo que vai levar essa dor pela vida afora. Mas a vida segue.

 

Afonso Dantas

Confesso que não acompanhava muito a carreira de Preta Gil, mas era impossível não ver as coisas que ela fazia, pela exposição de mídia que tinha. E, coisa difícil para quem é filha de uma super estrela, como Gilberto Gil, conseguiu brilhar muito também. E ocupou seu espaço.

E nesse espaço teve bloco no carnaval do Rio, fez música, shows, atuou como atriz e empoderou muitas mulheres pelo país, quebrando tabus, como a exposição do corpo fora dos padrões estabelecidos e também pelos discursos em defesa das minorias e da liberdade sexual. Com isso, ganhou seguidores, mas incomodou muita gente, pois quem brilha, incomoda, pois não é todo mundo que se acostuma com a luz.

Mas, ao contrário da carreira de Preta, sempre acompanhei com muito interesse a carreira de um dos maiores gênios da música de todos os tempos, Gilberto Gil. Conheço quase todas as suas músicas e admiro suas incursões por tantos gêneros musicais, como a MPB, o reggae, o funk (o verdadeiro), o rock e o reggae, sempre com muita qualidade e com sucessos que fazem parte de nossa vida.

Quem é da Bahia, de uma certa faixa etária e principalmente quem viveu em Salvador, considera Gil – e Caetano também – como uma espécie de parente que sempre esteve ali por perto e que nos representa. E mexer com qualquer um deles é como mexer com a gente. E quem acompanha Gil, acaba acompanhando sua grande e talentosa família. Seus filhos e netos que herdaram o talento do pai e avô. E mexer com eles, incomoda nosso Gil. E por isso também não gostamos que mexam com eles. Não venha não.

Mas por que falar de Gil, se quem se foi, foi Preta, sua filha? Natural. Por também ser pai de uma filha, que amo mais que tudo, estou sentindo a dor da perda do pai. A dor inimaginável e temida por todos os pais. A dor que já foi sentida por Gil em outra etapa da vida com a perda de Pedro, aos vinte anos, de forma trágica, porém rápida, em contraste com essa perda cheia de sofrimento, com a despedida devagar e extremamente dolorosa de sua filha Preta, aos cinquenta anos.

Gil é extremamente espiritualizado e acompanhamos aflitos como ele tentou preparar sua filha e sua família para a triste, mas inevitável despedida, dizendo para ela ir com calma, tranquilidade e sobretudo com fé, tentando conter uma dor que com certeza, explodia em seu coração de poeta, sempre mais sensível que os dos outros.

E a música Drão é bastante representativa sobre essa vida, essa relação de então amor dos pais de Preta, e essas dores, principalmente quando Gil fala que “os meninos são todos sãos” para Sandra, cujo apelido Drão batiza essa que é uma das músicas mais bonitas que já ouvi, mas que em outro momento da vida, alguns desses meninos já não se encontram mais entre eles, o que é uma dor terrível para os pais, pois contraria o caminho natural da vida.

E Drão foi a música escolhida para a despedida musical de pai e filha no palco, emocionando a todos nós. É duro ver o velho mestre nessa dura caminhada, sabendo que vai levar essa dor pela vida afora. Mas a vida segue. E o show tem que continuar. Força para Gil. E luz para Preta.

Afonso Dantas é publicitário, sócio e diretor de criação da Camará Comunicação Total, CEO da Lá ele! Camisas e Coisas, especialista em Gestão Cultural, membro da AGRAL, torcedor do Bahia e pai de Maria.

Publicado originalmente no Ipolítica.

Bolsonaro durante ato em Copacabana, no Rio de Janeiro || Reprodução Mídia Ninja/Instagram
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O que é esclarecedor e deve servir como reflexão nesse contexto político que estamos vivendo é que Nós Ainda Estamos Aqui. Eles também continuarão aqui.

 

José Cássio Varjão

No momento em que um punhado de pessoas, desprovidas de erudição, se aglomeram em determinados ambientes públicos para endossar as palavras e as ideias de mentes vazias e, às vezes, sem cognição, que pedem o “esquecimento”, por parte das autoridades, de crimes cometidos por tentativa de ruptura institucional, percebe-se explicitamente que, antes da particular liberdade de escolha de cada brasileiro, está plantada, por parte da elite branca, escravagista, antinacionalista e liberal/econômica, a semente do personalismo político, que teima desde 1930 em nos dividir entre nós e eles, o bem e o mal, de um lado qualquer um, e do outro quem tem nove dedos.

