Comida de "sustança", apropriada para um domingo || Foto Walmir Rosário
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Além do mais, as quantidades podem ser encontradas facilmente em site especializado na internet. O que valerá, mesmo, será a criatividade, inclusive em me convidar.

 

Walmir Rosário

Uma recomendação que sempre dou a um amigo é que procure comer bem, se a comida for gostosa, não perca tempo, coma muito. Essa é uma receita que deve ser repetida pelo mundo afora pelo que apreciam uma boa mesa, se acompanhada de uma boa bebida ainda melhor. Aconselho aos que por acaso assim nunca procederam, que o faça, pois é pro seu bem.

Sem mais delongas passo a descrever uma pequena aventura que vivi neste último fim de semana, durante uma pequena estadia em Campo Formoso (BA), visitando parentes. E tudo começou ao passar num supermercado, ao me deparar com uma carne de jabá bem vistosa, daquelas de encher os olhos e encher a boca d’água, com o perdão dos leitores.

Não deu outra, pedi ao funcionário do mercado para descer a faca de cima a baixo e acrescentei às compras, um quilo de linguiça levemente apimentada, bacon, arroz, além de alguns temperos. Na minha mente já aparecia uma panelada de arroz carreteiro, prato de substância para o movimentado fim de semana. Foi só passar na gôndola de cerveja e me encaminhar para o caixa.

No sábado, dia de feira, a pretensão era acrescentar uma boa tapioca, e o fubá, essencial para a farofa de cuscuz com linguiça. Logo cedo eu e minha mulher nos dirigimos à feira com o objetivo de comprar outros produtos da terra, diferentes do que encontramos em Canavieiras. De cara, nos deparamos com uns maxixes bonitos e fomos juntando ao andu e às favas. Saímos com pesados embrulhos.

Dizem os mais experientes que “o que os olhos não veem o coração não sente” e essa foi nossa perdição, no sentido estrito da gula. Além do arroz a carreteiro, em minha cabeça fervilhavam a farofa de cuscuz com linguiça e uma moqueca de maxixe, devidamente enriquecida com a jabá, bacon, linguiça, tomates, pimentões, cebolas, leite de coco apurado manualmente na hora e azeite de dendê.

Não sei os que porventura leem esse texto, o façam preferencialmente de barriga vazia e que seja um grande apreciador da boa comida de “sustança”, e em dia de domingo, sem qualquer compromisso no período da tarde, assim como eu. Confesso que a preparação dos pratos não meu muito trabalho, mesmo sendo num dia dedicado ao descanso.

E não deu outra, iniciamos – eu e minha mulher – com a moqueca de maxixe, o arroz a carreteiro, e por últimos a farofa, nesta ordem, com a degustação da boa e velha cerveja, que prazerosamente nos acompanha nessas providenciais ocasiões. E, metodicamente, fomos dando forma aos pratos, especialmente no arroz a carreteiro, preparado numa majestosa panela de barro.

Pelos meus cálculos 12 pessoas estavam inscritas ao almoço, com lugares já reservados à mesa, sem contar os visitantes de última hora, já previstos no planejamento de qualquer almoço domingueiro. Finalmente, perto das 14 horas, mesa posta, convidados devidamente sentados e apossados de pratos e talheres para iniciar a comilança.

Fora do planejado, minha irmã Iracy me apresenta um produto divino elaborado na Gameleira, no povoado do Brejão da Caatinga, em Campo Formoso: um vinho de laranja, que apresentava no seu rótulo ser “o vinho do momento” de produção caseira. E mais, produzido artesanalmente a partir de laranjas. Embora do Brejão da Caatinga, possuía todos os sotaques lusitanos do vinho do Porto.

Confesso que aqui não falo como especialista em vinho, por não possuir tais credenciais, mas digo com certeza que meu paladar nunca me falseou. Após o silêncio sepulcral (linguagem chula para um almoço…) dos refinados paladares, fiquei corado com os elogios. Ainda bem que detectei serem sinceros, pelo que vi na repetição dos pratos.

E para finalizar a comilança domingueira nada melhor dos doces (a escolher) de groselha e carambola, retirados dos devidos pés no quintal e elaborados um pouco antes para nosso deleite. Tenho que finalizar com o que preguei no início dessa crônica: todos comeram bem e muito, porque gostoso, digo sem pretender ser alvo do elogio fácil, pois juro que não tenho interesse de caitituar prestígio em campanha de marketing.

Deixarei de oferecer a competente receita para não me estender no texto, pois como já forneci os insumos, prefiro que cada um que se atreva a elaborar um banquete deste tipo use sua imaginação. Além do mais, as quantidades podem ser encontradas facilmente em site especializado na internet. O que valerá, mesmo, será a criatividade, inclusive em me convidar.

Walmir Rosário é radialista, jornalista e advogado, além de autor de livros como Os grandes craques que vi jogar: Nos estádios e campos de Itabuna e Canavieiras, disponível na Amazon.

Datena e Marçal brigam em debate da TV Cultura em São Paulo || Reprodução
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A verdadeira mudança ocorre quando os eleitores se tornam conscientes do jogo insidioso que está sendo jogado.

 

 

Juliana Soledade

Na grande arena das eleições, onde ideais e promessas se confrontam, a política muitas vezes se assemelha a um espetáculo sangrento em que os leões devoram aqueles que ousam se colocar no caminho do poder. O cenário é marcado por estratégias cruéis, ataques implacáveis e uma luta constante pela sobrevivência política.

As campanhas eleitorais, em sua essência, deveriam ser um espaço de diálogo e defesa de propostas. No entanto, frequentemente se transformam em um combate feroz, onde os candidatos, como leões famintos, utilizam de todos os recursos disponíveis para avançar frente ao completo desequilíbrio emocional. Nesse ambiente hostil, as críticas são afiadas, as calúnias circulam como flechas e os ataques pessoais se tornam as armas preferidas. O objetivo é claro: eliminar a concorrência e conquistar a aprovação do eleitorado a qualquer custo.

E se, na arena, os leões são os políticos em busca de votos, os espectadores — os cidadãos-contribuintes-eleitores [por OBRIGAÇÃO!]— muitas vezes se tornam as vítimas desse confronto. Presos entre as promessas grandiosas e os ataques ferozes, eles podem se sentir desorientados, incapazes de discernir a verdade em meio ao caos. O clima de desconfiança e medo se instala, e a desinformação se espalha como um incêndio incontrolável, alimentando a animosidade entre os diversos grupos sociais.

O papel da mídia nesse circo político também não pode ser ignorado. As manchetes sensacionalistas e a cobertura tendenciosa muitas vezes exacerba a luta, transformando a política em um espetáculo a ser assistido, em vez de um processo democrático a ser respeitado. O foco na audiência e na espetacularização se sobrepõe ao debate saudável, levando os espectadores a se tornarem meros torcedores, em vez de cidadãos críticos.

Entretanto, é possível vislumbrar uma saída dessa arena infernal. A verdadeira mudança ocorre quando os eleitores se tornam conscientes do jogo insidioso que está sendo jogado. Ao invés de se deixar levar pelas emoções e pelas narrativas polarizadoras, eles podem exigir uma política mais ética, centrada no diálogo e na colaboração.

Se todos nós, como cidadãos, formos leões que defendem a integridade de nossas escolhas e exigirmos responsabilidade dos nossos representantes, é possível transformar a arena do medo e da manipulação em um espaço para ideias construtivas, onde as políticas públicas realmente atendam aos interesses da sociedade.

Assim, em vez de devorar uns aos outros, que possamos nos unir em busca de um futuro mais justo e consciente, onde o respeito e a empatia sejam os verdadeiros conquistadores nessa batalha política.

Juliana Soledade é advogada.

Campus da Universidade Estadual de Santa Cruz (Uesc)
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Maior que o inestimável prejuízo financeiro seria a humilhação, pois, inevitavelmente, seria manchete dos jornais, rádios e televisões. Como àquela época não existiam as redes sociais a decepção seria bem menor, mas essa não é hora para avaliações.

