Radialista Robério Menezes, de 68 anos, faleceu nesta sexta-feira || Foto Redes sociais
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O jornalismo esportivo baiano perdeu, no início da tarde desta sexta-feira (6), Robério Menezes, de 68 anos. O radialista é um dos nomes mais importantes da crônica esportiva do estado, com passagens por emissoras como a Rádio Jornal de Itabuna.

Robério chegou a ser internado no Hospital de Base de Itabuna, no início desta semana. A morte do profissional é lamentada pelos colegas de profissão. Ele começou a trabalhar na área na década de 70, na Rádio Jornal. Depois, ajudou a formar vários profissionais do jornalismo esportivo no sul da Bahia.

Há mais de 10 anos, o radialista comandava o blog Jornal Sport News, com notícias gerais e dos esportes no Brasil e no mundo. Ainda não há informações sobre velório e sepultamento do profissional.

PESAR

O prefeito Augusto Castro emitiu uma nota de pesar, há pouco, lamentando a partida do profissional. “Com notável carreira profissional no rádio esportivo itabunense, desde o final da década de 70, Robério Menezes levou para os microfones um grande número de pessoas que com ele fizeram história na radiofonia grapiúna.

O corpo do radialista Robério Menezes Cunha é velado desde às 16h desta sexta-feira (6) na Funerária SAF, na Avenida Juca Leão, 272, no Centro de Itabuna. O sepultamento será amanhã (7), às 9h, no Cemitério Campo Santo, na mesma cidade. Atualizado às 17h14min para acréscimo de informação.

Orlando Cardoso, de azul e na foto com Jorge Braga e Silmara Souza, foi dirigido por Lourival Ferreira
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De volta a Itabuna, Lourival Ferreira soube por ouvintes a falha humorística e pegou o rolo da fita do programa para ouvir a gravação. Para não deixar de graça, deu um esporro em cada um.

 

Walmir Rosário

Lourival de Jesus Ferreira era um técnico em eletricidade e eletrônica que montou as três emissoras de rádio AM de Itabuna – Clube, Difusora e Jornal, nas décadas de 1950 e 60. Também foi redator, apresentador de programas e diretor de emissoras, um faz tudo conceituado e suas criações e produções eram respeitadas. Todas campeãs de audiência.

Apesar de pessoa de bom trato, educado, Lourival era muito exigente e cobrava qualidade dos colegas que dirigia. Na Rádio Difusora Sul da Bahia, do empresário e deputado estadual Paulo Nunes, tinha o aval dos filhos do parlamentar, sobretudo Paulo Nunes Filho e Hercílio Nunes, este o administrador da emissora.

Lourival Ferreira era o “homem de sete instrumentos” e suas recomendações deveriam ser cumpridas à risca, sob pena de um olhar mais duro, reclamação, suspensão e até demissão. Com o passar do tempo, Lourival estudou direito, advogou em Itabuna, prestou concurso para a magistratura, foi juiz em Una, Itabuna, Salvador e chegou ao cargo de desembargador.

Assim que foi trabalhar no setor esportivo na Rádio Difusora, o “olhar clínico” de Lourival Ferreira identificou outras qualidades no narrador Orlando Cardoso, como apresentador de programas e noticiarista. De início, passou a trabalhar em parceria com Romilton (Teles dos) Santos, já “cascudo” no microfone e que encarnava o personagem “Martelo”, no programa Martelo e Martelinho (Eurípedes).

Como Orlando Cardoso já tinha ganhado a confiança, numa de suas muitas viagens, Lourival Ferreira indica Orlando para substituí-lo na apresentação da Resenha Esportiva que ia ao ar das 18h45min às 19 horas. Na produção o sisudo Raimundo Galvão, e na apresentação Romilton Santos e Orlando. Antes da viagem, as recomendações de praxe: “Era um programa em que as brincadeiras não eram toleradas, daí a escolha”.

E a Resenha Esportiva continuou no padrão de antes, até que um dia, ao noticiar sobre o novo material esportivo do Itabuna amador (ainda o amarelo e preto), Orlando abre o microfone e diz: O Itabuna acabou de receber o seu novo material esportivo, vindo de Santa Catarina. E Romilton complementa: O material do Itabuna consta de maiôs, camisas e chuteiras.

Diante da falha de Romilton, que trocou a palavra meiões por maiôs, Orlando Cardoso não se contém, cai na gargalhada e não consegue se recompor. Aí Romilton empurra Orlando da cadeira e toma a frente, tentando consertar: Aliás, quer dizer, meiões, camisas e chuteiras. Em seguida pede um comercial e lembra o que Lourival Ferreira teria recomendado: “Nada de brincadeiras”. Recompostos, os dois disseram que imaginaram os pesados atletas do Itabuna com as genitálias dentro de um maiô.

De volta a Itabuna, Lourival Ferreira soube por ouvintes a falha humorística e pegou o rolo da fita do programa para ouvir a gravação. Para não deixar de graça, deu um esporro em cada um. Depois caíram na gargalhada. Tapinhas nas costas de Romilton e Orlando, o que seria a recomendação de continuarem, porém sempre observando os textos com atenção.

Outro grande locutor e apresentador da Rádio Difusora foi Germano da Silva. Crooner do Lord Ritmos (se não me engano o nome) e que culminou no Lordão anos depois, Germano foi locutor comercial e apresentador de programas e shows de auditório e praças. Dono de um vozeirão impecável, o locutor gostava sempre de falar palavras difíceis e com sotaque carioca.

Numa manhã, enquanto Germano faz a locução de um texto comercial, ressalta a palavra gratuito por “gratuíto”, em alto e bom som, caprichando na separação do ditongo “ui”, pronunciando “gra-tu-í-to”. E isso justamente quando Lourival Ferreira ia chegando à sala da técnica de som. Pela cara que fez, deu a impressão que tinham estourados os tímpanos do diretor.

Imediatamente, chamou Germano da Silva em sua sala e impôs como castigo ao apresentador Germano da Silva a compra imediata de um caderno de 100 folhas e que escrevesse a frase “a palavra correta é gratuita”, por três mil vezes. Germano tentava se explicar, mas não sabia como consertar. E Lourival Ferreira foi categórico: “Só me volte aqui quando tiver escrito tudo e aprendido a pronúncia correta”.

