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Carlos Freitas: dando canelada em Newton Lima desde os tempos em que jogavam futebol

O secretário de Serviços Públicos de Ilhéus, Carlos Freitas, pode estar com os dias contados no governo e é possível que seu prazo de validade expire logo após as eleições.
É de conhecimento público que Freitas tem velha amizade com o prefeito Newton Lima, desde os tempos em que ambos jogavam futebol. Mas o prefeito já revelou que, apesar de terem atuado sempre no mesmo time, o atual secretário vira e mexe lhe atingia com uma canelada. Do gramado para a administração pública, as coisas não mudaram muito.
Nessas eleições, Newton Lima apoia a recondução de Jaques Wagner (PT) ao Governo do Estado e está com outros candidatos do grupo, tendo escolhido Domingos Leonelli (PSB) e Ângela Sousa (PSC), respectivamente para deputado federal e deputada estadual.
Freitas, por sua conta e risco, tomou caminho diverso, apoiando o peemedebista Geddel Vieira Lima e, entre outros, o candidato a deputado federal Benito Gama, ligado a Geddel.
Ocorre que o pecado do secretário não estaria somente em fazer “carreira solo” nessas eleições. Freitas também tem utilizado recursos de sua Secretaria em benefício de seus candidatos e até a instalação de lâmpadas do sistema de iluminação pública estaria sendo permutada por votos.
No Palácio Paranaguá, sede do governo ilheense, os passos (e trombadas) do titular da Secretaria de Serviços Públicos estão sendo observados de perto. E, segundo informações, o prefeito Newton Lima já perdeu a paciência com o “amigo”.

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Walmir Rosário | ciadanoticia@ciadanoticia.com.br
Usada e abusada nos períodos eleitorais, a BR-415 volta a ser a “bola da vez” desta eleição. Entra ano e sai ano, e sua duplicação é prometida pelos governos Federal e Estadual. Agora, não há diferença na forma e conteúdo, a não ser nas investidas dos políticos e técnicos do Governo do Estado para referendar a promessa.
Anunciam a vinda do presidente Lula a Ilhéus para lançar a pedra fundamental da Ferrovia Oeste-Leste, e a Itabuna para assinar o edital da duplicação da BR-415, pela margem direita do Rio Cachoeira. O anúncio chega às raias do ridículo, expondo o presidente à zombaria, pois sequer as licenças ambientais foram concedidas. A não ser que tenha havido uma “liberação geral e irrestrita da esculhambação”, em que não creio.
Copiando a mesma estratégia astuciada por Antônio Carlos Magalhães, a turma do Derba faz projeto, maquete e ilustrações em três dimensões e ainda manda equipes de topografia se deslocar, pra cima e pra baixo. Inovaram, é verdade, pois se ampliaram as ações com o uso de novas tecnologias, como a computação gráfica.
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Talvez não tenha adiantado muito a articulação do presidente da Câmara de Vereadores de Ilhéus, Jailson Nascimento, para aprovar o projeto de lei que passou a permitir a circulação  no município de ônibus com até 15 anos de idade.
Grande interessado no projeto “Lata Velha” , como a proposta ficou conhecida, Nascimento agora irá enfrentar o segundo round da briga. É que o prefeito Newton Lima determinou a abertura de processo licitatório para a contratação do serviço de transporte escolar.
O serviço é o mesmo que Jailson opera com ônibus cansados de guerra. E que, muito provavelmente, não irão atender aos critérios da licitação.

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O mês que passou não foi dos melhores para quem procurou emprego com carteira assinada em Itabuna, segundo os últimos números divulgados ao final desta manhã pelo Ministério do Trabalho. Ao contrário do país, a cidade demitiu mais que empregou, cortando 10 vagas quando analisados todos os setores da economia.
O baque foi mais sentido no comércio, um dos que mais empregam no município. Em números absolutos, o setor admitiu 264 trabalhadores e demitiu 358. Corte de 95 postos de trabalho. É o pior saldo do ano.
Serviços e indústria registram números melhores, mas juntos abriram apenas 60 novas vagas no período. A área de construção civil também revela desaquecimento: abertura de 10 vagas com carteira assinada.
Em 2010, Itabuna gerou apenas 503 novos empregos, conforme o Ministério do Trabalho. Se computados os últimos 12 meses, foram abertos (só) 718 novos postos de trabalho.
EM ILHÉUS, É DIFERENTE
Como comparativo, a vizinha Ilhéus gerou 930 empregos neste ano e 1.781 nos últimos 12 meses. Na terra de Gabriela, agosto ficou no azul com a abertura de 96 novas vagas. Indústria e serviços geraram 115 empregos, juntos.
O saldo de agosto em Ilhéus não foi melhor por conta dos cortes no comércio (-21 vagas) e na construção civil (-20). A cidade reverte tendência histórica de gerar menos emprego que a vizinha Itabuna quando computados apenas os dados de um ano e de janeiro a agosto.