Quando incautas e desocupadas dezoito mil e trezentas testemunhas participam de um cortejo fúnebre, com a devida atenção dispensada ao defunto, e junto dele, seus asseclas, que não irão deixar nem o corpo do finado esfriar, para se apossar do seu espólio eleitoral, constata-se que continuaremos presenciando esse espetáculo dantesco. Ele dá engajamento, dá like e, principalmente, dá recortes distorcidos da realidade, como o da polícia de Claudio Castro, governador do Rio de Janeiro, que estimou essa bizarrice em quatrocentos mil presenciadores.

Os seguidores do irrefletido capitão são pessoas sem discernimento ou autonomia de escolha política, são os mesmos que votaram na UDN, na ARENA, em Fernando Collor, Fernando Henrique, votaram no PSDB, colocaram broche da Ucrânia na roupa, pediram voto impresso e auditável e ainda pedem intervencionismo militar. Nesse caso, por completa falta de entendimento do que foram os atos institucionais, principalmente o AI-5, ou um golpe, dentro do golpe.

Nesse panorama histórico atual, o filme Ainda Estou Aqui, extraído do livro autobiográfico de Marcelo Rubens Paiva, vencedor do Oscar de Melhor Filme Internacional, com mais de 5 milhões de expectadores e com arrecadação de mais de 200 milhões de reais em todo o mundo, não nos deixa esquecer do período cinzento da nossa história, que percorreu um continuum entre as agressões físicas e as prisões, os assassinatos e os desaparecimentos de cidadãos, que só cessaram com a malfadada Lei da Anistia, um acordo entre os poderosos, feito pelo andar de cima da sociedade, convencionado pelas oligarquias que sustentaram o regime, amparadas sob o guarda chuvas da ARENA, que deixou de punir os torturadores, os assassinos e os responsáveis pelos desaparecimentos, como o do ex-deputado Rubens Paiva.

A cultura do país resiste, Ainda Está Aqui, para lembrar que, das mentes brilhantes dos nossos artistas, saíram as vozes dissonantes contra o regime de exceção. Usando de metonímias e anáforas, para construir letras com duplos sentidos e metáforas, Chico Buarque, Adoniram Barbosa, Caetano Veloso, Gilberto Gil, João do Vale, Ney Matogrosso, entre outros, desafiavam a ditadura brincando com as palavras propositadamente incorretas. Adoniram Barbosa, em Tiro ao Álvaro, usou tauba, automóver, revórver e frechada, para desafiar os censores.

Chico Buarque, para também driblar a censura, criou um heterônimo para a solução do problema e ele se chamava Julinho da Adelaide. O personagem criado por Chico, supostamente, era um compositor de morro carioca que frequentava as páginas policiais. Julinho da Adelaide gravou duas músicas: Jorge Maravilha e Acorda Amor, e ficou tão famoso que, em 7 de setembro de 1974, o escritor Mário Prata (amigo de Chico) fez uma entrevista para o Jornal Última Hora. Os amigos, com o tempo, descobriram, mas os censores não. Os seguidores da turba são semelhantes, às vezes alguns deles não sabem nem o motivo pelo qual estão presentes no aglomerado de pessoas, o importante é estar de verde amarelo, gritar mito e rezar para pneus.

O jornalista Carlos Heitor Cony, imortal da Academia Brasileira de Letras – ABL, preso duas vezes, citava as dificuldades de convivência com a censura, antes e após o AI-5, com o fechamento total da ditadura. “A gente contava com dois fatores, um a favor e um contra. A favor era que os censores eram muito burros e não percebiam certas nuances. Por sua vez, por serem muito burros, às vezes, cismavam com coisas que não tinham nada demais e proibiam uma peça, um artigo ou uma música”.

Uma dessas vozes dissonantes, na plenitude dos seus 82 anos, fez um show apoteótico no Estádio Fonte Nova, em Salvador, no último sábado, dia 15.03.25. Na turnê de despedida da sua gloriosa carreira artística, chamada de Tempo Rei, mais de 40 mil empolgados fãs aproveitaram, por duas horas e trinta minutos, das músicas que marcaram a carreira de 60 anos de Gilberto Gil. Com direito a um estrondoso “Sem Anistia!”, Gil começou sua apresentação cantando Cálice e concluiu com Aquele Abraço.

