Senti a falta dos turistas fotografando, tentando dançar, se esforçando por participar. Senti a falta de Ilhéus.
Dois capoeiristas, três estivadores, algumas baianas e muita raça. Este é o balanço de uma festa que já foi grande. Participei mais uma vez da lavagem da Catedral, do início ao fim. No final da festa ficou um sabor amargo na boca, o retro gosto não foi legal. Faltou muito, faltou tudo.
À margem de Ilhéus passou o cortejo de baianas festejando São Sebastião ou Oxossi. A Cultura de Ilhéus foi dizimada, vulgarizada, marginalizada, deu tristeza ver o cortejo passar e o olhar das pessoas mostrar o desconhecimento do que estava acontecendo. Ilhéus esqueceu suas tradições. A Ilhéus ariana esqueceu sua cultura.
Estive no Mercado de Artesanato, cheio de turistas e estes sem saber que nesse preciso momento estava acontecendo uma das mais belas festas populares de Ilhéus; parece que as pousadas e os hotéis não informaram a respeito da lavagem da catedral. A Atil – Associação de turismo de Ilhéus – precisa incorporar seu papel de pelo menos divulgar o que está acontecendo aqui, pelo menos. Senti a falta dos turistas fotografando, tentando dançar, se esforçando por participar. Senti a falta de Ilhéus.
Não se trata de ser ou não povo dos terreiros, é uma coisa nossa coisa de ilheense participar da lavagem da Catedral. Pelo menos isso eu aprendi na década de 90, era assim. Os terreiros estão a cada ano pensando se descem para a festa ou não, isso tá claro. Enquanto a lavagem continuar a ser uma festa organizada por políticos, está fadada a acabar. Acredito que uma reunião entre os envolvidos seja necessária, de forma urgente.
Ano passado, na hora do caminhão pipa, a água faltou. Este ano tinha um caminhão pipa reluzente de novo, mas faltou uma coisa: Axé.
Lavagem da Catedral sem Axé não faz sentido. Ariel Figueroa é turismólogo. Editor do site Coluna de Turismo
E este é o nosso desafio, depois de reorganizarmos Ilhéus: preparar o município para que possamos nos beneficiar dos recursos que estão vindo.
Montes de lixo nas ruas, o mato crescendo nas calçadas, prédios públicos da importância da Casa de Cultura Jorge Amado, do Teatro Municipal e do Arquivo Público fechados ou ameaçados de fechamento por conta do péssimo estado de conservação.
A esta degradação se somam uma dívida que corresponde ao valor de um orçamento anual do município e salários de novembro, dezembro e 13º atrasados, num quadro que mostra apenas uma parte dos problemas que encontrei ao assumir a Prefeitura de Ilhéus, cidade conhecida em todo o mundo graças aos livros de Jorge Amado, um dos seus filhos mais ilustres, e famosa pela sua história e belezas naturais.
Ao tomar posse, o primeiro passo foi iniciar o trabalho de reorganizar a cidade, deflagrando um mutirão para tornar as ruas ilheenses mais agradáveis para os milhares de turistas que nos visitam, especialmente neste período de alta estação, e mais qualidade de vida para os habitantes.
Com a ajuda de empresa privadas, até porque sentei na cadeira de prefeito sem ter acesso a nenhuma das contas municipais, bloqueadas pela Justiça, e sem um real para gastar, já foi possível retirar o lixo que estava acumulado, varrer as ruas, limpar as calçadas e as praças, além de regularizar o serviço de coleta diário.
Em paralelo, tivemos que adotar medidas duras para tentar controlar as finanças, a exemplo da redução dos gastos com pessoal, de modo a poder adequar a administração à Lei de Responsabilidade Fiscal, uma vez que a folha salarial atinge 70% das receitas líquidas do município, quando o máximo tolerado é de 54%.
Não é por acaso que o ex-gestor conseguiu o feito extraordinário de ter cinco contas do seu mandato, em cinco anos, rejeitadas pelo Tribunal de Contas dos Municípios. Leia Mais
E, no que depender de nós, petistas e aliados, haverá o fortalecimento de uma grande corrente em torno de Lula e Dilma, sempre na defesa das conquistas incomensuráveis alcançadas pelos mais pobres desse país.
O pavor alimentado pela Direita no Brasil aos projetos sociais e políticos das esquerdas é histórico. Sob o pretexto de combate ao comunismo as elites nacionais cometeram os maiores desatinos, e os mais perversos crimes durante a história republicana.
