Ministério da Justiça e Segurança Pública formalizou prorrogação nesta sexta-feira (17)
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O Ministério da Justiça e Segurança Pública prorrogou por mais 90 dias o emprego da Força Nacional de Segurança Pública em apoio à Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai) na Bahia. A medida foi publicada nesta sexta-feira (17), no Diário Oficial da União.
A atuação ocorre nas terras indígenas dos povos Pataxó e Pataxó Hã Hã Hãe, no extremo-sul do estado, com foco na preservação da ordem pública e na segurança de pessoas e do patrimônio. O novo prazo vai de 22 de abril a 20 de julho de 2026.
De acordo com a portaria, o apoio logístico ficará sob responsabilidade da Funai, enquanto o contingente será definido pela Diretoria da Força Nacional, vinculada à Secretaria Nacional de Segurança Pública. A operação será desenvolvida em articulação com os órgãos de segurança da Bahia e sob coordenação da Polícia Federal.
Obra de Glicéria Tupinambá é destaque na Bienal de Veneza || Foto Rafa Jacinto, da Fundação Bienal de São Paulo
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Um projeto que reúne obras de artistas indígenas do sul da Bahia é um dos destaques na Bienal de Veneza, na Itália. A 60ª Exposição Internacional de Arte fica em cartaz até 24 de novembro. É a Foreigners Everywhere, a Estrangeiros em Todos os Lugares numa tradução livre. O evento conta com obras de 332 artistas de vários países.
Composto por obras como Okará Assojaba e Dobra do tempo infinito, de Glicéria Tupinambá, também conhecida como Célia Tupinambá; e Equilíbrio, de Olinda Tupinambá, o projeto baiano é destaque no Pavilhão Hãhãwpuá, destinado aos artistas brasileiros. O Pavilhão tem a curadoria de Arissana Pataxó, Denilson Baniwa e Gustavo Caboco Wapichana.
Os indígenas do sul da Bahia estão na Bienal de Veneza com o Projeto Ka’a Pûera, que significa “Nós Somos Pássaros Que Andam”. Ka’a Pûera também que dizer: um lugar, uma floresta desmatada, mas que se regenera depois de um tempo, segundo afirmam indígenas.
Com as obras Okará Assojaba e Dobra do tempo infinito, Glicéria Tupinambá compartilha suas visões sobre a relação entre humanidade, natureza e memória. A Dobra do tempo infinito é uma videoinstalação onde são transmitidos saberes por meio de processo de produção de redes de arrasto e outras atividades cotidianas indígenas. “A obra inclui a produção de seis vídeos, um trabalho desenvolvido pelos próprios indígenas”, conta o itabunense Augusto Santos, que se denomina artista de Imagem Digital.
A outra obra é composta por um manto tupinambá e redes de arrasto. O manto (foto abaixo) é considerado símbolo sagrado. Ele é utilizado em rituais por pajés, majés e caciques. A vestimenta disponibilizada na exposição na Itália é a terceira confeccionada por Glicéria. A primeira foi produzida em 2006 e doada para o Museu Nacional. A segunda foi confeccionada em 2021 para Funarte, em São Paulo.
Glicéria Tupinambá tem obra exposta na Bienal de Veneza || Foto Fundação Bienal de São Paulo
Augusto Santos participou do processo de uma das obras exibidas da Bienal de Veneza, promovendo oficinas para que os indígenas fizessem as filmagens das atividades de transmissão de saberes e das entrevistas com personagens da comunidade. O itabunense relata ainda que fez a produção e edição dos vídeos que estão sendo exibidos na amostra.
Outra obra indígena que está impactando quem visita o Pavilhão Hãhãwpuá, na Itália, é a Kaapora- o chamado das matas, entidade que também é mobilizada na videoinstalação “Equilíbrio”. De autoria de Olinda Tupinambá, a obra apresenta um retrato da condição humana na terra e uma discussão crítica da relação destrutiva da civilização com o planeta do qual depende.