 

Walmir Rosário

O sugestivo título não é apenas uma apelação de editores de publicações sensacionalistas. É verdade e dou que fé que o que passarei a contar nas próximas linhas é por demais verdadeiro, embora manterei oculto o nome de um dos personagens: o autor de tal proposta, o professor que marcou o tal e absurdo horário para uma prova.

O fato aconteceu na Universidade Estadual de Santa Cruz (Uesc), no início da década de 1990, portanto, no século passado, e continua gravado em minha carcomida memória, por ser esdrúxula até onde não pode mais. Não me lembro com riqueza de detalhes, pois não fui uma das pessoas atingidas, embora tenha sido abastecido com robustas informações.

Numa tarde fui procurado no jornal A Região, de Itabuna, do qual era editor, por alguns estudantes do curso de Direito, que pretendiam fazer uma séria denúncia. Uma verdadeira bomba, diziam. Eles queriam, de uma só vez, lavar a honra e a alma, além de conseguirem provas e subsídios para ingressar com uma ação contra o dito professor e a Uesc.

A Redação inteira parou para ouvir a história, inclusive Daniel Thame, com quem eu dividia as responsabilidades, as artes e manhas do semanário de maior circulação de Itabuna, à época. Ouvimos toda a história, contada e recontada por cada um dos alunos, sempre com um detalhe a mais, enquanto nós, de início não os levássemos a sério.

E não era pra menos a nossa desconfiança, embora não estivéssemos cara a cara com alunos dos cursos fundamentais e sim com homens e mulheres, muitos deles casados, pais e avôs. Por certo não teriam deixado seus afazeres de família e trabalho e se deslocados ao jornal para promover uma pegadinha em nós e nos leitores.

O que mais afligia aos estudantes do curso de Direito era não participar da colação de grau agendada para semanas próximas, pelo fato de não terem realizada a última prova de Direito Civil VI. Pior, ainda, para os que claudicavam com os resultados e notas nem tão positivos, sendo que alguns poderiam ir buscar uma repescagem na famigerada prova final.

E como ficariam os providenciamentos da colação de grau e a famosa festa de formatura praticamente quitada. E era um preço altíssimo, valor inestimável, pagos em prestações mensais com muitas dificuldades. Sem falar nos convites, já distribuídos para amigos mais chegados e familiares, muitos dos quais moradores de outras cidades, estados.

Seria uma vergonha dispensar os convidados e, ainda por cima, mudar a foto da turma, e ter que arcar com os novos custos. Maior que o inestimável prejuízo financeiro seria a humilhação, pois, inevitavelmente, seria manchete dos jornais, rádios e televisões. Como àquela época não existiam as redes sociais a decepção seria bem menor, mas essa não é hora para avaliações.

E os formandos em Direito pela Uesc (turno noturno) já se sentiam avacalhados pelo horrendo professor, capaz de ter proposto a realizar a quarta prova do último semestre num horário altamente impróprio, às 3 da madrugada, fora do expediente da universidade. Viviam uma situação assombrosa que os marcariam para o resto da vida. Que futuro profissional teriam?

E somente aí é que se encorajaram a contar a terrível história, objeto da denúncia que pretendiam fazer à sociedade. Pelo que relataram, eles estavam assustados com a exiguidade do tempo e propuseram ao professor, um conceituado advogado, que marcasse a prova do quarto crédito para a semana seguinte, como meio de facilitar a vida de todos.

De pronto, o professor não aceitou a proposta, sob a alegação que teriam um calendário a cumprir, no sentido de satisfazer a frequência (carga horária) e a apresentação dos temas da grade curricular. Sem acordo, a discursão foi aumentando e professor e alunos se distanciando de aparar as arestas para o pretendido acordo do dia da prova.

Lá pras tantas, o dito professor resolve dar um chega na questão e propõe realizar a prova, não na sexta-feira pretendida pelos alunos, mas no sábado às 3 da madrugada, horário que dispunha em sua apertada agenda. A proposta, mesmo estranha, bizarra, estapafúrdia, foi vista pelos alunos como viável, apesar de exigir um pouco de sacrifício. Mas, ao final de cinco anos, valeria.

E na data aprazada chegaram ao campus da Uesc, convenceram o vigia sobre a prova e entraram para o pavilhão de Direito. Restava apenas uma prova, cujo o tema estava por demais estudado. Tudo na cabeça. Bastava tirar boas notas e, cada um estaria livre da viagem diária, dos sacrifícios em chegar quase à meia-noite em casa. Agora, sim, todos fariam jus ao título de doutor advogado.

Em vão aguardaram o professor até os primeiros raios de sol, quando começaram a considerar que teriam sofrido uma pegadinha de muito mau gosto. Um crime, talvez, e que mereceria ser reparado nos tribunais. Mesmo assim, foram tirar a prova dos nove com o professor, que estranhou a ida na madrugada de um final de semana à universidade para uma prova. Brincadeira.

Após os ânimos amainados, consegui convencê-los a se submeterem à prova no dia estipulado pela universidade, pois o professor e a direção da Uesc deveriam fazer de tudo para que não fossem prejudicados. De minha parte, ao contrário da pretendida matéria e manchete estampada na primeira página, fiz uma notinha divertida na coluna Malha Fina, na página 3. E tudo se resolveu.

Walmir Rosário é radialista, jornalista e advogado, além de autor de livros como Os grandes craques que vi jogar: Nos estádios e campos de Itabuna e Canavieiras, disponível na Amazon.

O início do Itabuna no velho Campo da Desportiva || Foto Acervo de Walmir Rosário
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Apesar da queda do rendimento no segundo turno, o Itabuna manteve a quinta colocação no campeonato de 1967, o primeiro que disputou, embora tenha perdido na classificação dos times do interior, liderada pelo Flamengo de Ilhéus, em quarto lugar, com um ponto a mais que o escrete itabunense.

 

Walmir Rosário

No início do ano de 1967 os homens que comandavam o futebol amador de Itabuna são convencidos pelos dirigentes da Federação Bahiana de Futebol e dos clubes de Salvador e Feira de Santana a disputar o futebol profissional. Após dezenas de reuniões, em que a tônica era elevar o nome de Itabuna ao cenário nacional esportivo com o que existia de craques na cidade, aceitaram o desafio.

Em 23 de maio de 1967, finalmente, o Itabuna Esporte Clube é fundado e estava pronto para disputar o Campeonato Baiano daquele ano como um dos 14 participantes. Agora se encontrava de igual para igual com o Bahia, Vitória, Botafogo, São Cristóvão, Leônico, Ypiranga e Galícia (Salvador), além do Fluminense, Bahia (Feira de Santana), Conquista Esporte Clube (V. da Conquista), Flamengo, Colo-Colo e Vitória (Ilhéus).

E finalmente o Itabuna estreia no Campeonato Baiano de Futebol Profissional no dia 4 de junho de 1967, com a vitória de 1X0 contra o São Cristóvão, gol de Nélson, no campo da Desportiva. No próximo domingo (11), torcida entusiasmada, o time volta ao campo da Desportiva para enfrentar o Botafogo, com mais uma vitória em casa, pelo placar de 1X0, gol de Bal.

Na quinta-feira (15-06) enfrentou o Flamengo de Ilhéus no Mário Pessoa e sofreu a primeira derrota como profissional por 3X1, gols de Jurandi, Clemente e Zé Pequeno, para os ilheenses, e Bal para o Itabuna. Em seguida (06-07) ganhou para o Bahia de Feira na casa do adversário por 2X1, gols de Carlos Riela e Déri (Ita) e Almir (BF); e venceu o Vitória da capital por 2×1, em Itabuna (20-07), com gols de Neném e Nélson (Ita) e Itamar (V).