Composta por Chico Buarque e Gilberto Gil, a música Cálice, lançada há 52 anos, em 1973, teve um impacto profundo e duradouro na MPB, se tornando um símbolo de resistência artística e política, fazendo um trocadilho com a expressão “cale-se”, uma clara referência ao silêncio imposto pelo regime. A letra, repleta de metáforas religiosas (como o cálice da Santa Ceia), criticava indiretamente a repressão e a violência do governo, driblando a censura de forma inteligente. A música se tornou um hino de relutância pacífica, inspirando outros artistas a usarem a arte como forma de protesto. A canção também é um exemplo da sofisticação poética da MPB, combinando elementos religiosos, políticos e sociais em uma letra densa e cheia de significados, sendo frequentemente relembrada em momentos de crise política no Brasil, mostrando que seu impacto transcende o período da ditadura.

Gilberto Gil e Caetano Veloso ficaram presos pela repressão, entre dezembro de 1968 e fevereiro de 1969, em Realengo, no Rio de Janeiro. Foram soltos numa Quarta-Feira de Cinzas com o objetivo, determinado pelos militares, de voltarem a Salvador, fazerem dois shows, para angariar fundos e saírem do Brasil para o exílio. Iriam para Londres. No avião, entre o Rio de Janeiro e Salvador, com um guardanapo e uma caneta na mão, a estrutura de Aquele Abraço saiu do imaginário artístico de Gil para entrar na história da MPB como um símbolo de resistência, de otimismo, de união, alegria e orgulho de ser baiano/carioca, afinal, a Bahia lhe deu “régua e compasso” para lutar contra as adversidades. Aquele Abraço era uma ode ao Rio de Janeiro, ao mencionar ícones culturais como o samba e a Portela, o futebol com o Flamengo (Gil é Fluminense, que tinha derrotado o Flamengo na final do Carioca de 1973), o Carnaval e a Banda de Ipanema, Chacrinha e sua Terezinha, sem se esquecer de Realengo. Aquele Abraço significava gesto passageiro, transitório. Gil sabia que iria voltar e que o regime iria acabar. É como se desejasse falar que Ainda Estaria Aqui, um dia, em breve.

Numa época em que os artistas reagiram à ditadura com a voz e um microfone nas mãos, o jornalismo fazia o mesmo, empunhando uma caneta, que a voz rouca do povo ecoava de dentro das cátedras das melhores universidades do país através de mentes brilhantes, percebemos, deste modo, o quanto somos lenientes nos dias atuais. Só quem não conhece a história pode se conformar com um país que não tenha o Ministério da Cultura, como no governo que essa turma quer trazer de volta.

O que nos move e o que nos faz seguir adiante, lutando contra as arbitrariedades que aconteceram há uns poucos anos no Brasil, é o legado de quem lutou contra um regime ditatorial e sanguinário, em síntese, quem de nós não gostaria de ter “caminhado contra o vento, sem lenço e sem documento?” ou não ter se encantado com as “Cardinales bonitas e a sensualidade de Bardot”, na letra de Caetano e Gil? Quem não gostaria de ser “apenas um rapaz latino-americano, sem dinheiro no banco e vindo do interior”, como Belchior foi? Quem não gostaria de ter “sonhado com a volta do irmão do Henfil, com tanta gente que partiu num rabo de foguete” ou “chorou com as Marias e Clarisses no solo do Brasil”, como Aldir Blanc e João Bosco escreveram e a grande Elis Regina eternizou com sua voz? Quem não quis “botar o bloco na rua, brincar e botar pra gemer” pulando de alegria com Sérgio Sampaio? Quem não “jurou mentiras e seguiu sozinho, assumindo seus pecados”, igual a Ney Matogrosso? Se “viver é melhor que sonhar”, e Belchior sabia “que o amor é uma coisa boa”, por que não sermos os embaixadores dessa mensagem? E não termos medo do “perigo na esquina”, até “porque eles já venceram e o sinal ficou fechado para nós”. Ainda bem “que somos jovens” e vamos seguir nossa luta, nossa caminhada contra o retrocesso que espreita sorrateiramente, cada passo dessa jornada.