E assim foi feito. Como era uma sexta-feira, deixou a sede da emissora, passou numa papelaria, adquiriu o caderno recomendado, e passou o fim de semana escrevendo. Na segunda-feira se apresentou, mostrou a escrita e pronunciou a frase por diversas vez, por exigência do diretor. Foi reconduzido ao programa e continuou o showman no microfone.

Germano da Silva passou a atuar também na política, foi assessor de imprensa da Prefeitura de Itabuna por vários anos e apresentador de shows. Cursou Direito e passou a advogar em toda a região, atuando em várias áreas da advocacia. Germano Lopes da Silva é Patrono da Cadeira nº 11 da Academia de Letras Jurídicas do Sul da Bahia.

Walmir Rosário é radialista, jornalista e advogado, além de autor de livros como Os grandes craques que vi jogar: Nos estádios e campos de Itabuna e Canavieiras, disponível na Amazon.

A torcida itabunense lotava o estádio Luiz Viana Filho || Foto Waldyr Gomes
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Vem o segundo tempo e Geraldo Santos abre a transmissão com o grito de guerra “Vamos lá Itabuna”, os times se estudam, como no início de jogo, mas ao que tudo indica, os técnicos Paulinho de Almeida, do Vitória, e Tombinho, do Itabuna, pedem para os jogadores apenas tocar a bola. 

 

Walmir Rosário

Guardem bem essa data: 28 de julho de 1973. Dia da Cidade de Itabuna e inauguração do Estádio Luiz Viana Filho. A cidade repleta de autoridades, como o governador Antônio Carlos Magalhães, o secretário do Bem-Estar Social, Bernardo Spector, os presidentes do Vitória, do Bahia, da Federação Bahiana de Futebol, o prefeito José Oduque e o presidente do Itabuna, Charles Henri.

E para inaugurar o estádio, que ficou conhecido como o “Gigante do Itabunão”, dois jogos foram agendados: o primeiro, entre Itabuna Esporte Clube e Vitória, no sábado (28-07-1973), e o segundo, entre Bahia e Cruzeiro, este no domingo (29-07-1973). Uma festa esportiva pra ninguém botar defeito, com público de várias cidades baianas, além da imprensa de diversos estados brasileiros.

Até hoje sinto bastante não estar presente à efeméride esportiva grapiúna, pois à época morava em Paraty (RJ), de onde ouvi resenhas e parte do jogo pela Rádio Sociedade da Bahia. Claro que não lembro exatamente o que ouvi, mas faço escrita das palavras dos colegas radialistas, Geraldo Santos, Yedo Nogueira, Ramiro Aquino, Roberto, Juca e Jota Hage, por meio da Rádio Jornal de Itabuna, cuja gravação ostento com carinho em minha biblioteca.

Geraldo Santos e Yedo Nogueira (com os microfones) || Acervo de Walmir Rosário

Pra começo de conversa, o Itabuna era um time de respeito, com jogadores vindos da vitoriosa Seleção itabunense hexacampeão baiana, bem reforçada com novos jogadores regionais e do Rio de Janeiro. Mas, a bem da verdade, encarar aquele poderoso esquadrão do Vitória era dose pra elefante, como se dizia bem antigamente.

E o jogo entre Itabuna e Vitória valia mais do que o placar de 2X2 anotado ao final da partida. A histórica inauguração do estádio de gramados suspensos, como enaltecia a mídia esportiva, tinha a grandeza do que aconteceria no jogo, como, por exemplo, quem marcasse o primeiro gol seria consagrado para o resto da vida. E esse feito coube ao ponteiro-direito Osny, o endiabrado camisa 7 do Vitória.

Outro aspecto importante dessa inauguração era o privilégio de estar presente no jogo 12 do teste de número 146 da Loteria Esportiva, sob os olhares dos apostadores de todo o Brasil. E ao anunciar o placar, o narrador Geraldo Santos não cansava de enfatizar em qual coluna se encontrava – um, do meio ou a dois, E terminou na coluna do meio, com o placar de 2×2.

E nessa transmissão, a Rádio Jornal ostentava como patrocinador exclusivo o novíssimo Centro Comercial de Itabuna, equipamento urbano considerado o mais moderno do Sul da Bahia. Num dos reclames, Geraldo Santos dizia: “Marque o maior tento de sua vida, compre uma loja no Centro Comercial de Itabuna, a obra do século”, como queria o bom marketing da época.

Após uma parada no jogo para os jogadores baterem uma falta, lateral ou escanteio, Geraldo Santos indicava aos possíveis clientes que poderiam adquirir uma loja na Construtora Fernandes, na avenida Amélia Amado, ou junto ao empreendedor Plínio Assis, na praça Otávio Mangabeira. E o Plínio era aquele mesmo que foi goleiro do Flamengo e da Seleção Amadora de Itabuna.

Enquanto isso, o jogo continuava pegado, com vantagem do Vitória nas jogadas, principalmente de Osny, Mário Sérgio, André e Almiro. Segundo o comentarista Yedo Nogueira, o jogo ainda se encontrava na fase de estudo, reconhecimento do terreno. E o narrador prometia dar um rádio Philips de presente ao jogador que marcasse o primeiro gol no Estádio Luiz Viana, uma gentileza da Loja Rosemblait

Aos sete minutos do primeiro tempo, eis que André, ainda o “Peito de Aço”, invade a área, dribla o goleiro Luiz Carlos, que derruba o centroavante na grande área. Pênalti, marca o árbitro Saul Mendes. O serelepe Osny se prepara para bater a penalidade máxima, chuta com maestria e o resultado foi bola no canto esquerdo e o goleiro caindo no canto direito. Gol do Vitória!

Coluna 2 do jogo 12 do teste 146 da Loteria Esportiva. Em outro lance, enquanto o Itabuna se prepara para bater um escanteio, Geraldo Borges convida os ouvintes de toda a região para assistirem ao super show do cantor Roberto Carlos e Banda RC7 no novíssimo Estádio Luiz Viana Filho, no próximo dia 2 de agosto. Em campo, Reginaldo bate o tiro de canto e a zaga do Vitória rebate para o ataque.

