Os vereadores que integram a Comissão Especial de Inquérito que apura desvios na Câmara de Itabuna estão reunidos neste momento na sede do legislativo municipal. Segundo informações, eles analisam o parecer do relator Claudevane Leite (PT), verificando a necessidade de algum ajuste.
A leitura do relatório em plenário foi marcada para a próxima sexta-feira, 5, às 10 horas.
O vereador Claudevane Leite (PT), relator da Comissão Especial de Inquérito que apura irregularidades e desvios de recursos na Câmara de Itabuna, apresentará nesta quarta-feira, 03, o parecer com o resultado de mais de 60 dias de apurações.
O documento será inicialmente apreciado no âmbito da CEI, em reunião fechada. A comissão tem como presidente o vereador Milton Gramacho (PRTB) e o secretário é Gerson Nascimento (PV). Caberá a eles deliberar sobre a aprovação do relatório.
Claudevane Leite já protocolou, na sexta-feira, 29, requerimento para que o presidente da Câmara, Clóvis Loiola, programe a sessão na qual será lido o relatório. “Acredito que o presidente tem interesse em agendar essa sessão para o mais breve possível”, acredita o vereador do PT.
Independentemente do agendamento da sessão para a leitura do parecer, a CEI deverá agilizar o envio do documento ao Ministério Público e ao Tribunal de Contas dos Municípios. Segundo o relator, o MP vem acompanhando os trabalhos da comissão e será o responsável por eventuais ações nos âmbitos civil e criminal.
No que se refere a eventuais casos de quebra do decoro parlamentar, o vereador afirma que o relatório irá sugerir a instalação de uma Comissão Processante, que – diferente da CEI (que somente apura) – tem o poder de punir os envolvidos.
Este blog já observou que o alargamento da ponte 8 de Dezembro melhorou, mas não resolveu definitivamente os problemas do trânsito na Rua Felícia de Novaes, situada no bairro de Fátima, em Itabuna.
Todos os dias, sobretudo nos horários de pico, a via apresenta engarrafamentos e, com frequência, algum acidente é registrado.
Foi o que ocorreu neste feriadão, mais precisamente na segunda-feira, dia 1º, quando um bugre que era conduzido pelo motorista Osmar Figueiredo atropelou a pedestre Maria de Lourdes Santana. Ela chegou a ser arrastada por alguns metros, teve lesões por todo o corpo e fraturou as duas pernas.
Neste caso específico, o motorista estava embriagado, o que foi confirmado pelo bafômetro. Um problema a mais em uma rua que já é perigosa para os sóbrios.
Acumulando os papéis de advogado e secretário da Fazenda de Itabuna, Carlos Burgos esforçou-se para livrar da cadeia a secretária particular do prefeito José Nilton Azevedo, Suzana Andrade. Como se sabe, ela passou dois meses presa sob acusação de matar o próprio companheiro.
Pois tem credor da prefeitura torcendo para que o secretário seja tão diligente quanto o advogado. “Para soltar a secretária do prefeito, ele foi rápido; mas o nosso pagamento ele prende e não solta nem a pau”, queixa-se um credor-sofredor.
A mesma vítima da inadimplência do governo faz graça: “queria que ele conseguisse um habeas corpus para o dinheiro que eu tenho a receber na prefeitura, mas pelo jeito tá difícil”.
Amanhã é o “Dia D” para a Câmara de Vereadores de Itabuna. Nas mãos do respeitado vereador Claudevane Leite (PT), está o relatório da Comissão Especial de Inquérito que apurou uma série de desmandos cometidos no legislativo municipal. E, se há desmandos, é preciso que se apontem os responsáveis por eles. Quem são?
O vereador-relator já admitiu ter recebido pressões para aliviar o parecer, mas a um jornalista amigo deste blogueiro ele assegurou que agirá corretamente. Sendo assim, o relatório promete…
Ao punir aqueles que têm usado o dinheiro público para se locupletar e dado enorme contribuição para desmoralizar a política, a CEI do chamado “Loiolagate” ajudará a reverter esse processo de deterioração moral que atinge a Câmara de Vereadores de Itabuna. Mas talvez a comissão de inquérito não vá tão longe, pois já se falou que ela apenas entregará suas conclusões ao Ministério Público e ao Tribunal de Contas dos Municípios, sem condenar ninguém.
