Ruy Póvoas (à esquerda) presta homenagem ao amigo André Rosa, falecido neste domingo (7)
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André trouxe Rosa, por sobrenome, a rainha das flores. No percurso de sua existência, muitas vezes não navegou num mar de rosas, tendo em vista os inúmeros desafios que teve de enfrentar. Cremos, porém, que a partir de agora, um mar de bem-aventuranças lhe trará o descanso merecido.

 

Ruy Póvoas

Quatro caminhos no meu percurso, nesta existência, se cumprem no dia de hoje. O entrelace se desfaz com a morte de André Rosa. Meu amigo, meu colega, meu confrade, meu irmão de fé. A quais caminhos me refiro? Éramos parceiros na Universidade/UESC (André era professor e pesquisador); na Literatura (André era escritor e poeta); na Academia de Letras de Ilhéus (André era membro efetivo da ALI) e no exercício da prática de uma religião de matriz africana (André era Tata Cambone de Matamba, do Terreiro Tombenci Neto).

Tais viveres e fazeres nos enlaçaram por muitos anos a fio. Agora, quando Mercúrio retroage no nosso céu, Matamba mandou buscar André e Nanã Borokô o leva de volta ao seio da Mãe Terra. E como fico eu aqui? Aliás, como ficamos nós?

Cumpre volvermos as vistas para seus escritos e seus relatos de estudos e pesquisas. Cumpre mergulharmos com a atenção devida para seus versos extravasantes de intuição artística. Cumpre continuarmos zelando pela ALI, nos devidos cuidados de sustentação e lides de nossa Academia. Cumpre, especialmente a mim, continuar na luta pela conquista de lugar no mundo por partes do povo de santo.

Da última vez que nos vimos, 14 de março deste ano, a nossa ALI vivia momentos de alegria por estarmos iniciando mais um ano de atividades acadêmicas. Vários participantes fotografaram o evento a valer. Em muitas fotos, André e eu saímos juntos. E quando a onda de sentimento amainar, voltarei àquelas fotos que ficaram, representações que são do último momento de uma caminhada que só nos deu contentamento e certeza de que estávamos no caminho certo.

Para nós, gente que pratica a fé de matriz africana, ainda veremos você na intimidade de nossos rituais, quando em breves dias, celebraremos o axexê. Você se vai enquanto criatura encarnada, mas ficará conosco, para o resto de nossas vidas. E isso é possível, sim, porque ficam conosco, seus escritos, seus poemas, seus livros, os resultados de suas atividades na ALI. Ficam, sobretudo, partes de seu axé anexado à comunidade do Terreiro Tombenci Neto.

André trouxe Rosa, por sobrenome, a rainha das flores. No percurso de sua existência, muitas vezes não navegou num mar de rosas, tendo em vista os inúmeros desafios que teve de enfrentar. Cremos, porém, que a partir de agora, um mar de bem-aventuranças lhe trará o descanso merecido.

E de onde você estiver, rogue por nós, seus amigos, camaradas, colegas e irmãos até que chegue nosso tempo também.

Itabuna, 7 de abril de 2024.

Ajalá Deré (Ruy Póvoas) é babalorixá do Ilê Axé Ijexá.

Fotojornalistas protestam contra Figueiredo, em 1984 || Foto J. França
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Não reivindico imparcialidade, mas a distância necessária para dosar a empatia com desconfiança e a antipatia com escuta atenta.

 

 

 

Thiago Dias

Quando ingressei no curso de Comunicação Social da Uesc, em 2007, não sabia que profissão seguir. Foi uma escolha por exclusão das ciências exatas e por alguma afeição à escrita, mas não pensava em jornalismo. Só depois de formado tive o primeiro contato com o ofício, no Blog do Gusmão, onde trabalhei por cinco anos e me profissionalizei.

Herdei de meus pais, Dagmar e Luís, duas características elementares para o jornalismo, o gosto por ouvir e contar histórias e a honestidade. Ser honesto é pressuposto do relacionamento jornalístico com as pessoas e do esforço para diminuir ao máximo a distância intransponível entre a informação e o fato reportado. Aquilo que se pode chamar, num pleonasmo, de realidade factual.

É o compromisso reiterado com a apuração da notícia que torna o repórter e o veículo de imprensa credíveis. Eis a matéria-prima da construção e manutenção da credibilidade do emissor em um contexto de circulação acelerada de informações e opiniões.

Não reivindico imparcialidade, mas a distância necessária para dosar a empatia com desconfiança e a antipatia com escuta atenta. A busca desse equilíbrio reduz, de um lado, os pontos cegos do olhar emotivo e, de outro, permite a abertura para um diálogo capaz de rechaçar um preconceito injusto ou de reafirmar uma posição crítica.

Essa é das lições mais exercitadas nos meus três anos e três meses neste PIMENTA. Na redação, o convívio com os jornalistas Ailton Silva e Davidson Samuel é fonte de aprendizagem diária. Nos seus textos, aprendi a admirar o rigor descritivo e a frase curta e direta como expressões sofisticadas da clareza a serviço da notícia.

Além das lições, o PIMENTA também me abriu portas valiosas, como a do Jornal das Sete, da Morena FM 98.7, rádio dirigida pelo jornalista Marcel Leal, com quem divido a redação do informativo, que vai ao ar de segunda a sexta, às 18h40min. Ilheense, quis o destino me abrigar em dois veículos na cidade vizinha, apresentando-me, ainda que de forma mediada, uma Itabuna que eu não conheceria se não fosse o jornalismo.

Está aí um presente que a profissão me deu em 11 anos de estrada. Descobri uma Itabuna de forte presença das associações civis e da imprensa como forças de pressão organizada e de dinamismo político. Quando compartilho essas impressões com amigos itabunenses, boa parte deles diz que estou superestimando o verde da grama da casa vizinha.

Será? Penso que não, especialmente por causa do papel relevante que vejo a imprensa exercer no debate público de Itabuna – um autoelogio que o Dia do Jornalista, comemorado neste domingo (7), nos autoriza a cometer.

Thiago Dias é repórter do PIMENTA e do Jornal das Sete (Morena FM 98.7).

A camisa criada por Afonso Dantas desperta o sentimento de pertencimento do itabunense
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Nada mais brega do que a velha rivalidade entre papa-jacas e papa-caranguejos.

 

Walmir Rosário

Guardo muitas recordações dos tempos de menino, entre elas as boas brigas por apelidos, gentílicos, etnônimos, topônimos, principalmente os vistos como depreciativos. E não era pra menos, imagine um itabunense ser chamado taboquense, por ser Tabocas o nome do distrito que deu origem a Itabuna. Pior, ainda, e totalmente sem cabimento, o nascido em Itabuna ser chamado de papa-jaca pelos ilheenses. Por pouco não é declarada uma guerra, finalmente, pacificada agora por Afonso Dantas.

Eu mesmo já sofri muito com os preconceituosos gentílicos por ter nascido em Ibirataia (BA), nomeada de Tesouras quando ainda distrito de Ipiaú (também papa-jaca). Em 1960, finalmente, Ibirataia ganha sua “carta de alforria” e passa a ser cidade, município. Para fazer a população e os “de fora” se acostumarem com o novo nome, o prefeito teria tido uma conversa de pé de ouvido com o delegado, que proibiu Ibirataia ser chamada de Tesouras. E as ameaças não eram poucas, inclusive com a permanência de uns dias de xilindró.

Mas em Itabuna era inaceitável ser chamado de papa-jaca, notadamente pelos ilheenses, que não se conformavam em ter perdido o domínio sobre a nova Itabuna, mormente pelos contos de réis que embolsavam nos tempos de Tabocas. Pois bem, a rivalidade era acirrada, pois Itabuna se agigantava e exibia uma Associação Comercial (em Ilhéus ainda não existia), ganhava no futebol, no comércio, enfim, ameaçava – de verdade – a hegemonia de Ilhéus.

Como não sou historiador, não fui nem irei à cata de documentos para fazer as devidas comprovações do que digo, pois sabidamente está na boca do povo. E o gentílico papa-jaca nasceu por pura inveja dos ilheenses, pelo simples fato dos itabunenses ignorarem, também, os restaurantes e pensões de Ilhéus, quando iam à praia da Avenida. Na carroceria de caminhões, os itabunenses levavam seu farnel, reforçado com feijoada, farofa de jabá e uma boa jaca, saboreada como sobremesa, para a inveja dos ilheenses.

Depois disso, pelo que soube por gente da minha inteira confiança, e fui conferir que até o conterrâneo Jorge Amado (ele itabunense de fato e eu por direito), no livro Terras do Sem-fim, renegou a origem e descreveu ser o papa-jaca gente de Itabuna, pessoas rústicas, mulheres de comportamento duvidoso e homens violento, às vezes cornos. Fiquei puto da vida, mas não vou brigar com um conterrâneo, e que já se foi deste mundo.