Exatamente aos 16 minutos do primeiro tempo, enquanto o comentarista Yedo Nogueira analisa que o Itabuna está sem qualquer esquema de jogo para entrar na área do Vitória, André volta a receber outra bola e marca o gol. O Segundo do Vitória. Imediatamente os jogadores partem em direção ao bandeirinha Wilson Lopes para reclamar do mais claro e límpido impedimento e são ameaçados de expulsão pelo árbitro Saul Mendes. Só faltou dizer “gol legal”, como Mário Vianna, com dois enes.

E a partida continua na coluna 2 no jogo 12 do teste 146 da Loteria Esportiva. Aos 30 minutos Osny chuta raspando a trave de Luiz Carlos. Aos 33 minutos, Déri invade a grande área e pega o goleiro Agnaldo, do Vitória desprevenido e marca o primeiro gol do Itabuna, fazendo delirar na arquibancada a torcida alvianil.

E o gol deu ânimo aos jogadores do Itabuna e numa jogada de ataque, Rafael passa pelo marcador, a bola é rebatida por Valter (Vitória) cai nos pés de Perivaldo, que passa a pelota a Jaci, que dá o passe para Déri marcar o segundo gol. A torcida, animada pela bateria da Escola de Samba da Mangabinha, comemora pra valer. Itabuna 2, Vitória também 2. Coluna do meio na loteca.

Vem o segundo tempo e Geraldo Santos abre a transmissão com o grito de guerra “Vamos lá Itabuna”, os times se estudam, como no início de jogo, mas, ao que tudo indica, os técnicos Paulinho de Almeida, do Vitória, e Tombinho, do Itabuna, pedem para os jogadores apenas tocar a bola. E assim o placar continuou selado nos 2X2 e Déri também é agraciado com um rádio Philips da Loja Rosemblait.

No dia seguinte o jogo foi entre Cruzeiro e Bahia, e não passou de 1×1.

Walmir Rosário é radialista, jornalista e advogado, além de autor de livros como Os grandes craques que vi jogar: Nos estádios e campos de Itabuna e Canavieiras, disponível na Amazon.

José Oduque deixa legado na gestão pública e como empresário || Foto Diário Bahia
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O ex-prefeito de Itabuna e empresário José Oduque Teixeira faleceu, na madrugada desta quarta-feira (29), em sua residência, no Góes Calmon, aos 100 anos, completados no último dia 19 de outubro. A morte foi confirmada por familiares nesta manhã.

Dos empresários mais ricos da Bahia, Oduque foi prefeito de Itabuna nos anos 1970. É lembrado pela gestão austera e por implantar política de atração de serviços e empresas para Itabuna, a exemplo da Nestlé.

A PRAIA DE ODUQUE

Oduque ainda tentou retornar à Prefeitura em 1992, mas acabou derrotado por Geraldo Simões (PT), considerada a zebra daquela disputa que também teve no páreo o ex-prefeito Ubaldo Dantas. Da peleja eleitoral, uma “promessa”: trazer praia para Itabuna. Numa entrevista concedida ao jornal A Região, há 20 anos, Oduque explicou a sua ideia para de praia no município:

– Quem conhece Brasília sabe que por lá há um lago artificial, onde até ondas existem. Entendemos que Itabuna poderá ter um similar porque a juventude me cobra isso. Estamos estudando a possibilidade de encontrar uma solução técnica que viabilize a criação de um bosque, com uma praia artificial. No Distrito Federal, onde o clima é seco, foi possível, por isso creio que a construção desse lago em Itabuna também seja viável.

O EMPRESÁRIO

Como empresário, Oduque começou a sua trajetória empresarial com a Casa Teixeira e, na sequência, a Oduque Veículos, concessionária da Ford que marcou época no interior baiano. Também investiu no mercado imobiliário grapiúna e em transporte de cargas.

O ex-prefeito e empresário também foi dos maiores investidores em comunicação no sul da Bahia, com a Rádio Jornal de Itabuna, reconhecida pela sua qualidade de som e de equipe nos tempos em que ele esteve à frente como proprietário. Com o Diário Itabuna, veículo já extinto, revelou grandes nomes para o jornalismo baiano. Ele também teve contribuição em clubes de serviço, presidindo o Rotary Club Itabuna, e comandando a Associação Comercial de Itabuna (ACI).

CORAJOSO

Há pouco, por meio de nota de pesar, o prefeito Augusto Castro lembrou de sua participação nos festejos do centenário de nascimento do empresário e ex-gestor municipal. “Tido como um dos homens mais ricos do sul da Bahia, Oduque foi um corajoso que contribuiu muito para o desenvolvimento socioeconômico de Itabuna”, expressou. “Neste momento de dor, rogo a Deus que conforte seus familiares, ex-colaboradores e amigos. Que sua boa alma siga em paz”.

O jornalista e ex-funcionário da Rádio Jornal Ederivaldo Benedito prestou comovente homenagem. “Seu José Oduque, meu primeiro e inesquecível patrão, foi um ser humano íntegro, corajoso; um empreendedor, que contribuiu para o desenvolvimento socioeconômico desta terra”.

ATRAÇÃO DE INDÚSTRIAS

Bené, como é chamado por amigos e colegas de profissão, elencou obras e ações de Oduque como prefeito. “Oduque realizou importantes obras, a exemplo da ampliação do sistema de telefonia, o inicio do asfaltamento das principais ruas da cidade. Implantou o Centro Industrial de Itabuna, atraindo a Nestlé, a Coograp e inúmeras outras indústrias de pequeno porte. Em 1973, em inaugurou o Itabunão, e em 28 de julho de 1977, inaugurou o Centro Administrativo – hoje, sede da UniFTC [Unex], na praça José Bastos – construído com recursos próprios”.

Jorge Caetano entrevista o Rei Pelé || Foto Arquivo Pessoal
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– Jorge Caetano, você viu que cacete? – pergunta o narrador Paulo Kruschewsky.

Até hoje não se sabe ao certo a informação de Jorge Caetano, mas segundo a galera do radinho de pilha colado ao ouvido, ele teria dito:

– Vi, sim, Paulo Kruschewsky, estava em cima dele!

Walmir Rosário

Itabuna e Ilhéus possuíam vários times, todos recheados de craques. Isto quase todos sabem. Entretanto, poucos conhecem os craques dos microfones esportivos daquela época. Eram muitos e bons, afirmo com toda a tranquilidade. E um deles era (e é) Jorge José Caetano Neto, ou simplesmente Jorge Caetano, que atuou durante anos na reportagem de campo e na narração de jogos, o que ainda faz até os dias de hoje.