O que é esclarecedor e deve servir como reflexão nesse contexto político que estamos vivendo é que Nós Ainda Estamos Aqui. Eles também continuarão aqui.

José Cássio Varjão é cientista político, MBA em Cooperação Internacional e Políticas Públicas; Administração Pública Municipal e Desenvolvimento Local; Administração Pública e Gestão de Cidades Inteligentes; Gestão de Negócios Inovadores e pós-Graduando FESPSP Repensando o Brasil: Sociologia, Política e História.

Caetano, Chico e Gil são agraciados com título da Uesc || Fotos Marcelo Hallit,, A.PAES / Shutterstock.com e Fernanda Barros
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O Conselho Universitário da Universidade Estadual de Santa Cruz (Consu/Uesc) aprovou, em sua 79ª reunião ordinária, a concessão dos títulos de Doutor Honoris Causa para Caetano Veloso, Chico Buarque de Holanda e Gilberto Gil.

O professor Alessandro Fernandes, reitor da Uesc, destaca que em abril, a Universidade comemora 50 anos de implantação do seu campus. “Nesta ocasião, faremos a cerimônia de entrega dos títulos honoríficos de Doutor Honoris Causa ao baterista Sabará, ao musico Kokó e ao memorialista José Nazal”.

Alessandro Fernandes explica que em 2023 a Universidade fez a opção de entregar o título a três personalidades regionais. “Mas nste ano estamos indicando três personalidades em nível nacional e internacional, mas com relações muito fortes com a nossa cultura”.

DEFENSORES DAS CAUSAS HUMANITÁRIAS

O professor afirma que as justificativas para concessão dos títulos está a importância dos laureados para sociedade brasileira, não apenas como dos cantores, compositores e escritores, mas também como defensores das diversas causas humanitárias, segundo o reitor

Os conselheiros também aprovaram a concessão dos títulos de Mérito Universitário para os servidores aposentados Edvaldo Pereira de Oliveira, Niraldo Alves da Silva e Senize Maria Correia Menezes Dócio. A honraria foi concedida em alusão ao destacado exercício de cada um em suas respectivas funções.

O jornalista Edvaldo Pereira de Oliveira foi responsável pela implantação da Assessoria de Comunicação da Uesc; Niraldo Alves da Silva, por quase três décadas atuou na área de gestão orçamento da instituição; e Senize Maria Correia Menezes Dócio, por mais de três décadas na área da gestão administrativa da Universidade.

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Bioquímica Sandra Santana, do laboratório de análises da Emasa: qualidade da água
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Na canção Tenho Sede, de autoria de Dominguinhos e Anastácia, imortalizada na voz do agora imortal Gilberto Gil, os autores, em forma de poesia, falam o quanto é importante a água e a relacionam a uma declaração de amor. Agora, você já se perguntou sobre o processo pelo qual a água passa até chegar à torneira de sua casa ou local de trabalho?

Em Itabuna, no sul da Bahia, a Empresa Municipal de Águas e Saneamento (Emasa) mantém trabalho diário de análise para assegurar excelente qualidade da água servida aos itabunenses.

Segundo a biomédica e bióloga Sandra Santana, responsável pelo controle da qualidade da água fornecida pela Emasa, são realizadas avaliações bacteriológicas e físico-químicas na água que chega aos lares e estabelecimentos da cidade.

“Todos os dias, são coletados em média de 15 a 25 amostras em pontos aleatórios da zona urbana. Aqui na Estação de Tratamento de Água (ETA), o material é analisado no laboratório, obedecendo ao que determina a Portaria nº 888, do Ministério da Saúde, que define os padrões de potabilidade de água para consumo humano”, explica a biomédica.

Água é coletada para análise em laboratório

Caso a amostra de água coletada apresente algum sinal de contaminação bacteriológica na análise, há uma contraprova, com uma nova coleta no mesmo ponto. “Se o resultado positivo prevalece na contraprova, é feito um apanhado em toda a rede para identificar o problema”, diz a profissional.