Raros foram os momentos de liberdades democráticas no Estado brasileiro, momentos estes que sempre foram sacrificados em função do horror nutrido, e implantado, pelos segmentos mais conservadores às propostas de desenvolvimento social, propostas estas normalmente apresentadas pelos setores mais progressistas da política nacional. É o que eles repetem, agora, com relação a Lula e ao PT.
Desde o ano de 2003, com a ascensão de Lula ao governo brasileiro, alcançado através de uma verdadeira revolução pelo voto da maioria do nosso povo, que a direita não se contém. Principalmente porque, a partir daquele momento histórico, a administração pública nacional começou a experimentar uma mudança de rumos jamais experimentada em nossos 500 anos de história.
Foram Lula e aliados os que executaram, a partir de então, uma política que nunca havia sido praticada no país, em extensão geográfica, ritmo de implantação e alcance populacional. As camadas mais pobres brasileiras começaram a ser resgatadas do abandono secular a que estiveram sempre submetidas. Leia Mais
Osias Lopes
É certo que a vida pública me impôs o afastamento das lides forenses, do aprofundamento nos estudos jurídicos, mas as experiências vividas foram, e estão sendo, extraordinárias.
Pois bem, programava para mim um recesso, sem prazo de duração, de qualquer atividade política e assim poder tornar às minhas atividades profissionais, mais precisamente voltar à advocacia forense, que é o que mais gosto. Orgulha-me ser advogado!
Mas digo que tenho acompanhado pela mídia regional, aí incluindo os blogs, questionamentos sobre a pertinência, ou não, de se dar apoio ao novo governo municipal que se instalou em terras itabunenses no primeiro dia deste ano de 2013 da graça de Nosso Senhor Jesus Cristo, e isso me instigou a fazer esta modesta e simplória escrita.
Vamos afastar das discussões a questão de cargos – que muitos pejorativamente chamam de “boquinha” -, pois as contribuições podem ser dadas independentemente disso, de ocupação de cargos, e neste ponto, mais uma vez, estou de acordo com Emanoel Acilino (veja aqui). Então, vou ser direto: sou plenamente favorável, mais que isso, torço para que as forças políticas salutares de minha terra colaborem com a nova equipe governante, emprestando-lhe todo o apoio necessário para o alcance do almejado sucesso, e que assim, com ele, o sucesso, venha o desenvolvimento tão esperado por toda a nação grapiúna, tal como o governante estadual esboçou na sua fala quando da visita, ontem (8), a Itabuna. Leia Mais
Muitos dos cônjuges permanecem juntos, quer seja pela dependência financeira, quer seja pelo bem-estar dos filhos.
“Eu possa lhe dizer do amor (que tive): Que não seja imortal, posto que é chama Mas que seja infinito enquanto dure”
Vinicius de Moraes em seu auge de inspiração e dotado de uma sabedoria poética impar, trouxe em seu Soneto de Fidelidade a aparente e clara percepção sobre a finitude do amor. O elo do amor, paixão e união, pode sim desfazer-se pelo caminho da vida, deixando os sentimentos e a sua “cara-metade” pela estrada e unindo-se a outra, por que não?
Não. Não entenda que o amor nunca existiu. Em verdade, só se apaga uma chama que um dia já foi acesa, do mesmo modo que só se pode extinguir algo que um dia existiu.
Arrisco dizer, que cada vez menos o casamento é feito para a vida inteira, apesar disso, é necessário redobrar a atenção, já que filhos do divórcio, crianças e jovens estão cada vez mais divididos entre o pai e a mãe, pessoas que geraram ou adotaram e são importantes em qualquer estágio do cenário da existência humana.
As incompatibilidades, desequilíbrio em dividir tarefas, rotina, problemas econômicos, falta de diálogo, frequentes discussões e relações extraconjugais, estão entre os primeiros sinais e principais desencantos para continuar o sonho de que “Até a morte nos separe”.
Mesmo com uma vasta quantidade de cenários semelhantes e relacionamentos com histórico de instabilidade emocional, muitos dos cônjuges permanecem juntos, quer seja pela dependência financeira, quer seja pelo bem-estar dos filhos, que ao passar do tempo outros problemas são gerados, com efeitos no nível da saúde e abalos psicológicos.
