Metrô de Salvador começa a funcionar hoje, gratuitamente (Foto Manu Dias).
O pré-candidato ao governo baiano, Rui Costa (PT), disse que a entrada em operação do metrô de Salvador, hoje, é “dívida quitada” e “superação de dificuldades”, além de “vitória da perseverança e do trabalho”.
Tido pela presidente Dilma Rousseff e pelo ex-presidente Lula como um dos responsáveis por fazer o metrô circular, Rui Costa, ex-secretário estadual da Casa Civil, diz ter sentimento de dever cumprido ao “destravar o metrô, parado há 14 anos”.
– Tenho muito orgulho de cumprir essa determinação, mas minha meta agora é fazer o metrô chegar até Cajazeiras e Lauro de Freitas – comprometeu-se.
O sistema será inaugurado em instantes (previsto para a faixa das 10h) com uma primeira viagem oficial no trajeto Acesso Norte / Campo da Pólvora / Acesso Norte. Da viagem, participam o governador Jaques Wagner e a presidente Dilma Rousseff. O sistema metroviário está sob administração do estado desde abril do ano passado.
Lula é única personalidade viva a ganhar estátua na OEA (Foto Raul Juste Lores/Folha).
Uma exposição temporária para comemorar os dez anos da entrada da China na Organização dos Estados Americanos (OEA) rende homenagem a 12 personalidades mundiais, dentre elas, o ex-presidente brasileiro Luís Inácio Lula da Silva.
O petista é a única personalidade viva homenageada na exposição ao lado da Casa Branca, em Washington, nos Estados Unidos, informa Raul Juste Lores, da Folha de São Paulo. A exposição é do artista chinês Yuan Xikun. As réplicas ficarão nos jardins da OEA até 1º de agosto.
Dentre os homenageados, estão incluídos os ex-presidentes Abraham Lincoln (Estados Unidos), Eloy Alfaro (Equador) e José de San Martín (Argentina) e o escritor colombiano Gabriel García Márquez.
Corrida presidencial: Campos, Dilma e Aécio.
A candidata à reeleição à presidência da República, Dilma Rousseff (PT), atinge 50% das intenções de voto na Bahia, segundo a última pesquisa Ibope, feita no período de 15 a 19 de maio. Aécio Neves (PSDB) atinge 12% e Eduardo Campos (PSB) chega a 7%.
Na fila dos “nanicos”, Pastor Everaldo (PSC) chega a 2% no estado. Os demais não pontuaram.
O percentual de brancos e nulos na corrida presidencial entre o eleitorado baiano atinge 14%. Já o de indecisos, chega a 13%.
A presidente Dilma também lidera na pesquisa espontânea. Ela tem 29% das intenções de voto nesta modalidade, contra 6% de Aécio Neves. Embora não seja candidato, o ex-presidente Lula é citado por 6% dos eleitores ouvidos. Eduardo Campos, 3%, assim como Marina Silva, também do PSB.
A pesquisa foi encomendada pela Rede Bahia e tem margem de erro de 3 pontos percentuais. Está registrada sob o número BR-00130/2014.
Ex-presidente, ao centro, é assediado em evento do PDT. Da Redação
O ex-presidente Lula defendeu os feitos dos 11 anos de governo do PT no país durante evento no qual o PDT anunciou apoio ao pré-candidato petista ao governo baiano, deputado Rui Costa. O ex-presidente ainda recomendou ao pré-candidato que não faça uma campanha “falando mal” do adversário.
– A gente não precisa repetir aquela mazela que tinha aqui na Bahia, no passado, com Antônio Carlos Magalhães xingando todo mundo. Nós queremos é provar que somos melhores que eles, e com números.
O ex-presidente também disse que o ódio contra a presidente Dilma Rousseff tem como principal alvo o projeto do PT. Lula falou de melhorias na área social no Brasil nos últimos 11 anos, da ampliação do número de universidades e de mudanças de hábito do brasileiro. E, novamente, saiu em defesa da presidente:
– Poucas vezes este país teve a sorte de ter uma pessoa com a idoneidade, o caráter e a seriedade da Dilma. Muitas vezes vão falar “ah, ela não ri, ela não conversa tanto quanto o Lula“. Mulher não tem que ficar arreganhando os dentes não. Mesmo dentro de casa, a mulher é mais severa. Uma mulher presidente da República é demais para eles [os opositores].