Serão outras instâncias, novas batalhas e talvez alguma frustração. Mas que ao menos a divulgação do relatório, sendo este correto e preciso, permita carimbar os larápios para que a sociedade os identifique e não os perca de vista. Livra-nos, assim, de estar como inocentes próximos a gatunos.
Que o relatório também possua um valor didático para mostrar que a política não deve ser caminho de enriquecimento e benefício próprio, mas de serviço à coletividade. E aqueles que assim não pensam devem ser banidos da vida pública, o que certamente não ocorrerá de uma hora para outra, mas haverá de acontecer com um processo de depuração lento e paciente, no qual a própria sociedade – com sua consciência e capacidade de vigilância cada vez maiores – será protagonista.
Itabuna e Ilhéus estão entre os 52 municípios baianos que ainda não concluíram o Censo 2010 do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatítiscas (IBGE). Encerrado o prazo “fatal” de 31 de outubro, ainda faltam dados de 12 mil domicílios em Ilhéus e outros 2 mil em Itabuna.
Pela contagem até aqui, ainda serão recenseados 12 mil domicílios em Ilhéus e dois mil em Itabuna. Floresta Azul, Gandu, Ibicaraí e Jussari, todos no sul da Bahia, encontram-se na mesma situação de Ilhéus e Itabuna. Com informações d´A Região.
Além de ter passado aperto para vencer José Serra (PSDB) em Itabuna (50,96% a 49,04%) e ter perdido em Vitória da Conquista, considerada a cidade mais “serrista” da Bahia, Dilma Rousseff (PT) perdeu para o tucano em duas importantes cidades do sudoeste baiano.
Em Itororó, Serra bateu Dilma por 52,05% a 47,95%. Já em Itapetinga, o ex-governador de São Paulo saiu das urnas com 50,11% dos votos, deixando a presidente eleita com 49,89%.
Os dois municípios são governados pelo PT.
Urnas são entregues no cartório eleitoral em Itabuna (Foto Pimenta).
A apuração em Itabuna foi concluída e a presidente eleita do Brasil, Dilma Rousseff (PT), bateu José Serra (PSDB) no município por uma diferença de 1.999 votos. Foram 52.855 votos obtidos por Dilma contra 50.856 de Serra. Em percentuais, dá 50,96% a 49,04%.
Tanto em Itabuna como em Ilhéus, os dois maiores municípios sul-baianos, a votação da petista ficou bem abaixo da média baiana. Em Ilhéus, Dilma obteve 62,83% dos votos e Serra, 37,17%. A apuração ainda não foi concluída no estado. Por enquanto, ela abocanha 70% dos votos válidos.
Freire entrega esquema de Loiola.
Nitroglicerina pura a entrevista que o ex-assessor do presidente da Câmara de Itabuna, Clóvis Loiola, concedeu ao jornal A Região. Eduardo Freire conta, com riqueza de detalhes, como o político do PPS de Itabuna embolsava – todos os meses – R$ 20 mil em dinheiro público, a título de mesada.
Parte da mesada, contou, era garantida pela empresa de publicidade Mozaico Propaganda. Seriam exatos R$ 11 mil desviados da Câmara para o bolso de Loiola, conforme Eduardo Freire. A empresa repassava a grana em cheque do Banco do Brasil, na mesma agência onde o presidente da Câmara mantém conta, localizada no Centro Administrativo Firmino Alves.
Além disso, Eduardo Freire conta como funcionava o esquema de obtenção fraudulenta de empréstimo consignado na rede bancária, usando contracheques adulterados na Câmara. A denúncia atinge desde o presidente Clóvis Loiola ao colega de legislatura Ruy Machado (PRP).