Contudo, em 2007, a lei nº 11.441, chegou trazendo novidade. Trata-se da facilitação no divórcio, com pouca burocracia, e rapidez em quem decide extinguir o casamento por meio do divórcio. Isto é, para o casal que deseja por fim de maneira consensual, sem filhos menores ou inválidos, poderão evitar a longa espera na tramitação judicial, uma vez que é possível realizar o divórcio em um cartório de notas, sem a presença de advogados. Leia Mais
Ho ho ho! Natal chegou e com ele o Santa Claus, que nada tem que ver com nossa cultura sul-americana lusoafroíndia. Papai Noel da invencionice presenteira. Europeu do norte. Neve. Renas e trenós. E o nascimento de Jesus? Bom, isso já não seduz mais!
Campanhas do bom velhinho; vermelhidão para todos os lados; sacos e meias espalhados por todos os cantos, pisca-piscas incandescentes em olhar alheio, multidões aceleradas por tempo determinado…
E o advento do Cristo? E o Evangelho? E a comemoração do Aniversariante? E o amor, o perdão e a caridade? E as Parábolas e o Sermão do Monte? E as curas a cegos, aleijados e endemoniados?
Água no ralo.
25 de dezembro é perfumaria, alfaiataria, sapataria, pirataria. Febre de consumo. Ilusão de e para as massas, função hiper-mega-super-comércio propagandista! Do contrário, falência do mercadooo…
Amigos secretos. Amigos sacanas. Amigos indiscretos. Inimigos para todos os cantos!
Rabanadas no nordeste? Nozes no sertão de meu Deus? Nêsperas e tâmaras na caatinga? Avelãs e castanhas na ceia do cabra da peste? Chester com passas e blanquet com cerejas na terra dos tupiniquins? Nada!
Contradiz toda a historinha do Mestre Nazareno com sua santíssima frugalidade palestina: Pão e vinho. Corpo e sangue.
Estou de saco verdadeiramente cheio, entupido, desse senhor de barbas brancas, barriga desleixada, cajado dourado e cara de bom sujeito!
O pior é que cada ano as coisas ficam mais difíceis: o sentimento de amor fraterno vai esmaecendo; a sensação de concórdia e amizade é esquecida; a homenagem ao maior Espírito que já esteve entre nós é deixada de lado, pelo compre e venda!
Quero a abolição do Hohoho! Desejo o retorno à Lapônia do Santa Claus! Almejo a morte simbólica e eterna do Papai Noel!
E que ressuscite no coração do ser humano terráqueo, mamífero, bípede, telencéfalo altamente desenvolvido e polegar opositor o “amar a Deus acima de todas as coisas e ao próximo como a si mesmo”, o “perdoai não sete vezes, mas setenta vezes sete” e o “bem-aventurados os que choram, porque eles serão consolados”!
Que renasça na mente e na alma dos homens a verdadeira noção e sentido Natalino: celebrar que a nossa pequenez, a nossa mesquinharia e a nossa inferioridade teve um Exemplo Maior a ser seguido, um Exemplo que esteve entre nós há 2012 anos, e O imolamos na infame cruz dos condenados!
Sonho Jesus, Governador Moral da Terra, no 25, no 26, no 27 e em todos os dias do ano para todo o sempre!
Ah, isso sim é um verdadeiro presente de Natal e um real desejo de Amigo “Fraterno”, distante léguas do fim de ano plim-plim!
Gustavo Atallah Haun é professor, formado em Letras, Uesc, e ministra aula em Itabuna e região. Escreve para jornais de Itabuna, Ilhéus e edita oblogderedacao.blogspot.com. É maçom, da Loja Acácia Grapiúna
Já que o mundo continua mundo e eu vivo, vou comemorar meu desatino em Joinville, onde não falta cerveja da boa, feita de forma artesanal e comida da melhor qualidade.
Eu bem sabia que essa família Maya não era de merecer esse crédito todo. Sempre soube que eram uns incompetentes e gostavam de ser o centro das atenções, como uns deles que conheço no Rio de Janeiro e que só sabem fazer política, mesmo assim dizem que não estão mais com essa bola toda.
Ainda ontem (sexta-feira, 21), ouvi falar – à boca-pequena – aqui na “Boca Maldita”, em Curitiba, a confirmação do que já sabia e não levava a sério, de que esses Maya eram uns caras que gostavam de viver nas nuvens, ou pelo menos perto delas. E olha que o povo da “Boca Maldita” não é de jogar conversa fora.