Lula ainda fez mea culpa. “Nem sempre a gente está bem. A gente sabe que tem momento que não consegue fazer tudo. E quando não consegue, o povo fica puto. Não vou votar mais nele”. Ele ainda se comparou a Getúlio Vargas e disse que “a coisa mais barata é cuidar de pobre. O pobre quer é educação, trabalhar, alimento na mesa, o pão de cada dia à custa de seu trabalho”.
“ELES NÃO SERÃO LOUCOS DE CORTAR O BOLSA FAMÍLIA”
O ex-presidente alfinetou os presidenciáveis Aécio Neves (PSDB) e Eduardo Campos (PSB) ao falar de políticas sociais. “Quem é que cuida dos pobres em Minas Gerais? É o governo federal. Quem é que cuida em Pernambuco? É o governo federal. Quem faz o Luz para Todos no Brasil? É o governo federal. Quem é que faz universidade? Eles não serão loucos de cortar o Bolsa Família”. Leia Mais
Geddel, Souto e Aécio Neves em Feira (Foto Valter Pontes/CPhoto).
A Bahia será um dos principais alvos do tucano Aécio Neves e do pessebista Eduardo Campos durante a batalha eleitoral deste ano. A dupla está em visita ao estado nesta segunda-feira.
Aécio acabou de participar de evento em Feira de Santana, o segundo maior colégio eleitoral do estado. Campos participa de evento com universitários no terceiro maior colégio eleitoral baiano, Vitória da Conquista.
Para não perder terreno, o PT convocou o ex-presidente Lula, que também está na Bahia. Vem para solenidades em São Francisco do Conde e Salvador, onde anuncia apoio ao pré-candidato ao governo baiano pelo PT, Rui Costa.
Há pouco, Aécio disse em Feira que a aliança construída pelo PSDB, DEM e PMDB está entre as mais sólidas do país. “A chapa dos pré-candidatos Paulo Souto, ao governo, e Geddel Vieira Lima, ao senado, é o resultado da aliança política mais bem construída até agora no Brasil”, disse o tucano.
Marco Wense
A pregação dos presidenciáveis Aécio Neves (PSDB) e Eduardo Campos (PSB) sobre a indispensável união da oposição não passou de uma conversa mole.
Propuseram até um messiânico pacto de não agressão em nome da salvação do país. O problema é que o tucano e o socialista pensam que são políticos diferenciados, mas são iguaiszinhos aos outros.
Estagnado nas pesquisas de intenção de voto, Campos, ex-lulista de carteirinha, começa a perceber que essa aliança só ajuda o tucanato, feliz da vida com o consolidado terceiro lugar do governador de Pernambuco.
E mais: o PSB, com esse pacto, só faz fortalecer a polarização entre o PT e o PSDB, entre Dilma Rousseff, que busca o segundo mandato (reeleição), e o senador Aécio Neves.
O namoro acabou. A pomba não quer mais saber do esperto tucano. Vão se bicar. Entre mortos e feridos, todos depenados. Marco Wense é articulista do Diário Bahia.
Para Dilma, movimenta pelo retorno de Lula é “normal”.
Da Agência Brasil
Em entrevista hoje (30) a rádios de Salvador, a presidenta Dilma Rousseff considerou “normal” o manifesto “Volta Lula”, anunciado na última segunda-feira (28) pelo líder do PR na Câmara, deputado Bernardo Vasconcellos (MG). Para Dilma, em ano eleitoral é possível ocorrer fatos “concebíveis” e “até inconcebíveis”.
“[O volta Lula] é uma situação normal. Gostaria que, quando eu for candidata, eu tenha o apoio da minha própria base. Mas não havendo esse apoio, vamos tocar em frente. Sempre por trás das coisas existem outras explicações. Daqui até o final do ano, tenho uma atividade importantíssima para fazer, que não posso me desligar”, explicou a presidenta.
Na última segunda-feira, o líder do PR, leu um manifesto, assinado por 20 dos 32 deputados da bancada, em que pedem que o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva seja candidato à Presidência da República. De acordo com o líder do PR, Lula é o único capaz de conduzir o país “neste momento de crise econômica”.
Em resposta ao radialista Mário Kertész, da rádio Metrópole, Dilma ressaltou que gosta de sua função. “Eu gosto [de ser presidenta], sabe por quê? Porque vamos fechar este ano com mais 750 mil cisternas construídas no Semiárido. Com as cisternas construídas no governo do ex-presidente Lula e no meu, vamos chegar a 1,1 milhão de unidade. Isso me faz gostar muito de ser presidenta”, destacou. Dilma citou também números do Pronatec e do Programa Minha Casa, Minha Vida para justificar o gosto de ser presidenta.