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Reunião entre representantes do Sinsepi e do governo ilheense (foto Mary Melgaço)

Numa negociação com o Tribunal Regional do Trabalho, a Procuradoria-Geral de Ilhéus conseguiu o desbloqueio de contas bancárias do município. Os recursos existentes nas contas seriam destinados, por ordem do TRT, ao pagamento de dívidas trabalhistas.
Agora à tarde, o secretário de Finanças de Ilhéus, Jorge Bahia, se reuniu com representantes do sindicato dos servidores (o Sinsepi) e informou sobre a liberação das contas. O bloqueio havia provocado o atraso no pagamento de parte dos salários de agosto e levou a uma paralisação nesta quarta-feira.
De acordo com a Prefeitura, as folhas de pagamento estão sendo geradas e deverão ser emitidas para o banco nesta quinta, 16, mas a instituição financeira ainda terá que ser notificada oficialmente da liberação das contas.
O presidente do Sinsepi, Luiz Cláudio Machado, que participou da reunião com Jorge Bahia e também com o chefe de gabinete do prefeito Newton Lima, José Nazal, afirmou que a paralisação está suspensa.

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Em uma roda formada na impiedosa turma do “cafezinho do teatro”, em Ilhéus, na tarde desta quarta-feira, 15, um dos ilustres frequentadores manifestou preocupação com a frase dita pelo prefeito Newton Lima na despedida do ex-secretário municipal do Meio Ambiente, José Alencar.
Alencar pediu exoneração ontem e, talvez com a intenção de ser gentil, o prefeito disse que escolheria um substituto para dar continuidade ao trabalho que vinha sendo executado naquela Secretaria.
Formou-se rapidamente um consenso de que a frase de Newton foi uma verdadeira ameaça ao meio ambiente. Por uma razão simples: Alencar não vinha fazendo absolutamente nada em sua pasta.

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As Prefeituras de Ilhéus e Itabuna enfrentaram nesta quarta-feira, 15, paralisações de seus servidores. Em Ilhéus, o motivo da paralisação é o atraso de salários, enquanto na cidade vizinha a principal queixa dos funcionários tem a ver com o encolhimento dos contracheques em função da retirada de gratificações.
A prefeitura ilheense enfrenta dificuldades com o bloqueio de repasses para o pagamento de precatórios. Por acordo com o Tribunal Regional do Trabalho, as retenções de verba deveriam se limitar a 7% dos repasses do FPM (Fundo de Participação dos Municípios), mas essas transfererências já vêm sendo consumidas com a quitação de uma dívida com o INSS.
Como o FPM não tem sido suficiente para cobrir os débitos, no último mês a justiça determinou que o Banco do Brasil bloqueasse outras contas da Prefeitura. O governo chegou a alegar erro do Banco do Brasil, mas o presidente do Sindicato dos Servidores, Luiz Cláudio Machado, contesta o argumento. “A verdade é que o descontrole administrativo levou a Prefeitura ao estado em que se encontra hoje”, critica o representante do funcionalismo.
Cerca de 40 servidores ilheenses ocuparam a entrada do Palácio Paranaguá na manhã de hoje. Segundo o governo, ainda não é possível dimensionar o impacto da paralisação, já que a maioria dos setores funciona na parte da tarde. Serviços essenciais, como os da saúde, não foram afetados.
Em Itabuna, a adesão à paralisação é pequena. Às 17 horas, a presidente do Sindicato dos Servidores, Karla Lúcia Oliveira, senta para negociar com o prefeito José Nilton Azevedo e o secretário da Fazenda, Carlos Burgos. Se não houver o entendimento, a possibilidade de uma greve será discutida em assembleia de servidores.