Pelo que consegui escutar, a família Maya se meteu a fazer um calendário e, pelo que consta, não conseguiu sequer acabar (o calendário, é claro), dando a entender ao mundo que o dia 21 de dezembro de 2012 era o fim de tudo. Até eu que nunca levei “esses caras” a sério pensei que estaria com os dias contados.
Também com todo o mundo (ou quase) dizendo que o mundo iria mesmo acabar, não tive alternativa senão entrar no clima. Parecia até copa do mundo da Fifa: tinha data e hora para terminar. Mas qual, quando fui me inteirar direito, nem o ex-presidente Lula sabia e, pior, os cientistas da Nasa desmentiram esses Maya, ponto por ponto.
Essa polêmica só me deu prejuízo: primeiro foi sair por aí comprando tudo que via pela frente com os cartões de crédito, pensando que não iria pagar. Agora vou ter que trabalhar dobrado. Pior do que isso, ao vir comemorar o fim do mundo fora de Itabuna, perdi a comemoração do fim do mundo promovida pela Academia de Letras, Artes, Música, Birita, Inutilidades, Quimeras, Utopia e Etc. (Alambique) no Beco do Fuxico, iniciando no ABC da Noite do Caboclo Alencar e subindo para o Artigos para Beber, já no Alto Beco.
Mas não faz mal, já que o mundo continua mundo e eu vivo, vou comemorar meu desatino em Joinville, onde não falta cerveja da boa, feita de forma artesanal e comida da melhor qualidade. Vou até pedir ao Papai Noel que no próximo ano ele arranje história melhor para ser contada antes do Natal. Quem sabe o “bom velhinho” não me atenda…
Walmir Rosário é jornalista, advogado e editor do Cia da Notícia.
Antes do jogo, Borges ouvira de um torcedor do Itabuna que queria vencer o jogo de qualquer jeito, mesmo que fosse com um gol roubado. Para ele, foi rigorosamente o que aconteceu.
Sempre gostei de conhecer as velhas histórias da imprensa, seja a itabunense, a baiana ou a brasileira. Não é à toa que li “De Tabocas a Itabuna – 100 anos de imprensa”, com os causos antológicos compilados pelo jornalista Ramiro Aquino. E viajei na leitura de livros como “Cobras Criadas”, de Luiz Maklouf Filho; “Minha Razão de Viver”, autobiografia de Samuel Wainer, e “Chatô, o Rei do Brasil”, biografia de Assis Chateaubriand escrita por Fernando Morais.
Vale a pena gastar tempo em uma roda de veteranos, rememorando eventos que se deram nas redações e sabendo como era o trabalho da imprensa no passado. Em Itabuna, um dos que conhecem e viveram boas histórias é o advogado e professor de direito Geraldo Borges, que durante anos militou no rádio e bem mais tarde na televisão. No rádio, ele era conhecido como Geraldo Santos e atuava na cobertura esportiva.
O ex-radialista conta episódio ocorrido na década de 70, na transmissão de um jogo entre Fluminense de Feira e Itabuna pelo Campeonato Baiano. A partida foi disputada no Estádio Joia da Princesa e o Itabuna venceu com um gol chorado, em pênalti duvidoso. Borges, que narrava o jogo, atento ao lance, não constatou a penalidade. Consultou o comentarista Ramiro Aquino, que também não viu absolutamente nada. Lance normal. Mas o juiz marcou e o Itabuna estufou o filó. Pronto.
Atormentado pela dúvida, sem o auxílio luxuoso do replay, o narrador itabunense procurou a ajuda do colega de uma emissora de Salvador. O sujeito lhe disse: “o resultado favorece meu Vitória, portanto foi pênalti e pronto”. Não adiantou, o cabra da capital era fiel seguidor da regra de que os fins justificam os meios, ainda que estes sejam indecorosos. Isenção zero.
Geraldo Borges (então Santos) e Ramiro Aquino foram os únicos a duvidar do tal pênalti, o que lhes valeu o epíteto de traíras e outros adjetivos desse naipe. Em Itabuna, só faltou serem recebidos por uma artilharia de caroços de jaca, e o dono da rádio, Hercílio Nunes, mandou divulgar nota de repúdio aos dois radialistas. Na própria emissora em que eles trabalhavam.