No próximo jogo (27-07) o Itabuna volta a vencer, e desta vez a vítima foi o Conquista, que levou 3X1, no campo da Desportiva, com gols de Danielzão, Déri e Bal (Ita), e Piolho (Conq). Em 3 de agosto, o Itabuna vai a Feira de Santana e empata com o Fluminense em 0X0. Em pleno estádio Mário Pessoa o Itabuna vence o Vitória ilheense pelo placar de 1×0, gol de Batuqueiro. Em 20 de agosto empata com o Ypiranga no campo da Desportiva por 1×1, com gols de Batuqueiro (Ita) e André Catimba (Ypi).

No próximo jogo (31-08), contra o Colo-Colo, em Ilhéus, o Itabuna não teve sorte e perdeu por 1X0, gol de Ronaldo (CC). No dia 7 de setembro, em Salvador, empata com o Galícia por 2X2, com gols de Florizel e Déri (Ita) e Nélson e Enaldo (Gal). Ainda na capital baiana, no dia 10 de setembro perde para o Bahia por 3X1, gols de Zé Eduardo, Manezinho e Canhoteiro (Ba) e Florizel (Ita). No último jogo do primeiro turno (01-10) empata com o Leônico em 2X2, com gols de Itajaí (contra) e Gajé (Leo), e Maranhão (Ita).

Com esses resultados o Itabuna estreia no profissionalismo e termina o primeiro turno na quinta colocação, com 16 pontos, sendo seis vitórias, quatro empates e três derrotas. Nos 13 jogos disputados marcou 17 gols, sofreu 15 e manteve saldo de apenas dois gols. Foi um resultado bastante positivo, pois encerrou o primeiro turno como a equipe do interior melhor colocada.

Nos jogos de volta do segundo turno, o Itabuna inicia bem aplicando 2X0 no Flamengo de Ilhéus (08-10), gols de Maranhão; empata com o Leônico por 1X1, também no campo da Desportiva (15-10), gols de Carlos Riela (Ita) e Catu (Leo). Em casa, torna a empatar com o Bahia de Feira por 1X1, gols de Fernando Riela (Ita) e Maromba (BF); e perde para o Bahia da capital por 2X0, em 5 de novembro, com gols de Elizeu e Alencar. Já em 12 de novembro, em jogo com mando de campo invertido, aplica 3X1 no São Cristóvão, na Desportiva, com 3 gols de Florizel (Ita) e Iaúca (SC).

Outro placar favorável ao Itabuna em frente sua torcida foi contra o Vitória de Ilhéus, pelo placar de 3X0, 2 gols de Maranhão e 1 de Carlos Riela. Jogando em Salvador empata com o Botafogo em 2X2 (01-12), com 2 gols de Florizel (Ita), Nílson e Ronaldo (Bot). Em Vitória da Conquista perde por 2X1 para o Conquista (17-12), gols de Durvalino e Dão (Conq) e Fernando Riela (Ita). Em 28 de janeiro de 1968, valendo pelo mesmo campeonato, empata com o Ypiranga, por 0X0, em Salvador; e em 11 de fevereiro cai diante do Galícia por 2X0, no campo da Desportiva, gols de Santinho (contra) e Carlinhos Gonsálves (Gal).

Ainda no campo da Desportiva, no dia 18 de fevereiro, o Itabuna enfrenta o Vitória e empata em 1X1, com gols de Danielzão e Arcângelo (contra); e no jogo seguinte (03-03) perde para o Fluminense de Feira por 1X0. No segundo turno o Itabuna não obteve o mesmo resultado positivo do primeiro e fica na sétima classificação (duas abaixo), com 12 pontos, sendo seis vitórias, seis empates e quatro derrotas. Marcou 16 gols, sofreu 15, com apenas um de saldo positivo.

Apesar da queda do rendimento no segundo turno, o Itabuna manteve a quinta colocação no campeonato de 1967, o primeiro que disputou, embora tenha perdido na classificação dos times do interior, liderada pelo Flamengo de Ilhéus, em quarto lugar, com um ponto a mais que o escrete itabunense. Entre os artilheiros do campeonato, Florizel marcou 7 gols; Maranhão, 5; Carlos Riela, Bal e Déri, 3 gols; Fernando Riela, Danielzão, Batuqueiro e Nélson, 2; Neném 1 gol. Itajaí, Santinho e Arcângelo marcaram 1 gol contra, cada.

E a direção do Itabuna Esporte Clube colocou um time em campo, formado basicamente pelos jogadores oriundos da seleção amadora, com alguns reforços: Goleiros – Luiz Carlos, Betinho; lat. dir. – De Aço, Neném, Roberto, Miltinho e Nocha; zag. – Itajaí, Ivan, Santinho, Ronaldo e Clésio; lat. Esq. – Caxinguelê, Leto e Zito; meio-campistas – Arcângelo, Déri, Carlos Riela, Lua Riela, Nélson e Bel; atacantes – Neves, Maranhão, Raimundo, Vandinho, Fernando Jorge, Firmino, Fernando Riela, Batuqueiro, Danielzão, Pinga e Florizel; técnicos – Luiz Negreiros e Tombinho.

Walmir Rosário é radialista, jornalista e advogado, além de autor de livros como Os grandes craques que vi jogar: Nos estádios e campos de Itabuna e Canavieiras, disponível na Amazon.

Denúncias de assédio eleitoral poderão ser feitas no MP e em sindicatos || Foto ABr/Arquivo
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O assédio eleitoral é crime e desde 2022 e o número de denúncias só tem crescido. Para evitar que um trabalhador ou servidor público sofra a pressão direta ou indireta dos patrões ou dos chefes imediatos para votar em determinado candidato, as centrais sindicais lançaram, nesta terça-feira (03), um aplicativo onde é possível que o trabalhador denuncie essa prática antidemocrática.

O lançamento acontece em parceria com o Ministério Público do Trabalho (MPT). A iniciativa partiu da Central Única dos Trabalhadores (CUT), Força Sindical, Nova Central Sindical de Trabalhadores (NCST), União Geral dos Trabalhadores (UGT), Central dos Sindicatos Brasileiros (CSB), Pública, Intersindical e MPT. A denúncia também pode ser feita pela página do Fórum das Centrais Sindicais.

Paulo Oliveira, secretário de Organização e Mobilização da CSB explicou que os trabalhadores não vão precisar baixar o app. Os sites das centrais e o MPT vão colocar em suas páginas o QR Code onde o trabalhador, com seu celular, poderá acessar o canal e denunciar se estiver sendo vítima de assédio eleitoral no ambiente de trabalho.

O assédio eleitoral, muitas vezes, ocorre de maneira sutil, segundo a procuradora do MPT Priscila Moreto, quando um empregador defende que seus funcionários votem em determinado candidato porque, assim, a empresa continuará crescendo. Caso o trabalhador não vote no candidato do patrão, o empregador diz que haverá mudanças, quando não demissões. “Essa é uma das formas do assédio eleitoral”, disse ela.

Valeir Ertle, secretário nacional de Assuntos Jurídicos da CUT, alerta que o assédio eleitoral é muito forte no Brasil, até porque em 73% dos 5,7 mil municípios, a população varia entre 10 e 20 mil habitantes. “Nessas cidades, é muito comum que os trabalhadores conheçam os candidatos preferidos do empregador, e a pressão para que os funcionários votem no candidato indicado é muito forte. A mesma pressão, o assédio, ocorre com os funcionários das prefeituras”, disse ele.

O voto livre e esse exercício democrático é um direito fundamental que deve prevalecer em todas as situações, de acordo com a também procuradora do trabalho Danielle Olivares Corrêa, porque, caso contrário, o trabalhador torna-se um instrumento dos interesses exclusivos do empregador. Assédio eleitoral é crime e o MPT estará atento a toda e qualquer denúncia que chegar pelo app.

Nas eleições de 2022, as centrais sindicais e o MPT fizeram a mesma parceria de agora, e o resultado foi o recebimento de 3,5 mil denúncias de assédio eleitoral, um percentual 1.600% maior do que ocorreu nas eleições de 2018.