Além desse processo, a cada mês o Departamento de Vigilância Sanitária da Secretaria Municipal de Saúde e o Núcleo Regional de Saúde (NRS), da Secretaria de Saúde da Bahia (Sesab), fazem a análise da água tratada pela Emasa. Pela legislação, a empresa também é obrigada a cada semestre a realizar avaliação da qualidade da água em laboratório independente.

LIMPEZA DOS RESERVATÓRIOS

Para manter a qualidade da água fornecida pela Emasa, a limpeza periódica das caixas d’água das residências e estabelecimentos comerciais é essencial. “A cada seis meses é recomendada a limpeza pelos usuários dos reservatórios. Após uma boa faxina, deve-se adicionar um litro de água sanitária por 50 litros de água limpa e aplicar também nas paredes internas da caixa”, aconselha Sandra.

A higienização periódica dos reservatórios ajuda na eliminação das larvas do mosquito Aedes aegypti, transmissor de doenças virais como dengue, zika e chikungunya, além de contribuir para manter a qualidade da água fornecida pela Emasa.

Músico e ex-ministro da Cultura confirma intenção de ocupar cadeira da ABL
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O músico e ex-ministro da Cultura Gilberto Gil vai se candidatar a uma vaga na Academia Brasileira de Letras (ABL). Ontem (5), a instituição iniciou a Sessão da Saudade, que terá quatro eventos para marcar a despedida dos membros que faleceram em 2020 e 2021.

Além da vaga do diplomata Affonso Arinos de Mello Franco, morto em 15 de março do ano passado, declarada aberta nesta quinta (5), serão declaradas abertas as candidaturas para as vagas do jornalista Murilo Melo Filho, morto em 27 de maio de 2020, do professor Alfredo Bosi, morto em 7 de abril de 2021, e a do advogado e ex-vice-presidente do Brasil Marco Maciel, que faleceu no último dia 12 de junho.

Gil ainda não anunciou para qual das quatro vagas se candidatará.

Senado aprova projeto que impede exclusão de personalidades de lista
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O Senado aprovou, nesta quarta-feira (9), por 69 votos a 3, dois projetos de decreto legislativo que suspendem os efeitos da portaria da Fundação Cultural Palmares, que exclui 27 personalidades negras do rol de homenageados pela instituição.  A matéria agora será encaminhada à Câmara dos Deputados.

Os projeto foram apresentados pelos senadores Alessandro Vieira (Cidadania-SE) e Humberto Costa (PT-PE), respectivamente, e relatados pelo senador Fabiano Contarato (Rede-ES). A Fundação Cultural Palmares foi fundada em 1988 e criou uma lista de personalidades para homenageadas

Os parlamentares apontam vícios legais e a motivação ideológica que permearam a edição da portaria, que seria apenas instrumento para excluir da lista de personalidades negras homenageadas aquelas que não se alinhem com o posicionamento político ideológico do governo Bolsonaro.

Foram excluídos da lista nomes de pessoas como Marina Silva, Milton Nascimento, Martinho da Vila, Gilberto Gil, Benedita da Silva, Zezé Motta, Leci Brandão, Sandra de Sá e Elza Soares, entre outras personalidades negras.

Ao justificar a exclusão dos nomes, o presidente da Fundação Cultural Palmares, Sérgio Camargo, disse que a Portaria 189/2020 atende à decisão que instituiu o critério de permitir apenas homenagens póstumas.

Lista de excluídos pela Fundação Palmares
Live será neste sábado, a partir das 16h, no Youtube
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“Dance forró mais eu, meu bem/ Pra gente se amar, não tem/ Um lugar melhor que aqui/ Nesse forrozão”. Com os versos de uma das canções de sucesso de Targino Gondim, o cantor convida para este sábado (13), Dia de Santo Antônio.  A data foi especialmente escolhida pelo forrozeiro. Com sua companheira inseparável, a sanfona, Targino fará um show na plataforma digital no YouTube (@TarginoGondimOficial), a partir das 16h.

O projeto batizado de Live Show sem Limites contará com repertório que inclui, além de canções do projeto homônimo, clássicos da carreira de Gondim e de nomes como Luiz Gonzaga, Dominguinhos e Elba Ramalho. Para interagir mais com seu público, no instagram do cantor os fãs podem pedir suas músicas preferidas.