Antes do jogo, Borges ouvira de um torcedor do Itabuna que queria vencer de qualquer jeito, mesmo que fosse com um gol roubado. Para ele, foi rigorosamente o que aconteceu. Mas não foi a primeira nem será a última fraude a entrar para a história.
O PCdoB e o PPS já estão se bicando. O que é mais um motivo para o prefeito eleito deixar sua influência longe da disputa pela presidência do Parlamento municipal.
O prefeito eleito Claudevane Leite acerta quando adota uma posição de neutralidade diante da escolha do próximo presidente da Câmara de Vereadores de Itabuna.
O problema não é nem de ordem constitucional, já que a Carta Magna, no artigo 2°, preceitua que os poderes da União são independentes e harmônicos entre si.
A questão é outra. Envolve o lado obscuro, imoral e obsceno do processo político. O vergonhoso toma-lá-dá-cá. O vale-tudo inerente aos políticos inescrupulosos.
Mantendo distância do bafafá para compor a mesa diretora, Vane fica imune a qualquer tentativa de colocá-lo como partícipe do jogo, quase sempre sujo e rasteiro.
O PCdoB e o PPS já estão se bicando. O que é mais um motivo para o prefeito eleito deixar sua influência longe da disputa pela presidência do Parlamento municipal.
O pega-pega no Legislativo é a primeira oportunidade para conhecer alguns edis que, de bons carneiros quando então candidatos, agora são lobos. As exceções existem. Mas a regra é inquestionável.
Claudevane Leite, o Vane do Renascer, está certíssimo. Que os senhores vereadores resolvam as suas obrigações sem chamuscar o chefe do Executivo.
Concluindo, diria que o prefeito eleito só vai colocar o dedo na eleição se o processo descambar para uma situação que possa comprometer o início do governo.
É como narra o escritor José Saramago no antológico O evangelho segundo Jesus Cristo sobre o maniqueísmo cristão: “Este bem que eu sou não existiria sem esse mal que tu és”.
A metáfora – nuvem de poeira – do governador Jaques Wagner levanta do subterrâneo da política, crônicas de uma guerra particular entre tucanos e petistas. A verborragia de dos dois ex-presidentes, FHC e Lula, reaparece de maneira extenuante com o paulatino crescimento de novas forças e alianças de poder no Brasil. A ascensão do PSD de Gilberto Kassab, bem como o despontar do PSB de Eduardo Campos e o prelúdio de uma rebelião peemedebista orquestrada de dentro do Palácio da Alvorada, reposiciona os mísseis de petistas e tucanos contra si.
A dicotomia entre PSDB e PT vem sendo corroída ao longo dos anos. O próprio jogo sucessório, a repetição dos discursos e a assustadora convergência de interesses entre personagens antes inconciliáveis, a exemplo de ACM e FHC, Paulo Maluf e Lula, diminuiu a distinção ética entre os dois partidos pelo próprio curso da história de quem governa e de quem faz oposição. Ora, é obvio que as diferenças continuam vivas, mas, o esforço argumentativo para estabelecer o antagonismo entre ambos vem sendo o grande desafio das agências de publicidade.
Apesar do freqüente enfoque negativo da opinião publicada, ainda resta aos petistas à vantagem de quem dirige o país. De quem pode cartear, impor regras e criar artifícios para enfraquecer o principal oponente, mas, nunca eliminá-lo. É como narra o escritor José Saramago no antológico O evangelho segundo Jesus Cristo sobre o maniqueísmo cristão: “Este bem que eu sou não existiria sem esse mal que tu és”.
O outro lado da moeda, obviamente, é tucano. Com a permissividade petista, Aécio Neves é inflado a lançar candidatura à presidência. É evidente que os efeitos colaterais são inevitáveis. O arsenal do PSDB vem acompanhado de uma avalanche de ataques e, inclusive, demarcações de projetos e interesses, a exemplo do embate sobre a redução das taxas de energia elétrica no país.
Enclausurados no ninho paulista por uma década, o PSDB insurge de um empoeirado cômodo carioca. O mistério dos bastidores é assistido pela alta cúpula do PT, sem perder de vista a articulação movediça de aliados, cada vez menos confiáveis, cada vez mais arredios. A guerra fria entre PT e PSDB, portanto, interessa a ambos os lados.