E pra começo de conversa, Jorge Caetano foi revelado em Ilhéus, onde morava, e passou a integrar a equipe da Rádio Bahiana, inicialmente como plantonista, depois como repórter. E o início foi obra do acaso e das boas amizades. Um belo dia, o empresário Moisés Bohana, que tinha sido colega de escola, perguntou se queria trabalhar na emissora. Não deu outra, começou no dia seguinte, para ganhar experiência.

Com o traquejo, pouco tempo depois passou para a Rádio Jornal de Ilhéus (hoje Santa Cruz), de Osvaldo Bernardes, já como repórter esportivo. E por lá foi ampliando os conhecimentos, tanto que em pouco tempo já era um disk joquei. Nessa época conheceu o radialista Seara Costa, com quem passou a formar dupla. E o rádio ilheense parecia um zoológico, dada a quantidade de “feras” no microfone.

Djalma e o irmão Fernando Costa Lino, Armando Oliveira, o futuro governador Paulo Souto, Juarez Oliveira, Paulo Kruschewsky, eram as figurinhas carimbadas com os quais passou a dialogar no rádio esportivo ilheense. Em 1970 é aprovado num concurso da Ceplac e conhece o radialista Geraldo Santos (Borges), que lhe abriu caminho no rádio itabunense, onde predominavam profissionais de altíssimo nível.

Nessa época se transfere para a Rádio Jornal de Itabuna e o diretor Waldeny Andrade o escala para substituir Geraldo Santos, ocupado com o mestrado no Rio de Janeiro. De início, como era costume, passou a narrar em companhia de Cordier, cada qual um dos tempos dos jogos. E nesta época trabalhou lado ao lado de Nílson Rocha, Lucílio Bastos, Lima Galo, Orlando Cardoso, Ramiro Aquino e outros craques do microfone esportivo.

E Jorge Caetano viveu muitas histórias nas transmissões esportivas nos campos do interior baiano. Certa feita, em Maracás, foi transmitir o jogo das seleções de Itabuna e a local. Sem saber, o sinal da rádio Difusora, para quem narrava, estava sendo retransmitido para o serviço de sonorização da cidade. De repente, o céu escurece e cai um toró. Como a chuva não parava, o campo se transformou num imenso lamaçal.

Desconhecendo que toda a cidade o escutava pelo serviço de som, passou a falar das péssimas condições do campo. De repente, ouve o pipocar de fogos. E Jorge Caetano pensava que a torcida apenas comemorava a entrada de sua seleção em campo. Mas como os fogos vinham na direção da equipe da Rádio Difusora, se deu conta que seus comentários sobre o gramado mexeu nos brios da população local.

Jorge Caetano em seu estúdio em Itajuípe || Foto Walmir Rosário

Após se casar, Jorge Caetano passa a residir em Itajuípe e continua a trabalhar no rádio esportivo. Com o tempo, se elege vereador, se torna presidente do Legislativo e passa a ser tratado pelos colegas – no ar – como o Repórter Presidente. Certa feita, viaja a Santo Antônio de Jesus com o narrador Orlando Cardoso, para transmitir uma partida entre o Leônico e Itabuna pelo Torneio de Acesso.

Só que o ônibus em que viajaram não entrava na cidade e desembarcaram na BR-101, com enormes sacolas de equipamentos. Aquela seria a última narração esportiva de Orlando Cardoso. Enquanto caminhavam em direção à cidade, comentavam a cena que viviam: dois radialistas e vereadores tendo que transportar aquela bagagem, por não atentarem para o itinerário do ônibus, até que uma providencial carona os salvaram dos fardos.

As transmissões do Campeonato Intermunicipal eram antecedidas por verdadeiras batalhas radiofônicas, insuflando a rivalidade entre os torcedores. Certa feita, numa partida entre os selecionados de Itajuípe e Coaraci, a animosidade se agravou. E os torcedores de Coaraci prepararam a vingança jogando pedaços de melancia, sendo que um delas bate na cabeça de Jorge Caetano.

Noutra feita, num jogo entre Cachoeira e Itajuípe, ao chegar ao estádio, um torcedor grita: olha, seu “fdp” se você gritar um gol aqui eu te jogo dentro do rio. Quando Jorge Caetano se dá conta, estava localizado no final da arquibancada, quase em cima do muro e o rio logo abaixo. A Seleção de Itajuípe ganhou por três a zero ele teve que narrar o jogo bastante apreensivo.

Todo o radialista, ao se preparar para a área esportiva, um dos métodos mais fáceis é se inspirar nos colegas famosos. E com Jorge Caetano não foi diferente. Mesmo não gostando de imitar, ouvia com atenção José Carlos Araújo, César Rizzo, Edson Mauro, Orlando Cardoso e Geraldo Santos, e às vezes até puxava nuances do estilo de cada um deles para sedimentar um estilo próprio.

Já com bastante experiência, um lance deixou o repórter Jorge Caetano bastante famoso. Jogavam no estádio Mário Pessoa Flamengo e Colo-Colo de Ilhéus. E o atacante do Flamengo, Parará, dribla dois zagueiros do Colo-Colo e dá um chute violento em direção ao gol, que passa raspando a trave. E então o narrador Paulo Kruschewsky aciona o repórter Jorge Caetano para completar a informação.

– Jorge Caetano, você viu que cacete? – pergunta o narrador.

Até hoje não se sabe ao certo a informação de Jorge Caetano, mas segundo a galera do radinho de pilha colado ao ouvido, ele teria dito:

– Vi, sim, Paulo Kruschewsky, estava em cima dele!

Mas garante Jorge Caetano, que a frase correta teria sido:

– Vi, sim, Paulo Kruschewsky, estava em cima do lance!

E essa passagem notabilizou Jorge Caetano para o resto da vida, que se orgulha de ter entrevista Pelé e outros grandes jogadores brasileiros. Atualmente Jorge Caetano se divide entre o site http://www.webnewssul.com.br/; a apresentação de um programa às segundas-feiras, ao meio-dia, na FM 91,2; e o programa A Agenda da Cidade e transmissões esportivas na rádio web Pitangueiras FM.

Walmir Rosário é radialista, jornalista, advogado e autor d´Os grandes craques que vi jogar: Nos estádios e campos de Itabuna e Canavieiras, disponível na Amazon.