Freire abriu a boca e resolveu contar tudo porque, segundo ele, o presidente foi a emissoras de rádio responsabilizá-lo pelos desvios. Segundo Freire, Loiola embolsou algo como R$ 200 mil retendo dinheiro de empréstimos consignados contraídos por seus assessores. Confira a íntegra
O secretário José Formigli.
O Restaurante do Povo (Restaurante Popular) não abre as portas há quatro dias porque a prefeitura de Itabuna deixou de fazer o repasse mensal de apenas R$ 40 mil. O valor se refere ao subsídio do município para a manutenção do restaurante.
Somente o Frigorífico Frigobom levou prejuízo de R$ 80 mil segundo reconhece o secretário de Assistência Social, Formigli Rebouças. Há dois meses que a prefeitura não paga à empresa, que decidiu cortar o fornecimento de carne bovina e derivados.
Outras empresas vítimas do calote também decidiram suspender o fornecimento à prefeitura. Apesar de ainda não ter saldado as dívida com os fornecedores, o Restaurante do Povo será reaberto na próxima quarta-feira, 3, segundo afirmou ao Pimenta o secretário Formigli Rebouças.
A saída encontrada foi usar os recursos do Programa de Aquisição de Alimentos (PAA), do Ministério do Desenvolvimento Social, para garantir o fornecimento de frutas, legumes, verduras e carnes ao Restaurante do Povo.
O programa PAA atende creches, escolas e entidades assistenciais. A prefeitura não explica, ainda, quais as entidades ou creches e escolas que deixarão de receber os produtos para que o Restaurante do Povo seja abastecido.
No PAA, agricultores familiares cadastrados pelo Governo Federal recebem pelo que produzem e os alimentos são repassados a entidades assistenciais e escolas sem custos para a prefeitura.
Ainda conforme o secretário, a decisão foi tomada em reunião, hoje, com prefeito Capitão Azevedo (DEM). O prefeito pensou em fechar definitivamente o Restaurante do Povo se não houvesse uma saída. Alegava crise financeira para tal.
O sindicalista Jairo Araújo, liderança dos comerciários no sul da Bahia, prefere não levar em conta as pesquisas divulgadas nos últimos dias. Ontem, o Ibope dava 14 pontos de vantagem para Dilma Rousseff (PT) e o Datafolha de hoje revela um diferença parecida em relação a José Serra – uma frente de 12 pontos. E explica a descrença:
– Pra mim, há uma massa de eleitores que ainda está entre um e outro.
Jairo tem preferência por Dilma e participa de mobilizações para atrair mais votos para a petista. Há pouco, estava na praça Adami, centro de Itabuna, participando de um bandeiraço. Para ele, é essa massa “volátil” que decidirá se teremos um presidente ou uma presidenta.
O título da nota poderia ser “o Burro e a Formiga”, com o primeiro personagem representando, naturalmente, a estupidez, e o segundo, a fragilidade, a incapacidade de vencer uma força que se impõe a tudo no governo do prefeito de Itabuna, Capitão Azevedo.
A história tem a ver com a sucessão de calotes que resultaram no fechamento do Restaurante do Povo. Segundo o site Cia da Notícia, há tempos o secretário da Ação Social, José Formigli Rebouças, vinha reclamando ao secretário da Fazenda, Carlos Burgos, dos atrasos de pagamento. E este, como de praxe, fazendo ouvidos de mercador.
A situação de desabastecimento chegou a tal ponto, que a coordenação do Restaurante passou a utilizar o “pinga-pinga” de R$ 2,00 deixado pelos clientes para comprar alimentos em Sacolões. Era uma compra irregular, pois esse dinheiro deveria ser depositado em uma conta do município, mas foi o jeito para dar uma sobrevida ao estabelecimento.
Não deu mais. A burrice, como tem frequentemente ocorrido neste governo, venceu.