O assédio eleitoral ou o famigerado “voto de cabresto” não se vê mais nos rincões do país, onde os coronéis determinavam em qual ou quais candidatos os empregados deviam votar. Esse fenômeno cresceu e veio para os grandes centros urbanos também. Dados extraídos do sistema informatizado do MPT, em 2022 foram expedidas 1.512 recomendações e ajuizadas 105 ações civis públicas contra o assédio eleitoral.

As centrais sindicais e o MPT disponibilizaram cartilhas para que os trabalhadores identifiquem as abordagens ilícitas no ambiente de trabalho. D´Agência Brasil.

Determinação de Moraes suspendeu rede X (ex-Twitter) em todo o Brasil || Reprodução
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Globalmente, não se verifica uma democracia perfeita, mas, certamente, ela jamais se aperfeiçoará diante de descumprimento de decisão judicial pela via da mera insatisfação pessoal ou de um conglomerado econômico.

 

Efson Lima

O Estado brasileiro tem sido desafiado em face das redes sociais. E, nos últimos dias, a decisão do ministro Alexandre de Moraes, do STF, de suspender o funcionamento da rede social X, antigo Twitter, no território nacional impôs limitações à empresa responsável pela rede, bem como, de algum modo, restringiu o acesso dos usuários a ela, especialmente, os de boa-fé que fazem uso da rede social para os diversos fins, entre eles: lazer e comercializar, por exemplo. Ficam algumas reflexões: até onde todos podem ser “punidos” ou vale limitar direitos para proteger o escopo do Estado brasileiro?

À unanimidade, a 5ª Turma do STF manteve a decisão do Ministro – relator, tornando a decisão em colegiada, deixando-a de ser monocrática e, agora, passando a pertencer, literalmente, ao coletivo do Supremo. Salvo melhor juízo, verifica-se também uma estratégia política, pois, protege o julgador e assegura o exercício da jurisdição constitucional de forma plena na República Federativa do Brasil. Ficou nítido nos votos que democracia exige responsabilidade e comprometimento com os seus contornos.

É verdade que a liberdade de expressão é um dos fundamentos do Estado Democrático de Direito, entretanto, o seu uso para fins ilícitos é vedado por essa mesma engrenagem jurídico-política. Não obstante, estabelecer limites a uma empresa transnacional é testar a soberania nacional e o alcance da responsabilização. Os próximos dias vão jogar luzes não só para o Brasil, mas para tantos outros países. Afinal, a decisão é paradigmática, razão pela qual repercutiu internacionalmente. Outros países já vedaram as redes sociais, entretanto, o caso brasileiro se mostra curioso por ser uma decisão judicial e dentro de um contexto considerado democrático.

A atuação do STF  na suspensão da rede social X assegura também o papel constitucional do Congresso Nacional, elaborador das normas legislativas  que disciplinaram o uso da internet e das redes sociais no País. Globalmente, não se verifica uma democracia perfeita, mas, certamente, ela jamais se aperfeiçoará diante de descumprimento de decisão judicial pela via da mera insatisfação pessoal ou de um conglomerado econômico. Provavelmente, agora, o cidadão está prejudicado, entretanto, essa mesma decisão o protegerá de um ambiente  aparentemente sem lei e/ou da terra de ninguém.

Efson Lima é advogado e doutor e mestre em Direito (UFBA).

Turrão e Tolé, ídolos do passado na Confraria d'O Berimbau || Foto Walmir Rosário
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Com inteligência, levam algumas latas de cerveja sem álcool e não se fazem de rogados em abri-las com aquele conhecido barulho ao retirar os lacres. Mais que isso, Turrão e Tolé participavam ativamente da degustação do filé mal assado preparado com esmero por Zé do Gás.

 

Walmir Rosário

Reafirmo que muito já foi dito, contado e recontado sobre a Confraria d’O Berimbau, instituição recreativa, etílica e cultura da vida mundana de Canavieiras. Porém, consta dos anais que os frequentadores jamais abandonam o recinto, a não ser por causa mortis, embora digam alguns dos mais exaltados confrades, que eles continuam a povoar o local, agora meramente em espírito.

Mas esse é um assunto que não costumo discutir por não ter habilidade, competência, especialização ou comprometimento com temas que envolvam o plano espiritual. Reconheço que me faltam essas e outras características, mas não deixo de meter minha colher em temas quase tão relevantes como esses, e jamais me furtarei em discorrer sobre frequentadores ainda lépidos e faceiros, mas reconhecidamente fora das atividades etílicas.

E posso falar de cátedra, pois tenho amigos tantos que após muita labuta na parte de fora dos balcões dos botequins, hoje se encontram ausente das pelejas, afastados pelos mais diversos motivos. Posso até comparar com o futebol, em que alguns pedem para sair, enquanto outros são retirados pelos técnicos, por não se comportarem bem em campo.

É uma questão individual, bem sei, embora não me conforme em perder parceiros de uma vida inteira, que mais que de repente, aplicam um drible da vaca nos parceiros e se retiram do boteco. Conheço mais que uma dúzia de seduzidos pela religião, obrigados pelos discursos das lideranças espirituais a se afastarem, definitivamente, desse nosso restrito convívio.

Outros tomaram essas tresloucadas atitudes por vontade própria, quem sabe com os aconselhamentos de pé de orelha da patroa, com toda a razão. Mas existem outros tantos que ainda não consegui identificar quais os motivos que os levaram a romper com as coisas boas da vida, deixadas por Deus para todos os filhos, sem distinção, acredito eu.

Desses últimos, alguns, sem mais nem menos, sequer se esforçaram em fazer uma visita aos amigos nos locais de costume, que no caso da Confraria d’O Berimbau, aos sábados, preferencialmente ao meio-dia em pino. Festejo aqui outros nessa mesma classe que não se fazem rogados em comparecer em datas festivas, cumprimentam jogam uma conversa fora e vão embora.

Não pretendo impingir a alguns a pecha de algum defeito ou vício, e até acredito que alguns cometam essas ausências por simples bizarria ou excentricidade. Dos desaparecidos nas atividades etílicas da Confraria d’O Berimbau, mereceram distinção e louvor alguns desses valorosos quadros retirados dos campos etílicos os cunhados Turrão (José Albertino Bonfim de Lima) e Tolé (Antônio Amorim Tolentino).

Convidados para alguma efeméride ou simples data comemorativa não se furtavam em dar o ar da graça com suas presenças. Com inteligência, levam algumas latas de cerveja sem álcool e não se fazem de rogados em abri-las com aquele conhecido barulho ao retirar os lacres. Mais que isso, Turrão e Tolé participavam ativamente da degustação do filé mal assado preparado com esmero por Zé do Gás.

Com toda serenidade, cumprimentavam a todos os ex-colegas de copo, buscavam assento à mesa ou cadeiras que melhor lhes convinham e faziam de conta que nada mudou. Contavam histórias e estórias, fiscalizavam o velho e surrado caderno de contas e o livro de atas, tudo na mais perfeita sintonia, como se os velhos costumes estivessem mortos e enterrados.

Até hoje não faltam os efusivos convites à dupla (Turrão e Tolé) para retornar às atividades etílicas, por serem considerados quadros valorosos, daqueles bastantes disputados em convites, escolhidos de primeira como na escolha “dos babas” de antigamente. Apenas gracejam das propostas e garantem ser fruto de um passado que não volta mais, bananeira que deu cacho.

Como no futebol, são aposentadorias sentidas, consideradas precoces que não se coadunam com a qualidade de cada um deles. Mas assim é a vida, mudam os costumes, não apenas os relegam como sendo uma atividade a esconder, mas acreditam que o presente é outro. Para tanto, dão uma olhada no retrovisor para garantir as ações do futuro. Sem traumas.

Turão e Tolé, dois ídolos da boemia do passado em Canavieiras.