Inconformados com a independência e altivez do itabunense, os ilheenses partiram para a galhofa, retrucada em seguida com o gentílico papa-caranguejo, por motivos óbvios. Aí é que rivalidade aumentou, chegando às raias do quebra-pau. Lembro-me que à época o sentimento de pertencimento com a cultura popular não era aceito e os gentílicos e etnônimos malvistos e resolvidos na porrada.

Mesmo em tempos recentes, um desprestigiado e despudorado juiz de direito (hoje ex) chegou a tentar denegrir o presidente da OAB itabunense, tendo o desplante de chamar o causídico de papa-jaca, como se ofensa fosse. Em resposta, no Forró do Advogado, em pleno Alto Beco do Fuxico, foi esculachado em uma música criada pelos advogados itabunenses, que foi hit por meses a fio, colocando o tal do então magistrado em seu devido lugar, o lixo.

Com o passar do tempo, os malvistos passaram a ser benquistos e incorporados como bens imateriais. E cito aqui um fato comprobatório: Na década de 1970, o paratiense, cujo gentílico era papa-goiaba, recusava terminantemente ser chamado de Caiçara, rebatendo o adjetivo, por considerar pejorativo e somente se aplicar aos moradores do litoral paulista, e não aos “beiradeiros fluminenses”. Hoje acredita ser um deles e aceita os dois gentílicos com todos os mimos.

Mas voltando à nossa paróquia, já aceitamos e adotamos os gentílicos e etnônimos, mesmo que os topônimos não tenham nenhuma ligação. Nada mais chique do que desfilar por aí – em Itabuna, Ilhéus, Salvador, Nova Iorque ou Paris – com uma vistosa camisa criada pelo publicitário e cronista Afonso Dantas, com a bela figura de uma jaca ricamente estampada, arrematada logo abaixo com a pomposa legenda: Papa-jaca. Tudo isso teve início quando Afonso passou a criar camisas com gírias e expressões tiradas das raízes mais profundas do vocabulário “baianês”. Lá ele! Tô fora!

É de meter inveja aos ilheenses, que ficam putos da vida, por sentir o efeito contrário da galhofa: em vez da raiva anterior, o itabunense demonstra sabedoria e pertencimento. Trocando em miúdos, fez do limão uma limonada. E o projeto de Afonso Dantas não se resume a Itabuna, pois muitas cidades da região cacaueira – a nação grapiúna – esnobam as demais, e apresentam a jaca como figura e adereço cultural maior.

A criação das camisas ganhou o mundo, como já disse, e elevou a autoestima do itabunense, papa-jaca sim senhor, e com muito orgulho. Tanto assim que perdoou o conterrâneo Jorge Amado, acreditando ter sido influenciado pelos coronéis ilheenses da época, putos da vida com o desenvolvimento de Itabuna. Hoje, papa-jacas e papa-caranguejos dividem e convivem o mesmo espaço praiano com a mais perfeita harmonia.

Daqui de Canavieiras, onde me refugiei há mais de uma dezena de anos, tomei ciência que o gentílico papa-caranguejo é palavra corrente para distingui-los. E como se não bastasse, eles ainda ressaltam que é a iguaria mais gostosa, além das mais belas pernas da Bahia. Sem qualquer descortesia, Trajano Barbosa utilizou o caule da jaqueira como mastro na festa do “Pau de Bastião” por mais de 60 anos, na famosa festa da Capelinha.

Nada mais brega do que a velha rivalidade entre papa-jacas e papa-caranguejos.

Walmir Rosário é radialista, jornalista e advogado, além de autor de livros como Os grandes craques que vi jogar: Nos estádios e campos de Itabuna e Canavieiras, disponível na Amazon.

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Temos sido surpreendidos pela voracidade com o assédio escandaloso a pré-candidatos e pré-candidatas à Câmara Municipal de partidos da base, que estão nesse esforço da construção da unidade política. Se fosse dos adversários, seria o mais natural da disputa.

Rodrigo Cardoso

A Federação Brasil da Esperança, Fé-Brasil, formada pelos partidos PT, PCdoB e PV, é uma boa novidade na política nacional. Em um mundo que vive múltiplas crises, dentre elas a ambiental e diversas outras decorrentes da emergência de uma realidade multipolar, ter no Brasil um instrumento político-eleitoral que trabalha para se constituir no núcleo de uma frente ampla de todos os que defendem a democracia, o desenvolvimento sustentável e a justiça social é um grande trunfo. Principalmente quando temos como líder o Presidente Lula, que traz em sua história a síntese de diversas lutas de nosso povo.

A unidade para a vitória dessa frente ampla democrática nas eleições municipais 2024 está no centro da tática da Fé-Brasil.

Na Bahia, onde temos o governador Jerônimo (PT) como principal referência política, essa tática se expressa na busca da construção do máximo de candidaturas unitárias possível, em especial nas grandes cidades, onde, no geral, enfrentamos mais dificuldades nas eleições de 2022. Naturalmente, onde o prefeito apoiou nosso governador, o mesmo acaba assumindo protagonismo da articulação das diversas forças que compõem a base do governo, com vistas à construção dessa unidade. Onde pode se reeleger, acaba sendo o candidato natural.

Em Ilhéus, o Prefeito Mário Alexandre (PSD) está no último ano do seu segundo mandato. Entre erros e acertos políticos e administrativos, construiu vitórias expressivas, a última com a eleição da esposa Soane Galvão (PSB) como deputada estadual, com grande votação em nossa cidade.

No entanto, segundo diversas pesquisas de opinião, enfrenta várias dificuldades em seu governo, que mantém alta rejeição. Ainda assim, preserva força política relevante.

Meu partido, o PCdoB, não apoiou o Prefeito Mário em nenhuma das suas vitórias eleitorais nem na sua derrota, quando foi candidato a vice-prefeito em 2012. Disputamos contra ele em 2016, compondo como candidato a vice-prefeito a chapa do PP, que na época fazia parte da base do governador Rui Costa (PT). Em sua reeleição, compusemos a mesma aliança, que teve como candidato a vice o dirigente do PT, Everaldo Anunciação.

Mas sempre mantivemos um diálogo construtivo, contribuindo com a atração de políticas e investimentos públicos para nossa cidade, através de nossas lideranças estaduais, como o Secretário de Trabalho, Emprego, Renda e Esporte, Davidson Magalhães, a deputada federal Alice Portugal, o deputado estadual Fabrício Falcão, o Superintendente de Economia Solidária Wenceslau Jr., dentre diversos outros camaradas. Com essa parceria, foram diversos cursos de qualificação, apoio à economia solidária, políticas de geração de emprego e renda, para mulheres, de combate ao racismo, ações e programas de esporte e lazer etc. O mais recente, a Areninha Gustavão, ao lado da Central de Abastecimento do Hernani Sá.

Nosso vereador Cláudio Magalhães sempre foi um ator fundamental nesse diálogo.

Recentemente, em meados do ano passado, o Partido fez um movimento de maior aproximação do governo municipal, com nosso vereador passando a compor a base. A perspectiva era que nossa presença contribuía para a construção da unidade.

Consideramos esse esforço bem-sucedido, na medida em que, em fevereiro desse ano, por iniciativa do Prefeito, se estabeleceu uma mesa de diálogo com todos os partidos da base do Governo do Estado.

Legítimas pré-candidaturas à sucessão se colocaram, o que consideramos positivo para o debate. Tanto do vice-prefeito Bebeto (PSB), quanto da Secretária Estadual de Educação e ex-Reitora da Uesc, professora Adélia Pinheiro (PT). O prefeito já divulga também a pré-candidatura do Secretário de Gestão, Bento Lima (PSD).

Até aí, tudo normal.

Mas, recentemente, temos sido surpreendidos pela voracidade com o assédio escandaloso a pré-candidatos e pré-candidatas à Câmara Municipal de partidos da base, que estão nesse esforço da construção da unidade política. Se fosse dos adversários, seria o mais natural da disputa.

Aparentemente, alguns setores, sorrateiramente, já decidiram que a melhor tática para o sucesso eleitoral de sua candidatura de preferência não seja a unidade da base, mas a divisão, com diversas candidaturas disputando a preferência do eleitorado, apostando, provavelmente, na supremacia de suas “fórmulas menos republicanas” para a vitória.

Na minha humilde opinião, é um grande erro. Tal postura contribui mais para fortalecer o risco de que a maioria do povo busque, como resposta às suas insatisfações com os problemas do município, alternativas que apontem ou para práticas do passado com suas dificuldades conhecidas ou para aventuras que nos tirem do contexto estadual de políticas de desenvolvimento e busca de melhorias de vida para o povo. Ademais, a República tem instituições que, às vezes, funcionam.

Enfim. São apenas reflexões. Quis a providência a sua publicação no Sábado de Aleluia, tão valorizado por nossa cultura popular. Enquanto cristão, dá para acreditar que o Domingo de Páscoa, que nos lembra da ressurreição, é sempre um chamado à renovação de práticas e alianças. Mas sem esquecer que o calendário também o colocou esse ano na véspera do 1° de abril.

Rodrigo Cardoso é presidente municipal do PCdoB e da Federação Brasil da Esperança.