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Comentando a abertura das propostas de preço dos consórcios interessados em construir o primeiro trecho da Ferrovia Integração Oeste-Leste, o deputado federal Walter Pinheiro (PT-BA), candidato ao Senado, afirmou que o projeto abrirá um novo vetor de desenvolvimento para a Bahia.
As propostas serão abertas nesta quinta-feira, 16, e a previsão é de que as obras comecem ainda este ano, ficando somente na dependência da licença ambiental do Ibama. O presidente Lula já anunciou, no entanto, que estará no sul da Bahia no próximo dia 29 e sua agenda prevê o lançamento da pedra fundamental da Fiol.
O primeiro trecho da ferrovia a ser construído terá cerca de mil quilômetros, ligando Barreiras a Ilhéus, com investimento de R$ 4,5 bilhões. Na opinião de Pinheiro, a Fiol facilitará o escoamento de grãos e minério da região oeste, gerando empregos e riquezas para o Estado. “A ferrovia va gerar oportunidades de trabalho já na construção”, salienta o deputado.

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Não, o ônibus do vereador Jailson Nascimento não foi sorteado no quadro "Lata Velha"

O veículo que transporta o primeiro reality show itinerante do Brasil chegou esta semana a Ilhéus e ficará estacionado nas imediações da Catedral de São Sebastião até sábado, dia 18.
A presença da atração da Band deixou o secretário do Turismo ilheense, Paulo Moreira, no maior contentamento. Para ele, esta é mais uma grande oportunidade de divulgar a cidade.

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Isso só pode ter um nome: esculhambação

Em habitual caminhada pela orla ilheense, nosso companheiro de blogosfera Guy Valério (do Sarrafo) topou com uma estrutura de concreto em plena areia da praia, nas imediações do restaurante Porto da Brasa. Não se sabe se tem algum indecente querendo construir um muro ou sabe-se lá o quê no local, mas é bom o Ibama verificar antes que a aberração prossiga.
Desse jeito, está parecendo terra sem lei.

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"Isso" é um trecho da estrada da Lagoa Encantada (foto Francisco Melgaço)

Há mais de um mês o Pimenta noticiou a situação precária da estrada que dá acesso à Lagoa Encantada, na zona norte de Ilhéus (leia). Pois somente nesta segunda-feira, dia 13, a Prefeitura informou que está com uma frente de trabalho para recuperar a rodovia de terra batida.
O secretário de Obras, Marconi Queiroz, disse ter mandado uma patrulha mecânica para a área da zona norte de Ilhéus, visando atender às regiões da Juerana e da Lagoa. Além do encascalhamento, também estão previstos serviços de drenagem e a prioridade são as áreas mais íngremes.
Por falta de condições para o transporte, os moradores da Vila de Areias, às margens da Lagoa Encantada, têm que recorrer a uma carroceria de caminhão, onde pagam R$ 5,00 para ir até onde o ônibus  consegue chegar pelo lado oposto.
A boa notícia é que essa agonia está com dias contados. A ruim é que, pelo cronograma do governo municipal, ainda vai durar mais 30 dias.
E haja pacência!

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Nova ponte será construída à esquerda da atual, ligando com a rua Almirante Linhares, parte baixa do antigo porto.