Walmir Rosário é radialista, jornalista e advogado, além de autor de livros como Os grandes craques que vi jogar: Nos estádios e campos de Itabuna e Canavieiras, disponível na Amazon.

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Deixo aqui o meu singelo conselho: se você nunca foi a uma Agrovila ou não sabe exatamente como se dão as políticas públicas voltadas para a agricultura familiar, permita-se conhecer um pouquinho só, e nunca mais a sua visão de mundo será a mesma!

 

Lanns

No início da gestão do governador Jerônimo, ele disse uma frase que trago como um lema de vida: “precisamos levar as políticas públicas a quem mais precisa”, se referindo às ações da Bahiater e a todos os desdobramentos positivos que a Extensão Rural leva para a vida das pessoas.

Como a missão dada é missão cumprida, vivo nas minhas andanças por cada município do nosso Estado, principalmente no meio rural de cada região, verificando ações, perguntando o que mudou, se já mudou de verdade e como podemos fazer ainda mais.

Neste mês de agosto, por exemplo, visitei a Agrovila 16, no município de Carinhanha, um grande exemplo: ela abriga um projeto que libertou, inicialmente, 22 mulheres (hoje 30) agricultoras familiares da fome, da escassez, da sensação de impotência e até da depressão. Experiências contadas por elas mesmas na minha visita. Um trabalho que está transformando as mulheres que viviam sem expectativas em agricultoras com formação e bem remuneradas, com hortas, galinheiros estruturados, classificadora de ovos e assistidas por políticas públicas como o PAA e o PNAE.

Lanss durante visita a agrovila || Foto Divulgação

Ver aquilo tudo de perto e escutar, além das histórias de superação pessoal e familiar, que as verduras e hortaliças plantadas, cultivadas e colhidas por elas – e as centenas de ovos que saem dali – são adquiridas pela própria gestão municipal e chegam a à mesas baianas com dignidade, me anima ainda mais.

Deixo aqui o meu singelo conselho: se você nunca foi a uma Agrovila ou não sabe exatamente como se dão as políticas públicas voltadas para a agricultura familiar, permita-se conhecer um pouquinho só, e nunca mais a sua visão de mundo será a mesma!

Lanns é engenheiro agrônomo e superintendente da Bahiater

Uma das formações da Seleção de Itabuna da época. Luiz Carlos, Abiezer, Zé David, Carlos Alberto, Leto e Ronaldo; Jonga, Santinho, Gajé, Carlos Riela e Fernando Riela || Foto Acervo Walmir Rosário
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Neste dia Afrânio Lima estava possesso, pois tinha perdido algumas apostas no jogo anterior (manipulado, dizia), inclusive uma joia com um brilhante caríssimo. Mas Afrânio estava confiante na vitória e não regateou: apostou todo o dinheiro que carregava numa pequena maleta.

 

Walmir Rosário

A cada jogo da Seleção Amadora de Itabuna a torcida comemorava em duas festas: a vitória dentro de campo e as intermináveis festanças pelas ruas das cidades, tanto em Itabuna ou nas casas adversárias. Não importava o local, os efusivos festejos eram garantidos pelos resultados positivos. Nos terreiros alheios Itabuna sempre “cantava de galo”.

E esses rituais eram sagrados e garantidos pela força da torcida que acompanhava o escrete alvianil. Um substancial exemplo foi a festança em comemoração à conquista do Hexacampeonato Baiano de Futebol Amador, em Alagoinhas. Embora a festa tivesse sido preparada pelo adversário, os itabunense festejaram até o dia raiar como se estivesse em casa.

E dentre a grande comitiva que acompanhava a Seleção de Itabuna, dirigentes e torcedores dos mais diferentes níveis sociais, o que fazia a diferença. Como queria o escritor francês Alexandre Dumas em Os Três Mosqueteiros, era “um por todos, e todos por um”. E assim as festas rolavam até que voltassem a Itabuna, onde a comemoração continuava sem horário para encerrar.

No Campeonato Baiano de 1964, a Seleção de Itabuna disputou a final com a Seleção de Feira de Santana. No primeiro jogo, realizado em Itabuna, Feira de Santana foi goleada pelo placar de 4X0, três gols de Gajé e um de Santinho. Foi um passeio completo. Para ficar com a taça, poderia até perder para o selecionado da Princesa do Sertão por um placar menor.

Afrânio Souza Lima dobrou aposta e encheu a mala || Foto Acervo Walmir Rosário

E em Feira de Santana Itabuna perde para o selecionado local por 1X0, após o árbitro, caprichosamente, anular três gols do craque Fernando Riela. Como o regulamento do campeonato foi modificado, as duas equipes teriam que disputar uma terceira partida, justamente no estádio Joia da Princesa. Mais um osso duro de roer. Menos para Afrânio Souza Lima, que não jogava conversa fora e acreditava no penta.

Para os craques itabunense a mudança não faria diferença e o que somente importava era ganhar o jogo e levar mais uma taça para Itabuna. No terceiro jogo, Itabuna entra em campo para ganhar e pouco se importou com a pressão dos feirenses que lotavam o estádio. Apesar de pequena, a torcida itabunense era barulhenta e incentivava a seleção em mais uma brilhante vitória por 3X1.

Se em campo a guerra era intensa, nas arquibancadas não era diferente e os itabunenses confiavam na vitória. Um deles era Afrânio Lima, cacauicultor e pecuarista que acompanhava a Seleção de Itabuna em todos os jogos. Mais do que a simples presença, gostava de desafiar os adversários, os chamando para apostar. E ainda oferecia vantagem.

E neste dia Afrânio Lima estava possesso, pois tinha perdido algumas apostas no jogo anterior (manipulado, dizia), inclusive uma joia com um brilhante caríssimo. Mas Afrânio estava confiante na vitória e não regateou: apostou todo o dinheiro que carregava numa pequena maleta. Saiu do estádio com a maleta e os bolsos entupidos de dinheiro dos torcedores feirenses. “Patos”, dizia.

Era chegada a hora da festa e ninguém sabia comemorar mais que Afrânio Lima. Saiu do estádio e foi o primeiro a chegar à boate contratada para a comemoração da vitória da Seleção de Itabuna. E entre as primeiras providências tomadas, o fechamento da casa e lavá-la por inteiro com a melhor e mais gelada cerveja. Estava tudo pronto para comemorar o Pentacampeonato Baiano de Amadores.

Assim que os jogadores e comissão técnica iam entrando, passavam pelo banho de cerveja. A festa na boate feirense atravessou a madrugada. Cedo, embarcaram no ônibus da Sulba, especialmente fretado, e uma nova parada para o café da manhã em Sapeaçu. E assim as comemorações continuavam nas sucessivas e providenciais paradas. Festas das boas.

Em Itabuna a multidão aguardava a Seleção Pentacampeã Baiana, em plena segunda-feira, transformada em feriado pelo prefeito Félix Mendonça. Mas os vitoriosos jogadores ainda tinham uma obrigação, entrar na vizinha cidade de Itajuípe e participar do banquete promovido pelo presidente do Bahia local, Oswaldo Gigante. E assim foi feito.

Em Itabuna uma multidão, com charangas a postos para batucar no desfile pelas ruas da cidade, aguardava os jogadores e torcida na praça Adami. Carro de Bombeiros a postos, os itabunenses se rendiam aos eternos campeões. Já Afrânio Lima, assim que chegou, se despediu dos jogadores e rumou para se encontrar com os amigos no Bar Avenida, de Olímpio, e comemorar. Na farra, abriu a valise e mostrou a vultosa aposta que ganhara dos “patos” feirenses.

Walmir Rosário é radialista, jornalista e advogado, além de autor de livros como Os grandes craques que vi jogar: Nos estádios e campos de Itabuna e Canavieiras, disponível na Amazon.