“A primeira Live foi uma delícia. Matei saudades da minha banda e conseguimos arrecadar um boa quantia para ajudar quem está precisando neste momento tão difícil. Nesta não será diferente. Vamos ter no repertório canções juninas e homenagens ao santo do dia”, disse empolgado o sanfoneiro.

O COMEÇO

Tudo começou quando Targino ainda era um menino em Juazeiro (BA), onde aprendeu a tocar sanfona, inspirado no maior ícone do instrumento, Luiz Gonzaga. Venceu o Grammy Latino 2001 – o Oscar da Música – com a canção Esperando na Janela, que também ganhou a voz de Gilberto Gil e deu ao artista espaço no longa brasileiro Eu, Tu, Eles. Também naquele ano de 2001, Targino lança pela Warner seu primeiro CD Nacional: Dance Forró Mais Eu, produzido por Roberto Sant’Anna, com a participação de Gilberto Gil.

O Targino Sem Limites é trabalho em conjunto com nomes como Zeca Baleiro, Ivete Sangalo, Carlinhos Brown, Fagner, Gilberto Gil, Leonardo, Moraes Moreira, Bell Marques, Xandy Aviões e Baiana System. Muitas destas canções serão acompanhadas de clipes com estes nomes. Abaixo, confira Gondim entoando Esperando na janela.

 

Empresária, Flora Gil será Cidadã Baiana em homenagem de Olívia Santana
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A empresária Flora Gil vai receber na próxima quinta-feira (6) o título de cidadã baiana. A honraria foi proposta pela deputada estadual Olívia Santana (PCdoB) e será entregue no plenário da Assembleia Legislativa da Bahia, a partir das 15h.

“Flora é uma filha que a Bahia adotou, que se transformou numa grande empreendedora, criativa e realizadora. Lado a lado, ela e Gil realizam sonhos, que animam nossos corpos, mentes e almas”, ressaltou Olívia.

“Flora é uma filha que a Bahia adotou, que se transformou numa grande empreendedora, criativa e realizadora. Lado a lado, ela e Gil realizam sonhos, que animam nossos corpos, mentes e almas”, ressaltou Olívia.

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Josias Gomes

Luto para que os jovens tenham a liberdade de discordar de qualquer sistema político, tenham o direito sagrado de contestar, inclusive, desse texto.

Quanto vale a liberdade de expressão? Sabemos que a liberdade não se negocia, não pode ser precificada. Esse texto tem o compromisso histórico de alertar muitos jovens que apoiam regimes totalitários e golpes militares com toda força que os opressores conseguiram penetrar em suas mentes.

O jovem, por si só, é um libertário e contestador nato, contudo num mundo opressor teriam as suas palavras e ações silenciadas. Durante os regimes democráticos, todo cidadão tem o direito de concordar ou não com um modelo político.

Na Ditadura Militar, não!

Uma ilustração clara é a do jornalista Reinaldo de Azevedo, que falou: “Eu escrevi uma matéria contra o Bolsonaro e fui ameaçado de morte. Eu escrevi quatro livros contra o PT e nunca fui ameaçado de morte”.

Cálice é uma canção de Chico Buarque e Gilberto Gil, feita durante os anos atômicos da Ditadura Militar. Escolhi essa canção emblemática que foi censurada pelos milicos porque tem diversas metáforas que denunciavam um Brasil amputado e podemos fazer analogias com os dias atuais.

Cálice é uma canção poética poderosa que se refere ao silêncio obrigado da população brasileira. De uma maneira magistral, Chico e Gil (com interpretação livre) denunciam a tragédia vivida pelo povo brasileiro, comparando com o calvário que Jesus sofreu até a sua crucificação.

Em um verso da canção eles cantam: “Como beber dessa bebida amarga”. O vinho, que é para celebrar a vida, está cheio de sangue, amargo, adulterado por censura, desaparecimentos, torturas e morte. O cale-se da Ditadura é feito de ópio.

Jovens, não caiam no canto da serpente. Este canto triste pode durar décadas, gerações, e amanhã vocês podem ser senhores e senhoras arrependidos.

Provavelmente, muitos jovens não conheçam a canção Cálice, porque existe um processo de alienação brutal provocado pela mídia, indústria cultural, onde tentam apagar a memória de luta do povo, artistas e intelectuais brasileiros. Cálice é um hino da minha geração que lutou por um mundo livre, plural, sem vinhos envenenados de ódio e paranoia.