Ao lado de Silmara Sousa, Orlando Cardoso entrevista Jorge Braga, ex-presidente da CDL Itabuna
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Era 26 de fevereiro de 1961. Em meados de abril, o diretor de Broadcast da Rádio Difusora, Lourival Ferreira, o convoca para assumir o comando das narrações, e sozinho.

 

Walmir Rosário

Dizem os estudiosos em física e matemática que o raio não cai duas vezes no mesmo lugar. Até que poderia, mas as probabilidades seriam remotas, ínfimas. Não concordo, mesmo tendo consciência de que sou, cientificamente, um ignorante nesses assuntos. E rebato essa tese apresentando prova em contrário, reconhecida e testada em todos os lugares em que as ondas do rádio de Itabuna alcançaram e fizeram sucesso.

E minha tese, como disse, tem nome e sobrenome, Orlando Cardoso Melo, com 62 anos dedicados ao rádio. Pelas minhas contas, seriam 63, mas como ele não coloca sua primeira experiência no currículo, acato a idade radiofônica em questão. E Orlando desempenha, ainda, com maestria tudo o que criou e fez no rádio, como transmissões esportivas, apresentação de resenhas, programas musicais, informativos e o que mais apareça.

E ele chegou ao rádio por acaso. A primeira vez em que o raio (do rádio) caiu foi em 1960, na antiga Rádio Clube de Itabuna, por obra e graça de Cristóvão Colombo Crispim de Carvalho, o CCCC, que solicita para que Orlando Cardoso gravasse um jogo imaginário em seu gravador (de Crispim). Feito o teste, aprovado, foi convidado a narrar uma partida preliminar do Campeonato de Itabuna. Perfeito para a primeira vez.

Foi convidado a fazer parte da equipe comandada por José Maria Gottschalk, com Gérson Souza, Crispim, dentre outros. Aceitou. A emissora estava ampliando o quadro do esporte, com Leovaldo Almeida, Edson Almeida, Geraldo Santos, e Leovaldo e o designou para a redação da resenha. Perguntou se “batia a máquina”, como a resposta foi negativa, ordenou que se matriculasse numa escola de datilografia.

Orlando não deu as caras na emissora e continuou seu trabalho na Loja Osgonçalves, esqueceu a quase nova profissão de radialista, para desgosto de Crispim. Vida que segue, em 1961 inicia o serviço militar no Tiro de Guerra, sob o comando do então sargento Paulo. Num desses domingos, ao encerrar a instrução, o sargento anuncia que o radialista Romilton Teles teria convidado a todos para participarem do programa Show da Alegria, na Rádio Difusora.

E o raio tornou a cair no mesmo lugar. Romilton Teles anuncia que os atiradores podem se apresentar com o que sabem fazer de melhor: cantar, dançar, recitar poesia. Um colega engrena a música Esmeralda e incentiva a apresentação dos demais. Para surpresa da plateia, Orlando Cardoso se candidata a narrar um jogo entre o Vasco da Gama e o Real Madri, pois tinha escutado esse jogo no meio da semana, com o gol de Delem.

Assim que recebeu o microfone das mãos de Romilton, Orlando pede a ajuda da galera e botou o tom fora, até anunciar o gol do Vasco. Se junta aos demais e em seguida é convocado para voltar à emissora na quarta-feira, para se encontrar com o diretor-geral Hercílio Nunes. Se apresenta, mas como o diretor estava numa reunião, pede que ele vá no domingo ao Campo da Desportiva e que chegue mais cedo, pois narrará uma partida.

Chega cedo como aprazado e Hercílio abre a transmissão, anuncia o novo contratado, que narrará o jogo em conjunto com o titular, Luiz Alves. E cada um narraria o jogo numa metade do campo, como faziam Jorge Curi e Antônio Cordeiro na Rádio Nacional. Era 26 de fevereiro de 1961. Em meados de abril, o diretor de Broadcast da Rádio Difusora, Lourival Ferreira, o convoca para assumir o comando das narrações, e sozinho.

No próximo domingo já estreou no Estádio Mário Pessoa, em Ilhéus, transmitindo Seleção de Ilhéus e Bonsucesso, do Rio de Janeiro. E não parou mais. Apresentou resenhas e inovou ao criar e apresentar um programa com músicas de Carnaval, só que fora do Carnaval. Mesmo contra a opinião de Hercílio Nunes, apresentava aos domingos, das 7 às 9 horas, Carnaval Toda a Vida, e a primeira música tocada foi Roubei a mulher do rei.

Enquanto isso, fazia de tudo para continuar nas duas ocupações, a Osgonçalves e a Difusora, até quando não deu mais e deixou a loja. Assim que avisou a Hercílio que estava “desempregado” da loja, recebeu a proposta para apresentar um novo programa, à tarde. Descansou merecidos 15 dias e passou a apresentar o programa Discoteca Jovem de Ontem, com músicas passadas, que caiu, imediatamente, no gosto dos ouvintes.

E Orlando Cardoso se consolidou no rádio itabunense e regional pela alegria em que narrava as partidas de futebol e as apresentações dos programas musicais, contando piadas e mandando os alôs para os ouvintes. Nas ruas e estádios era cumprimentado com os bordões que criava, era convidado a ir às casas dos ouvintes, e sempre chegava com a mesma alegria do rádio.

No futebol, criou bordões que fizeram muito sucesso e são lembrados e imitados até hoje. E os ouvintes iam ao delírio quando ouviam Orlando gritar: “Abrem-se as cortinas e começa o espetáculo do futebol”, subtraído da ideia de Fiori Gigliotti; “Gol itabunense, torcida grapiúna”; “O barbante estufou, o escore mudou”; “Ora, ora, ora, agora, (para informar o horário,”, dentre outros. “Eles apareciam e eu incorporava ao repertório”, conta.

Após vários anos na Rádio Difusora, passa pela Rádio Nacional (ex-Clube) e Rádio Jornal de Itabuna, até retornar à Difusora, onde até hoje lidera a audiência com o Programa Panorama 640 (meia quatro zero). Comentam os colegas radialistas, que o programa não tem mais espaço algum para novas publicidades, o que configura o estrondoso sucesso de Orlando na Difusora e nas emissoras em que passou.

