Fabrício Nascimento e Cláudio Magalhães pedem que Jerbson Moraes reconsidere suspensão da CEI do Transporte || Imagem de arquivo da CMI
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Na tarde desta segunda-feira (17), os vereadores Fabrício Nascimento (PSB) e Cláudio Magalhães (PCdoB) solicitaram que o presidente da Câmara de Ilhéus, Jerbson Moraes (PSD), reconsidere a suspensão da CEI do Transporte, que, para eles, ocorreu de forma abrupta e ilegal. Na última terça (11), Jerbson suspendeu o funcionamento da Comissão Especial de Inquérito em decisão monocrática.

O presidente da Câmara fundamentou a decisão com base na Lei Federal nº 1579/52, que regula as atividades da Comissões Parlamentares de Inquérito do Senado e da Câmara dos Deputados e prevê a necessidade de aprovação do plenário da respectiva Casa para que uma CPI tenha seus trabalhos prorrogados de um ano para o outro. Segundo Jerbson Moraes, que é advogado, a lei se aplica ao caso da CEI do Transporte de Ilhéus (veja matéria aqui e leia nota ao final do texto).

Fabrício preside a CEI do Transporte, cujo relatório coube a Cláudio. No requerimento, os vereadores afirmam que a referida lei não pode regular o funcionamento da CEI, pois isso já foi feito pela legislação municipal. Segundo os parlamentares, a existência de regras específicas no Regimento Interno da Câmara de Vereadores afasta a aplicação da lei federal.

O parágrafo 29 do artigo 48 do regimento – afirmam – autoriza expressamente o funcionamento da CEI durante recesso parlamentar. Já o parágrafo 49 estabelece prazo de 120 dias para as investigações e a conclusão dos trabalhos.

No dia em que Jerbson Moraes suspendeu a Comissão, após pedido do terceiro membro da CEI, vereador Alzimário Belmonte, Gurita (PSD), os vereadores ouviriam o depoimento do procurador-geral de Ilhéus, Jefferson Domingues, sobre o acordo milionário da Prefeitura com as empresas Viametro e São Miguel (relembre). O fato é citado no requerimento desta segunda-feira.

“Ademais, vale dizer que a Comissão Especial de Inquérito, ora suspensa, foi devidamente instalada e se encontrava no ápice de seus trabalhos, em um dos seus momentos mais importantes, qual seja, a oitiva de investigados e envolvidos, quando sobrestada, maneira abrupta e ilídima”, concluem os vereadores no pedido a Jerbson.

TANDICK RESENDE AFIRMA QUE SUSPENSÃO FOI ATO ABSURDO

Tandick Resende: “Qual a verdade que o governo Marão quer esconder?”

Além das próprias equipes, Cláudio e Fabrício receberam o auxílio do gabinete do vereador Tandick Resende (PTB) na elaboração requerimento. Na última sexta (14), Tandick criticou duramente a suspensão da CEI em texto publicado nas redes sociais. “Qual a verdade que o governo Marão quer esconder?”, questiona o título da publicação. No sábado (15), em conversa via WhatsApp com o PIMENTA, chamou a suspensão da CEI de ato de “absurdo”.

A íntegra da nota divulgada pela presidência da Câmara de Vereadores de Ilhéus:

“O Presidente da Câmara Municipal de Ilhéus, Jerbson Moraes (PSD), vem a público esclarecer que a decisão de suspender as atividades da Comissão Especial de Inquérito, instituída com a finalidade de investigar irregularidades na prestação do serviço de transporte público realizado pelas Empresas Concessionárias Viametro e São Miguel, em Ilhéus, durante o período do recesso parlamentar, busca evitar a pratica de atos que possam comprometer a higidez e legalidade do processo investigativo parlamentar. Uma vez que, conforme preconiza a primeira parte do § 2º, do art. 5º, da Lei Federal nº 1579, as atividades da CEI somente podem avançar de uma ano para outro com a autorização do plenário da Casa, que somente retornará às atividades em fevereiro de 2022.

Importante destacar que a adoção desta medida se fez necessária em virtude de requerimento formulado por um dos membros da CEI, o vereador Alzimário Belmonte – Gurita. Quando do retorno das atividades ordinárias da Câmara Municipal de Ilhéus todos os vereadores poderão se reunir e, nos termos da lei, decidir pela continuidade ou não das investigações.

O Presidente apenas e tão somente fez cumprir a lei com o objetivo maior de preservar os atos até então praticados pela Comissão, bem como garantir a absoluta legalidade destes, a fim de que os edis possam produzir, a partir desta investigação, resultados válidos e eficazes para o povo ilheense”.

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