Jornalista das mais bem informadas do país, Joyce Pascowitch publica no site Glamurama que o candidato do PT à presidência da República não será Dilma Rousseff, que iria à reeleição, mas o popstar Lula. Eis a íntegra da nota:
O alto empresariado brasileiro, que tinha dificuldade em dialogar com o Planalto, pode começar a ficar mais tranquilo. O candidato do PT à Presidência da República deverá ser mesmo Lula. Ele já deu como certa nesse fim de semana, para amigos mais próximos, sua intenção de voltar ao posto. No PT, a decisão é vista com bons olhos, já que o partido não concorda com várias posições da presidente Dilma Rousseff.
Wagner discursa em evento em Santa Cruz da Vitória (Foto Pimenta).
O governador Jaques Wagner negou que, junto com Lula, tenha tentado calar o ex-presidente da Petrobras, José Sérgio Gabrielli, quanto à defesa no caso da compra de uma refinaria nos Estados Unidos. “Eu não estou me metendo nisso”, disse durante visita a Santa Cruz da Vitória, no sul da Bahia, neste final de semana.
A suposta tentativa foi publicada no site do jornalista Cláudio Humberto, na última quinta (24). A compra é objeto de Comissião Parlamentar de Inquérito (CPI) no congresso. Além de negar a censura, Wagner elogiou a linha de defesa do hoje secretário de Planejamento da Bahia. “Gabrielli já foi ao Congresso Nacional, vai de novo e está muito seguro para esclarecer as coisas. Quanto ao presidente Lula [interferir], eu não sei”.
O governador baiano integrava o conselho administrativo da Petrobras à época da compra da Refinaria de Pasadena. A aquisição, defende, “era uma decisão correta” pelos dados apresentados. “Tanto que foi votado por unanimidade”, acrescentou. “Acho que essas coisas vão se esclarecer, até por que a Justiça americana negou uma das cláusulas que poderia ser prejudicial à Petrobras”.
O governador ainda defendeu investigação irrestrita ao afirmar que “tudo tem que ser esclarecido, investigado”. “Na verdade, você não encontra nenhum economista, conhecedor profundo do mercado de petróleo, que consiga fazer uma crítica definitiva e dizer que [a compra] foi um erro. Tudo é aposta”, disse, citando, por exemplo, investimentos em perfuração. CRÍTICAS À OPOSIÇÃO
Wagner ressalta que a presidenta Dilma tem razão ao reclamar, como presidente do conselho da Petrobras, que naquela data não foram apresentadas todas as cláusulas do contrato. “É claro que, numa reunião do conselho, você recebe um resumo [do contrato]. Não vou prejulgar, dizer que foi de má-fé”.
A oposição, diz Wagner, está fazendo muita poeira agora por 2014 ser um ano eleitoral. “A oposição adora ter um assunto para falar. Alguns tentam aproveitar isso para desgastar, como se eles fossem partidos puros”.
Questionado pelo PIMENTA quanto aos prejuízos eleitorais do caso, Wagner relativizou. “Vamos medir isso adiante, por que nós já tivemos o mesmo problema ou tão grave em 2005, que foi o Mensalão, e o desempenho eleitoral em 2006 e 2010 foi muito bom”, afirmou.
Dilma vem a Itabuna dia 29.
A presidente Dilma Rousseff estará em Itabuna no próximo dia 29, possivelmente para a inauguração do Projeto Cidade Digital. De acordo com informações do governo municipal, 95% da rede já está instalada.
Além de Itabuna, outros municípios serão beneficiados com internet gratuita. No município sul-baiano, estão sendo implantados 18,5 quilômetros de fibras óticas para garantir acesso à internet de alta velocidade.
A vinda da presidente foi noticiada na edição de hoje da Coluna Esplanada, do jornalista Leandro Mazzini (confira aqui), embora não cite o motivo da visita. Mazzini também fala da intervenção federal na Bahia para que a greve dos policiais militares chegasse ao fim, ontem à tarde (17).
Será a primeira visita de Dilma a Itabuna desde que se tornou presidente. A última ocorreu em março de 2010, quando veio ao Sul da Bahia como ministra e, junto com o então presidente Lula, inaugurou o Gasoduto de Integração Sudeste-Nordeste (Gasene).
