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O clamor dessa gente doente tem contato com a irracionalidade e a irresponsabilidade do atual presidente, de parte de lideranças evangélicas, de segmentos da imprensa e de algumas instituições.

Rosivaldo Pinheiro || rpmvida@yahoo.com.br

Vivemos tempos difíceis, todos sabemos. Parte desse cenário foi iniciado em 2014, no pós-reeleição de Dilma. A expressiva votação de Aécio Neves foi o elemento encorajador, e os desdobramentos desse fato culminaram com o impeachment da presidente reeleita. Esse ambiente vem se deteriorando com maior intensidade desde 2016, no pós-golpe, tendo uma nova dose de aumento com a eleição do atual presidente, em 2018, e seu ápice com a derrota do mesmo, em 2022, em segundo turno, numa eleição em que Lula sagrou-se vencedor com 50,83% do votos válidos e assumirá o destino da nação pela terceira vez.

O resultado dessa última disputa escancarou de vez as facetas mais horrendas de parcela da população brasileira, notadamente dos que têm maior identidade com o que representa a diretriz do que pregou o presidente nesses últimos quatro anos. Vejamos que até o verde e amarelo e a bandeira nacional colocados nos veículos, casas e erroneamente usados em frente a quartéis estão sendo evitados, em plena Copa, para não haver equívoco de leitura no posicionamento político entre a torcida pela Seleção e os descontentes com o resultado eleitoral. Estes, em pleno Estado de Direito, imaginam ter prerrogativa de solicitar que o Exército interfira no direito de escolha do eleitor através do voto, condição necessária do regime democrático, produzindo cenas toscas que nos envergonham mundo afora.

O clamor dessa gente doente tem contato com a irracionalidade e a irresponsabilidade do atual presidente, de parte de lideranças evangélicas, de segmentos da imprensa e de algumas instituições, membros do Poder Judiciário e de parte significativa das polícias Rodoviária Federal e Militares. Vivemos um momento que podemos classificar como Estado de lambanças.

Inimaginável até outro dia observar essa gente, que se diz decente, invadir espaços, perseguir opositores nas ruas, em arenas esportivas, aeroportos e outros espaços, bloquear estradas, ofender e interferir no ir e vir das pessoas. Criando um caos, simplesmente por não terem vencido a disputa eleitoral.

A insensibilidade humana e a falta de espírito democrático do presidente derrotado são elementos norteadores desse dissabor comportamental das pessoas que se acham acima da lei, que têm comportamento de seita e vivem num universo próprio e paralelo, impróprio, portanto, para a convivência social e ao contraditório.

O rastilho de ódio faz surgir e alimenta os gatilhos emocionais e os das armas: ambos mortais. Não dá mais para aceitarmos esse estado de coisa. A nação precisa seguir o curso Constitucional, assim como seguiu diante do impedimento da presidente Dilma, da posse de Temer, da prisão de Lula e da vitória de Bolsonaro em 2018. Mesmo sabendo que Dilma e Lula sofreram pela quebra das regras do Estado democrático de Direito, seus apoiadores não tentaram tocar fogo no país, como pregara um líder evangélico no propósito de reagir às vozes ecoadas pelas urnas no último 30 de outubro. Essa gente precisa saber que não estamos vivendo um estado de barbárie, então não se pode mais aceitar as atuais ocorrências dos que se acham no direito de atentar contra os princípios constitucionais.

Rosivaldo Pinheiro é comunicador, economista e especialista em Planejamento de Cidades (Uesc).

3 respostas

  1. Diga apenas uma coisa:
    Você deve ter atestado de maluco, para dizer essa coisa.
    Vocês comunistas jamais voltarão ao poder.
    Infelizmente esse blog é partidário.
    O meu partido é o Brasil.
    Luiz

  2. Excelente texto! Foi claro e coerente em todas as palavras. Estamos vivendo o ápice da arrogância e desrespeito à constituição por esses chamados “patriotas” que por incrível que pareça, não sabem o significado do exercício à Democracia.

  3. Com todo respeito caro Rosivaldo, corrupção é corrupção em qualquer lugar do mundo. Portanto, o Brasil hoje é uma piada mundial, onde temos um condenado pela justiça em 3 instâncias, que foi solto por um militante, posto na suprema corte pelos seus líderes e que está sendo apoiado por seus pares para retornar ao poder, lembrando que, a frase que foi citada por um dos ministros dessa suprema corte foi:”… eleição não se ganha, se toma!”
    Acorda pra vida militante de esquerda que vive de favores de seus “coanheiros”!

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