Livro traz o diálogo histórico e curto entre Paulo Henrique Amorim e Silvio Santos || Fotos Divulgação
Tempo de leitura: < 1 minuto

 

Numa tarde, depois de nove meses desempregado, recebeu um telefonema da amiga Hebe Camargo. 

 

Marival Guedes

O jornalista Paulo Henrique Amorim quando demitido do Jornal do Brasil foi trabalhar na TV Manchete, TV Globo, Bandeirantes, TV Cultura de São Paulo e TV Record.

Numa tarde, depois de nove meses desempregado, recebeu um telefonema da amiga Hebe Camargo.

– Paulo Henrique, estou aqui na sala do Sílvio. Estou dizendo a ele que você deveria vir pra cá. Você toparia?

– Claro, Hebe, muito obrigado. Estou desempregado.

-Viu, Sílvio, ele topa! Fale com ele, Sílvio.

Vai Sílvio Santos ao telefone.

– Olá, Paulo Henrique. Eu gosto muito do seu trabalho. Muito, mesmo. Mas, eu gosto do seu trabalho, na televisão dos outros.

Esta história foi relatada por Paulo Henrique Amorim no livro O quarto Poder – uma outra história, de sua autoria, publicado pela Editora Hedra em 2015.

Marival Guedes é jornalista.

A capa de "Pedra Branca" e o seu criador, Ramon Fernandes || Fotos Walmir Rosário
Tempo de leitura: 3 minutos

 

 

 

Como no juízo final, os personagens ganham o lugar que merecem na história, sem atropelos, de acordo com seus procedimentos.

 

Walmir Rosário

Em apenas duas sentadas – com muito fôlego – li o novíssimo romance Pedra Branca, sangue e poder, lançado no último sábado (10-08-24), no restaurante Porto dos Milagres, em Canavieiras, por Ramon Fernandes. O livro marca a estreia do autor na literatura, com uma obra bem engendrada e que contribui para o enriquecimento da intelectualidade regional.

A história é ambientada na fictícia Pedra Branca, pequena cidade interiorana fincada nas barrancas do rio Jequitinhonha, bem na divisa dos estados da Bahia e Minas Gerais. Como todo o romance que busca prender o leitor, já no início nos apresenta um personagem que morre cedo, mas deixa um imenso legado.

A história é bem fiel ao estilo de vida interiorano, com fortes raízes fincadas na família campestre e na pachorra das pequenas cidades, com a predominância dos seus personagens marcantes. E todos estão bem situados, cada um com seus destaques: o padre, os coronéis, os comerciantes, os políticos, o delegado, a dona do bordel, ou casa de conveniência, como queiram.

Ramon Fernandes é formado em Filosofia pela Universidade Estadual de Santa Cruz (Uesc), professor na rede particular de ensino, servidor público municipal da Prefeitura de Canavieiras e ex-secretário de Cultura. Embora com vida fincada em Canavieiras, conhece e viveu em outras cidades regionais, algumas bastante parecidas como a descrita no romance.

Daí é que após a leitura de Pedra Branca, sangue e poder tomei a liberdade e indiscrição ao perguntar ao autor se o livro era oriundo de uma história verdadeira e por ele romanceada. Respondeu que era apenas fruto de sua imaginação – criativa, digo eu, diante do bom argumento, desenvolvimento e ambientação.

Os personagens com vida breve na história saem com dignidade e os longevos sempre aparecem em bons momentos. Não sei se é redundante observar que nas cidades pequenas – no estilo Pedra Branca – as ocorrências são sempre monótonas, contrastando com os fuxicos e brigas normalmente resolvidas entre as partes, no estilo mais agressivo.

As diferenças menores são resolvidas por meio dos conselhos do delegado, que a todos conhece e há muito se tornou amigo. Mas só que mora ou morou em pequenas cidades interioranas, notadamente nas divisas de estados, conhecem de perto as rusgas entre as pessoas influentes e seus apaniguados, que vão desde as questões de terras e as políticas.

E em Pedra Branca as guerras não acontecem somente entre as diversas famílias, mas também dentre um mesmo clã, geralmente derivadas por ciúmes, posição social e riqueza. E essa questão está presente no romance com briga fraticida entre coronéis, sem faltar motivação para a expropriação de terras com o apoio dos revólveres e rifles dos jagunços.

A personalidade feminina aparece com muita distinção e força, desde a coronela, senhora de si e que comanda com mão-de-ferro suas propriedades e família. Com a ajuda de bons jagunços, defende seus bens contra pessoas da própria família; resolve sua vida conjugal de uma hora pra outra após a viuvez; ajuda seus protegidos. Uma mulher resolvida.

Também aparece com altivez e se torna personagem marcante a figura meiga da senhora do delegado, com ares de professorinha, que assume o protagonismo de uma hora pra outra, sem que alguém esperasse. Outra personagem, esposa de um coronel, vítima de maus-tratos, resolve se libertar do jugo do marido, toma uma atitude inesperada e vai viver nova relação. Esta proibida pelas leis dos homens e de Deus.

Lançamento do romance de Ramon Fernandes, no Restaurante Porto dos Milagres

Não poderia faltar na trama os forasteiros que chegam, encontram oportunidades e as aproveitam. Alguns metem os pés pelas mãos, mas conseguem se segurar devido às habilidades no relacionamento social e político. Mas como sempre nessa vida terrena, a avareza, a inveja e soberba promovem a própria destruição.

Como no juízo final, os personagens ganham o lugar que merecem na história, sem atropelos, de acordo com seus procedimentos. Os maus geralmente acabam na cadeia ou cemitério, os bons continuam distribuindo felicidade, os menos atrevidos sem destaque. Cada qual no seu quadrado, como determina Ramon Fernandes, com minha posterior aprovação. Recomendo.

Walmir Rosário é radialista, jornalista e advogado, além de autor de livros como Os grandes craques que vi jogar: Nos estádios e campos de Itabuna e Canavieiras, disponível na Amazon.

Maurício Maron escreve sobre ataque xenófobo a pré-candidata a prefeita de Ilhéus
Tempo de leitura: 2 minutos
Adélia nasceu em Itabuna, como nasceram Antônio Olímpio e Jabes Ribeiro. E essa identidade territorial não lhe tira a legitimidade do pertencimento e nem sua trajetória tão presente em Ilhéus.

Maurício Maron

A pré-candidata a prefeita de Ilhéus, Adélia Pinheiro, nasceu em Itabuna e com apenas seis dias veio morar em Ilhéus, onde os pais já viviam. Passou a infância no Pontal, no Centro e na Conquista. Começou o Jardim de Infância no Vovó Isaura, na Cidade Nova. Estudou o maternal na Escola Perpétua Marques. Ingressou no Colégio Piedade até concluir o 1° ano científico. No Colégio Vitória fez até o terceirão.

Saiu temporariamente de Ilhéus em 1982 para cursar medicina na UFBA.

Não existia este curso em outro lugar na Bahia.

Adélia foi atleta da seleção ilheense de vôlei.

Estudou, formou, voltou. Tornou-se professora da Universidade Estadual de Santa Cruz (UESC), reitora por dois mandatos e, convocada pelos governos de Rui Costa e Jerônimo Rodrigues, foi servir à Bahia. Dois dos seus três filhos nasceram em Ilhéus. O terceiro só não, por que foi prematuro e ela precisou, por segurança, ser transferida para Salvador. Pena que não existia o Materno-Infantil que ela, como secretária, cuidou tão bem.

Feita essa linha do tempo, é, portanto, inaceitável e mesquinho que os seus opositores políticos e setores da imprensa ligados a eles, a tratem como uma “pessoa de fora e sem identidade com Ilhéus”. Adélia nasceu em Itabuna, como nasceram Antônio Olímpio e Jabes Ribeiro. Ou como nasceu João Lyrio em Itapé ou Herval Soledade, em Salvador. Adélia nasceu em Itabuna, como nasceu Valderico Reis, em Ibirataia. E essa identidade territorial não lhe tira a legitimidade do pertencimento e nem sua trajetória tão presente em Ilhéus.