Três formações da Seleção de Itabuna hexacampeã, Pela ordem, a campeã, bicampeã e a hexacampeã
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O prefeito de Alagoinhas, Murilo Cavalcante, organizara uma festa para comemorar a vitória de sua seleção. Mesmo perdendo confraternizou com os itabunenses.

 

 

 

Walmir Rosário

Atesto e dou fé que o que agora passo a narrar é rigorosamente verdade, daí não retirar ou mudar uma só vírgula do assunto em questão, o futebol amador baiano. Está nos anais da história que a Seleção Amadora de Itabuna se consagrou hexacampeã (em títulos seguidos) do Campeonato Intermunicipal Baiano, feito que até os dias de hoje se encontra tremulando nos píncaros do futebol amador da Bahia.

Tudo começou no ano de 1957 – embora o campeonato seja relativo a 1956 – em 27 de outubro, com um empate em 3X3, em casa, no campo da Desportiva, numa partida cheia de emoções. É que até os 45 minutos do segundo tempo, a Seleção de Itabuna perdia por para a Seleção de Belmonte. Aí, um chute de Tertu marca o gol salvador da pátria. Do meio de campo ele consegue colocar a bola na gaveta superior, onde as corujas dormem.

Bastava caprichar no próximo jogo, na casa adversária, e tomar a dianteira. Não deu outra, Itabuna venceu por 3X1 e deu início a um próspero período de vitórias e títulos. A próxima vítima foi a Seleção de Ubaitaba, vencida por 2X1, na Desportiva e por 4X0 em Ubaitaba. E a partida foi bastante tumultuada, com a expulsão do goleiro itabunense Asclepíades, substituído pelo atacante Santinho, ainda com 20 anos de idade.

Daí pra frente Itabuna venceu Valença em sua casa por 4X3 e repetiu a vitória na Desportiva por 4X1. Para finalizar o campeonato, ganhou da Seleção de Salvador – no campo da Graça – por 2X1 e liquidou a fatura contra os soteropolitanos por 3X1, em Itabuna. Era uma equipe pra ninguém botar defeito, que já tinha mostrado seu potencial ao vencer o Torneio Antônio Balbino em abril de 1957.

No Bicampeonato não foi diferente e a Seleção de Itabuna, mesmo tendo que esperar por três anos para o reinício do campeonato, em 1961. Pra começo de conversa, ganhou da Seleção de Itajuípe, em sua casa, por 3X1, com 2 gols de Zé Reis e um de Florizel. No jogo de volta, em Itabuna, ganhou pelo placar de 3X2, todos marcados por Florizel, considerado o maior centroavante que já atuou em Itabuna.

Nas quartas de final, a Seleção de Itabuna vence o Jequié em sua casa por 3X2, e no jogo de volta abate o selecionado da Cidade do Sol por 4X0, no campo da Desportiva. Na semifinal empata com a Seleção de São Félix em 0X0, na casa adversária, e aplica 1X0 em casa, num gol magistral de Santinho. Com essa vitória Itabuna tinha tudo para colocar a mão da taça, mas o adversário na final seria a Seleção de Feira de Santana.

E como o primeiro jogo seria disputado em Itabuna, os jogadores fizeram de tudo para sair com um bom resultado, goleando a Seleção de Feira de Santana pelo elástico placar de 6X0. No jogo de volta, em 28 de janeiro de 1962, em Feira de Santana, bastou empatar por 1X1 para que a taça permanecesse em Itabuna. Foi uma festa sem precedentes, que continuou após a chegada a Itabuna.

Porém a Seleção de Itabuna queria mais, era chegada a hora de ficar com a taça do Intermunicipal, de forma definitiva, vencendo o Tricampeonato em 1962. E a campanha foi iniciada justamente contra Ilhéus, um adversário difícil. No primeiro jogo, em Itabuna, um empate chorado de 1X1. No jogo de volta, em Ilhéus, Itabuna vence por 2×0, com gols de Tombinho e Gajé. Neste dia Fernando Riela deu um show na ponta esquerda, que culminou com a expulsão de seu marcador, o excelente Coquita.

Agora bastava ganhar de Alagoinhas para chegar ao tri. Numa partida difícil, saiu perdendo com um gol contra de Abieser, mas conseguiu virar para 3X1, na casa adversária e pode decidir o título junto de sua torcida, pronta para festejar no Campo da Desportiva, com todas as honras. Em 17 de dezembro de 1962, o selecionado itabunense ganha de Alagoinhas por 1X0, gol de Zé Reis. Foi comemoração que varou a semana, com direito a música inspirada em Jackson do Pandeiro, “Vocês vão ver como é”, da Seleção Brasileira.

Com a taça em definitivo, era a hora da campanha pelo Tetracampeonato. E mais uma vez começávamos o zonal em 1963 contra a Seleção de Ilhéus, aplicando uma goleada por 4X0, todos marcados pelo centroavante Zé Reis. No segundo jogo, agora no Estádio Mário Pessoa, em Ilhéus, Itabuna joga pela vantagem do placar, perde por 3X0, e continua avançando no Campeonato Intermunicipal.

Agora era só jogar a final contra a Seleção de Santo Amaro, no Campo da Desportiva. Em decorrência de um erro da defesa Itabuna toma um gol, mas se recupera e vence pelo placar de 3X1. Na partida decisiva, Itabuna volta a tomar um gol e vence a catimbeira e poderosa Seleção de Santo Amaro por 2X1, com gols do atacante Gajé. Era só comemorar mais um feito inédito no esporte baiano.

Parece até ironia, mas em 1964 o Pentacampeonato da Seleção de Itabuna é iniciado justamente contra a Seleção de Ilhéus, no Mário Pessoa. Na primeira partida vitória itabunense por 1X0. No jogo de volta, no Campo da Desportiva, Itabuna toma um gol inesperado e parte pra cima virando o placar para 3X1, um gol de Gajé e dois de Santinho, para o delírio da torcida, que já sentia o “gostinho” do Pentacampeonato.

E a decisão era contra a Seleção de Feira de Santana. No primeiro jogo Itabuna sequer tomou conhecimento do selecionado da Princesa do Sertão e goleou por 4X0, com 3 gols de Gajé e um de Santinho. Na segunda partida, em Feira de Santana, perde por 1X0 (com três gol de Fernando Riela anulados). Com a mudança do regulamento, um terceiro jogo é marcado, também para Feira de Santana, e Itabuna vence por 5X3, liquidando a fatura.

Em 1965 Itabuna parte para a conquista do Hexacampeonato. No primeiro jogo, em Ilhéus, vence o selecionado ilheense por 2X1. Na segunda partida, com o Campo da Desportiva lotada, um cartaz recepcionava os ilheenses com a sugestiva frase: “Os Penta saúdam os ilheenses”. E volta a vencer o selecionado praiano pelo placar de 3X1. Agora era só partir para a final, mais uma vez contra Alagoinhas.

Com o Campo da Desportiva superlotado, Itabuna fica no empate 3X3 com Alagoinhas. Na partida finalíssima, encara Alagoinhas em sua casa e vence por 1X0, gol de Pinga, de cabeça, aos 35 minutos do segundo tempo. Enfim, Hexacampeã. O prefeito de Alagoinhas, Murilo Cavalcante, organizara uma festa para comemorar a vitória de sua seleção. Mesmo perdendo confraternizou com os itabunenses. Era 30 de janeiro de 1966. Só alegria!

Walmir Rosário é radialista, jornalista e advogado, além de autor de livros como Os grandes craques que vi jogar: Nos estádios e campos de Itabuna e Canavieiras, disponível na Amazon.

Panorâmica de Ilhéus com a Catedral de São Sebastião em destaque || Foto José Nazal
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Os clubes que brotaram, até agora, do território-marca de 1534 buscam nos seus nomes de batismo prestígios copiados extraterritorialmente, como Colo-colo, Flamengo, River, Vitória, e agora, um Barcelona menor

 

 

Sérgio Barbosa || serbarsil@gmail.com

A capitania dos Ilhéus foi reconhecida desde 1534 como promissor território capaz de gerar riquezas, uma vez povoado e explorado economicamente. Primeiramente com a cana de açúcar posteriormente com o cacau atravessou quatro séculos e ainda, hoje, agrega possibilidades com a indústria e os serviços da cultura e do turismo. O perfil de atividade econômica, daquele local, foi se ampliando na medida que o processo cultural da civilização foi compreendendo, em etapas ou eras, novas formas de ocupar e explorar o território nas suas potencialidades.

Sem dúvidas que foi a era da agri(cultura) cacaueira que, até agora, mais se expressou como perfil da cultura do território posto que se enraizou, também, na literatura e deu contornos saborosos ao locus com o imaginário da sensualidade e do amor de dois migrantes que se fundiram como uma explosão de sexo, pleno de liberdades e libertinagens num tempo de profunda rigidez social. Uma trama, do diabo que os deuses do cacau – theobroma – abençoaram.