Em 1984 Orlando Cardoso finaliza sua participação como narrador esportivo, apesar dos constantes apelos dos ouvintes e colegas para que permanecesse por mais tempo. Narrou grandes partidas da Seleção Brasileira no Maracanã e no Maranhão; do Flamengo (3) na decisão do Campeonato Brasileiro contra o Atlético Mineiro (1); e em Campinas, na vitória do Guarani sobre o Itabuna por 7X1.

E Orlando Cardoso, torcedor do América carioca, sempre foi um eterno apaixonado pelo bom futebol da Seleção de Itabuna. Foi eleito vereador para dois mandatos de seis anos (cada) e é uma das pessoas mais populares de Itabuna e região. Aos 81 anos de idade e 62 de radialismo (63 se contar com a pequena passagem pela Rádio Clube), se considera um homem feliz e realizado com sua família.

Um homem com grandes histórias e que aqui serão contadas em muito breve.

Walmir Rosário é radialista, jornalista, advogado e autor de Os grandes craques que vi jogar: Nos estádios e campos de Itabuna e Canavieiras, disponível na Amazon.

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O radialista Jota Silva foi encontrado morto e com sinais de asfixia em sua residência, no Manuel Leão, em Itabuna, na noite desta terça-feira (5). Momentos antes da morte do líder de audiência na faixa das 9h do rádio grapiúna, ele foi visto com um homem com quem se relacionava, segundo informa o Verdinho Itabuna.

O Serviço Móvel de Atendimento de Urgência (Samu 192) chegou a ser acionado, porém constatou a morte do profissional da comunicação. A morte é investigada pela Polícia Civil.

Um veículo VW Gol estava lotado de pertences do radialista, como quadro, caixa de som, computador e alimentos, o que levanta a suspeita de que o autor do homicídio planejava fugir com os pertences. O corpo foi encontrado num dos quartos do imóvel despido e com marcas de violência. Os objetos da casa estavam revirados, conforme a Polícia Militar.

“FALA CAMPEÃO DE AUDIÊNCIA”

O radialista Jota Silva tinha cerca de 40 anos de profissão. O profissional começou a fazer sucesso ainda na década de 80 com a cobertura de partidas de futebol na mesma Rádio Jornal de Itabuna, onde, há quase duas décadas mantinha o programa Show do Jota Silva. Uma das vinhetas de abertura ou de blocos do programa era famosa (“Fala, campeão de audiência, anunciava a vinheta com voz masculina).

MOÇÃO DE PESAR

Na manhã de hoje (6), o prefeito Augusto Castro (PSD) emitiu nota de pesar pela morte do jornalista. A nota ressalta a crueldade do assassino e destaca a atuação de Jota Silva no radialismo regional. “Dele ficará a eterna saudade por sua amizade, companheirismo e dedicação. Jota Silva soube ajudar as pessoas e defender o que acreditava ser a verdade pelo bem comum, além de ter pontos de vista pelo progresso e desenvolvimento do Sul da Bahia.”

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Odilon, eu fiquei na roça. De teimoso, porque aqui é meu chão. Virei meeiro, trabalho muito e divido os ganhos com o dono da fazenda. Pra você eu posso contar; dois filhos meus foram pra Itabuna. Um trabalha no comércio,  casou, leva uma vida simples, mas é uma pessoa de bem.

Daniel Thame (para Odilon Pinto)

“Querido Odilon,   essa carta chega até você molhada pelas lágrimas de saudade, mas também de gratidão.

Ah, Odilon. Você nem imagina quantas e quantas vezes nós sentava em torno do rádio, tomando o café,  pra ouvir seu programa e

principalmente o quadro Vida na Roça.

Eram histórias de amor, de tristeza, da vida dura no campo, mas também de momentos felizes que só você sabia contar. Porque você era um de nós, Odilon.

Nós só ia pras roças de cacau depois que seu programa terminava  e já ficava esperando o dia seguinte.

A vida na roça nunca foi fácil para o trabalhador,  mas nós vivia com dignidade, fome ninguém passava. E tinha as festas, de Reis, de São João, de Natal, o povo todo das fazendas se reunia e era uma alegria de dar gosto…

Uma vez no Natal eu levei um leitãozinho pra você lá na Rádio Jornal, você me recebeu na maior simplicidade e ainda me agradeceu na rádio.

E todo mundo ouviu, Odilon, porque não tinha fazenda nesse mundão de Deus que não tivesse um rádio só pra ouvir você.

Ah Odilon, que saudade desse tempo.

Depois veio essa desgraçada da vassoura de bruxa e tudo mudou pra pior. O cacau praticamente acabou, nós ficou perdido porque pra nós o cacau nunca iria acabar.

Odilon, muitos companheiros perderam o emprego, famílias inteiras ficaram sem rumo. Teve até Tonho, pai de cinco filhos, trabalhador retado, que mergulhou na cachaça e um dia se atirou no Rio Pardo, pra nunca mais voltar.

Teve Zeca, que pegou a família e foi pra São Paulo com quase nenhum dinheiro e não mandou mais notícias. Teve Maria, que foi abandonada pelo marido, se trancou em casa com os três filhos pequenos e passou a viver do pouco que nós conseguia levar.

Tanta gente que partiu, Odilon.

Odilon, eu fiquei na roça. De teimoso, porque aqui é meu chão. Virei meeiro, trabalho muito e divido os ganhos com o dono da fazenda. Pra você eu posso contar; dois filhos meus foram pra Itabuna. Um trabalha no comércio,  casou, leva uma vida simples, mas é uma pessoa de bem.

O outro, Odilon, se meteu com uma tal de droga, já foi preso, vive  em confusão e só de falar dá um aperto no coração. Minha véia é só que chora e ora o tempo todo pra Deus tirar ele desse caminho.

Odilon, acho que tô me alongando demais.

Quero encerrar essa carta dizendo uma coisa do coração.

Você nos deixou, a vida na roça tá em silêncio, mas nós tem certeza de que a partir de agora os anjos, santos e até Deus vão parar todas as manhãs pra ouvir  você contando causos da  Vida no Céu.

Daniel Thame é jornalista.