José de Abreu diz que Dirceu cumpre pena de forma injusta (Foto Divulgação). Da Redação
O ator José de Abreu disse que a situação do ex-ministro José Dirceu, condenado no processo do Mensalão, é “péssima, a pior possível”. O ator que interpretou Ernest em Joia Rara (Globo) iniciou campanha no Twitter e pede que o ex-presidente Lula saia em defesa do ex-ministro. Tuitada de Abreu convocando Lula e presidente (Reprodução Pimenta).
Ao lembrar da condenação de Dirceu em regime semiaberto e que o ex-ministro cumpre pena em regime fechado há cinco meses, Abreu afirma que Dirceu está “literalmente abandonado”.
– Temos que EXIGIR de LULA uma postura condizente com o que Dirceu significou para ele – escreveu o ator em seu perfil no microblog.
José de Abreu vai além e questiona: “Como confiar num líder [Lula] que abandona seu companheiro numa prisão injusta? Lula tem que se manifestar urgentemente!”.
O ex-ministro José Dirceu, da Casa Civil, foi preso no final do ano passado, após condenação no Supremo Tribunal Federal. O líder do PT foi condenado na Ação Penal 470 a cumprir pena em regime semiaberto.
Cabe aos senhores pré-candidatos à presidência da República a espinhosa tarefa de provar que suas legendas, no caso o PT de Dilma, o PSDB de Aécio Neves e o PSB de Eduardo Campos, não têm culpa no cartório.
Não à toa que estudos apontam um crescente descrédito na classe política: apenas 3% dos brasileiros acreditam que deputados e senadores representam e defendem os interesses da sociedade.
O pior é que tudo caminha para uma situação preocupante, já que os homens de bem se afastam do processo político como o diabo da cruz. Sem falar no desabafo popular de que “todo político é ladrão”.
O duelo entre quem quer permanecer no poder e quem quer tomar o poder é de uma baixaria inominável. O debate de ideias cede lugar para acusações mútuas de corrupção.
Fazendo uma alusão ao pega-pega entre petistas e tucanos, o jornalista Miguel Martins lembra que a rinha entre o PTB de Getúlio Vargas e a UDN de Carlos Lacerda resultou em duas décadas de uma ditadura que nos tirou do trilho da modernidade.
A preocupação agora é com a eleição presidencial, com a política nacional mergulhada em um “mar de lama”. A disputa assentada na criminalização da política, em um pilar “que fez, faz e sempre fará mal à democracia”.
Mas abrir mão da apuração dos fatos em nome de uma eleição civilizada, deixando os larápios do dinheiro público sem punição, é alimentar a impunidade, que fez, faz e sempre fará mal à democracia.
Que sejam todas elas instaladas: CPI da Petrobras, com a compra da refinaria de Pasadena no Texas (EUA), CPI do Metrô de São Paulo, com as licitações fraudulentas, e a CPI do Porto de Suape (PE).
Cabe aos senhores pré-candidatos à presidência da República a espinhosa tarefa de provar que suas legendas, no caso o PT de Dilma, o PSDB de Aécio Neves e o PSB de Eduardo Campos, não têm culpa no cartório.
A dureza da lei não é só para os descamisados. Ex-presidente Lula ao lado da presidente Dilma Rousseff. PLANO B
Só os incautos e desinformados continuam achando que o plano B do PT é uma invencionice da oposição para enfraquecer a candidatura da presidente Dilma Rousseff (reeleição).
O plano B, que é Luis Inácio Lula da Silva como candidato, se tornando imbatível e ganhando a eleição logo no primeiro turno, já foi comentado aqui em duas oportunidades.
Com efeito, o plano B se fortalece na medida em que a presidente cai nas pesquisas de intenção de votos. Dilma só será candidata se não houver nenhum risco do PT perder o comando do cobiçado Palácio do Planalto. O GATO COMEU
Um grupo de vereadores está fornecendo uma recompensa de R$ 3 mil para quem oferecer alguma informação sobre o sumiço de três respiradores pulmonares do Hospital de Base.
A curiosidade fica por conta de como os R$ 3 mil foram divididos, se algum edil deu mais do que o outro. Se o grupo fosse de 21, com todos dando a mesma quantia, caberia R$ 142,85 para cada. Marco Wense é articulista do Diário Bahia.
O líder nacional do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra (MST), João Pedro Stédile, 60, esteve em Salvador no último final de semana, onde participou de uma plenária sobre o Plebiscito por uma Constituinte Exclusiva. Stédile é graduado em economia pela PUC do Rio Grande do Sul e pós-graduado pela Universidade Nacional Autônoma do México.