O forjador dessa fundição, um grapiúna de raiz, deu sabores picantes ao território capaz de chamar a atenção do mundo por mais de século para essa terra de felicidade sem fim, cheia de histórias de amor, experiências, picardia e esperanças…

Jorge Amado, Gabriela e Nacib formaram um triângulo, longevo, rico de nuances que poderá impulsionar por mais outros séculos quem queira navegar nesta fórmula capaz de estimular curiosos amantes e consumidores a se interessar pela produção dessas terras de possibilidades, tal qual a cidade turística de Verona na Itália, que perdura no imaginário dos visitantes na sombra dos amantes Romeu e Julieta.

Assim percebeu, no seu tempo, um outro “imigrante suíço” – Hans Schaeppi – que, nos anos 1970/80, se consagrou ilheense, dentre outros feitos, ao batizar sua fábrica de chocolates com a marca raiz ILHEUS e “linkar” sua produção picante de marcas “Cacau do Nacib” e “Flor da Gabriela”.

Um marketing positivo para o território, invocando um registro de 1534 e abrindo vetores futuros de exploração de outras marcas como átomos dinâmicos de bom comércio e bons frutos. Hans Schaeppi estava bem posicionado no seu tempo e com ampla visão de um mentor de desenvolvimento para o território, mas parece não ter conquistado, ainda, bons seguidores no seu exemplo.

Assim dito, a cultura futebolística ilheense parecer ter inspiração inversa ao “suíço-Ilheense”, pois os clubes que brotaram, até agora, do território-marca de 1534 buscam nos seus nomes de batismo prestígios copiados extraterritorialmente como Colo-colo, Flamengo, River, Vitória, e agora, um Barcelona menor, cuja única identidade com a Catalunha, penso, é nenhuma e se apoia tão somente de momento do clube catalão ou talvez no desenho das bandeiras das cidades. E só.

Lastimável exemplo de demarketing territorial, e ausência de pertencimento, pois, uma vez crescendo o futebol desse clube, seus êxitos serão sempre remetidos a lembranças da cidade catalã que nem patrocina, sequer, nosso suor atrás da bola. Colherão, eles, os frutos sem plantá-los nem os regar.

Parece não ser razoável nem inteligente que a cultura das instituições ilheenses, de quatro centrão, se acomode com esses desperdícios de exposição que a mídia futebolística oferece, e, que o Itabuna, o Ceará, o Fortaleza e o Bahia desfrutam, muito bem, capitalizando suas marcas-territórios ao seu locus de berço.

Assim procedeu a indústria vinícola europeia, no século passado, a criar regras restritivas chamadas de “denominação de origem” vinculando as marcas dos seus “terroirs” com suas vinícolas. Cartão vermelho para qualquer um mortal que se atreva, doravante, a produzir um espumante de vinho com o rotulo de Champanhe exclusividade daquela região francesa que os deuses do comercio passaram a chancelar. É a mesma bebida que as corridas automobilísticas faz-nos beber como sinônimo de êxito e por elas pagar.

Oxalá os orixás nos ajudem a não permitir que os deuses do futebol não se motivem da mesma maneira das vinícolas e venham a exigir royalties pelo batismo-indevido ao nosso clube ilheense quando este se sagrar campeão.

Quem sabe se nossos orixás se unirem e lançarem fagulhas de criatividade e incendiarem, de espíritos “Schaeppianos” misturando à larva “Amadiana”, as novas lideranças dos traders Ilheensi de modo que doravante estejam vigilantes criando talvez um Ilheus-Theobroma F.C., uma SAF de uso múltiplo e arrendado a novos investidores na nossa Capitania. Uma ideia, bem-humorada, picante de desdobramentos e cheiro de século XXI.

Sérgio Barbosa é ilheense de coração nascido em Salvador.

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Por achar que não conseguimos.
Porque achamos que não somos bons o suficiente.
Porque as pessoas não acreditam na gente.
Porque é difícil.
Porque crescemos ouvindo que isso era Ímpossível.
Porque não nos sentimos merecedores.
Por que desistimos?
São tantos os porquês…

Rava Midlej Duque || ravaduque@gmail.com

Certa vez, quando havia desenvolvido a depressão e fui clinicamente diagnosticada, falei para a terapeuta que estava sentindo muita raiva da vida e assustada com as pessoas e com o mundo. Essa sensação me causava o questionamento: PARA QUE E POR QUE ESTOU VIVA?

Era uma sensação que desencadeava várias outras, e eu fugia das pessoas. Além de reclamar delas, reclamava da vida, reclamava do governo, da sociedade, dos vizinhos, da família…

“A última pessoa que imaginei que passasse por isso seria você, Rava”, falou mainha, olhando para mim. Era mesmo difícil acreditar, principalmente porque sempre me senti alegre, para cima, com vontade de vida! Mas a depressão chegou à minha vida. E eu estava ali, derretendo em um buraco sem fundo. Eu realmente estava desistindo de mim, não no sentido de tirar minha própria vida, mas desistindo da vida em vida, tornando-me apática, fria, sem brilho nos olhos. Mas, aos poucos, com tempo, paciência e, sobretudo, com decisão e dedicação, felizmente fui resgatada pela minha família e pela espiritualidade.

Não que hoje eu esteja isenta dos problemas e dificuldades da vida, ou que eu não me sinta confusa em algumas situações ou que nunca desanime diante das demandas e responsabilidades. Sim, faço, sinto! Sou humana! Mas hoje me conheço melhor e tenho ferramentas para encontrar de solução para tudo. Sim, eu disse, tudo! Para tudo há caminhos de solução, basta que a pessoa queira e comprometa-se com o seu processo. Não é fácil. Mas é possível e vale a vida!

Cura é jornada! Autoconhecimento é processo! Não desista. Não desista de você. Resgate quem você é e vá retirando todas as máscaras que te levaram a esquecer.

Respeite a sua história e tudo que te trouxe até aqui.

E lembre-se: quando você começa a questionar o sentindo da sua vida, é porque sua jornada no autoconhecimento iniciou. Por isso busque apoio, busque profissionais que te ajudem nesse processo. Não é fácil seguir sozinha.

Muita coisa está acontecendo ao mesmo tempo. A energia está intensa e tensa no mundo. Estamos em um momento em que, se a pessoa não tem um apoio emocional, alguém para auxiliar, escutar, receber ferramentas, caminhos de soluções, a pessoa não consegue sozinha.

Quando você recebe o auxílio, a mão de alguém para ajudar você nos seus processos, você recebe uma força de vida que te resgata, te impulsiona, te eleva para o seu melhor. E quando você se alinha no seu lugar de força vital, começa a se relacionar com a intensidade do mundo de forma diferente: mais confiança, menos controle.

Eu não me tornei terapeuta sistêmica só lendo livros ou assistindo 500 horas de aula, eu sirvo aquilo que eu conheço. Ou seja, eu já estive do outro lado. Eu passei meses olhando para o fundo do poço. Eu sei como é estar perdida diante à vida, sem sentido, sem bússola, sem noção do que fazer e qual caminho seguir.

Então lhe digo, sente que precisa de ajuda? Busque! Agarre com unha e dentes e faça disso sua prioridade. Não se deixe para depois. Não há tempo a perder! É preciso trazer para o consciente aquilo que está inconsciente, e por isso, sem entendimento. Identifique e trabalhe nisso. Trabalhe nisso para que se torne uma FORÇA e não uma FUGA!

Nunca é tarde para se perguntar ” Estou pronta(o) para mudar a minha vida, estou pronta(o) para fazer diferente a partir de agora?

Eu passei por um processo que eu precisava para encontrar o meu propósito, uma vida que fizesse sentido ao meu coração e a minha alma. Sigo encontrando todo dia. E você também pode encontrar esse lugar. Não desista!

Rava Midlej Duque é comunicadora, mestra, terapeuta sistêmica e consteladora familiar especialista em Psicologia do Nascimento.

Jipe caracterizado na estrada e na porta de uma oficina || Fotomontagem
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O diagnóstico dos médicos declarou falência dos órgãos, mas em qualquer oficina mecânica em que buscasse uma reforma mais robusta, por certo diriam que bateu o motor, encavalou a caixa de marcha, estourou o diferencial e sofreu um curto circuito na instalação elétrica: deu PT, a famosa perda total.

 

Walmir Rosário

Em todas as cidades, não importa o tamanho, existem figuras de destaque na sociedade. É verdade que algumas delas são vista de forma jocosa, em função de alguma deficiência física ou mental. Mesmo hoje, com o império do politicamente correto, essas pessoas ainda são motivos de risos, gozações, muitas das vezes respondendo com palavrões os chistes a eles dirigidos, muitas das vezes atirando pedras, paus, o que tiver às mãos.

No meu tempo de menino – e já vão muitos anos – Itabuna convivia com seus personagens, muitos deles tinham as ruas como residência e em locais fixos, em baixo de marquises seguras ou local melhor para mendigarem. Outros, vinham diariamente de cidades próximas, e outro grupo residiam com seus familiares, mas ganhavam as ruas e também eram motivos de gozações.