Após contatos do prefeito Newton Lima e o governador Jaques Wagner, prefeitura de Ilhéus e governo do estado adiantaram as conversações para executar um projeto que, na visão de técnicos, eliminará o “abacaxi” no qual se tornou o trânsito entre o centro e a zona sul da cidade.
Conforme o secretário de Planejamento de Ilhéus, Alisson Mendonça, o governo estadual deu “ok” ao projeto que custará entre R$ 85 milhões e R$ 90 milhões e contemplará não só a construção de uma nova ponte, mas um projeto de mobilidade urbana que envolve toda a região da Baia do Pontal.
Neste projeto, uma nova ponte será construída ao lado da já existente, a avenida Lomanto Júnior será alargada e o tráfego zona sul-centro será desviado da Cairu para a rua Almirante Aurélio Linhares (rua abaixo da ponte atual).
Na ponta do lápis, diz Alisson, sairá mais barato do que construir ponte ligando o Morro de Pernambuco ao Cristo, na praia da Avenida, e terá melhor fluidez para o trânsito e menor impacto ambiental.
– O projeto nasce no Morro, duplicando a Lomanto Júnior, que passará a ter ciclovia. Na ponte, em vez de seguir a rua que dá na Cairu, o novo traçado vai pegar a Aurélio Linhares, a rua do antigo porto, à direita de quem se desloca para o centro.
Seguindo esse traçado, o tráfego sentido centro será pela região dos antigos armazéns, passando pelo Ilheos Hotel, Bataclan, 2 de Julho, ligando com a avenida Soares Lopes.
Para Alisson, esse projeto, além de mais barato, é o mais viável, pois a ponte ligando o morro ao Cristo prejudicaria o terminal pesqueiro e, também, o projeto Marina da Baía do Pontal. A licitação da empresa que vai elaborar o projeto será aberta pelos próximos dias, segundo o secretário.
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O presidente da Valec, José Francisco Neves, afirma ser possível assinar, ainda este mês, a ordem de serviço para a execução do primeiro trecho da Ferrovia da Integração Oeste-Leste, entre os municípios de Barreiras e Ilhéus, na Bahia. São cerca de mil quilômetros e uma obra orçada em R$ 4,5 bilhões.
Resta, porém, convencer o Ibama, que ainda não concedeu a licença ambiental para o projeto.
Nesta quinta-feira, dia 16, serão abertas as propostas de preço. Ao todo, 12 consórcios disputam a execução do trecho, que o governo baiano pretende ver concluído até 2012.

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Os servidores públicos municipais de Ilhéus escolherão nesta segunda-feira, 13, a nova diretoria de seu sindicato. Luiz Cláudio Machado, o Lu, encabeça a chapa que tenta permanecer no comando da entidade pelo terceiro mandato consecutivo e quem enfrenta a hegemonia é o guarda municipal Alex de Aquino.
A eleição não será tranquila. Há notícias de manipulações e irregularidades, inclusive uma manobra para que pessoas estranhas ao quadro de servidores votem num dos candidatos.
Já tem gente de olho na maracutaia e a disputa tem tudo para ir parar na justiça.

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HÉLIO PÓLVORA E A ESCOLHA DO SIMPLES

Ousarme Citoaian

O título do primeiro romance de Hélio Pólvora (foto), Inúteis luas obscenas, é um achado, mas não surpreende: jornalista de batente (além de contista, ensaísta, cronista, tradutor e crítico de cinema) ele sabe a importância de bem titular (até procurou, em vão, convencer disso seu compadre Euclides Neto, que criou títulos não muito inteligíveis, como Machombongo). Mas o melhor de Inúteis luas obscenas não é o título, é o próprio livro, um retorno ao bom e velho estilo de contar histórias com começo, meio e fim. Senhor de erudição suficiente para atingir o esnobismo (poucos brasileiros leram tanto quanto ele), Hélio fugiu dos experimentos estéreis, em privilégio do simples.

O LEITOR ESCOLHE O FINAL “MELHOR”

Surdo é personagem recorrente em contos do autor. De tanto perturbar o sono do contista foi parar no romance – um romance que se lê de uma sentada, tal a qualidade da narrativa, que pega o leitor pelo colarinho e o leva, subjugado, à última página – quando, surpreso, será chamado a decidir entre dois epílogos. Inúteis luas obscenas é um tratado sobre a solidão humana, estampada em anti-heróis condenados à vida miserável, sem perspectiva de romper seu círculo de pequenez, empurrados para um final em que nenhum tipo de libertação é possível. Nesse ambiente, duas mulheres fortes (“Somos duas cobras venenosas”, diz uma delas) se destacam: Celina e Regina.

AROMAS, CORES E SABORES DE CACAU

Surdo (que talvez nem seja surdo) é dado a leituras e filosofias, pensa, medita e dá mostras de ter visitado os bons autores. “Os maus têm uma felicidade negra”, cita Victor Hugo (foto). Envolvido com luas azuis, vermelhas e obscenas, e um amor não convencional, Surdo é um homem incompreendido e portador de certa carga de amargura – na grande sabedoria há grande pesar, ensina o Eclesiastes. Resta dizer que Hélio Pólvora é um escritor da zona cacaueira (“Sou um pobre homem de Itabuna”, diz ele, parodiando Eça), e seu romance tem cheiros, cores e sabores de teobroma, ainda que seja universal, na medida em que trata do sofrimento do ser humano, presente em todas as latitudes.