Trabalhei em vários estados do Brasil. E foi em Itabuna onde vivenciei o desagradável protesto pelo fato de um prefeito da época ter contratado “uma pessoa de fora” para sua assessoria. Esse “estrangeiro” era eu, numa cidade onde os meus antepassados ajudaram a construir.

Acho isso de uma imensa pequenez quando numa campanha o assunto prioritário a ser debatido é outro. O fato de não ter nascido numa cidade, não diminui a história de uma pessoa ou o vínculo que você ao longo de uma vida inteira conseguiu construir com ela.

É como li uma certa vez: os laços afetivos que vamos fazendo durante a jornada da vida são, muitas vezes, mais firmes que nós apertados.

Maurício Maron é jornalista.

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Ao se aproximar dos 500 anos, Ilhéus está muito perto de ter, pela primeira vez, uma mulher prefeita.

 

Cris Calabraro

As eleições municipais em Ilhéus terão a participação de mulheres em todas as chapas majoritárias. Podemos dizer que estamos vivendo um momento histórico, que marca muitas mudanças. Uma luta milenar de toda a sociedade. A trajetória das mulheres na política é uma história de batalhas e conquistas e, de forma efetiva, começa a se concretizar. Vemos um novo cenário político ilheense.

A presença das mulheres na política é fundamental, pois é um passo enorme para diminuir as injustiças e as desigualdades, servindo de inspiração para futuras gerações, priorizando saúde, educação e o cuidado com as pessoas. O potencial feminino de promover mudanças positivas sustenta o argumento de que mais mulheres na política geram gestões inovadoras para o desenvolvimento social.

Mais do que representatividade, é ter no centro das atenções pautas supostamente secundárias, muitas vezes vistas como irrelevantes, mas que, quando centralizadas, demonstram ser determinantes para verdadeiras transformações. Um desafio a ser enfrentado.

Ao se aproximar dos 500 anos, Ilhéus está muito perto de ter, pela primeira vez, uma mulher prefeita. A pré-candidatura da professora Adélia, da Federação Brasil da Esperança (PT-PCdoB-PV), influenciou a maior participação efetiva de mulheres nas disputas eleitorais, sendo a única a concorrer à Prefeitura, uma vez que nas demais chapas as mulheres ocupam a vaga de vice.

As candidaturas femininas para o legislativo também ganham destaque, temos mais mulheres preparadas e prontas para assumir cadeiras na Câmara de Vereadores e a clareza de que mais mulheres devem ocupar espaços de decisão na administração municipal. Um passo importante para o futuro dessa amada terra chamada Ilhéus!

Cris Calabraro é vice-presidente do PCdoB em Ilhéus e diretora estadual da União Brasileira de Mulheres.

A torcida itabunense lotava o estádio Luiz Viana Filho || Foto Waldyr Gomes
Tempo de leitura: 5 minutos

 

Vem o segundo tempo e Geraldo Santos abre a transmissão com o grito de guerra “Vamos lá Itabuna”, os times se estudam, como no início de jogo, mas ao que tudo indica, os técnicos Paulinho de Almeida, do Vitória, e Tombinho, do Itabuna, pedem para os jogadores apenas tocar a bola. 

 

Walmir Rosário

Guardem bem essa data: 28 de julho de 1973. Dia da Cidade de Itabuna e inauguração do Estádio Luiz Viana Filho. A cidade repleta de autoridades, como o governador Antônio Carlos Magalhães, o secretário do Bem-Estar Social, Bernardo Spector, os presidentes do Vitória, do Bahia, da Federação Bahiana de Futebol, o prefeito José Oduque e o presidente do Itabuna, Charles Henri.

E para inaugurar o estádio, que ficou conhecido como o “Gigante do Itabunão”, dois jogos foram agendados: o primeiro, entre Itabuna Esporte Clube e Vitória, no sábado (28-07-1973), e o segundo, entre Bahia e Cruzeiro, este no domingo (29-07-1973). Uma festa esportiva pra ninguém botar defeito, com público de várias cidades baianas, além da imprensa de diversos estados brasileiros.

Até hoje sinto bastante não estar presente à efeméride esportiva grapiúna, pois à época morava em Paraty (RJ), de onde ouvi resenhas e parte do jogo pela Rádio Sociedade da Bahia. Claro que não lembro exatamente o que ouvi, mas faço escrita das palavras dos colegas radialistas, Geraldo Santos, Yedo Nogueira, Ramiro Aquino, Roberto, Juca e Jota Hage, por meio da Rádio Jornal de Itabuna, cuja gravação ostento com carinho em minha biblioteca.

Geraldo Santos e Yedo Nogueira (com os microfones) || Acervo de Walmir Rosário

Pra começo de conversa, o Itabuna era um time de respeito, com jogadores vindos da vitoriosa Seleção itabunense hexacampeão baiana, bem reforçada com novos jogadores regionais e do Rio de Janeiro. Mas, a bem da verdade, encarar aquele poderoso esquadrão do Vitória era dose pra elefante, como se dizia bem antigamente.

E o jogo entre Itabuna e Vitória valia mais do que o placar de 2X2 anotado ao final da partida. A histórica inauguração do estádio de gramados suspensos, como enaltecia a mídia esportiva, tinha a grandeza do que aconteceria no jogo, como, por exemplo, quem marcasse o primeiro gol seria consagrado para o resto da vida. E esse feito coube ao ponteiro-direito Osny, o endiabrado camisa 7 do Vitória.

Outro aspecto importante dessa inauguração era o privilégio de estar presente no jogo 12 do teste de número 146 da Loteria Esportiva, sob os olhares dos apostadores de todo o Brasil. E ao anunciar o placar, o narrador Geraldo Santos não cansava de enfatizar em qual coluna se encontrava – um, do meio ou a dois, E terminou na coluna do meio, com o placar de 2×2.

E nessa transmissão, a Rádio Jornal ostentava como patrocinador exclusivo o novíssimo Centro Comercial de Itabuna, equipamento urbano considerado o mais moderno do Sul da Bahia. Num dos reclames, Geraldo Santos dizia: “Marque o maior tento de sua vida, compre uma loja no Centro Comercial de Itabuna, a obra do século”, como queria o bom marketing da época.

Após uma parada no jogo para os jogadores baterem uma falta, lateral ou escanteio, Geraldo Santos indicava aos possíveis clientes que poderiam adquirir uma loja na Construtora Fernandes, na avenida Amélia Amado, ou junto ao empreendedor Plínio Assis, na praça Otávio Mangabeira. E o Plínio era aquele mesmo que foi goleiro do Flamengo e da Seleção Amadora de Itabuna.

Enquanto isso, o jogo continuava pegado, com vantagem do Vitória nas jogadas, principalmente de Osny, Mário Sérgio, André e Almiro. Segundo o comentarista Yedo Nogueira, o jogo ainda se encontrava na fase de estudo, reconhecimento do terreno. E o narrador prometia dar um rádio Philips de presente ao jogador que marcasse o primeiro gol no Estádio Luiz Viana, uma gentileza da Loja Rosemblait

Aos sete minutos do primeiro tempo, eis que André, ainda o “Peito de Aço”, invade a área, dribla o goleiro Luiz Carlos, que derruba o centroavante na grande área. Pênalti, marca o árbitro Saul Mendes. O serelepe Osny se prepara para bater a penalidade máxima, chuta com maestria e o resultado foi bola no canto esquerdo e o goleiro caindo no canto direito. Gol do Vitória!

Coluna 2 do jogo 12 do teste 146 da Loteria Esportiva. Em outro lance, enquanto o Itabuna se prepara para bater um escanteio, Geraldo Borges convida os ouvintes de toda a região para assistirem ao super show do cantor Roberto Carlos e Banda RC7 no novíssimo Estádio Luiz Viana Filho, no próximo dia 2 de agosto. Em campo, Reginaldo bate o tiro de canto e a zaga do Vitória rebate para o ataque.