Um deles era o Jipe, com certidão de nascimento e batizado com o nome de Afrânio Batista Queiroz, que se caracterizava de Jeep Willys. Sim, isso mesmo, e com o que tinha de melhor entre os acessórios para equipar esses veículos, que eram os mais vendidos por ter estrutura para enfrentar as piores estradas. E revestido intelectualmente por dentro, e acessoriamente por fora de jeep, percorria ruas e estradas de Itabuna e região.

Na cidade em que estivesse Jipe visitava os pontos de táxis, geralmente aqueles carrões americanos das marcas Hudson, Ford, Chevrolet, Desoto, Oldmosbile, Rurais e Jeeps, estes em grande maioria. Conversava pouco e ouvia muito. Era observador por natureza, por ser circunspeto, calado, até. Ninguém sabia o que ele realmente pensava e qual a comparação que faria entre um verdadeiro jeep e o que pensava ser, pois não externava. Um simples sonho ou uma incorporada realidade…

Pelo que sempre contavam, ainda adolescente Afrânio teria pedido ao pai – um alfaiate – um jeep de presente, promessa nunca cumprida, o que teria mexido com sua cabeça, o deixando abilolado, como diziam. E como um jeep de verdade, o Jipe itabunense portava uma lanterna representando os faróis dianteiros, uma antena bem alta para que seu imaginário rádio não falhasse na viagem, um caixote pouco acima de suas nádegas, exatamente como o porta-malas de um jeep e uma lanterna traseira com lente vermelha e que acendia quando “freava”.

Com as mãos empunhava um espelho retrovisor, a antena, um pequeno equipamento pisca-pisca para sinalizar a mudança de direção, além de uma flanela na qual limpava o suor do rosto e os equipamentos. E o conhecido Jipe obedecida cegamente a legislação do trânsito, parando nos sinais quando vermelho e dava partida assim que a luz verde era acesa. Jamais infringia o Código de Trânsito, mesmo sem ter estudado.

Por onde passava chamava a atenção, tanto por sua indumentária e acessórios, quanto pela seriedade que se comportava. Se era cumprimentado respondia ao cumprimento com uma buzinada e seguia em frente. Pouco se importava quando a criançada – e até alguns adultos gaiatos – gozavam com sua cara. Caso continuassem com os chistes, aí sim, partia pra cima com vigor, apesar de sua pequena estatura.

Sempre me encontrava com Jipe pelas ruas, ou na grande concessionária da Willys Overland do Brasil em Itabuna, a empresa J. S. Pinheiro e Irmãos. Ali ele se sentia à vontade no meio dos veículos expostos à venda e na oficina, onde conversava com os mecânicos, todos seus amigos. Frequentemente se sentava à frente de um dos sócios, Tote Pinheiro, ouvia atentamente a conversa com os compradores, embora jamais se intrometesse. Apenas observava atentamente.

A cada semana Jipe visitava uma das cidades circunvizinhas de Itabuna, a exemplo de Buerarema e Itajuípe (20 km) e Ilhéus (30 km). Nessas viagens contava com a colaboração dos donos de bares e restaurantes, que lhe forneciam alimentação gratuita (água para o radiador, gasolina e troca de óleo, dizia). Dizem que já foi até Jequié para viajar na Rio-Bahia (BR-116). Nas estradas asfaltadas circulava pelo acostamento, sem descuidar do retrovisor e da sinalização com o pisca-pisca. O certo é que nunca sofreu ou causou um acidente.

Nascido em 1918, aos 65 anos de idade, após muitos problemas de saúde, passou a morar no Abrigo São Francisco, onde ficou até 31 de março de 2010, quando foi a óbito aos 92 anos de vida. O diagnóstico dos médicos declarou falência dos órgãos, mas em qualquer oficina mecânica em que buscasse uma reforma mais robusta, por certo diriam que bateu o motor, encavalou a caixa de marcha, estourou o diferencial e sofreu um curto circuito na instalação elétrica: deu PT, a famosa perda total.

Walmir Rosário é radialista, jornalista e advogado, além de autor de livros como Os grandes craques que vi jogar: Nos estádios e campos de Itabuna e Canavieiras, disponível na Amazon.

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Uma incógnita a ser resolvida é o abrigo político de Bento, especialmente após ruídos no PSD, liderado pelo senador Otto Alencar na Bahia.

 

Jerberson Josué

Com o desenvolvimento da pré-campanha, três nomes foram destaques nessa segunda semana de janela partidária.

Adélia Pinheiro (PT) ganhou espaço, marcando presença em reuniões e encontros com diversos segmentos sociais. Também recebeu visibilidade, ao lado do governador Jerônimo Rodrigues, nas entregas das grandes obras da Secretaria da Educação da Bahia, ainda sob o comando da médica e professora aposentada da Uesc, onde ela exerceu dois mandatos de reitora. Sem falar na foto de mãos dadas com o presidente Lula, que dispensa comentários sobre seu significado político.

O vereador Augustão também balançou o coreto. Sua chegada no PDT, recebendo o suporte de dois pesos pesados da política baiana, o deputado federal Felix Mendonça Jr (presidente do partido na Bahia) e o vice-presidente estadual da sigla, José Carlos Araújo. Em entrevista a este PIMENTA, ele avisou que tem autonomia para decidir sobre as eleições em Ilhéus e não descartou caminhar sozinho, se não houver acordo com outros partidos.

O empresário Valderico Reis Júnior (UB) fecha a trinca da hora em Ilhéus. Pontuando bem nas pesquisas disponíveis até dezembro de 2023, o pré-candidato acertou em cheio com o lançamento do programa Papo de Gestão, que vai ao ar aos sábados, a partir das 8h, na Gabriela FM. Depois de superar um momento difícil na vida pessoal, retomou as andanças pela cidade e ganha corpo nas ruas.

ATUALIZAÇÃO DO TABULEIRO

No campo governista, pré-candidaturas disputam a preferência dos governos federal e estadual. O vice-prefeito Bebeto Galvão, forjado na luta sindical e articulador político do PSB no sul da Bahia, quer as bênçãos governistas. Para isso, tem o apoio da deputada federal Lídice da Mata.

O vereador Jerbson Moraes (PSD), ex-presidente da Câmara de Ilhéus, tem o apoio incondicional do deputado federal e um dos líderes do PSD na Bahia, Paulo Magalhães, que reafirmou a garantia da legenda ao edil ilheense.

A advogada Wanessa Gedeon, do Novo, segue afinando o discurso e amolando as canelas, pois sabe que tem muito o que rodar na cidade. Seu trabalho na OAB, com importante repercussão na defesa dos direitos das mulheres, é um ativo político a ser colocado na vitrine da pré-campanha. A ver.

Edson Silva, do PRTB, nas suas rodas de conversa com os amigos e companheiros, tenta atrair os formadores de opinião e lideranças comunitárias para a sua pré-campanha. Já o Coronel Resende, que apareceu em foto com Bolsonaro, tenta colar sua imagem à do ex-presidente.

Dos quadros mais preparados que já passaram pela Câmara de Ilhéus, o ex-vereador Makrisi e seu novo partido, o PSOL, têm o desafio de construir uma pré-candidatura competitiva.

O ex prefeito Jabes Ribeiro (PP), decano nas disputas eleitorais de Ilhéus, tem rodado Brasília em construção de suportes e articulações para sua pré-campanha. O experiente político segue suas táticas à risca. Afinal, é doutor em vitórias eleitorais desde 1983. Isso não significa dizer que venceu todas, mas, até perdendo, meio que “escolheu” para quem perder.

E, por fim, o prefeito Mário Alexandre, mesmo sem anúncio oficial, já roda a cidade em companhia do secretário Bento Lima, seu pré-candidato não declarado. Ainda que de forma tímida, o grupo do Governo Municipal já segue Marão no apoio a Bento, o que é natural.

Uma incógnita a ser resolvida com o fim da janela partidária é o abrigo político de Bento, o virtual pré-candidato governista, especialmente após ruídos no PSD de Marão, liderado pelo senador Otto Alencar na Bahia.

Sigamos atentos aos próximos capítulos no desenrolar das eleições 2024.

Jerberson Josué é ativista social.

A alegria de retornar à elite do futebol baiano durou pouco para o Azulino || Foto Divulgação
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E o pior de tudo foi ter que aturar a gozação dos ilheenses, com um torcedor do Barcelona exibindo um cartaz em que dizia: “Eu já sabia, time da roça descendo com as baronesas” (do rio Cachoeira).

 

Walmir Rosário

Tinha prometido a mim mesmo que não mais escreveria sobre o futebol da atualidade. Motivos não faltam: não acompanhar o dia a dia dos times, especialmente o Itabuna Esporte Clube, em campo e extracampo; as ações da diretoria; o apoio recebido de instituições públicas e privadas; a convivência com sua apaixonada torcida. Por si só essas alegações bastariam e poderia cometer pecados pelo simples desconhecimento.