TEXTO PRAZEROSO, INOVADOR E ECONÔMICO

O clima de tragédia é acentuado por um prólogo em cada capítulo, à moda do coro do teatro grego, e referências a entes mitológicos (na gravura, Édipo). O romancista esparge constantes pitadas de lirismo sobre seus embrutecidos personagens, o que enriquece e “humaniza” a história. No entanto, esse olhar, que às vezes parece cúmplice e protetor, não subtrai a Inúteis luas obscenas seu conteúdo de tragicidade. Há de ressaltar-se (afora essa leitura pessoal), o texto prazeroso, econômico (sem chegar à mesquinharia de Dalton Trevisan), conciso, sem sobras nem faltas. A sensação é de que valeu (muito) a pena esperar pelo primeiro romance de Hélio Pólvora.

O QUE NOS IRRITA TAMBÉM NOS MELHORA

Teria sido o velho e suíço Gustav Jung (foto) quem disse: “Tudo o que nos irrita nos outros pode nos levar a um conhecimento de nós mesmos”. Assim, coisas que a gente combate, como ingratidão, injustiça, traição, inveja, ciúme, medo ou impaciência e, no meu caso, a má concordância, a regência pífia e os lugares-comuns, pode significar que nós próprios somos portadores desses defeitos. Entendo ser imperativo que eu, crítico iconoclasta da obra alheia, exerça essa mesma exigência em relação a meus textos. E eu a exerço, embora considere normal não ter a isenção suficiente e ainda deixar contaminar minhas opiniões pela excessiva carga de autocompaixão.

NO INESPERADO, O EROTISMO VOCABULAR

Em maré de citações (hei de ter cuidado, pois Newton disse que quem cita muito não tem idéias próprias) ponho em campo o pensador francês Roland Barthes (foto), para quem as palavras se tornam eróticas pela excessiva repetição. Confesso que sinto esse erotismo vocabular (parece que inventei isto agora!) no inverso da repetição, que é o inesperado. O texto novo e simples tem uma força estranha que me agride (no melhor sentido), me pega pelo colarinho e me transporta a mundos distantes. Arrisco-me a perder os leitores exigentes, pois acabo (ai de mim!) de me pôr em posição contrária a Barthes (se vivo, não creio que ele ficasse muito preocupado com minha opinião…).

TEXTO QUE NOS EMBALA E TRANSPORTA

A verdade é que experimento um prazer muito grande com frases corretas, desde que despidas de pedantismo. Elas mexem em minha alma, me embalam e me transportam, como esta, um verso de sete sílabas: “Onde eu nasci passa um rio…”. A partir desta frase de Caetano Veloso é possível escrever romance, novela, crônica, conto… ou não escrever coisa nenhuma, mas será impossível não pensar e não sentir. “Onde eu nasci passa um rio” é texto a um só tempo refinado e simples. Uma das melhores frases da MPB, provocativa, por isso nova e boa, digna de ser tema de redação de vestibular para qualquer curso. Em prosa ou verso.

LIVRARIA ENTRE NÓS, NEM PRA REMÉDIO

Há variadas formas de medir o desenvolvimento cultural de uma comunidade: universidades, livrarias, editoras, cinemas, teatros e outras. Itabuna e Ilhéus (principais cidades da região) não têm, a rigor, nem uma livraria para remédio (temos casas que vendem, dentre outros itens, livros). Quanto aos outros padrões citados, estamos também em grande déficit – e é deplorável dizer que já estivemos em melhores condições do que hoje. Quer dizer: no que respeita a esses valores, andamos para trás. Ou, no máximo, de banda, no melhor estilo Ucides cordatus, também chamado caranguejo-uçá.