Luto para que os jovens tenham a liberdade de discordar de qualquer sistema político, tenham o direito sagrado de contestar, inclusive, desse texto.

“Mesmo calada a boca, resta o peito”.

Josias Gomes é deputado federal licenciado e secretário de Desenvolvimento Rural da Bahia (SDR-BA).

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Cláudio Rodrigues
 
 

Durante a campanha eleitoral, o presidente eleito afirmou desejar um Brasil “semelhante ao que tínhamos há 40, 50 anos atrás”. Se voltarmos 50 anos, cairemos em 1968. Precisamos ter a esperança de que o futuro ministro da Justiça não faça como o colega e também ex-ministro Gama e Silva

 
 
1968 foi um ano conturbado, marcado por fatos que viraram de ponta cabeça o Brasil e o mundo. O jornalista e escritor Zuenir Ventura é um estudioso do referido ano. Em seu livro 1968: O Ano que não Terminou (Nova Fronteira – 1989), Zuenir cita importantes personagens, obras e músicas que fizeram parte do período.
Figuras emblemáticas como a atriz italiana e esquerdista Claudia Cardinale, o militante do MR-8 César Benjamin, “Cesinha”, que participou da luta armada, e Carlos Lamarca, “O Capitão da Guerrilha”, que militava na VPR e do MR-8 são personagens da obra de Zuenir. O livro faz referência a artistas que tiveram papel de suma importância nos anos que se passaram, a exemplo de Caetano Veloso, Gilberto Gil, Chico Buarque e Geraldo Vandré, que agitavam os festivais com suas músicas. Já o teatro era a representação do momento peças como Roda Viva. Atraíam uma geração com muita fome e sede de cultura.
Na política, o Brasil vivia uma grande tensão, passados quatro anos do Golpe Militar. A censura, punições, cassações, tortura, exílio e repressão eram a marca do governo dos generais. Diante do Regime, os estudantes inspirados no movimento Maio de 68, que acontecia em Paris, sentiram a necessidade de criar um movimento estudantil articulado politicamente e crítico em relação à Ditadura Militar.
Ao movimento estudantil os militares responderam com mais e mais repressão, e em 13 de dezembro de 1968, no governo do general Artur da Costa e Silva, o seu ministro da Justiça Luís Antônio da Gama e Silva, foi o redator e locutor do Ato Institucional nº 5. O AI-5 foi o golpe dentro do golpe: fechava o Congresso Nacional, autorizava o presidente da República a cassar mandatos e a suspender direitos políticos, o habeas corpus deixava de existir, a censura estava oficializada e outras medidas repressivas foram adotadas.
Gama e Silva foi jurista, juiz do Tribunal de Contas, professor catedrático da Faculdade de Direito da Universidade de São Paulo e reitor da mesma USP. Enquanto reitor da USP, elaborou a lista com nomes de professores universitários, colegas seus, que viriam a ser processados no Inquérito Policial Militar da USP, entre os quais Florestan Fernandes e Fernando Henrique Cardoso. Pelo papel de dedo-duro de Gama e Silva foi agraciado com o cargo de Ministro da Justiça.
Outubro de 2018! O deputado e capitão reformado do Exercito Brasileiro Jair Messias Bolsonaro é eleito presidente do Brasil, na oitava eleição direta pós-Ditadura Militar. O presidente eleito escolhe para chefiar a futura super pasta da Justiça o juiz de direito Sérgio Fernando Moro. Moro tornou-se uma espécie de “herói nacional” depois de ser o juiz da Operação Lava-Jato, que desvendou um esquema de corrupção que envolvia políticos e seus partidos, empreiteiros e grandes empresários.
Juiz de primeira instância, Sérgio Moro usou e abusou da prisão preventiva, sem previsão, para obter delações premiadas. As delações tinham aceitação e valia rápida quando envolvia pessoas ligadas ao Partido dos Trabalhadores. Dessa forma o “juiz herói”, mandou para a cadeia figuras de proa do PT, incluindo o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. O petista era líder nas pesquisas de intenções de voto e maior nome da esquerda na América Latina, em uma ação muito questionada por juristas do Brasil e do exterior, inclusive o Comitê de Direitos Humanos da ONU.
Mesmo preso e impedido pela justiça brasileira de disputar o pleito de outubro último, o ex-presidente Lula e o Partido dos Trabalhadores lançaram seu candidato e a apenas a seis dias da disputa do primeiro turno das eleições o “juiz herói”, liberou parte da delação do ex-ministro dos governos petistas Antônio Palocci, delação rejeitada pelo Ministério Público Federal e aceita pela Policia Federal e o juiz Sérgio Moro. A divulgação da delação de Palocci fez a festa dos opositores do PT e por pouco o capitão reformado não levou a disputa já no primeiro turno.
Passado a eleição, o “juiz herói” é agraciado com o convite para assumir o Superministério da Justiça. Mais: o capitão reformado e presidente eleito diz, em entrevista à imprensa, que o trabalho do “juiz herói” o ajudou a crescer politicamente. Já o vice-presidente eleito, o general Hamilton Mourão, que não tem papas na língua, soltou que o convite ao juiz foi feito ainda durante a campanha, o que deixa uma imensa suspeita no ar em relação ao papel do “juiz herói” no processo eleitoral.