O certo é que a má fase fez com que o “time lascasse em bandas”, como se diz, e voltasse à Série B do Campeonato Baiano. Já sua ascensão à Copa do Brasil e à Série D do Campeonato Brasileiro, foi e deverá ser efêmera, respectivamente. E o que é pior: todo o planejamento é desmontado e um novo deverá ser elaborado, para que possa cair nas boas graças para os investimentos da iniciativa privada, que sabe uma SAF.

O itabunense é um apaixonado por futebol, e esse centenário amor passa de geração em geração, mesmo quando a cidade não tem uma equipe para tornar feliz os torcedores. E Itabuna já colocou duas equipes profissionais no Campeonato Baiano, para atender às predileções e preferência dos esportistas. Mas por pouco tempo. O Estádio Luiz Viana Filho, que hoje atende por Fernando Gomes, se transformou num elefante branco.

É triste para a apaixonada torcida itabunense passar o fim de semana sem futebol no Itabunão. E essa privação, carência, emudece parte da cidade, deixando caladas as equipes esportivas das emissoras de rádio, TV, jornais e as chamadas mídias sociais. Quando mudas, sem voz, deixam cabisbaixa a torcida, sem as discussões nos bares, nas praças, nos locais de trabalho. Tristeza absoluta na sociedade.

Essa escrita não irá, jamais, explicar os motivos que levaram e levam, costumeiramente, o entra e sai das nossas equipes dos campeonatos, com longos intervalos, como se fossem propositais para que os itabunenses entrassem num período letárgico, resultando no desinteresse pelo futebol. Podem os especialistas apontarem as causas que quiserem, mas, essa apatia afastará nosso torcedor do futebol. Isto está provado.

Nos mostra a história mais antiga que o futebol de Itabuna era mantido por abnegados, que dedicavam parte do seu tempo e seus recursos financeiros na manutenção da equipe amadora, como se profissional fosse. Não sei se o que falta é altruísmo, dinheiro nos cofres, bons projetos, desinteresse de uma parte da sociedade bem aquinhoada com o velho esporte bretão, que continua encantando de crianças aos anciãos.

Nessa conta também cabe colocar a parcela que cabe ao poder público, a exemplo do incentivo ao esporte nas dezenas de bairros de Itabuna, formando craques que poderiam abastecer as equipes locais. Faltam projetos abrangentes em execução na formação da meninada, iniciando na escola com os esportes coletivos como prática nas aulas ministradas na disciplina educação física. E essa ausência torna mais difícil e cara a formação de um time profissional.

Se não temos, ainda, a capacidade de formar os atletas, também nos falta um estádio em perfeitas condições para sediar jogos da equipe profissional. Entra ano e sai ano, somos informados que nossa praça esportiva será reformada e voltará a rivalizar com o “Gigante do Itabunão”, que chamava a atenção dos cronistas esportivos das grandes emissoras do Brasil pelo gramado suspenso e uma drenagem eficiente. As chuvas não tiravam o controle da bola do bom jogador para as poças de água.

Mas voltando à “vaca fria”, não podemos esquecer o esforço da direção do Itabuna Esporte Clube para voltar a brilhar nos campos de futebol da Bahia e do Brasil. Não conheço o projeto empreendido, bem como os apoios recebidos, especialmente na área financeira. O certo é que voltamos à Série B do Campeonato Baiano, nos sagramos campeão e entramos na Série A pela porta da frente.

E o que pensa a torcida, o que ela viu desse trabalho de preparação, dos jogos vencedores? Nada, ou quase nada, pois o Itabuna Esporte Clube, o “Meu Time de Fé”, o Dragão do Sul”, simplesmente não se apresentava à sua torcida. Seus jogadores não ouviam a animação da charanga (saudades de Moncorvo), os gritos de incentivo nos ataques, as festas nos gols marcados. Futebol sem estádio lotado não é futebol.

É que, por falta de um estádio pronto e aceito pela Federação Bahiana de Futebol, o Itabuna passou à condição de “caixeiro viajante”, se apresentando em outras praças, treinando em outras cidades. Parabéns às cidades que abrigaram o Itabuna, embora o torcedor tenha sofrido mais decepções com sua ausência. Não fossem os esforços das emissoras de rádio e TV, sequer teríamos notícias instantâneas dos resultados dos jogos.

Faltam-me informações sobre os próximos passos que serão tomados pelo Itabuna. Por certo a diretoria apresentará, muito em breve um novo planejamento. Esperamos que consigam bons contratos de apoio, como o Itabuna merece. Por outro lado, o torcedor quer ver o Itabuna Esporte Clube jogando no “Gigante do Itabunão”, e não em Camacan, Ilhéus ou outras cidades que gentilmente nos receberam.

E o pior de tudo foi ter que aturar a gozação dos ilheenses, com um torcedor do Barcelona exibindo um cartaz em que dizia: “Eu já sabia, time da roça descendo com as baronesas” (do rio Cachoeira). Mas o itabunense não se zanga com isso, afinal, a rivalidade entre Itabuna e Ilhéus tem mais de 100 anos e os ilheenses não perdoam o itabunense pelas acachapantes vitórias nos jogos ao longo desse tempo. É a mágica do futebol.

Walmir Rosário é radialista, jornalista, advogado e autor d´Os grandes craques que vi jogar: Nos estádios e campos de Itabuna e Canavieiras, disponível na Amazon.

Jerberson Josué analisa cenário eleitoral em Ilhéus || Foto Divulgação
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O prefeito deve apresentar Bento Lima aos caciques dos mais de dez partidos do seu arco de aliança e espera resposta positiva do PSD, que também tem em sua disputa pela indicação do seu candidato majoritário o ex-presidente da Câmara de Ilhéus o vereador Jerbson Morais

 

Jerberson Josué

Como era de se esperar, o prefeito Mário Alexandre (PSD) se movimenta pra fazer a maior coligação possível para seu prefeiturável e está em Brasília, em articulações e reuniões, objetivando convencer os caciques nacionais dos partidos a estarem consigo na viabilização da sua pretensão de eleger seu sucessor.

Em seu radar está seu correligionário e senador Otto Alencar, com quem espera aparar arestas e dirimir dúvidas sobre o controle local do seu próprio partido, em decorrência de rusgas advindas das articulações que Marão tem protagonizado, principalmente em Itabuna, Itajuípe e alguns outros municípios sul-baianos.

Em Brasília, Marão está buscando apoio declarado do senador e líder do Governo Lula no Senado, Jaques Wagner (PT), e do ministro e ex-governador Rui Costa (PT), com quem o prefeito teve o maior parceiro quando era governador. Outras reuniões e encontros estão na agenda do prefeito Marão e de dois influentes e fortes secretários, Ari Santos, o articulador político do governo, e o provável pré-candidato Bento Lima.

Mário Alexandre já conta com mais de dez partidos sob seu controle, que deverão proporcionar maior aparelhamento e recursos de campanha, mas que não garantem eleição tranquila e fácil. Na trajetória eleitoral das pretensões de Marão, estão possíveis candidatos majoritários competitivos e que circulam pela cidade e seus distritos, com disposição de engrossar o caldo pro lado do prefeito e seu prefeiturável.

Neste contexto está o ex-prefeito Jabes Ribeiro (PP), que circula pelos quatro pontos cardeais da cidade em busca dos seus amigos de 50 anos de vida pública. Também há o empresário Valderico Reis Júnior (UB), que deverá contar com uma frente ampla oposicionista de peso, com perspectiva de coordenação sob controle do ex-presidente da União de Vereadores da Bahia (UVB) e ex-presidente da Câmara de Vereadores de Ilhéus advogado Joabs Ribeiro, que é irmão de Jabes Ribeiro.

Quem também quer ser prefeito de Ilhéus é o vereador Augustão, que tem garimpado bons apoios e transitado bem em diversos segmentos sociais da cidade, com protagonismo que já está fazendo sua candidatura ganhar musculatura e ser alvo de diversos convites para ser vice de alguns dos demais pré-candidatos. De saída do PT, o vereador está de malas prontas para uma possível filiação ao PDT, garantido sua participação majoritária no pleito eleitoral de 2024.

O bolsonarismo tem no pré-candidato Coronel Resende (PL) uma alternativa ideológica baseada no eleitorado da direita e cujo contingente não pode ser considerado como insignificante. No campo governista, 4 pré-candidaturas disputam preferência da máquina municipal, estadual e federal. Essa é a mais disputada de todas vagas, o candidato que poderá participar da campanha eleitoral dizendo ser o candidato do presidente Lula, governador Jerônimo, Rui, Wagner e Otto. Esses apoios possuem apelos consistentes no eleitorado ilheense, que vê esse alinhamento de forma positiva.

O prefeito deve apresentar Bento Lima aos caciques dos mais de dez partidos do seu arco de aliança e espera resposta positiva do PSD, que também tem em sua disputa pela indicação do seu candidato majoritário o ex-presidente da Câmara de Ilhéus o vereador Jerbson Morais, que está rompido com seu correligionário Marão e se sustenta no deputado federal Paulo Magalhães (PSD), para acreditar que terá o beneplácito do PSD, para preterir Bento e ser seu prefeiturável.