XADREZ POR AQUI SÓ A CADEIA PÚBLICA

Um leitor indignado nos ofereceu outro metro comparativo (igualmente empírico, é verdade) do nosso nível cultural: quase a ponto de nos confundir com o Procon, ele reclama que vasculhou Ilhéus e Itabuna para, surpreso, descobrir que é impossível, em cidades tão culturalmente ”avançadas”, comprar um jogo de peças de xadrez, com o mínimo de qualidade. Ora, vejam só. O chamado nobre jogo é mesmo um padrão interessante para o caso. O leitor diz que Vitória da Conquista, por exemplo, tem o xadrez na escola fundamental, como prática educativa. Aqui, xadrez é apenas a super-povoada cadeia pública.

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LUIZ GONZAGA E O INCÔMODO “VOZES DA SECA”

Dia desses, falamos aqui no médico Zé Dantas, um dos dois maiores parceiros de Luiz Gonzaga – o outro foi o advogado Humberto Teixeira (foto) – quando listamos “Vozes da seca” entre os clássicos do médico pernambucano. Luiz Gonzaga, na minha modesta opinião, foi o maior músico pop do Brasil (com a morte dele, creio que o lugar é de Gilberto Gil), mas é preciso lembrar, nem que seja apenas em favor da fria verdade histórica, que o Rei do Baião foi um conservador exacerbado, apoiou o golpe de 1964, chegou a dizer que não havia tortura no Brasil – e “Vozes da seca” o incomodava. Sei de um show em que ele, ao pedirem esta música, se recusou a cantá-la, com uma frase marota: “Não me lembro da letra”.

O CONSTRANGIMENTO DOS JOVENS COLEGAS

Gonzaga sempre teve horror a políticos de esquerda. Passou nove anos no Exército, quando aprendeu a admirar os militares, sendo amigo do presidente general Dutra, de quem animou muitos saraus palacianos – e, mais tarde, de Marco Maciel. Talvez não por acaso, “Boiadeiro”, a toada com que costumava iniciar suas apresentações, é de dois ex-militares (Armando Cavalcante e Clécius Caldas) que conhecera na caserna.  Já no governo Médici (o mais sanguinário dos generais da ditadura) ele decepcionou os colegas engajados na luta política, a exemplo de Chico Buarque, Gilberto Gil, Caetano Veloso e Geraldo Vandré (foto).  E o mais constrangido de todos com esse comportamento era Gonzaguinha, filho do Rei.

POR BURRICE, “ASA BRANCA” FOI CENSURADA

A ditadura, que nunca respeitou nem mesmo os que apoiaram o golpe, também não poupou Luiz Gonzaga, proibindo-o de cantar (era o governo Médici) “Vozes da seca”, “Paulo Afonso” e “Asa branca” (as duas primeiras com letra de Zé Dantas, a segunda de Humberto Teixeira). As razões da censura: “Vozes da seca”, por ser música de protesto, e “Paulo Afonso”, por ciúmes – exalta os presidentes Getúlio, Dutra e Café Filho; já “Asa branca” foi censurada devido à burrice que grassava no governo – a ditadura era um monstro sem cabeça e, logo, sem juízo. Em 1980 (sob o general Figueiredo), Luiz Gonzaga gravou “Caminhando”, o “hino” de Geraldo Vandré; em 1981 fez as pazes com Gonzaguinha.
</span><strong><span style=”color: #ffffff;”> </span></strong></div> <h3 style=”padding: 6px; background-color: #0099ff;”><span style=”color: #ffffff;”>E FRED JORGE CRIOU CELLY CAMPELLO!</span></h3> <div style=”padding: 6px; background-color: #0099ff;”><span style=”color: #ffffff;”>No auge do sucesso, em 1965, a música teve uma versão no Brasil, gravada por Agnaldo Timóteo. Como costuma ocorrer com as

UMA EDIÇÃO COM MUITAS LÁGRIMAS

Este vídeo foi editado com lágrimas, especialmente para a coluna. As imagens mostram o sertão nordestino torturado pela seca, aquele ambiente de intenso sofrimento (físico e, por consequência, psicológica) que inspirou o ginecologista e compositor José de Souza Dantas Filho, o Zé Dantas (1921-1962). O ano é 1953. Algumas cenas são de Vidas secas (1963), filme de Nelson Pereira dos Santos (foto), que também merece nossa homenagem menos tardia do que sincera. Clique.
(O.C.)