Diversas cidades que circundam os três campi (Itabuna, Porto Seguro e Teixeira de Freitas) receberão estrutura da UFSBA para o funcionamento de unidades universitárias.
Muito se tem discutido na imprensa regional a respeito das possibilidades de se implantar o Campus da UFSBA no espaço A, B ou C. Compreendo que cada elemento relacionado a esta importante conquista sul baiana deva ser cuidadosamente pensado, discutido e executado, porém há muito mais na implantação de uma Universidade Federal do que apenas um espaço.
Discuto por aqui o que há de mais revolucionário na Federal do Sul da Bahia: sua proposta pedagógica. Os estudantes sul baianos terão a oportunidade de estudar de uma maneira que apenas as universidades mais modernas do mundo possibilitam aos seus alunos. Não haverá a entrada em cursos tradicionais. Os jovens não farão seleção para direito, medicina, comunicação, engenharia.
Os candidatos disputarão vagas nos Bacharelados Interdisciplinares, os BI’s: Ciência & Tecnologia, Artes, Humanidades e Saúde. Após 3 anos de estudos executados de maneira interdisciplinar – ou seja, um estudante de saúde recebe formação em humanidades, artes e tecnologia, contribuindo para a preparação de, por exemplo, um futuro médico com formação humanizada, que dispõe de habilidades para trabalho em equipe e tratamento humano – o estudante recebe um diploma de graduação plena em Saúde. Ele estará formado.
Daí por diante, já dentro da Universidade, o estudante poderá fazer a opção por sua área de formação mais específica – os tradicionais cursos de medicina, farmácia, psicologia, engenharia, direito, etc. E, esta escolha será feita de maneira amadurecida, com vivências que o jovem de 17 anos, concluinte do 2° grau, habitualmente não possui. Como este aluno já cursou 3 anos do BI, ele terá sua formação específica em mais 1, 2 ou 3 anos apenas – dependendo das especificidades do seu curso. Isso tudo também com uma pedagogia diferenciada, com uma aprendizagem baseada em resolução de problemas e no trabalho em equipe. O referencial teórico da UFSBA busca apoio em intelectuais como Anísio Teixeira, Milton Santos, Paulo Freire, Boaventura de Sousa Santos, Pierre Lévy e Alain Coulon.
Outra questão importante da formação da UFSBA é a Rede de Colégios Universitários. Diversas cidades que circundam os três campi (Itabuna, Porto Seguro e Teixeira de Freitas) receberão estrutura da UFSBA para o funcionamento de unidades universitárias. Os concluintes do 2° grau da rede pública de ensino de, por exemplo, Itacaré, Uruçuca, Ubaitaba, Ibicaraí, Camacan e outras, poderão cursar a primeira metade de seus BI’s nas suas cidades de origem, dispondo das mesmas aulas que os alunos que frequentarão aulas no campus sede. Eles disputarão seu lugar na universidade apenas com os colegas provenientes da rede de colégios conveniados, democratizando o acesso a educação.
Através de uma moderna rede digital, o conteúdo ministrado será oferecido em versões ao vivo e gravadas para que os alunos dessas cidades tenham a formação mais adequada. Além disso, semanalmente, os professores da UFSBA farão visitas aos Colégios Universitários a fim de acompanhar mais de perto o processo formativo.
É inegável o ganho que o sul da Bahia experimentará com a UFSBA. Itabuna, com centro de formação em Humanidades, Ciência e Tecnologia, Comunicação e Artes, Porto Seguro com Ciências Ambientais, Humanas e Sociais e Teixeira de Freitas com Ciências da Saúde e de Humanidades e Artes, serão responsáveis por oferecer à região anualmente uma série de profissionais formados através de uma educação moderna, de alto nível, acompanhada de um entendimento humanista, globalizado, com entendimento da realidade contemporânea de maneira ampla. Jovens capazes de alavancar o desenvolvimento regional.
Nossa responsabilidade para com a Ceplac é histórica, do conhecimento de seus dirigentes, seus funcionários e seus pesquisadores.
A Bahia vive uma experiência acadêmica da maior importância. Na região cacaueira está sendo implantada, não sem dificuldades, a Universidade Federal do Sul da Bahia. A nova instituição nasce com o objetivo de priorizar o ingresso de estudantes do Sul e do Extremo Sul baianos. Segundo levantamento realizado pela equipe que coordena o projeto da UFSBA, cerca de 17.000 jovens concluem anualmente o Ensino Médio, na área abrangida pela futura instituição, e não têm acesso à universidade pública, e, portanto, gratuita. E é isto o que ocorre, mais uma vez, neste final de ano.