Exatamente aos 16 minutos do primeiro tempo, enquanto o comentarista Yedo Nogueira analisa que o Itabuna está sem qualquer esquema de jogo para entrar na área do Vitória, André volta a receber outra bola e marca o gol. O Segundo do Vitória. Imediatamente os jogadores partem em direção ao bandeirinha Wilson Lopes para reclamar do mais claro e límpido impedimento e são ameaçados de expulsão pelo árbitro Saul Mendes. Só faltou dizer “gol legal”, como Mário Vianna, com dois enes.

E a partida continua na coluna 2 no jogo 12 do teste 146 da Loteria Esportiva. Aos 30 minutos Osny chuta raspando a trave de Luiz Carlos. Aos 33 minutos, Déri invade a grande área e pega o goleiro Agnaldo, do Vitória desprevenido e marca o primeiro gol do Itabuna, fazendo delirar na arquibancada a torcida alvianil.

E o gol deu ânimo aos jogadores do Itabuna e numa jogada de ataque, Rafael passa pelo marcador, a bola é rebatida por Valter (Vitória) cai nos pés de Perivaldo, que passa a pelota a Jaci, que dá o passe para Déri marcar o segundo gol. A torcida, animada pela bateria da Escola de Samba da Mangabinha, comemora pra valer. Itabuna 2, Vitória também 2. Coluna do meio na loteca.

Vem o segundo tempo e Geraldo Santos abre a transmissão com o grito de guerra “Vamos lá Itabuna”, os times se estudam, como no início de jogo, mas, ao que tudo indica, os técnicos Paulinho de Almeida, do Vitória, e Tombinho, do Itabuna, pedem para os jogadores apenas tocar a bola. E assim o placar continuou selado nos 2X2 e Déri também é agraciado com um rádio Philips da Loja Rosemblait.

No dia seguinte o jogo foi entre Cruzeiro e Bahia, e não passou de 1×1.

Walmir Rosário é radialista, jornalista e advogado, além de autor de livros como Os grandes craques que vi jogar: Nos estádios e campos de Itabuna e Canavieiras, disponível na Amazon.

Fernando Gomes dispensou o voo para seguir o coração
Tempo de leitura: 4 minutos

 

 

Apesar de uma só turbina funcionando, o avião pousou com tranquilidade. Em terra, ambulâncias carros de bombeiros junto à pista, completavam a segurança, embora não precisaram intervir.

 

Walmir Rosário

No início de 2007 me deparei com o então prefeito de Itabuna, Fernando Gomes, no aeroporto de Congonhas. Eu vinha de Joinville, após passar uns dias com os filhos; ele de Brasília, onde tinha ido prospectar recursos para a cidade. Estava com uma gripe violenta e disse ter passado a noite em São Paulo, por não ter chegado a tempo do último voo para Ilhéus.

E o motivo não foi um simples atraso, segundo ele, pois o avião em que saiu de Brasília para fazer a conexão com o que iria a Ilhéus apresentou alguns problemas, chegando a São Paulo fora do horário previsto. A alternativa possível seria passar a noite na capital paulista e retomar a viagem no primeiro horário do dia seguinte. Não tinha outro jeito.

Apesar da dificuldade em falar, causada pelas constantes tosses e rouquidão, estava encantado com a atual fachada dos prédios da capital paulista, livre dos anúncios publicitários que tornava feia a paisagem. É que poucos dias antes, o então prefeito da Paulicéia, José Serra, travou uma guerra contra a poluição visual dos anúncios.

De pronto, não ficou um letreiro luminoso – ou não –nas fachadas dos arranha-céus. Outdoor, nem pensar. “Adeus poluição visual”, comemorava Fernando Gomes, elogiando a coragem e determinação do seu colega paulista em tomar uma medida drástica, contrariando o poderoso segmento publicitário paulista, o maior do Brasil.

Enquanto Fernando Gomes falava eu notava um brilho nos seus olhos, apesar de marejados com as lágrimas derramadas pelo mal-estar da forte gripe, ou da estranha virose, conforme tinha diagnosticado o pneumologista na noite passada. Assim que a tosse aliviava, ele voltava a puxar a conversa, sempre focada para o novo aspecto visual de São Paulo, capital.

Lá pelas tantas, me garantiu que assim que chegasse a Itabuna convocaria o Procurador-Geral e os secretários da Administração e Indústria e Comércio para uma reunião, na qual proporia uma ação idêntica à tomada pelo colega José Serra em Itabuna. “Nosso centro da cidade está muito feio, com aquelas placas de publicidade horríveis e que não condizem com a magnitude de Itabuna”, ressaltava o prefeito.

Já nos preparávamos para embarcar num determinado portão, quando tivemos que tomar outro rumo, devido à mudança do local de estacionamento da aeronave. Fernando Gomes não se conteve e foi tomar satisfação com o pessoal da TAM, para saber qual o verdadeiro motivo da transferência repentina. Seria algum problema na aeronave? Perguntava.

Só aí, então, Fernando Gomes mudou de assunto, contando que se não fosse pelo seu agravado problema de saúde, ele abortaria sua viagem nesse voo, que passou a desconfiar de algum problema à vista. Embarcamos no ônibus que nos levaria ao avião e ele passou a me relatar uma situação desagradável que vivera anos antes num voo da Varig.

Teria saído de Brasília para Ilhéus com escalas previstas em São Paulo e Rio de Janeiro. Ele optou por esse voo com a esperança de chegar mais cedo, pois o próximo só sairia 6 horas depois. E como precisava chegar cedo a Itabuna, onde assuntos urgentes lhe aguardavam. Logo chegou a Congonhas e mudou de aeronave, essa com escala no aeroporto Santos Dumont e, em seguida, Ilhéus. Nem desceria do avião.

Assim que chegaram ao Rio de Janeiro foram comunicados que o avião entrara numa pequena pane e que logo retornariam a bordo. Cerca de quarenta minutos depois voltaram a embarcar na mesma aeronave. Assim que decolaram estoura uma turbina, e passaram uns 45 minutos rodando para derramar o combustível, aumentando a segurança do pouso.

Apesar de uma só turbina funcionando, o avião pousou com tranquilidade. Em terra, ambulâncias carros de bombeiros junto à pista, completavam a segurança, embora não precisaram intervir. Mais uma vez teriam que remarcar as passagens, no balcão da Varig, marcada pela enorme fila que se formara pelos assustados passageiros.

Assim que Fernando Gomes recebeu a nova passagem e as orientações sobre o novo voo, disse sentir seu coração avisando: “Não vá nesse voo”. De pronto, falou com a atendente que não embarcaria e queria sua bagagem – já despachada desde Brasília – de volta. E ninguém conseguiu lhe convencer. Iria por terra, alugaria um carro e ele mesmo dirigiria.

Na locadora alugou um automóvel JK, da Alfa Romeo, por Cr$1.500,00 (dinheiro da época) e partiu. Quando estava chegando em Campos, mais um problema: tomba o carro. Chama uns homens e lhe ajudam a desvirar o carro e desamassar o teto. Como não tinha sofrido cortes nem se machucado, toca a viagem até Vitória, onde dormiu. Na tarde do dia seguinte chega a Itabuna.

Já o avião que recusou viajar chegou ao aeroporto de Ilhéus uma hora e meia depois, sem ele, é verdade, pois seu coração não o deixou continuar a viajem. Já o nosso voo de São Paulo a Ilhéus chegou após duas horas de percurso sem qualquer problema, permitindo a Fernando Gomes uma consulta ao seu médico de confiança.

Quanto a seguir o projeto do colega José Serra, ficou para outra oportunidade.

Walmir Rosário é radialista, jornalista e advogado, além de autor de livros como Os grandes craques que vi jogar: Nos estádios e campos de Itabuna e Canavieiras, disponível na Amazon.