“Correndo por fora” e “comendo pelas beiradas” para se tornar opção do grupo situacionista está o vice-prefeito Bebeto Galvão (PSB). Duas mulheres são pré-candidatas a prefeita de Ilhéus: a secretária de Educação da Bahia, a médica e professora Adélia Pinheiro (PT), e a advogada Wanessa Gedeon (Partido Novo). Recentemente o PRTB lançou a pré-candidatura de Edson Silva a prefeiturável.

Fora das hordas governistas e oposicionistas, transitando no campo da rejeição a quem não quer sair do poder e todos os demais que pretendem entrar no poder, está o ex-vereador Makrisi de Sá (Psol-Rede), com propostas que esquentarão a temperatura das eleições e buscarão cooptar o eleitorado exausto dos nomes que serão seus adversários na disputa à sucessão de Marão!

Jerberson Josué é ativista social.

Última Ceia, de Leonardo Da Vinci (1452-1519)
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Se Jesus veio após todos os livros e lições do Antigo Testamento, é porque este tornou-se insuficiente, fazendo-se necessário que a Luz do Cristo brilhasse mais alto.

 

 

 

 

 

Julio Gomes

Chama a atenção um fenômeno cada vez mais recorrente entre pessoas da atualidade, quanto à vivência da religiosidade no âmbito do cristianismo: a substituição, cada vez em maior quantidade, das narrativas diretamente relacionadas a Jesus contidas no Novo Testamento por referências diretas aos textos e passagens que vão do Livro do Gênesis até o Livro de Malaquias, todos do Antigo Testamento.

Essa percepção é fruto de uma convivência religiosa que procura ser o mais livre de preconceitos possível, escutando nas ruas, junto à juventude e às pessoas maduras, nos locais de trabalho, nas atividades esportivas e em família, quando das preces que abrem ou encerram eventos, as orações de pessoas de diversas religiões cristãs: católicos, espíritas e, sobretudo, evangélicos.

A referência ao Antigo Testamento é, sim, bem-vinda, pois o próprio Jesus, pilar e origem do Cristianismo, vem de uma sociedade e família de religião judaica. Fundamentada, portanto, na Torá ou Pentateuco, os cinco primeiros livros do Antigo Testamento, e nos demais livros e tradições que o compõem.

Porém, o que causa estranheza não é a presença de referências à Lei Antiga, mas a ausência, por vezes quase total, de citações, trechos e passagens relacionadas a Jesus, aos atos de seus apóstolos e à expansão da fé cristã após o assassinato de Jesus.

Embora sejam vibrantes e sinceras em suas crenças, dotadas de fervor por vezes admirável, essas pessoas, ao usar a palavra nos momentos de oração, quase nunca se reportam a Jesus senão para abrir a oratória e, por vezes, para fechá-la, mas fixam-se durante sua preleção em Profetas, Reis, Salmos, Êxodo e outras referências do Antigo Testamento, mesmo se considerando inteiramente cristãs.

Ora, por definição lógica e etimológica, cristão é quem segue ao Cristo, a Jesus.

Obviamente que isso não exclui outras influências, atualizações ou reflexões quanto à origem do Cristianismo, mas Jesus tem de ser, obrigatoriamente, o centro, o fulcro, o cerne da doutrinação, dos exemplos e da vivência de cada cristão!

Não ouço referência aos milagres realizados por Jesus. Nem ao perdão que livra da morte, como ocorreu com a mulher flagrada em adultério que seria apedrejada em praça pública. Nem à cura de enfermidades que até a presente data são, muitas delas, simplesmente incuráveis. Também não vejo referência aos questionamentos que Jesus fazia quanto à sociedade e à conduta das pessoas de seu tempo, erros e vícios que quase todos nós continuamos a reproduzir em nossas condutas até hoje.

Não vejo a exaltação do papel social de Jesus, chamando a todos de irmãos em um tempo em que existia escravidão, em que uma pessoa podia ser literalmente dona de outra. Nem constato a exemplificação ou mesmo menção ao relevo, respeito e igualdade em que Jesus colocou as mulheres com relação aos homens, mesmo estando em uma sociedade extremamente machista e misógina, como a judaica de dois mil anos atrás, em que a mulher, na prática, sequer era reconhecida como cidadã.

Necessitamos, desesperadamente e cada vez mais, de Jesus e sua doutrina, de Jesus e sua essência. Para isso, temos de desapegar do Antigo Testamento, sem desmerecê-lo ou desprezá-lo, mas colocando as coisas em seu devido lugar. Se Jesus veio após todos os livros e lições do Antigo Testamento, é porque este tornou-se insuficiente, fazendo-se necessário que a Luz do Cristo brilhasse mais alto. Sejamos, pois, cristãos com o Cristo, pois é Dele que o mundo de hoje precisa!

Julio Cezar de Oliveira Gomes é graduado em História e em Direito pela Uesc.

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Através da Terapia Sistêmica e da Psicologia do Nascimento, podemos desvendar os segredos e padrões ocultos que moldam nossas vidas.

 

Rava Midlej Duque || ravaduque@qmail.com

A jornada do autoconhecimento é, por natureza, um mergulho profundo em nossas origens e vínculos familiares.

O que chamamos de coincidências pode, na verdade, ser um reflexo de fidelidades inconscientes, conexões profundas com o passado de nossa família que permanecem influenciando diretamente nossas escolhas e caminhos. E nesse contexto que a Terapia Sistêmica, em especial a Psicologia do Nascimento, revelam-se como ferramentas essenciais para explorar e transformar os vínculos ocultos que permeiam as histórias familiares, antes mesmo de você nascer.

Muitas vezes, carregamos em nosso interior as dores e angústias de familiares que não tiveram a chance de expressar suas emoções, de enfrentar seus traumas e de curar suas feridas emocionais. Essas experiências não resolvidas podem se transformar em um legado de dor que ecoa através das gerações, moldando nossas vidas de maneiras sutis e muitas vezes desconhecidas. Com a Psicologia do Nascimento, mergulhamos profundamente nessas questões, desvendando os segredos que foram passados adiante, os padrões repetitivos que permeiam nossas relações e os traumas que ainda ecoam em nossas almas.

As transmissões de memórias nem sempre vêm por meio de narrativas orais. O grande material que trazemos em nossa psique, sem saber, são as memórias reprimidas, os conteúdos escondidos, velados e não resolvidos por nossos ancestrais! As memórias transgeracionais referem-se à transmissão de informações emocionais de uma geração para outra, às vezes de forma consciente, como a narrativa oral, e outras vezes de forma inconsciente.

Não à toa, no caminho do autoconhecimento, nos deparamos frequentemente com uma resistência interna, um muro invisível que nos impede de avançar. Essa resistência muitas vezes se manifesta como um medo profundo, uma relutância em enfrentar as verdades dolorosas sobre nós mesmos e nossa vida. Mas cada momento de sofrimento e cada dificuldade que enfrentamos carrega consigo a semente da transformação ao alcance da minha e da tua mão.

Os mistérios da mente humana estão frequentemente enraizados em histórias familiares. Revisitar o passado familiar nem sempre é uma tarefa fácil; muitas vezes é encarado com medo, temendo descobrir verdades desconfortáveis ou enfrentar dores antigas. No entanto, essa exploração é crucial para entendermos os padrões comportamentais e traumas transmitidos através das gerações. Ao compreendermos os padrões comportamentais e os traumas transmitidos através das gerações, abrimos espaço para a cura e o desenvolvimento pessoal. E um processo desafiador, mas profundamente recompensador.

Nossa história familiar é parte integrante de quem somos, molda nossas crenças, valores e comportamentos. Ao reconhecermos e explorarmos os vínculos transgeracionais que nos ligam ao passado, abrimos caminho para uma transformação profunda e duradoura. A terapia sistêmica aliada à psicologia do nascimento oferece um espaço seguro e acolhedor para essa jornada de autoconhecimento e cura, guiando-nos na superação dos medos relacionados ao passado e na construção de um futuro luminoso.

É nesse sentido que a terapia sistêmica apoia-se na ideia de que ao integrar as experiências vividas por nossos antepassados, podemos curar feridas antigas e promover renovação.

Não permita que as dores do passado continuem a influenciar seu presente e qualquer possibilidade de futuro. Não se trata de ser vítima de maldições ancestrais, mas de reconhecer a força e a resiliência transmitidas por seus antepassados. A cura verdadeira começa com a aceitação de onde viemos, – as histórias familiares têm um sentido profundo para nossa alma.

Nas histórias de nossa família, encontramos muitas vezes dores e desafios. Mas as adversidades não são por acaso, e nos lembram de que, não importa quão sombrias sejam essas histórias e narrativas, há sempre a promessa de algo que pode ser transformado. Há uma força que se apresenta nas adversidades, uma força que reside dentro de todos nós, mesmo quando não percebemos. Ao tomar posse dessa força somos convidados a encarar os desafios familiares não como barreiras intransponíveis, mas como ponte para um crescimento luminoso, transformando as faltas, as perdas, as dores herdadas, em força para a construção de uma história diferente.