Nesta entrevista, ele fala também sobre a Reforma Agrária nos governos FHC, Lula e Dilma e diz que o agronegócio utiliza veneno que está o provocando câncer. Stédile também vê o Congresso Nacional dominado pelas bancadas ruralista e do empresariado e faz uma avaliação sobre as próximas eleições. Confira a entrevista concedida a Marival Guedes, especialmente para o Pimenta. BLOG PIMENTA – Vamos começar fazendo uma comparação entre os mandatos de Fernando Henrique, Lula e de Dilma sobre a Reforma Agrária. JOÃO PEDRO STÉDILE – No Brasil, a rigor, nunca tivemos Reforma Agrária no que ela representa, que é um programa de governo que leve a democratização do acesso à terra a todos. FHC abriu as portas para as grandes empresas internacionais, mas teve um azar: o agronegócio, na sua ganância de tomar conta das terras, cometeu dois grandes massacres que deixaram a população indignada. Teve aquela nossa grande marcha à Brasília que fez com que FHC se obrigasse a um programa de assentamentos que foi até razoável, mas foi fruto dos massacres em Carajás e no Paraná. PIMENTA – Com Lula, houve uma grande expectativa… STÉDILE – Nós tínhamos esperança de que o governo Lula pudesse acelerar, mas, infelizmente, ele seguiu apenas a política de assentamentos. Então, onde havia pressão política, houve desapropriações. Nós mantivemos, digamos assim, o mesmo ritmo do governo FHC.
______________
A reforma agrária praticamente parada. E esta é a nossa bronca com relação ao Governo Dilma.
______________
PIMENTA – E estes três anos e três meses do governo Dilma? STÉDILE – Agora, está praticamente parada. E esta é a nossa bronca com relação ao governo Dilma, porque não avançou na Reforma Agrária. PIMENTA – Quais os motivos? STÉDILE – A resposta simplista seria que falta vontade política do governo, mas não é bem assim. A nossa avaliação é de que a correlação de forças na luta de classe na agricultura piorou no governo Dilma. Piorou em função da crise do capitalismo internacional, houve uma avalanche de capital internacional que veio se proteger no Brasil. Investiram em usinas, hidrelétricas, praticamente desnacionalizaram todo o setor canavieiro e compraram muita terra. Isso representa a força do capital que chega lá no interior, compra terra, controla o comércio etc.
______________
O cacau tem o comércio cada vez mais concentrado nas mãos da Dreyfus, Nesttlé e da Cargil. Isso foi de pouco tempo pra cá.
______________
PIMENTA – Pode citar um exemplo? STÉDILE – O cacau tem o comércio cada vez mais concentrado nas mãos da Dreyfus, Nesttlé e da Cargil. Isso foi de pouco tempo pra cá. A segunda explicação é que, dentro do governo Dilma, há uma presença maior do agronegócio. Terceira mudança: o Congresso no governo Dilma é mais ruralista. Aquilo que no governo tava parado – e nos ajudava -, o agronegócio avançou pelo Congresso fazendo chantagem. Esta bancada fazia as mudanças, como foi o episódio do Código Florestal, e impunha ao governo como uma derrota. Estas três circunstâncias levaram o governo Dilma a recuar com relação à Reforma Agrária. PIMENTA – O que o MST reivindica a curto, médio e longo prazos? STÉDILE – De curto prazo, a Carta e a pauta que entregamos na audiência durante nosso congresso, em 13 de fevereiro passado, quando sinalizamos para a presidenta: olha, nós entendemos a correlação de forças, que não depende de vontades pessoais. Mas, ao seu alcance, estão, imediatamente, antes de terminar o governo, algumas medidas concretas de emergência.
______________
Nós temos 100 mil famílias acampadas, inclusive algumas ao longo das rodovias em Itabuna, Ilhéus e outros municípios do sul da Bahia.