Ponte do Tororó no Rio Cachoeira, em Itabuna || Foto Arquivo Walmir Rosário
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Gostaria de, em cima das pontes atuais e das que serão construídas, poder apreciar o Cachoeira revitalizado na Itabuna altaneira que sempre acostumamos a ver. Espero um dia possa ter essa oportunidade, assim como todos os itabunenses – daqui e de fora – que aprenderam a amar essa terra.

Walmir Rosário || wallaw2008@outlook.com

Confesso que sou um pouco saudosista, mas quem há de resistir àquelas boas lembranças dos tempos de criança e adolescente? Poucos insensíveis, diria eu, recordando a belezas e a funcionalidade do rio Cachoeira dos anos 1950/60. A beleza plástica está quase toda registrada nas telas dos nossos artistas, com suas pedras à mostra, às vezes nem tanto, pois também serviam de “quarador” para as centenas de lavadeiras de ganho, ou de casa, que utilizavam as abundantes águas.

Labutavam, ainda, nas águas do velho Cachoeira pescadores – alguns especializados – de pitus, calambaus e camarões; peixes das mais variadas espécies, em sua maioria nobre, a exemplo de robalos, jundiás, tucunarés; os areeiros, que retiravam a areia para as construções com suas canoas e transportadas nos jegues; tipo de transporte também utilizados para levar água (de gasto e de beber) às residências que não dispunham de água encanada, artigo (melhor, serviço) raro à época.

Com poucos esgotos in natura (tratamento também não existia) despejando no nosso rio, era o local da higiene corporal de muitos moradores, alguns que se exibiam com saltos e braçadas durante a natação num simples banho. As águas límpidas – embora salobra – era um convite, inclusive durante a noite quando alguns se aventuravam a mergulhar e nadar sorrateiramente para furtar os peixes capturados nas grozeiras e outras armadilhas colocadas em frentes às residências.

Os donos sabiam quem eram os larápios, mas nada de chegar às vias de fato, bastava uma simples censura, como geralmente assim fazia Pepê, hoje o advogado Pedro Carlos Nunes de Almeida, que tinha suas armadilhas ali na rua da Jaqueira, hoje avenida Fernando Cordier. Nos tempos atuais, mesmo com os parcos recursos, poucos se aventurariam a entrar nas águas superpoluídas do nosso velho rio, ainda mais com peixes suscetíveis a todos os tipos de doenças.

Sem medo de errar ou ser interpretado como politicamente incorreto, até as inundações do rio Cachoeira eram de encher os olhos e correr o mundo com as notícias da invasão das águas na pujante Itabuna. E olhe que naquela época não existia internet ou redes sociais, ganhava o mundo através dos jornais, telégrafo e dos microfones das rádios Clube, Difusora e Jornal, já que os serviços de alto-falante Tabu (bairro Conceição) e a Voz da Cidade não tinham longo alcance.

Passada a refrega, o comércio contabilizava seu prejuízo, refazia seus planos e tudo voltava à normalidade. A economia cacaueira dava o seu ar da graça e todos voltavam a ser o grapiúna de sempre, rico mesmo sem ter dinheiro no bolso, mas com muito crédito na praça. Nenhuma cidade do porte de Itabuna possuía o número de agências bancárias numa mesma avenida, a Cinquentenário, e todas funcionando, emprestando dinheiro e recebendo aplicações da venda do cacau.

Voltando ao comércio, a Cinquentenário e adjacentes se impunham com a galhardia de seus luminosos, confeccionados em gás neon, apagando e acendendo em intervalos diferentes, como só se viam nas grandes metrópoles pelo mundo afora. E os visitantes ficavam de “queixo caído” com nossa beleza feérica, tanto assim que muitos anos depois um conhecido biólogo da capital fluminense (à época Niterói), José Zambrotti, enchia os pulmões para nominar Itabuna como a Broadway brasileira.

Nem parecia que meses atrás tinha sofrido a grande catástrofe e, assim como no comércio, indústria e serviços maiores, a vida do rio voltava ao normal, com todos utilizando o que as águas produziam e permitam que fosse retirado para o bem do homem. Até as pontes voltavam ao normal. Me refiro às pontes do Tororó (conhecida como dos Velhacos), estreita, baixa e somente para pedestres, e a do Marabá, cujo nome, Miguel Calmon, ainda é desconhecido da maioria da população, que eram interditadas.

Hoje maltratado, o rio Cachoeira ainda tenta sobreviver, mesmo contra a falta de vontade dos nossos governantes, que pela importância dos rios, já poderia merecer tratamento diferenciado, com um projeto de despoluição desde sua nascente até o chamado “mar de Ilhéus”, onde deságua. Atualmente nenhum artista plástico dedicaria parte do seu tempo para retratar seu leito tomado pelas baronesas, criadouro do mosquito da dengue, ou as águas fétidas e de cor encardida pelo caldo derramado pelos esgotos.

Mesmo assim, ainda tenho a esperança de vê-lo, se não como o de antigamente, mas um rio importante na nossa vida e na socioeconomia do itabunense, do grapiúna. Gostaria de, em cima das pontes atuais e das que serão construídas, poder apreciar o Cachoeira revitalizado na Itabuna altaneira que sempre acostumamos a ver. Espero um dia possa ter essa oportunidade, assim como todos os itabunenses – daqui e de fora – que aprenderam a amar essa terra.

Walmir Rosário é radialista, jornalista e advogado.

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Roberto de Souza faleceu na madrugada desta terça

O ex-vereador de Itabuna, radialista e apresentador de TV Roberto de Souza faleceu na madrugada desta terça-feira (17), após um ano de luta pela vida. O comunicador e ex-parlamentar foi diagnosticado com câncer em 2018.

Roberto foi vereador de Itabuna por quatro mandatos consecutivos, no período de 1997 a 2012. Por várias vezes membro das mesas diretoras da Câmara e na Casa conseguiu aprovar a Lei Roberto de Souza, que obriga o município a divulgar, com 30 dias de antecedência, o reajuste de serviços como a tarifa de água e esgoto ou da passagem de ônibus.

Ele comandou por duas décadas um dos programas de maior audiência no rádio grapiúna, o Resenha da Cidade, sempre aos sábados e, por alguns anos, também de segunda a sexta. O Resenha da Cidade foi ao ar nas três emissoras AMs de Itabuna – Difusora, Jornal e Nacional, onde ele chegou a apresentar o programa ainda neste ano, mesmo já debilitado pela doença.