Nós, que, na condição de um dos representantes da região na Câmara dos Deputados, com inescapável responsabilidade para com a situação descrita, estamos, agora, empenhados na busca de soluções que barateiem o funcionamento da universidade, e, ao mesmo tempo, tornem mais ágil concluir o processo. Pensamos não ser possível mais tolerar que os milhares de estudantes da região cacaueira continuem vivendo sem perspectiva alguma de continuidade de seus estudos, uma vez que a UFSBA já se constitui num projeto devidamente aprovado em todas as instâncias federais.
Ao todo, a UFSBA oferecerá 8.000 vagas para ingresso em seus cursos. Um número tão expressivo, que modificará inteiramente a realidade educacional superior na região. O sistema, inspirado nas teses do grande educador baiano Anísio Teixeira, fundador da Universidade de Brasília, absorverá os estudantes da região cacaueira através de um inclusivo sistema de colégios universitários, que funcionarão em dezenas de municípios do Sul e do Extremo Sul baianos, polarizados por três sedes: Itabuna, Teixeira de Freitas e Porto Seguro.
Agora, com o “mensalão tucano” entrando na pauta do STF, a grande imprensa tem a oportunidade de mostrar para seus leitores que não é tucana (ou atucanada).
O PT se queixa de uma implacável perseguição da chamada “grande imprensa”. O tripé oposicionista, segundo os petistas, é formado pelos jornais Folha de São Paulo, Estadão e o Globo.
Saltam aos olhos que os três jornalões não conseguem despistar o antipetismo encravado nos editoriais, como se o partido do ex-presidente Lula fosse o único integrante do prostituído sistema político.
A declaração da presidente da Associação Nacional dos Jornais (ANJ), Judith Brito – “os meios de comunicação estão fazendo de fato a posição oposicionista” –, deixou os petistas irritados.
A sinceridade de Judith, que é também diretora-superintendente do Grupo Folha, canaliza para a óbvia conclusão de que a oposição, com o PSDB, DEM e o PPS, está fragilizada.
Agora, com o “mensalão tucano” entrando na pauta do STF, a grande imprensa tem a oportunidade de mostrar para seus leitores que não é tucana (ou atucanada).
É bom lembrar que essa sistemática perseguição só está acontecendo porque o PT, como disse o jornalista Mino Carta, perdeu a linha. Demoliu seu passado honrado.
PS – “Há heróis indiscutíveis na trajetória da esquerda brasileira, poucos, a bem da sacrossanta verdade factual. No mais, há inúmeros fanfarrões exibicionistas, arrivistas hipócritas e radical-chiques enfatuados. Nem todos pareceram assim de saída, alguns enganaram crédulos e nem tanto. Na hora azada, mostraram a que vieram. E se prestaram a figurar no deprimente espetáculo que o PT proporciona hoje, igualado aos herdeiros traidores do partido do doutor Ulysses, ou do partido do engenheiro Leonel Brizola, obrigados, certamente, a não descansar em paz”. (Mino Carta).
Enquanto Nabuco preconizava mudanças dentro da ordem, dentro do espaço jurídico e político formal, Luiz Gama, apresentava uma postura mais radical.
Vários intelectuais desenvolveram um projeto político para o Brasil no século XIX, em meio às lutas e disputas políticas pela afirmação e estabilização do Estado-nação, cada um alinhando suas práticas sociais as suas concepções políticas e ideológicas. Dois intelectuais entrecruzaram-se em virtude do processo abolicionista. São eles: Joaquim Nabuco (1849-1910) e Luiz Gama (1830-1882).
O primeiro, branco, pernambucano, filho de uma família letrada e escravocrata, historiador, jurista, fez carreira política nacional (deputado) e internacional (diplomata), abolicionista, republicano e defensor de um projeto de Brasil democrático. O segundo, negro, baiano, filho de escrava e escravizado até os 17 anos, advogado, jornalista, editor (fundou em 1864 o primeiro jornal caricaturado, o Diabo Coxo), poeta, orador, abolicionista, republicano e defensor de um projeto de Brasil democrático e pluriétnico.