Olinda Tupinambá ajuda a contar a história do povo indígena brasileiro || Foto Maurício Requião
Entre os visitantes da amostra está o ex-vice-prefeito de Itabuna e Superintendente de Economia Solidária da Secretaria do Trabalho, Emprego, Renda e Esporte da Bahia, Wenceslau Junior, que está de férias com a família na Itália. “Estamos aqui nesta sexta-feira, 3 maio, na Bienal de Veneza, eu e Márcia (Márcia Rosely Oliveira, esposa), visitando o Pavilhão do Brasil. É muito importante esse resgate da história tupinambá, do povo da Serra do Padeiro e de Olivença. Parabenizar Célia Tupinambá por resgatar essa cultura ancestral. Essa arte de construir esse manto sagrado”.
De acordo com Wenceslau Junior, é muito importante resgatar a dívida histórica que o Brasil tem com o povo indígena tupinambá. “Sobretudo no que diz respeito a demarcação imediata das terras das comunidades de Olivença e Serra do Padeiro. A luta continua. Demarcação já”, defende em vídeo enviado ao PIMENTA. Ele também destacou o trabalho feito por Augusto Santos, que promoveu as oficinas e editou os vídeos.
Casal Wencelau Júnior e MárciaRoseli visita exposição com obras de indígenas na Itália || Foto Divulgação
QUEM SÃO AS ARTISTAS
Glicéria Tupinambá nasceu em 1982, na Serra do Padeiro. Ela está fazendo mestrado no Programa de Pós-Graduação em Antropologia Social na Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). O projeto Nós Somos Pássaros Que Andam, que está na Bienal de Veneza, garantiu à artista a 10ª edição da Bolsa de Fotografia ZUM/IMS. Ela também foi vencedora do Prêmio Pipa 2023.
Olinda Tupinambá é artista, jornalista, documentarista, cineasta e ativista ambiental. Ela é da terra indígena Tupinambá de Olivença, em Ilhéus, mas atua na comunidade Pataxó Hã-hã-hãe, na aldeia Caramuru-Paraguaçu, em Pau Brasil, onde mora. Em 2020, Olinda participou, na Pinacoteca de São Paulo, da exposição Véxoa: nós sabemos.
Roberto foi encontrado morto dentro de casa || Foto Reprodução
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A Polícia Civil investiga o assassinato do indígena Roberto Braz Ferreira, de 43 anos, encontrado morto hoje (16), em sua casa, na Aldeia de Barra Velha, em Porto Seguro, no extremo-sul da Bahia. Ele foi assassinado com golpes de machado, na noite de ontem (15).
Ainda não há informações sobre a motivação e a autoria do crime. O Departamento de Polícia Técnica de Eunápolis recolheu o corpo para perícia. Até o momento, ninguém foi preso.
Roberto Braz é o segundo indígena morto violentamente no interior baiano em menos de um mês. Na tarde de 21 de dezembro passado, uma quinta-feira, o cacique Pataxó Hã-Hã-Hãe Lucas Santos de Oliveira, Lucas Kariri-Sapuyá, de 31 anos, foi morto a tiros quando retornava para a comunidade onde morava, em Pau Brasil, no sul do estado (relembre).
Um indígena da etnia Pataxó foi morto a tiros, na madrugada deste domingo (24), na Aldeia Novos Guerreiros, em Porto Seguro, no extremo-sul da Bahia. O crime aconteceu na tarde de sábado (23), quando ele estava produzindo peças de artesanato e um homem invadiu a casa.
De acordo com informações da Polícia Civil, o homem foi identificado como Iris Braz dos Santos, de 44 anos. Ele foi socorrido para um hospital da região, mas não resistiu aos ferimentos.
O corpo de Iris Braz foi velado na Aldeia de Coroa Vermelha, em Santa Cruz Cabrália, e o enterro está previsto para a tarde deste domingo, no cemitério de Coroa Vermelha. O indígena era tio do jovem pataxó morto após reclamar de som alto em festa. O caso será investigado pela 1ª Delegacia Territorial (DT) de Porto Seguro. Do Metro1.