Pelo menos seis vereadores da Câmara de Itabuna estão sendo fortemente pressionados para dar uma virada de mesa e impedir que o primeiro-secretário Roberto de Souza (PR) assuma a presidência da casa a partir de janeiro. Quem ousa esboçar alguma independência é imediatamente enquadrado e colocado em seu devido lugar, como aconteceu esta semana com o vereador Raimundo Pólvora (PPS).
Pólvora deixou escapar, nos bastidores, que não participaria da operação para detonar o colega Roberto de Souza. A demonstração de rebeldia foi fulminada em uma conversa no gabinete do prefeito, no qual estavam presentes a toda-poderosa secretária Joelma Reis e o vereador Ruy Machado (PRP).
Durante o diálogo (na verdade, foi mais um monólogo), Pólvora foi advertido de que o futuro de suas demandas perante o Executivo está intimamente relacionado à sua atuação no combate a Roberto de Souza.
Pólvora tinha 11 indicados no governo, os quais foram exonerados no início de setembro. Desde então, ele tenta se recompor com o prefeito Azevedo, que estaria submetendo o vereador a uma espécie de “período de experiência”. Tipo assim: “se fizer tudo que o chefe mandar, os bezerrinhos voltarão a mamar…”.
Quando ainda nem se falava em responsabilidade social, Manoel Chaves financiou através de suas empresas cursos de nível superior para funcionários e seus filhos
Num de seus mais belos poemas, Carlos Drummond de Andrade, ao relembrar a cidade de sua infância, escreveu, num misto de saudade e melancolia, que Itabira era apenas um retrato amarelado na parede.
Em Itabuna, cidade que não tem entre suas virtudes preservar a memória de personagens que foram protagonistas de sua história, um de seus maiores empreendedores tornou-se um retrato abandonado num corredor obscuro.
Manoel Chaves foi um empreendedor no sentido exato da palavra. A partir de um pequeno negócio, à custa de muito trabalho e com visão de futuro, montou um império que se estendeu pelos ramos de produção, comercialização e industrialização de cacau, setor imobiliário, comércio, construção civil e telecomunicações.
Manoel Chaves, numa época em que muitos transformavam as riquezas do cacau em apartamentos de luxo em Salvador, Rio de Janeiro e na Europa, investiu na modernização de uma cidade que ele adotou como sua. Plantou prédios, lojas, indústrias e semeou desenvolvimento.
Quando ainda nem se falava em responsabilidade social, Manoel Chaves financiou através de suas empresas cursos de nível superior para funcionários e seus filhos e ofereceu-lhes condições para que pudessem melhorar de vida, apoiou artistas de muito talento e poucos recursos, manteve creches e colaborou com instituições beneficentes. Além disso, concedia aos colaboradores de suas empresas vantagens que iam além das leis trabalhistas. Tudo isso sem fazer alarde ou marketing pessoal.
Manoel Chaves é, seguramente, um dos principais personagens de Itabuna nesse seu primeiro século de vida. Se algum reconhecimento público ganhou, foi o nome de uma avenida no bairro São Caetano, que muitos ainda chamam pelo nome anterior, presidente Kennedy.
Merecia mais, muito mais.
Não o teve em vida porque sempre foi uma figura discreta, de mais ação e menos exposição.
Não o tem depois que faleceu, pela falta de memória da cidade.
Gente como Manoel Chaves, e também Firmino Alves, José Soares Pinheiro, JJ Seabra e outros personagens marcantes de Itabuna, deveriam merecer bustos em praças públicas, darem nome a escolas e serem lembrados às novas gerações como exemplos para uma cidade que, a despeito de todas as crises por que passou e passa, é capaz de se redescobrir e dar a volta por cima, justamente por conta dessa chama empreendedora, dessa força atávica de superar desafios.
Uma chama que Manoel Chaves simbolizou como poucos.
Manoel Chaves não merece ser apenas um retrato amarelado na parede da memória itabunense.
E, menos ainda, ser um retrato abandonado num corredor de um dos prédios que ele construiu como mostra a foto que ilustra esse texto. Daniel Thame é jornalista, blogueiro e autor do livro Vassoura.