______________
PIMENTA – E quais seriam? STÉDILE – Nós temos 100 mil famílias acampadas, inclusive algumas ao longo das rodovias em Itabuna, Ilhéus e outros municípios do sul da Bahia. É um absurdo que nós tenhamos acampamentos com oito anos, pessoas morando debaixo de lona preta. Segunda medida, aqui para Nordeste, nós descobrimos que dentro dos perímetros irrigados, já com tudo pronto, o governo botou água, gastou milhões de reais, existem 80 mil lotes vagos, porque, na política burra do Dnocs e da Codevasf, eles fazem primeiro o perímetro irrigado e depois fazem o edital de licitação em que só o pequeno empresário do sul vem aqui. No caso da Bahia, a região de Juazeiro. E, depois, abandonam. PIMENTA – Quais as razões para esse abandono? STÉDILE – Porque eles criam uma ilusão: “vou plantar manga, abacaxi e vou bamburrar de dinheiro.” O mercado mundial de frutas já tá tomado. Não é chegar assim: vou exportar manga pra Europa e vou ganhar dinheiro. Não há mais mercado pra fruta na Europa, nem sequer da uva. Ao contrário, toda a produção do perímetro irrigado no Nordeste, hoje vai para o mercado nacional, porque aumentou a renda do brasileiro. Então, é melhor vender no Brasil que no exterior. PIMENTA – O que foi feito com estes lotes?
STÉDILE – Estão vagos. Tem 80 mil lotes vagos, tudo pronto com água passando. E nós falamos pra Dilma: pelo amor de Deus, bote sem-terra nestes lotes. Não precisa gastar nada, nem desapropriação, pra eles produzirem alimentos.
______________
A Polícia Federal, nos últimos 12 anos, identificou 566 fazendas onde havia trabalho escravo. Ora, a Constituição é clara: não cumpriu a função social, desapropria. É só ter coragem.
______________
PIMENTA – A questão do trabalho escravo também consta na carta. Qual a reivindicação? STÉDILE – A Polícia Federal, nos últimos 12 anos, identificou 566 fazendas onde havia trabalho escravo. Ora, a Constituição é clara: não cumpriu a função social, desapropria. Não interessa se é produtiva ou improdutiva. É um crime hediondo, primeiro motivo absoluto, o cara que pratica trabalho escravo tem que ter [a área] desapropriada. Então, é só ter coragem e pegar os processos e somente aí já teríamos 566 fazendas. PIMENTA – Quais as ações do MST a partir de agora? STÉDILE – Nós temos três inimigos do pobre do campo: o primeiro é o latifúndio atrasado, que ainda é improdutivo ou que paga mal aos trabalhadores e que agride a natureza. O segundo é o agronegócio, que é moderno, mas não gera riqueza para o povo brasileiro. E o terceiro é este sistema geral, mundial, que transformou o Brasil numa economia de exportação de matéria-prima, apenas. E não fica nenhuma riqueza aqui.
______________
Cargil, Dreyfus e Nestlé controlam as exportações. Elas que ficam com o lucro da riqueza do cacau, não o produtor. Este fica com uma pequena margem.
______________
PIMENTA – Quem controla as exportações?
STÉDILE – O agronegócio aumenta cada vez mais as exportações, mas Cargil, Dreyfus e Nestlé controlam as exportações. Elas que ficam com o lucro da riqueza do cacau, não o produtor. Este fica com uma pequena margem. Então, se queremos que o cacau seja um produto orgânico para produzir chocolate para o povo brasileiro, temos que derrotar este sistema destas empresas transnacionais. São nossas inimigas. Para ler a íntegra, clique no link a seguir:Leia Mais
O ministro da Secretaria-Geral da Presidência da República, Gilberto Carvalho, rechaçou ontem os rumores de que o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva voltará ao jogo eleitoral nas eleições de outubro.
Para o ministro, que foi chefe de gabinete de Lula durante os oito anos em que o petista ocupou o Palácio do Planalto, o tema não passa de “fofoca”. Informações do Valor.
Do Blog do Josias
Num instante em que um grupo de petistas reúne coragem e argumentos para pedir-lhe que substitua Dilma Rousseff na urna eletrônica de 2014, Lula decidiu agir em sentido inverso. Em privado, voltou a desautorizar o coro do ‘volta, Lula’. Reafirmou seu apoio à presidente. Mencionou duas razões: 1) ela “tem direito de pleitear” a reeleição; 2) ela “tem todas as condições de ser reeleita.”
Lula se irritou com a retomada do assunto. No relato de um petista que diz ter testemunhado a irritação, o padrinho de Dilma ele classifica a pregação em favor do seu retorno como “uma burrice”. Para ele, em vez de perder tempo com tais “tolices”, o PT deveria se unir para ajudar Dilma a prevalecer no primeiro turno.
Na visão de Lula, os cultores do passado tendem a silenciar quando ele começar a percorrer o país pedindo votos para Dilma. Algo que planeja iniciar até o final de março.