Ato em memória de Galdino ocorreu nesta noite, em Brasília (Foto Marília Marques/G1).Galdino foi morto, de forma cruel, por 5 jovens em Brasília.
Indígenas de todo o país e representantes de entidades de defesa dos direitos humanos realizaram um ato ecumênico na noite desta quinta-feira (20), para lembrar os 20 anos do assassinato do índio pataxó Galdino Jesus dos Santos. Ao som dos maracás e à luz de velas, os indígenas fizeram um círculo ao redor do marco na Praça do Compromisso, na 703/704 Sul, em Brasília.
Wilson Jesus de Souza, sobrinho de Galdino disse que a memória do tio, morto por quatro jovens em 1997, “continua viva”. Todos os anos Wilson participa dos atos e destaca que esta “não é uma comemoração”. Ao G1, o sobrinho de Galdino falou que até hoje está em busca de “mais justiça” para que não aconteçam outros casos semelhantes.
Durante o ato ecumênico, indígenas entoaram cantos pataxós, poesias e gritaram palavras como “Galdino vive!”. A procuradora-geral da República, Débora Duprat, compareceu ao ato e lembrou que em abril de 1997, estava à frente da pasta do Ministério Público Federal, na época, responsável pelas populações e comunidades indígenas tradicionais.
“Nós aguardávamos o índio Galdino para uma audiência, foi quando soubemos da morte dele”. A procuradora-geral diz que passados 20 anos da morte, “o atual cenário é ainda mais complicado”. Leia a íntegra
Índio levava arma e droga quando foi preso em Coroa Vermelha
O índio pataxó Rodrigo dos Santos Ferreira, de 19 anos, foi autuado ontem por tráfico de drogas. Investigadores da Delegacia de Santa Cruz Cabrália flagraram Rodrigo com oito pedras de crack e um revólver calibre 32, carregado. Ele se encontrava nas imediações de um campo de futebol, na aldeia de Coroa Vermelha.
À polícia, Rodrigo confessou que já tinha vendido uma pedra de crack no mesmo dia em que foi preso. O pataxó é acusado de comercializar droga em parceria com outros índios.
Homens da Força Nacional desobstruem estrada em Pau Brasil (Foto Luiz Fito/A Tarde)
O ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, assinou ontem uma portaria que prorroga por mais 60 dias a permanência da Força Nacional de Segurança Pública no sul da Bahia. A portaria número 5 foi publicada na edição do Diário Oficial da União desta quinta-feira (20).
A Força Nacional está na região desde 30 de outubro, dias após uma onda de invasões e conflitos entre produtores rurais e indígenas (relembre aqui), quando 20 propriedades foram tomadas pelas duas etnias no espaço de menos de duas semanas. A decisão do ministro atende a um pedido da delegacia ilheense da Polícia Federal, feito no último dia 12.
A PF, que desenvolve a “Operação Pataxó” com a Força Nacional, ainda vê sérios riscos de conflitos entre produtores e índigenas tanto na área pataxó – municípios de Pau Brasil, Camacan e Itaju do Colônia – como no território atribuído pela Fundação Nacional do Índio (Funai) aos tupinambás, nos municípios de Ilhéus, Una, Buerarema e São José da Vitória.
O período de permanência poderá ser prorrogado, segundo o ministro José Eduardo Cardozo. A portaria assinada pela autoridade federal expressa que a permanência da Força Nacional de Segurança Pública na região tem o objetivo “de garantir a preservação da ordem pública e da incolumidade das pessoas e do patrimônio”.
A polícia ainda busca esclarecer as razões que levaram um índio de 16 anos a matar o ex-vereador e professor Edmilson Pereira de Oliveira, 32, em Pau Brasil, no sul da Bahia. O assassinato ocorreu em um bar da cidade nesta quinta (25). O pataxó hã-hã-hãe atacou a vítima de forma inesperada, desferindo-lhe uma facada no coração.