Apaixonado pelo microfone, era dono de bordões como “Beleza, beleza, beleza” e “Confusão, confusão, confusão” para cumprimentar os ouvintes ou abrir novos blocos do programa ou até anunciar uma entrevista quente.

Entrevistar era sua maior arte no rádio. Nos mais de 20 anos de microfone, Roberto pautava o noticiário regional a partir de entrevistas feitas em seus programas. Sabia ser contundente nas perguntas sem ser agressivo ou ofender o entrevistado. O estilo e a grande audiência no rádio levaram Roberto para a telinha, com um programa semanal na TVI, após convite do diretor Barbosa Filho.

Nascido em Itabuna em 30 de outubro de 1961, Roberto Tadeu Pontes de Souza, além de radialista e apresentador de TV, formou-se em Agronomia. Deixa esposa, a advogada Sandra Ramalho, e os filhos Roberto Ramalho, Paulo e Natália.

VELÓRIO

O corpo de Roberto de Souza está sendo transladado de Salvador para Itabuna, onde deverá chegar no final da tarde desta terça-feira (17) a Itabuna. O velório será no plenário da Câmara de Vereadores. O enterro está previsto para às 10h desta quarta-feira (18), no Cemitério Campo Santo.

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Seleção do Rádio no início da década de 80, na antiga Desportiva (Foto Arquivo Aleilton Oliveira).
Seleção do Rádio no início da década de 80, na antiga Desportiva (Foto Arquivo Eilton Oliveira).

Funcionário aposentado do Banco do Brasil, Eilton Oliveira coleciona fotos raras dos tempos em que atuava no rádio grapiúna, junto com figuras como o hoje publicitário Sílvio Roberto. Uma dessas raridades é a imagem acima. Foi clicada no início dos anos 80, na antiga Desportiva, segundo o jornalista Valdenor Ferreira. Nela, estão grandes craques do rádio itabunense.

“O uniforme é da equipe da Rádio Jornal, mas reunia colegas de outras emissoras. Formávamos a Seleção do Rádio”, diz Sílvio Roberto, que não aparece na foto, mas jura que jogava um bolão.

A ordem dos craques (da comunicação) na foto é a seguinte:

Em pé, a partir da esquerda, aparecem Jorge Eduardo, Orlando Cardoso, Lucílio Bastos, Nivaldo Reis, Cacá Ferreira, Eduardo José e Welington Oliveira.

Agachados, a partir da esquerda, estão Valdenor Ferreira, Valter Barbosa, Jota Borges, Henrique Queiroz, Eilton Oliveira (o colecionador de raridades e hoje em Brasília) e o grande Biro-Biro.

Muitos deles já estão em um outro plano, mas deixaram exemplo de profissionalismo e de domínio do microfone, a exemplo de Lucílio Bastos e Jorge Eduardo.

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Costa apresenta programa em Buerarema.
Costa apresenta programa em Buerarema.

O programa Tribuna Livre (Rádio Jornal) será apresentado nesta quinta (14) diretamente de Buerarema. O apresentador Costa Filho vai abordar diversos temas relacionados ao município e terá entre os convidados representantes das polícias Federal, Civil, Militar e Rodoviária Federal, além da Força Nacional de Segurança.

O estúdio será montado na Câmara de Vereadores do município. O programa começa às 14 horas. “Com uma abordagem diferente, saímos da comunidade dos estúdios na emissora, em Itabuna, para tratar dos assuntos em cada cidade”, diz Costa Filho.

A versão itinerante do programa já passou por municípios como Itajuípe, Ibicaraí, Ilhéus e Coaraci. O Tribuna Livre pode ser ouvido pela internet no site da Jornal.

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Jornalista estreia na literatura com mistura de realidade e ficção (Foto Portal Sul da BA).
Jornalista estreia na literatura com mistura de realidade e ficção (Foto Portal Sul da BA).
Livro marca estreia de Waldeny na literatura.
Livro marca estreia de Waldeny na literatura.

O jornalista Waldeny Andrade marca sua estreia na literatura com o lançamento, dia 8, às 18h, de Vidas cruzadas – confissões de um enfermo. O evento será realizado na Bienal da Bahia, em Salvador, no estande E 07, ao lado do Café Literário.

A obra tem como personagem-narrador Altamirando Gouveia da Silva. Internado por 64 dias em um hospital da capital baiana, Altamirando rememora fatos ocorridos no eixo Ilhéus-Itabuna nas décadas de 50 e 60. Vidas cruzadas…, observa o autor, é uma mistura de realidade e ficção. E as décadas escolhidas representam o que o escritor considera o fim da “Era dos Coronéis do Cacau”.

Waldeny Andrade foi, durante quase três décadas, diretor da Rádio Jornal de Itabuna e do Diário de Itabuna, no período em que os dois veículos eram presididos pelo empresário José Oduque Teixeira. Ao final da década de 60, assumiu mandato de vereador em Ilhéus. Acabou cassado por ser considerado “subversivo e comunista”.

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Maurino, Andrei, Murilo e Jonatas...
Os apresentadores Maurino, Andrei, Murilo e Jonatas, que aparece… enfeitado.

Eles prometem informação, diversão e entretenimento com muito humor, sem perder o ponto. Maurino Júnior, Andrei Sansil, Murilo Pitombo e Jonatas Davi entraram na fase final dos ajustes para a edição de estreia do Pirão Baiano, neste sábado (17), às 14 horas, na Rádio Jornal de Itabuna (560 AM).

Antes da estreia, os “cozinheiros” prepararam umas amostras do Pirão Baiano que será servido a partir de sábado.

Os bastidores do programa podem ser conferidos na fanpage (clique aqui). Além do site da emissora, o internauta poderá ouvir o Pirão pelo site Ilhéus 24h.

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Costa apresenta programa em Itajuípe.
Costa apresenta programa em Itajuípe.

O programa Tribuna Livre (Rádio Jornal de Itabuna) lança nesta quarta-feira (17) edição itinerante. O radialista Costa Filho vai apresentar o programa, a partir das 14h, direto de Itajuípe. Tudo ao vivo.

Segundo Costa, a comunidade poderá interagir e discutir temas de interesse de Itajuípe. Um estúdio foi montado no Taboas.

O radialista afirma que o objetivo é atender a população do município sul-baiano e intermediar soluções. Para ouvir, clique aqui.