Durante a campanha eleitoral, o presidente eleito afirmou desejar um Brasil “semelhante ao que tínhamos há 40, 50 anos atrás”. Se voltarmos 50 anos, cairemos em 1968. Precisamos ter a esperança de que o futuro ministro da Justiça não faça como o colega e também ex-ministro Gama e Silva, uma vez que existem algumas semelhanças nos “méritos” que os levaram a chefiar a pasta. Zuenir Ventura acertou: 1968 é o ano que insiste em não terminar.

Cláudio Rodrigues é consultor e colaborador de Pimenta.

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Manhã de Primavera leva música e arte à Beira-Rio em saudação à Primavera

Alunos da Escola Curumim, de Itabuna, promovem uma releitura de Domingo no Parque, um dos grandes sucessos do músico baiano Gilberto Gil, na Alameda da Juventude, na Beira-Rio, a partir das 8h deste domingo (30). A proposta da 28ª edição da Manhã de Primavera da Curumim é, por meio da música, falar de um setembro dourado e de amor à vida, segundo a direção da escola.

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Alunos encenam peça teatral na abertura de programação da Curumim

Uma peça teatral abordando o sentido da vida deu início, nesta quinta-feira(20), à programação da Manhã de Primavera que a Escola Curumim promove todos os anos para saudar a chegada da Estação das Flores. O evento está na 28ª edição e será encerrado na manhã do próximo dia 30 de setembro, na Alameda da Juventude, em Itabuna.
Este ano, a Manhã de Primavera fará releitura da música Domingo no Parque, do astro baiano Gilberto Gil . “Vamos fazer uma releitura, de forma lúdica, da música que fala de vida, morte, amizade e amor. Vamos falar de um setembro dourado, de amor pela vida”, diz uma das diretoras da Curumim,  Maria Rita Prudente.
A atividade na Alameda da Juventude começa às 8 horas da manhã do domingo de Primavera. Além de pessoas ligadas à escola itabunense, a Manhã de Primavera atrai grande público para assistir às apresentações na Beira-Rio.

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Cantor está internado desde a última sexta (Foto Fernando Frazão/Agência Brasil).
Cantor está internado desde a última sexta (Foto Fernando Frazão/Agência Brasil).

O cantor e compositor Gilberto Gil continua internado no Hospital Sírio-Libanês, segundo sua assessoria de imprensa, para fazer exames de rotina. O músico está em tratamento de complicações renais e faz acompanhamento mensal do estado de saúde. Gil, que está com 74 anos, deu entrada no hospital na última sexta-feira (21) e não há previsão de alta.

Está marcado para o próximo domingo (30), um show de Gil com Caetano Veloso no Metropolitan, no Rio de Janeiro. A apresentação aconteceria originalmente no dia 27 de agosto, mas teve de ser adiada após Gil passar mal e se internar naquela data.

Neste ano, Gil foi internado em julho e no final de agosto para tratar a insuficiência renal. Neste intervalo, apresentou-se na abertura dos Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro. Da Agência Brasil.

No último domingo (23), fãs do cantor foram surpreendidos com notícia falsa dando conta de uma suposta morte do cantor. O boato correu as mídias digitais, principalmente no WhatsApp, aplicativo de troca de mensagens.