Nabuco desenvolveu um pensamento crítico com bastante rigor político sobre o problema da escravidão. Conjecturava uma sociedade democrática republicana que “integrasse” o negro ao universo da diversidade existente, ou seja, no mundo dos brancos. Seu projeto de modernização do sistema político e social consistia numa integração étnica hierarquizada e subalterna, onde os valores da cultura branca estariam a preponderar. Nabuco, teorizou a escravidão, jamais sobre o sujeito negro.
A escravidão foi seu objeto de análise e a base para construção de todo o seu edifício teórico-crítico. Em sua campanha abolicionista, discursou veementemente sobre os malefícios e os problemas (vícios) morais e sociais oriundos da escravidão, mas sem jamais ter discursado para negros ou diante de um público negro. Para Nabuco, arregimentar negros e insulfra-los diretamente para uma campanha anti-escravidão era perigoso, pois poderia provocar uma haitinização, ou seja, uma revolução negra.
Luiz Gama desenvolveu seu pensamento por meio da poesia satírica, textos jornalísticos e discursos político (oratória). A produção cultural de Gama situa-se num espaço construído pela diáspora e na contracultura da modernidade. Gama pretendia afirmar a contribuição africana no Brasil, justamente no momento da consolidação da identidade da nação brasileira. Sua posição era de que existia uma africanidade dentro do modelo de brasilidade construído socialmente.
Enquanto Nabuco preconizava mudanças dentro da ordem, dentro do espaço jurídico e político formal, Luiz Gama, apresentava uma postura mais radical: “o escravo que mata o senhor, seja em que circunstância for, mata sempre em legítima defesa”. O projeto de Gama para o Brasil era a construção de uma nação heterogênea em que os grupos étnicos estivessem numa condição relacional e sem privilégios.
A historiografia notabilizou e cristalizou Joaquim Nabuco, canonizando-o e ao mesmo tempo silenciando e subalternizando a produção social de Luiz Gama. Com a emergência dos estudos culturais com foco numa história vista de baixo, nas margens da cultura ou nas histórias diaspóricas jamais documentadas, redimensiona-se o lugar social da produção de Luiz Gama, consequentemente desestabiliza-se os vultos da intelectualidade brasileira.
Eduardo Estevam faz Pós-Graduação (doutorado) em História Social pela PUC-SP.
É possível dizer que mudou sem mudar, porque ao longo deste um quarto de século, continua sendo o que sempre se propôs a ser: uma televisão com a cara e as cores do Sul da Bahia, com uma profunda identidade regional.
O mês era dezembro e o ano era 1987.
Em Itabuna, todas as cores no ar anunciavam a chegada de uma nova estação. Não era o verão.
Quem chegava -e lá se vão 25 anos- era a TV Cabrália, primeira emissora de televisão do interior do Norte/Nordeste, não apenas uma repetidora da programação da Rede Manchete, a quem era afiliada.
Mas uma emissora com programação própria, vida própria e, principalmente, com a alma do Sul da Bahia.
A chegada de TV Cabrália, como era de se esperar, gerou expectativa e euforia, numa civilização orgulhosa de seu fruto de ouro e de ter forjado o próprio desenvolvimento.
O fruto de ouro, dois anos depois, perderia seu brilho, esplendor e pujança por conta de uma doença com poderes de bruxa malvada.
A TV Cabrália, símbolo daquele tempo, atravessou sobressaltos, mas resistiu ao apocalipse econômico e social que as bruxarias provocaram, fez história. E que história.
Começou como afiliada da Rede Manchete, depois SBT e, adquirida pela Igreja Universal do Reino de Deus, passou pela Rede Record, teve uma incipiente fase na Rede Mulher e hoje integra a Record News.
É possível dizer que mudou sem mudar, porque ao longo deste um quarto de século, continua sendo o que sempre se propôs a ser: uma televisão com a cara e as cores do Sul da Bahia, com uma profunda identidade regional.
Gestada pelo espírito empreendedor do Dr. Luiz Viana Filho e que ganhou forma nas mãos do visionário Nestor Amazonas, a TV Cabrália, além de acompanhar os principais acontecimentos e se envolver nas grandes causas sulbaianas nestes 25 anos, foi uma espécie de escola de profissionais de televisão, profissão até então inexistente por essas plagas amadianas e/ou pragas vassorianas, com o perdão do trocadilho irresistível. Leia Mais