Podemos sempre escolher: utilizar as heranças familiares como um alicerce para nosso crescimento e oportunidade para florescermos além das circunstâncias, ou, podemos simplesmente ficar presos em ciclos viciosos que nunca nos levam a lugares diferentes, repetindo tudo de novo, sem sair do lugar.

O convite que faço é o seguinte: por mais difícil, doloroso e cruel que tenha sido sua história até aqui, não ignore suas raízes. Use-as como força para crescer. Deixe que elas a ensine olhar para a vida de nova perspectiva e consciência. Observe os desafios familiares não como obstáculos intransponíveis e sentenciais, mas como oportunidades diferentes a serem construídas daqui para frente. uma nova história familiar construída a partir de você.

Este caminho de autoconhecimento a partir do seu Nascimento e a reconciliação com a sua história, é essencial para seguir com autenticidade e confiança para a vida. Sem isso, é bem possível que você nunca avance.

Reconhecer e explorar nossas raízes familiares é fundamental para a jornada do autoconhecimento e desenvolvimento emocional. Através da Terapia Sistêmica e da Psicologia do Nascimento, podemos desvendar os segredos e padrões ocultos que moldam nossas vidas, permitindo-nos transformar dores antigas em fontes de força e crescimento. Ao compreendermos e aceitarmos nossas histórias familiares, abrimos caminho para um futuro mais luminoso e autêntico, livre das amarras do passado. Cada desafio enfrentado, cada dificuldade superada, carrega consigo a promessa de uma transformação profunda e significativa. Sugiro que experimente.

Rava Midlej Duque é comunicadora, mestra, terapeuta sistêmica, consteladora familiar e especialista em Psicologia Perinatal.

Julio Gomes escreve sobre o genocídio em curso na Palestina || Foto Fepal/Facebook
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Em razão do genocídio praticado pelo exército e pelos líderes de Israel, todo o carinho, a visão afetiva, o respeito que um dia tive por este país e, especialmente, pelos Judeus ao longo de sua milenar história, simplesmente desapareceu. Foi sepultado em vala comum de corpos anônimos junto com as mulheres e crianças que eles mataram e continuam matando sistematicamente.

 

Julio Gomes

Sempre, desde criança, aprendi a ter um carinho especial pelo povo Judeu, com um olhar de admiração e desejo sincero de que prosperassem e encontrassem a paz e a felicidade, e isso tem uma explicação simples e lógica.

Quem estudou um pouquinho que seja de História sabe o que os judeus ou israelitas passaram, sobretudo no Século XX, quando da ascensão do nazismo ao poder na Alemanha: perseguições, segregação racial, confisco e invasão de suas propriedades, demonização, segregação com base em leis absurdas e, por fim, confinamento nos campos de concentração, trabalhos forçados e extermínio em massa nas câmaras de gás de Treblinka, Auschwitz, Dachau e inúmeras outras fábricas da morte, onde foram consumidas as vidas de seis milhões de judeu, homens mulheres e crianças.

Terminada a 2ª Guerra Mundial com a derrota do nazismo e do fascismo, a ONU, guiada pelos países vencedores, teve a feliz ideia de criar um território onde a nação, o povo judeu, pudesse constituir um estado próprio, formando aquilo que aqui no Brasil chamamos popularmente de um país, e assim nasceu Israel no ano de 1948, plantado no território denominado Palestina.

Os anos passaram. O estado de Israel, sempre apoiado pelos Estados Unidos por representar uma presença dos EUA no conturbado e rico em petróleo Oriente Médio, se consolidou como um país próspero e como uma potência militar, passando a tomar sucessivamente faixas de território que pertenciam à nação palestina devido ao poderio de suas forças militares, terminando por anexar territórios até que não restasse aos palestinos muito mais do que uma estreita faixa em que sobreviviam cerca de dois milhões de palestinos: a Faixa de Gaza.

Talvez como reação às agressões de Israel, talvez insuflado por radicais fundamentalistas ou em razão das condições subumanas de boa parte da população palestina, em 1987, surgiu o Hamas, que se consolidou como força política e acabou cometendo os odiosos atos terroristas que assistimos no final do ano de 2023, matando centenas de israelenses, sobretudo civis.

Entretanto, a resposta que Israel deu e está dando aos palestinos é de uma desproporção e crueldade que supera qualquer argumento de justiça ou de autodefesa. Já são cerca de 30 mil palestinos mortos e 10 mil desaparecidos, além da expulsão em massa da população civil, da destruição sistemática das habitações, hospitais, universidades, indústrias, escolas, enfim, das cidades palestinas e da morte de cera de 8.000 crianças em um genocídio que choca o mundo a cada dia pela brutalidade, estupidez e impunidade com que é feito.

Em razão do genocídio praticado pelo exército e pelos líderes de Israel, todo o carinho, a visão afetiva, o respeito que um dia tive por este país e, especialmente, pelos Judeus ao longo de sua milenar história, simplesmente desapareceu. Foi sepultado em vala comum de corpos anônimos junto com as mulheres e crianças que eles mataram e continuam matando sistematicamente em cada bombardeio, na destruição de cada prédio, vítimas também da proposital falta de alimentos, de medicação, de água e, sim, pelo genocídio que neste momento praticam contra o povo da Palestina.

Oh, Israel, que fizeste para passar de vítima a algoz, de violentado a assassino, de flagelado a genocida impiedoso? Que fizeste do holocausto sofrido, de tua história milenar? Que fizeste dos exemplos que Jesus deu há dois mil anos, ao pisar nestas mesmas terras e ensinar as lições que agora, mais do que nunca, não queres escutar? Afasta-te de mim, Israel.

Julio Cezar de Oliveira Gomes é graduado em História e em Direito pela Uesc.

Jerberson Josué escreve sobre as movimentações dos atores políticos ilheenses
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Nos bastidores, a pedra mais cantada para disputar a sucessão, pelo grupo do alcaide, é o secretário de Gestão, Bento Lima.

 

 

 

 

Jerberson Josué

Ao se aproximar o período da troca de legenda, que, neste ano, será de 7 de março a 5 de abril, data final do prazo de filiação para quem pretende concorrer às eleições de 2024, alguns nomes ganham força nos bastidores da política ilheense. Entre eles, o da secretária de Educação da Bahia, Adélia Pinheiro, que já anunciou filiação ao Partido dos Trabalhadores, do presidente Lula e do governador Jerônimo Rodrigues.

As próximas pesquisas serão cruciais para aferir o interesse do eleitor no nome da médica, professora e ex-reitora da Universidade Estadual de Santa Cruz (Uesc). Conversas com o prefeito Mário Alexandre, reuniões com o ministro da Secretaria Geral da Presidência da República, Márcio Macêdo, e o deputado Rosemberg Pinto, líder do Governo na Assembleia Legislativa da Bahia, bate-papos que vão de lideranças comunitárias a empresários, além do corpo a corpo com os eleitores/foliões no Carnaval, estiveram na agenda da pré-candidata.

Outro ator político que fez movimento importante foi o ex-vereador Makrisi Angeli, que anunciou sua saída do PT, após décadas de militância e atuação, para cerrar fileiras no Partido Socialismo e Liberdade, como pré-candidato a prefeito de Ilhéus, se colocando como alternativa para o eleitorado ilheense, caso o PSOL lhe dê guarida oficialmente.

O vereador Augustão é outro postulante com grande destaque nos holofotes da pré-campanha. Nas últimas semanas, também não saiu da mídia especializada, seja por suas andanças no meio do folião/eleitor, ou por questionamentos sobre seu futuro partidário, já que seu atual partido, o PT, não demonstra interesse em sua candidatura. Com isso, a pergunta que não quer calar: para onde vai Augustão?

Nos bastidores, indícios de que ele pode ir para o Partido Democrático Trabalhista, a saber no fechamento da janela de filiações partidárias. Importante ressaltar que o PDT é aliado do União Brasil no estado, partido de Valderico Reis Júnior, também postulante ao Palácio Paranaguá (saudosismo que ainda prefiro escrever em vez de Centro Administrativo de Ilhéus), o que leva a outra pergunta inevitável: Augustão pode ser vice de Valderico Reis Júnior ou vice-versa? A ver.

Outra incógnita importante é o nome do pré-candidato que terá o apoio do prefeito Mário Alexandre. Nos bastidores, a pedra mais cantada para disputar a sucessão, pelo grupo do alcaide, é o secretário de Gestão, Bento Lima. Porém, todavia, entretanto, nem um sinal da fumaça branca do habemus candidato. Só quando o prefeito Mário Alexandre decidir anunciar quem será ele ou ela. O que foi dito é que até o final do mês de março teremos a resposta. Será?

Eu, no meu humilde observar, me pergunto: teremos um único candidato na base do governador Jerônimo em Ilhéus? Por enquanto, resta esperar fluir o rio das articulações políticas do campo governista estadual.

Jerberson Josué é ativista social.